SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

INSEGURANÇA - NOVO SERVIÇO VIRTUAL DO GOOGLE ESTREIA NO RIO COM CORPO NA RUA.

Corpo é flagrado por câmeras do Street View.


Google diz que vai retirar imagem de corpo flagrada por Street View no RJ. Link no site permite pedir a retirada de imagens pelos usuários. Serviço estreou nesta quinta-feira (30) em 51 cidades brasileiras. Do G1 - Globo.Com, em São Paulo - 30/09/2010.

Imagens divulgadas nesta quinta-feira (30) pelo serviço Street View, do Google, capturaram um corpo coberto por com um saco plástico preto na Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro. Consultado pelo G1, o Google informou que a imagem será retirada ou distorcida, para que o corpo não fique evidente.

O serviço do Google Maps, lançado nesta quinta-feira no Brasil, permite que internautas façam passeios virtuais por mapas de cidades ao redor do mundo.
Durante a divulgação do serviço, a empresa informou que pessoas que encontrarem imagens impróprias podem reportar ao Google por meio do link “Informar um problema”, que fica na parte de baixo das imagens do Street View. Nessa página, o usuário pode descrever qual é o problema e, inclusive, indicar na foto onde está a falha. Segundo a assessoria de imprensa do Google, uma equipe recebe todas essas reclamações e faz o estudo da retirada das imagens.

Novidade

Após meses de trabalho, o Google Brasil lançou nesta quinta-feira (30) o serviço Street View no país. A novidade permite que os usuários que acessam o Google Maps, o site de mapas da empresa, possam realizar um passeio virtual pelas ruas de cidades dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Além das regiões metropolitanas das capitais, cidades históricas de Minas, como Congonhas, Mariana, Tiradentes, Diamantina e Ouro Preto estão no serviço. No total, 51 municípios foram mapeadas no Brasil, primeiro país da America do Sul a contar com esse serviço, que está disponível nesta quinta-feira.

NAVALHA NA CARNE - Alternativas eficientes de combate ao crime no Rio

NAVALHA NA CARNE. Em busca de alternativas eficientes de combate ao crime no Rio de Janeiro - artigo do leitor Igor Rios, O Globo, 29/09/2010 às 14h07m

Está ficando normal lermos nos jornais o envolvimento de policiais em atividades criminosas. Sempre que prendem uma grande quadrilha, na maioria dos casos, há um ou mais policiais envolvidos. Sabemos que a corporação é, em sua maioria, de pessoas sérias e honestas, porém os maus policiais causam grandes estragos. E a situação piora quando temos políticos e funcionários públicos trabalhando em favor da bandidagem.

Se vasculharmos o planeta em busca de exemplos, veremos facilmente que todo país com alto grau de corrupção é uma nação violenta. Os países mais violentos não são em regra os que mais vendem drogas, mas sim os mais corruptos. Não existe nenhum caso que foge à regra. Até mesmo em países com duras penas para condenados, a corrupção está presente e, por consequência, a violência.

Nova Iorque durante muitos anos passou por um período sombrio. A violência estava em todos os cantos e a criminalidade crescia e ganhava força. O prefeito Rudolph Giuliani assumiu a empreitada de combate à violência e notou que qualquer iniciativa seria inútil, se antes não fosse feita uma grande limpeza na casa. Ele afastou maus policiais e funcionários envolvidos com qualquer tipo de crime e notou que não adiantava em nada comprar novos carros e investir em tecnologia e inteligência se os "ralos" da corrupção no fossem tapados.

A tarefa era muito difícil, mas rendeu frutos. É a chamada navalha na carne. Hoje, Nova Iorque é bem melhor do que a Nova Iorque de 30 anos atrás. Aqui no Rio algo semelhante acontece. O trabalho de centenas de bons policiais é anulado por meia dúzia de criminosos fardados. Armas de grosso calibre trafegam grandes distâncias pelas estradas, porque a propina deixou as portas abertas. Munição e drogas também circulam em todo país, pois a propina é uma espécie de moeda de troca, como o "greencard".

Estes maus policiais só são presos por acaso, quando uma investigação descobre o envolvimento deles com grupos de criminosos. O policial em si não é o objeto da investigação, mas acaba sendo descoberto pelo envolvimento com marginais procurados. O Estado e a União devem empregar força total na investigação e condenação desta pequena parcela de policiais corruptos que botam a vida dos bons policiais em risco. Um mega pente fino deve ser feito para erradicar ou ao menos diminuir o efetivo da banda podre. Como foi em Nova Iorque, será um árduo trabalho, mas com frutos garantidos.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

ELEIÇÕES 2010 - NA BAHIA, SEGURANÇA E CORRUPÇÃO DOMINAM O DEBATE

Segurança pública e corrupção dominam debate na Bahia - MATHEUS MAGENTA, DE SALVADOR, FOLHA ONLINE 29/09/2010

O último debate entre candidatos ao governo baiano, realizado ontem pela TV Bahia (afiliada da Rede Globo), foi marcado por críticas ao aumento da violência no Estado e acusações de corrupção na gestão da saúde do governador Jaques Wagner (PT), candidato à reeleição.

O ex-governador da Bahia Paulo Souto (DEM) disse que o crescimento da violência é um problema de "gestão" de Wagner e classificou os 18 mil homicídios na Bahia em quatro anos como "assustador".

O candidato do PMDB, Geddel Vieira Lima, afirmou que os jovens são "presas fáceis do tráfico de drogas" e cobrou a construção de vilas para policiais militares, promessa feita em 2006 por Wagner e não realizada até então.

Segundo Wagner, as vilas não foram construídas porque estudos mostraram que a medida não é adequada e disse que policiais do Estado foram beneficiados por programas de habitação popular.

Nos quatro debates realizados no Estado, o principal foco de crítica à atual gestão por parte dos adversários de Wagner foi a área da segurança. Entre 2006 e 2009, o número de homicídios em Salvador aumentou 41%, segundo dados do governo baiano.

No debate de ontem, o candidato Luiz Bassuma, do PV, apontou supostos casos de corrupção na pasta estadual de saúde e afirmou que a Bahia perde "R$ 1 bilhão todo ano pelo ralo da corrupção".

No direito de resposta concedido a ele, Wagner disse que "não há corrupção na Bahia e, se houver, será combatida". Ainda segundo o petista, Bassuma deveria ter mais "cerimônia" ao fazer acusações sem provas. O debate contou ainda com a participação do candidato Marcos Mendes (PSOL).

SEGURANÇA E ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

OPINIÃO. Segurança e eleições presidenciais - JORGE ANTONIO BARROS, O Globo, 28/09/2010 às 18h09m

A taxa de homicídios no Brasil passou de 19,2 em 1992 para 25,4 em 2007, um crescimento de 32% em 15 anos. Desse total, cinco anos se passaram sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Até maio, o Brasil ocupava o 9º lugar no ranking mundial.

Não é novidade que a segurança pública tem sido um tema desprezado pelos partidos e seus candidatos à Presidência, segundo seus programas de governo, desde as eleições de 1989. A cada episódio violento de repercussão nacional, governos e candidatos abordam o tema, como se ele fosse novo, ou garantem que vão incluí-lo na agenda política. Passa o tempo e, mais uma vez, o assunto morre, exatamente como as 50 mil pessoas assassinadas por ano no país.

A segunda campanha de Fernando Henrique foi uma das primeiras a incluir o tema da segurança com mais destaque, mas a maioria dos planos ficou no papel. Assim ocorreu também no primeiro mandato do presidente Lula. Só em seu segundo governo, a segurança pública ganhou boa visibilidade, com o aumento da parceria entre a Secretaria Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça, e os governos estaduais e municipais.

A propaganda eleitoral gratuita se aproxima do fim sem que o tema da segurança tenha conquistado a visibilidade necessária para mobilizar a sociedade. Os três candidatos à Presidência à frente nas pesquisas afirmam que a segurança é prioridade. Mas pelo que propagam em seus sites não é bem assim. A segurança ainda é tratada com menos importância porque a grande maioria das vítimas de homicídios continua sendo pobre, preta e residente nas periferias das grandes cidades.

Marina Silva (PV) é a única que dá destaque ao tema logo na capa do site, mas seu projeto é tão amplo quanto o que diz a Constituição sobre o assunto. O site da candidata Dilma Rousseff (PT) apresenta apenas o item da segurança no link para o programa de governo, sem no entanto mostrar qual é sua proposta. Sabe-se que a mãe do PAC vai ser também a madrinha da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), sem levar em conta a realidade de cada estado.

O site oficial do candidato José Serra (PSDB) não permite que se conheça seu programa de governo, a menos que você informe seus dados, se cadastre, crie uma senha e dê seu número de celular.

Decidir pelo candidato presidencial apenas levando-se em conta o tema da segurança será, portanto, tarefa muito difícil para o eleitor.

JORGE ANTONIO BARROS é jornalista e autor do blog Repórter de Crime.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - O problema é que no Brasil "Segurança Pública" não dá voto. É só contar o número de parlamentares policiais e agentes prisionais que estão no Congresso, nas Assembléias legislativas e nas Câmaras de Vereadores. O número é muito pequeno em relação ao potencial destas categorias e o clamor popular por paz social. Além do mais, segurança, educação e saúde só são prioridades em tempo e véspera de eleições. Assim que finda, as promessas não são cumpridas, as verbas são desviadas e estas três áreas ficam sucateadas, deixando o povo a mercê da ignorância e da morte prematura. Estas três áreas só serão valorizadas o dia em que o povo sair do coma cívico a que está submetido e buscarem nas ruas a ação coativa da justiça.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

TERROR NO RIO - ASSALTOS EM ENGARRAFAMENTOS

Motoristas são assaltados em engarrafamento na Estrada do Joá - 28/09/2010 às 01h51m; O Globo

RIO - Por volta das 21h desta segunda-feira, bandidos assaltaram motoristas que estavam parados em um engarrafamento na Estrada do Joá, que liga São Conrado à Barra da Tijuca. De acordo com informações do 23º BPM (Leblon), os criminosos levaram celulares, carteiras e joias das vítimas, além das chaves dos carros. Pelo menos três motoristas registraram a ocorrência na 16ª DP (Barra da Tijuca). Após o roubo, policiais fizeram buscas na região, mas ninguém foi preso.

No último dia 14, outro assalto assustou motoristas que passavam pela Estrada do Joá . Cinco homens armados com pistolas e uma metralhadora fechar.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Esta se tornando rotina no Rio estes assaltos em engarrafamentos, nas avenidas e em túneis. Diante da ausência policial e da facilidade em bloquear e abordar a vítima, a bandidagem encontrou nesta tática um bom e seguro negócio. Pode se alastrar pelo país. Enquanto isto, a polícia tenta coibir prendendo os criminosos, mas a justiça insiste em soltar ou beneficiar amparada por leis esdrúxulas e benevolentes mantidas por um parlamento omisso e negligente.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

INSEGURANÇA - TAXISTAS DO RS ATERRORIZADOS POR ASSALTOS E ASSASSINATOS

Taxistas entregam carta de reivindicações e BM anuncia medidas para melhorar a segurança. Após encontro com autoridades da segurança, taxistas cancelaram protesto no Centro - ZEROHORA.COM E RÁDIO GAÚCHA

Durante audiência na Secretaria de Segurança Pública, em Porto Alegre, um grupo de oito taxistas, não ligados ao Sintaxi, entregou uma carta de reivindicações ao comando de policiamento da Capital. A Brigada Militar (BM) se comprometeu em analisar o documento e anunciou medidas.

A ideia é realizar uma série de encontros para repassar orientações de segurança aos motoristas. Após a reunião, os taxistas cancelaram o protesto que estava sendo organizado para final da tarde em vias do Centro.

No documento, os taxista pedem - entre outros itens - a realização de um maior número de barreiras. Além disso, uma solicitação antiga: a de que os passageiros dos táxis também sejam revistados e identificados nas vistorias.

Um dos representantes dos taxistas, Daniel Vierneu, salienta que a categoria quer também o policiamento em tempo integral em pontos apontados como críticos para segurança.

— Viaturas em áreas de risco 24 horas por dia, barreiras policiais trocando o local de 40 em 40 minutos — resumiu o taxista.

Entre os pontos considerados perigosos pelos taxistas estão as avenidas Baltazar de Oliveira Garcia, Bento Gonçalves próximo da Agronomia, Bernardino Silveira Amorim e Sertório.

Segundo o comandante de policiamento da Capital, coronel Antero Batista, a Brigada Militar se comprometeu em marcar datas e locais para encontros com taxistas. Nas reuniões, serão repassadas orientações e informações que podem ser úteis para melhorar a segurança dos motoristas.

