SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

SEGURANÇA JÁ!

DORVALINO FURTADO FILHO, MÉDICO VETERINÁRIO, DIÁRIO CATARINENSE, 31/10/2011


Em toda a Beira-Mar Norte e Sul, em Florianópolis, não há policiamento ostensivo. Em todos os locais comerciais e residenciais da Capital catarinense não há ronda constante de policiais para proteger.

A Rua Bocaiúva, esburacada, sendo estratégica comercial e residencial, já entra para a lista de ocorrência de mais assaltos. Não se vê ali sequer, todos os dias, uma rádio patrulha.

Caminhões de todos os portes trafegam livremente a qualquer hora na Avenida Beira-Mar Norte, e raramente a Guarda Municipal está patrulhando o local. Lei Seca nem pensar. Nunca se viu uma blitz exemplar punindo colarinho branco e sujo.

As mortes aumentam, impunidade cresce assustadoramente. Bandidos e criminosos sanguinários, principalmente menores, subestimam e ofendem a “instituição delegacia”. Em qualquer lugar, agora, de Florianópolis, os bandidos podem cometer roubos e crimes, pois sabem da carência de policiamento de ronda diário.

Polícia Militar e Polícia Civil, valorosos, mas precisam ser tratados como heróis. Já somos reféns do medo e já há, logo, a ameaça de um definitivo apagão social. Cresce o terremoto moral que está destruindo a dignidade humana.

A ingratidão, a violência e o parasitismo estão desestruturando famílias inteiras.

Onde está a União Nacional dos Estudantes (UNE), a Justiça? Como a sociedade anestesiada vai se organizar para combater a impunidade que a torna refém do medo e da insegurança? O que faz a oposição política deste país?

Trabalhamos cinco meses e 29 dias só para pagar impostos e não temos melhoria da saúde, da segurança, de estradas, de nada? Por tudo, a política brasileira está se tornando mesquinha, estreita e pessoal.

Deus salve as exceções.

QUADRILHA É PRESA COM EXPLOSIVOS

ROUBO A CAIXAS ELETRÔNICOS. As cinco pessoas são suspeitas de fornecer dinamite para outros grupos que fizeram 13 ataques nos últimos três meses - GABRIELA ROVAI, DIÁRIO CATARINENSE, 31/10/2011

Parte da quadrilha que abastecia com explosivos assaltantes de caixas eletrônicos em Santa Catarina foi presa na madrugada de ontem, em São Bento do Sul, Norte de SC. A prisão envolveu policiais militares e civis que formaram uma força-tarefa da Secretaria de Segurança Pública (SSP), batizada de Operação Rastro.

Nove quilos de dinamite foram apreendidos com a quadrilha, o suficiente para explodir 20 caixas eletrônicos. Só na revenda dessa carga, o bando lucraria R$ 8 mil. O explosivo é controlado pelo Exército.

O grupo comprava e revendia dinamite para outras duas quadrilhas que usam armamento pesado, restrito das polícias e das Forças Armadas. Estes dois grupos clientes da quadrilha presa ontem seriam os responsáveis pelos 13 ataques a caixas eletrônicos registrados no Estado e que roubaram mais de R$ 1 milhão dos caixas.

Os ataques foram entre agosto e o último dia 13 de outubro, quando o caixa do Bradesco foi dinamitado em Itapema, Litoral Norte. Eles são de Santa Catarina e do Paraná e ainda não foram presos.

Cinco pessoas foram presas na Operação Francisco Franco, o Chiquito, 31 anos, e Anésio Pereira Machado, 53 anos, são de São Bento. Diogo Sagaz, o Doido, 22 anos, Geovane da Silva, 22 anos, e Ariane Zin da Silva, 23 anos, são de Itajaí. Todos serão indiciados por formação de quadrilha e posse de material explosivo.

De acordo com o cordenador operacional da Força Tarefa, delegado Daniel Régis, Chiquito é uma peça importante da quadrilha, mas não é o grande articulador. O “cabeça” do grupo mora na região Norte de SC e tem origem nos caixeiros de Joinville. Pelo menos 15 pessoas da quadrilha parcialmente desarticulada ainda estão em liberdade, mas já foram identificadas.

A quadrilha presa comprava dinamite em várias partes do país, inclusive em SC. Eles conseguiam os explosivos de funcionários de pedreiras, assaltantes que interceptavam caminhões de transporte de explosivos e de gente que comercializa com autorização do Exército e desvia parte da carga, como por exemplo, pedreiras e empresas detonadoras de rocha.

A dinamite apreendida com a quadrilha será periciado hoje. O Exército tem como saber a origem dos explosivos porque cada banana tem um número de registro.

LADRÃO É MORTO EM ASSALTO

Ladrão é morto em assalto a restaurante no bairro Jardim Atlântido, em Florianópolis. Clientes jantavam no Boka's quando os bandidos entraram e anunciaram o assalto. Mônica Foltran - DIÁRIO CATARINENSE E CBN DIÁRIO, 31/10/2011 | 00h59min

Um tiroteio dentro do restaurante Boka's, no Jardim Atlântico, em Florianópolis, acabou em morte e deixou um policial ferido, no final da noite deste domingo, em Florianópolis. Clientes ainda jantavam no local quando os assaltantes chegaram em um carro prata e armados, com revólveres calibre 38, anunciaram o assalto.

Dois policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) estavam com as famílias no local. Quando perceberam a ação, eles tentaram conter os bandidos.

— Eu estava com a cabeça baixa, fechando o caixa, quando um deles se aproximou e colocou a arma na minha cabeça — conta a atendente de caixa, Angela Aparecida Seguetto Grande, 30 anos.

A funcionária lembra que levantou as mãos, liberou o caixa e continuou na mira dos assaltantes, enquanto um segundo começou a recolher o dinheiro.

— De repente começou a troca de tiros e, por alguns instantes fiquei parada em pé, até que me joguei no chão. Foi horrível — conta Angela.

O gerente do restaurante, Leandro Seguetto, conta que em 11 anos trabalhando no local, já havia presenciado outros assaltos, mas não com tamanha violência. Na troca de tiros, um dos policiais ficou ferido.

O assaltante que estava com a arma na cabeça da funcionária foi baleado e morreu, outro de 16 anos foi capturado e levado para a 6ª Delegacia de Polícia da Capital. A Polícia Militar acredita que quatro rapazes participavam do assalto e faz buscas na região.

Os policiais que estavam no restaurante eram irmãos e jantavam com familiares. O sargento ferido no rosto, abaixo do maxilar, foi levado para o Hospital Regional, em São José e passa por cuidados médicos.


Policial baleado no tiroteio em restaurante no Jardim Atlântico, em Florianópolis, também foi atingido no peito - DIÁRIO CATARINENSE E CBN DIÁRIO, 31/10/2011 | 09h56min

O policial militar baleado em assalto a restaurante no bairro Jardim Atlântico, em Florianópolis, na noite de domingo, foi ferido duas vezes. As primeiras informações apontavam que apenas um tiro acertou o policial.

Na hospital, constatou-se que um segundo disparo acertou o peito do homem. A bala atravessou a região do tórax, mas sem danos ao pulmão, informou a Polícia Militar (PM). Um tiro também atingiu o maxilar do sargento do Batalhão de Operação Especiais (Bope) da PM. O policial está internado no Hospital Regional, e o quadro de saúde é estável.

O tiroteio aconteceu no fim da noite no restaurante Boka's. Dois bandidos armados entraram no local para cometer um assalto. O sargento jantava no local na companhia de familiares, entre eles um irmão, também policial militar. Quando perceberam a ação, os dois tentaram conter os bandidos.

Houve troca de tiros no estabelecimento. Um dos assaltantes foi baleado e morreu. O outro, de 16 anos, acabou capturado e levado para a 6ª Delegacia de Polícia da Capital. A PM acredita que mais dois rapazes teriam participado do assalto e ficaram esperando na rua em um carro.

AMEAÇA DE MORTE - DEPUTADO DO RIO VAI DEIXAR O BRASIL

Deputado fluminense vai deixar o país por causa de ameaças de morte - Agência Brasil - CORREIO BRAZILIENSE, 31/10/2011 09:41


O deputado estadual fluminense Marcelo Freixo (PSOL) deixará o país, depois de receber ameaças de morte de integrantes de milícias. Freixo presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias, da Assembleia Legislativa do Rio, que investigou a atuação de grupos criminosos integrados por políticos, policiais e ex-policiais em comunidades do estado.

Segundo Freixo, ele resolveu aceitar um convite da organização não governamental Anistia Internacional para morar na Europa por algum tempo. O parlamentar já vem sofrendo ameaças de morte desde a época da CPI, em 2008, mas, nos últimos meses, elas se intensificaram.

Apenas no último mês, segundo Freixo, ele recebeu sete ameaças de morte. “As ameaças estão se tornando mais fortes e há um retorno muito pequeno da Secretaria de Segurança. Ou seja, se estão ou não investigando. Tenho uma segurança, mas tem sido necessária a ampliação dela. Então, estou esperando algumas medidas”, disse.

O deputado não informou quanto tempo ficará na Europa, mas garantiu retorno ao Brasil. “Não posso dizer [nem] o tempo nem o local [onde ficarei], mas é um tempo muito curto”, disse.

