SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

SEGURANÇA EM PAUTA

INFORME POLÍTICO | ROBERTO AZEVEDO - Segurança em pauta - DIÁRIO CATARINENSE - 31/08/2011

A Capital de Santa Catarina deve ter ganho uma nova aliada no combate à violência e ao aumento da criminalidade. Esta é a impressão que a secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki, passou na audiência onde estavam o deputado federal Gean Loureiro (PMDB), o vice-prefeito João Batista Nunes (PSDB) e o diretor da Guarda Municipal de Florianópolis, Ivan da Silva Couto Júnior, ontem, em Brasília. A secretária nem estaria na reunião e resolveu participar na última hora.

Miki passou o sábado na Capital, após vir com o ministro da Justiça, Luiz Eduardo Cardozo, participar do ato de assinatura da adesão do Estado ao programa nacional de desarmamento, um dia antes. Depois de almoçar na Lagoa da Conceição, a secretária soube das manifestações no Norte da Ilha sobre a falta de segurança, gostou por ver a sociedade mobilizada, mas se assustou com os índices de homicídios na Capital, bastante destoantes dos indicadores do Estado.

Santa Catarina concorre com menor força pelos recursos da Secretaria Nacional devido ao comparativo bem abaixo da média do restante do país quando o assunto é criminalidade. Das mãos de Gean, João Batista e Couto Júnior, Miki recebeu o projeto Florianópolis em Guarda pela Paz, que pretende integrar a força municipal em ações preventivas e em operações conjuntas com a Polícia Militar. Tanto que o contato de Gean, logo após o encontro, foi com o tenente-coronel Araújo Gomes, comandante do 4º BPM, responsável pelo policiamento da Capital. A Guarda Municipal poderá receber até R$ 2 milhões do governo federal para implementar uma série de iniciativas, da qualificação dos servidores à compra de novos equipamentos para a guarda.

A gestão integrada da segurança ganhou prioridade no Ministério da Justiça. As guardas municipais estão neste contexto. A ideia é muito bem recebida pelo comandante-geral da PM, coronel Nazareno Marcineiro, e pelo secretário César Grubba (Segurança Pública). Falta esquematizar e determinar atribuições claras. A sociedade, que não suporta mais assaltos, roubos e tiroteios patrocinados pelo tráfico de drogas, agradece.

MIKI COMANDOU UMA GUARDA

Durante a audiência, em Brasília, a secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki (à esquerda), não escondeu a empolgação em ver as guardas municipais inseridas na ação contra a criminalidade. Ela foi secretária de Defesa Social de Diadema (SP), comandou a Guarda Municipal local e dividiu a satisfação pela experiência com o diretor da corporação de Florianópolis, Ivan Couto Júnior (segundo da esquerda para direita). O caminho para aumentar a responsabilidade da guarda é longo. Há muitos pontos a reforçar, um deles o investimento em formação dos profissionais. Lembre-se que a formação de um praça na PM dura oito meses. E nem todos conseguem concluir o curso. Na foto, à direita, o o deputado federal Gean Loureiro (PMDB). Eles estavam acompanhados do vice João Batista Nunes, também pré-candidato à sucessão de Dário Berger, como Gean.

Bem próximo

Em sintonia fina com o ministro Luiz Eduardo Cardozo e com a secretária Regina Miki, César Grubba convidou as duas autoridades para a primeira reunião do Gabinete de Gestão Integrada Estadual (GGI-E). O ato foi simbólico, na última sexta-feira, em Florianópolis. Grubba, que tem bom trânsito na Secretaria Nacional de Segurança Pública, disse que não se negaria a colaborar com a prefeitura da Capital, apesar das recentes críticas feitas por Dário Berger (PMDB).

terça-feira, 30 de agosto de 2011

CRIME ORGANIZADO - PRIMEIRO COMANDO CATARINENSE (PGC)

CRIME ORGANIZADO. Presos 16 ligados ao PGC - DIOGO VARGAS, DIÁRIO CATARINENSE, 30/08/2011

Mandados de prisão foram cumpridos nas últimas semanas em SC e em outros dois estados
De forma sigilosa e discreta, a Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) prendeu, nas últimas duas semanas, 16 pessoas que, segundo a polícia, fazem parte da facção criminosa que age de dentro e fora das prisões catarinenses.

Entre os presos estão criminosos que já estavam atrás das grades por tráfico de drogas e assaltos, além de um advogado. A ação foi nominada de Operação Sintonia e é resultado de um inquérito instaurado pela Deic, em Florianópolis, havia mais de seis meses para investigar o Primeiro Grupo Catarinense (PGC).

A pedido da polícia, a Justiça decretou pelo menos 20 prisões temporárias. Até ontem, 16 foram cumpridas em cidades de SC e duas fora do Estado, em Santana do Livramento (RS) e Campo Grande (MS).

A investigação mobilizou por seis meses investigadores da Divisão de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Deic. Isso porque o tráfico de drogas seria a forma pela qual o grupo se manteria, incentivando até mesmo das cadeias por telefones celulares ou cartas. No Estado, houve prisões em Florianópolis, Tijucas e Joinville.

Entre os alvos, figuram fundadores e líderes do PGC que cumprem pena na Capital e em Campo Grande. Também há mulheres e familiares dos criminosos e um advogado de Tijucas, o qual a Deic afirma ser colaborador dos bandidos. Ontem, ele estava detido no auditório da Deic, mas a reportagem não teve acesso ao lugar.

As prisões são por 30 dias e foram decretadas pela Justiça de Tijucas. Os detidos não foram apresentados à imprensa porque ainda faltam pelo menos quatro ordens de prisões para serem cumpridas.

A polícia encontra dificuldades para cumprir todos os mandados em razão das constantes mudanças de endereço dos investigados. Alguns morreram durante a apuração em confronto no mundo do crime.

A OPERAÇÃO SINTONIA

- Os alvos são pessoas investigadas pela Deic suspeitas de agirem para o Primeiro Grupo Catarinense (PGC), a facção criminosa que comanda crimes das cadeias e também ordena ataques a unidades policiais.

- Pelo menos 20 pessoas tiveram prisões temporárias decretadas pela Justiça, em Tijucas. A Deic não divulgou qual seria a atuação de cada um dos detidos. O DC não teve acesso a eles nem aos advogados deles.

- No grupo estão presos que já estavam na cadeia por outros crimes. Entre eles, Davi Schroeder, o Gângster, 27 anos, condenado recentemente em Palhoça a nove anos e 11 meses de prisão por tentativa de homicídio de dois PMs.

- Outro preso é Leomar Borges da Silva, o Leoma, 39 anos, preso em janeiro deste em sua casa, no Bairro Fazenda do Max, em São José, por tráfico de drogas.

- Na lista também estão Nelson de Lima, o Setenta, preso pela Deic em 2010 na Capital, que seria um dos fundadores do PGC (está preso agora em Mato Grosso do Sul), e Solange Jungles, presa em janeiro deste ano em Palhoça com um grupo onde a Deic apreendeu uma tonelada de maconha.


NYT - VIOLÊNCIA MIGROU PARA NORDESTE DO BRASIL

Novo mapa. Violência migrou do Sudeste para o Nordeste do Brasil, diz 'New York Times'- 30/08/2011 às 12h45m - O Globo

RIO - O mapa da violência no Brasil se reconfigurou. Regiões tradicionalmente violentas no país, como o Sudeste, onde o Rio de Janeiro e São Paulo são palcos de tiroteios e sequestros, deram lugar ao Nordeste, segundo reportagem do "New York Times" desta terça-feira. De acordo com uma pesquisa feita pelo cientista político José Maria Nóbrega, professor da Universidade Federal de Campina Grande (PB), nos últimos dez anos o índice de assassinatos no Nordeste dobrou. No mesmo período, o número de homicídios caiu 47% no Sudeste.

A reportagem aponta o boom econômico no Brasil como o principal fator para a migração do tráfico para outras partes do país, uma vez que os "traficantes buscam novos mercados". Ainda segundo o jornal americano, o aumento do poder aquisitivo da população até então carente tem estimulado o tráfico, resultando em conflitos entre facções rivais.

O "New York Times" também fala sobre a devastadora chegada do crack em Salvador, particularmente na comunidade Nova Constituinte, na periferia da cidade. E traz dados que mostram que a explosão de violência na última década se concentra na Bahia e em Alagoas. De acordo com a reportagem, entre 1999 e 2008, a taxa de assassinatos no estado baiano cresceu 430%.

O jornal americano ainda chama a atenção para o fato de que Salvador é uma das cidades que vão receber os jogos da Copa do Mundo, em 2014, o que torna o alto índice de violência ainda mais preocupante, como mostram relatos de agentes de viagens sobre a repercussão dos crimes na Bahia.

Em entrevista ao NYT, o governador da Bahia, Jaques Wagner, minimizou as preocupações com os jogos, lembrando que todo ano o Carnaval no estado recebe mais de um milhão de turistas, cuja segurança é garantida por 22 mil policiais.

ASSALTO, ENFRENTAMENTO E MORTES EM PET SHOP



PM reage e mata dois assaltantes em pet shop. À paisana, policial surpreendeu dupla em ataque no bairro Santana, na Capital, mas acabou ferido - EDUARDO TORRES E PEDRO MOREIRA - ZERO HORA 31/08/2011

Um policial militar à paisana reagiu e matou dois assaltantes que atacavam uma pet shop, no bairro Santana, em Porto Alegre, ontem pela manhã. O PM estava dentro do estabelecimento, de propriedade de um casal de amigos, tomando chimarrão, quando a dupla entrou no local, por volta das 9h.

Osargento, de 40 anos, do Batalhão de Operações Especiais (BOE) – a pedido da família, que teme represálias, o nome do PM é omitido por ZH –, teria aproveitado um momento de distração dos ladrões e atirado. Na troca de tiros, o PM também ficou ferido, com um tiro na axila direita, e precisou ser socorrido ao Hospital de Pronto Socorro (HPS).

Durante todo o dia, a equipe médica observou o ferimento, mas pelo inchaço não foi possível mexer no local. Novos exames foram feitos no começo da noite para estudar a retirada do projétil. A família aguardava também uma resposta ao pedido de remoção do sargento para o Hospital Militar.

Um dos suspeitos foi identificado como Ilson Pereira Canqueirini, 33 anos, sem antecedentes criminais. Ele seria tio de Róbson Alves da Silva, 22 anos – também morto –, com antecedentes por roubo a comércio.

Este ano, 22 ladrões foram mortos por policiais

De acordo com a polícia, um dos assaltantes estava armado com um revólver calibre 38 e teria anunciado o assalto enquanto deixava o sargento de joelhos. O PM esperou que os ladrões desviassem as atenções para o caixa e o balcão. Usando uma pistola, atirou quatro vezes em cada um dos assaltantes.

– Nós não aconselhamos nem mesmo aos mais experientes reagir a um assalto. Mas, neste caso, o sargento soube medir bem a situação, como vítima e como profissional. Ele estava sozinho com os criminosos e escolheu o momento certo. Foi bem-sucedido – avaliou o comandante do policiamento da Capital, tenente-coronel Paulo Moacyr Stocker.

Conforme o levantamento do jornal Diário Gaúcho, 22 assaltantes já foram mortos este ano em reações de policiais na Região Metropolitana.

Carro roubado dava a cobertura

Se o sargento agiu rápido, a reação do policiamento próximo foi exemplar. Depois do alerta de uma testemunha, a Brigada Militar localizou, minutos após o crime, um Gol, cor grafite, a cerca de cem metros da pet shop. Um homem e três mulheres foram detidos com o carro, que era roubado. A suspeita, confirmada pela Polícia Civil, era de que o veículo dava cobertura à dupla, tendo sido roubado menos de uma hora antes, no bairro Itu Sabará, na zona norte da Capital.

Pouco depois das 8h, um carteiro de 55 anos foi atacado por dois homens – pelo menos um armado – quando deixava a mulher no trabalho. Ele reconheceu o rádio do veículo na mochila de um dos homens mortos no estabelecimento.