— Recebemos a documentação com sugestões e vamos analisar a viabilidade para tomar providências em relação a isso. Estamos sempre abertos ao diálogo. Mas a novidade é que nós nos colocamos à disposição para receber os taxistas em horários e locais determinados para passar orientações e informações sobre segurança — afirmou o coronel.

Os encontros deverão ser marcados em dias e turnos diferentes para que o maior número possível de taxistas possa participar. Sobre a realização de barreiras, o comandante de polciamento da Capital garante que a orientação de revistar os passageiros já é seguida durante as ações de fiscalização. O encontro com autoridades da segurança ocorreu em função do assassinato de um taxista no último sábado.

Sepultamento seguido de carreata

O corpo do taxista Rodrigo João Santos da Silva, de 32 anos, foi sepultado nesta tarde no cemitério São Miguel e Almas, em Porto Alegre. Ele foi morto com três tiros neste sábado no bairro Cristal, zona sul da Capital. O taxista chegou a ser levado com vida para o HPS, mas morreu no domingo. Ele deixou três filhos e a mulher, que está grávida.

A exemplo do que ocorreu nas noites de sábado e domingo, os taxistas realizaram novo protesto por segurança. A carreata teve início por volta das 15h. O movimento contou dezenas de veículos e complicou o trânsito em alguns pontos.

Os táxis partiram da região das avenidas Azenha, Princesa Isabel e Oscar Pereira, que normalmente já registram movimento intenso. Depois seguiram até a Voluntários da Pátria, onde foram recebidos pelo comando da Brigada Militar na Secretaria de Segurança Pública.

Primeira morte do ano na Capital


Rodrigo da Silva foi o primeiro taxista assassinado neste ano na Capital, segundo levantamento do Sindicato dos Taxistas (Sintaxi). Em 2009, seis motoristas foram mortos. Na avaliação dos sindicatos, com a série de medidas implantadas no início do ano, os ataques contra táxis migraram para o interior do Estado.

Entre as mudanças estão a instalação de GPS, o trabalho por rádio e telefone à noite e a possibilidade de o cliente pagar a corrida com cartão de crédito.

O presidente do Sintaxi, Luiz Nozari, defende ainda mudanças na legislação brasileira para terminar com a impunidade e garantir que criminosos permaneçam presos. A maior parte dos autores de ataques contra taxistas é de detentos beneficiados com relaxamento de pena, segundo estimativa da entidade.

Polícia trabalha com hipótese de latrocínio

Divulgado no domingo, o laudo da necropsia do corpo do taxista aponta que a vítima foi atingida por um tiro na cabeça e dois no peito. A perícia no táxi foi realizada pela manhã.

De acordo com o chefe de investigações da 20ª Delegacia de Polícia, Alexandre Leão, técnicos do Instituto Geral de Perícia (IGP) localizaram um projetil alojado no carro e coletaram impressões digitais. No interior do veículo, encontraram três telefones celulares, R$ 150 em dinheiro e os documento da vítima.

A polícia trabalha com a hipótese de que Silva reagiu a uma tentativa de assalto. Um outro motorista que seguia atrás do veículo do taxista prestou depoimento na noite deste sábado.

— Acreditamos que os dois homens que embarcaram no táxi assaltariam o motorista depois de subir o morro, na Vila Ecológica. No entanto, pelos relatos que temos, o taxista deve ter reagido antes. Tanto que o carro se desgovernou, deve ter ocorrido uma luta corporal e depois testemunhas já ouviram o barulho dos tiros e os dois fugindo — afirma Leão.

No fim de semana, protesto parou ruas próximas ao HPS

No fim da noite de sábado, assim que a notícia do ataque ao taxista se espalhou entre os colegas, dezenas de taxistas realizaram uma manifestação para reivindicar mais segurança para a categoria.

O movimento teve início no Palácio da Polícia, onde as filas de veículos ocuparam duas faixas da Avenida Ipiranga, entre a Rua São Luís e a Avenida João Pessoa. Em seguida os taxistas foram para a área do HPS, onde fizeram bloqueios momentâneos na Avenida Venâncio Aires.

De acordo com o Sindicato dos Taxistas de Porto Alegre (Sintáxi), o protesto não foi orquestrado pela instituição, e sim organizado por um pequeno grupo de colegas, em solidariedade à situação de Silva.

Histórico de violência - Em 2010, ao menos oito taxistas foram assassinados no Estado. Confira os ataques registrados em Zerohora.com

- Dia 22 de setembro - Casca - Um taxista foi assassinado na noite desta quarta-feira em Casca, às margens da RS-129, no limite com o município de Serafina Corrêa, região do Planalto Gaúcho. Carlitos Zanini, de 54 anos, foi encontrado morto numa estrada de chão batido. O táxi dele, um Palio, foi localizado próximo ao corpo, acidentado em um barranco. Dinheiro e celular teriam sido roubados.

- Dia 8 de setembro - Porto Alegre - Um taxista de 52 anos viveu horas de terror nesta madrugada em Porto Alegre. Por volta das 3h, ele trafegava na Avenida Assis Brasil quando foi abordado por dois homens. A corrida que deveria terminar na Avenida Aparício Borges se transformou em sequestro relâmpago. Armados, os criminosos renderam o motorista e o colocaram no porta-malas do carro, onde ficou por mais de três horas.

- Dia 2 de setembro - Encantado - A Brigada Militar encontrou o corpo do taxista Juliano Gheno, de 44 anos. O corpo e o automóvel carbonizados foram localizados no sábado, dia 4, no interior de Encantado, no Vale do Taquari. O taxista saiu do ponto de táxi onde trabalhava por volta das 19h de quinta-feira e não retornou.

- Dia 20 de agosto - Venâncio Aires - O taxista Neori Glênio Keller, 46 anos, foi encontrado morto na manhã de sábado (dia 21 de agosto) no interior de Venâncio Aires, no Vale do Rio Pardo. Segundo a Brigada Militar, por volta das 8h, moradores da localidade de Linha Brasil ligaram para a polícia depois de encontrar o corpo do taxista caído nas margens de uma estrada. A vítima estava desaparecida desde a noite de sexta-feira.

- Dia 27 de junho - Porto Alegre - Um taxista foi ferido com três facadas em um assalto por volta das 7h30min deste domingo, na Rua Carumbé, no Bairro Bom Jesus, na Capital. Segundo a Polícia, um casal armado com uma faca agrediu o taxista e fugiu com o veículo. O casal bateu o carro em um poste na Rua Comendador Eduardo Secco e fugiu a pé. O taxista foi encaminhado ao HPS e foi liberado.

- Dia 24 de junho - Porto Alegre - Um taxista foi assaltado na Avenida Oscar Pereira, bairro Medianeira. Ele foi rendido por dois homens. Outros taxistas avisaram a polícia, que acabou baleando um dos assaltantes. O veículo roubado foi recuperado no bairro Partenon.

- Dia 11 de junho - Porto Alegre - Dois homens armados renderam um taxista na noite desta sexta-feira no bairro Lami. Após levarem o veículo, os homens amarraram a vítima e a deixaram no Beco do Paraíso, no mesmo bairro. Ele foi localizado por moradores que ligaram para a Brigada Militar. A polícia conseguiu localizar o taxi e após perseguição foi efetuada a prisão da dupla.

- Dia 3 de maio - Novo Hamburgo - O taxista Olídio Alves da Silva, de 55 anos, foi morto a tiros no início da madrugada desta segunda-feira. O crime aconteceu na Rua Primeiro de Março, na esquina com a Avenida Pedro Adams Filho, por volta da 1h. De acordo com a Polícia Civil, testemunhas disseram que o táxi estava em alta velocidade e atingiu um pilar de sustentação da nova linha do trensurb, que está em construção. Logo depois do choque, a polícia constatou que o condutor do veículo tinha sido baleado. Odílio trabalhava em São Leopoldo, onde colegas fizeram carreata em protesto.

- Dia 25 de abril - Barra do Ribeiro - Um taxista foi morto a facadas na noite de domingo. Um casal, que embarcou no veículo por volta das 22h, foi apontado como suspeito do crime. Eles teriam contratado o taxista para levá-los do bairro Mathias Velho, em Canoas, até Barra do Ribeiro. Os dois celulares da vítima foram encontrados com o casal, detido por volta das 2h do dia segunda-feira.

- Dia 26 de março - Tavares - O taxista Vilmar do Evangelho Ferreira, 41 anos, foi assaltado por um homem de 28 anos e um adolescente por volta das 2h30min, após apanhar os dois em uma danceteria de Mostardas para realizar um corrida até Tavares, distante cerca de 28 quilômetros. Próximo ao trevo de acesso do município, foi surpreendido com dois golpes de facão - um na cabeça e outro nas costas - e o anúncio do assalto. Ele foi atendido no Hospital São Luís e se recuperou.

- Dia 20 de fevereiro - Porto Alegre - Um taxista foi esfaqueado na madrugada de sábado em assalto na Capital. Segundo a Polícia Civil, três homens embarcaram no táxi conduzido por Aloysi Rosa Ramires, 51 anos, no Centro, por volta das 0h20min. Na Avenida Cairu, um deles anunciou o assalto. O taxista foi ferido com duas facadas e os homens fugiram com o carro. Ramires foi encaminhado ao Hospital de Pronto Socorro, em estado regular.

- Dia 16 de fevereiro - Ijuí - Um taxista foi assassinado durante a madrugada em Ijuí, noroeste do Estado. Crisitian Antonelo Stckel, 20 anos, foi morto a facadas, dentro do próprio táxi. Segundo a polícia, por volta das 3h, ele teria saído do ponto no centro da cidade, para fazer uma corrida e não retornou. Pela manhã, a Brigada Militar prendeu um suspeito pelo homicídio.

- Dia 31 de janeiro - São Leopoldo - Um taxista foi baleado em tentativa de assalto no bairro São João Batista, em São Leopoldo. Segundo a Brigada Militar, Romildo da Silva Conceição, 44 anos, levou dois tiros nas costas quando fugia a pé de dois assaltantes. Os ladrões fugiram do local sem levar o taxi. A vítima foi encaminhada ao Hospital Centenário, em estado regular.

- Dia 10 de janeiro - Montenegro - Um taxista foi assassinado na madrugada de domingo, dia 10 de janeiro, em Montenegro. O corpo de João Medio Boff, de 35 anos, foi encontrado próximo ao Hospital Unimed da cidade, na Avenida Júlio Renner, no bairro Timbauva. Segundo a Brigada Militar, ele estava com um grave ferimento na região do pescoço, provocado por uma facada.

- Dia 1 de janeiro - São Luiz Gonzaga - O taxista Renato Chaves Machado, de 46 anos, foi assassinado por volta das 17h da sexta-feira (primeiro de janeiro), em São Luiz Gonzaga. Ele foi atingido por pelo menos três disparos. O autor foi identificado pela polícia como Wenceslau Tarnowsky, de 65 anos, também taxista. O motivo do crime seria uma disputa por clientes em um ponto de táxi da cidade.

sábado, 25 de setembro de 2010

ACESSO À JUSTIÇA - Pacto Republicano para integrar os Poderes.

ACESSO À JUSTIÇA - Tarso faz proposta de pacto - Zero Hora, 24/09/2010.

O candidato ao governo do Estado Tarso Genro (PT) apresentou ontem sua proposta de um “pacto republicano gaúcho” – uma iniciativa que se propõe a facilitar o acesso da população à Justiça. O plano é reunir as esferas da máquina estadual envolvidas com Justiça, segurança pública, direitos humanos e defesa do consumidor, entre outros, com o objetivo de melhorar a prestação desses serviços à população.

– Esse pacto é o aporte aqui para o Estado de uma experiência já realizada no país, quando o Ministério da Justiça, o Supremo Tribunal Federal e o Congresso fizeram um acordo para garantir a tramitação de leis, a adoção de programas em defesa dos direitos humanos – destacou Tarso.

Entre os avanços conquistados, segundo Tarso, estão a nova lei orgânica da Defensoria Pública, a interiorização da Justiça Federal e a garantia de direitos para detentos que já haviam cumprido suas penas.

ELEIÇÕES 2010 - Segurança pública é tema mais discutido no RS

Segurança pública é tema mais discutido no RS. Debate no Rio Grande do Sul teve reafirmação de propostas e posturas. Yeda foi mais atacada - Alexandre Haubrich, iG Porto Alegre | 13/08/2010 02:20

No primeiro debate na televisão entre os candidatos ao governo do Rio Grande do Sul, os candidatos seguiram o tom que têm adotado desde o início da campanha, além de falar muito sobre segurança publica, tema que, como adiantou matéria do iG ainda na manhã de quinta-feira, 12, foi destacado por Tarso Genro (PT).

