SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O HELICÓPTERO BLINDADO



O helicóptero blindado - PAULO SANT’ANA, Zero Hora, 30/11/2010

O Rio de Janeiro viveu cenas memoráveis durante a invasão dos morros.

Os jornais, nos dias seguintes, mostravam manchetes desse tipo: “O Rio está de alma lavada”.

Chega a ser estupefaciente que consumidores de droga festejem a fuga e a prisão dos seus fornecedores.

Sou alertado por diversos leitores de que os culpados pelo tráfico de droga não são os traficantes. E sim os consumidores.

Obrigado pela ressalva, mas ela já estava presente em minha ideia.

E a questão é a seguinte: se não vão acabar com os consumidores, sempre haverá traficantes. Se não for na favela A, será na favela Y.

O tráfico não acabará nunca.

A não ser que tornem lícitas as drogas, isto é, que não seja crime nem usar nem vender droga. Por sinal, muita gente ilustre, culta e idônea está pregando a descriminalização das drogas, como tanto já abordei aqui nesta coluna.

Não há dúvida de que é a única solução à vista.

Na hora do pega pra capar da invasão pela polícia do Morro do Alemão, houve traficantes que tentaram fugir vestidos de garis, de mata-mosquitos, de entregadores de pizza.

Muitos foram presos, outros fugiram, centenas deles ainda se encontram lá, abrigados em casebres de moradores. Afinal, no complexo residem mais de 100 mil pessoas, muito mais gente que na maioria dos municípios do RS.

Houve traficantes que fugiram ou tentaram fugir pelos bueiros dos esgotos. Os que foram surpreendidos estavam sujos de cloaca.

O grande momento da invasão policial foi minutos antes da invasão, quando o enorme helicóptero blindado da Polícia Civil começou a sobrevoar, iluminado, as favelas do complexo.

Era a senha para a invasão, que se iniciou com 300 policiais civis, os que afinal cravaram as bandeiras do Brasil e do Rio de Janeiro no cume do morro.

Interessante é que no Rio de Janeiro, talvez pela evolução do crime, a Polícia Civil se entrega a operações de polícia ostensiva, fardada, com armamento pesado, em tudo igual à Polícia Militar.

Lá, a Polícia Civil não é só judiciária.

Os traficantes, no início da invasão, imaginando que a polícia estivesse se entregando a outra ação rápida e profilática, tentaram enfrentar as forças de segurança, disparando seus fuzis e metralhadoras.

Mas, quando viram que eram milhares os policiais e não estavam para brinquedo, trataram de fugir e salvar suas vidas.

Tudo é uma questão de número. Quando em ação durante as 24 horas do dia há mais traficantes que policiais, vence o tráfico.

Quando as forças de segurança se reúnem e assim se tornam mais numerosas que os traficantes, vencem temporariamente as forças do mal.

BASES DE FRONTEIRA SEM UMA POLÍCIA OSTENSIVA DE FRONTEIRAS

Border patrol - Vigilância ostensiva da fronteira


EFEITO RIO - Sul receberá base contra o narcotráfico na fronteira. Projeto Vant pretende criar cinco bases federais avançadas para vigiar regiões limítrofes com 10 países - JOSÉ LUÍS COSTA, Zero Hora, 30/11/2010

Diante da guerra instalada nos morros cariocas e convencido de que a cabeça do crime organizado no Brasil se apoia em braços a partir das fronteiras, o governo federal anuncia uma outra ofensiva contra o narcotráfico a milhares de quilômetros do Rio de Janeiro. O plano é colocar em prática um conjunto de medidas para tentar estancar a entrada no país de armas e drogas, a principal matéria-prima dos traficantes.

O ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, disse ontem que os países da América do Sul vão desenvolver um plano de segurança de fronteiras para combater o crime organizado.

– Chegou a hora da América do Sul ter um plano integrado, que permita a região combater um problema que vitimiza todos os países e encontrar uma solução conjunta. Todos os técnicos apontam que é impossível o patrulhamento físico dessa fronteira. A melhor maneira de combater isso é com integração e um sistema lógico de cooperação – disse.

A mais dispendiosa e ousada iniciativa no Brasil é o Projeto Vant, que consiste na criação de cinco bases avançadas da Polícia Federal (PF) para vigiar as regiões limítrofes com 10 países em 16,7 mil quilômetros de fronteiras.

O principal mecanismo de monitoramento da região será por intermédio de Veículo Aéreo Não tripulado (Vant). Está prevista a compra de 14 aeronaves israelenses até 2014, projeto orçado em cerca de R$ 600 milhões.

– O nosso maior desafio é a fronteira – afirma o delegado paulista Roberto Troncon Filho, diretor de combate ao crime organizado da PF, terceiro homem na hierarquia da corporação e cotado para ser o diretor-geral.

A localização das cinco bases ainda não foi definida, mas uma delas será montada entre o Rio Grande do Sul e o Paraná, rotas tradicionais de ingresso de contrabando, armas e drogas por estradas e rios nas fronteiras com Uruguai, Argentina e Paraguai.

– Uma aeronave vai cobrir a região Sul. Estamos em negociações com a Aeronáutica para aproveitar estruturas e pistas já existentes – afirma Troncon.

As informações coletadas pelas aeronaves serão processadas pelas bases da PF, que articularão medidas de repressão com as Forças Armadas. O mapeamento de dados também fornecerá subsídios para a Operação Sentinela, que reúne policiais federais, estaduais, rodoviários e a Força Nacional de Segurança Pública.

Em julho do ano passado, a PF iniciou testes com dois Vant no Paraná. Conforme Tronco, os Vant serão utilizados para dar apoio em bases móveis na fiscalização do plantio de maconha no Nordeste e também contra crimes como desmatamento e queimadas.

Especialista no assunto, Nelson Düring, editor do portal DefesaNet, lembra que a PF será a única polícia no mundo que usará Vant para essa finalidade, mas faz um alerta:

– É uma arma poderosa. Hoje, a PF inexiste no Centro-Oeste (principal corredor de drogas e armas). Mas é preciso estar conectada com outros esforços. Uma grande parte do armamento chega por navios na Baía da Guanabara, no Rio – observa Düring.

O governo prepara a instalação de uma central de inteligência contra o narcotráfico e se mobiliza para fazer funcionar acordos de cooperação com os países produtores de drogas e assinar termos de parceria com Argentina e Uruguai para operações conjuntas, troca de informações e tecnologia.


Respostas ao narcotráfico. Medidas prometidas pelo governo federal

- Criação de cinco bases de operações com agentes da Polícia Federal (PF) para fiscalizar as fronteiras. A primeira deve ser inaugurada em 2011

- VANT - O instrumento principal será o Veículo Aéreo Não tripulado (Vant). Serão compradas 14 aeronaves. Fabricado em Israel, o Vant é um espião aéreo com envergadura de 16 metros de uma asa a outra, autonomia de voo de até 37 horas com combustível de avião. Decola e aterrissa por meio de controle remoto. Silencioso, atinge 10 mil metros de altitude e é dotado de computadores, radares, sensores infravermelho com visão noturna e de calor para localizar alvos por meio da temperatura, filmadora e câmera fotográfica capaz de identificar placas de veículos

- Criação de um centro integrado contra o crime organizado com ênfase ao narcotráfico, possivelmente em Brasília, no qual agentes da PF e integrantes das Forças Armadas planejarão ações conjuntas para as regiões de fronteira

- Intensificação da Operação Sentinela, ofensiva que reúne agentes das polícias federal, rodoviária, e estaduais e da Força Nacional de Segurança Pública na fiscalização de áreas fronteiriças. As ofensivas começaram em março no Amazonas, depois Rondônia, Acre, Mato Grosso e Paraná. Ainda não atingiu o Rio Grande do Sul por recusa do governo estadual

- Acordos de cooperação com Colômbia, Bolívia, Peru, já assinados, permitem troca de informações sobre criminosos, treinamento compartilhado e operações conjuntas nas fronteiras. Acordos com Argentina e Uruguai devem ser assinados até março.

Border Patrol - Patrulha ostensiva a cavalo


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Todas estas medidas são importantes, mas serão superficiais, inoperantes e ineficazes contra o contrabando e contra o tráfico de armas, de drogas, de animais e de pessoas. Simplesmente porque a fronteira não terá uma força policial para fazer o patrulhamento constante, permanente e ostensivo ao longo das fronteiras. O projeto integra ofensivas de forças dedicadas, mas não comprometidas com este míster. Se mantido assim, vai ocorrer uma sobrecarga na polícia federal que deverá assumir um tamanha amplitude que demandará uma grande quantidade de policiais. Este caminho a desviará da sua principal atribuição que é a investigação, papel que tem garantido à polícia federal o devido reconhecimento do povo brasileiro como sinônimo de eficiência e prontidão.

Quanto as Forças Armadas elas são importantes na logística e nas fronteiras de selva onde a capacidade policial é reduzida. Na situação normal, sou contrário ao uso delas na segurança pública pelos fatores especiais que cercam este enfrentamento e que não devem contaminar os militares federais. O policiamento de fronteiras é atribuição policial.

Não tenho dúvidas da eficácia operacional deste projeto se o Estado providenciasse na criação da Polícia Nacional de Fronteiras, readaptando as PRF para esta função.

A GUERRA CIVIL E O LEVIATÃ


A guerra civil, por Eliani Gracez, Filósofa clínica

A mais excelente obra da natureza, o homem, é um lobo devorador de outros lobos, e o Estado um grande monstro marinho chamado Leviatã, criado para proteção e defesa daqueles que não conseguem sobreviver naturalmente. O grande Leviatã possui uma alma artificial, sua soberania. Os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário nos lembram que devemos cumprir com o dever, mas é a riqueza e a prosperidade dos integrantes do Estado que dão a ele força e segurança. Estão nas mãos desse corpo político a justiça, as leis, a saúde, a guerra civil e a morte, a razão e a vontade. E assim o Estado tem aquele “fiat”, “faça-se a luz”, de um Deus na criação. Mas, quando a alma do grande Leviatã enfraquece devido à corrupção de seus membros, o monstro cai e o caos toma conta.

Semelhante a isso acontece quando nós não cuidamos bem de nossos filhos, eles acabam sendo adotados por traficantes que dão a eles o que eles têm de melhor, as drogas. Não vamos nos enganar, pois o mal possui sua inteligência e se organiza através dela. Por isso, o grande Leviatã, que deveria promover a segurança pública, se vê, às vezes, enfraquecido por um outro tipo de inteligência maligna e devastadora. O Brasil tem se tornado refúgio para traficantes em fuga e rota de tráfico para a Europa.

A luta contra o narcotráfico não é tarefa fácil, devido ao tamanho de nossas fronteiras e pela vizinhança que nos cerca, como Bolívia, Peru e Colômbia, grandes produtores de cocaína. Tanto nossas fronteiras terrestres quanto as marítimas possuem tamanho continental. Vigiar fronteiras, portos e aeroportos, que transportam pessoas e cargas faraô-nicas, tornou-se um grande desafio para este grande Estado brasileiro.

Um outro tipo de inteligência está se infiltrando no Brasil, oriunda de drogas e promotora de um sistema financeiro que, como qualquer outro sistema financeiro, precisa de capital para se manter. A miséria de uns e a ganância de outros mantêm o crescimento veloz do narcotráfico. Por tudo isso, o Rio de Janeiro está vivendo uma verdadeira guerra civil. Há quem afirme que o inimigo seja outro e está a se perguntar pelos promotores do tráfico, controle de milícias na área, venda de segurança etc.