Já no carro, os policiais encontraram Mauro Alves da Cruz, 34 anos. No bolso dele estava o celular do carteiro que teve o Gol roubado. Além dele, que tinha antecedente por roubo e estava em liberdade condicional, estavam no carro a foragida Aliane Beatriz Silva dos Santos, 25 anos, Fabiane Silveira Aguiar, 30 anos, e Ana Paula Vieira de Moraes, 22 anos. Todos foram autuados em flagrante pelo roubo à pet shop e formação de quadrilha.


GRANDES PROJETOS TERMINAM PROVISÓRIOS CERZIDOS

WANDERLEY SOARES, REDE PAMPA, O SUL - 30/08/2011

Nas questões de maior gravidade, os governos desenham grandes projetos que terminam em provisórios cerzidos

Na área da segurança pública, para o governo do Estado, o Presídio Central é considerado como nervo exposto e vivo. Em verdade, os casarões que tisnam a imagem da cidade e, especialmente, o bairro Partenon nada mais são do que imensos depósitos de almas em decomposição. No entanto, tudo ou quase tudo na política penitenciária, de governo em governo, começa com grandes projetos e termina com pequenos remendos. Mas se o Presídio Central é uma questão que assume, a cada dia, uma dimensão de maior gravidade repercutindo diretamente na sensação de insegurança da sociedade gaúcha, paralelamente a isso rastejam as sonolentas conversas no entorno dos salários dos profissionais de nível médio do policiamento ostensivo, que estão entre os mais humilhantes do País. Por ora, a desculpa é de que o governo está no seu primeiro quartel. Sigam-me

O líder dos servidores de nível médio da Brigada Militar, Leonel Lucas, presidente da Associação de Cabos e Soldados da corporação, espera que a reunião com representantes do governo, que ocorrerá amanhã, apresente avanços, uma vez que o índice de 4,65%, a partir de outubro de 2011, como adiantamento da matriz salarial de 2012, primeira oferta apresentada aos trabalhadores fardados, foi considerado como impossível de ser aceito. "O índice traduzido em reais no salário de um soldado da Brigada representa apenas 40 reais de reajuste", disse Leonel Lucas. Mas setembro está chegando e, com ele, o último quartel do inverno de 2011. Na primavera será difícil manter o discurso de que o governo ainda está recém em seu começo. A família brigadiana, que está queimando pneus pelo Estado afora, não parece disposta a, passivamente, aceitar remendos.

A Polícia Civil prendeu em São Leopoldo uma quadrilha acusada de homicídios, tráfico de drogas e extorsão. A operação foi realizada na Vila dos Tocos e na Vila Brás. No total, foram dez pessoas presas.

Agentes do Denarc prenderam mais três integrantes da quadrilha dos Bala na Cara e dois membros dos Manos da facção do Maradona, em São Leopoldo. Foram presos Carlos Augusto Miato Chaves, de 31 anos, condenado por roubo a banco, tráfico, formação de quadrilha e homicídio, e Rene Luís da Silva, 27 anos, foragido pelo roubo ao caixa eletrônico do Shopping de Canoas. Rene estava foragido, e Carlos Augusto, em liberdade condicional. Eles estavam juntos no momento da prisão. Também foram capturados Evandro de Toledo Araújo, de 30 anos, quando seguia para o bairro Bom Jesus numa caminhonete com placas do Mato Grosso. Os policiais encontraram no tanque de combustível do carro seis quilos de crack, que renderiam no mercado cerca de 40 mil pedras.

O Comando Ambiental da Brigada Militar, comandado pelo tenente-coronel Ângelo Vieira da Silva, promoverá hoje o Encontro Regional com Secretários Municipais do Meio Ambiente, a partir das 13h30min, na Universidade de Caxias do Sul. Foram convidados 242 municípios das regiões da Serra, Planalto, Fronteira Noroeste e Missões. Entre os palestrantes estão promotores de Justiça, dirigentes de conselhos municipais de meio ambiente, técnicos da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Fepam e oficiais da Brigada

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

INSEGURANÇA - ASSALTO E TIROTEIO EM FRENTE AO PALÁCIO DA POLÍCIA DEIXA PM FERIDO


PORTO ALEGRE. PM baleado ao intervir em roubo de veículo - ZERO HORA, 29/08/2011

O soldado da Brigada Militar (BM) João Adauto do Prado Medeiros, 41 anos, baleado ontem ao tentar evitar um roubo a veículo na Avenida Ipiranga, em Porto Alegre, em frente ao Palácio da Polícia, estava internado na UTI do Hospital de Pronto Socorro (HPS) em estado grave no início da madrugada de hoje. Fardado, o PM aguardava ônibus em uma parada para ir ao trabalho quando, por volta das 18h, percebeu a ação de três assaltantes contra o motorista de um Clio prata.

Quando o soldado se aproximou, houve troca de tiros com os bandidos. O PM acabou baleado na perna – teria sido atingido também em outras partes do corpo não informadas pela BM. Medeiros passou por cirurgia à noite no HPS. O tiro na perna era o que mais preocupava, pois temia-se que tivesse atingido a artéria femoral, ferimento que pode levar à morte. Mas o receio foi desfeito, de acordo com a BM. A bala teria somente passado perto da artéria.

A BM suspeita que os criminosos tenham participado de outros dois roubos a veículos na avenida, entre as 17h50min e as 18h. Eles levaram um Citroën Picasso C4 e um Sandero vermelho. O Clio e o Citroën foram recuperados. O trio conseguiu escapar com o Sandero.

A pedagoga Nanci Cardoso Camboim, 64 anos, testemunhou o resgate do policial. Ela visitava a filha, que mora em frente ao local do crime, quando ouviu pelo menos oito disparos. Primeiro pensaram ser rojões, mas, ao olharem pela janela, viram o soldado sangrando, caído debaixo da parada de ônibus. Minutos depois, um carro parou, e o PM foi recolhido, disse Nanci.

– Foi preciso um carro que passava parar e prestar socorro ao policial. Ficamos abaladas porque o assalto foi com o dia claro e balearam um policial – observou, chamando a atenção para o incidente ter ocorrido em frente ao Palácio da Polícia, ainda que do outro lado da rua.

Delegada plantonista no momento do assalto, Liege Machado Pereira relatou ter escutado os tiros. Ela disse que um PM que registrava um flagrante na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento e policiais civis deixaram o palácio para verificar o que ocorria:

– Os policiais foram lá e ajudaram a conduzir o ferido ao HPS em um carro particular, um Siena vermelho.

domingo, 28 de agosto de 2011

SISTEMA PREJUDICADO PELA FALTA DE DADOS


Falta de dados dificulta adoção de política integrada de segurança pública - Alessandra Duarte e Carolina Benevides - o globo, 28/08/2011

RIO - O Brasil governa às cegas na Segurança Pública. O país não sabe quantos pessoas estão foragidas da Justiça. Também não sabe quantas estão desaparecidas. Não tem um cadastro nacional de impressões digitais, o que faz com que uma mesma pessoa possa ter 27 carteiras de identidade, uma em cada unidade da Federação. E o mapa de ocorrências criminais com que o Ministério da Justiça trabalha para planejar suas ações tem dados de três anos atrás, emprestados do SUS. A consequência da desordem é que a segurança pública é planejada e executada sem informação. A ausência de bancos de dados nacionais e a falta que a informação faz para a ação pública são tema de uma série de reportagens que O GLOBO passa a publicar hoje, começando pela segurança.

Hoje, um juiz pode liberar um detido mesmo com mandados de prisão contra ele em outros estados. Isso porque, em muitos casos, o juiz só tem condições de checar os antecedentes criminais da pessoa no estado em que trabalha, e não em todos os outros - justamente por não haver cadastro nacional de foragidos com os mandados expedidos. Está aí a explicação para casos como o do pai da jovem Eloá Pimentel, Everaldo Pereira dos Santos. Foragido da Justiça alagoana há 18 anos e acusado de quatro homicídios, só foi descoberto em 2008, ao surgir na TV quando o namorado da filha a matou, em São Paulo.

- Você não sabe nem quantos mandados de prisão, quantos foragidos há no país - diz Walter Nunes da Silva Jr., juiz e conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). - O que se tem são estimativas. Um diz 170 mil (foragidos), outro diz 250 mil. O Judiciário não sabe, a polícia não sabe. Por quê? Porque a informação não é integrada. Converse com qualquer juiz, e ele vai dizer da angústia que é decidir se libera ou não alguém. Ele sabe que solta com base em informação incompleta.

Walter Nunes é relator de uma resolução do CNJ aprovada no início de julho que cria um banco nacional de mandados de prisão. Pela resolução, os Tribunais de Justiça de todos os estados têm até seis meses para começar a alimentar esse banco, enviando os dados dos mandados expedidos por cada um. Para isso, porém, será preciso passar por mais um obstáculo: o fato de que cada TJ produz um mandado de prisão de um jeito.

- Todos os mandados em aberto terão de ser reeditados, para terem um mínimo comum de dados, como local, hora, tipo de crime - diz Nunes.

Em cada estado, um tipo de ocorrência

A falta de dados - o que fez o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmar em abril que "há total falta de integração dos órgãos de segurança" no país e prometer a criação de um sistema nacional de criminalidade - é empecilho também para o sistema existente hoje no Ministério da Justiça, que reúne os registros de ocorrência policial dos estados, a rede InfoSeg. As polícias estaduais (sejam militares ou civis) não são obrigadas a enviar os registros para o sistema. Envia quem quer ou pode. E, ainda, cada polícia registra as ocorrências de um modo - um assassinato pode ser registrado como homicídio em um estado e como auto de resistência em outro. Então, mesmo as polícias que enviam os registros mandam dados que não são uniformes e, portanto, são difíceis de serem unificados num sistema.

- O problema é que é um sistema descentralizado, com polícias atuando de forma regional. Aí vem a segunda questão: como os estados têm autonomia, não se poderia obrigá-los a mandar essas informações - analisa Sérgio Renault, ex-secretário de Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça.

- Garanto que o pacto federativo não é para isso. Não é para prejudicar a política de segurança. Por que vivemos em sociedade? Para, entre outras coisas, termos um mínimo de segurança. Se um criminoso pode fugir ali para o meu vizinho, como é que os órgãos não se comunicam? Agora, os estados não recebem dinheiro do governo federal para segurança? É só dizer que não vai mandar o dinheiro se não mandarem os dados. Quero ver quem não enviará - afirma o juiz Walter Nunes.

- Informação de qualidade serve para orientar a aplicação da verba destinada à segurança. Sem isso, o país aplica mal os recursos. Fica sem saber se a proposta é adequada e se produziu ou não resultados satisfatórios - afirma o deputado federal Alessandro Molon (PT-RJ), que vai apresentar um projeto condicionando o repasse de recursos ao abastecimento do banco de dados pelos estados.

A InfoSeg também não inclui os registros de impressões digitais dos órgãos estaduais de identificação. Nem a InfoSeg nem qualquer outro órgão centralizam esses registros atualmente.

- Uma mesma pessoa pode ter 27 carteiras de identidade. É caótico - afirma o presidente da Associação Brasileira dos Papiloscopistas Policiais Federais (Abrapol), Celso Zuza. - Aliás, isso torna mais fácil uma pessoa tirar mais de um passaporte, com carteiras diferentes, para fugir do país.

Justamente para integrar os registros de impressão digital é que o governo federal está criando o Registro de Identidade Civil (RIC), que trará um chip e será um registro único para todo o país, centralizado pelo Instituto Nacional de Identificação. Anunciado desde o ano passado e com custo de cerca de R$ 100 milhões, segundo Zuza, o cartão RIC começa a ser distribuído dentro de dois meses:

- É uma ideia discutida há mais de dez anos. Mas, para todos os estados estarem integrados, acredito que só daqui a pelo menos cinco anos.

A falta de informação não é só um problema para a resolução de crimes. Faz com que o Estado gaste mal a verba para segurança. Um perito do Rio que preferiu não se identificar conta que a Polícia Civil recebeu uma máquina para banco de imagens que servia apenas para contabilizar crimes em locais com baixo índice de criminalidade. Segundo ele, "o dinheiro teria sido mais bem aplicado em computadores, impressoras e luvas para os peritos".