Segundo Freixo, as ameaças não devem ser encaradas como um problema pessoal, mas sim como de toda a sociedade. Ele lembrou do assassinato da juíza Patrícia Acioli, morta por policiais militares integrantes de milícias que atuam no Grande Rio, em agosto deste ano.

“Esse é um problema de todo o Rio de Janeiro. Aliás, é um problema nacional. Até que ponto nossas autoridades vão continuar empurrando com a barriga. Ou a gente enfrenta e faz agora esse dever de casa contra as milícias ou, como mataram uma juíza, vão matar um deputado, promotores, jornalistas. E, se esses grupos criminosos são capazes de matar uma juíza e ameaçar um deputado, o que eles não fazem com a população que vive na área em que eles dominam”, disse.

Segundo Freixo, apesar das dezenas de prisões feitas depois da CPI das Milícias, esses grupos criminosos estão cada vez mais fortes e dominam várias comunidades do estado, onde extorquem dinheiro de moradores e de comerciantes e controlam atividades como transporte alternativo, venda de gás e de ligações clandestinas de TV a cabo.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - E ninguém vai reagir? Onde estão seus colegas de parlamento? Onde está o Poder Judiciário? Será que vai ocorrer o mesmo que aquele ex-secretario de segurança que também teve de fugir do Brasil? Seguindo o exemplo destas autoridades que fogem diante da bandidagem, pergunto: Onde se exilarão os 180 milhões de brasileiros ameaçados pelo terror da bandidagem que vem agindo num país sem justiça, sem ordem, sem leis rigorosas, sem polícias fortes, sem autoridade, sem governo, sem parlamento, sem...

JUVENTUDE SEQUESTRADA

Carlos Alberto Di Franco, doutor em Comunicação, é professor de Ética e diretor do Master em Jornalismo. E-mail: difranco@iics.org.br - O Estado de S.Paulo, 31/10/2011


O crescimento dos casos de aids, o aumento da violência e a escalada das drogas castigam a juventude na velha Europa. A crise econômica, dramática e visível a olho nu, exacerba o clima de desesperança. Para muitos jovens os anos da adolescência serão os mais perigosos da vida deles.

Desemprego, gravidez precoce, aborto, doenças sexualmente transmissíveis, aids e drogas compõem a trágica equação que ameaça destruir o sonho juvenil e escancarar as portas para uma explosão de violência. A juventude não foi preparada para a adversidade. E a delinquência é, frequentemente, a manifestação visível da frustração.

A situação é reflexo de uma cachoeira de equívocos e de uma montanha de omissões. O novo perfil da delinquência é o resultado acabado da crise da família, da educação permissiva e do bombardeio de setores do mundo do entretenimento que se empenham em apagar qualquer vestígio de valores.

Tudo isso, obviamente, agravado e exacerbado pela crise econômica e pela ausência de expectativas.

Os pais da geração transgressora têm grande parte da culpa. Choram os desvios que cresceram no terreno fertilizado pela omissão. O delito não é apenas reflexo da falência da autoridade familiar. É, muitas vezes, um grito de revolta e carência. A pobreza material agride o corpo, mas a falta de amor castiga a alma. Os adolescentes necessitam de pais morais, e não de pais materiais.

Reféns da cultura da autorrealização, alguns pais não suportam ser incomodados pelas necessidades dos filhos. O vazio afetivo - imaginam, na insanidade do seu egoísmo - pode ser preenchido com carros, boas mesadas e um celular para casos de emergência. Acuados pela desenvoltura antissocial dos seus filhos, recorrem ao salva-vidas da psicoterapia. E é aí que a coisa pode complicar. Como dizia Otto Lara Rezende, com ironia e certa dose de injusta generalização, "a psicanálise é a maneira mais rápida e objetiva de ensinar a odiar o pai, a mãe e os melhores amigos". Na verdade, a demissão do exercício da paternidade está na raiz do problema.

Se a crescente falange de adolescentes criminosos deixa algo claro, é o fato de que cada vez mais pais não conhecem os próprios filhos. Não é difícil imaginar em que ambiente afetivo se desenvolvem os integrantes das gangues juvenis. As análises dos especialistas em políticas públicas esgrimem inúmeros argumentos politicamente corretos. Fala-se de tudo, menos da crise da família. Mas o nó está aí. Se não tivermos a firmeza de desatá-lo, assistiremos, acovardados e paralisados, a uma espiral de violência sem precedentes. É uma questão de tempo. Infelizmente.

Certas teorias no campo da educação, cultivadas em escolas que fizeram uma opção preferencial pela permissividade, também estão apresentando um amargo resultado. Uma legião de desajustados, que cresceu à sombra do dogma da educação não traumatizante, está mostrando a sua face criminosa.

Ao traçar o perfil de alguns desvios da sociedade norte-americana, o sociólogo Christopher Lasch - autor do livro A Rebelião das Elites - sublinha as dramáticas consequências que estão ocultas sob a aparência da tolerância: "Gastamos a maior parte da nossa energia no combate à vergonha e à culpa, pretendendo que as pessoas se sentissem bem consigo mesmas".

O saldo é uma geração desorientada e vazia. A despersonalização da culpa e a certeza da impunidade têm gerado uma onda de superpredadores.

O inchaço do ego e o emagrecimento da solidariedade estão na origem de inúmeras patologias. A forja do caráter, compatível com o clima de verdadeira liberdade, começa a ganhar contornos de solução válida. Pena que tenhamos de pagar um preço tão alto para redescobrir o óbvio.

O pragmatismo e a irresponsabilidade de alguns setores do mundo do entretenimento estão na outra ponta do problema. A era do mundo do espetáculo, rigorosamente medida pelas oscilações do Ibope, tem na violência uma de suas alavancas. A transgressão passou a ser a diversão mais rotineira de todas. A valorização do sucesso sem limites éticos, a apresentação de desvios comportamentais num clima de normalidade e a consagração da impunidade têm colaborado para o aparecimento de mauricinhos do crime. Apoiados numa manipulação do conceito de liberdade artística e de expressão, alguns programas de TV crescem à sombra da exploração das paixões humanas. Ao subestimar a influência perniciosa da violência ficcional, levam adolescentes ao delírio em shows de auditório que promovem uma grotesca sucessão de quadros desumanizadores e humilhantes. A guerra pela conquista de mercados passa por cima de quaisquer balizas éticas. Nos Estados Unidos, por exemplo, o marketing do entretenimento com conteúdo violento está apontando as baterias na direção do público infantil.

A onipresença de uma televisão pouco responsável e a transformação da internet num descontrolado espaço para a manifestação de atividades criminosas (a pedofilia, o racismo e a oferta de drogas, frequentemente presentes na clandestinidade de alguns sites, desconhecem fronteiras, ironizam legislações e ameaçam o Estado Democrático de Direito) estão na origem de inúmeros comportamentos patológicos.

É preciso ir às causas profundas da delinquência. Ou encaramos tudo isso com coragem ou seremos tragados por uma onda de violência jamais vista. O resultado final da pedagogia da concessão, da desestruturação familiar e da crise da autoridade está apresentando consequências dramáticas na Europa. Escarmentemos em cabeça alheia. Chegou para todos a hora de falar claro. É preciso pôr o dedo na chaga e identificar a relação que existe entre o medo de punir e os seus efeitos antissociais.

REIVINDICAÇÕES X ORDEM PÚBLICA

Clóvis Jacobi, advogado - Jornal do Comercio, 28/10/2011

O governo Tarso Genro enfrenta avalanche de pleitos do funcionalismo que, arrimado em arroubos de palanques eleitorais, assesta baterias buscando ver cumpridas as promessas através da transformação em vantagens reais. A legitimidade das pretensões está também no resultado do pleito, para o qual teria contribuído. Generalizaram-se as demandas, com destaque a escalões menores da Brigada (já permeada toda a gloriosa força), ao magistério, à Polícia Civil, aos técnicos científicos etc..., cada grupo a seu modo, via tradicionais métodos...

Destoando do agir comum - as paralisações (eufemismo de greve de servidor público) -, inovaram, interrompendo vias urbanas e rurais, com sério dano à economia, às liberdades e à ordem pública, espraiando atos desordeiros por todo o Estado, sem êxito das autoridades na identificação da origem, a despeito do esforço que dizem empregar. Não constituirá aleivosia inferir que a origem reside nos interessados, salvo ação diabólica engendrada por inimigos para desmerecer a corporação perante o governo e a sociedade, o que não se descarta...

Seja lá quem for, a verdade é que o volume e a forma indicam/constituem ameaça à ordem pública e, muito mais, ruptura de princípios “pétreos” como hierarquia, disciplina e ordem, sob os quais sobrevivem não só os órgãos castrenses.

Essa ruptura teria iniciado no âmbito de cada chefia, pelo desrespeito dos subalternos, alcançando o escalão maior, o governador do Estado, por sua condição de comandante e magistrado supremo! É lícito hipotetizar sobre como seria se essa celeuma fosse no governo anterior, quando por muito menos houve tentativas de intervenção, de impedimento da autoridade, tudo sob repetitivos exercícios cênicos e oratórios!

É preocupante o clima de incerteza e insegurança que vem se projetando sobre a sociedade, mais agora, ante a recusa à oferta governamental, certamente bem menor do que a angústia dos responsáveis pela provisão de meios à quitação da conta onde há enorme parcela vencida (o piso do magistério). Ao final tudo acabará, como sempre, no lombo do contribuinte regular, já que os irregulares não pagam...