Tudo bem! A alma do grande Leviatã está enfraquecida, sim, seja por um motivo ou por outro. São tantos os motivos, que já não importam mais. O tráfico tem que acabar. E o Brasil tem que mostrar que possui um forte Leviatã.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Excelente e oportuno este artigo. A República Federativa do Brasil é um grande Leviatã enfraquecido por poderes cheio de mazelas corporativas, tolerantes às improbidades e sem vontade política e administrativa que desprezam a opinião pública, ficam cegos e surdos às denúncias da mídia e estão descompromissados com a soberania, com seus deveres, com suas funções precípuas e com a paz social. Estes poderes estão tão desacreditados que não conseguem cumprir e nem respeitar as leis, transmitir suas idéias ou pedir que o povo cumpra o seu dever. É por isto que crescem as injustiças, a violência, a corrupção, as improbidades, a guerra civil e as mortes por execução no Brasil. Onde não há justiça e o Estado é fraco, o caos toma conta.

Precisamos sim de recompor o Estado, exigir o cumprimento e a aplicação coativa das lei e cobrar a aplicação das polícias sociais, educacionais, prisionais e de saúde. O exemplo desta retomada por ser vista nesta operação de Estado envolvendo o Presidente da República, o Ministério, o Governo do Rio, a Prefeitura do Rio, as Forças Armadas, as Forças Policiais, o Judiciário, o MP e a Saúde num esforço para restabelecer a ordem pública no Rio.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

TU JÁ USOU DROGAS?

A pergunta do menino do Morro da Cruz - “Tu já usou drogas?” - DAVID COIMBRA, Zero Hora, 28/11/2010 | N° 16533

Pergunta objetiva, formulada no português mal conjugado dos gaúchos, saída da boca de um menino de, sei lá, 14 ou 15 anos. Nos olhos dele rebrilhava a luz da malícia, sinal do caráter decisivo da pergunta. Uma espécie de cilada, mas, de alguma forma, parecia ser realmente importante para ele saber se eu já havia usado drogas ou não. Para ele e para os outros, dezenas de meninos e meninas que me ouviam, estava dando uma palestra em uma escola do Morro da Cruz.

E agora? A resposta óbvia seria: “Jamais! Imagina!” Mas seria resposta de candidato a vereador, insatisfatória, insincera. Ali estavam crianças acostumadas com o ambiente das drogas. Sabia disso. Como eles, fui criado na rua. Conheci traficantes, vaporzeiros, drogaditos, alguns de meus companheiros de infância hoje são presidiários.

Mas dizer a adolescentes que já usei drogas não seria uma liberação para que eles também usassem? Não seria um mau exemplo?

Todas as crianças me encaravam, expectantes. Resolvi ser honesto:

– Já experimentei drogas. Não algo violento como o crack, que faz grande mal desde o primeiro contato. Mas experimentei, sim, e foi por fraqueza, levado pela turma. Agora: sabem por que não usei mais?

Produzi uma pausa para causar impacto. Eles esperavam, interessados. O que se deve dizer a um adolescente para fazer com que ele não queira usar drogas? Que a droga é ruim? Balela: se fosse ruim, ninguém consumia. Que faz mal à saúde? Inútil: adolescentes se julgam imortais. Fui honesto de novo:

– Não usei mais drogas por que quem usa drogas é otário. Vocês conhecem algum grande traficante que seja drogado? Claro que não: traficante não se droga. Traficante é espertalhão. Vocês conhecem algum viciado com mais de 40 anos de idade? Claro que não: viciados com mais de 40 anos de idade estão todos mortos. Por isso, quem usa drogas é otário. Eu não sou otário.

Não tenho certeza de ter sido convincente, mas tenho certeza de que eles perceberam que falava a verdade. Que lhes expus a realidade. Porque eles, aqueles meninos do Morro da Cruz, eles sorvem todos os dias a realidade mais dura da vida urbana. Sei que alguns daqueles meninos se tornarão drogados e traficantes. Sei até que um deles, meses depois, se suicidou, na certa por não suportar a tal realidade da vida urbana. Mas sei, também, que muitos serão homens e mulheres decentes e criarão os filhos para que sejam melhores do que eles, como anseiam todos os pais.

O que faz a diferença? O que salva uma criança e o que a torna vítima do mundo-cão?

Uma família bem constituída é a resposta óbvia, mas é igualmente óbvio que famílias bem constituídas são raridade no século 21.

Mas existe algo que pode fazer desses meninos verdadeiros cidadãos: são escolas como a do Morro da Cruz, são professores como aqueles que lá cumprem a sua missão. A Educação, ou seja, o Estado atuante, pode fazer a diferença a favor das crianças do Brasil.

Mas, se o Estado não age para salvar as crianças, o que acontece com elas é o que se viu na TV durante esta semana: elas se transformarão em homens como aqueles bandidos de bermuda e sem camisa, com fuzis no ombro, que se esgueiraram feito ratazanas de um morro para outro, no Rio conflagrado.

A guerra do Rio vem sendo definida como a luta do “bem” contra o “mal”. Os jornais festejaram que o crime foi encurralado, que o “Dia D” do enfrentamento contra os bandidos chegou, que o Rio está se debatendo para “voltar à paz”. E, sobretudo, estão especulando se o Rio poderá sediar a Olimpíada, se a Copa do Mundo brasileira não sofrerá prejuízos com tal situação.

Ingenuidade.

Se todos aqueles milhares de bandidos forem mortos ou presos, todos eles sem exceção, se TODOS forem eliminados, nada mudará. Em seis meses, os níveis de criminalidade retornarão aos atuais patamares. Porque o fornecimento de material humano para a bandidagem não foi interrompido. Só será interrompido quando todos os meninos como aqueles do Morro da Cruz forem atendidos integralmente pelo Estado. Quando nenhum menino sequer tenha curiosidade de saber se um adulto já usou ou não drogas.

A Copa do Mundo brasileira não corre nenhum risco. A Olimpíada brasileira não corre nenhum risco. Tudo continuará igual. O risco, quem corre, são os meninos do Brasil. Que são o próprio Brasil.

Combate ao crime. Moradores do Alemão colaboram com forças de segurança

Combate ao crime. Moradores do Alemão colaboram com forças de segurança - Reporter de Crime, Jorge Anselmo Barros, O Globo, 28/11/2010.

Após três dias de cerco e tiroteios, as forças de segurança dominaram com certa tranquilidade o Complexo do Alemão, hasteando as bandeiras do Brasil e da Polícia Civil, a primeira corporação a ocupar o território inimigo, com apoio de helicópteros. Houve confrontos, dois bandidos mortos e alguns presos, entre os quais um dos assassinos do jornalista Tim Lopes, sequestrado, julgado e condenado à morte pelo tráfico, em 2002. Até agora é o maior troféu da megaoperação. Não quero ser do contra em hipótese alguma, mas meu trabalho é mesmo o de colocar pulgas atrás das orelhas de vocês. Não tenho qualquer informação, posso estar totalmente enganado, mas há sinais claros de que houve algum tipo de acordo nos bastidores para que a maioria dos bandidos deixasse o território, sem a reação esperada pela sociedade.

O melhor de tudo é que o Alemão foi ocupado sem a morte de inocentes. Mas se era tão fácil ocupar um complexo como o Alemão por que o governo levou 4 anos pra fazer isso desde a megaoperação de 2007? Por que o governo, que tem todo apoio do presidente Lula, não reuniu há mais tempo as forças de segurança federais que apoiaram a operação? Por que os estudiosos não apresentaram há mais tempo a possibilidade de uma operação dessas, de GLO (Garantia da Lei e da Ordem), que está dentro da Constituição? Os policiais que trabalharam duro para isso estão de parabéns e precisam do reconhecimento do Estado na forma de melhores salários e melhores condições de trabalho. Mas o que fica patente é que o poder público é sempre muito lento no combate ao crime.

O comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio, está convencido de que os criminosos permanecem escondidos no Alemão. O cerco do Exército foi muito bem feito, mas na operação da Vila Cruzeiro há suspeitas de que policiais ajudaram os bandidos a escapar levando R$ 2 milhões naquela picape que apareceu nas imagens da fuga em massa. Mas e, se os bandidos realmente fugiram, agora vão migrar pra onde? Tudo indica que a Baixada Fluminense é a próxima parada.

O dado novo nessa operação foi uma colaboração maciça dos moradores de uma favela - a do Alemão, derrubando o mito tantas vezes evocado por comentaristas deste blog, de que a população é cúmplice dos criminosos. Negativo. O aumento de telefonemas ao Disque-Denúncia (2253-1177), que só hoje recebeu mais de 400 chamados, é um forte indício de que o morador do Alemão tinha um grito engasgado na garganta. Um ódio e profundo desprezo aos traficantes estavam represados. Bastou o estado fazer sua parte para a população chegar junto, abrir espontaneamente as portas das casas paa revistas e dar aos policiais, com sinais e gestos, pistas para prisão de criminosos e apreensão de armas, munição e drogas.

- Notamos que há uma nova postura. As pessoas estão mais atentas e dão mais detalhes nas denúncias - diz Zeca Borges, coordenador do Disque-Denúncia, que além de tudo é o melhor termômetro da retomada da confiança da sociedade na polícia do Rio. Só espero que o poder público não perca mais essa chance.

E se a Batalha do Alemão foi esse sucesso todo que está parecendo, que se apresse as ocupações de Rocinha, Jacarezinho e Mangueira. Tudo bem planejado, com mais apoio das forças federais, e, sem esquecer de dar sempre um último aviso para a rendição.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Contra força não há resistência, ainda mais apoiada pelos moradores e sociedade. Pena que o Congresso se omitiu em criar uma lei de emergência para salvaguardas as ações da forças armadas e proteger os moradores.

A CONSOLIDAÇÃO DEMOCRÁTICA


GUERRA DO RIO - RODRIGO GHIRINGHELLI DE AZEVEDO, Zero Hora, 29/11/2010

Os acontecimentos da última semana no Rio de Janeiro, culminando com a ocupação do Complexo do Alemão pelas forças de segurança pública, constituem um marco importante no processo de pacificação social e garantia do direito à segurança no Brasil. Sem dúvida, a questão não está resolvida. No entanto, alguns elementos indicam que há avanços significativos.

Há que se destacar a ação das polícias que, de forma articulada e competente, conseguiram restabelecer o controle do Estado sobre áreas importantes da cidade, sem produzir, até o momento, vítimas de forma desnecessária e abusiva.

O mercado de drogas e outras mercadorias ilícitas existe em todo o mundo, e não vai acabar por meio da ação armada das polícias. No entanto, o que é inaceitável no contexto brasileiro é a ocupação de territórios por grupos armados, impondo à comunidade uma subserviência baseada na coação e no medo. Neste sentido, a retomada destes territórios pelo Estado, o recolhimento de armas e a desarticulação das lideranças destas facções é o primeiro passo para o resgate da cidadania nestas áreas, que precisa ser acompanhado por políticas públicas que garantam o exercício de direitos básicos como saúde, educação, moradia digna e trabalho, para que o poder até então exercido pelos chefes de quadrilha no Rio não seja substituído pelas milícias formadas por policiais e ex-policiais.

A concretização de políticas públicas depende quase sempre da abertura de “janelas de oportunidade”, que pressionam o poder público. A janela aberta neste episódio oferece a oportunidade de enfrentar o desafio que passa pela reestruturação da segurança em escala nacional, com prioridade para o enfrentamento da corrupção policial, a retomada do controle público sobre a execução da pena de prisão e a viabilização de alternativas de vida para a juventude cooptada pelas facções criminais e os egressos do sistema carcerário. Da implementação destas políticas depende, em grande medida, a consolidação democrática no Brasil.