- Sem informação não há trabalho de inteligência, não há prevenção do delito. Há quem pense que o sistema integrado vai dizer quantos crimes foram cometidos. Mas vai mostrar também quantos a polícia conseguiu resolver, quantos foram para o MP, quantas denúncias chegaram à Justiça - conclui Julio Jacobo, sociólogo e autor do Mapa da Violência, que aponta estados e municípios mais violentos do país. - Com as informações que temos hoje, a estimativa é que entre 7% e 8% dos homicídios sejam resolvidos.

- A cultura do Brasil é a do flagrante. Informação de qualidade mudaria isso - diz Pedro Abramovay, professor de Direito da FGV-RJ e ex-secretário nacional de Justiça. - Prendemos o pequeno traficante e autores de roubos simples. Mas prende-se menos quem comete crimes mais sofisticados, que precisam de investigação.

COMENTÁRIO DO DO BENGOCHEA - O problema no Brasil começa na inexistência do sistema. O título V da Constituição federal referente à "defesa do Estado e das instituições democráticas" (art. 136 ao 144), prevê dois instrumentos emergenciais que dependem do aval do Presidente e da prontidão dos congressistas; as forças armadas na defesa da pátria, da lei e da ordem; e as forças policiais encarregadas da preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. Ora, se o Brasil pretende ser um país democrático, a quem cabe a defesa do povo? e onde estão o Poder Judiciário, o Mistério Público e a Defensoria pública para dar continuidade aos esforços policiais, salvaguardar, equilibrar o direito e aplicar as leis de forma coativa? Estes não constam no capítulo referido, mas distribuídos em outros dispositivos, separados em funções e privilégios, sem responsabilidade nas ligações e na continuidade. Na minha opinião, na atual constituição federal está a origem de toda a desordem por estabelecer critérios totalitários e policialescos, já que a segurança pública é um conjunto de instrumentos e processos que tem por finalidade a paz social, a vida e o patrimônio das pessoas, algo que as polícias, sozinhas, jamais conseguirão garantir. Quantos à falta de dados se trata uma burocracia necessária, mas só funcionará se houver um sistema amplo e integrado de ordem pública envolvendo os instrumentos de coação, justiça e cidadania que comprometa Poderes, agentes e sociedade.

sábado, 27 de agosto de 2011

HOMEM MORRE AO TIRAR SATISFAÇÃO DE AGRESSOR DE SEU FILHO


PASSO FUNDO - Após briga em bar, homem é morto ao tentar defender filho no norte do Estado. Pai e filho foram até a casa de suposto agressor e foram recebidos a tiros. Marielise Ferreira, zero hora online, 27/08/2011 | 10h29min

Um homem de 45 anos morreu neste sábado, com um tiro na cabeça, em Passo Fundo, no norte do Estado. Ele foi atingido ao chegar à casa de um homem que supostamente teria agredido seu filho, Robson Gilberto Pereira Muniz, de 19 anos, em um bar no bairro José Alexandre Zacchia.

Robson teria levado um soco na boca, durante uma briga, no estabelecimento. O jovem voltou para casa e relatou o caso ao pai. Ambos se dirigiram para a casa do suposto agressor, para tirar satisfações, e foram recebidos a tiros.

Chamados, policiais militares foram ao local e socorreram os dois. Robson havia sido atingido por um tiro no pé, e Paulo recebeu um tiro na cabeça. Eles foram levados ao Hospital São Vicente de Paulo, mas o pedreiro Paulo Muniz não resistiu aos ferimentos e morreu. Robson foi medicado e depois liberado.

EXECUÇÃO - ENCAPUZADOS MATAM SEIS PESSOAS NO PARÁ

GUSTAVO HENNEMANN DE SÃO PAULO. FOLHA.COM. 27/08/2011 - 15h24

Seis pessoas foram assassinadas com tiros na cabeça por um grupo de encapuzados na madrugada deste sábado (27) em Santa Isabel do Pará, na região metropolitana de Belém.

Por volta das 4h, cerca de cinco homens com os rostos encobertos arrombaram a porta dos fundos de uma casa onde dormiam 14 pessoas, entre elas adultos, adolescentes e crianças. A maioria era da mesma família.

Segundo a assessoria da Polícia Civil, a quadrilha foi até os quartos e separou dois grupos. Afastou para um canto da casa o casal mais velho e as cinco crianças.

Os outros sete, que tinham entre 16 e 28 anos, foram baleados na cabeça. Apenas uma adolescente de 18 anos sobreviveu.

Ela foi levado em estado grave para o Hospital Metropolitano de Belém.

A perícia encontrou no local cartuchos de espingarda calibre 12, mas ainda não sabe o que pode ter motivado o crime e não tem suspeitos.

Três testemunhas eram ouvidas na tarde deste sábado. A polícia disse que fará um levantamento de antecedentes criminais das vítimas.

CRIMES VIOLENTOS

EDITORIAL DIÁRIO CATARINENSE, 27/08/2011

Os números são oficiais e não deixam margem a qualquer dúvida ou questionamento. A violência e a criminalidade estão fora de controle em Santa Catarina. Do começo do ano até a última quarta-feira (dia 24), o número de roubos e assaltos crimes em que há prática de violência contra as vítimas cresceu 14,35% em relação ao mesmo período de 2010. Em números absolutos, 9.422 casos, uma média de 40 por dia. Sem contar outros delitos cujas estatísticas também disparam e aprofundam, cada vez mais, a percepção de medo e desvalia da sociedade agredida, que exige um serviço de segurança pública mais atuante, mais eficiente e visível.

Atribuir a escalada da criminalidade ao aumento da população catarinense nos últimos anos é uma obviedade que pouco explica. Diversos e conhecidos são os fatores que convergem para desenhar este cenário assustador. Mas debatê-los outra vez, agora, seria perda de tempo. Que as “terapias” sociais fiquem para depois. Nesta etapa, a prioridade (tantas vezes proclamada e jamais honrada) é reagir à altura e com força total para reprimir a marginalidade que infesta os cenários urbanos e age com violência e audácia cada vez maiores.

Polícia e mais polícia nas ruas, com visibilidade e ação 24 horas ao dia. O “remédio” começa por aí. Doze anos atrás, em 1999, o efetivo da Polícia Militar era de 13 mil militares; hoje, de 11 mil. Também a Polícia Civil, segundo o titular da Secretaria Estadual da Segurança Pública, César Grubba, opera com 54% do efetivo que seria seu ideal. Se não diz tudo, isso diz quase tudo. O trabalho deve começar pela recomposição das forças de segurança, dos seus equipamentos e da qualificação do efetivo. Também uma reforma a fundo no sistema prisional, onde as fugas se multiplicam, e o índice de reincidência dos egressos chega a 72% (!) faz parte do quadro.

Chega de conversa e de enganação. A cidadania vitimada exige ação imediata.

CRISE DE SEGURANÇA EM FLORIPA



Manifestação contra crise na segurança pública reúne centenas de pessoas em Florianópolis. O tráfego não foi interrompido por conta dos protestos na Capital. Gabrielle Bittelbrun, DIÁRIO CATARINENSE, 27/08/2011

Um protesto contra a insegurança em Florianópolis ocorreu, nesta manhã, na antiga praça de pedágio da SC-401, no Norte da Ilha. Centenas de representantes de comunidades como Santo Antônio de Lisboa, Jurerê, Daniela, Sambaqui carregaram cartazes e fizeram pronunciamentos contra a onda de assaltos, arrombamentos e outros crimes que vem ocorrendo na região.

Segundo o vice-presidente do Conselho Comunitário Pontal de Jurerê/Daniela, João Manoel do Nascimento, a população se organizou porque a insegurança chegou ao limite.

— Estamos em situação de calamidade, as pessoas estão sofrendo violência, estão sendo humilhadas. O que aconteceu é que a gente saiu do silêncio. Os moradores reivindicam pelo maior investimento, por parte do governo, em medidas de segurança, como instalação de câmeras de vigilância e aumento do efetivo policial.

Na sexta-feira, representantes das comunidades entregaram uma carta pedindo por mais segurança ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, que estava em Santo Antônio de Lisboa.

O trânsito não foi interrompido na região neste sábado por conta dos protestos.

QUADRILHA ASSALTA PIZZARIA EM PORTO ALEGRE

Quatro homens invadiram o estabelecimento no bairro Bom Jesus e um foi preso - Jerônimo Pires / Rádio Guaíba, 27/08/2011 08:35

Uma pizzaria foi assaltada na noite dessa sexta-feira na avenida Protásio Alves, no bairro Bom Jesus, zona Leste de Porto Alegre. De acordo com os policiais do 11º Batalhão de Polícia Militar, quatro homens armados invadiram o estabelecimento e levaram o furgão da empresa, pertences do proprietário e cerca de R$ 1 mil que estava no caixa. Três deles fugiram em um Gol branco, roubado antes do assalto, e outro seguiu no carro da empresa.

Um dos criminosos, de 30 anos, foi preso próximo ao Hospital de Pronto Socorro (HPS). A polícia realiza buscas na tentativa de prender o restante do grupo.


Briga entre vizinhos termina com morte em Passo Fundo. Pai e filho foram baleados durante uma discussão. Acácio Silva / Correio do Povo, 27/08/2011 09:32

Uma briga de vizinhos na madrugada deste sábado, no bairro José Alexandre Zachia, em Passo Fundo, no Norte do Estado, terminou com uma pessoa morta e outra ferida. O pedreiro Paulo Gilberto Pereira Muniz, 45 anos, foi assassinado com um tiro na cabeça e o filho dele Robson Vieira Muniz, 19 anos, foi baleado no pé esquerdo.

O autor dos disparos foi identificado pela polícia como um morador do bairro. O desentendimento começou quando Robson teria sido agredido com um soco na boca pelo vizinho e, depois de pegar um facão em casa, voltou para tirar satisfação. Após uma discussão, pai e filho foram alvejados. O suspeito fugiu antes da chegada da Brigada Militar.

O pedreiro foi socorrido e levado para o hospital São Vicente de Paulo, onde morreu quando recebia os primeiros socorros. Robson foi medicado e liberado. Com essa morte, Passo Fundo chega ao 27ª homicídio do ano.


DISPUTAS ENTRE TRAFICANTES APAVORAM ALUNOS E MORADORES

PORTO ALEGRE - Tiroteios retêm alunos em escola da Capital. Disputas entre traficantes apavoram moradores do bairro Bom Jesus - CAROLINA ROCHA E EDUARDO TORRES - ZERO HORA 27/08/2011

Eram 11h de ontem quando o telefone da Escola Estadual Coelho Neto, no bairro Bom Jesus, na zona leste da Capital, começou a tocar sem parar. Pais e mães, apavorados pelo tiroteio que ocorria nas vielas próximas ao colégio, buscavam informações. Durante cerca de 20 minutos, crianças ficaram presas na escola para não serem novas vítimas de uma guerra que, há pelo menos um mês, tornou-as reféns.

Só na Coelho Neto, pelo menos 30 crianças estão afastadas das aulas há alguns dias.

Todas são parentes ou vizinhas de envolvidos no conflito aberto pelo comando do tráfico, ali e em regiões, até então dominadas pelos chamados Bala na Cara. As aulas de sábado pela manhã já foram suspensas, assim como o projeto Escola Aberta.

– Nosso desafio é fazer da escola um lugar seguro para as crianças. Pelo menos aqui, porque nas casas não está seguro – lamenta a diretora, Patrícia Andriola da Silva.

Brigada Militar não descarta força-tarefa

Quem não tem nada a ver com a criminalidade fica com medo. E qualquer brincadeira que seria natural na infância, aos poucos, desaparece. Em vez de um jogo de bola, quando as crianças saíam da aula na tarde de quinta-feira, encontraram barreiras policiais. Era a resposta policial ao incêndio criminoso da manhã anterior, que por pouco não dizimou uma família inteira.