VIOLÊNCIA CAMPEIA E SEM SOLUÇÃO NO CURTO PRAZO

EDITORIAL, JORNAL DO COMERCIO, 31/10/2011

A população está cansada do noticiário altamente negativo que dão as manchetes e as chamadas diárias em jornais, revistas, rádio e tevês. Os problemas só aumentam na saúde, educação e segurança pública. Em compensação, o que temos de ministérios e partidos políticos daria bem para misturar tudo e, quem sabe, tirar dali algo que pelo menos minorasse as dificuldades diárias de todos e cada um de nós.

Por isso não surpreendeu quando a pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira: Segurança Pública feita pelo Ibope e divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 9% dos brasileiros entrevistados foram furtados, assaltados ou agredidos nos últimos 12 meses, 19% sabem de parentes que sofreram algum desses crimes e 2% relataram violência tanto contra si quanto contra um familiar. Assim, 30% da população sofreu diretamente com a violência no período de um ano. Uma das consequências desse dado é que 80% dos brasileiros mudaram algum hábito por conta da criminalidade, principalmente evitar andar com dinheiro.

As maiores incidências foram registradas nas regiões Norte/Centro-Oeste e Nordeste, onde, respectivamente, 43% e 33% dos entrevistados relataram terem sofrido eles próprios ou um parente furto, assalto ou agressão nos últimos 12 meses. O percentual também é elevado entre os residentes nas capitais, com 42%, e nas cidades com mais de 100 mil habitantes, com 38%. A violência restringe a circulação da população pela cidade, pois 54% dos consultados evitam sair à noite, 48% deixaram de circular por alguns bairros ou ruas e 36% mudaram o trajeto entre a residência e o trabalho ou a escola. Além disso, 79% presenciaram violência nos últimos 12 meses, sendo que a ocorrência mais comum é o uso de drogas na rua, crime relatado por 67% da população.

O combate ao tráfico é prioridade para a segurança pública na opinião de 58% dos entrevistados. No entanto, 90% concordam que ações sociais, como educação e formação profissional, contribuem mais para diminuir a violência do que ações repressivas. É consenso entre a população brasileira que as políticas sociais são mais eficazes para a redução da violência, mas a grande maioria também defende punições mais duras contra os crimes, sobretudo os mais violentos.

Para a população brasileira, as Forças Armadas e a Polícia Federal são consideradas as instituições mais eficientes para a segurança pública, sendo avaliadas como ótima/boa e regular por, respectivamente, 90% e 89% dos entrevistados. Por outro lado, as instituições com pior popularidade são o Poder Judiciário, com 34% de avaliação ruim ou péssima, e o Congresso Nacional, mal avaliado por 45% dos consultados.

A segurança pública aparece em segundo lugar em uma lista de 23 maiores problemas que o Brasil enfrenta, perdendo apenas para a saúde. O tráfico e o uso de drogas aparecem na terceira colocação. No geral, 51% dos brasileiros consideram a situação da segurança pública no País ruim ou péssima e 36%, regular.

Para tentar reverter essa situação, 84% defendem o uso das Forças Armadas no combate à criminalidade. Porém, não podemos esquecer que os governos que temos são tais e quais nós os elegemos, toleramos e, assim, os merecemos.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Parabéns pelo Editorial. Quando os assuntos violência e segurança pública são preocupações de um jornal voltado à economia, isto mostra que o reflexo nocivo destes dois temas vem tomando amplitude e proporção cada vez maiores em todas as áreas no Brasil. A segurança pública tem tão sido desprezada, sucateada, negligenciada que 84% do povo brasileiro defende a volta os militares na preservação da ordem pública, como se estas forças estivessem mais preparadas e capacitadas do que as forças policiais num regime democrático. As forças militares são excelentes e ativas quando têm o suporte de leis de exceção que limitam seriamente as liberdades constitucionais, próprias de regimes totalitários.

Nas democracias, a segurança pública precisa é fazer funcionar um conjunto de ações e processos administrativos (Executivo), jurídicos (Legislativo) e judiciais (Judiciário), onde cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio.

Para focar a PAZ SOCIAL (ORDEM PÚBLICA)que é o direito máximo a ser preservado, este conjunto depende da harmonia entre os poderes, das ligações entre os instrumentos de coação, justiça e cidadania e do comprometimento dos agentes públicos. O que não é o caso do Brasil onde as divergências, a desarmonia, o corporativismo, a burocracia, a morosidade, as omissões, as benevolências, a constituição esdrúxula e remendada, o centralismo do judiciário, as omissões do Legislativo, o sucateamento promovido pelos governantes Estaduais e a falta de investimento e políticas apropriadas neste setor pelos Poderes da União e dos Estados para atender as demandas e o clamor popular.

CRIMES CONTINUAM OCORRENDO NO RS

SANTA CRUZ DO SUL - Atirador faz duas vítimas em boate. Autor dos disparos havia sido expulso do local antes de cometer os crimes - LUANE MAGALHÃES, ZERO HORA 31/10/2011

Após se envolver em uma briga e ser expulso de uma casa noturna, um homem matou duas pessoas a tiros em Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo. Os crimes ocorreram na madrugada de domingo.

Henrique dos Santos Pires, 20 anos, e Fátima Eliane de Lima Matos, 45 anos, divertiam-se em uma danceteria do Centro quando foram atingidos pelos disparos da arma de Nelso da Silva, 40 anos. De acordo com a polícia, após criar tumulto, o homem havia sido expulso do local pelos seguranças da casa por volta das 2h. Ele teria ido até o seu carro e pego duas armas. Retornou ao salão e começou a atirar e só foi controlado por um frequentador do local quando a munição acabou. Levado ao Presídio Regional da Santa Cruz do Sul, o atirador só se pronunciará em juízo.

O pai de Henrique disse que o filho começaria a trabalhar na quarta-feira.

– Essa violência tem de acabar – – lamentou Valdeci Pires, que perdeu outro filho baleado no começo do ano.

Fátima Elaine era amiga da dona da boate e chegou a ser levada ao hospital. Ela era funcionária de um frigorífico em Lajeado e tinha três filhas.

– Nunca houve nada parecido em 10 anos. Lamento pelo rapaz e pela amiga que perdi – disse Fátima Brescowit, dona da danceteria.


NOVA SANTA RITA - Dupla estaria tentando cobrar uma dívida quando foi morta - ZERO HORA ONLINE, 31/10/2011 | 04h23min

Dois homens foram assassinados no fim da noite de domingo em Nova Santa Rita, na Região Metropolitana. O crime ocorreu por volta das 23h20min na Rua Hermes Viana, bairro Berto Círio, em Nova Santa Rita. Segundo a Brigada Militar, um homem estaria na casa de amigos quando Lúcio Kaiter Maciel e Gildomar Darnotti da Silva chegaram de carro para lhe cobrar uma dívida. Os dois foram recebidos a tiros e acabaram sendo mortos. O suspeito de efetuar os disparos conseguiu fugir. A polícia já tem o nome do autor do duplo homicídio.


ALVORADA E PORTO ALEGRE - Dois homicídios são registrados na noite de domingo na Região Metropolitana. Crimes ocorreram por volta das 23h. ZERO HORA, 31/10/2011 | 02h52min

Em Porto Alegre, Lazaro da Silva Sias foi baleado e encontrado já sem vida na Rua Ernesto Liscano, na altura do número 270, no bairro Agronomia. Segundo a Brigada Militar, o crime ocorreu por volta das 23h.

Quase no mesmo horário, em Alvorada, a polícia encontrou o corpo de um jovem na Rua Tobias Barreto, próximo ao número 92, no bairro Maringá. Segundo a BM, a vítima, que ainda não foi identificada, aparenta ter entre 20 e 25 anos. Ele teria sido atingido no tórax por um disparo de arma de fogo.

A polícia ainda não tem suspeitos e nem sabe as causas dos dois crimes.


NOVO HAMBURGO - Homem é morto com pelo menos sete tiros. Crime ocorreu por volta das 3h30min no bairro Santo Afonso - ZERO HORA, 29/10/2011 | 09h20min

Um homem ainda não identificado foi morto na madrugada deste sábado no bairro Santo Afonso, em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos. O crime ocorreu por volta das 3h30min quando, de acordo com a Polícia Civil, 15 tiros de pistola calibre 380 foram disparados e pelo menos sete atingiram a vítima pelas costas. O homem não estava com documentos, e moradores próximos ao local do crime também não o reconheceram.

domingo, 30 de outubro de 2011

CASA NOTURNA - DUAS PESSOAS MORREM APÓS BRIGA

Duas pessoas morrem após briga em casa noturna no Vale do Rio Pardo. Homem de 40 anos entrou atirando no estabelecimento, depois de ter sido retirado por seguranças após discussão. Luane Magalhães - CLICRBS SANTA CRUZ, ZERO HORA ONLINE, 30/10/2011

Um homem e uma mulher foram mortos a tiros nesta madrugada em Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo. De acordo com a Polícia Civil, Henrique dos Santos Pires, de 20 anos, e Fátima Eliane de Lima Matos, de 45, foram baleados quando estavam na danceteria Scorpions, no bairro Pedreira, por homem de 40 anos, que entrou no local atirando.