RODRIGO GHIRINGHELLI DE AZEVEDO, Professor dos Programas de Pós-Graduação em Ciências Criminais e em Ciências Sociais da PUCRS Os desafios depois da ocupação

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Professor. Não podemos esquecer que devemos mudar a nossa visão de segurança pública, ainda míope para muito de nós estudiosos e "especialistas" neste tema. Segurança pública não é só polícia e presídio. É um conjunto de ações e processos administrativos, judiciais e jurídicos visando a preservação da ordem pública (paz social), da vida e do patrimônio das pessoas. Este caso serve de exemplo. O Estado só foi vitorioso que houve vontade política para utlizar todos os meios para sufocar os traficantes. No engajamento contra o crime, o Presidente Lula cedeu as forças armadas e polícias federais, as polícias estaduais se uniram, a saúde incorporou na ação, o MP fez a denúncias e o judiciário foi ao alcance daqueles que impunemente trabalhavam e viviam sob abrigo do poder financeiro do crime. Só faltou o Congresso que preferiu viajar a criar leis emergenciais para salvaguardas as ações das forças armadas.

PÓS-GUERRA: INVASÃO SOCIAL PARA CONSOLIDAR O ÊXITO.

NOVA ETAPA. À espera da invasão social. Com a presença das forças de segurança, serviços como saúde e educação devem subir o morro - Zero Hora, 29/11/2010

Após a rápida tomada dos principais enclaves do tráfico no Rio pelas forças de segurança, os moradores agora aguardam um outro tipo de invasão por parte do poder público.

A ocupação dessas áreas por investimentos em urbanismo, saúde e educação é considerada fundamental para o sucesso da política de pacificação dos morros tirados à força dos traficantes. As autoridades fluminenses prometem que uma “invasão social” terá início ainda esta semana.

A primeira medida é a manutenção das forças policiais e militares nos complexos de favelas da Penha e do Alemão. Embora a instalação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no local ainda não esteja definida, as autoridades sustentam que o território não deverá ser abandonado. O comando das Forças Armadas garantiu que homens e veículos ficarão à disposição.

Durante a semana, secretários municipais deverão fazer uma análise das principais carências das comunidades em termos de educação e saúde, conforme o prefeito do Rio, Eduardo Paes:

– O que vamos fazer é uma invasão de serviços públicos, desde limpeza das ruas, serviços de saúde, assistência social – disse.

Nos próximos dias também deverá ser lançada a licitação da primeira fase de um projeto de urbanização do complexo da Penha orçado em R$ 400 milhões. A iniciativa prevê construção ou reforma de 14 quilômetros de vias para veículos, outros 29 quilômetros para pedestres, 808 pontos de iluminação pública, sete praças e implantação de quatro prédios com 62 apartamentos cada um. Além de benefícios como esgoto e drenagem.

Para o consultor em segurança Marcos Rolim, o cumprimento dessas promessas é fundamental para uma política de paz. Porém, defende novas ações para que a pacificação seja conquistada de forma definitiva:

– Uma pesquisa feita em 250 favelas mostrou que as milícias controlam mais de cem. É preciso atacar as milícias e limpar a polícia.

As promessas. Confira algumas medidas anunciadas para a região formada pelos complexos de favelas da Penha e do Alemão:

- Presença militar: embora os planos de instalação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) ainda não estejam confirmados, o governo anunciou que os militares não deverão abandonar a região. Para isso, a mobilização de recursos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica para auxiliar as polícias do Rio será por tempo indeterminado.

- Moradia: o complexo da Penha deverá receber um projeto de R$ 400 milhões envolvendo moradia, reurbanização, construção de mercado popular, áreas para inclusão digital e atenção à infância. A primeira fase do programa deverá ser lançada esta semana por meio de uma licitação de R$ 144,2 milhões.

- Saúde: a região próxima à estrada que liga os complexos deverá receber uma Clínica da Família.

- Educação
: melhorias em escolas e a criação de um Espaço de Desenvolvimento Infantil, para crianças de três meses a cinco anos e meio de idade.

- Esportes e lazer:
criação de campo de futebol e praças para atividades esportivas e de recreação.

O RIO CONTRA O CRIME



O RIO CONTRA O CRIME - Carlos José Marques, diretor editorial - Revista Isto É, N° Edição: 2142, 26.Nov.10 - 21:00. Atualizado em 29.Nov.10 - 10:03

Foram décadas de resignação do Estado e de uma política promíscua cuja tônica era o relacionamento respeitoso – quase amigável – e de acordos espúrios entre autoridades e bandidos. Governantes acomodados, populistas e, em certos casos, pouco éticos fizeram vista grossa ao avanço dramático do tráfico e do crime organizado.

As facções armadas dos pés à cabeça, com fuzis e metralhadoras, tomaram conta da situação, mandando e desmandando pelas ruas e bairros do Rio de Janeiro, num quadro tão surrealista como inaceitável. Os grupos de marginais chegaram a impor toques de recolher a escolas e ao comércio local. Agiram sem resistência e sem receio. Formaram uma espécie de comando paralelo, turbinado pela glamorização das favelas e pelas táticas frouxas de combate do poder legalmente constituído. A sociedade virou refém. À mercê da barbárie. Vivendo numa praça de guerra diária como se fosse a coisa mais natural do mundo. Com a segurança por um fio, quase artigo raro, a vida passou a não valer mais nada na Cidade Maravilhosa. A inapetência e inoperância de quem deveria prover a ordem estiveram por trás do problema.

De uns tempos para cá, o cenário mudou. O modelo das Unidades de Polícia Pacificadora (as UPPs) deu resultados visíveis e extraordinários, com apoio irrestrito da população. O resgate da cidadania entrou em curso. Moradores de comunidades, antes praticamente alijados do aparato social de educação e saúde, passaram a receber serviços básicos essenciais. O banimento da violência nos morros propiciou a liberdade do ir e vir desses cidadãos. Era evidente que a transição não ocorreria sem traumas. Como numa panela de pressão, mais cedo ou mais tarde a reação desesperada de quadrilhas acuadas ocorreria. E ela veio numa onda terrorista e de vandalismo, com arrastões, assaltos e incêndio de veículos, que visavam fundamentalmente espalhar o medo e intimidar as autoridades.

O império do tráfico, que por anos entendeu que estava tudo dominado, quis tomar de volta o que perdeu. Mas a resposta da sociedade – por mais dolorosa e arriscada que possa parecer nesse momento – deve ser a da resistência. Com o apoio e a ajuda de todo o País, até o desmantelamento completo dessas quadrilhas e o aniquilamento das práticas deletérias de comércio ilegal de drogas. Não pode haver trégua, hesitação ou recuo nessa luta.

A hora é agora! O controle territorial do Rio – que pretende sediar eventos globais como a Olimpíada e a Copa do Mundo – não pode seguir nas mãos de marginais como ocorreu no passado recente. A falsa ideia de que a via do entendimento com esses bandidos é uma alternativa possível não deve prevalecer. A polícia fluminense precisa seguir avançando, sem fraquejar, no encalço daqueles que se imaginavam imunes à lei, expulsando-os do convívio social até o triunfo final.

A imagem do Cristo com colete e munição na capa desta edição da ISTOÉ suscitou polêmica entre os editores, mas prevaleceu a ideia de que, neste caso, mais do que o ícone religioso, a estátua do Redentor representa o símbolo maior de uma cidade que está pronta a responder, sem indulgência, às ameaças criminosas. O que se propõe não é uma imagem de guerra, mas da resistência e busca de paz.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Parabenizo aos editores e repórteres da Revista Isto É pela excelência da matéria publicada. Só que vive esta guerra a mais de 20 anos pode compreender a magnitude desta grande e inédita forma de combater o tráfico. Nós que acompanhamos neste período este cenário, analisamos, acompanhamos as denúncias do terror pela mídia, escrevemos sobre ele e propunhamos uma ação semelhante a que foi feita (e que faltava vontade política do Estado em executá-la), estamos jubilosos com esta ação e reação da população. Grande reportagem. Vale a pena comprar a revista para lembrar o dia em que o Brasil levantou-se contra o tráfico. Falta agora os senadores e deputados federais (que preferiram viajar para as bases) fazerem a sua parte, já que neste caso foram omissos.

domingo, 28 de novembro de 2010

A GUERRA DO RIO - Trauma e prejuízo das vítimas dos ataques

Trauma e prejuízo das vítimas dos ataques. Pessoas que tiveram veículos destruídos em atentados não conseguem superar o medo - POR FRANCISCO EDSON ALVES, O Dia, 28/11/2010

Rio - O pesadelo da guerra que toma conta do Rio há uma semana faz cada vez mais vítimas diretas dos ataques criminosos. Apesar do patrulhamento reforçado, na madrugada de ontem mais quatro automóveis foram queimados em Nova Iguaçu. Desde o início dos conflitos, pelo menos 100 carros de passeio, ônibus, motos, vans e caminhões já foram incendiados e, até sexta-feira, eram cerca de 50 mortos na capital, Região Metropolitana, Baixada Fluminense e em cidades do interior. Humilhados pelas ações do tráfico, cidadãos de bem choram seus mortos e calculam prejuízos. Abalados e dominados pelo medo, não conseguem retomar a rotina.

A corretora de seguros Daniele Toledo, 36 anos, não dorme em paz e não sai mais de casa. No dia 22, na Tijuca, Zona Norte, por volta das 23h, ela viu seu Renault Clio, que usava para trabalhar, ser consumido pelas chamas na porta de casa, enquanto os dois motoqueiros que atearam fogo no veículo acompanhavam da esquina, de forma debochada, seu desespero. “Agora, acordo agitada e chorando a todo momento”, conta Daniele, que precisou se afastar do trabalho. Aterrorizada, a filha dela, K., 17, decidiu deixar o Rio. “Ela vai morar na casa de parentes, no interior”, lamenta.

O fabricante de velas José Augusto Rocha Costelha, 53 anos, é outro que sentiu sua dignidade ser reduzida a cinzas. O Fiat Uno 95, que usava para entregar as velas que fabrica, foi incinerado com outros dois veículos por cinco homens armados no Trevo das Margaridas, em Irajá, na manhã de segunda-feira. “Quem vai pagar meu prejuízo?”, revolta-se ele.

Naquele dia, no mesmo local e horário, o mecânico Wagner Villas Boas, 45 anos, que também viu seu Monza ser incendiado, quase morreu ao ser confundido com um PM. “A imagem do fuzil apontado para minha cabeça e os gritos de ‘atira, atira que ele é PM’ me tiram a paz a todo instante”, relembra.

A família de Rosângela Alves, 14 anos, morta com um tiro no peito na quarta-feira, durante confronto na Penha, não se conforma. Ela estava dentro de casa, quando foi atingida por bala perdida. Na quinta-feira, parentes e amigos mal conseguiram velar o corpo, enterrado sob forte tiroteio.

Para a socióloga Edna Del Pomo de Araújo, coordenadora do Departamento de Sociologia da UFF, o medo e a insegurança desencadeiam a sensação de pânico coletivo. “Havia a ilusão de que a simples instalação das UPPs resolveria os problemas de tráfico e violência no Rio”, explica.

Menino é baleado por se recusar a incendiar moto

Por ter se recusado a atear fogo em uma motocicleta, o menor M., de 10 anos, foi baleado por um traficante conhecido como André Luiz, no fim da noite de sexta-feira, no bairro do Jacaré. Na madrugada de ontem, quatro carros estacionados foram incendiados no bairro Botafogo, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Ontem à tarde, a polícia informou que o chefe do tráfico do Cantagalo, Paulo Cezar Figueiredo Cabral, 39 anos, conhecido como Bolão, que está preso em Bangu 3, seria um dos mandantes do incêndio em um carro na noite de sexta-feira, em Ipanema. Bolão teria dado as ordens ao gerente do tráfico do Cantagalo, Washington Marcelo da Cruz, o Marcelinho, 19, e seu comparsa, Bruno Francisco da Silva, o Carcaça, 21, que obrigaram menores a cometerem os ataques na Zona Sul do Rio.