Quatro homens chegaram a ser presos. Mas foi só anoitecer, e o controle saiu das mãos dos policiais e voltou aos bandidos. Voltaram as mortes, tiros e o medo.

Responsável interinamente pelo Comando de Policiamento da Capital (CPC), o tenente-coronel Paulo Moacyr Stocker mostrou-se irritado ao saber que crianças estariam faltando à escola devido à guerra do tráfico:

– Não tenho conhecimento sobre isso, vamos checar. Não vai ser por falta de segurança que qualquer criança vai ficar fora de aula.

Conforme o militar, a Bom Jesus é “uma das prioridades” da Brigada Militar e, constantemente, abordagens têm sido feitas na região. O comandante do CPC não descartou a criação de uma força-tarefa, com membros de outros batalhões, para fazer uma grande ação no bairro.

– Estamos trabalhando sobre este problema, com o setor de inteligência e com ações de patrulhamento. Mas quem quer fazer uma ação dessas, não faz na frente da polícia – disse o comandante do CPC.


CHARQUEADAS - MORTE MISTERIOSA. Corpo enterrado até a cintura

Um corpo foi encontrado ontem enterrado até a cintura em um mato em Charqueadas, na Região Carbonífera, a cerca de 200 metros do Instituto Penal Escola Profissionalizante (Ipep), informou a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe). Exames preliminares apontaram que o cadáver estaria no local há 30 dias, aproximadamente. Também foram encontrados indícios de que o homem teria recebido pelo menos um golpe na cabeça. A identidade do morto é desconhecida.

FREDERICO WESTPHALEN - Contra o tráfico

Uma operação de combate ao tráfico de drogas levou 13 pessoas à prisão na manhã de ontem, em Frederico Westphalen, no norte do Estado. O grupo é suspeito de vender drogas em diferentes pontos da cidade. Entre os detidos estão seis mulheres. A ação teve a participação de 80 policiais civis e militares para cumprir 12 mandados de prisão em casas e bares. Nesses locais foram presos em flagrante oito pessoas, e outras cinco tiveram a prisão preventiva decretada.

SARANDI = OPERAÇÃO POLICIAL. Pedras de crack apreendidas

Escondidos no interior do banco traseiro de um Celta, 6,2 quilos de crack foram apreendidos pelo Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), na cidade de Sarandi. A ação ocorreu no final da noite de quinta-feira. O entorpecente teria como destino a Região Metropolitana.

PELOTAS - Assalto a marretadas

No horário de maior movimento de clientes, por volta das 11h30min, quatro homens armados invadiram uma agência do Banco Bradesco, no centro de Pelotas, sul do Estado. Eles renderam um funcionário do estacionamento e quebraram a marretadas a porta de vidro que serve como acesso ao banco. Depois de trocar tiros com a polícia, os bandidos fugiram com os malotes do dinheiro roubado. Dentro do banco a ação durou poucos minutos. De acordo com funcionários que não quiseram se identificar, os assaltantes fizeram um cliente refém e roubaram o dinheiro que havia nos caixas. O valor levado não foi divulgado. A agência foi fechada para o público e deverá retomar os trabalhos na segunda-feira. Os assaltantes entraram e saíram pelo estacionamento, na rua lateral à porta de entrada da agência. Segundo testemunhas, eles dispararam contra a polícia e seguiram em fuga em duas motocicletas roubadas. Em uma rua próxima, abandonaram os veículos e continuaram a fuga em um Hyundai I30 de cor azul.




FELIZ POR ESTAR VIVA !?


Rosane Tremea, jornalista, ZERO HORA 27/08/2011

É a expressão do título a que eu mais tenho ouvido nas últimas duas semanas. Sim, eu estou feliz por estar viva, sempre agradeci por isso. Mas eu não consigo me conformar em estar viva e amedrontada. Medo paralisa, medo constrange, medo restringe, medo afasta. Também tenho ouvido “bem-vinda ao clube”. E isso também me dá medo.

Tanto uma quanto a outra expressão, por mais que sejam tentativas de pessoas queridas de nos consolarem, trazem embutido o nosso conformismo.

Se eu sou roubada às 4 horas da tarde de um domingo ensolarado numa avenida movimentada, se me apontam uma arma, se levam meu carro, meus documentos, se me transformo em mais uma vítima da violência urbana, preciso me contentar em estar viva e, de lambuja, ainda passo a integrar esse clube nefasto?!

Parece que nos conformamos em esperar que o raio não caia mais de uma vez no mesmo lugar ou com o fato de não sermos os únicos.

Você já passou por isso? Sabe o que me impressionou? Ouvir, nos dias seguintes ao malfadado acontecimento, dezenas de relatos iguais, parecidos, piores. Ou saber de histórias trágicas como a que vitimou uma fotógrafa de 52 anos, mãe de dois filhos.

Alguém me falou em “sensação de insegurança”. Mas se esse tipo de crime cresceu mais de 22% em julho deste ano, comparado a julho de 2010, e eu mesma integro agora as estatísticas, então não é sensação, é? Por que nos conformamos? Por que não cobramos? Será o mesmo mecanismo que nos deixa acostumados com a violência doméstica, com os maus-tratos a crianças, com as injustiças, com a corrupção?

Eu não quero me conformar. Vou seguir agradecendo o fato de estar viva, mas não quero fazer parte desse clube. Não quero ficar apavorada ao cruzar com outro ser humano na rua. Nas últimas duas semanas, para mim, todo mundo virou suspeito.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Tive o mesmo sentimento ao ser assaltado. Por não portar arma, não reagi e aceitei "prudemente" as ordens dos meliantes adolescentes. Meu filhos e minha mulher já tinham sido assaltados e eu estava "virgem". Acostumado a atender ocorrências no meu tempo de rua junto com meus subordinados, via nas pessoas o medo, a impotência, a indignação, os limites da polícia, a omissão dos políticos e a injustiça das leis. Mesmo sentimento que tive no momento em que fui assaltado, agora numa situação de aposentado e fora do sistema de segurança pública.

Hoje, os únicos instrumento do Estado que protegem 24 horas o cidadão são as forças policiais que, além do retrabalho pela falta de continuidade na justiça, são debilitadas pelos governantes, exercem seus deveres no ciclo fracionado e contam com agentes em número insuficiente que os fazem desaparecer das ruas, mal pagos, saúde debilitada e trabalho estressante devido às jornadas extras que fazem para aumentar a rende familiar e não se submeter à corrupção.

É, Rosana. Como eu, agradeça a Deus por estar viva e que só perdemos bens materiais. Muitos não tiveram a mesma sorte, tenham reagidos ou não. Resta usar nossa experiência e indignação para lutar com todas as forças e vozes para acordar o Estado e conclamar a sociedade organizada e povo brasileiro a votar em governantes comprometidos com a educação, saúde e segurança, e exigir dos magistrados a aplicação coativa das leis contra as ameaças à paz social, aos recursos públicos e ao futuro de nossos filhos e netos.

Leia e reflita sobre este comentário que mandei e foi publicado em Zero Hora de 26/08/2011.

"Discordo da conclusão do editorial “Criminalidade à solta” (ZH de 23 de agosto), de que a defesa da população gaúcha depende da rapidez e eficácia das polícias como organizações de segurança. As polícias estão se esforçando, apreendendo grande quantidade de armas e drogas e superlotando os presídios. O problema está na falta de continuidade, na burocracia e na morosidade da Justiça, e na falência da execução penal que violenta o apenado, estimula a impunidade, incentiva o descaso e produz benevolências que aterrorizam ainda mais a população amedrontada e impotente. Jorge Bengochea. Militar – Porto Alegre

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

FEIRAS DE SEGURANÇA

Feira apresenta novidades em tecnologia de segurança - BOM DIA BRASIL, Terça-feira, 23/08/2011

Um computador portátil opera através do comando de voz. Um sistema biométrico faz a identificação através de impressão digital e da íris. Também foi desenvolvido um robô para operar em situações de alto risco.



Feira de equipamentos de segurança vira caso de polícia - BOM DIA SÃO PAULO, REDE GLOBO, Quinta-feira, 26/05/2011




Feira mostra as novidades na área de segurança pública - BOM DIA BRASIL, REDE GLOBO, Quarta-feira, 13/04/2011


Além de reunir armamentos de última geração usados pelas forças especiais dos governos, a feira destaca as armas não letais. As soluções para diminuir o uso de armas de fogo estão cada vez mais criativas.


VIOLÊNCIA EM ASCENSÃO EM SANTA CATARINA

A cada dia, Santa Catarina registra 40 casos de assalto. Desde o começo do ano, foram 9,4 mil ações. Número é 14% maior que o do mesmo período de 2010 - DIOGO VARGAS, DIÁRIO CATARINENSE. 26/08/2011

Os roubos, aqueles crimes em que há violência contra a vítima, estão em plena escalada em Santa Catarina. O aumento dos casos entre janeiro e 24 de agosto chega a 14,35% em comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 9.422 ataques registrados, o que representa uma média de quase 40 assaltos por dia no Estado.

A cúpula da segurança pública catarinense reconhece essa elevação e diz que está trabalhando para reverter a situação. Só a Capital do Estado teve 939 roubos em 2011. Em agosto, foram 106, ou uma média de 4,4 assaltos por dia, indicando a necessidade de mais efetividade do policiamento ostensivo em Florianópolis. Uma outra necessidade oficializada pela Polícia Civil é a criação na cidade de uma delegacia especializada no combate aos roubos.

Os dados que indicam o crescimento desse tipo de crime foram divulgados pela própria Secretaria de Segurança Pública. A assessoria informou que, no primeiro semestre houve acréscimo de 10,8%. Mas, considerando os registros da Polícia Civil até o dia 24 deste mês, o aumento dos roubos é ainda maior, de 14,35%, informou a SSP. As principais vítimas são as pessoas que estão andando em via pública (veja infografia).

Mais de 400 presos fugiram em 2011

Há um outro número que talvez ajude a entender um pouco a escalada dos roubos. É o que trata das fugas de presos. Conseguiram escapar das cadeias catarinenses 429 detentos em 2011. Destes, mais de 150 ganharam as ruas na Capital em duas fugas em massa no complexo prisional da Agronômica. Para o comandante da Polícia Militar, coronel Nazareno Marcineiro, esse é um dos fatores, além da grande quantidade de adolescentes no crime, que “são apreendidos e três ou quatro dias estão novamente nas ruas envolvidos em outros atos infracionais”.

Por outro lado, o número de homicídios diminuiu no Estado. A redução foi mínima: 1,89%.



LIDERANÇA RURAL É ASSASSINADA NO PARÁ

Mais uma liderança rural é assassinada no Pará. Valdemar Oliveira Barbosa era sócio do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Marabá e coordenou por vários anos um grupo de famílias que ocupava a fazenda em Marabá - 25 de agosto de 2011 | 18h 56 - Marcela Bourroul Gonsalves / SÃO PAULO - Estadão.com.br

Foi morto na manhã desta quinta-feira, 25, mais um líder de ocupação no Pará. Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), Valdemar Oliveira Barbosa, conhecido como "Piauí", foi assassinado a tiros por dois pistoleiros que estavam em uma moto. A vítima trafegava de bicicleta pelo bairro de São Félix, em Marabá.

Valdemar era sócio do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Marabá e coordenou por vários anos um grupo de famílias que ocupava a fazenda Estrela da Manhã, no município de Marabá. Como a fazenda não foi desapropriada, ele voltou a morar na capital, onde ajudou a organizar uma ocupação urbana na Folha 06, bairro Nova Marabá, onde residia.

Há mais de um ano, ele passou a coordenar um grupo de famílias que ocupavam a Fazenda Califórnia, no município de Jacundá. No final do ano passado as famílias foram despejadas, mas Valdemar ameaçava uma reocupação do local. De acordo com informações obtidas pela CPT, a Fazenda Califórnia é envolvida com a atividade pecuária e de carvoaria. A CPT desconfia que pistoleiros teriam sido contratados pelo fazendeiro para impedir uma nova ocupação do imóvel.