Tarso buscou, durante todo o debate, demonstrar alinhamento e afinidade com o governo Lula. Disse que “o Brasil deixou de ser o país do futuro para ser o país do presente”. Respondendo sobre problemas de infraestrutura enfrentados pelo Estado, disse que “o Rio Grande do Sul precisa crescer no ritmo do Brasil”.

A mesma resposta foi dada quando Aroldo Medina (PRP) perguntou sobre como reverter a saída de empresas do RS, assim como quando Carlos Schneider (PMN) questionou sobre distribuição de renda. Tarso também defendeu estímulos tributários para trazer empresas para determinadas regiões do Estado.

Na área da segurança pública, Tarso também falou em trazer ao Rio Grande do Sul ações adotadas pelo governo federal. A mesma ideia do “ritmo do Brasil” foi usada na fala final de Tarso: “Esperamos que em 2014 tenhamos acabado com a pobreza absoluta e resolvido o problema da segurança pública. Queremos que o RS esteja crescendo no ritmo do Brasil, distribuindo renda”, afirmou.

José Fogaça (PMDB) também bateu constantemente em duas teclas: a ideia de “mudança responsável” e a proposta de desenvolvimento regional. O peemedebista também tratou bastante do tema da segurança pública, em especial a crise de superlotação do sistema prisional gaúcho e a baixa remuneração dos policiais militares e civis. Em sua fala final, destacou: “Não é apenas uma questão de repressão, mas de inclusão social”.

Fogaça prometeu ainda destinar R$ 100 milhões ao ano para o combate ao crack, “uma das questões mais candentes do nosso tempo”. O candidato do PMDB disse também que foi o governo de Germano Rigotto (PMDB) quem plantou os frutos que agora Yeda Crusius estaria colhendo.

A governadora focou quase todas suas respostas na principal bandeira de seu governo: o déficit zero. Já na primeira fala, disse que precisou “primeiro sanar a dívida financeira para depois sanar a dívida social”, que teria herdado dos governos anteriores.

A governadora também falou de segurança pública, em especial do Programa de Prevenção da Violência (PPV) e do Complexo Prisional de Canoas que, segundo ela, adota um novo paradigma. “A participação sem bandeira ideológica faz com que possamos enfrentar essa situação”, afirmou.

O déficit zero, porém, não foi pauta apenas de Yeda. A governadora recebeu ataques de todos os lados, principalmente a sua principal bandeira. Pedro Ruas (PSOL) foi quem mais criticou a governadora. Como os outros, Ruas teve dois focos principais que procurou lembrar em todas as falas: combate à corrupção e suspensão do pagamento da dívida pública. A partir do primeiro item, protagonizou, junto com a governadora, um dos momentos mais quentes do debate.

No segundo bloco, Ruas afirmou que os problemas na saúde poderiam ser resolvidos com o combate à corrupção e a auditoria da dívida pública, e complementou: “E o seu governo não fez nenhuma das duas coisas”. Em outra oportunidade, Ruas perguntou se Yeda não fica constrangida em tentar se reeleger, ao que a governadora respondeu que era Ruas quem deveria constranger-se por seu “jeito velho de fazer política”.

Também no tema da corrupção, Ruas interpelou Fogaça sobre uma CPI que o PSOL propôs para investigar um caso de corrupção na Secretaria da Saúde de Porto Alegre durante a prefeitura do peemdebista. Segundo Ruas, Fogaça teria barrado a CPI. Este, porém, respondeu que a própria Secretaria coibiu rapidamente o problema.

Montserrat Martins (PV) também entrou em conflito com a governadora, ao criticar a forma como Yeda tem tratado os servidores públicos, em especial o CPERS. Montserrat também fez dobradinha com Ruas para criticar a política de aliança dos grandes partidos, e destacou a importância de enfrentar o problema dos dependentes químicos, além da bandeira histórica do seu partido, o desenvolvimento sustentável.

Carlos Schneider (PMN) defendeu a implantação de escolas em turno integral e a inclusão das famílias na escola, com programas de auxílio familiar. Além disso, criticou os impostos, segundo ele excessivos, e disse que “o funcionalismo público está sendo explorado, com baixa remuneração”, e que “o déficit zero foi criado às custas do funcionalismo”.

Aroldo Medina (PRP) ressaltou durante todo o debate a importância do investimento em segurança pública, e falou repetidas vezes em “pegar os bandidos do Rio Grande do Sul”. Também defendeu maiores investimentos em infraestrutura no campo, para melhorar as condições dos produtores.

Além dos sete candidatos que participaram do debate, também concorrem ao Piratini Humerto Carvalho (PCB) e Júlio Flores (PSTU).

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

POLÍCIA DE SÍSIFO - Traficantes soltos pelas benevolências da justiça brasileira agiam impunemente.

PF freia rearticulação do tráfico. Corporação organizou megaoperação, com 200 policiais, para voltar a capturar integrantes de bando liberados após 2007 - ADRIANO DUARTE E DANIEL CORRÊA | Caxias do Sul, Zero Hora, 24/09/2010.

A Polícia Federal precisou mobilizar ontem mais de 200 agentes no Rio Grande do Sul e outros dois Estados para prender integrantes de uma megaquadrilha de cocaína que já havia sido capturada três anos atrás. Graças a brechas na legislação, o grupo ganhou a liberdade e, segundo os investigadores, rearticulava-se para comercializar uma tonelada da droga por mês.

Apontado como o líder do bando, o empresário Ademar Fracalossi, conhecido como Batista, 43 anos, foi detido ontem pela manhã no centro de Balneário Camboriú (SC). Além dele, outras 17 pessoas foram detidas na ação realizada na manhã de ontem em cidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

A investigação da PF complementa outras duas operações, desencadeadas em 2007 e 2009. Mesmo com as dezenas de prisões e apreensões de drogas, armas, munições e celulares naquelas ações policiais, a quadrilha se reestruturava nos últimos meses. Conforme a investigação, o bando restabeleceu a conexão com a Bolívia, de onde comprava a droga. O entorpecente chegava via fronteira com Mato Grosso do Sul. Um dos fornecedores teria envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção paulista suspeita de assaltos a bancos e assassinatos. De lá, a carga desembarcava em Santa Catarina (em menor escala) e no Rio Grande do Sul, onde era vendida na Serra, na Grande Porto Alegre e na Fronteira Oeste depois de passar pelo Litoral Norte.

Os agentes descobriram que Fracalossi, após solto, teria seguido no comando do tráfico. Para disfarçar, ele mantinha como fachada empresas que contratam shows de artistas nacionais e internacionais.

Conforme o superintendente da PF no Estado, Ildo Gasparetto, a libertação em 2007 ocorreu por meio de um expediente de uso frequente pelos advogados desses grupos organizados. Como a lei prega que todos devem ser ouvidos juntos, segundo interpretação de uma parte dos magistrados, os defensores entram com medidas para protelar as sessões. No fim, a Justiça acaba tendo de libertar os suspeitos por estarem tempo demais presos sem julgamento. Procurada por Zero Hora, a Justiça Federal não se manifestou ontem à noite sobre a soltura de presos.

Quadrilha lutava pela hegemonia em Caxias

Um dos principais braços da quadrilha, o grupo caxiense preso ontem travava uma guerra para garantir lucros cada vez maiores e eliminar a concorrência.

De acordo com o delegado Noerci da Silva Melo, os quatro presos em Caxias teriam ligação com parte dos assassinatos de pessoas envolvidas com a criminalidade na cidade. Isso porque os criminosos pretendiam ampliar a distribuição de cocaína. Estima-se que o grupo entregava no município, todos os meses, C quilos de droga pura.

O grupo estaria em disputa com outras facções pelo controle da distribuição em dezenas de pontos de tráfico em Caxias. A polícia calcula que nos últimos cinco anos pelo menos 50 pessoas foram executadas nesse conflito. Além de tentar se impor diante dos rivais, o bando almejava ganhar dinheiro rápido e fácil com a droga vinda de Torres. A quadrilha abastecia a cidade com cocaína de alta qualidade. Conforme Noerci, por ordem do empresário Ademar Fracalossi, parte dessa droga chegava a Caxias para ser diretamente distribuída a pequenos traficantes. A outra parte estaria sendo adquirida de Fracalossi pelos comparsas em Caxias, em um negócio à parte, conforme os investigadores. Na cidade, a cocaína pura era misturada a outras substâncias químicas, o que triplicava o peso e os lucros.

Por meio de escutas telefônicas, dados de informantes e investigações, os agentes descobriram que o pó também era transformado em crack, rendendo 10 vezes mais.

– Embora o crack apareça com força em Caxias, percebemos que a cocaína ainda tem uma grande preferência aqui – avalia Noerci.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - As polícias brasileiras poderiam receber a denominação de "Polícias de Sísifo", isto é, polícias do "esforço inútil", polícias do "retrabalho", polícias "demoralizadas". A máxima continua: a polícia prende e a justiça solta. Traficantes, corrputos e bandidos comuns continuam a senda de crimes, pois, após presos recebem a liberdade em seguida de uma justiça descompromissada e burocrata, amparada decisões alternativas e por leis arcaicas e benevolentes. Não há preocupação com a vida e o patrimônio do cidadão ou com a vida e dever dos policiais. Parecem não perceber que os policiais consomem dinheiro público, tempo, inteligência e persistência para prendê-los e levá-los à justiça e ao cárcere para cumprir a pena exigida pela lei e pela sociedade.

E ainda, há policiólogos que acreditam que o estado de insegurança vigente no Brasil é culpa das polícias. Estes "especialistas" continuam na visão míope do cenário e estado de insegurança, não vislumbrando os instrumentos e os processos que o Estado precisa para garantir a convivência pacífica em sociedade. A visão totalitária focada apenas no aspecto policial impede se olhe o sistema de preservação da ordem pública onde a polícia é uma pequena peça inicial e a justiça tem papel vital na continuidade, na ordem pública, na segurança jurídica e na defesa da democracia.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

MÍDIA E CRIME

Mídia e crime - Antonio Cláudio, Mariz de Oliveira, advogado criminal em São Paulo - O Estado de S.Paulo, 22/09/2010

Uma das questões mais angustiantes da atualidade refere-se à criminalidade, que há décadas apresenta índices assustadores de crescimento. Note-se que, além de aumentar, o crime vem sendo praticado por segmentos que anteriormente pouco delinquiam e está alcançando valores e interesses até então imunes a violações.

O Estado tem competência exclusiva para investigar, responsabilizar e punir, diante da prática de condutas consideradas pela lei como criminosas. Sua atuação se faz por meio de agentes que participam de todas as fases da persecução penal, que são as autoridades policiais, os promotores de Justiça e os juízes de Direito. Como porta-voz dos direitos e das garantias do acusado existe o advogado, que exerce o direito de defesa, sem o qual não pode haver sequer a instauração de um processo contra o apontado culpado.

Esse quadro aparentemente singelo é, no entanto, de difícil entendimento para considerável parcela da sociedade, em face do tecnicismo que caracteriza a atividade judiciária. Por outro lado, o crime causa fortes sentimentos, que vão desde o ódio até a compaixão e provocam manifestações passionais de vários segmentos. Ademais, poucos acontecimentos despertam tanto o interesse da mídia como os eventos criminosos.

Saliente-se que a mídia televisada, sem dúvida, representa o mais eficiente elemento de aculturação do nosso tempo. No Brasil ela chega aonde a escola não chega. Com o crescimento da criminalidade, a mídia passou, no cumprimento de sua missão de informar, a desempenhar um papel de grande relevância, pois é nítida a sua influência na própria distribuição da justiça penal.

Alguns agentes do sistema penal se tornam presas fáceis das câmeras. Razões ligadas à própria natureza humana os deixam vulneráveis à exposição midiática e, com isso, deixam de ter presentes responsabilidades e deveres inerentes às suas funções de juiz, advogado, promotor e delegado. Verdadeiramente, deixam de se apresentar como exercentes de suas funções próprias e passam a desempenhar papéis e a dizer aquilo que imaginam ser do agrado do público.

Esse comportamento daqueles que deveriam ser discretos e comedidos acaba sendo aproveitado na teatralização do delito, a cargo e ao gosto da mídia. Esta não trata o crime como uma tragédia que ele é e, como, tal digna de compreensão, comedimento, recato e respeito. Uma tragédia, diga-se, que poderá atingir qualquer um de nós, na condição de acusados ou de vítimas.