CARTA ABERTA CONTRA A VIOLÊNCIA

Carta aberta contra a violência, por Antonio Marcelo Pacheco, Professor de Direito Constitucional - Zero Hora, 28/11/2010

Há alguns anos, o sociólogo Boaventura dos Santos chamava a atenção para um conflito de grande magnitude: em nosso país, se desenhava a oposição do direito do asfalto versus direito do chão. Em síntese, o conflito entre aquele espaço da sociedade temente e seduzido pelo poder soberano do Estado contra aquele, periférico, marginal, que se desenvolvia à sombra do primeiro, mas com grandes ambições e com um poder à época não mensurável.

Passados mais de 30 anos, o problema é muito mais significativo do que o conflito do poder do discurso jurídico. O narcotráfico, o crime organizado, a corrupção e a violência associada à discriminação, ainda se pode adicionar contatos com pretensos grupos guerrilheiros como as Farc e tantos outros grupos paramilitares, tornaram o problema político-institucional um drama de soberania, um desafio à própria ideia de sociedade e Estado que se quer em qualquer sociedade fundada nos princípios jurídicos constitucionais.

O conflito no Rio de Janeiro encarna todo este cenário em que o problema não é mais o enquadramento penal de indivíduos portando armas ou mesmo em formação de quadrilha. As milícias do tráfico no Rio de Janeiro, a partir das favelas, praticam uma ação que sem maiores preocupações teóricas representa o crime de bando armado civil ou militar, neste caso mais civil e não ainda militar. Este é um delito imprescritível e inafiançável, o que neste caso, pouco importa.

O que se destaca é a ameaça, é a capacidade de gerar uma instabilidade institucional de efeitos inimagináveis, em que o Estado se torna refém de uma articulação maleável, rápida, descentralizada e na sua desorganização imensamente organizada ao qual o Estado formal tem dificuldades em reagir, dados os seus próprios limites institucionais bem como a sua própria condição histórica.

A violência no Rio de Janeiro não é apenas contra o Estado, aqui, independentemente de seu matiz teórico, mas contra toda a sociedade ou pelo menos contra aquela ideia de sociedade que buscamos desde 1988. É uma violência sem banalidade, sem mediocridade, pois encará-la assim é subestimar a sua capacidade organizativa e a sua complexa especialidade e divisão de tarefas. É uma violência teleológica, objetiva e que mais parece uma primeira ação para conhecer, experimentar, amadurecer e, então, objetivar futuras e outras fases.

Não podem o Estado e a sociedade ficar paralisados com a surpresa, até porque não pode todo este cenário ser percebido como totalmente novo. As reflexões em torno das origens desta demonstração de força e capacidade precisam ser bem compreendidas para não se correr o risco de responsabilizar apenas o comércio das drogas como único responsável. É preciso identificar as novas lideranças, a nova motivação desses, agora, soldados do tráfico bem mais profissionais, ainda que chamados de maltrapilhos, bem armados e adequados ao cenário do Rio de Janeiro, bem mais capazes do que a logística tradicional do Estado.

É o pacto do Estado, é o contrato social, é uma ideia de sociedade que estão sendo violentados e que precisam de uma resposta que não pode ficar apenas numa resposta armada e pontual do Estado. É preciso redimensionar os espaços, a cultura, as políticas, a logística e toda uma nova percepção de políticas públicas para não permitir a esse movimento uma capacidade de reprodução que pode, numa pior hipótese, ameaçar os 22 anos de democracia. Reagir, sim. Compreender os elementos mais distintos desse processo, sem dúvida, logo, ainda mais que seremos expostos ao mundo mais ainda porque somos a futura sede da Copa e da Olimpíada que se avizinham, mas acima de tudo, porque este é o nosso país.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - O Brasil é uma República Federativa, mas na prática as unidades federativas não tem autonomia, a maioria dos impostos ficam para a União e a Justiça centraliza as decisões e o transitado em julgado nas cortes superiores. Em pleno território federativo, há uma polícia rodoviária agindo no policiamento ostensivo. Com unidades federativas submetidas aos Poderes e instrumentos da União, a justiça é morosa, os processos são demorados, vários são os recursos, o MP emfraquece, o ciclo policial é fracionado e os instrumentoso policiais são desvalorizados pelos próprios governantes. Em Brasília, no centro do poder, o que se vê é um Congresso omisso e ausente, STF benevolente e interventor, um Poder Executivo assistencialista, e todos juntos trocando favores e altos privilégios salariais descompromissados nas questões de ordem pública. Diante destes fatores que geram desconfiança e inoperância, Estado perde autoridade e capacidade de restabelecer a ordem publica no Brasil.

AÇÕES PARA AJUDAR A SEGURANÇA PÚBLICA

Ações para ajudar na segurança pública - Zero hora, 28/11/2010

1) Controle de presídios - É o berço do crime organizado pela falta de investimento estatal. Raros são os presídios no Brasil sob o controle das autoridades. A superlotação e a ausência de estrutura permitem que, de dentro das cadeias, condenados comandem tráfico de drogas, sequestros, extorsões, roubos e atentados.

– O presídio é o quartel-general do exército ilegal – define o sociólogo Juan Mario Fandino, da UFRGS.

Comentário do Bengochea - O Judiciário, supervisor da execução penal, é muito tolerante para com os Chefes dos Executivos, responsável pela guarda e custódia de apenados. Com isto, presídios não são construidos e a prática de crimes contra direitos humanos não é reprimida dentro de cadeias superlotadas, insalubres e inseguras.

2) Monitoramento de criminosos - Os serviços de inteligência dos órgãos de segurança têm de monitorar a movimentação das quadrilhas e de suas conexões, por meio de escutas, imagens e mapeamento de endereços.

– Se estivessem sob monitoramento, os integrantes do PCC, em 2006, e, agora, os traficantes do Rio, as autoridades poderiam se antecipar para minimizar conflitos – opina José Vicente da Silva, consultor em segurança.

Comentário do Bengochea - O monitoramento é um dos principais serviços de inteligência e deveria ser aplicada nas licenças, benefícios e regimes aberto e semiaberto concedidos aos presos.

3) Caçada ao lucro - Quebrar a estrutura financeira das quadrilhas, identificar seus administradores, rastrear o caminho do dinheiro e confiscar os bens adquiridos. Em São Paulo, a Justiça decretou a perda de mais de 50 postos de combustíveis que estavam nas mãos de pessoas ligadas ao PCC, lembra Guaracy Mingard, doutor em ciência política e ex-subsecretário nacional de Segurança.

Comentário do Bengochea - Esta tática quebrou a estrutura da máfia e dos gansters americanos dos anos 20. A prisão de pessoas que enriquecem favorecidos pelos ganhos do crime e o resgate de valores e bens do crime tiram o poder financeiro do crime e reduzem o moral e o comando que eles têm sobre seus soldados.

4) Fiscalização nas fronteiras - As operações de desarmamento de criminosos devem começar nas fronteiras com a presença de policiais e das Forças Armadas, fiscalizando estradas, rios e espaço aéreo. É pelas fronteiras que saem carros roubados do Brasil e entram contrabando, cocaína, crack, pistolas, fuzis e metralhadoras.

– O Exército tem poder de polícia em até 150 quilômetros a partir da linha de fronteira no Brasil, mas não tem efetivos e nem recebe recursos – critica José Vicente da Silva.

Comentário do Bengochea - Policiamento de Fronteira tem que ser ostensivo, permanente e contínuo exercido por uma Polícia Nacional de Fronteiras. As FFAA e a Polícia Federal realizam operações superficiais, de inopino ou emergenciais, mmas não ficam nas fronteiras 24 horas por dia. Defendo a transformação da PRF em Polícia Nacional de Fronteiras passando as rodovias federais para as Polícias de cada estado, rtesgatando assim um princípio federativo da territorialidade.

5) Intervenção social e policial - Urbanização de áreas conflagradas, melhoria de serviços como saúde, educação, saneamento, transporte e oportunidades de trabalho e lazer são medidas que devem estar alinhadas ao policiamento comunitário. A presença da polícia, como as UPPs, são positivas para a segurança das comunidades e força a exclusão de criminosos.

– É a melhor estratégia para secar a fonte de mão de obra do crime – diz Juan Mario Fandino, da UFRGS.

Comentário do Bengochea - Esta política social e policial pode sim ser implementada em conjunto com o policiamento comunitário.

6) Bancos de dados - Base nacional de dados interligada entre os Estados com informações de criminosos, armas, inquéritos, processos de segurança. Hoje, cadastros policiais e judiciais são desconectados.

– Se um foragido de um Estado for parado pela polícia de outro, será liberado, pois os antecedentes não estão disponíveis. O CNJ trabalha para interligar esse bancos de dados – afirma João Ricardo dos Santos Costa, presidente da Associação dos Juízes do RS.

Comentário do Bengochea - A falta de sistemas de ordem pública federal e estadual envolvendo o judiciário, as forças policiais, o MP, o setor prisional, a defensoria e a saúde proporciona medidas isoladas, interesses corporativistas e informação compartimentada. Por este motivo os bancos de dados não se relacionam.

7) Combate à corrupção - O crime organizado tem braços no serviço público e costuma corromper policiais. Para o consultor em segurança Marcos Rolim, as corregedorias precisam ser fortalecidas, com plano de carreira específico e ingresso por meio de concurso público.

Comentário do Bengochea - Concordo, as corregadorias precisam ser fortalecidas, mas para isto, é preciso que o ministério público faça parte do sistema de ordem pública e se insira dentro das corregedorias. Além disto, é necessário uma justiça aproximada e coativa amparada por lei fortes e também inserida no sistema de preservação da ordem pública.

8) Leis adequadas - No Brasil, ninguém é condenado por crime organizado. A Lei 9.034/95, que trata de organização criminosa, tem definição confusa. Para o especialista André Luís Woloszyn, a lei fornece instrumentos para combater um crime que, legalmente, não existe.

Comentário do Bengochea - Tenho uma opinião formada sobre isto. Em 1988, foi aprovada uma constituição esdrúxula e repleta de direitos e interesses corporativistas. Há 20 anos, ela vem sendo remendada para atender cada vez mais estes interesses e centralizando a decisões judiciais nas cortes supremas de justiça, desmoralizando os tribunais regionais. Apoiada por esta "lei", a insegurança jurídica que se desencadeia promove divergências, processos lentos, vários recursos, justiça morosa, benefícios, penas brandas e brechas legais que fomentam a impunidade, a improbidade e a corrupção.

Qual a tática mais eficiente contra o crime organizado

Qual a tática mais eficiente contra o crime organizado. Magistrados, advogados e pesquisadores afirmam que é preciso ser mais inteligente do que o bandido - JOSÉ LUÍS COSTA

A guerrilha urbana deflagrada esta semana na cidade mais famosa do Brasil mostra o quanto o país é vulnerável no enfrentamento ao crime organizado. Especialistas consultados por Zero Hora afirmam que a questão tem origem em um velho e surrado problema – a escassez de investimentos sociais –, agravada por políticas de segurança pública incompetentes, especialmente a prisional.

Todas as organizações criminosas, com exceção às milícias, nasceram e cresceram no ambiente inóspito das cadeias. E partiu delas a ordem para os atentados que aterrorizaram os 6 milhões de moradores do Rio e chocaram o mundo, deixando um saldo de mais de 40 mortes e cerca de uma centena de veículos destruídos.

Magistrados, advogados, sociólogos, pesquisadores diagnosticam o crime organizado como uma doença que não se cura com um remédio só. Elencam um receituário de medidas e são unânimes em um ponto.