Por uma discussão, o suspeito identificado como Nelso da Silva havia sido retirado pelos seguranças da casa noturna por volta da 2h. De acordo com o escrivão da Polícia Civil, Carlos Gomes, o homem teria então ido até seu carro no estacionamento para pegar duas armas. Quando retornou para a boate, começou atirar sem escolher vítima. Quando a munição acabou foi rendido pelos frequentadores do bar e a polícia foi chamada. Prezo, na delegacia o suspeito disse que só se pronunciaria em juízo.

As vítimas chegaram a ser socorridas e encaminhadas para o Hospital Santa Cruz, mas não resistiram aos ferimentos e morreram ainda na madrugada. Também foram feridos, mas passam bem, Thiago Roberto Steimtz, de 26 anos, e Igor Francisco Ferreira, de 32 anos.

BANDIDOS EXPLODEM CAIXA ELETRÔNICO E MATAM DURANTE A FUGA

Criminosos explodem caixa eletrônico e matam homem durante a fuga em Nova Petrópolis. Andre Luis Souza Moreira, 32 anos, passava pela Avenida 15 de Novembro - 30/10/2011 | 09h56min


Andre Luis Souza Moreira, 32 anos, foi morto com um tiro por homens que explodiram um caixa eletrônico do Banco do Brasil, na Avenida 15 de Novembro, em Nova Petrópolis, por volta da 1h deste domingo. O rapaz trafegava em um Golf, acompanhado da mulher, quando o veículo em que estava foi alvo de disparos pelos ladrões. Um dos tiros atingiu Moreira. Ele foi socorrido, mas morreu ao dar entrada no hospital da cidade. A mulher dele não se feriu.

De acordo com o relato de uma testemunha à Brigada Militar, os criminosos seguiam em um Fox ou em um Focus, no sentido Nova Petrópolis Gramado, e pararam o carro bruscamente em frente ao caixa eletrônico. Três homens desembarcaram e instalaram os explosivos.

Quando estava embarcando no carro para deixar a avenida, os bandidos avistaram o Golf de Moreira e começaram a atirar. Depois de matar o motorista, os criminosos fugiram em direção a Gramado.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Estes bandidos serão identificados e presos pelo esforço das polícias. Entretanto, os criminosos pagarão fiança e estarão soltos novamente para cometer os mesmos crimes graças à lei da impunidade aprovada por um Congresso omisso e aceita por uma sociedade impotente. ATÉ QUANDO?

LEI DA IMPUNIDADE - ROUBA CARRO, É PRESO, PAGOU FIANÇA E FICA SOLTO

Ladrão preso após roubar carro rastreado com ajuda de iPhone em Florianópolis é liberado - DIÁRIO CATARINENSE, 30/10/2011 | 09h45min

Jovem de 25 anos não tinha passagem pela polícia e pagou fiança
Um ladrão que roubou um carro no sábado e foi encontrado após o veículo ser rastreado com a ajuda do iPhone já está de volta às ruas. Segundo informações da Polícia Civil, o jovem, de 25 anos, não tinha antecedentes criminais, pagou fiança de dois salários mínimos e foi solto no mesmo dia. Mesmo preso em flagrante, ele vai responder em liberdade ao inquérito.

O que diz a lei

Em julho deste ano entraram em vigor as mudanças no Código de Processo Penal previstas na Lei 12.403. Ela determina, entre outras medidas, que a fiança só não poderá ser concedida para os crimes como de tortura, tráfico de drogas, racismo, terrorismo, ação de grupos armados e crimes hediondos.

Como foi o crime

O rastreador de um iPhone foi utilizado neste sábado para recuperar um carro roubado, em Florianópolis. Dois rapazes foram surfar na praia dos Ingleses, na tarde deste sábado e, não tendo onde guardar a chave do Peugeot 207, enterraram na areia.

O jovem de 25 anos acompanhou o gesto e, instantes depois furtou a chave e o carro. Ele só não sabia que o celular estava no carro e poderia ser rastreado.

Era cerca de 16h quando o dono do carro, Carlos Felipe Borges, 25, enterrou a chave e foi surfar com o amigo Pedro Misvewski, 25. O ladrão viu a cena, aguardou até que a dupla se afastasse e furtou a chave. Depois, procurou pelo carro e o roubou.

O carro foi recuperado cerca de 30 min depois porque Pedro havia deixado o iPhone no interior do carro. Ele ligou para a namorada, que rastreou o celular e acionou a polícia, que acompanhou os passos do ladrão.

As vítimas acompanharam a Polícia Civil e a Polícia Rodoviária Federal (PRF), que efetuaram a prisão. O rapaz foi preso em flagrante quando trafegava pela Via Expressa em direção à rodovia BR-101, meia hora depois do furto.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - No Brasil, patrocinado pelo Congresso Nacional, o crime compensa. Bandidos podem assaltar, roubar teu carro, matar, saquear os cofres públicos e cometer crimes cruéis e violentos, que pagam fiança e ficam soltos, livres para atacar outra vítima. E a sociedade organizada não consegue reagir contra estes congressistas omissos e lenientes que fazem leis para beneficiar a bandidagem, a inoperância do judiciário e a negligência do Executivo que não investe em política prisional. Enquanto isto, o brasileiro perde a vida, o patrimônio, a segurança e a paciência.

ESTÁ NA HORA DE REAGIR CONTRA OS PODERES OMISSOS E NEGLIGENTES QUE COLOCAM EM RISCO A VIDA DO BRASILEIRO.

sábado, 29 de outubro de 2011

MEDO E IMPUNIDADE - ROUBO COM RESTRIÇÃO DE LIBERDADE NÃO É TRATADO COMO SEQUESTRO-RELÂMPAGO

Kelly Almeida - CORREIO BRAZILIENSE, 29/10/2011 08:06


Dos 454 roubos com restrição de liberdade da vítima registrados pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) de janeiro a setembro deste ano, nenhum é tratado como sequestro-relâmpago. Isso porque a pasta considera esse delito apenas em casos nos quais há extorsão da vítima, que, restrita de sua liberdade, é obrigada a sacar dinheiro em caixas-eletrônicos, por exemplo. Juristas e especialistas consultados pelo Correio discordam e classificam o crime de acordo com o constrangimento e a privação de liberdade. Uma lei federal sancionada em abril de 2009 incrementou o sequestro-relâmpago no Código Penal Brasileiro e o caracterizou como a restrição de liberdade da vítima para obtenção de vantagem econômica.

Situações como a das duas mulheres, uma médica e uma enfermeira, sequestradas na noite da última quarta-feira na Quadra 102 do Sudoeste, foram definidas pela Secretaria de Segurança como roubos com restrição de liberdade. Uma das vítimas conseguiu fugir 40 minutos após a abordagem. A outra ficou por mais duas horas sob a mira de um revólver calibre .38 até o trio de assaltantes abandoná-la no Park Way e fugir com o carro e os pertences das duas. Mesmo com essas características, a secretaria informou que o caso não se enquadra em sequestro-relâmpago.

Para a advogada criminalista Juliana Caramigo Gennarini, atos que envolvam privação de liberdade e constrangimento das vítimas podem, sim, ser considerados sequestros-relâmpagos. “Se o criminoso constrange a pessoa e tira a liberdade dela no intuito de obter vantagem econômica, seja o carro, bens pessoais ou uma quantia em dinheiro, temos um sequestro. O roubo com restrição de liberdade acontece quando a primeira intenção é roubar e só depois segurar a vítima para ganhar tempo e evitar uma prisão, por exemplo”, explica.

De acordo com a advogada, a primeira qualificação do crime fica a cargo do delegado de polícia, que colhe depoimentos das vítimas e o define como roubo com restrição de liberdade ou sequestro-relâmpago. Mas, segundo Juliana Caramigo, é recorrente a substituição dos delitos no Judiciário. “Quando (o caso) chega ao promotor, já tem outras provas e indícios. Então, muitos casos começam como roubo com restrição e depois se transformam em sequestro-relâmpago”, afirma a advogada.

Mudança na lei
Segundo o subsecretário de Operações da Secretaria de Segurança Pública do DF, Jooziel de Melo Freire, o DF registrou apenas 16 casos de sequestro-relâmpago até setembro deste ano. “Ano passado, foram 22 no mesmo período. E essa quantidade não está incluída nos números de roubos com restrição de liberdade”, afirma o coronel. A secretaria garante que os crimes são qualificados conforme determina a Lei nº 11.923 (veja O que diz a lei), que, em 2009, acrescentou o parágrafo 3º no Artigo 158 do Código Penal para tipificar o sequestro-relâmpago. “Só há sequestro se houver extorsão, que é quando a pessoa é obrigada a sacar dinheiro em um caixa eletrônico ou levar os criminosos para a casa dela para eles subtraírem bens”, explica Jooziel

Para o professor e pesquisador de segurança pública da Universidade Católica de Brasília (UCB) Nelson Gonçalves de Souza, há um grande interesse do poder público em desvincular os dois crimes. “O sequestro-relâmpago não é uma figura jurídica, mas foi comumente atribuído ao roubo com restrição de liberdade. No ponto de vista prático, estamos falando da mesma coisa”, expõe. O especialista defende que a população saiba dos riscos e preocupações a respeito da segurança pública. “Não quero crer que as autoridades utilizem diferentes categorias ao se referir aos mesmos crimes para manipular e esconder os dados, pois a população tem necessidade de saber o que realmente é um problema para poder enfrentar”, afirma Gonçalves. “Se estamos percebendo aumento nos índices, é sinal de que isso está vitimizando a sociedade e alguma coisa precisa ser feita”.