Até o final da tarde desta quinta, a polícia não tinha qualquer informação sobre a autoria do crime. Após o assassinato dos extrativistas José Cláudio e Maria do Espírito Santo, esse é o quarto trabalhador assassinado, somente no Pará, do mês de maio até agora. Há fortes indícios de que os crimes tenham sido motivados por disputa pela terra. Nenhum suspeito de envolvimento nos seis crimes foi preso até o momento.

CRUELDADE, TIROTEIO, EXECUÇÕES E TERROR

ZERO HORA 26/08/2011

PELOTAS - CRUELDADE. Homem teria sido queimado por desafeto - JOICE BACELO, PELOTAS, Colaborou Rafael Diverio

Um homem de 50 anos foi encontrado pela Brigada Militar com o corpo em chamas próximo à Avenida Duque de Caxias, em Pelotas, e não resistiu aos ferimentos. De acordo com a Polícia Civil, um suspeito prestou depoimento no início da noite de ontem e teria confessado o crime. O motivo do crime seria uma desavença. Segundo o delegado Osmar dos Anjos, a situação do suspeito seria avaliada ainda no fim da noite de ontem ou na madrugada de hoje. A tendência é de que fosse solicitada a prisão preventiva. A morte de Breno Luiz Rezende Gonçalves gerou revolta entre os moradores do bairro Fragata. Conhecido na região, ele vivia da ajuda de moradores e passava dias e noites próximo de onde foi encontrado pela polícia. Emerson Gonçalves, de 29 anos, filho da vítima, disse que morava junto com o pai em em Capão do Leão, município vizinho de Pelotas, porém o alcoolismo o fazia sumir por dias. Segundo ele, Gonçalves não aparecia desde segunda-feira.

CAXIAS DO SUL - PERSEGUIÇÃO NA SERRA. Tiroteio termina com dois mortos

Dois jovens foram mortos e três feridos em um tiroteiro após perseguição que se arrastou por cerca de 10 minutos nas principais ruas do bairro Lourdes, próximo ao centro de Caxias do Sul, perto das 22h30min de quarta-feira. Os cinco eram suspeitos de terem executado um adolescente de 15 anos minutos antes da Brigada Militar ser acionada. A troca de tiros ocorreu entre um Gol e a viatura da BM, uma S-10, e se encerrou na esquina das ruas Sinimbu e Mário Pezzi.


PELOTAS - Antônio Carlos Vieira, 31 anos, foi morto a tiros no bairro Areal, em Pelotas. Segundo a BM, os disparos vieram duas motos. Não há suspeitos do crime.

PORTO ALEGRE - Homem é morto a tiros em frente a ponto de táxi na zona norte. Segundo delegado, vítima sofreu diversos disparos na esquina entre avenidas - DIÁRIO GAÚCHO - 26/08/2011 | 02h04min

Um homem foi morto na madrugada desta sexta-feira em frente a um ponto de táxi na esquina das avenidas Baltazar de Oliveira Garcia e Dante Angelo Pilla, na zona norte de Porto Alegre. Segundo o delegado Cristiano Reschke, a vítima, ainda não identificada, sofreu diversos disparos no local, sendo um na cabeça e outro no pescoço. A polícia não tem suspeitos e desconhece a motivação do crime. O caso será investigado pela Delegacia de Homicídios.

PORTO ALEGRE - Homens ateiam fogo em três residências do Bairro Bom Jesus. O motivo, ainda investigado pela polícia, seria a disputa pelo tráfico de drogas da região. Eduardo Torres, DIÁRIO GAÚCHO, 25/08/2011 | 10h41min

Pelo menos seis homens armados com pistolas incendiaram três casas da mesma família no Bairro Bom Jesus, na Capital, hoje pela manhã. A suspeita é de que uma disputa pelo tráfico, envolvendo o filho de uma senhora de 67 anos que morava em uma das residências, teria motivado o incêndio criminoso. Por volta das 5h de hoje, os homens acordaram a mulher, tiraram a moradora de casa à força, jogaram álcool e gasolina e atearam fogo nas residências. Mais seis pessoas, entre elas filhos e netos da moradora, estavam no local. Um vizinho conseguiu quebrar uma madeira da casa dos fundos e retirou as vítimas. Ninguém ficou ferido.




quinta-feira, 25 de agosto de 2011

ÉTICA DE BANDIDO - IMPUNIDADE E ESCÁRNIO

BANDIDO COM ÉTICA - JORNAL HOJE

Irlan Graciano Santiago, de 22 anos, se entregou ontem à Polícia Civil e confessou participação no assassinato do estudante Felipe Ramos de Paiva, de 24, ocorrido no dia 18 de maio no câmpus da Universidade de São Paulo (USP) no Butantã, zona oeste da capital. Por ter se apresentado, não ter antecedentes criminais e possuir endereço fixo, ele foi liberado e vai responder ao processo em liberdade.





OAB repudia advogado que disse 'todo bandido tem ética' no caso USP. Luiz D´Urso, presidente da Ordem em SP, diz que declaração foi 'infeliz'. Jeferson Badan, que defende acusado da morte de aluno, pediu desculpas. Kleber Tomaz - Do G1 SP - 10/06/2011 19h41


O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP), Luiz Flávio Borges D´Urso, repudiou na manhã desta sexta-feira (10) as declarações do advogado Jeferson Badan, que, na noite anterior, falou à imprensa que “todo bandido tem ética” e “em todas as profissões têm ética”. As frases foram ditas pelo defensor para justificar o motivo pelo qual o seu cliente, que confessou participação no assassinato do estudante da USP, Felipe Ramos de Paiva, de 24 anos, em 18 de maio, não iria entregar o comparsa, que teria atirado na vítima.

D´Urso classificou as frases de Badan como “infelizes” e afirmou que elas envergonham “toda a classe de advogados” porque comparou profissões com atividades criminosas. O caso sera levado à discussão na diretoria da OAB, que irá analisar se o advogado será advertido pelo que disse.

As declarações de Badan ocorreram durante entrevista coletiva à imprensa na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na capital paulista, na noite de quinta-feira (9). Seu cliente, o comerciante Irlan Gracino Santiago, de 22 anos, tinha se apresentado à Polícia Civil e confessado participação no assassinato do aluno da USP, morto com um tiro na cabeça após reagir a uma tentativa de assalto no estacionamento da Faculdade de Econômia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo. Santiago e um comparsa queriam roubar o carro da vítima, que não foi levado.

Santiago foi indiciado pelo crime de latrocínio (roubo seguido de morte) e liberado. Pela lei, ele pode responder ao processo em liberdade porque se apresentou espontaneamente, confessou o crime, não possui antecedentes criminais e tem residência fixa. O DHPP deverá pedir a prisão preventiva de Santiago após a conclusão do inquérito.

“Todo bandido tem ética. Vocé [reporter] é um cara experiente na area criminal e eu sei que você está fazendo essa pergunta simplesmente por fazer. Você sabe que em todas as profissões têm ética. Na sua profissão, se tiver um reporter na sua frente, a ética dele é dar espaço para você trabalhar”, havia dito o advogado Badan na quinta durante a entrevista com jornalistas. “Caguetas só tem um final: ou morrem fora ou dentro das cadeias”.

OAB vai apurar declaração de advogado. Segundo o presidente da OAB-SP, essas declarações foram infelizes.

“Essas frases recebem a nossa repulsa. Foi uma manifestação absolutamente infeliz ao estabelecer comparativo entre profissões honradas e dignas, que têm a ética, comparando-as com atividade criminosa, que não é profissão. É uma manifestação de violência à lei e ao próximo. Há uma confusão de princípios ao dizer que bandido é profissão. Ética é antagonismo do crime. Ética cultua valores do bem, da honestidade, da conduta correta. Um criminoso ao infringir a lei e provocar morte não tem nada a ver com ética. Não é nem comportamento antiético e comportamento criminoso”, disse D´Urso.

Ainda segundo o presidente da OAB-SP, o fato de o homem que confessou participação no crime do aluno da USP não querer revelar quem foi seu comparsa não pode ser confundido com ética. “Tem a ver com sentido de proteção ao comparsa”, disse D´Urso.

Segundo D´Urso, o caso será analisado pela diretoria da OAB-SP na reunião da próxima segunda-feira (13). “É uma manifestação infeliz e confusa”, explicou. Apesar disso, o caso não será levado ao Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-SP. “É uma declaração que envergonha toda a classe de advogados, mas não fere nosso código de ética”, justificou.

Pedido de desculpas

Procurado para comentar o assunto, o advogado Badan pediu desculpas na manhã desta sexta pelas declarações que fez durante entrevista coletiva concedida de quinta no DHPP.

“Falei frases infelizes e fui mal interpretado. Peço desculpas à família da vítima pelo que disse e a todos que se sentiram ofendidos. Na verdade eu quis dizer que todo bandido tem regras e não ética. Também quero esclarecer que bandido não é profissão. Bandido é bandido”, disse o advogado Badan, por telefone ao G1.

O crime

Segundo o advogado Badan, seu cliente e o outro criminoso escolheram a USP para roubar um carro no dia 18 de maio porque o filho de Santiago estaria passando por necessidades e porque lá tem pouca segurança e é escuro. Ao chegar a USP, dupla teria atacado uma motorista do Ecosport prata. Ao perceber que ela tinha deficiência física, os criminosos desistiram de levar seu veículo e a obrigaram a dirigir por uma hora até encontrarem outra vítima.

Viram Paiva entrar no Passat blindado. Na versão de Santiago, a motorista ficou no carro com ele enquanto outro ladrão atacava estudante. Ao perceber o roubo, Paiva reagiu e deu socos no rosto do criminoso, que teria atirado. “Ele morreu porque foi para cima do meu parceiro e deu dois socos na cara dele. Ele ia tomar a arma e matar nós dois”, disse Santiago aos jornalistas.O autor dos disparos teria voltado ao Ecosport e a motorista levou os dois para fora da USP. A mulher não foi localizada pelo DHPP para contar o crime.

Homem confessa crime e sorri

Pai do estudante morto na USP, o projetista Ocimar Paiva, de 52 anos, demonstrou revolta na quinta ao saber que Santiago, que confessou ter participado da morte de seu filho, não vai ficar preso por ter se apresentado espontaneamente à polícia. “Eu não perdoo, porque meu filho estava muito feliz, tinha sonhos, planos e foi executado”, disse. Santiago falou aos jornalistas que não fugirá após a confissão. Ele também disse estar arrependido e que foi seu primeiro crime. “Pode falar para a família dele [do estudante] que estou arrependido. Tanto que estou aqui. Se é para pegar, vou pagar. Vou comparecer a toda intimação. Quero dizer para o meu filho que eu amo ele”, disse Santiago, que deixou o DHPP sorrindo.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - E o pior. Dizem isto e nada acontece. A família da vítima ficou lá chorando no caixão do ente querido, enquanto o bandido fica livre beneficiado pelos nossos parlamentares bonzinhos que criam leis para proteger o "coitadinho" do bandido que mata porque o "perigoso" cidadão reagiu. Enquanto a família chora no caixão da vítima, o bandido sai solto, ri e é considerado pelo advogado como um "homem de ética". É inversão de valores que nós brasileiros estamos tolerando e incentivando votando em políticos fracos, omissos, incompetentes e que desprezam as opinião pública e entregam seu povo nas mãos da criminalidade.

POUCO POLICIAMENTO NA ZONA SUL DO RIO

Insegurança. Zona Sul do Rio tem pouco policiamento nas ruas - O GLOBO, 24/08/2011 às 23h18m; Claudio Motta, Taís Mendes e Célia Costa


RIO - Há pelo menos dois anos, desde que se mudou, a moradora Zuila de Araújo, de 54 anos, não vê um só policial na cabine da Avenida Epitácio Pessoa, próximo à Fonte da Saudade, na Lagoa. O módulo ganhou até o apelido de "cabine fantasma" na vizinhança.

Não é o único caso na cidade. Das oito unidades existentes num trajeto de 51km percorrido ontem por uma equipe do GLOBO, apenas três tinham policiais. E, mesmo assim, solitários e a pé. A ausência de policiamento provoca uma sensação de insegurança na população, que, embora elogie o projeto das UPPs e haja uma redução do número de crimes no estado, incluindo assaltos a transeuntes, reclama do número reduzido de PMs nas ruas.