– É preciso ser mais inteligente do que os bandidos – resume o consultor em segurança Marcos Rolim.

Assim como nos atentados do grupo criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC), em São Paulo, em 2006, as autoridades do Rio foram surpreendidas pela ação dos traficantes enraizados em morros cariocas. As principais facções, Comando Vermelho e Amigo dos Amigos, rivais que se matam há décadas, uniram-se contra o “inimigo” comum.

E depararam com as forças oficiais de segurança desarticuladas. As polícias e as justiças estaduais não compartilham bancos de dados. O monitoramento de criminosos dentro ou fora dos presídios é quase nulo. As fronteiras estão abertas ao contrabando de armas e de drogas. E, para completar, ninguém é punido com rigor no Brasil por crime organizado simplesmente pela ausência de tipificação penal.

Em meio a essas deficiências, o governo do Rio criou, com aval de Brasília, as Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs) encravadas no alto dos morros para tentar promover justiça e cidadania em áreas conflagradas.

Apontadas por autoridades como motivo para os ataques, as UPPs – versão brasileira do projeto que reduziu a violência na Colômbia –, são bem recebidas por estudiosos, mas consideradas uma iniciativa tímida frente às necessidades da segurança pública.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA
- A tática mais eficiente contra o crime organizado é um sistema de ordem pública envolvendo instrumentos de coação, justiça e cidadania, com processos e ligações ágeis e integradas, funcionando amparado por leis coativas. De que adianta empregar esforço e inteligência para prender os traficantes, se estes continuam beneficiados por leis fracas, licenças sem monitoramento e por execução penal precária e sem controle.

sábado, 27 de novembro de 2010

UNIÃO CONTRA O CRIME


UNIÃO CONTRA O CRIME - editorial Zero Hora, 27/11/2010

A cidade do Rio de Janeiro sempre foi exemplo de descontrole do poder público em relação à criminalidade. Com suas peculiaridades geográficas e históricas, a antiga capital do Império e da República apresenta-se hoje como uma cidade dividida, com muitas áreas ocupadas e geridas pelo tráfico de drogas. A partir desta semana, passa a ser também um exemplo da reação do país contra a insegurança que, além do Rio, atinge parcelas importantes de algumas das maiores metrópoles nacionais. O governo daquele Estado conseguiu apoio das Forças Armadas para a operação conjunta de recuperação de territórios ocupados pelo crime. Com a simpatia da população e a adesão das Forças Armadas no combate à violência, sem abandonar o programa das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), a Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro aponta um caminho que merece a atenção dos outros Estados.

Na operação da Vila Cruzeiro, que era tida como um bunker das quadrilhas do tráfico, as tropas da polícia fluminense impuseram uma humilhante retirada dos bandidos, que às dezenas fugiram desordenadamente para buscar abrigo no Morro do Alemão, dominado por quadrilhas amigas. Pois ontem começou uma segunda etapa dessa guerra, com milhares de policiais, fuzileiros navais, policiais federais e tropas do Exército tomando posição para impedir que os quadrilheiros tivessem chance de uma nova fuga. A operação, nos morros ou no policiamento, congrega uma força militar unida de 21,8 mil soldados.

A repercussão mundial desses episódios, que no Exterior eram citados junto com a referência de que o Brasil terá em 2014 a tarefa de organizar a Copa do Mundo de futebol e, em 2016, o encargo de sediar no Rio os Jogos Olímpicos, reflete a importância da reação do poder público para retomar para a sociedade territórios que integravam o poder paralelo do crime. Depois de algumas décadas de tolerância das forças do Estado ao crescimento das organizações criminosas e à sua implantação com tanto poder e influência em comunidades do Rio e das demais cidades fluminenses, os cidadãos demonstraram seu apoio a essa nova postura e à decisão do poder público de restaurar a hegemonia da sociedade. A questão não está restrita, como se sabe, aos episódios das cidades do Rio de Janeiro. Ela conta também a história de comunidades marginalizadas em outras capitais, onde o vazio da presença do Estado é ocupado pelo poder paralelo dos traficantes, que, em seu lugar, instauram um domínio discricionário, uma justiça sumária e ilegal e uma coação sem controles e sem limites.

O progresso institucional que o país tem buscado não pode prescindir dessa condição básica a qualquer sociedade organizada: a de que as instituições públicas imponham a lei, mantenham o Estado de direito e não sejam subordinadas, ameaçadas ou dominadas por nenhum outro poder. Por isso, o episódio do Rio de Janeiro ganha tanta relevância. O que está em causa é algo fundamental para o próprio aperfeiçoamento da sociedade organizada.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Neste conflito, o Brasil assistiu uma força unida de policiais estaduais, policiais federais e forças armadas composta para derrotar num campo difícil e urbano, um exército bem armado do tráfico. Mas não será suficiente. Outra união se faz necessária. Juizes, promotores públicos, defensores públicos, setor prisional, congressistas e deputados estaduais deveriam se unir nestes mesmmos esforços para dar continuidade ao que está sendo feito pelos integrantes deste aparato da linha de frente, inclusive com risco de morte. Leis mais fortes poderiam garantir a segurança jurídica e uma ação contundente contra o crime, aproximando a justiça coativa, acelerando os processos e julgamentos, reduzindo recursos, fazendo cumprir pelo menos dois terços da pena, sanando as mazelas judiciais e legislativas e impedindo a impunidade.

NA MIRA DE TRAFICANTES


SUA SEGURANÇA | Humberto Trezzi - Na mira de traficantes - ZERO HORA, 27/11/2010

Nem parece que, há menos de 24 horas, eles fugiam morro acima, perseguidos por PMs. Traficantes que foram expulsos na tarde de quinta-feira da Vila da Penha (zona norte do Rio) se refugiaram na vizinha comunidade da favela da Grota (uma das 16 favelas do Complexo do Alemão), dominada pela mesma facção criminosa (o Comando Vermelho). E formaram fileiras com seus camaradas de armas.

Agora unidos, bandidos dessas favelas passaram a manhã de ontem provocando policiais federais que auxiliam no cerco à favela. Entrincheirados numa casa de alvenaria abandonada, eles apontavam fuzis para os federais, disparavam, se escondiam, mostravam o corpo, davam gargalhadas, disparavam de novo... Fizeram isso pelo menos quatro vezes, inclusive disparando em direção a repórteres.

Moradores dizem que os quase 200 bandidos que escaparam da Penha ocupam, hoje, casas em todas as favelas do Complexo do Alemão. Eles pedem aos moradores que cedam espaço. Constrangidos, os habitantes da favela cedem. Um dos favelados falou a policiais federais que teve de ceder a própria cama para um traficante. Outro disse a Zero Hora que emprestou colchões aos bandidos, que não molestaram sua família

– Eles na deles, eu na minha. Só não sei como fica quando a polícia entrar – disse um morador.

A polícia não perseguiu os traficantes do Complexo do Alemão, apenas os cercou. Os acessos às favelas estão bloqueados por veículos da PF, da Polícia Civil, da PM ou da Marinha. A PF colocou 50 agentes no cerco e pretende reforçar com mais 250 até o fim de semana, vindos de outros Estados, inclusive do Rio Grande do Sul.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - ACOMPANHE NO BLOG ORDEM, JUSTIÇA E LIBERDADE AS MATÉRIAS SOBRE A GUERRA DO RIO.

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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A GUERRA DO RIO - Twitteiro vira central de informações sobre caos


Twitteiro vira central de informações sobre caos no Rio - 25 de novembro de 2010; Por Rodrigo Martins - O Estado de São Paulo.

No meio do caos no Rio de Janeiro, com a atual onda de ataques, um estudante de jornalismo do 2º ano encontrou no Twitter um meio de ajudar a população. Pablo Tavares, de apenas 23 anos e que mora em Niterói, começou a ver o número de testemunhos de pessoas que presenciaram ataques multiplicarem-se na rede de microblogging. Também viu um número impressionante de boatos. E decidiu que sua forma de ajudar seria esclarecê-las.

Foi então que na terça-feira à noite ele criou o Twitter @caosrj, o qual se tornou uma central de informações. Primeiro, começou a postar informações sobre carros incendiados e formas de escapar dos pontos de tiroteio. Quando os ataques foram ganhando volume, Pablo começou a minitorar rádios, jornais e TVs e retuitá-los.

E está conseguindo repercussão. A conta ainda tem cerca de 500 seguidores, mas, só nesta quinta-feira, ele já conseguiu mais de 300 menções, entre retweets e conversas. Acha pouco? Luciano Huck, número um em seguidores no Brasil, com impressionantes 2,5 milhões de pessoas que o acompanham, teve “só” 500 menções. Um dos twitteiros mais relevantes no Brasil, Marcelo Tas, citou o @caosrj como destaque em palestra nesta quinta-feira.

Prova da relevância é olhar o que as pessoas dizem sobre @caosrj no Twitter. @pathamilton3 elogia: “Boa iniciativa! Precisamos de conteúdos jornalísticos pautados na verdade dos fatos. Boatos geram mais caos”. A @sueliarantes pergunta: “Alguém confirma se o Shopping Carioca fechou?”. E @ranassamir recomenda aos amigos: “Siga o @caosrj e acompanhe as notícias do front”. Como essas mensções, chegam outras e outras e outras à conta.

E dá para confiar nas informações? O IDGNow conversou com Pablo nesta quinta-feira: “Eu acompanhava as notícias na mídia, principalmente sobre Niterói, onde moro. Mas vi que os veículos estavam atrasados em relação ao Twitter, o que é natural. Afinal, há muitos boatos, os veículos precisam checar antes. Mas comecei a ver que muitas pessoas relatavam casos que elas estavam vendo, como carros sendo queimados ou locais de tiroteios. Quando via que três, quatro ou mais usuários confirmavam uma história, a probabilidade de ela ser verdadeira é grande. E o mesmo acontecia para desmentir: quando algo não está certo, os outros usuários desmentem”, diz.

Quando uma informação não é confirmada depois, Pablo diz que manda um tweet em seguida desmentindo-a.

A GUERRA DO RIO - POR QUE NÃO PRENDERAM?



Por que não prenderam - Humberto Trezzi, Zero Hora, 26/11/2010

A principal pergunta de quem assistiu, em cores, à correria dos bandidos cariocas é: por que os militares não encurralaram os traficantes?

Primeiro, é preciso explicar por que os PMs não alvejaram os criminosos do Complexo do Alemão em fuga – exceto disparos esporádicos. É que ninguém, nem mesmo o mais fanático militarista, duvida das péssimas consequências políticas de uma chacina transmitida aos lares dos telespectadores. Mesmo que o alvo esteja armado. A opção foi evitar sangue, nos relata um dos militares que mais conhecem aquelas favelas, o coronel do Exército Sylvio Cardoso, que por 30 anos serviu à Infantaria e acaba de ir para a reserva. Ele ocupou pelo menos duas vezes a Vila Cruzeiro, com tropas de um batalhão de infantaria motorizada.

– Você imagina se o militar mata uma dúzia de bandidos e, na fuga, os companheiros deles levam as armas embora. Pronto. O agente da lei fica com 10 corpos para explicar e senta no banco dos réus – pondera.

Mas os policiais poderiam ter prendido os bandidos. O que se viu foi bandidos em fuga, quiçá para invadir lares alheios. Como conseguiram fugir? O coronel Sylvio Cardoso salienta que o alto do Complexo do Alemão é formado por morros. Os bandidos permaneceram escondidos entre matas e pedras, quando a polícia começou a ocupação na parte baixa da Vila Cruzeiro, casa por casa, rua por rua. Os criminosos viam, sem serem vistos. Fugiram usando trilhas e estradas de chão batido. Para interceptá-los, os policiais tinham duas opções: fazer um desembarque aéreo, sangrento porque visível. Ou um demorado cerco de todos os pontos de fuga. Para isso, deveriam contar com pelo menos 5 mil soldados.