Assim, a dignidade e os direitos do culpado devem ser respeitados, para que o sejam os do inocente. Não se esqueça que qualquer um pode ser atingido por uma acusação infundada. De outro lado, por ser um fato humano, ninguém em sã consciência poderá afirmar que jamais o cometerá um delito, especialmente aquele que encontra as suas motivações em circunstâncias e acontecimentos da própria vida e que para ocorrerem independem da vontade.

Ao lado da dramatização do crime, ou como parte dela, alguns aspectos das coberturas de eventos criminosos devem ser realçados. A mídia, em geral, noticia o fato e passa a exigir a prisão, como se o encarceramento fosse a única resposta possível ao crime. E, diga-se, exige a prisão em face de fatos que muitas vezes não estão caracterizados como fatos criminosos. Exige a prisão do mero suspeito, pois, muitas vezes, nem sequer inquérito ainda foi instaurado. Com isso despreza o devido processo legal, constituído pelas fases legalmente previstas, que devem ser vencidas até a sentença.

Na verdade, não poucas vezes, a mídia não se limita a informar: acusa. Não admite defesa: condena. Não quer processo: pune. E o faz com provas, sem provas ou contra as provas.

Com a exagerada exposição do suspeito, a imprensa televisada impõe-lhe uma pena cruel e perpétua, pois a sua imagem terá sido para sempre destruída. A sanção da desmoralização pública não se restringe ao suspeito, uma vez que atinge todos os que lhe são próximos, porque ninguém é poupado do perverso posicionamento da sociedade perante o crime.

Caso a Justiça não atenda às expectativas criadas pela mídia no sentido da prisão ou da adoção de quaisquer outras medidas de força, ela passa a criticar o Poder Judiciário, imputando-lhe leniência, morosidade e responsabilidade pela impunidade. Os advogados, por sua vez, nessa visão, dificultam a celeridade processual, pois recorrem e requerem em demasia, atrapalham com a defesa a rápida aplicação da sanção, enfim, são como que cúmplices dos clientes. Os direitos e as garantias constitucionais e processuais, por seu lado, são considerados perfumarias jurídicas.

Seria de toda a conveniência que a mídia extraísse lições do crime. Discutisse as suas circunstâncias, as suas causas, enfim, desse à cobertura do fato uma outra conotação desprovida do sensacionalismo, do estrépito e do estardalhaço. Uma conotação que tentasse entender o porquê do delito, com o objetivo de evitá-lo no futuro. Talvez seja uma utopia, mas sem utopia não se avança, e ao que assistimos é que apenas a repressão e a exploração midiática do crime não têm evitado o seu crescimento.

Note-se que o fato de a mídia evitar exercer atividades que não são suas, como a de julgar, e também tentar não influenciar o sistema penal e os seus agentes, com a adoção de um comportamento mais discreto e adequado, não significa nenhuma limitação à sua liberdade, mas, sim, consiste na assunção de sua responsabilidade de respeitar outros direitos e outros valores igualmente relevantes.

E, como já se afirmou, a responsabilidade não é uma limitação à liberdade, mas sim um aspecto da liberdade.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Na minha opinião, a mídia não acusa, ela informa a notícia revelada. Se houver segredo de justiça, a mídia não publica. O problema é que a mídia é a única voz da sociedade na denúncia das ilicitudes e tem sido a parceira na defesa do uso dos instrumentos de coação, justiça e cidadania e na aplicação coativa da lei contra a impunidade que vem estimulando os crimes no Brasil. É mais fácil atirar a culpa na mídia do que enxergar a omissão e a inoperância dos instrumentos de coação, justiça e cidadania contra as ilicitudes e seus atores.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

TERROR NO RIO - 'Quando ouvi os tiros, fiquei esperando para saber onde ia doer'

Violência. 'Quando ouvi os tiros, fiquei esperando para saber onde ia doer', conta mulher assaltada na Avenida Brasil - O Globo, 21/09/2010 às 15h00m; Daniel Brunet

RIO - "Quando ouvi os tiros, fiquei esperando para saber onde ia doer. Na hora, a gente sente medo e raiva". Foi assim que Marinez Jorge Anchieta, de 53 anos, definiu os momentos de tensão que viveu, na manhã desta terça-feira, ao lado do marido Paulo Andrade, de 53, e da mãe Esmeralda Jorge Anchieta, de 81 anos. A família, que estava a bordo de uma Zafira, parou no prédio do IBGE, na Avenida Brasil, na altura de Parada de Lucas, na Zona Norte, para ir ao banheiro. Enquanto desembarcavam, dois bandidos cercaram o carro e anunciaram um assalto. Na confusão, a idosa de 81 anos caiu no chão e teve um machucado leve na perna direita. A família, que mora em Campo Grande, na Zona Oeste, estava a caminho do Hospital da Lagoa, na Zona Sul, onde Esmeralda tinha consulta marcada para retirar pontos.

- Todos os dias a gente vê casos como esse na TV. Mas quando é com a gente é diferente. Fiquei preocupado pois estava com minha esposa e minha sogra. Mas, os PMs chegaram na hora e impediram que algo pior acontecesse - comentou o empresário Paulo Andrade.

A esposa dele, Marinez Anchieta, achou que seria atingida pelos disparos: - É uma sensação estranha. Fiquei ouvindo o barulho dos tiros e esperando para ver onde ia doer, onde ia acertar. A gente trabalha anos para comprar um carro e os caras chegam dizendo: "Sai, sai. Perdeu, perdeu". É desagradável. As coisas estão piorando, a gente vê na TV isso todo dia - comentou Marinez.

Segundos após anunciarem o assalto, os bandidos foram surpreendidos pela chegada de dois policiais militares. Um dos PMs atirou algumas vezes para o alto e deu voz de prisão à dupla. Os bandidos entraram na Zafira. Eles não conseguiram sair do estacionamento do IBGE e pararam o carro quatro metros à frente.

Segundo Paulo Andrade, que dirigia a Zafira, o bandido roubou um outro carro na Avenida Brasil e conseguiu fugir.

Acompanhados pelos policiais, a família foi à 22ª DP (Penha) registrar o caso. No fim da manhã, eles foram ao Hospital da Lagoa, onde Esmeralda retirou os pontos, feitos após uma cirurgia para extrair a vesícula.

Arrastão assusta motoristas na Avenida Pastor Martin Luther King, em Inhaúma. O Globo, 21/09/2010 às 19h28m; Ana Claudia Costa

RIO - Pelo menos 15 pessoas foram vítimas de um arrastão na manhã desta terça-feira na Avenida Martin Luther King, em frente ao Cemitério de Inhaúma, sentido Centro. Dois carros foram levados pelos criminosos. Segundo as vítimas, quatro homens armados de pistola deram um cavalo de pau na pista com um Citroën C3 e começaram a praticar os roubos.

O Punto prata de um gerente de marketing, que foi levado pelos bandidos, foi encontrado ainda pela manhã na mesma via na pista sentido contrário. Um Fox também foi roubado, e ainda não foi encontrado. Outras pessoas tiveram celulares, joias e dinheiro roubados.

As vítimas prestaram depoimento na 44ª DP (Inhaúma). Esse é o quarto arrastão que acontece em uma semana na região.

No sábado, bandidos roubaram carros no mesmo local. Três vítimas prestaram depoimento na delegacia. Elas informaram que os bandidos chegaram em um Pajero e estavam fortemente armados. Um Gol e pertences de motoristas foram levados.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - AFINAL, O RIO ESTÁ OU NÃO SENDO PACIFICADO?

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

ATENTADO COLOCAM PM DO RIO EM ESTADO DE ALERTA

Polícia em alerta. PM reforça medidas de segurança após ataques de bandidos, um deles com morte de sargento. 18/09/2010 às 09h04m, Ana Cláudia Costa, Sérgio Ramalho e Waleska Borges, colaboraram Fábio Vasconcellos e Ruben Berta(resumo)

RIO - A PM entrou em alerta após uma sequência de ataques de bandidos a policiais, iniciada na noite de quinta-feira, que teve como caso mais grave o atentado no qual foi morto o sargento Leopoldo das Neves Nascimento, de 43 anos, e ficaram feridas outras quatro pessoas, numa padaria em Jacarepaguá , na manhã de terça-feira. Diante dos casos, o relações-públicas da corporação, coronel Lima Castro, anunciou nesta sexta-feira, durante a inauguração da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Salgueiro, na Tijuca, mudanças na estratégia de patrulhamento: os PMs foram orientados a sair sempre em dois carros e a ter atenção redobrada em locais ermos. Já na madrugada deste sábado, policiais fizeram ronda na Rua Gilberto Cardoso, no Leblon, Zona Sul da cidade, usando duas viaturas juntas.

Setores de inteligência das polícias Civil e Militar dizem que os atentados teriam sido uma reação de traficantes a operações realizadas durante a semana, que culminaram com a morte de 11 bandidos. Sexta-feira, em sabatina no GLOBO, o governador Sérgio Cabral disse acreditar em "movimentos de pânico para gerar intranquilidade na cidade" .

De acordo com o comandante do 1º Comando de Patrulhamento de Área (CPA), coronel Marcus Jardim Gonçalves, o patrulhamento das vias expressas, como Avenida Brasil e linhas Amarela e Vermelha, também será reforçado. A nova estratégia foi passada por Jardim aos 13 comandantes de batalhões de sua área. Entre as instruções, estão a de que o patrulhamento seja feito sempre em dois carros, com orientação aos policiais antes de cada saída, e a de que haja o repasse de informações de inteligência sobre a movimentação de bandidos.

Atentados seriam represália do tráfico

Os ataques a policiais teriam sido arquitetados por causa das mortes de seis traficantes em confronto com a polícia na madrugada de segunda-feira, em Inhaúma , e de outros cinco bandidos da mesma facção anteontem, durante operação da PM na Favela da Mangueirinha, em Duque de Caxias . Os atentados teriam o consentimento de presos do complexo penitenciário de Gericinó. De acordo com informações obtidas pelo serviço de inteligência das polícias, a ordem do tráfico seria matar qualquer policial, civil ou militar. Fora da cadeia, a ordem teria partido de Fabiano Atanazio da Silva, o FB, chefe do tráfico na Vila Cruzeiro, e de Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, que controla a venda de drogas no Complexo do Alemão.

O ataque em Jacarepaguá foi o terceiro desde quinta-feira e o mais trágico. Além da morte do sargento Leopoldo Nascimento, a ação dos criminosos, na Avenida Geremário Dantas, deixou outros quatro feridos a tiros, entre eles o cabo Francis Pereira Mendonça, de 32 anos. Os PMs estavam dentro da padaria Flor do Tanque quando houve o atentado. Um cliente e dois funcionários da padaria também foram atingidos por tiros.

O ataque ocorreu por volta das 5h50m. Segundo o subcomandante do 18º BPM (Jacarepaguá), major Ubiratan Saraiva, os bandidos já estariam perto do local do crime quando os PMs chegaram. De acordo com Saraiva, dois dos cinco bandidos saíram do veículo onde estavam para atirar contra os policiais. O sargento e o cabo já estavam próximo do horário de saída do serviço quando, ainda segundo Saraiva, foram até a padaria checar uma informação. Já o relações-públicas da PM informou que os policiais teriam ido à padaria tomar café.

As paredes da padaria onde ocorreu o crime ficaram repletas de marcas de tiros. Bárbara dos Santos Sampaio, de 35 anos, caixa da padaria, foi atingida no pé esquerdo. O balconista Antônio Marcos Lima Coelho, de 22 anos, teve fratura exposta nos dedos do pé esquerdo. O cliente Moacir Queirós Batista, de 50 anos, foi atingido por um tiro no abdômen e teve o intestino perfurado. Os feridos foram levados para o Hospital Lourenço Jorge, na Barra, onde estão internados. Ontem à tarde, segundo a Secretaria municipal de Saúde, Moacir estava em estado $. O PM ferido por estilhaços está bem e depôs na tarde de ontem na Delegacia de Homicídios (DH).

O comissário Guimarães, da DH, não acredita que os dois PMs fossem os alvos dos atiradores, que usaram fuzis. Os investigadores da delegacia creem na hipótese de vingança de uma facção criminosa por causa de mortes de traficantes. O delegado Felipe Ettore, contudo, não descartou qualquer outra hipótese para o ataque, entre elas a participação de milicianos.