Medo

Para quem passa por momentos sob a mira de um revólver e ameaças diversas, a tipificação do crime é sempre a mesma — sequestros-relâmpagos. E os minutos ou horas de terror geram fortes traumas. Quatro meses após o dia em que Maria Pessoa Farias, 46 anos, ficou duas horas em poder de um assaltante, o medo ainda acompanha a comerciante. Sequestrada em 20 de junho, às 18h50, no Setor Central do Gama, ela só foi abandonada na BR-070, próximo a Águas Lindas de Goiás. Desde então, Maria faz acompanhamento psicológico e passa os dias sob efeitos de remédios. “Tenho pavor em parar em semáforos. Fecho tudo, mas tenho a impressão de que vão entrar pela única brecha aberta do carro”, afirma.

Maria conta que, durante a ação, ela dirigiu o carro por alguns minutos até ser obrigada a entrar em uma estrada de terra. “Aí, fui trancada no porta-malas. Entrei em estado de choque. Minha boca ficou seca e eu não conseguia nem falar. Ele só decidiu me abandonar quando eu ofereci um cartão bancário que estava no meu bolso”, disse a vítima, que faz acompanhamento na Subsecretaria de Proteção às Vítimas de Violência (Pró-Vítima). O carro da comerciante, um Fiat Siena, não foi localizado até hoje. “A minha bolsa e os documentos pessoais foram encontrados no dia seguinte, perto do lugar em que fui abandonada.”

EXECUTADO EX-SECRETARIO DA FAZENDA DE MARINGÁ, PR

Ex-secretário da Fazenda de Maringá (PR) é assassinado a tiros - JEAN-PHILIP STRUCK, DE SÃO PAULO, FOLHA.COM, 28/10/2011 - 13h05

O ex-secretário da Fazenda de Maringá (PR) Luiz Antônio Paolicchi, 48, foi encontrado morto na noite de quinta-feira (27). O corpo dele estava no porta-malas do próprio carro, abandonado na zona rural do município. Segundo a Polícia Civil, as mãos e as pernas estavam amarradas. Ele levou quatro tiros, sendo dois no rosto.

A polícia afastou a suspeita de latrocínio (roubo seguido de morte), já que a vítima ainda estava com a carteira.

Paolicchi comandou a Secretária de Fazenda de Maringá entre 1997 e 2000. No período, o ex-secretário e a administração para a qual ele trabalhava foi acusada pelo Ministério Público de promover uma série de desvios de recursos públicos.

Em 2010, Paolicchi e outras 16 pessoas, entre elas o ex-prefeito Jairo Gianoto (PSDB) foram condenados pela Justiça a devolver R$ 500 milhões para os cofres públicos. O ex-secretário também teve os direitos políticos cassados por dez anos.

Segundo a Polícia Civil, ainda não foram identificados suspeitos pela morte do ex-secretário. A família de Paolicchi havia comunicado o desaparecimento dele na noite de quarta-feira (26). Segundo o delegado Nagib Nassif Palma, o corpo do ex-secretário já estava rígido e a perícia suspeita que ele tenha sido morto na madrugada de quinta-feira.

Nos últimos anos, Paolicchi passou a administrar uma indústria de produção e envase de água mineral, com sede em Iguaraçu, na região metropolitana de Maringá. A empresa era um dos poucos bens de Paolicchi que não havia sido confiscado pela Justiça.

De acordo com informações da família divulgadas para a imprensa de Maringá, o corpo deverá ser enterrado nesta sexta-feira num cemitério de Moreira Sales (530 km de Curitiba).

BANDIDOS EXPLODEM AGENCIA E ATIRAM CONTRA A PM



Quadrilha explode agência bancária no centro de Arroio dos Ratos. Houve perseguição e tiroteio com a Brigada Militar do município da Região Metropolitana - RÁDIO GAÚCHA E ZERO HORA, 29/10/2011 | 02h12min às 08h51min

Uma quadrilha explodiu a agência do Banco do Brasil de Arroio dos Ratos no início da madrugada deste sábado. O caso ocorreu por volta de 1h, no centro da cidade na Região Metropolitana.

De acordo com o capitão Marcelo Oliveira, comandante da Brigada Militar (BM) do município, os bandidos chegaram ao local em pelo menos três veículos e instalaram os explosivos nos caixas eletrônicos.

A BM ouviu a explosão e uma viatura com quatro policiais foi para o local. Os policiais foram recebidos a tiros. Vários disparos atingiram a viatura, mas os PMs não se feriram. A Brigada não soube precisar quantos bandidos estavam envolvidos na ação.

Pelo menos dois caixas foram atingidos e a porta da agência, localizada no Largo do Mineiro, quebrada. O local foi isolado para perícia.

— Com os explosivos, a parede que dá acesso ao interior da agência ruiu _ relatou o delegado Pedro Urdangarin.

Um taxista que trafegava pelo local foi rendido pelos bandidos e levado em um dos carros até a BR-290, que fica a cerca de uma hora do centro da cidade. Segundo a polícia, a vítima não sofreu ferimentos.

Uma viatura da BM de Arroio dos Ratos fazem buscas na região para tentar localizar os criminosos. A agência faz parte de um conjunto comercial localizado ao lado da prefeitura da cidade.

EXECUÇÕES NO RS

PELOTAS - Cinco tiros

Um homem de 39 anos morreu depois de levar cinco tiros pelas costas, em Pelotas, no sul do Estado. Foi por volta das 23h de quinta-feira, na Rua Três de Maio, próximo ao Campus Anglo, da UFPel, no bairro Porto. A vítima foi identificada como Márcio da Rocha Moraes. De acordo com a Polícia Civil, o autor e o motivo da execução ainda são desconhecidos.


PORTÃO - Homem é morto

Um homem foi morto com três tiros na cabeça na manhã de ontem, em Portão, no Vale do Sinos. David Brusch Furtado, 31 anos, estaria indo para o trabalho de bicicleta, por volta das 6h10min, quando um homem com o rosto coberto se aproximou e atirou. O crime aconteceu na rua onde a vítima morava, no bairro Estação Portão.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

IMPUNIDADE - EM NOVE MESES, APREENDIDO 32 VEZES

CHAPECÓ. Garoto é apreendido 32 vezes - DIÁRIO CATARINENSE, 28/10/2011

A apreensão de um adolescente de 17 anos em Chapecó, no início da madrugada de ontem, exemplifica em números o problema de reincidências de crimes. O jovem tem em passagens pela polícia quase o dobro da própria idade.

Desde fevereiro, o rapaz esteve 32 vezes em delegacias da cidade do Oeste catarinense. Só esta semana, são três passagens.Na segunda e na terça-feira, foi apreendido por furto e liberado. Ontem, a cena se repetiu: foi apreendido por furto e solto. Ele é liberado porque furto é um crime de menor potencial ofensivo

– Isso atrapalha o trabalho da polícia. Precisamos atender ocorrências de crimes cometidos por adolescentes que já foram apreendidos. Nossos planejamentos de combate à criminalidade vão por água abaixo – desabafou o sargento da PM em Chapecó, Cleomar Lanzarin.

No momento do flagrante de ontem, o garoto estava em uma loja de peças de veículos no Bairro Efapi. Os policias militares balbuciaram “de novo!” ao ver o adolescente segurando a chave de fenda usada para arrombar o estabelecimento.

O jovem é um dos que engordam a estatística de 95% de reincidência nos casos de furtos e roubos registrados em Chapecó, segundo a PM.

Duas horas depois de ser entregue na delegacia, o rapaz ganhou as ruas.

BANDIDOS MORREM AO TENTAREM ROUBAR MOTOS DE POLICIAIS

Bandidos morrem ao tentarem roubar moto de policiais em Diadema e SP. Um dos mortos tinha 17 anos; os criminosos que atacaram os policiais também ocupavam uma moto. 27 de outubro de 2011 | 6h 22 - Ricardo Valota, do estadão.com.br

SÃO PAULO - Duas tentativas de roubo de moto contra um policial civil e um militar terminaram com a morte de dois bandidos e a prisão de um terceiro na zona sul de São Paulo e na cidade de Diadema, no Grande ABC, na noite de quinta-feira, 27.

O adolescente L.J.R., de 17 anos, levou a pior ao escolher a vítima errada e abordar o soldado Adalberto de Carvalho Soares, do 24º Batalhão, às 20h45, na Avenida Piraporinha, região central de Diadema. O comparsa do menor, em meio ao tiroteio, fugiu a pé, e abandonou a moto da dupla, uma Honda, placas ECS 7025/Diadema, roubada. O veículo foi devolvido ao dono. Mesmo encaminhado ao pronto-socorro central, o adolescente não resistiu e morreu. O caso foi registrado no 1º Distrito Policial da cidade.