– É o que tínhamos, quando ocupamos a região na eleição de 2008. Hoje, os PMs tinham menos de mil – compara o coronel.

E por que tinham menos de mil? Por que a ocupação foi feita de improviso, uma reação necessária à afronta dos atentados praticados pelo crime. O ruim disso tudo é que os bandidos continuam livres.



COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Na minha opinião, a decisão de deixar uma porta de fuga para um bando de traficantes fez o Estado declinar da vitória em uma operação sensacional que tinha tudo para nocautear o Comando Vermelho. O bando estava concentrado num local conhecido e poderia ser cercado, presos os bandidos e apreendidas as armas. O derramamento de sangue seria evitado diante da possibilidade de rendição dos traficantes acuados e sem chances de reagir. Perdeu-se uma oportunidade rara. E para o mundo ficou a imagem que o Estado tem medo das leis benevolentes que vigoram no País.

GUERRA CIVIL NO RIO


GUERRA CIVIL NO RIO - ZERO HORA, EDITORIAL, 26/11/2010

O país assiste, estarrecido, ao mais assustador confronto entre as forças de segurança do Rio e o poder paralelo em que se transformou o tráfico de drogas. Depois de anos de negligência por parte do poder público, que possibilitou a organização e a institucionalização do crime na capital fluminense e em suas zonas periféricas, os traficantes passaram a sentir-se ameaçados pela implantação de Unidades de Polícia Pacificadora nas comunidades carentes. Em represália, estão promovendo atentados e atos de vandalismo, que esta semana começaram a ser reprimidos fortemente pela polícia estadual e pelas Forças Armadas. Ontem, cenas cinematográficas transmitidas pela televisão, protagonizadas por bandidos armados em fuga, deram uma conotação de guerra civil ao episódio. Dezenas de quadrilheiros, munidos de armas pesadas, deslocavam-se de uma favela a outra, em fuga. Cenas impressionantes, comparáveis às que o mundo se habituou a ver em países conflituados da África, sucediam-se na tarde de ontem, acompanhadas ao vivo pela televisão.

O que está ocorrendo no Rio de Janeiro é a tentativa do crime organizado de resistir, sob a liderança do chamado Comando Vermelho, ao avanço de um projeto de restauração do poder do Estado sobre um território no qual as quadrilhas de traficantes impuseram um poder paralelo. Cerca de 17,5 mil homens estavam envolvidos na operação que, com a ajuda de blindados da Marinha, tentava impedir a reação dos bandidos. A facilidade com que as filas de quadrilheiros deslocaram-se das favelas da Penha, em especial da Vila Cruzeiro, para o Complexo do Alemão mostra a amplitude da ausência do poder público. Expulsos das comunidades ocupadas pelas UPPs, os bandidos buscaram refúgio nas favelas do Alemão, sugerindo que ali será o cenário da próxima batalha.

A multiplicação dos atentados contra ônibus e automóveis, em regiões da capital e na Baixada Fluminense, é explicada pelos especialistas como uma técnica normalmente utilizada pelas quadrilhas quando acuadas. Foi assim na Itália e é assim na Colômbia.

A guerra a que o país assiste não é algo que interessa apenas ao Rio de Janeiro. Ao contrário, é um episódio que envolve o país inteiro, como um desafio à capacidade do poder público de oferecer serviços de segurança e de permitir que nessas favelas, cujos habitantes são em sua maioria trabalhadores honestos, se implantem as estruturas oficiais do Estado e se forneça a assistência à educação e à saúde e se instalem as condições para que as populações desfrutem de um vida produtiva para as pessoas e famílias.

A guerra do Rio é, por isso, uma guerra de todos os brasileiros, até porque a droga – que sustenta as organizações criminosas – é comercializada e consumida em todos os Estados do país.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - É bom salientar que "todos os brasileiros" incluem os Poderes Executivo, Legislativo e Brasileiro que governam o Brasil. Para cumprirem funções precípuas para garantir a paz social, o brasileiro paga altos impostos para manter régios salários e privilégios para alimentar as máquinas públicas mais caras do planeta. Não se pode colocar nas costas do povo a responsabilidade, pois não depende dele. O povo brasileiro é vítima do caos e das desordens e, impotente e adormecido, precisa de uma forte mobilização popular ou uma revolução para sensibilizar os governantes. É preciso sim exigir dos governantes soluções contra o crime criando uma nova e enxuta constituição, leis fortes e uma justiça coativa, ágil e aproximada da sociedade e das questões de ordem pública.

Governos omissos, parlamentares ausentes, justiça fraca e cheia de mazelas e leis benevolentes formam um conjunto de processos inoperantes para combater o crime organizado que tem poder financeiro, porta armas de guerra e manda de dentro dos presídios.

A GUERRA DO RIO ANALISADA PELO DIRETOR DE TROPA DE ELITE

A análise do diretor de Tropa de Elite a ZH. José Padilha critica governos que não desarmaram os traficantes antes que dominassem os morros - MARCELO PERRONE | CRÍTICO DE CINEMA DE ZERO HORA, 26/11/2010

Diante das imagens da guerrilha urbana no Rio, acompanhadas ao vivo na TV e na internet, a realidade se embaralhou às cenas de ficção do fenômeno Tropa de Elite 2.

José Padilha, diretor do filme, que conversou com Zero Hora, ontem, por telefone, acompanhou a incursão dos caveiras do Bope, dos PMs e dos militares nos morros cariocas.

– Não tem com não ver. Está na nossa cara – disse Padilha ao atender o telefonema que deu início à entrevista.

O diretor conversou com a reportagem em uma pausa em evento do qual participava em Búzios (RJ). Estava lá para um encontro em que produtores e distribuidores cinematográficos apresentam seus projetos para 2011. Mas o clima de celebração ficou azedo diante das imagens que espiou na TV. Como destacavam as correntes virtuais na internet, o filme parecia estar sendo exibido naquele instante.

– A diferença é que o Tropa de Elite 2 termina em Brasília. Essa realidade que estamos vendo no Rio começa em Brasília. É fruto da covardia do Fernando Henrique Cardoso e do Lula, que observaram o tráfico se armando e tiveram dois mandatos cada um para fazer algo, a começar por uma profunda reforma na polícia e na segurança pública, e não fizeram. É fruto da covardia de sucessivos governos do Rio, que deixaram policiais corruptos se relacionar “amigavelmente” (pede para colocar aspas no termo) com o tráfico, relação que aqui no Rio chamamos de “arrego”.

Um novo capítulo para a história

Padilha vê como inevitável a reação ousada e violenta dos marginais às instalações das unidades pacificadoras, as UPPs, nos morros cariocas. E vê o contra-ataque das autoridades como um novo capítulo dessa história de guerra.

– Sou a favor das UPPs. Elas comprovam duas coisas: que quando o Estado toma a iniciativa de combater a violência ele pode ser bem-sucedido, e a incompetência da polícia, que até então nunca havia conseguido se impor. Mas lamento que os governos, federal e estadual, tenham deixado de agir décadas atrás. Antes de os traficantes se armarem e tomaram conta dos morros, esse combate seria mais fácil.

Em outra analogia entre a guerrilha do Rio e Tropa de Elite 2, Padilha destaca que seu filme exibe um painel mais amplo da rede que interliga o crime organizado.

– O foco das pessoas agora, e não poderia ser diferente, está nos traficantes que promovem o terror. Mas, como disse, meu filme termina em Brasília.

Sobre os efeitos da violência no Rio de Janeiro às vésperas de a cidade ser uma das sedes da Copa da Mundo e abrigar as Olimpíadas, Padilha é cético:

– Serve para todos se prepararem para a realidade que podem enfrentar se nada for feito, a começar por uma profunda reforma na polícia.

Realidades opostas em 24 horas

A violência no Rio trasformou a rotina da capital de duas maneiras opostas para quem chega ou parte de avião. Em viagem de trabalho, o secretário estadual da Cultura, Luiz Cézar Prestes, chegou na noite de quarta-feira ao Rio e encontrou o trânsito rápido, os bares fechados e as ruas vazias.

No retorno, ontem à tarde, o trânsito já não fluía, e chegar ao aeroporto foi um teste de tensão. Foram quase três horas para cumprir um trajeto que normalmente levaria apenas uma hora, o que o fez perder o voo:

– Foram oito quilômetros repletos de policiais, motos da PM, camburões, equipes antibomba e helicóptero voando baixo. Mas não tem como se sentir seguro. Tu não sabe se ocorreu algo perto ou longe, ou se é monitoramento – contou Prestes, que foi reencaminhado para outro voo.

Nos aeroportos Santos Dumont e Galeão, os principais incidentes de atrasos de voos, porém, se deram por problemas de pousos e decolagens em São Paulo, devido às fortes chuvas.

Durante o dia, empresas liberaram funcionários para ir para casa mais cedo, provocando superlotação dos sistemas de transporte público e engarrafamentos em vias importantes. E as reiteradas queimas de ônibus e automóveis transformaram o metrô no principal meio de transporte coletivo da população que pretendia se deslocar durante a tarde.

– O metrô é o meio de transporte considerado mais seguro – disse a gaúcha Tanise Mori Flores, 34 anos, engenheira química que reside no Rio.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A GUERRA DO RIO - A TRAGÉDIA DOS INOCENTES


Nos confrontos, a tragédia da morte de inocentes. Estudante de 14 anos é atingida dentro de casa na troca de tiros entre policiais e bandidos na Penha. Ações deixaram 18 mortos - O DIA, 25/11/2010

Rio - O barulho de tiros trocados na guerra entre policiais e traficantes nas favelas do Complexo da Penha não conseguiu calar a dor de quem mais sofre nessa batalha pela paz: os moradores da região conflagrada. No fim da tarde de ontem, a família da estudante Rosângela Alves, 14 anos, saiu do Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, aos gritos desesperados. Havia acabado de morrer a menina que levou um tiro no peito enquanto estudava dentro de casa, em frente ao computador. Mais três pessoas morreram.

Desde cerca de 9h, policiais militares de vários batalhões ocupavam comunidades do complexo atrás de traficantes. No início da tarde, o Batalhão de Operações Especiais (Bope) chegou à Favela da Chatuba para reforçar a ação. Rosângela foi baleada durante troca de tiros.

Com aplausos, o pai da jovem, Roberto Alves, ironizou a presença dos policiais militares, que estavam na porta da unidade de saúde. “Parabéns a vocês. Parabéns, Beltrame, parabéns, Cabral. Olha o que vocês conseguiram com isso! Matar uma menina que estava em casa! Sabe o que vocês conseguem com essas operações: matar pobres”, desabafou o pai da adolescente.

Corpo carregado

Sem conseguir sair de casa por causa do intenso tiroteio, a mãe da menina, Thereza Cristina Barbosa, acusou a polícia de ter disparado o tiro que matou sua filha. “O tiro que atingiu minha casa partiu de baixo para cima. Minha filha está morta, e eu sequer consigo velar o corpo dela”, lamentou ela, por telefone.

O confronto deixou mais três mortos. O corpo de Rafael Felipe Aurídes Gonçalves, 29 anos, chegou ao hospital carregado pelos parentes num lençol. “Ele não é bandido. O corpo dele ficou lá em cima (no morro) por horas e ninguém o socorreu”, protestou o irmão de Rafael, morto com tiros no rosto e no peito.

Segundo o irmão de Rafael, que não se identificou, o rapaz trabalhava como mototaxista e levava o enteado para a escola quando foi atingido. “Não perguntaram nada, só atiraram. A criança viu tudo e está em estado de choque”, contou. Moradores da Chatuba, Janaína Romualdo dos Santos, 43 anos, e Geraldino Jaime, 60, que levou um tiro na barriga, não resistiram e morreram.