O primeiro atentado dos três ocorridos nos últimos dois dias ocorreu na quinta-feira à noite, em Bonsucesso, e deixou um PM ferido de raspão na cabeça. Na madrugada de ontem, uma cabine da corporação foi atingida por diversos tiros de fuzil no Largo da Covanca, em São João de Meriti, mas não houve feridos.

MERCADORES DO PÓ- A nova face do narcotráfico no RS

MERCADORES DO PÓ. A nova face do narcotráfico no RS. Traficantes se instalaram na Região Sul com a intenção de exportar cocaína plantada na Bolívia e na Colômbia para a Europa via porto de Rio Grande - JOSÉ LUÍS COSTA, ZERO HORA, 19/09/2010

As recentes operações das polícias Civil e Federal fazem saltar as estatísticas de apreensão de drogas e expõem a nova planta do narcotráfico no Estado. Há dois ramos bem definidos: uma safra de traficantes que brota no meio rural, “produzindo” pó e pedra para distribuição entre os gaúchos, e o enraizamento de cartéis que exportam cocaína para a Europa como se fossem cereais.

Omaior e mais organizado grupo fincou bandeira na Região Sul visando a transformar Rio Grande em uma base de operações e abarrotar navios que rumam a países ricos com toneladas de cocaína pura plantada na Colômbia e na Bolívia.

A escolha é uma questão estratégica para os negócios: reduzir o risco de apreensão. É quase impossível as quadrilhas mandarem drogas para a Europa por portos de Barranquilla ou Cartagena, na Colômbia, ou de países vizinhos na costa do Pacífico porque as cargas são consideradas sempre suspeitas e vistoriadas no desembarque. Além disso, conhecidas rotas de contrabando como o porto de Montevidéu, no Uruguai, estão com as comportas praticamente fechadas por causa do arrocho da fiscalização.

Assim, o Brasil se tornou atraente por ser um país exportador com mais de 30 portos de grande e média estrutura, escoando milhões de toneladas de cargas confiáveis para os quatro cantos do planeta. Soma-se a isso o fato de a fiscalização ser por amostragem, para evitar um colapso no vaivém de navios e multas por atrasos.

A migração dos cartéis para o Brasil é do conhecimento das autoridades que apertaram o cerco em Estados como São Paulo, Paraná e Santa Catarina. E isso fez do Porto de Rio Grande a bola da vez para os times de narcotraficantes, depois dos recentes e sucessivos abalos sofridos em portos como os de Imbituba, Santos e Paranaguá, onde foram apreendidas mais de seis toneladas de cocaína que seguiriam para a Espanha e o Leste Europeu.

– As quadrilhas preferem o transporte marítimo, por ser em contêineres lacrados, e não há como abrir todos, mesmo com o sistema de Raio X, pois tornaria impraticáveis as operações. A preocupação com Rio Grande é constante. Temos lá duas delegacias, uma delas marítima, com lanchas e botes – afirma José Antônio Dornelles, delegado regional executivo da Superintendência da Polícia Federal no Rio Grande do Sul.

Dornelles explica que, toda vez que uma empresa exportadora se instala em Rio Grande, o serviço de inteligência da PF investiga a situação financeira e o histórico dela, além de informações dos seus donos e empregados.

Os 522 quilos de cocaína que seguiriam para a Espanha estão sob análise de peritos da PF em Porto Alegre para tentar identificar a origem. Parte dos tijolos tem a inscrição F1 (em referência à Fórmula 1, categoria de elite do automobilismo) em baixo relevo, o que indica ser de altíssima pureza.

Peões, campos e drogas

Diferente do estilo bronco, rodeado por brutamontes armados, característico dos barões do tráfico, os emergentes atacadistas de drogas no Estado são homens de feições humildes, afeitos às lides campeiras. Vivem com discrição entre vacas, galinhas e porcos. E nos maiores entrepostos de cocaína, nada de fortalezas rodeadas por muros altos e monitoradas por câmeras, mas sim modestos sítios com porteira de tábuas e cerca de arame em cidades periféricas.

Há três anos, a polícia coleciona exemplos que apontam ser esse o novo perfil dos grandes traficantes gaúchos. Montanhas de drogas seriam escondidas em “sepulturas” entre pastagens, cocheiras e galinheiros, onde funcionam laboratórios de refino, como o descoberto na semana passada em Mariana Pimentel, resultante da prisão do agricultor Ede Nilson Rebello da Silveira, o Baleia, 42 anos.

A tecnologia foi “importada” por Nei Machado, um ex-patrão de CTG de Passo Fundo que virou chefe de traficantes no começo dos anos 2000. Quando foi preso na Colômbia, tinha cocaína enterrada na mata onde se escondia. Desde então, tonéis com a droga brotam como capim no meio rural gaúcho.

Um dos primeiros casos aconteceu em 12 de setembro de 2007, em Viamão, na Região Metropolitana, quando agentes federais localizaram 200 quilos da droga no celeiro de um sítio que pertenceria a Ademar Fracalossi, 43 anos, um criador de galos de briga.

Em junho de 2008, o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Denarc) prendeu três pessoas ligadas ao dono de uma chácara em Lomba Grande, área rural de Novo Hamburgo. No local, havia 30 quilos de pasta-base de cocaína e crack. Em março do ano passado, o suinocultor Paulo de Oliveira Arnold, o Paulinho dos Porcos, 38 anos, foi capturado em Santa Catarina, levando de caminhão 1,4 tonelada de maconha para um sítio em Novo Hamburgo.

Emergentes ganham dinheiro, mas não ostentam luxo

Responsável por duas dessas prisões, o delegado Luis Fernando Martins de Oliveira, diretor da Divisão de Investigações do Denarc, lembra que esses homens enveredaram para o tráfico após encontros em eventos e disputas ligados a costumes e tradições do meio rural.

– Eles atravessam o Brasil para apostar em rodeios, corridas de cavalos, rinhas de galo. Conhecem gente ligada às drogas e, sem nenhuma vocação para o crime, se aventuram no tráfico. Não são famosos porque não se envolvem com Carnaval, pagode, futebol. Ganham dinheiro, mas não ostentam luxo e convivem bem entre eles, pois não há briga por bocas de fumo – afirma o delegado.

As apreensões: Quantidades de cocaína e crack em quilos

POLÍCIA FEDERAL: 2008 247; 2009 415; 2010* 748 (até 15/09)
POLÍCIA CIVIL: 2008 289; 2009 448; 2010* 470 (até 15/09)

Em navios, em meio a farelo de arroz - GUILHERME MAZUI | Rio Grande/Correspondente

– O espanhol confessou que já conseguiu exportar cocaína de Rio Grande.

A revelação do delegado João Manoel Vieira Filho remete à atuação, no sul do Estado, do empresário catalão Carlos Valls Prat, 54 anos, preso na última terça-feira com mais dois brasileiros e um casal de colombianos.

As apreensões de 522 quilos de cocaína que iriam para a Espanha, em 14 de setembro, e os 62 quilos, barrados em 19 de junho, cujo destino era o Leste Europeu apontam: o quarto maior porto do país, Rio Grande, está na rota do tráfico internacional.

Nas duas operações frustradas, navios seriam usados para o transporte da droga. Apesar de ser de quadrilhas diferentes, elas tinham algo em comum: a figura de um estrangeiro com negócios legais no Brasil.

O bando do Leste Europeu operava havia pelo menos três anos nos portos de Imbituba, Navegantes e Itajaí, em Santa Catarina. O sérvio Miodrag Vojici, 45 anos, era taxista e tinha um bar em Imbituba. Desconfiado das investigações, arriscou Rio Grande.

O empresário espanhol alugava havia três anos um depósito em Rio Grande. Dono de uma exportadora, enviava a cada dois meses cargas legais de farelo de arroz ao seu país, onde mantém uma indústria de ração animal na Catalunha.

Brasileiro seria o elo com o cartel colombiano

Preso com o espanhol, o brasileiro Ricardo Antônio Ayala, 47 anos, mora em Tabatinga, no Amazonas, na fronteira com a colombiana Leticia. Seria o elo com o cartel colombiano. A chegada da droga coincidiu com a aparição do casal colombiano Francisco Arcadio Quincha Osorio, 38 anos, e Elvira Sanches Plazas, 40 anos. Radicados em Barcelona, foram para Rio Grande a fim de operacionalizar o embarque da droga misturada a farelo de arroz.

– As quadrilhas vão por tentativa e erro nos portos, do sul ao norte do país. Nosso trabalho é fazer a repressão – afirma o delegado Vieira, chefe do posto da PF em Rio Grande.

Com 30 anos de polícia, 25 deles no combate a entorpecentes, ele trabalhou na apreensão de 627 quilos de cocaína no porto de Imbituba, em 2008. Agora, combate os primeiros registros de tráfico internacional em Rio Grande.

– O porto tem certificado de segurança internacional. Confiamos nos órgãos de repressão, que, pelas apreensões, estão fazendo muito bem o seu trabalho – diz Jayme Ramis, superintendente do porto de Rio Grande.

O garrote nos portos - A partir de 2007, ações mais intensas da Polícia Federal e da Receita Federal no porto de Santos (SP) têm inibido narcotraficantes a usar aquele terminal para mandar drogas para o Exterior. Em junho, foi apreeendida 1,7 tonelada de cocaína, a maior naquela cidade nos últimos quatro anos. A droga estava espalhada entre 34 toneladas de maçãs argentinas que seguiriam para a Espanha. O porto de Paranaguá (PR) também era usado por narcotraficantes. Em fevereiro de 2009, a PF encontrou quatro toneladas de cocaína, a segunda maior apreensão já feita no país. Os pacotes estavam em cargas de madeira em cinco contêineres e seriam enviados para a Romênia, no Leste Europeu.

sábado, 18 de setembro de 2010

ACOBERTAMENTO - Quando não se tem argumentos para afastar a acusação, se ataca o acusador

“Quando não se tem argumentos para afastar a acusação, se ataca o acusador”, diz promotor - Felipe Prestes - SUL21 - 18/-9/2010

Na segunda-feira (13), a espera do promotor Amilcar Macedo em frente ao Palácio Piratini ganhou o noticiário. Gerou, inclusive, reação da governadora Yeda Crusius, que insinuou em seu Twitter que o promotor sofria de “síndrome de holofotes”. Macedo, que investiga o caso do sargento da BM César Rodrigues de Carvalho, acusado de extorsão e uso indevido de dados sigilosos, se defende dessas e de outras insinuações, como a de que a investigação teria interesses eleitorais: “Quando não se tem argumentos para afastar a acusação, se ataca a pessoa do acusador, a fim de desqualificá-lo”. Macedo informa inclusive que sua vistoria a veículos da Casa Militar confirmou que Rodrigues utilizou carros do órgão para atividades ilegais.

O promotor pretende concluir a investigação em duas semanas. Macedo diz ter provas consistentes sobre as extorsões realizadas pelo sargento, como fotografias, contas pagas e afirma que, ao contrário do que alega a defesa de Rodrigues, os acessos do militar foram, sim, ilegais. “Se você tem uma senha dessa envergadura você não pode fazer nada por curiosidade”. Macedo informa ainda que em sua vistoria a veículos da Casa Militar confirmou que Rodrigues utilizou carros do órgão para atividades ilegais.

Amilcar Macedo conta que César Rodrigues não tem colaborado sempre com as investigações. “O que ele não queria falar, não falou”. Mas explica que recomendou a soltura do sargento porque ele não poderá inviabilizar novas etapas da investigação. “Restaram agora para fazer só aquelas provas que ele não tem como interferir”.

As próximas provas que serão recolhidas advirão de quebras de sigilo bancário e fiscal. Amilcar Macedo também deverá ouvir as pessoas de quem César Rodrigues diz que recebia ordens para acessar o sistema Consultas Integradas. Mas garante que nenhum deles é alvo de investigação. “A possibilidade de que outras pessoas possam ser investigadas existe, mas em um primeiro momento não”. A denúncia que Macedo deve apresentar em quinze dias, portanto, deverá atingir apenas César Rodrigues.

Em conversa por telefone (as duas últimas questões foram respondidas por e-mail), Macedo confirmou ainda ao Sul21 que deve apresentar na próxima semana uma lista com novos nomes que tiveram dados acessados pelo militar.

Sul21: O sargento César Rodrigues foi solto porque o senhor alegou que não há mais risco de ele prejudicar a investigação?
Amilcar Macedo: É, ele foi preso porque havia um risco inicial de ele estar inviabilizando a investigação. Ele ficou preso por duas semanas, e nessas duas semanas nós ultimamos medidas de prova que ele pudesse eventualmente intervir. Restaram agora para fazer só aquelas provas que ele não tem como interferir. Por exemplo: quebra de sigilo bancário, quebra de sigilo fiscal, que isso aí vem do banco.