Duas horas mais tarde, o escrivão de polícia Luiz Augusto Bingre, que trabalha no 48º Distrito Policial, do Jardim Miriam, também numa moto, foi abordado por dois assaltantes na Rua Javari, uma travessa da Avenida Nossa Senhora do Sabará, no Jardim Sabará, zona sul da capital. Acompanhado da namorada, o policial sacou a arma ao ser atacado pela dupla, que ocupava outra moto. No tiroteio, os dois bandidos foram baleados. Um deles morreu no pronto-socorro do Hospital Pedreira, onde comparsa, baleado numa das pernas, continua internado. A namorada de Luiz foi ferida em um dos pés, mas passa bem.

CASO DE POLÍCIA

OPINIÃO O Estado de S.Paulo - 28/10/2011


Os tumultos ocorridos nesta semana no entorno da chamada Feirinha da Madrugada, no Pátio do Pari, no centro de São Paulo, mostram a que ponto chegou o desrespeito à lei pelo comércio ambulante irregular na cidade. Considerando-se com direitos exclusivos ao território, para a venda de todo tipo de mercadorias contrabandeadas ou pirateadas, cerca de 300 camelôs reagiram com violência à Operação Delegada, deflagrada por policiais militares (PMs) e pela Guarda Civil Metropolitana na última terça-feira, por determinação da Prefeitura, para fiscalizar e disciplinar o comércio no local. Automóveis foram incendiados, fachadas de lojas foram danificadas, as ruas ficaram repletas de lixo e o trânsito nas vias adjacentes permaneceu congestionado durante horas. Os protestos continuaram no dia seguinte, com novos choques com a Polícia, obrigando escolas a fecharem e lojas a baixarem as portas.

A violência da manifestação revela que o comércio ambulante irregular não pode mais ser tratado com tolerância pelo poder público. Não só o comércio legítimo, que paga impostos, mas toda a sociedade exige uma ação firme das autoridades para acabar com os verdadeiros feudos de camelôs em que se transformaram algumas áreas da capital.

O prefeito Gilberto Kassab informou que, há 15 dias, a Prefeitura vinha advertindo os ambulantes para a irregularidade de seu comércio. Além da falta de licenças de funcionamento, havia denúncias de extorsão e a cobrança de propinas na feira. Somente 2.949 ambulantes com boxes autorizados podem permanecer no Pátio do Pari e ruas vizinhas, mas cerca de 7 mil ali têm pontos ilegais de venda - e grande número deles trabalha para imigrantes estrangeiros, nem todos em situação regular no País.

É fácil entender que, sendo os pontos valiosos - chegam a custar R$ 300 mil -, a transferência de boxes era habitualmente feita mediante o pagamento de "luvas". Como havia um grande número de chineses no local, muitos dos quais entraram ilegalmente no País, havia suspeitas de pagamento de taxas de "proteção", extorquidas de feirantes em benefício de determinados indivíduos ou grupos - uma prática típica do gangsterismo. Nos últimos meses, foram assassinados um líder de camelôs e um ex-administrador do local.

O quebra-quebra e a verdadeira batalha campal travada entre a PM e manifestantes têm impedido que os passageiros de ônibus fretados desembarquem naquela parte do centro. São Paulo é um polo de atração para os sacoleiros de todo o País que aqui vêm, especialmente nos meses que precedem o Natal, para fazer compras por "preços de atacado". Existem pontos, no centro e em certos bairros, em que um comércio regular funciona para atendê-los. Mas não é esse o caso da Feirinha da Madrugada, formada há dez anos e que não tem autorização para funcionar emitida pelos órgãos municipais desde 2006.

Entre os planos da atual administração municipal está a construção no local de um shopping popular, de um hotel, de duas torres comerciais, de estacionamento para carros e ônibus de sacoleiros, além de casas populares, a um custo previsto de R$ 400 milhões. O projeto, que serviria para a recuperação de uma área deteriorada, não parece viável. Entre outros problemas, a área, administrada pela Prefeitura, pertencia à antiga Rede Ferroviária Federal, e foi incorporada ao patrimônio da União, que não quer cedê-la em definitivo.

Durante o quebra-quebra, alguns manifestantes portavam faixas com os dizeres "Camelô não é caso de polícia". De fato, não é, em circunstâncias normais. Muitas pessoas sem qualificação profissional atuam no comércio ambulante para ganhar a vida. Fazem parte do grande setor informal da economia e sustentam honestamente as suas famílias. Coisa muito diferente é a ação de maltas, sob a orientação de lideranças criminosas, que usam de meios violentos para impedir que as autoridades cumpram a lei e reprimam atividades escusas. Isso é caso de polícia, sim - e a sociedade espera que a fiscalização não esmoreça.

FUZIS, PISTOLAS, RADIOCOMUNICADOR E CARROS ROUBADOS

DESCOBERTA EM ESTEIO. Fuzis e pistolas em carros roubados - ZERO HORA 28/10/2011

A investigação de carros roubados em Esteio acabou levando a polícia a armas. Dentro de dois carros roubados, foram encontradas duas pistolas – 9mm e .40 – e dois fuzis – calibres 5.56 e 22 –, além de munições, coletes à prova de balas, miguelitos e um radiocomunicador na frequência da Brigada Militar.

A suspeita dos policiais é de que os veículos seriam usados para um grande ataque nos próximos dias.

Os carros haviam sido recolhidos na última sexta em um estacionamento na Rua Bento Gonçalves, centro de Esteio, durante uma ação a possíveis locais de destino de veículos roubados.

BAIRRO BOÊMIO - OFENSIVA PM CONTRA ALGAZARRA NA MADRUGADA


Ofensiva contra algazarra na madrugada da Cidade Baixa. Autoridades se unem para tentar garantir sossego aos moradores do bairro boêmio da Capital - PEDRO MOREIRA, ZERO HORA 28/10/2011

Uma ofensiva envolvendo órgãos de fiscalização da prefeitura e a Brigada Militar (BM) tenta atender aos apelos de moradores e comerciantes de uma região do bairro Cidade Baixa, tradicional reduto boêmio de Porto Alegre. Desesperada com a caótica situação das madrugadas no entorno das ruas José do Patrocínio e Joaquim Nabuco, onde há relatos de aglomeração de pessoas, consumo de drogas e de bebidas alcoólicas na rua, a comunidade local se mobilizou para conseguir o retorno da tranquilidade dentro das próprias casas.

Após um encontro com vereadores, BM e prefeitura, as autoridades começaram a agir. A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) vai recrudescer a fiscalização do trânsito, e a Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic) deve começar a atuar no local a partir de hoje.

– Há gente urinando na rua, deitada na rua – afirma o diretor da Divisão de Fiscalização da Smic, Rogério Teixeira Stockey, alertando que uma equipe à paisana fará filmagens na região.

No final de semana passado, uma barreira policial foi montada na José do Patrocínio, e os donos dos bares foram convidados a fechar as portas à meia-noite. Segundo o major Luís Ulisses Rodrigues Nunes, comandante da 2ª Companhia do 9º Batalhão de Polícia Militar, as barreiras serão permanentes de sexta a domingo.

Agressões e gritarias entre as queixas

Entre as reclamações dos moradores está o fato de que três bares que têm alvará para funcionar até a meia-noite permanecem abertos madrugada adentro – os frequentadores compram cerveja nos estabelecimentos e bebem na rua. Com a junção de pessoas nas calçadas e no meio da rua, está formado o burburinho que atravessa a noite.

Além disso, há reclamações de venda de bebida alcoólica para adolescentes, agressões verbais a moradores, gritarias, brigas e depredação da fachada de lojas. No início das manhãs, quem passa pelo local percebe um mar de copos plásticos, garrafas de cerveja e muita sujeira.

– Ter um traficante na porta da tua casa é indignante. Menores bebendo cerveja e fumando maconha – revolta-se um morador, que pediu para não ser identificado por medo de represálias.

Ainda que frequentadores dos bares já tenham se organizado nas redes sociais para reivindicar que os estabelecimentos permaneçam abertos nas madrugadas, proprietários já se conscientizaram de que a situação não pode permanecer como está. Conforme o presidente da Associação dos Bares da Cidade Baixa, Eli Stürmer, uma reunião entre comerciantes e moradores ontem aponta para uma melhora na relação entre eles.

– Não estamos aqui para prejudicar vizinhos, mas para trabalhar – ponderou Elio da Motta, dono do Cachorro do Elio.

MONITORAMENTO INTEGRADO

WANDERLEY SOARES, REDE PAMPA, O SUL.
Porto Alegre, Sexta-feira, 28 de Outubro de 2011.


Câmeras

A Secretaria de Segurança Pública realizou, terça-feira, reunião técnica para discutir a elaboração de projeto de monitoramento integrado da segurança pública do Rio Grande do Sul. O encontro retomou a iniciativa que tem como objetivo integrar as polícias municipais, estadual e federal no monitoramento das vias públicas por meio de câmeras de vídeo e comunicação por rádio.

Santiago

Durante a madrugada de ontem, ladrões entraram no prédio da Câmara Municipal de Santiago. Foi fácil, pois a casa não tem nenhum tipo de segurança. Foram arrombadas 15 salas. Também ocorreu o arrombamento do escritório da Corsan, que fica perto da Câmara

Bandidos

A Polícia Civil realizou mais uma operação no Vale do Sinos, na manhã de ontem, concentrada em Novo Hamburgo e Campo Bom. Nove pessoas foram presas, parte delas no bairro Canudos, em Novo Hamburgo. Os presos são acusados de envolvimento com homicídios, tráfico de drogas, roubos e extorsão.

