
É ENORME A REPERCUSSÃO DO DESABAFO DO TC SIMÕES, INCLUSIVE DENTRO DO JUDICIÁRIO E DO LEGISLATIVO QUE SÃO OS ALVOS DESTE CLAMOR POPULAR. O OFICIAL TEVE A CORAGEM DE DIZER, NA ATIVA, O MESMO SENTIMENTO QUE NUTREM SEUS COMANDADOS, OS QUE ESTÃO NA RESERVA, OS POLICIAIS DESTE PAÍS E A POPULAÇÃO QUE DEVE PROTEGER. OS EFEITOS DO DESABAFO JÁ ESTÃO EM CURSO COM AS AUTORIDADES MAIS DILIGENTES RECONHECENDO SUAS MAZELAS E PROMETENDO AGIR PARA MUDAR ESTA SITUAÇÃO DE INOPERÂNCIA. A ESTES ÚLTIMOS, AOS REPÓRTERES E AO TC SERGIO NOSSOS PARABÉNS. A SEGUIR O OPORTUNO ARTIGO DA ROSANA DE OLIVEIRA.
DEDO NA FERIDA - 1/02/2010 - PÁGINA 10 DE ZH - Rosane de Oliveira
A repercussão do desabafo do tenente-coronel Sérgio Simões, na entrevista ao repórter Marcelo Gonzatto, publicada em Zero Hora, só surpreende quem não está acostumado a ouvir a voz das ruas. O coronel disse o que se ouve nas esquinas, com a diferença de que ele não é um cidadão qualquer: é peça-chave na engrenagem que move o sistema de segurança no Estado. É pelo posto que ocupa, de comandante do 11º Batalhão de Polícia Militar, que a entrevista repercutiu tanto. No conteúdo, o coronel não foi original. Reclamou da legislação – que favorece a impunidade –, da falta de mobilização dos políticos para mudar a lei, da libertação dos bandidos ao cumprirem um sexto da pena, da liberação de presos por falta de vagas nos presídios, determinada por juízes, da falta de vagas nas cadeias, mesmo havendo dinheiro reservado para a construção de prédios. Embora não tenha mencionado que há milhares de mandados de prisão que a polícia não consegue cumprir, o coronel disse verdades incômodas. Algumas delas:
1. Ninguém pode se sentir seguro quando um filho sai à noite em Porto Alegre. Nem ele, que integra as forças de segurança;
2. Os índices de criminalidade baixaram no Estado, mas ainda são absurdamente altos.
3. O Legislativo é descompromissado com as questões de segurança;
4. Falta empenho para mudar as leis;
5. É preciso mais determinação para construir presídios e aplicar as verbas que estão disponíveis à espera de projetos;
6. A reincidência não é levada em conta na hora de liberar um criminoso detido pela polícia.
O coronel corre o risco de ser punido pela franqueza, mas desde sábado está sendo tratado como uma espécie de representante dos que não têm voz para protestar contra a insegurança e a impunidade.
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - A manifestação do TC Simões é o clamor de uma sociedade brasileira aterrorizada pela bandidagem nas ruas, desconfiada dos seus parlamentares e desacreditada da justiça. É também a voz dos policiais que vê seus esforços sendo inutilizados no judiciário, apesar de arriscarem a vida enfrentando armas de guerra e um submundo onde cresce uma violência que faz suas próprias leis. Enquanto isto, os Poderes Legislativo e Judiciário toleram uma constituição esdrúxula que centraliza tudo nas cortes superiores de justiça, amarrando e desmoralizando os tribunais regionais e juízes naturais. Nem assim, legisladores e magistrados buscam reformular ou adotar uma postura mais comprometida com a ordem pública e com os anseios por segurança.
O novo presidente da Ajuris disse uma verdade e uma falácia. O clamor é sim antigo, pois à décadas vem o povo se sente inseguro, sem justiça e com um congresso desacreditado. A causa da violência não está no social, colo ele afirmou, mas na falta de ordem pública, uma situação de paz social que não tem encontrado abrigo nos legisladores e nos magistrados capazes de fazer a leis serem respeitadas, cumpridas e aplicadas. Se a causa fosse social, não haveria os mensaleiros, as farras dos parlamentares, as improbidades no Congresso, o Dantas, o Maluf, o Juiz Nicolau e a corrupção no judiciário, no MP e nas polícias, entre outros. Todos estes saqueiam e desviam dinheiro público da saúde, da educação e da segurança, direitos fundamentais para o desenvolvimento do país e a convivência em paz e harmonia. A causa social é a mais visível, pois a maioria dos que estão presos são pessoas pobres que ainda não foram julgadas pela absoluta falta de recursos para pagar a defesa e os recursos.
O Comandante Geral faz o seu papel apaziguador, mas deveria levar esta insatisfação ao Governo do Estado para que este se reuna e debata com a Assembléia Legislativa e Tribunal de Justiça as mazelas que dificultam os policiais na preservação da ordem pública. Amordaçar ou punir um subordinado que fala a verdade e expressa um senitmento coletivo é agir a favor da continuidade deste sistema inoperante e ineficáz.
Portanto, o desabafo do TC Simões não pode emudecer. Os legisladores e magistrados estão negligentes nas questões de ordem pública e isto se reflete na falta de confiança do Congresso e na Justiça. Não podemos continuar tolerando leis benevolentes e um judiciário caro, lento, divergente e distante dos delitos, das polícias, dos presídios e da sociedade. Convoco a todos para escrever para a mídia demonstrando apoio ao TC Simões e exigir dos magistrados e legisladores maior comprometimento com a vida e patrimônio do cidadão brasileiro.
DO LEITOR DE ZH - 02/02/2010
O coronel João Carlos Trindade, em vez de chamar o tenente-coronel Sérgio Lemos Simões para “ter uma conversa” , deveria chamar todo o comando da BM, bem como a governadora, para definir medidas práticas de proteção aos cidadãos. Rejane Rodrigues Penalvo, Advogada–Porto Alegre
Parabenizo o tenente-coronel Sérgio Lemos Simões pela coragem. O grito de socorro vindo do oficial faz coro ao clamor da população, que já não suporta ver tanta violência.Lenira Almeida Heck, Professora – Lajeado