Sul21: E o que foi concluído nessas duas semanas?
AM: Fizemos busca e apreensão de computadores e uma série de outros procedimentos.

Sul21: Computadores da Casa Militar?
AM: Não, fomos convidados pelo chefe da Casa Militar para que combinássemos um outro dia, que poderia ser inclusive no final de semana, porque nós queríamos vistoriar viaturas. Então não era na Casa Militar, eram veículos. Mas eu fui até a Casa Militar para combinar isso com o chefe, que era o tenente-coronel Quevedo.

Sul21: No final das contas, o senhor fez a vistoria naquele dia mesmo.
AM: Como eu sofri aquele constrangimento, eu disse: ‘olha, como eu tenho ordem judicial, eu vou vistoriar hoje’.

Sul21: E se conseguiu comprovar que ele utilizou veículos da Casa Militar para extorsões?
AM: Exatamente. A prova foi frutífera. Achamos aquilo que estávamos procurando. E tem outras provas que foram apuradas neste período de busca e apreensão de documentos, computadores, inclusive na casa dele (do sargento), e em outros locais. Nós conseguimos, digamos assim, concluir a investigação que ele poderia inviabilizar. Aí não havia mais motivo para mantê-lo preso, porque o fundamento para mantê-lo preso era esse, de que ele poderia inviabilizar. Na medida em que a prova é feita, por uma questão de coerência você tem que pedir para soltar.

Sul21: O sargento está colaborando nos depoimentos, mas ele nega que os acessos tenham sido indevidos e que ele tenha feito extorsões. Na sua opinião os acessos foram indevidos? Há provas das extorsões?
AM: Não tenho dúvida de que os acessos, pelo menos grande parte deles, foram feitos indevidamente, porque não dizem respeito à finalidade da Casa Militar. A Casa Militar tem a finalidade de garantir a segurança da governadora e de seus familiares, e de defesa civil. E esses acessos que ele fez não dizem respeito a essa finalidade. Então são indevidos e ilegais.

Sul21: E as alegações de que os acessos poderiam ser para ajudar a governadora em um aniversário de um político ou por curiosidade?
AM: É o que ele alega. Acontece que se você tem uma senha dessa envergadura você não pode fazer nada por curiosidade. Primeiro que uma senha dessa não é dada para qualquer pessoa. Tem que ser uma pessoa, digamos assim, acima da média para ter uma senha desse padrão. Só vinte pessoas no estado têm essa senha – dezenove agora. Então não pode ser uma pessoa que vai estar lá bisbilhotando a vida dos outros. Isso é o que ele alega. Eu confesso que não concordo muito com essa tese. Mas ele não recebeu nenhuma delação premiada. Ele falou o que ele queria falar – o que ele não queria falar, não falou. Algumas coisas ele colaborou. Aí vamos avaliar. Pretendemos em no máximo duas semanas concluir (a investigação).

Sul21: Ele diz que quatro pessoas lhe davam ordens para fazer esses acessos. Essas pessoas serão ouvidas? Estão sendo investigadas?
AM: Serão ouvidas, mas não estão sendo investigadas.

Sul21: Poderão vir a ser investigadas?
AM: A possibilidade de outras pessoas serem investigadas existe, mas em um primeiro momento não.

Sul21: O ex-ouvidor Adão Paiani revelou na internet ter tido acesso a gravações que revelam a participação de membros do governo em extorsões.
AM: O que eu ouvi, que saiu em uma emissora de televisão, é de que seria um fato de 2008 e que parece que já estaria sendo investigado pela corregedoria da Brigada Militar. Nós vamos conversar com o corregedor da Brigada para ver que conexão isso tem. Em princípio, era o mesmo modus operandi.

Sul21: O senhor teve acesso a essas gravações? Elas fazem parte da sua investigação?
AM: Não fazem parte. Eu tive acesso às gravações. Elas foram entregues a mim por uma pessoa. Provavelmente deve ter sido a mesma que entregou para o advogado Paiani. O modus operandi talvez seja o mesmo, mas ela não tem conexão com a minha investigação.

Sul21: Quais serão os próximos passos da próxima investigação?
AM: Os próximos passos serão intimar as oitivas dessas pessoas que foram referidas tanto pelo sargento, quanto as que nós já tínhamos intenções de ouvir. Depois aguardar aqueles documentos que estão chegando de medidas cautelares – de quebra de sigilo. Depois, concluir a investigação e oferecer denúncia, o que vai se dar num prazo de no máximo duas semanas.

Sul21: O senhor divulgou que há mais pessoas que tiveram dados acessados pelo sargento.
AM: Sim, há mais nomes, mas, como são 96 mil acessos, eu ainda estou trabalhando neles. Possivelmente na semana que vem nós vamos divulgar as vítimas.

Sul21: A Polícia Federal já entrou em contato com o senhor? A PF vai realizar uma investigação totalmente paralela ou vai haver cooperação?
AM: Nós vamos compartilhar dados. Eu vou compartilhar informações com o delegado (Ildo) Gasparetto.

Sul21: Ele já entrou em contato com o senhor?
AM: Já entrou em contato comigo. Nós vamos conversar na semana que vem. Nós vamos partilhar informações, até porque eu tenho um histórico de boas relações com a Polícia Federal – tanto quanto com a BM, com a Polícia Civil. Eu sempre trabalhei em conjunto com todas elas.

Sul21: Na primeira entrevista coletiva que o senhor concedeu, falou sobre imagem que um contraventor gravou.
AM: É. Ainda não retornou da perícia.

Sul21: Além dos acessos do sargento e dessa imagem, entraram novas provas?
AM: Sim, tem muito mais provas. No dia em que eu oferecer a denúncia serão conhecidas.

Sul21: Entre elas os veículos da Casa Militar e os computadores.
AM: Sim. E tem fotografias, contas que foram pagas e uma série de outras provas.

Sul21: Um dos objetivos da investigação era descobrir quem eram os mandantes. Mas se o senhor só está investigando o sargento e deve concluir os trabalhos em duas semanas, a investigação não concluirá quem são os mandantes e qual sua motivação?
AM: A investigação caminha para descoberta do(s) mandante(s), por isso resolvi adiar o oferecimento da denúncia (no dia 6 de setembro, o promotor afirmou que pretendia oferecer denúncia em 15 dias). Se conseguirei? Bom, isso é outra coisa.

Sul21: Como o senhor vê as insinuações de que a investigação teria interesses eleitorais, ou de que o senhor gosta de holofotes?
AM: Para evitar tal alegação preferi fazer todas as diligências com ordem judicial, mesmo nas hipóteses em que a lei me autoriza a fazer diretamente, exatamente porque ao me reportar ao juiz devo motivar o pedido, sendo certo que o juiz não autorizaria qualquer medida que tivesse motivação política. Quanto aos holofotes, pergunto-te: quantas vezes te liguei? Respondo-te: nenhuma. Tu me ligas todo o dia e assim fazem os demais veículos e sabe por quê? Porque trabalho 12, 13, 14 horas por dia e acredito no que faço, encarando a defesa da sociedade como um sacerdócio. Tenho de devolver em trabalho o subsídio que a sociedade me paga e, se este trabalho interessa à opinião pública e à imprensa, ótimo, pois estou cumprindo meu dever. O problema é o seguinte: quando não se tem argumentos para afastar a acusação, se ataca a pessoa do acusador, a fim de desqualificá-lo. Tenho histórico na carreira de combate à corrupção e me qualifico constantemente para tal e isso deve estar incomodando muita gente.

JUSTIÇA E DESCASO AMEAÇAM TIRAR POLICIAMENTO MOTORIZADO DAS RUAS

Decisão judicial ameaça reduzir número de viaturas da BM nas ruas do Estado. Pela decisão, somente PMs com curso de motorista em situação de risco poderiam conduzir viaturas da corporação - André Mags | andre.mags@zerohora.com.br - 18/09/2010

Uma decisão da Justiça de Santa Maria, na região central do Estado, ameaça paralisar o policiamento motorizado da Brigada Militar em todo o Rio Grande do Sul.

Com a finalidade de evitar acidentes com as viaturas da corporação, a decisão, da juíza Denize Terezinha Sassi, aponta que somente policiais militares com curso especializado de motorista em situação de risco podem dirigir um carro da BM.

No entanto, atualmente, de acordo com o comandante-geral da BM, coronel João Carlos Trindade, poucos policiais possuem a preparação exigida.

— Ordens judiciais a gente cumpre. Mas, se os motoristas que não tiverem habilitação forem impedidos de dirigir, vai parar todo o serviço de policiamento e de bombeiros. Isso seria uma temeridade — afirmou Trindade.

Autora da ação contra o Estado do Rio Grande do Sul, a Associação de Cabos e Soldados da Brigada Militar tenta há três anos colocar em vigor alguma medida para proteger os servidores que dirigem viaturas.

Segundo a entidade, o motivo da ação é o alto número de acidentes envolvendo os condutores dos veículos. Entre oito e 10 PMs teriam morrido em dois anos em consequência de suposto despreparo ao volante para situações de risco, conforme o presidente da associação, soldado Leonel Lucas.

— A Brigada, infelizmente, nunca deu o curso. Somos punidos por desatenção e temos de indenizar o Estado quando há danos às viaturas. Esses dias, um policial estava perseguindo um assaltante e bateu em um poste. Ele pegou dois dias de detenção por desatenção e está sendo cobrado em R$ 32 mil. A intenção é parar com toda essa aberração — afirmou o dirigente.

Apesar de entender que a situação prejudicaria o policiamento, Lucas não concorda que a associação seria a culpada por um colapso no policiamento motorizada.

— A culpa não é nossa. A culpada é a administração — afirmou.

Como o comando da BM ainda precisa ser notificado pela Justiça, o que deve ocorrer na terça-feira, Trindade afirma que aproveitará o feriado para buscar uma solução ao problema, conseguir mais tempo ou arranjar uma reunião com a magistrada. Ele evitou críticas à juíza, mas questionou a iniciativa da Associação de Cabos e Soldados.

— A associação não veio falar comigo, não apresentou uma proposta de treinamento, não trouxe documentação mostrando o problema. Ingressaram em juízo, simplesmente.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Neste caso, há dois fatores nocivos - O primeiro é a Brigada Militar não cumprir as normas estabelecidas em lei para capacitar seus profissionais e o segundo é a Justiça tomar uma decisão desprezando a paz social, a vida e o patrimônio do cidadão, deixando-o a mercê da bandidagem. Este fato prova que não existe sistema, compromisso ou ligações entre as instituições, na preservação da ordem pública. A Justiça deveria imputrar responsabilidades a quem deixou de cumprir a norma, mas não atirar na sociedade a culpa por este erro. No Brasil, a Justiça um cumpre o seu papel sem se importar com a sua verdadeira finalidade e dever para com a sociedade.

¿ALGUIEN SE PREGUNTO LO QUE PIENSA UN POLICÍA?


ECUADOR: ¿ALGUIEN SE PREGUNTO LO QUE PIENSA UN POLICÍA?
- Por jeancarlos quiñoñez "Grupo Mundial De Policías" - Vie, 17 de Sep, 2010 5:27 am -

Elegí ser policía... porque he aprendido a mirar a las personas de otra manera.

Porque tengo un don de ser puntual y responsable.

Porque soy masoquista y me gusta que la gente me falte el respeto.

Porque me gusta desayunar cuando los demás están almorzando, almorzar cuando todos están cenando y Cenar mientras todos están durmiendo.

Porque en una protesta, estamos bien parados 9 horas o más y porque la mayoría de los cánticos de esa protesta son en nuestra contra.

Porque cuando la gente disfruta de sus vacaciones en la sierra, Oriente o en la costa, es cuando se intensifican los operativos de control de las carreteras, para protegerlos de ellos mismos; cosa que paradójicamente los irrita y les da coraje.

Porque aprendí a comer lo incomible y en cualquier lugar y me hizo daño, pero debo estar en mi puesto de servicio pese a mi malestar.

Porque necesitaba saber cuánto café puedo soportar, para que el sueñon no me venza en la amanecida, saber cuánto tiempo puedo aguantar sin comer, dormir, tomar agua, etc.

Porque me encanta que el único domingo del mes que tengo de descanso en compañía de los míos, los demás me hagan cargo de todas sus quejas,¡en mi casa!

Porque nadie entenderá nunca en qué turno trabajo: de 6, 8, 16 y hasta las 24horas.