Semiaberto

Em Venâncio Aires, Vale do Rio Pardo, a polícia apreendeu, ontem, celulares, armas e drogas no Instituto Penal Mariante. A revista foi realizada durante a madrugada. O local abriga 281 detentos que cumprem pena no regime semiaberto.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

ONDA DE INSEGURANÇA ASSUSTA BAIRRO MOINHOS DE VENTO


ONDA DE CRIMINALIDADE. Adesivos espalham alerta pelo bairro - LUÍSA MEDEIROS, ZERO HORA 27/10/2011

Cansados da impunidade e assustados com a onda de assaltos no Moinhos de Vento, 30 publicitários que atuam na região resolveram dar seu recado de forma criativa. Imprimiram 2 mil adesivos com frases alertando para a falta de segurança e distribuíram no bairro na semana passada.

A iniciativa ganhou não somente as ruas, mas também a internet, fazendo muito barulho nas redes sociais. A hashtag #segurançanomoinhos rendeu muitos adeptos no Twitter, assim como as imagens dos adesivos colados pelo bairro circularam no Facebook.

– Preferimos ficar no anonimato, pois no momento em que distribuímos os adesivos, muitas pessoas colaram em placas de trânsito ou locais indevidos, prática que não incentivamos mas que também não podemos impedir – diz um dos organizadores do movimento.

De acordo com o titular da Delegacia de Polícia Regional de Porto Alegre (DPRPA), Cleber Moura Ferreira, os crimes que mais preocupam são o furto e o roubo de veículos e já está em andamento uma estratégia de combate ostensivo para diminuir os índices, em parceria com as delegacias locais.

– Em relação aos crimes em geral, não é possível afirmar que há um crescimento expressivo na região. Houve crescimento, mas houve em todas as áreas e estamos trabalhando para identificar quem pratica esses crimes. Queremos tirá-los das ruas e, assim, diminuir as estatísticas – afirma.

A proximidade com as datas festivas de final de ano, diz o delegado, também está mobilizando o efetivo policial, pois essa é uma época de aumento dos índices de criminalidade. Operações específicas já estão em andamento na região, garante Cleber Ferreira.

Nem na pracinha se está a salvo

“Eu estava chegando à Praça Doutor Maurício Cardoso em um final de tarde de domingo, com duas crianças, para brincar na pracinha. Já tinha saído e fechado o carro quando dois homens se aproximaram. Um deles levantou a camisa para mostrar a arma enquanto o outro pegou a minha bolsa, ordenando que eu saísse de perto com as crianças e segurando a arma em tom de ameaça, mas não apontou a arma para nós. Eles não nos agrediram, entraram no carro e fugiram. Na hora, eu não pensei em outra coisa a não ser proteger as crianças – levei elas para a pracinha, para que fossem brincar, disse que tinham dado um susto na gente, e que não ficassem com medo de voltar na pracinha. Mas elas viram o que aconteceu. A sensação que eu tenho, além de total impotência, impunidade e insegurança, é de que não há mais maneira de se ter inocência na infância – elas sabem o que aconteceu, não dá para esconder. Não tem mais hora e nem lugar, era um dia lindo e a praça estava cheia de famílias e de crianças. É uma situação horrível.”

Relato de uma moradora da região, de 34 anos, que prefere não se identificar.

Depoimentos assustados

O depoimento assustado da moradora recentemente assaltada no bairro Moinhos de Vento reflete o clima de insegurança que têm vivido as mulheres da região. A 3ª Delegacia de Polícia Civil, responsável pelo policiamento da área, não considera que haja uma onda de assaltos a mulheres. Entretanto, o relato de uma vítima revela outras ocorrências.

– Todos os dias fico sabendo de alguém que foi assaltado ou teve o carro roubado. Dia desses, uma colega teve o carro levado no mesmo lugar que eu, provavelmente pelo mesmo bandido – relata outra vítima, de 49 anos, que teve seu veículo roubado em frente ao local de trabalho, na vizinha Bela Vista.

De acordo com o delegado João Bancolini, titular da 3ª DP, as autoridades sabem das ocorrências, mas a situação não é alarmante. As mulheres, mesmo sendo mais cuidadosas, acabam sendo alvos mais fáceis por serem mais frágeis, pondera Bancolini:

– Posso dizer que coibir esse tipo de ação é uma preocupação da divisão de segurança do município e que está se desencadeando um trabalho nas ruas para amenizar os índices. A prevenção está maior, com o aumento dos índices de prisão.

O importante, alerta o delegado, é estar atento para não se tornar mais uma vítima. Tomar precauções para entrar ou sair de casa, ter atenção a pessoas estranhas – a pé, em motos ou paradas em veículos – próximas ao local onde for estacionar e jamais reagir, são algumas das dicas.

A PONTA DO CHULÉ

WANDERLEY SOARES, REDE PAMPA, O SUL.
Porto Alegre, Quinta-feira, 27 de Outubro de 2011.


A sociedade paga impostos para viver a vida real e não para assistir encenações teatrais.

Num café da manhã promovido pela Secretaria da Segurança para um primeiro contato coletivo com a chamada mídia especializada, antes da chegada da primavera, o titular da pasta, Airton Michels, deixou bem claro que, no conjunto das questões da violência e da criminalidade no Estado, o ponto que estava a exigir o processo cirúrgico de maior gravidade e urgência era o Presídio Central de Porto Alegre. Michels, que é um especialista na política penitenciária, seguido do sempre entusiasmado - de excelente oratória - secretário-adjunto da Segurança Pública, Juarez Pinheiro, falou sobre as verbas que estavam sendo acenadas pelo governo federal que, não resolveriam o problema na totalidade, mas dariam o impulso para que não mais tivéssemos o mais vexaminoso dos presídios do País (o vexaminoso vai por minha conta). Nesse café da manhã, nem de longe foi abordada a situação da PEJ (Penitenciária Estadual do Jacuí), cuja implosão é agora sugerida pelo juiz da Vara de Execuções Criminais de Porto Alegre, o incansável, atento, estudioso, bem informado, transparente, Sidnei Brzuska, que jamais deixou de colocar sua caneta nos portões do Presídio Central. Sigam-me

A ponta

Caso entre em erupção um novo café da manhã da pasta da Segurança Pública, inevitavelmente, o discurso deverá ser ampliado se for dirigido para o flagelo em que se encontra o sistema penitenciário, não só no que atinge aos apenados, mas também, de forma aguda, a todos os profissionais que trabalham na área, desde os burocratas, passando pelos sempre ameaçados agentes penitenciários até aos pelotões da Brigada Militar. O Presídio Central, citado no primeiro café, era apenas a ponta do chulé. É preciso discutir tudo sem maquiagem. A sociedade paga impostos para viver a vida real e não para assistir encenações teatrais

Rebate falso

O governo mandou para a Assembleia Legislativa um projeto de aumento para permanência na ativa contemplando a quem atingiu o tempo para aposentadoria. Ocorre que para a Brigada Militar tal dispositivo já foi aprovado. No entanto, neste mês, não veio nada de diferente no contracheque do brigadianos contemplados com o que foi publicado no Diário Oficial. O valor da gratificação permaneceu em R$ 361,60

Natal em curto

Alvo de uma investigação polêmica há alguns meses o Natal Luz de Gramado terá um policiamento reforçado na edição de 2011, que começa na próxima semana. Boatos de que o evento seria alvo de protestos e mesmo de ações de vandalismo em consequência dos escândalos mal explicados motivaram a decisão, que sempre recai sobre da Brigada Militar

Inocentes

O efetivo da Brigada Militar deveria ser de 33.650 profissionais. Hoje, em real atividade, está em torno de 15 mil. Isso vem de governo em governo. E quem está no governo é como quem está na cadeia: sempre é inocente

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

ILEGALIDADE TOLERADA

EDITORIAL ZERO HORA 26/10/2011


Apostando na omissão das autoridades, a maior parte dos proprietários de desmanches de automóveis no Estado ainda nem sequer procurou fazer seu cadastramento junto ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran), aberto em março deste ano, conforme prevê lei aprovada ainda em 2007.

Das 3 mil oficinas existentes no Rio Grande do Sul, apenas 13,4% reuniram até agora a documentação necessária para sair da ilegalidade e encaminharam o pedido de sua regularização. As demais funcionam na clandestinidade, muitas delas como ponto de receptação de veículos e peças roubadas, alimentando a indústria do roubo de carros, que, como mostram as estatísticas, vem crescendo nos últimos meses. O aumento da frota de veículos, impulsionado pelo crédito facilitado e pela ascensão social de expressiva parcela da população, tem sido acompanhado também por um crescimento da criminalidade relacionada ao roubo e furto de carros.

Por isso, é urgente colocar em prática esta legislação com potencial para inibir não somente a venda de produtos roubados, mas também de garantir a arrecadação de impostos. A morosidade – só as discussões sobre a forma como seria aplicada se alongaram por mais de três anos – das autoridades responsáveis para fazer valer a lei e para fiscalizar sua execução serve de estímulo para a leniência por parte dos donos de desmanches, e dificulta a separação dos bem-intencionados daqueles que tentam acobertar seus negócios clandestinos.