Somente no Getúlio Vargas, até o início da noite de ontem, 16 pessoas baleadas chegaram à unidade, entre elas a estudante Bárbara Carolina Oliveira Silva, 16. A menina havia acabado de chegar da escola quando levou um tiro nas costas. A adolescente está internada em observação. Um PM também foi ferido.

Desespero com vítimas baleadas dentro de casa

Por volta das 17h, a caixa de loja Kelly Regina dos Santos, 25 anos, foi ferida por estilhaços dentro do apartamento no quarto andar, na Rua Suruí, em Brás de Pina. Ela e o marido, William da Silva, 32 anos, assistiam à televisão no sofá quando um tiro atingiu a parede, próximo à cabeça de Kelly. “Foi desesperador. Só ouvimos o barulho do tiro e vimos a cabeça da Kelly sangrando”, contou o marido.

No início da noite, uma criança de 7 anos chegou ao Getúlio Vargas ferida por estilhaços de bala.

O susto também invadiu a casa de uma fisioterapeuta de 27 anos, que não quis se identificar. Uma bala entrou pela janela do apartamento, na Avenida Brás de Pina, e atingiu a parede da sala, onde ela estava com a mãe e o bebê de cinco meses. Apavoradas, as duas rastejaram para a cozinha para tentar se refugiar dos disparos. “Me mudei domingo e já sou recebida assim”, desabafou.

O taxista Rafael Ramos, 32, que mora no bairro, orientou a central de sua cooperativa a suspender as corridas em Vicente de Carvalho e na Penha. “Cancelei todas. Nosso prejuízo é de R$ 250 por motoristas em dias assim porque essa região tem shoppings, supermercados e muita demanda. Mas passar aqui é risco de vida constante para qualquer um e não vale a pena”, lamentou.

Mulher de idoso baleado quer sair do Rio de Janeiro

Na porta do trabalho, uma transportadora localizada na Rua Cajá — um dos acessos ao Morro da Chatuba —, o empresário Álvaro Lopes, 81, foi atingido por um tiro no braço direito. “Eu só ouvi os tiros e logo em seguida senti o meu braço ardendo”, contou o idoso ao deixar o Hospital Getúlio Vargas amparado por familiares.

Sua mulher, Otília Lopes, estava desesperada. “Moramos no bairro há 50 anos, mas não dá mais para viver aqui. Quero ir embora do Rio de Janeiro”, desabafou ela.

Aline Soares, de 28 anos, foi atingida por um tiro na coxa esquerda. Moradora do Morro da Fé, ela contou que tentava chegar em casa quando foi atingida por uma bala.

Via Twitter, o fundador da Central Única de Favelas (Cufa), Celso Athayde, contou que a sede da ONG, que fica localizada Rua Benedito Cerqueira, na comunidade da Pedra do Sapo, no vizinho Complexo do Alemão, foi atingida por tiros oriundos do confronto na Penha. Para evitar que alguém se ferisse, ele decidir mandar as pessoas para casa. E disse que as portas do projeto só deverão reabrir semana que vem.

“Liberei os funcionários e as crianças, mas eles moram na favela. Continuarão alvos. Cufas do Rio: vamos voltar ao trabalho segunda-feira. Dessa vez, parece que tá todo mundo disposto a morrer. Pode fechar o Complexo do Alemão. Mas e os moradores como ficam?”, questionou.

Reunião define as estratégias

Para decidir rumos nas ações hoje, a cúpula da segurança no Rio se reuniu ontem à noite, no quartel-central da PM, com o governador Sérgio Cabral. Estiveram no encontro o secretário José Mariano Beltrame; o comandante da PM, coronel Mário Sérgio Duarte; o chefe do Estado Maior, coronel Álvaro Garcia; e o chefe da Polícia Civil, delegado Allan Turnowski.

“O comando da PM está pronto para a guerra”, afirmou Mário Sérgio, ressaltando que, se for preciso, ele também participará de operações em favelas. O oficial já comandou o Batalhão de Operações Especiais (Bope).

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA

POR ESTE MOTIVO DEFENDO A DECRETAÇÃO DO "ESTADO DE DEFESA". ESTE INSTRUMENTO CONSTITUCIONAL PREVISTO PARA SER UTILIZADO NOS CASOS DE GRAVE PERTURBAÇÃO DA ORDEM PÚBLICA POSSIBILITA A ENTRADA DAS FORÇAS ARMADAS NO CONFLITO PARA ATUAR NO CERCO E NO BLOQUEIO PARA SUFOCAR E ISOLAR A BANDIDAGEM, PERMITINDO ASSIM A AÇÃO CONCENTRADA DAS FORÇAS POLICIAIS.

DO JEITO QUE ESTÁ, A POPULAÇÃO FICA NO MEIO DOS CONFRONTOS E A MERCÊ DE ERROS DA AÇÃO CRIMINOSA DOS BANDIDOS E DE ERROS POLICIAIS.

O "ESTADO DE DEFESA" PROTEGE OS MORADORES, SALVAGUARDA OS POLICIAIS E MILITARES E PERMITE O TOQUE DE RECOLHER, O CONTROLE DO TRANSITO DE VEÍCULOS E PESSOAS E A IDENTIFICAÇÃO DE QUEM É O VERDADEIRO CRIMINOSO.

SERIA BOM QUE O ESTADO NÃO PRECISASSE DESTE INSTRUMENTO E COM SEUS PRÓPRIOS MEIOS SUPERASSE ESTA AMEAÇA. MAS ACREDITO SER TEMERÁRIO ESPERAR. A ENTRADA DA JUSTIÇA E DAS FORÇAS ARMADAS NO CONFLITO FORTALECERÁ A AÇÃO DO GOVERNO DO RIO.

GUERRA DO RIO - Nova madrugada e manhã de violência e ataques a veículos


Rio tem nova madrugada de violência e ataques a veículos - O DIA, 25/11/2010

Rio - O Rio de Janeiro passou por mais uma madrugada de violência. Nesta quinta-feira, quatro ataques foram realizados em diferentes pontos do estado e uma pessoa ficou ferida. A Polícia Militar informou que os incidentes foram registrados em Mesquita, na Baixada Fluminense, em Laranjeiras, na Zona Sul, Penha, Zona Norte, e Barra da Tijuca, Zona Oeste. Os ataques fizeram com que várias ruas da cidade ficassem vazias e o comércio ficou fechado - a segurança foi reforçada pela PM. Desde a última terça-feira, 13 ônibus, duas vans, um caminhão e 30 veículos foram incendiados.

Pela manhã, dois ônibus foram queimados na Zona Norte - um em Rocha Miranda e outro em Irajá. No segundo caso, um morador precisou da ajuda de um vizinho para evitar que seu carro de passeio fosse queimado pelo rastro deixado pelo fogo. O terceiro coletivo destruído foi localizado em São Gonçalo, na Região Metropolitana. Pela madrugada, o caso mais grave foi registrado na Avenida Brasil, pista sentido Zona Oeste, altura da Penha. Um motorista foi baleado por bandidos que roubaram e incendiaram o ônibus que ele dirigia - o homem foi rendido na altura da Cidade Alta e levado para a Penha. PMs resgataram o motorista baleado e o socorreram. Seu estado de saúde é desconhecido.

Por volta de 2h, um carro foi incendiado na Avenida Ayrton Senna, na Barra da Tijuca. De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, mesmo com o incêndio, não houve maiores transtornos e ninguém ficou ferido. Quatro homens, que estavam com isqueiros e garrafas pet, foram detidos na Cidade de Deus, em Jacarepaguá. Em Laranjeiras, na Zona Sul, bandidos atearam fogo em um carro na Rua Jornalista Orlando Dantas. Não houve registros de feridos e a segurança foi reforçada na região. Um suspeito foi detido com uma garrafa pet e gasolina - ele foi levado para a 5ª DP (Gomes Freire). Também na Zona Sul, desta vez em Botafogo, dois homens foram presos sob a suspeita de atear fogo em um veículo de passeio.

PM evita que ônibus seja incendiado

Policiais militares, que estavam em patrulhamento na Avenida Brasil, conseguiram impedir que um ônibus fosse queimado durante a madrugada em Bonsucesso, na Zona Norte. Os suspeitos foram avistados pelos PMs quando se preparavam para atear fogo no coletivo. Houve troca de tiros, mas ninguém ficou ferido. No início da noite de quarta-feira, PMs prenderam um homem com uma garrafa de gasolina na Rua Haddock Lobo, na Tijuca, Zona Norte. O homem foi levado para a 19ª DP (Tijuca), onde confessou que usaria o combustível para queimar veículos a pedido de traficantes do Complexo do Alemão. Um outro veículo foi destruído em Vila Isabel.

Ônibus é queimado em São Gonçalo

Mais um ônibus foi queimado, desta vez na Região Metropolitana. Na manhã desta quinta-feira, criminosos colocaram fogo em um ônibus na Estrada de Santa Isabel, em São Gonçalo. Não há notícias sobre vítimas.

Criminosos queimam ônibus em Rocha Miranda

Mais um ônibus foi incendiado nesta quinta-feira. Desta vez, criminosos atearam fogo em um coletivo na Rua Guiraréia, em Rocha Miranda, na Zona Norte. Bombeiros foram para o local.

Veículo incendiado em Irajá

Mais um veículo foi incendiado na manhã desta quinta-feira. Desta vez, o alvo dos bandidos foi um microônibus queimado próximo da estação do Metrô de Irajá. A Polícia Militar não informou se há vítimas e se o incêndio é criminoso.

PMs encontram bananas de dinamite em Madureira

Policiais militares apreenderam seis bananas de dinamite, no fim da madrugada desta quinta-feira, dentro de uma lixeira na Rua Sanatório, em Madureira, na Zona Norte. O artefato estava enrolados em fios e com um relógio. De acordo com a PM, o explosivo foi encontrado por garis da Comlurb que trabalhavam na remoção do lixo no local. O Esquadrão Anti-Bombas foi chamado e recolheu a dinamite.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

FRONTEIRAS DESPOLICIADAS - PORTAS FÁCEIS PARA ARMAS DE GUERRA: FERRAMENTAS DO TRÁFICO

Armas: ferramentas do tráfico - Pablo Vilarnovo, O Globo, 23/11 às 16h06 Artigo do leitor

Ninguém duvida que as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) instaladas em áreas críticas no Rio de Janeiro foram uma evolução da estratégia no combate à criminalidade no estado. Negar aos traficantes uma área segura de onde poderiam planejar ataques e arrecadar com o tráfico de drogas é fundamental para melhorar a segurança da cidade.

Porém, as UPPs não farão milagres em curto prazo. Elas são apenas o início de um processo, mais complicado, tanto politicamente quanto economicamente. Todos sabem que o lucro do tráfico de drogas sustenta outro tipo de crime: o tráfico de armas. O poder de fogo presente nas mãos dos traficantes é tão ou mais importante que o tráfico de drogas em si. As armas são as ferramentas de trabalho do tráfico, é de onde o poder vem, é como conseguem dominar áreas inteiras, realizar assaltos, assassinatos e arrastões. Tudo o que estamos vendo em escalada na cidade do Rio de Janeiro.

O Brasil possui uma das legislações mais restritivas quanto ao comércio legal de armas de fogo. Porém uma lei no papel não quer dizer nada às pessoas que não tem respeito pelas leis. O cidadão comum, com o desejo de se proteger ou proteger sua família ou sua propriedade, foi o maior atingido por uma lei que nunca foi eficaz em promover aquilo a que se destina.