Porque es interesante ir de vacaciones cuando nadie más puede. Y es más interesante estar trabajando cuando todos los demás están de vacaciones.

Porque la sensación de sacar a alguien de un auto destrozado, o un ciclista de entre las ruedas de un camión, o un bebé de un tacho de basura, o rescatar a una mujer de un marido borracho que la golpea, o sentir que te disparan y no sabes de donde vienen las balas, tiene más adrenalina que lanzarse de un puente en el 'bungee jumping'.

Porque he visto todas las películas policiales filmadas y sé que nuestras vidas supera toda ficción.

Porque he tenido frente a mi a un amigo mutilado, o quemado por el fuego de una bomba molotov, y desesperado tuve que mentir y contener mi llanto para poder decirle que no iba a morir.

Porque tengo que soportar todas las amenazas delictivas.

Por que simplemente quiero que la droga nunca jamás llegue a tu hogar.
Porque he visto el horror de la guerra; porque lucho contra el flagelo del narcotráfico.

Lo mejor de todo, porque me agrada saber que tú estas bien en compañía de tus seres queridos.

Por que un policía, un compañero, un amigo, un hijo, un padre entregó su vida y su felicidad, dejando a su familia, para que tú sonrieras, y a pesar de eso nunca lo agradecerás. Pero siempre me sentiré ¡satisfecho!

Porque me encanta cuando veo el amanecer y miro como los niños van rumbo a sus colegios con su mami de la mano. Sonrío levemente, por que alguna vez mi madre lo hizo conmigo. Pero me entristezco, porque mi hijo nunca podrá tener esa alegría de hacerlo.

Porque es todo un reto tratar de que tu compañero, que hace unos días salió de la Escuela de Policía, sepa cuándo hablar y cuándo quedarse callado, en qué momento sacar el arma y cuándo disparar o no. Pero algo que él no sabe y que sí aprenderá al lado mío, es que mi chaleco parará las balas que vayan dirigidas a él.

Porque la falta de recursos para ejercer mi profesión aumenta mi creatividad.

Porque cuando me despido de los míos para empezar mí turno nunca sabré si los volveré a ver.

Porque si mueres en un enfrentamiento con vulgares delincuentes serás visto como un común, sin saber que tu vida solo importará a tu familia y no a aquella persona que defendías.

Porque en las cientos de ceremonias de los policías caídos a las que asistí nunca pude ver a los organismos de D.D.H.H. acompañando en el dolor a sus familiares.

Porque para quienes creemos en un ser superior tenemos el privilegio de saber, que é ha podido guiar tus manos en algún momento difícil, mirándote directamente a los ojos cuando atendiste tu primera emergencia, donde no sabias qué hacer o decir: tu primer parto, o apagando incendios, o rescatamos personas de un río, o descolgando suicidas.

Porque ví el milagro de la vida o acompañé a alguien en sus últimos instantes antes de la muerte.

Porque la mejor paga no está en el sueldo, sino en la esperanza de que algún día alguien te lo reconozca.

Porque no sabes lo que es tener vida social y ha nadie le importa tu vida social hasta cuando estás dentro de una estación de policía, donde conoces amigos diferentes en cada servicio.

Porque las horas que no pude estar junto a mi esposa, hijos y amigos no las recuperaré jamás.

Porque para mi el significado de un día bueno ha cambiado: un día bueno es cuando no fallece mi compañero, he podido hacer varias detenciones, constantes patrullajes de prevención, sin que me denuncien o salga herido yo o mi compañero.

Porque valgo mucho más de lo que piensan y hacemos mucho más de lo que imaginan. Por eso elegí el camino del verde aceituna. Por todo eso y mucho más soy un señor policía.

Colaboração: Cel Clóvis Mamedes, Gerente de Segurança, Shopping Center Iguatemi Porto Alegre

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

PACIFICAÇÃO - DESABAFO DE UM PM.

RJ- Desabafo de um PM Carioca - Portal ASSTBM, 16/09/2010

Todos batem palmas para a instalação das UPPs nas favelas do Rio de Janeiro, porém uma coisa não se encaixa:

Como fazer para não haver cooptação pelo tráfico do enorme contingente policial SUBASSALARIADO?

Vamos às contas. Um soldado PM quando se forma ganha 1 mil e não ganha arma (tem de gastar , no mínimo 3 mil para ter a sua). Ele será treinado, qualificado e vai trabalhar com seus 1879 amigos na UPP da Rocinha, comunidade que movimenta mais de 5 milhões por semana!

Supondo que o tráfico pague POR SEMANA 1 mil para cada soldado fazer "vista grossa" (R$ 1.880.000,00), restaria para os traficantes R$ 3.120.000,00. Que maravilha! Todo esse dinheiro sem precisar comprar fuzil para fazer segurança, a favela tá pacificada, e sem se arriscar!

O que me revolta não é isso, o que me revolta é que ninguém fala nada, tá todo mundo batendo palma para um problema que mais tarde será gravíssimo.

Cadê a valorização do policial, com salário digno, dedicando-se só à corporação sem precisar fazer bico? PM e Polícia Civil do RJ ganham uma miséria! Os bons estão indo embora, aos lotes, para Estados que pagam salário decente! Como Brasília que paga bem seus policiais civis e militares, ou para trabalhar na União, na Polícia Federal.

Dignidade e respeito ao profissional se mostra no contracheque! Não comprando viaturas novas para entregar na mão de empresas tercerizadas... O esquema de gratificação para quem trabalha em UPP ou Delegacia Legal é uma vergonha, se o policial é baleado ou transferido perde a gratificação (quando recebe, como já há casos relatados na mídia).

Cadê o armamento decente para o policial?

O Estado comprou carabinas .30 e anunciou: “novas armas para combate ao crime, mais eficientes e menos letais”, onde elas foram parar? Na verdade o lote comprado era refugo de produção! Todas tiveram que ser recolhidas às pressas porque estavam dando problemas diversos, uma vergonha! E outra coisa, deram nas mãos dos policiais sem dar instrução alguma de uso!


Instrução de tiro?

O governo comprou, com dinheiro do governo federal, uma “supermáquina de recarga de munição para treinar o policial” no início do ano passado, onde ela está? A resposta é fácil, encaixota num canto. Cadê o treinamento do policial? Aqui no Rio o uso de fuzil é uma necessidade, mas só se treina tiro ou na rua, no confronto, ou na época da academia de polícia! Outro detalhe, os fuzis são todos velhos! Cadê o investimento na compra de fuzis de qualidade, como o HKG33 que a PF utiliza? Será que a necessidade da PF é maior que a da Polícia Civil e Polícia Militar carioca?... Preciso responder?

E continuam brincando de segurança pública no Rio de Janeiro.....

Autor: Pablo - Blog Sd Almaça

PODER PARALELO - BANDIDOS IMPÕEM TERROR E TOQUE DE RECOLHER

ENCURRALADOS EM CASA. Moradores de vila relatam toque de recolher do tráfico. Medo transtorna comunidade em Porto Alegre, ampliando ausências na escola e no posto de saúde - CAROLINA ROCHA, Zero Hora,

A guerra do tráfico levou o terror a Vila Ipê São Borja, na zona norte da Capital. Moradores relatam que traficantes decretaram toque de recolher desde que a disputa entre duas gangues se intensificou, há uma semana. Com medo dos criminosos, alunos começaram a faltar aulas, pacientes esvaziaram as filas do posto de saúde e os pedestres passaram a se cuidar mais nas ruas – mesmo durante o dia.

Um entregador foi baleado quando levava um lanche à vila na noite de terça-feira. A Polícia Civil investiga se ele levou o tiro por desrespeito à ameaça criminosa.

– Eles falaram para um comerciante que o toque de recolher começa às 19h. E disseram que quem estiver na rua depois dessa hora vai morrer – conta uma moradora, que pediu anonimato, a exemplo de outros entrevistados nesta reportagem.

Tendo de sair cedo e chegar em casa depois do horário estabelecido pelos criminosos, ela conta que anda apavorada pelos becos da vila da Zona Norte. O medo se espalhou pela comunidade. Na terça-feira, dos 20 alunos que fazem o ProJovem na Escola Estadual Humaitá, apenas um compareceu a aula. No dia seguinte, em um turma de sexta série, apenas metade das classes estava ocupadas pelos alunos.

– As professoras recomendaram não mandar os alunos e disseram que não dariam falta para as crianças – conta outra moradora, que não deixou o filho de 12 anos ir à escola.

A direção do colégio, que fica bem em frente à vila, promete dar atenção especial para os ausentes que tinham prova marcada. No posto de saúde, os funcionários registraram queda nos atendimentos desde segunda-feira. Segundo eles, as pessoas deixaram de aparecer para as consultas.

Confronto se intensificou após morte na sexta-feira

O toque de recolher teria sido imposto por um grupo de traficantes que atua na Vila Ipê São Borja. Para evitar o avanço dos rivais, eles teriam ordenado que ninguém entrasse ou saísse da vila depois de escurecer. Barulho dos tiros e homens armados nas esquinas perturbam o sossego dos moradores.

– Quando acontece de matarem alguém, a polícia vem, recolhe o corpo e vai embora – reclama uma moradora.

Os confrontos entre os dois grupos teriam se intensificado na sexta-feira da semana passada quando José Augusto Oliveira da Silva, 18 anos, foi morto a tiros próximo da Escola Humaitá.

SUA SEGURANÇA | Humberto Trezzi - Cúmulo do absurdo

Enquanto no Rio de Janeiro avançam as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), solapando o domínio dos bandidos sobre os morros, Porto Alegre experimenta algumas agruras oriundas da escola carioca do submundo. É o caso do toque de recolher na Vila São Borja, relatado nessa reportagem da colega Carolina Rocha.

O tenente-coronel Quadros, do 20º Batalhão, diz que bandido não vai ordenar toque de recolher na área onde seus homens patrulham. O problema é que os criminosos já fizeram isso. Cabe ao militar, conhecido pela energia que dispensa contra o crime, acabar com esse cúmulo do absurdo.

Está longe de ser a primeira vez que isso acontece. Na Vila Aparecida, em Alvorada, já foi registrado esse fenômeno de bandidos posando de autoridades militares, ordenando aos moradores que se aquartelem. Na Vila Maria da Conceição, idem. Também no Campo da Tuca e no bairro Bom Jesus. Em todas essas ocasiões, a Brigada Militar acampou no meio da comunidade, com ônibus e patrulhamento dioturno, acabando com o delírio da bandidagem de afrontar o Estado. Talvez uma saída para esses surtos de autoritarismo dos criminosos sejam mesmo os Territórios da Paz, proposta federal em implantação na Região Metropolitana que lembra a das UPPs cariocas. Mas, para isso, é preciso “um, dois, mil...lugares pacificados e com presença fixa da PM”, parodiando uma famosa frase de Che Guevara. Uma andorinha só não faz verão.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Poderes paralelos dominando comunidades inteiras revelam a inoperância do Estado na preservação da ordem pública. Ausência da polícia, benevolências da lei e uma justiça morosa e tolerante estimulam os criminosos a assumir territórios, impor o terror aos moradores e enfrentar quem ousar reduzir seus negócios ou tirar poder.

O emprego do policiamento comunitário já deveria ter sido implementado em Porto Alegre. A difusão da filosofia, reuniões comunitárias e operações relampagos são apenas parte do processo de policiamento de proximidade, pois o concreto é o controle do território, a ação policial permanente e continuada, a identificação dos comandos e lideranças locais, policiais comprometidos com o local da trabalho e laços de confiança entre os moradores e os policiais.

Para tanto, são necessários efetivos em número suficiente para o atendimento das demandas nas 24 horas, capaz de promover um patrulhamento permanente e ter comando comprometido e policiais identificados com o local de trabalho em postos fixos e móveis, ligando-se com as lideranças e buscando a confiança mútua na luta contra o crime.

Para complementar o esforço policial é vital, além da integração entre as polícias e a participação da comunidade, o envolvimento do poder judiciário na aplicação coativa da lei de forma ágil e compromissada com a paz social, com a vida e com o patrimônio do cidadão.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

OFENSIVA CONTRA O TRÁFICO


Ofensiva contra o tráfico
- Editorial Zero Hora, 16/09/2010

Numa situação nacional e internacional de expansão do tráfico e do consumo de drogas, em especial de cocaína e seus derivados, são evidentemente importantes as ações da Polícia Civil do RS e da Polícia Federal que apreenderam centenas de quilos desses entorpecentes em duas ações qualificadas de históricas. Desde 1993, quando a polícia interceptou em São Leopoldo 2,1 toneladas de cocaína procedentes da Colômbia, não havia uma apreensão tão relevante nem uma derrota tão clara dos traficantes. Mais do que os 700 quilos da droga apreendidos em Mariana Pimentel e Rio Grande, o que surge como conclusão é que essas ações abortam uma tentativa dos traficantes de estabelecer uma rota gaúcha para fazer com que tal droga chegasse aos mercados consumidores europeus e norte-americanos.