Zuila conta que já perdeu as contas de quantas vezes foi assaltada:

- Passeio com meu cachorro todos os dias e nunca vi um PM nessa cabine, nem para fazer figuração.

Na quarta-feira, nem mesmo nos locais da Lagoa e do Leblon onde recentemente foram registrados assaltos havia policiamento. Na Fonte da Saudade, onde há uma semana a empresária Anna Clara Hermann foi atacada por dois homens armados, moradores se queixaram da falta de segurança.

- Além da falta de policiamento, a iluminação deficiente das ruas também assusta. Eu não saio de casa depois que escurece - disse a artista plástica Regina Lima, de 54 anos.

Para ser novamente ativada, a "cabine fantasma", toda pichada, precisaria no mínimo de uma faxina, porque virou depósito de geladeiras de isopor, provavelmente de ambulantes da área. Numa outra cabine, ainda na avenida, já no acesso à Autoestrada Lagoa-Barra, um policial sozinho e sem carro de apoio varria o módulo novinho em folha.

- Se pelo menos a vassoura voasse, ele poderia socorrer alguém - ironizou a aposentada Anita Silva, de 68 anos. - De manhã cedo e no fim da tarde, é perigoso andar na Lagoa, porque os assaltos são frequentes.

Nas principais vias internas do Leblon e de Ipanema, o policiamento ostensivo está só nas extremidades. Na Avenida Ataulfo de Paiva, por exemplo, uma van da PM fica estacionada logo após a esquina da Rua Dias Ferreira. Mas ontem estava vazia. Só na outra ponta da avenida havia policiamento: um carro com dois PMs. Nem mesmo na Dias Ferreira, onde há registros recentes de assaltos, policiais foram vistos ontem. Maria de Lourdes Ferreira, de 40 anos, mora na rua há dez anos e conta que já foi assaltada três vezes chegando em casa:

- Todas as três vezes, os assaltos foram praticados por menores, sem armas, para roubar celulares. Esses ataques seriam evitados facilmente por um PM circulando a pé.
Em Ipanema, uma cabine no início da Rua Visconde de Pirajá estava ocupada por um policial apenas. Ele contou que nem sempre há PMs no módulo e que muitas vezes eles são deslocados. Moradores disseram que nos domingos é raro ver policiais ali.

A situação só é diferente na orla marítima e da Lagoa, onde o patrulhamento é mais ostensivo. Ontem, nos 7,5km da orla da Lagoa, havia seis PMs fazendo patrulhamento.

Em Copacabana, a situação não é diferente. Enquanto na Avenida Atlântica, entre a Princesa Isabel e a Praça do Lido, era possível ver ontem quatro policiais, na Nossa Senhora de Copacabana não havia qualquer policiamento - nem de carro, nem a pé.

- Quando as UPPs foram inauguradas nas favelas, pensei que estaria mais segura. Depois, percebi que o policiamento no asfalto foi reduzido - lamentou Mônica Barros, de 46 anos, moradora do bairro.

A PM informou em nota que pretende contratar sete mil policiais ainda este ano. E que as carências dos efetivos estão sendo supridas de acordo com a formatura dos policiais. A nota diz ainda que a desativação das cabines é uma decisão de cada batalhão e que o "comando optou por aumentar a presença dos PMs em viaturas e a pé".

O comandante do 23 BPM (Leblon) informou que mantém funcionando todas as seis cabines da área, mas que eventualmente ocorrem remanejamentos. Segundo ele, até agora ocorreram dois roubos de carro este mês na área do 23 BPM, quando, segundo a meta, o limite é nove. Já o total de roubos de rua já chega a 80, quando a meta é 92.
Já a Secretaria de Segurança disse não dispor de pesquisa sobre a sensação de segurança, mas afirmou que ela "está em alta entre os cariocas".

Na Zona Norte, patrulhamento mais ostensivo

Mesmo com a sensação de insegurança ainda em alta, moradores da Tijuca, de Vila Isabel e do Grajaú enfrentam situação bem diferente da encontrada em bairros da Zona Sul. Pelo menos no quesito visibilidade. Os três bairros da Zona Norte, cercados por favelas (Turano, Salgueiro, Formiga, Andaraí, Borel, Macacos e São João) onde foram implantadas UPPs, têm policiamento mais ostensivo. Ontem à tarde, num percurso de 35km, uma equipe do GLOBO contou 37 policiais militares - o que dá mais de um por quilômetro. Eram 27 PMs circulando a pé, além de outros dez fazendo patrulhamento, em duplas, dentro cinco carros estacionados em esquinas da Tijuca.

Em todas as cabines da PM da região, policiais estavam a postos. Entre o Estácio e a Tijuca, nas ruas João Paulo I e Doutor Satamini, num trecho de 1.400 metros, duas cabines estavam devidamente ocupadas. Na Praça Edmundo Rego, no Grajaú, havia policiamento a pé, de quadriciclo e também um veículo da PM.

Nas ruas internas dos três bairros, não havia policiamento a pé, mas vários carros do 6 BPM (Tijuca) circulavam à tarde.

- Desde as UPPs, estamos vendo mais policiais pelas ruas, mas o perigo dos assaltos continua - disse Márcia dos Santos Araújo, que mora na Tijuca.

Para a antropóloga Jacqueline Muniz, professora da Universidade Candido Mendes e da Universidade Católica de Brasília, o resgate pacífico de territórios é fundamental.

Mas, para seguir rumo à pacificação das favelas e garantir o patrulhamento no asfalto, é necessário haver um aumento de efetivo, para suprir um déficit histórico:

- Cerca de 8% do efetivo da PM estão empenhados nas UPPs. É necessário que estejam lá? Sim.


ÚLTIMO RECURSOS

RUBEM PENZ, ESCRITOR E MÚSICO - ZERO HORA 25/08/2011


Per saecula saeculorum, promovemos esforços civilizatórios. Nada contra a natureza – tudo a favor da humanidade. Desde os primeiros dias de vida, busca-se domar o animal e impor o predomínio da razão, o controle sobre os instintos, a polidez. Do polegar opositor, passando pela possessão do fogo, pela invenção da roda, pelo uso do transistor, até desembocar na capacidade do chip (para citar saltos gigantes), todo o ânimo tecnológico foi acompanhado, necessariamente, pela mediação da ética. Mas a fera segue ali, oculta. Quando tudo é em vão, ela é nosso último recurso.

Das teses para a realidade, a notícia saiu em todos os jornais: médica equipa o muro de sua residência com seringas supostamente infectadas com o vírus HIV. Como pode? – pergunta a sociedade, perplexa. Quem esperaria essa atitude dos que pertencem à elite da civilização, com nível escolar superior, condição social elevada, carreira dedicada à ciência em uma de suas faces mais nobres? O que faria a pessoa com tais qualidades agir com tamanha abominação? Pois ela não age – reage. Ela teme. E nem é ela: é a fera.

Toda vítima, quando encurralada pelo predador, tem duas escolhas: morte, ou morte com luta. Na segunda opção, há um fio de esperança. O combate, mesmo desigual, segue os desígnios da incerteza, podendo reservar um desfecho surpreendente. Quem sabe disso não é a razão, especialista em avaliações de risco. É o instinto. É a fera. É o desespero, o descontrole. Ninguém pode simplesmente condenar a vítima quando, inferiorizada, revida de modo extremo. À vida, nos agarramos com unhas e dentes – e facas e revólveres e seringas.

Ao falharem os poderes instituídos pela civilização (governo, justiça, polícia), permitindo que vivamos encurralados por grades, acuados e dominados pelo medo, a fera desperta. A incapacidade de socializar uma minoria – covarde, violenta, brutal – nivela todos por baixo. O Sedex em nossa porta pode ser um assaltante; o funcionário da telefônica, da luz, da água, da farmácia, também. A ordem é: desconfie de quem passa por você na rua, de quem pede as horas, de quem está ao seu lado no banco, de quem conversa com você na internet. Dá-lhe muros e cadeados! Viva na selva: ao menor ruído, corra que é um tigre! Não confie em mais ninguém.

Em pleno século 21 não deveria mais ser assim. Entre os homens, bastaria uma porta fechada indicando o limite, como ocorre quando nos resguardamos dos animais. Aos pares, educação, boas oportunidades, decência, irmandade. Aos poderosos, responsabilidade, limites, compensações (impostos), solidariedade. Aos doentes, tratamento. Aos miseráveis, caridade. Aos aflitos, consolo. Aos criminosos, sanções. Aos honestos, liberdade. Listando assim, parece até fácil. Como explicar, então, a paranoia de uma cidadã jogada às suas próprias feras, o último recurso? A ponta das agulhas é apenas a parte visível do iceberg.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Considero brilhante e oportuno este artigo, analisado a partir da aflição das pessoas diante do cenário de insegurança, de descrédito nas leis, de desconfiança nos poderes instituídos e de impotência do povo em promover as mudanças necessárias para resgatar a liberdade e e garantir a paz social. A fera está solta e os governantes não querem enxergar porque se lixam para opinião pública.

"Ao falharem os poderes instituídos pela civilização (governo, justiça, polícia), permitindo que vivamos encurralados por grades, acuados e dominados pelo medo, a fera desperta."

JUSTICEIROS DOS SINOS

Irmãos e cunhado são indiciados por mortes - LETÍCIA BARBIERI, ZERO HORA 25/08/2011

Quatro homens foram presos por suspeita de executar supostos criminosos. Eles têm trabalho fixo, casa própria, família, não dependem do crime para se sustentar. Se apresentavam como justiceiros. Mas ao supostamente decidir fazer justiça com as próprias mãos, acabaram atrás das grades. Três irmãos e um cunhado foram presos na tarde de terça-feira, no Morro do Paula, em São Leopoldo, por suspeita de matar dois homens e tentar assassinar um terceiro. Além disso, são investigados por outros três crimes (um homicídio e duas tentativas).

Por não tolerar as mortes indiscriminadas cometidas por um e a série de furtos e roubos feitos por outro, teriam decidido matá-los. A primeira vítima foi Luis da Silva Dias, 26 anos, conhecido como Luisinho Matador. Além da suspeita de ameaçar moradores e disputar o tráfico da região, ele era investigado por cinco assassinatos. Tombou em agosto do ano passado.

A segunda vítima foi Paulo Cristiano Comby dos Santos, 22 anos, o Rambinho. Conforme apurou a polícia, o jovem tumultuava o bairro com furtos e roubos. Até arrombar a casa errada: entrou na chácara do pai dos irmãos Leandro Correa da Silva, 21 anos, Marcos Correa da Silva, 22 anos, e Paulo Ricardo Correa da Silva, 30 anos. Segundo a polícia, eles teriam preparado uma tocaia e executado Rambinho a tiros.

Com um dos irmãos foi apreendida uma pistola .380, três carregadores e 47 munições. Na companhia da advogada e em depoimento formal, permaneceram calados. Algemados, foram encaminhados à Penitenciária Estadual do Jacuí, onde ficarão presos preventivamente.

Com fama de valentões, andavam armados e se diziam justiceiros. Familiares de vítimas, testemunhas e moradores do Morro do Paula fizeram queixas à polícia. Presos preventivamente, foram indiciados pelos crimes.

Os justiceiros teriam marcado território no Morro do Paula, uma região conflagrada de São Leopoldo, conhecida como reduto de foragidos e desova de carros roubados. Uma região com variadas rotas de fuga, no limite com Novo Hamburgo, Sapucaia do Sul e Gravataí.

O nome justiceiros teria sido dado pelos próprios suspeitos e surgiu em razão de todos eles trabalharem em empregos lícitos. Dois deles são microempresários e os outros dois trabalham com corte de pedras na mesma empresa.

– Eles são proprietários de caminhões, andavam sempre juntos, eram valentões e aplicavam a lei deles. De maneira alguma a Polícia Civil pode compactuar com isso. A morte não pode ser a solução – afirmou o titular da 3ª DP, delegado Alencar Carraro.