O problema real é que nossas fronteiras são desprotegidas de tal forma que o fluxo de armas de grosso calibre, que são proibidas aos cidadãos comuns, inunda o país com tal facilidade que, como demonstrado nas escutas telefônicas realizadas pela polícia, é extremamente fácil comprar uma caixa de granadas ou outro tipo de arma de fogo. A informação que circula no Rio de Janeiro é que os traficantes que foram expulsos das favelas, onde as UPPs foram instaladas, só são aceitos em outras comunidades por seus comparsas caso eles levem consigo um fuzil, o que demonstra claramente a importância dessa ferramenta para o tráfico de drogas.

Esse problema já é bem conhecido das autoridades e foi investigado durante a CPI do Tráfico de Armas. Infelizmente o resultado da CPI, como várias que acontecem no Brasil, foi esquecido e não integrou nenhum planejamento de segurança pública ou foco pelo Governo Federal. A CPI demonstrou claramente o caminho que essas armas fazem até chegar aos traficantes no Rio de Janeiro, qual é sua origem, seus pontos de entrada, os atores que participam desse comércio.

Cabe ao Governo Federal, na figura dos Ministérios da Justiça e do Ministério da Defesa organizar uma política preventiva de controle das fronteiras, disponibilizando recursos, tanto humano, quanto material, para um melhor controle fronteiriço do país. Uma proposta seria transformar a Força Nacional de Segurança em uma polícia de fronteira, atuando nos lugares conhecidos de tráfico de armas, organizando processos de inteligência com a Polícia Federal e inclusive, com as Forças Armadas já que as armas de grosso calibre são de seu uso exclusivo.

Sem que o problema do tráfico de armas seja encarado de maneira séria, como o principal vetor da violência hoje no Brasil e mais especificadamente no Rio de Janeiro, as cenas que, infelizmente, nos acostumamos a ver serão repetidas.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Acertou o autor deste artigo ao afirmar que "o problema real é que nossas fronteiras são desprotegidas de tal forma que o fluxo de armas de grosso calibre, que são proibidas aos cidadãos comuns, inunda o país com tal facilidade que, como demonstrado nas escutas telefônicas realizadas pela polícia, é extremamente fácil comprar uma caixa de granadas ou outro tipo de arma de fogo." A Polícia Federal, a PRF e as Forças Armadas não podem e nem está nas atribuições destas forças o patrulhamento diário das fronteiras do Brasil. Estras forças são empregadas nas fronteiras em operações de inopino e emergenciais, cujos resultados são tão superficiais que causam pouco dano no tráfico de armas de guerra, drogas, pessoas e animais. O Brasil precisa criar uma Polícia Nacional de Fronteiras para executar o patulhamento diário, ostensivo, permanente e continuo ao longo das fronteiras com ação de presença preventiva e repressiva. Para tanto, defendo a transformação da PRF em Polícia Nacional de Fronteiras, passando as rodovias para as polícias estaduais, cumprindo assim o princípio federativo da autonomia territorial das unidades federativas. É um força que tem bons salários, estrutura e capacidade de se adpatar à nova missão. As Forças Armadas prestariam todo o apoio necessário em terra, ar e mar, amparada por leis específicas e rigorosas.

GUERRA DO RIO - EXPLOSIVOS ROUBADOS NO RS ALERTAM PARA TERRORISMO


CONEXÃO GAÚCHA. Explosivos roubados no RS alertam o Rio - ZERO HORA, 24/11/2010.

A onda de ataques praticados por bandidos começa a apavorar os cariocas. Dois PMs foram fuzilados dentro de um carro, fardados, na sequência de atos terroristas que começou domingo. No contra-ataque, 1,2 mil policiais ocuparam 17 favelas, mas o temor se intensifica. Ontem, surgiu a suspeita de que 500 quilos de explosivos reforçariam os ataques. Metade da carga teria sido roubada no Rio Grande do Sul.

A matéria-prima para incrementar a onda de atentados que sacode o Rio de Janeiro desde domingo pode ser oriunda de um assalto ocorrido em Gravataí.

Policiais civis e federais cariocas receberam a informação de que chegou à capital fluminense – ou está para chegar – uma carga com 500 quilos de explosivos (metade dela com origem no Rio Grande do Sul), acondicionada num caminhão. O produto se destinaria a matar autoridades e demolir as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), postos policiais comunitários que foram implantados nas principais favelas, desalojando os traficantes. Seria uma vingança do crime organizado contra a mais bem sucedida novidade na segurança pública do país.

O assalto em Gravataí aconteceu dia 9, numa pedreira, de onde foram roubados 273 quilos de explosivos. Um roubo semelhante ocorreu em Jundiaí (SP), no dia seguinte, quando uma quadrilha levou 275 quilos de dinamite. A autoria? Assaltantes do Primeiro Comando da Capital (principal facção criminosa paulista) teriam realizado os assaltos a pedido de traficantes do Comando Vermelho (facção dominante no Rio), numa joint-venture do crime. Os paulistas teriam inclusive ensinado aos cariocas as técnicas de dinamitar, já que realizaram três ondas de atentados em 2006 em São Paulo. Uma terceira facção carioca, a Amigos dos Amigos (ADA), teria se unido ao complô.

A informação pegou de surpresa os policiais civis e federais gaúchos. O delegado Juliano Ferreira, da Delegacia de Roubos e Extorsões da Polícia Civil – um dos que investigam o caso de Gravataí – vê com desconfiança a informação, mas não duvida.

– Know-how em explosões o PCC tem. Mas acho mais provável que os explosivos tenham sido revendidos para receptadores daqui, até para empreiteiras usarem em demolição legal – minimiza.

A suspeita recai sobre uma quadrilha de ladrões locais, acostumada a explodir caixas eletrônicos bancários. Consultado, o secretário da Segurança Pública do Rio, o gaúcho José Mariano Beltrame, mandou um recado a ZH: diz não saber de onde veio a informação sobre os explosivos. Mas avisa:

– Quem atravessar o caminho do Rio que se pretende será atropelado.

Ação ordenada de prisão federal

O certo é que no Rio o informe gerou temor pelo poder avassalador do material, suficiente para derrubar prédios inteiros. Além disso, CV e PCC costumam cooperar entre si, especialmente na fronteira Brasil-Paraguai, onde compram drogas dos mesmos atacadistas, o que dá nexo às suspeitas. Nos atentados, dois policiais foram mortos, duas cabinas da PM, atingidas por saraivadas de tiros, e uma viatura da Aeronáutica, metralhada. No contra-ataque, a PM chamou policiais de folga e ocupou 17 favelas, com policiais civis.

O serviço de inteligência da Polícia Civil fluminense detectou que os ataques teriam sido ordenados mediante bilhetes por detentos do Rio confinados na Penitenciária Federal de Catanduvas (PR). A ordem é atacar UPPs e policiais. Dois dos bilhetes apreendidos eram de Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, e Marcos Antônio Pereira Firmino, o My Thor, líderes do Comando Vermelho trancafiados na prisão de segurança máxima paranaense. Exilados, eles querem voltar para casa. Esses chefões do CV estariam articulados com outros líderes da facção, presos no Rio, como Patrick Salgado Souza (o Patrick do Borel) e José Gonçalves Leite, o Sam da Cidade de Deus.

As autoridades sabiam que essa reação viria. A questão é como resolver. Uma das maneiras é sufocar as bocas de fumo, com presença maciça de tropas, aos moldes do que fez o Exército em 1994. Para isso é preciso gente, dinheiro e paciência. No xadrez com os criminosos, o governo está num impasse. Se ceder às exigências do CV, abre mão do charmoso projeto das UPPs. Não ceder significa aguentar mais alguns dias de pressão. Para desespero dos cariocas.

Os roubos - Gravataí, 9 de novembro – Cinco homens armados renderam o único vigia da pedreira Vera Cruz, em Gravataí, roubando 273 quilos de explosivos. O segurança foi algemado e teve o revólver roubado. Jundiaí (SP), 10 de novembro – Uma quadrilha armada com pistolas roubou 275 quilos de dinamites, detonadores e uma série de acessórios para provocar detonações em uma pedreira no bairro Terra Nova. O material havia chegado à pedreira no início da tarde.


“É pior do que o normal?”- RODRIGO MÜZELL | Enviado Especial/Rio

À primeira vista, não podia ser a pior hora para a cidade que receberá a final da Copa de 2014 lidar com carros incendiados na rua e ataques criminosos. Afinal, 2,5 mil empresários de futebol e dirigentes estrangeiros se reúnem, desde segunda-feira, no Forte de Copacabana na Soccerex, feira internacional de negócios da bola.

Mas, enquanto carros pegavam fogo lá fora, dentro dos estandes o assunto não foi assunto. Os questionados, quando sabiam o que acontecia na Cidade Maravilhosa, mais perguntavam do que respondiam.

– Mas é sério mesmo? É pior do que o normal? – quis saber o analista de mídia sueco David Barrett.

Como era sério, a pergunta seguinte é óbvia: como fica a imagem da cidade que vai sediar os principais jogos da Copa em 2014 e uma Olimpíada em 2016?

– Não vejo problema nenhum. O engraçado sobre o Rio é que a gente escuta muitas histórias de violência antes de vir, mas, quando chega, se sente perfeitamente seguro – disse o diretor internacional da Liga Francesa de futebol, Redha Chibani.

Claro: participantes de um evento de negócios passam o dia em um pavilhão fazendo negócios. No máximo, pegam um táxi para sair à noite. Estão isolados e não estão sozinhos. Toda a Zona Sul vive em uma bolha de segurança desde que a polícia instalou UPPs nos morros próximos ao cartão-postal do Rio. Residentes de Copacabana e Ipanema já não se abalam tanto com as notícias da violência.

– Isso não é nada de extraordinário. Hoje fico aberto até a meia-noite como sempre – disse Adolfo Bruno, dono de uma livraria a duas quadras do local onde a polícia encontrou uma bomba debaixo de um carro, na madrugada de ontem.

Mas a tranquilidade é frágil. A dona de casa Ana Paula Carelli ficou de coração na mão porque seu filho pequeno foi, ontem pela manhã, em um passeio escolar perto da Zona Norte. A doméstica Fernanda de Abreu trabalha em Copacabana e mora em Mesquita, onde as UPPs não chegaram ainda. Resume o sentimento ante a violência:

– Tem dias em que a gente sai e reza para poder voltar para casa – diz.

Se a imagem do Rio lá fora já vem com o componente da violência embutido, a piora disso sim, pode prejudicar, temem representantes de turismo e hotelaria. Para a secretária estadual de Turismo, Márcia Lins, a resposta forte da polícia pode mostrar a imagem que a cidade quer passar aos interessados em vir ao Brasil: de que o combate ao poder paralelo do tráfico não vai parar.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - NESTA GUERRA DO RIO, AGORA COM COMPONENTES TERRORISTAS...

- OS GOVERNANTES NO EXECUTIVO CONTINUAM ADOTANDO MEDIDAS POLICIAIS SUPERFICIAIS E SEM SALVAGUARDAS NO COMBATE AO TERRORISMO;

- OS GOVERNANTES NOS PARLAMENTOS E JUDICIÁRIO FICAM ASSISTINDO DE SEUS TRONOS O TERROR E O CLAMOR POPULAR POR SEGURANÇA;

- E TODOS NÓS BRASILEIROS FICAMOS APENAS COM PENA DO POVO CARIOCA.

ENQUANTO ISTO, UMA LEI EMERGENCIAL QUE PODERIA SER UTILIZADA PARA CRIAR CONDIÇÕES FAVORÁVEIS PARA VENCER ESTA GUERRA JAZ ADORMECIDA E ESQUECIDA EM BRASÍLIA, POR FALTA DE CORAGEM, DE VONTADE DE TRABALHAR E DE COMPROMETIMENTO COM A PAZ SOCIAL NO BRASIL.