Diante desses fatos, merece aplausos a eficiência de nossas polícias, que foram competentes para detectar o esquema e impedir que ele se concretizasse. Ao lado disso, no entanto, fica claro o poder de fogo dos traficantes, que são capazes de montar uma logística complexa, transnacional, reveladora de uma estratégia rica e poderosa. Cada vez mais, esse poder do tráfico representa um desafio que não é apenas para uma polícia ou para um país. É igualmente uma tarefa que precisa ser cumprida pela comunidade internacional preocupada com o avanço das drogas, com seus malefícios sociais e com sua condição de usina de outros crimes. Quantas tentativas como essas agora desbaratadas estão em curso neste momento ou quantas tiveram êxito nos últimos meses e anos?

A polícia, em nome da sociedade, está fazendo sua parte. Cabe, no entanto, a conscientização dessa mesma sociedade, de suas organizações públicas e entidades privadas, para o dever de políticas de prevenção, impedindo que a ampliação do consumo seja o motor de mais e maior oferta de drogas.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Sim, "a polícia, em nome da sociedade, está fazendo a sua parte", resta, entretanto, que os Poderes de Estado se integrem e assumam suas responsabilidades, tais como:

1. Ao Executivo incumbe aumentar as políticas preventivas contra as drogas, a criação da polícia nacional de fronteiras e a implementação de vários centros públicos de tratamento das dependências;

2. Ao Judiciário a aplicação coativa da lei coativamente de forma ágil e diligente para com a ordem pública;

3. Aos parlamentares, urge uma mudança de comportamento direcionada à elaboração de leis capazes de salvaguardar a sociedade, para fortalecer o sistema e impedir a impunidade de traficantes e vapozeiros.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

TRÁFICO NO RS - QUEBRANDO O MOTOR DO CRIME



SUA SEGURANÇA | Humberto Trezzi - Quebrando o motor do crime - Zero Hora, 15/09/2010

A máquina do tráfico emperrou ontem no Rio Grande do Sul, graças a duas operações separadas, das polícias Civil e Federal. É raro, muito raro, que centenas de quilos de cocaína sejam apreendidos em uma só sentada. Pois os policiais do Estado e da União, mesmo que em ações sem conexão entre si, conseguiram no mesmo dia apreender quase uma tonelada de drogas. Talvez até chegue a esse número, a depender do desenrolar dos fatos nas próximas horas.

As duas cargas teriam destinações diferentes, o que mostra que o Brasil tem vocação tanto para o mercado interno quantyo para a exportação de droga. A cocaína enterrada em Mariana Pimentel seria desovada na Grande Porto Alegre e no Vale do Rio Pardo, quilo por quilo, a partir do depósito montado no sítio. A de Rio Grande tinha como destino a Europa. Os federais têm esperança de que sejam encontrados ainda mais do que os 500 quilos, porque o depósito onde a droga foi localizada está repleto de cargas com conteúdo ainda ignorado.

O recorde de apreensão de cocaína no Rio Grande do Sul pertence à PF e foi conquistado em 1993. Era uma gigantesca carga de pó acondicionada em armazéns em São Leopoldo, numa fictícia exportação de sapatos montada para levar a droga à Europa.

A cocaína veio da Colômbia e serviria à Máfia da Itália, mas foi interceptada num bairro da Grande Porto Alegre. Fenômenos da globalização.

O certo é que, se as apreensões gigantescas de ontem fazem parte de uma rivalidade entre as corporações policiais, bem-vinda seja essa disputa. A cidadania agradece.

Tráfico sofre dois golpes históricos. Apreensões de 700 quilos de cocaína indicam que quadrilhas nacionais e internacionais reforçaram o uso de rotas gaúchas
- ANDRE MAGS, colaborou Guilherme Mazui. Zero Hora, 15/09/2010

Duas apreensões históricas de cocaína feitas ontem no Rio Grande do Sul serviram como um golpe no tráfico nacional e internacional de drogas, que reforçou a tentativa de estabelecer o Estado como uma das principais rotas da substância. Pela manhã, uma operação do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) em Mariana Pimentel, no sul gaúcho, resultou na apreensão de 201 quilos de cocaína e 157 quilos de outros entorpecentes – a maior da história do órgão, segundo o delegado Luiz Fernando Martins Oliveira. No final da tarde, a Polícia Federal (PF) localizou mais de meia tonelada de cocaína em um depósito em Rio Grande.

O montante foi considerado o maior já apreendido pela corporação no Estado desde 1993. Os números revelam a aposta do tráfico pelo território gaúcho

– Se não fizéssemos essas apreensões, o Rio Grande do Sul viraria rota do tráfico internacional, e, se essa droga ficasse por aqui, seria consumida no Estado, porque os traficantes têm de vender. As operações, tanto da Polícia Federal quanto da Civil, mostra que estamos trabalhando para evitar isso. O PCC (a organização criminosa Primeiro Comando da Capital) já tentou várias vezes atuar no RS. Os cartéis da droga estão tentando – afirmou.

Recentes prisões no porto de Santos (SP) e em aeroportos fizeram os traficantes mudarem de estratégia e buscarem o Sul, mas o Estado não é atraente somente por Rio Grande. A vastidão das fronteiras e as dificuldades burocráticas de se usar como prova as drogas recolhidas na Argentina e no Uruguai tornam mais árduo o combate às ações dos traficantes internacionais, segundo o superintendente da PF no RS, Ildo Gasparetto.

O delegado da PF em Rio Grande, João Manoel Vieira Filho, comentou que a cidade é muito visada: – Onde tem porto, há rota de tráfico.

As ações policiais serviram para reforçar uma competição sadia. Após ter a apreensão do Denarc ofuscada pela da PF, o diretor do departamento, delegado João Bancolini, brincou: – É meio estranho, né? A gente pega 350 quilos de drogas e eles (PF), no mesmo dia, fazem outra apreensão e pegam 150 a mais (risos). Mas é como eu sempre digo no Denarc: essa disputa é sadia e quem ganha é a sociedade.

De Rio Grande, droga iria para a Espanha

Em Rio Grande, quatro homens e uma mulher foram presos. Dois dos suspeitos são brasileiros, o motorista do caminhão, Antônio Fernando General, 65 anos, natural do Paraná, e Ricardo Antônio Ayala, 47 anos, de Manaus. Os demais são estrangeiros. Eles foram identificados pela PF como o espanhol Carlos Valls Prat, 54 anos, e o suposto casal de colombianos Francisco Arcadio Quincha Osorio, 38 anos, e Elvira Sanches Plazas, 40 anos.

A droga foi apreendida em um caminhão Ford que estava em um depósito de farelo de cereais na Avenida Itália. O veículo vinha sendo monitorado há três dias pela PF no Estado. Na segunda-feira, chegou a informação de que o caminhão viria para o Estado – a PF não informou de onde ele partiu. A partir de então, os suspeitos passaram a ser seguidos por uma viatura discreta da PF.

Os dois brasileiros foram vistos entrando no caminhão na Vila da Quinta, perto da cidade. Quando enfim estacionou no depósito, os policiais entraram no local com armas em punho. Cães farejadores da Brigada Militar, da raça labrador, identificaram o esconderijo da cocaína.

Os 475 tabletes contendo os 522,175 quilos de cocaína estavam armazenados dentro de um fundo falso do caminhão, com placas de São Pedro (SP). O carregamento seria colocado em um contêiner e embarcado em um navio com destino à Espanha. A suposta origem da droga é a Colômbia. O armazém era alugado há dois anos pelo espanhol, que mora no Brasil há três anos. Os cinco presos seriam encaminhados à Prisão Estadual de Rio Grande.

Vinte e cinco agentes do RS, Paraná e Santa Catarina participaram da ação. A PF descartou que os traficantes tenham ligação com um grupo preso em 19 de junho no município. Na ocasião, 60 quilos de cocaína pura foram localizados perto do porto e seriam embarcados em um navio com destino à Europa.

A maior operação - JULHO DE 1993 - No mais profundo golpe a traficantes no Estado, a Polícia Federal apreendeu 2,1 toneladas de cocaína em São Leopoldo, no Vale do Sinos, e capturou 10 traficantes. Trazida da Colômbia, a droga seguiria para a Itália, disfarçada entre mercadoria pelo porto.

Quadrilha enterrou droga em sítio de Mariana Pimentel - JOSÉ LUÍS COSTA | Mariana Pimentel, Zero Hora, 15/09/2010

Como se fossem agricultores desenterrando batatas com pás e enxadas, agentes do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) “colheram” ontem pela manhã 201 quilos de cocaína e crack e 157 quilos de lidocaína e cafeína, em Mariana Pimentel, no sul gaúcho.

A droga e os produtos químicos estavam em tonéis plásticos, enterrados em um capão de mato, camuflados com arbustos, arame farpado e rodeados de galinhas, patos e vacas, em um sítio do município, distante 72 quilômetros da Capital. A Polícia Civil anunciou a operação como a maior apreensão de cocaína já realizada pela corporação.

– Essa apreensão é um colapso para o tráfico. Vai causar pânico no meio criminoso – comemorou o diretor do Denarc, João Bancolini.

Na casa da propriedade de tijolos sem rebocos e tábuas velhas, funcionava o laboratório de refino da droga, com a mistura de substâncias químicas como a lidocaína e cafeína para aumentar o volume e o lucro dos traficantes. Em geral, um quilo de cocaína pura é transformado em três quilos da droga batizada.

Preso em flagrante, o caseiro do sítio, Cláudio Félix da Silva, 56 anos, negou envolvimento com o caso, mas deu indicações para que os policiais encontrassem os oito tonéis com a droga, em uma área distante cem metros da residência.

Grande Porto Alegre e Vale do Rio Pardo recebiam a droga

Conforme o delegado Luis Fernando Martins Oliveira, a cocaína, com sinais de alto teor de pureza, pertence a um grupo de traficantes que teria Ede Nilson Rebello da Silveira, o Baleia, 42 anos, como um dos líderes. Comerciante de carros usados desconhecido nos meios policiais, o suspeito foi preso em um apartamento no centro de São Leopoldo, no Vale do Sinos, no mesmo horário da apreensão da droga. Ele tinha em casa duas pistolas calibre .380 sem registro e negou ser o proprietário da droga. Seu apelido deu origem ao nome da ofensiva policial, Operação Moby Dick.

Conforme o delegado, Baleia lideraria um grupo de até 12 pessoas que encomendam a cocaína em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, para revender a varejistas de drogas do Vale do Rio Pardo, e da Região Metropolitana. Os principais mercados consumidores seriam o bairro Rubem Berta e a Vila Cruzeiro, duas das regiões mais conflagradas na Capital. A droga também abasteceria cidades como Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires, Cachoeira do Sul, Pantano Grande, Encruzilhada do Sul, Camaquã e Tapes.

Baleia atuaria no tráfico havia cinco anos, mas intensificado negócios a partir de 2007, aproveitando-se da mesma estratégia de um outro comerciante, preso pela Polícia Federal, sob a suspeita de ser o dono de 200 quilos de cocaína apreendidos em tonéis, enterrados em um sítio em Viamão. A Polícia Civil agora tenta descobrir a quantidade de cocaína que desembarcava por semana no Estado.

Mapa do Exército ajudou a achar local

As investigações para localizar o laboratório de refino de drogas, estourado ontem por agentes do Denarc, em Mariana Pimentel, começaram quatro meses atrás. Escutas telefônicas ajudaram a identificar integrantes e o modo de agir do grupo, mas foi graças à colaboração do Exército que a Polícia Civil fez a apreensão.

Existia muita dificuldade para localizar o sítio, pois a propriedade fica em uma área de difícil acesso, distante 18 quilômetros do centro da cidade, e não constam informações nos mapas tradicionais nem na internet.

Ex-tenente paraquedista das Forças Armadas, o delegado Luis Fernando Martins Oliveira solicitou um mapa cartográfico aos antigos colegas, contendo indicação de morros, lagos, cercas de arame farpado e até de sepulturas.

– Ficou fácil pois sei interpretar esses símbolos – ressaltou o delegado, que desde 2007 comanda as investigações do Denarc e faz curso de pós-graduação em toxicologia forense.