Contraponto

O que diz Omar Dupont, advogado da família - A defesa desconhece o conteúdo dos autos. Meus clientes silenciaram em razão de desconhecermos os detalhes que ensejaram a prisão deles. Por questão de prudência eles silenciaram e em nenhum momento se disseram ou assumiram essa condição de justiceiros. Se alguém está dizendo isso é a polícia. Não vamos entrar em confronto de versões porque isso não alimenta o bom curso do processo, muito pelo contrário. Oportunamente, conhecendo o teor do inquérito, eles se manifestarão.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

BM FRUSTRA ASSALTO A BANCO


Cachoeirinha. Dois homens foram presos com pistolas e documento falso - CORREIO DO POVO, 24/08/2011 12:50

A Brigada Militar impediu que uma agência do Itaú, em Cachoeirinha, fosse assaltada no final da manhã desta quarta-feira. Os policiais militares abordaram e prenderam dois suspeitos no local. Um deles já estava no saguão de autoatendimento e o outro dentro de um Fiat Siena. Houve a apreensão de três pistolas e dois celulares, um documento falso e um extrato bancário de uma conta com saldo de R$ 140 mil. Não está descartado que outras pessoas estivessem envolvidas e fugiram ao avistarem a aproximação das viaturas do 26º Batalhão de Polícia Militar (BPM), que foram alertadas sobre a presença do carro na frente do banco.

A ocorrência foi encaminhada à Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) na RS 030, em Gravataí. A Delegacia de Repressão a Roubos a Bancos, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), de Porto Alegre, enviou uma equipe para apurar o caso e descobrir quem são os detidos e quais os antecedentes criminais. A suspeita inicial é de que os detidos sejam os mesmos envolvidos em dois recentes ataques a bancos em Porto Alegre.

No dia 9 deste mês, ocorreu uma tentativa de assalto contra a agência do Banrisul no Estádio Beira-Rio. Na ocasião, a quadrilha foi até a agência antes da abertura do expediente ao público. Os bandidos, com pistolas, renderam o vigilante, que teve de entregar o revólver calibre 38, além de uma faxineira. Ao chegar para o trabalho, o gerente também foi rendido, mas conseguiu fugir em direção aos seguranças do clube.

Já no dia 17, ocorreu o roubo da agência do Santander na avenida Assis Brasil, no bairro Cristo Redentor. O gerente rendido quando chegava ao trabalho. Os demais funcionários foram imobilizados e colocados em uma sala. Os assaltantes fizeram uma limpa no cofre e em quatro caixas eletrônicos. Na fuga, os bandidos teriam embarcado em um Fiat Uno.

ACUADOS PELO TRÁFICO


Moradores e comerciantes dão comida para viciados em troca de segurança - Saulo Araújo e Antônio Machado - CORREIO BRAZILIENSE, 24/08/2011 07:36

A paz de moradores e comerciantes vizinhos às cracolândias não depende somente da atuação das forças de segurança. Acuados, eles passaram a fazer uma espécie de acordo com traficantes e viciados para trabalhar e transitar imunes à perseguição. Dinheiro, comida e até objetos de valor são usados para “comprar” a tranquilidade. É a sociedade, mais uma vez, pagando pela ineficiência do poder público. Em regiões dominadas pelo crack, a situação é dramática. Na quinta e última reportagem da série “A droga que consome Brasília”, o Correio mostra as estratégias da população para driblar a insegurança provocada pela livre circulação de entorpecentes.

Dona de um quiosque na QNN 19, em Ceilândia Norte, Izabel Vilarinho, 65 anos, teve o estabelecimento arrombado 12 vezes nos últimos nove anos. O comércio fica próximo a uma obra abandonada batizada pela comunidade de Castelo de Grayskull — uma referência ao desenho animado He-Man—, conhecido como reduto da criminalidade, como o Correio mostrou em diversas reportagens no segundo semestre de 2010 e este ano. Cansada dos prejuízos recorrentes, ela não só comprou muitos cadeados para fechar o quiosque como passou a distribuir comida aos viciados. “Da última vez que me furtaram, levaram até minhas panelas. No dia seguinte, eu vi um desses garotos drogado com uma delas. A única arma que tenho é oferecer comida para ver se eles ficam menos agressivos”, contou Izabel.

Na quadra ao lado, o proprietário de uma mercearia é outro que adotou a prática da esmola para se ver livre da ameaça de crianças e jovens sob efeito de crack. “Já dei carne, biscoito, chocolate, cigarro e até dinheiro. Vira e mexe, dou R$ 1 ou R$ 2. Ou você faz esse tipo de coisa ou tem de enfrentar a ira deles”, comentou Ailton Araújo Barreto, 44 anos. No centro de Taguatinga, mais precisamente na C-9, o gerente de um restaurante conta já ter perdido mais da metade de sua clientela depois que a rua passou a ser dominada pelo tráfico e pela prostituição. “São dezenas de meninas e meninos drogados, que ficam intimidando os clientes. Muitos pararam de frequentar por se sentirem coagidos. Já baixei o quilo do prato. Quando eles chegam, dou um pouco de comida e peço para ficarem longe. Infelizmente, não vejo outra forma de proteger meu negócio”, lamenta.

Na Rodoviária do Plano Piloto, usuários do transporte público também se incomodam com a abordagem sistemática de um grupo de viciados em crack que passa os dias acendendo pedras no canteiro em frente aos terminais de ônibus. O estudante Fábio Resende Matos, 18 anos, deu o troco que recebeu na compra de um pastel a um adolescente maltrapilho. “Dou logo dinheiro para eles, apesar de saber que vão comprar droga”, disse.

Problema coletivo

Para Maria Fátima Olivier Sudbrack, professora de psicologia da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora do Programa de Estudos e Atenção às Dependências Químicas, o medo faz com que as pessoas reajam individualmente, sem organização. Segundo ela, a esmola continua a fomentar o vício.

A professora também avalia que são necessárias atitudes conjuntas do governo e da comunidade para uma integração no tratamento de usuários de droga. “Não é adequado dar dinheiro e comida como se fossem mendigos. Pensar só no umbigo também não é o caso. A sociedade clama por segurança, mas isso não está ligado só ao controle repressor e jurídico e, sim, à saúde e à educação. A comunidade também precisa se organizar”, ressalta.

O professor do Núcleo de Segurança Pública da Fundação Universa George Felipe Dantas avalia que o problema é coletivo. “Os órgãos de segurança pública não conseguem erradicar, sozinhos, o narcotráfico e o consumo de crack em verdadeiras áreas tomadas”, reforça.

Aumento

As estatísticas apontam evolução nas apreensões de crack no DF. No primeiro semestre deste ano, foram recolhidos 35kg da substância ilícita, contra 16kg no mesmo período de 2010, um aumento de 118%. O número de traficantes presos também cresceu. De janeiro a junho, 1,7 mil pessoas foram parar na cadeia acusadas de vender entorpecentes. O de usuários levados às delegacias também cresceu. Passou de 1.739 para 2.296.

O que diz a lei

Consumir ou comercializar drogas no Brasil é crime. Porém, a Lei nº11.343, que está em vigor desde 23 de agosto de 2006, prevê punições distintas a usuários e traficantes. Aos primeiros, a lei estabelece três tipos de pena: advertência sobre os efeitos das drogas, prestação de serviços à comunidade (que varia de cinco a 10 meses) e medida educativa de comparecimento a programas ou cursos educativos. Já a quem produz ou comercializa drogas, a legislação atribui pena de cinco a 15 anos de reclusão e pagamento de multa que pode chegar a R$ 1,5 mil. Cabe ao juiz responsável pelo caso definir se a finalidade da droga apreendida é para consumo pessoal ou comercialização. Essa avaliação do magistrados depende de inúmeros fatores, como a natureza e a quantidade da substância e os antecedentes do suposto criminoso.

MOCINHOS, INSEGURANÇA E SUFOCO

WANDERLEY SOARES, REDE PAMPA, O SUL, Mocinhos alegres
Porto Alegre, Quarta-feira, 24 de Agosto de 2011.


Velhinhos dos bingos são mais visados pelos organismos da segurança, incluso o Ministério Público, do que os vândalos do som e das pichações

MULHER É MORTA APÓS RECLAMAR DO SOM DE UM CARRO

A polícia de Sapucaia do Sul investiga o caso de uma mulher morta a pedradas após reclamar do volume do som de um carro. O marido e o filho de Rosana de Almeida Freitas, de 42 anos, devem prestar depoimento. Ela foi morta ontem em frente de sua casa no bairro Capão da Cruz. Antes de Rosana ser morta com pedradas o seu marido também foi agredido. A polícia tem a identificação do suspeito das agressões. Esse episódio, possivelmente, poderá levar as autoridades da segurança pública a atentar com mais seriedade em torno dos crimes praticados por vândalos que agridem a sociedade com caixas de som infernais que, por ora, estão, praticamente, liberadas durante o dia e, principalmente, à noite. Nas praias, bem antes do verão, esse tipo de banditismo é simplesmente liberado e no pico do período de veraneio é modestamente reprimido. Enquanto os bingos dos velhinhos são combatidos a ferro e fogo, os bandidos do som e os pichadores são tratados como mocinhos alegres

Manos

Um adolescente de 16 anos foi flagrado com uma caneta-revólver numa escola de Uruguaiana. A arma estava sem munição. O jovem foi abordado ontem pela Brigada Militar ao ser confundido com um de seus irmãos que é foragido da Justiça

Banco

Bandidos levaram dinheiro de dois caixas eletrônicos da agência do Banco do Brasil localizada na avenida Otaviano Costa, no centro de Guaíba. Durante a madrugada, os criminosos arrombaram a agência e abriram os equipamentos com um maçarico. A polícia foi avisada do furto no inicio da manhã.

Tráfico

Dois homens foram baleados, durante a madrugada de ontem, num enfrentamento ocorrido no bairro São Francisco, em Guaíba. Segundo a Brigada Militar, Paulo Roberto da Silva disparou contra as vítimas a mando de traficantes de drogas

O tempo e o vento

É por vezes difícil de aceitar ou de entender que as pessoas são como são independente da idade que tenham. Na noite de segunda-feira última a polícia de Goiânia prendeu uma mulher de 83 anos de idade que traficava crack na região noroeste de Goiânia. A velha senhora tinha como cúmplice um de seus filhos, um rapaz de 35 anos. Nada de extraordinário. A droga é uma mercadoria que está no mercado, amplamente divulgada pela mídia, que é consumida e comercializada por pessoas de todas as idades e de todas as classes sociais

Sufoco

Na primeira semana de setembro, para confirmar que este inverno marcará sua passagem como um dos mais terríveis dos últimos anos, o Palácio Piratini sofrerá o cerco das entidades representativas dos profissionais da Brigada Militar. A força mais numerosa compreende sargentos, subtenentes, cabos e soldados. As promessas da campanha de Tarso Genro serão cobradas com uma série de manifestações públicas.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

ASSALTO - POLÍCIA DESCARTA PARTICIPAÇÃO DO MÉDICO DO EB.


Polícia descarta participação de médico em assalto a juiz na Capital. Rodrigo Fialho Viana foi preso por uma patrulha da Brigada Militar por estar sem documentos - ZERO HORA ONLINE, 23/08/2011 | 17h58min

A polícia descartou de forma definitiva a participação do médico aspirante a oficial do Exército no assalto a um juiz na noite de quinta-feira na Capital. O militar Rodrigo Fialho Viana, 32 anos, foi detido pouco depois da ação de dois criminosos contra o magistrado Rinez da Trindade na Rua Cabral, bairro Rio Branco. Viana fora apontado por Trindade como um dos envolvidos.

Conforme o delegado Abílio Pereira, da 10ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, o depoimento de uma testemunha na manhã desta terça-feira foi fundamental para afastar a hipótese de participação do médico no crime. O homem teria cruzado pelos dois verdadeiros assaltantes durante a fuga.

— Ele viu bem os infratores depois do assalto. Depois, ele viu os dois detidos dentro da viatura e chegou a dizer aos policiais que não eram eles, mas não levaram em consideração — explica o delegado Abílio.

Somado ao depoimento da testemunha está o registro de uma ligação entre o militar e o amigo no horário do assalto, o que tiraria o médico da cena do crime, segundo o delegado.

— Agora vamos investigar quem é que assaltou o juiz mesmo — finalizou, sem confirmar se já há suspeitos da ação.

O crime:

Na noite de quinta-feira, dia 18 de agosto, o juiz Rinez da Trindade foi assaltado por dois homens quando chegava de carro na casa de um amigo, na Rua Cabral, perto da Miguel Toestes, no bairro Rio Branco, em Porto Alegre. O médico aspirante a oficial do Exército Rodrigo Fialho Viana foi detido por suspeita de envolvimento, mas alegou ter sido vítima de uma confusão.

Ao perceber a movimentação, um amigo do juiz teria quebrado uma porta na residência na tentativa de confrontar os criminosos. O barulho teria assustado os assaltantes, que fugiram levando a arma, a chave do carro e os documentos do juiz. Nenhum dos bens da vítima foi encontrado com os detidos.

O médico foi apontado pelo juiz Rinez da Trindade como um dos dois assaltantes que o abordaram quando chegava à casa de um amigo. Ao ser preso, o médico disse quem era. Mas ninguém acreditou e o militar não carregava os documentos para provar. Foi detido em flagrante depois de ser reconhecido pelo juiz como autor do crime. Levado para o 3º Batalhão de Polícia do Exército, foi libertado no final da tarde de sexta-feira.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - QUE BÁRBARIDADE! Como foi possível tamanho erro? No mínimo poderiam chamar a Polícia do Exército na hora da prisão do aspirante para acompanhar o reconhecimento. Aliás este também tem formalidades que devem ser cumpridas. Foi um erro geral que causou constrangimento e sofrimento para um inocente acusado de um crime que não cometeu e para seus familiares e amigos.

DEPUTADO ESTADUAL DE SP É ALVO DA BANDIDAGEM

Grupo armado invade e assalta casa de deputado em SP.Bandidos permaneceram no imóvel por aproximadamente 40 minutos - AGENCIA ESTADO, CORREIO DO POVO, 23/08/2011 13:38

Três homens armados com metralhadoras e pistolas invadiram a residência do deputado estadual Antonio Salim Curiati (PP) no bairro Cidade Jardim, na zona sul de São Paulo, na manhã desta terça.

Os criminosos renderam uma empregada doméstica no momento em que ela saiu da casa para jogar o lixo fora. O trio entrou no imóvel, por volta das 8h50min, e rendeu o deputado e a mulher dele. Segundo a Polícia Militar, as vítimas foram agredidas com tapas.

Os bandidos permaneceram no imóvel por aproximadamente 40 minutos e levaram joias, celulares, relógios e dinheiro. Os assaltantes fugiram em um Tucson, onde o quatro assaltante estava. Até as 11h30min, nenhum suspeito havia sido identificado. O caso será registrado no 34º Distrito Policial, na Vila Sônia. Ninguém ficou ferido.

CENAS DE GUERRA NO BALNEÁRIO CAMBURIÚ/SC

Três assaltantes mortos e três policiais feridos. Tiroteio, às margens da BR-101, foi logo após assalto à casa de um empresário em Balneário Camboriú - DAGMARA SPAUTZ | BALNEÁRIO CAMBORIÚ, DIÁRIO CATARINENSE, 23/08/2011

Os momentos de terror que viveu ao lado de um assaltante ficarão na memória do comerciante Gilmar Lins Caldas, 53 anos. Ele dirigia no Centro de Balneário Camboriú quando presenciou uma troca de tiros entre bandidos e polícia.

Os criminosos, armados com pistolas, haviam assaltado uma casa momentos antes, e tentavam fugir. Caldas foi rendido e se transformou em mais uma vítima do crime que terminou com três bandidos mortos e três PMs feridos, ontem de manhã. Quem viu, disse que a ação parecia cena de guerra.

Para fazer Caldas parar, o assaltante, baleado na cabeça, atirou contra a porta do SpaceFox do comerciante. Rendido, Caldas dirigiu por alguns metros e atravessou o túnel sob a BR-101 que dá acesso ao Bairro Monte Alegre, em Camboriú, até perceber que o bandido havia desmaiado.

– Quando vi que ele não se mexia, parei o carro. Pensei em tudo, até que fosse morrer. Tive medo que a polícia me confundisse com os assaltantes.

O homem que o rendeu morreu minutos depois, dentro do carro estacionado. Perto dali, outros dois bandidos ainda trocavam tiros com a PM. Sem sucesso, eles tentaram render o motorista de uma caminhonete. Segundo testemunhas, ao perceber que estava cercado, um dos assaltantes teria erguido as mãos em sinal de rendição, o que não é confirmado pela PM. O outro assaltante se escondeu atrás do carro e continuou atirando.

Em poucos minutos, a avenida havia se tornado zona de guerra.

– Eu ouvi pelo menos 30 tiros – disse um rapaz que estava no local.

Os dois assaltantes acabaram baleados pela polícia. Um morreu no local e o outro, no hospital, no final da tarde. Até o fechamento desta edição, eles não haviam sido identificados.

Três soldados da PM também acabaram baleados. Rodrigo Eupídio Cardoso, da radiopatrulha, foi ferido na coxa; Gerson José Schroeder e Antônio Carlos Batista, ambos do Pelotão de Policiamento Tático (PPT), foram feridos nos joelhos. Até o final da tarde, apenas Batista continuava internado, mas passava bem.


Família refém por duas horas

Quando foram localizados pela polícia, os três assaltantes que trocaram tiros com a Polícia Militar fugiam de uma casa na Rua Tailândia, no Bairro das Nações, em Balneário Camboriú. Eles haviam mantido refém, por duas horas, a família de um comerciante, dono de uma rede de joalherias.

O imóvel foi invadido ainda de madrugada. Os assaltantes arrombaram a porta da garagem e ficaram ali, escondidos, até que a filha do dono da casa e o marido saíam para trabalhar.

Cinco pessoas ficaram em poder dos bandidos e foram obrigadas a entregar dinheiro, joias e eletrônicos. Na fuga, os assaltantes levaram o carro de uma das vítimas, um Jetta, com o qual foram interceptados pouco tempo depois.

Segundo a polícia, a abordagem foi possível porque, no momento em que passavam pela Avenida das Flores, um caminhão cruzou na frente dos bandidos. Segundo testemunhas, os assaltantes teriam iniciado a troca de tiros.

Pistolas de uso exclusivo das forças armadas

Com os criminosos, foram apreendidas três pistolas, duas de calibre 380 e uma nove milímetros. Todas são uso exclusivo das Forças Armadas. A numeração das armas estava raspada, segundo a polícia.

De acordo com a delegada Luana Backes, da Divisão de Investigações Criminais (DIC), os primeiros levantamentos indicam que a quadrilha seria do Rio Grande do Sul.

A polícia trabalha com a possibilidade de mais dois criminosos terem participado do assalto. Mas eles não haviam sido localizados nem identificados até o fechamento desta edição.

“Em casa é mais assustador”. Empresário assaltado

Comerciante de joias há 18 anos, o dono da casa invadida já havia sofrido assalto em suas lojas. Pela primeira vez, bandidos entraram na casa dele.

Diário Catarinense – Como os bandidos entraram na sua casa?

Comerciante – Acredito que foi por volta de 1h30min da manhã, quando minha neta ouviu um barulho – eram eles estourando a porta da garagem. Ela chegou a acordar a mãe, mas as duas voltaram a dormir. Os assaltantes ficaram ali esperando até a hora em que minha filha e meu genro saíam para trabalhar. Renderam os dois e entraram em casa.

DC – Eram quantos assaltantes?

Comerciante – Eram três, mas eles ficavam falando com outras pessoas por telefone. Nos fizeram sentar no sofá, amarraram nossas mãos e um ficava com a arma apontada para nós. Eles acordaram minhas netas, uma de seis e outra de 18 anos. Queriam dinheiro. Eu disse que não tinha, mas eles reviraram toda a casa.

DC – Eles chegaram a pensar em levar um de vocês como refém?

Comerciante - Sim. Queriam levar um de nós até uma das joalherias para poderem entrar. Eu falei que tinha seguranças lá, e que eles poderiam morrer se fizessem isso. Creio que foi por isso que eles desistiram de levar um de nós. Chegaram a levar o meu genro, amordaçado, até o meu carro. Eles o deixaram lá amarrado e fugiram com o carro.

DC – O senhor já tinha sido assaltado antes?

Comerciante – Minhas lojas já haviam sido assaltadas várias vezes, mas, em casa, onde estão nossos filhos, é mais assustador.




CRIMINALIDADE À SOLTA

EDITORIAL ZERO HORA 23/08/2011

A sociedade gaúcha tem acompanhado com expectativa a intensificação do combate à criminalidade, particularmente a quadrilhas organizadas e ao tráfico de drogas no Estado. Ainda assim, sente-se cada vez mais desprotegida diante do visível aumento de algumas ações criminosas, especialmente o roubo de veículos, muitos dos quais com sequestro relâmpago do condutor. Por mais que possam estar sendo tomadas medidas preventivas e de forma continuada, a população só pode atribuir fatos como esses à total falta de segurança nas ruas e em locais públicos, o que demanda uma resposta adequada por parte do governo estadual.

Em julho, as estatísticas oficiais, divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública, apontaram um aumento de 22,3% no número de roubos de veículos no Estado, em comparação com igual mês do ano passado. A elevação, totalmente atípica, foi atribuída à possível rearticulação de uma quadrilha cujos líderes haviam sido presos em junho. Sejam quais forem as causas, as quais precisam ser atacadas de imediato, o certo é que a sociedade continua sentindo no cotidiano a realidade exposta nos números referentes ao mês anterior. E sobram razões para temores.

Só em Porto Alegre, dois casos recentes demonstram o quanto os gaúchos se encontram expostos ao domínio dos criminosos. Um deles é o da fotógrafa assassinada na última sexta-feira por ladrões de carro ao sair de uma agência bancária. O outro é o assalto a fiéis e ao padre de uma igreja, alguns dos quais foram agredidos fisicamente e tiveram seus veículos roubados.

O pior dos mundos para a sociedade, no caso de segurança pública, é quando os assaltantes percebem que têm ampla liberdade para agir, pois não há o menor risco de serem pegos. A população gaúcha, que não tem como se defender por si própria, confia em que os organismos estaduais de segurança possam dar uma resposta imediata e eficaz a essas questões, para que volte a se sentir protegida.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Discordo da conclusão do Editorial "Criminalidade a Solta"(ZH 23/08) de que a defesa da população gaúcha depende da rapidez e eficácia das polícias como organizações de segurança. Num Estado democrático, as polícias sozinhas jamais conseguirão garantir a tão desejada paz social. Ocorre que a polícia é uma ferramenta inicial nos processos legais de preservação da ordem pública, da vida e do patrimônio das pessoas. E elas estão se esforçando apreendendo grande quantidade de armas e drogas e superlotando os presídios. O problema está na falta de continuidade, na burocracia e na morosidade na justiça, e na falência da execução penal que violenta o apenado, estimula a impunidade, incentiva o descaso e produz benevolências que aterrorizam ainda mais a população amedrontada e impotente.

A propósito: Os editores de Zero Hora deveriam lembrar do conceito de segurança pública já publicado em ZH e inserido no Blog da Insegurança (http://blogdainseguranca.blogspot.com), bem como lembrar do conceito dado pelo Delegado Beltrame, valoroso Secretario de Segurança do Rio.

“Segurança pública é polícia, é o Ministério Público, é o Tribunal de Justiça, é o sistema penitenciário, é o Legislativo e o Executivo que sancionam essas leis. Então, a polícia faz a primeira parte e prende. E, se nesse sistema todo, um elo dessa cadeia se dissolve, o problema volta pra polícia novamente, assim como estamos vivendo o problema de hoje."José Mariano Beltrame, Sec Seg Rio.