É necessário que, após o incentivo à regulamentação, prometido pelo Detran, o investimento seja feito na fiscalização, também asseverada pelo governo estadual para o próximo ano. Sem que haja um controle eficiente desses locais, conforme prevê um futuro sistema de banco de dados interligado, não haverá efetividade no combate a um dos crimes que mais têm assustado os gaúchos, causando prejuízos financeiros, traumas e, não raro, produzindo vítimas.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

DOIS CASAIS SOFREM TENTATIVA DE HOMICÍDIO

Dois casais sofrem tentativa de homicídio na Região Metropolitana em pouco mais de três horas. Ocorrências foram registadas em Esteio e Porto Alegre - ZERO HORA E RBS TV, 25/10/2011; Atualizada às 02h07min

Um casal morador da cidade de Esteio, na Região Metropolitana, foi vítima de tentativa de homicídio na noite de segunda-feira. Segundo a Brigada Militar (BM), o ataque ocorreu por volta das 22h15min na Rua Alvina Francisca, bairro Jardim Planalto.

Testemunhas relataram à polícia que um carro escuro com três ocupantes teria estacionado em frente à casa e, em seguida, dois deles desembarcaram. A dupla teria invadido a residência e efetuado vários disparos.

Conforme a BM, a mulher foi atingida por quatro tiros e o homem por outros cinco. As vítimas foram encaminhadas para o Hospital São Camilo em estado grave.

Já em Porto Alegre, outro casal foi alvejado no início da madrugada desta terça-feira. O tiroteio foi registrada na Rua Patrimônio, bairro Coronel Aparício Borges, por volta de 1h30min.

Segundo a Polícia Civil, duas pessoas em uma motocicleta teriam atirado contra um casal que estava dentro de um automóvel. As vítimas foram levadas para o Hospital de Pronto Socorro.

TIROS EM CARAVAGGIO

Mulher é baleada em ataque a santuário - BABIANA MUGNOL, ZERO HORA 25/10/2011

A paz e o silêncio de um dos templos mais visitados do Estado foram interrompidos por tiros e gritos na manhã de ontem, em Farroupilha. O santuário de Nossa Senhora de Caravaggio foi invadido por assaltantes, que balearam uma auxiliar de cozinha. Devota da santa, Ivete Marcanti Sost, 44 anos, foi atingida na cabeça com um tiro de raspão.

Atentativa de assalto aconteceu por volta das 8h, quando há poucos fiéis na igreja e o maior movimento na localidade é de trabalhadores rurais. A atendente de 23 anos, da loja de objetos religiosos situada nos fundos da capela, viu uma moto com dois homens estacionando na esplanada do santuário. Um dos ocupantes desceu e deu bom-dia para a funcionária, que estava na porta do estabelecimento. A venda de artigos religiosos começa às 7h e é comum ter fiéis comprando imagens já nas primeiras horas. Por isso, ela não desconfiou que pudesse ser vítima de ladrões.

– Dei bom-dia e fui para trás do balcão. Quando me virei e disse “o que era para você?”, ele já estava com uma touca e anunciou o assalto – relata a jovem, que prefere não se identificar.

Homem diz que ladrão apontou arma e atirou

Sem pensar, a funcionária gritou por ajuda. O auxiliar de serviços gerais Lívio Carvalho Amaral, 57 anos, que naquele horário tirava o lixo da cozinha do santuário, ouviu o chamado da colega. Ao chegar ao corredor para averiguar a situação, encontrou o criminoso apontando a arma para a atendente.

– Quando o ladrão me viu, pensou que eu fosse um padre. Ele nos levou para a cozinha e queria que eu mostrasse o cofre.

Sem saber dizer onde estava o dinheiro, Amaral teve uma arma apontada e disparada em direção à nuca.

– Se eu não me virasse, ele teria me matado – contou o auxiliar.

O tiro não feriu Amaral, mas atingiu Ivete, que trabalhava na cozinha, para onde o ladrão levou a atendente da loja e o auxiliar.

A dupla fugiu sem roubar nada. Ontem, a auxiliar de cozinha baleada seguia com quadro estável na UTI no Hospital São Carlos.


PORTO ALEGRE - MORTE NO CHAFARIZ. Corpo achado em lago da Redenção

Populares que cruzaram o Parque da Redenção, em Porto Alegre, às 8h de ontem, depararam com um corpo de um homem dentro do lago do chafariz central. Sem documentos, com idade aparente de 20 anos, a vítima foi retirada da água por bombeiros. O corpo não apresentava sinais de violência, com exceção de uma marca na cabeça, que pode ter sido provocada por uma queda no lago. Segundo moradores de rua, a vítima vivia em parques e era usuária de bebida alcoólica. A Polícia Civil solicitará imagens de uma câmera de vigilância da Guarda Municipal.

LAGEADO - Morte em briga

Uma briga na noite de domingo acabou em morte na cidade de Lajeado, no Vale do Taquari. Wagner Soares dos Santos Conceição, 29 anos, foi morto com pelo menos três tiros, segundo a polícia. O crime ocorreu durante uma festa no ginásio de esportes do bairro Conservas. A polícia já tem um suspeito para o crime.

PAVOR NA ESTRADA - ÔNIBUS É PARADO A TIROS

Ônibus é parado a tiros no Norte. Veículo levava grupo de universitários da UFSM para o Paraná quando foi atacado por bandidos - LÚCIO CHARÃO E MARIELISE FERREIRA, zero hora 25/10/2011

Vinte e um estudantes de Filosofia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) viveram momentos de pavor, na madrugada de ontem, na BR-386, em Frederico Westphalen, no norte gaúcho. O ônibus que levava o grupo para o Paraná foi atacado a tiros por bandidos armados vestindo toucas ninja. As vítimas acabaram trancafiadas no bagageiro do veículo.

Os universitários iam para o 16º Simpósio de Filosofia Moderna e Contemporânea no Paraná. Passava da 0h30min, e o ônibus da Argentur, de São Sepé, com dois motoristas, andava em um trecho sinuoso e escuro. Nesse momento, o carona de um Siena preto deu pelo menos três tiros para o alto indicando que o ônibus parasse e outros dois tiros na lataria, do lado do pneu dianteiro.

O bando de pelo menos quatro homens invadiu o veículo. Um dos criminosos assumiu a direção e conduziu o ônibus em direção a uma estrada de chão – a cerca de 200 metros da BR-386, enquanto os passageiros tinham a mochila revistada. Ao chegar à estrada vicinal, a quadrilha estacionou o veículo e ordenou que, em duplas, as 24 pessoas descessem para o bagageiro. Esse momento, conforme relato de vítimas, foi o de maior pânico.

– Teve gente que começou a ficar sem ar, a passar mal. Um deles (ladrões) parecia estar drogado. Felizmente, ninguém se machucou gravemente – lembra Fonseca.

Divididos em sete bagageiros de pouco mais de um metro de altura por 1m20cm de largura, os ocupantes do veículo tiveram de se espremer para ficar no local. Em seguida, o bando murchou o pneu esquerdo dianteiro e fugiu. Foram 30 minutos trancafiados até conseguirem se libertar.

Alunos confundidos com sacoleiros

A região em que ocorreu o assalto é rota para o Paraguai, onde, principalmente neste período do ano, sacoleiros viajam para comprar presentes e objetos para revenda. O delegado Dinarte Marshall Júnior acredita que o ônibus dos estudantes foi confundido com um veículo de turismo em direção ao Paraguai e, por isso, acabou se tornando alvo dos assaltantes.

Dos alunos, foram roubados dinheiro, máquina digital, celulares, cartão de créditos, joias e documentos. O valor do prejuízo ainda não foi calculado, mas os estudantes não carregavam grandes somas.

– Mandavam todos deitar no chão. Fechar as cortinas. Bateram em um colega que estava dormindo. Roubaram meu celular – conta a estudante do 8º semestre de Filosofia Fernanda Veiverberg, 23 anos, sobre os momentos de pavor.

Este é o primeiro assalto do ano a ônibus de turismo no local, que fica a 480 quilômetros do Paraguai. Conforme o delegado, é provável que os ladrões fiquem andando pela rodovia ou parados em postos de gasolina e ataquem ao identificar o seu alvo.

PRAZO VENCIDO - DESMANCHES DEBOCHAM DA LEI


Maioria dos desmanches permanece ilegal no RS. Quatro anos após aprovação de lei, apenas 13,4% das empresas de venda de peças se cadastraram - HUMBERTO TREZZI - ZERO HORA 25/10/2011

Não foi por falta de prazo. A Lei Estadual 12.745, que prevê a legalização de milhares de desmanches de peças existentes no Rio Grande do Sul, foi aprovada com pompa e circunstância em 2007. Passados quatro anos, apenas 403 empresas de venda de peças conseguiram reunir documentação suficiente para o cadastramento junto ao governo estadual.

Elas representam 13,4% do total de 3 mil desmanches existentes no Estado, segundo estimativa do próprio setor, reunido na Associação dos Empresários do Comércio de Peças Automotivas Novas, Usadas e Recondicionadas (Aecop/RS).

A estimativa (que seria baseada em dados da Brigada Militar) é precária, porque desmanches são uma atividade que, geralmente, rima com clandestinidade. É que muitos são locais de revenda de peças de veículos furtados ou roubados. Foi para tentar separar o joio do trigo que foi criada, em 2007, a lei proposta pelo deputado estadual Adroaldo Loureiro (PDT). Ela prevê, numa primeira etapa, cadastramento dos locais onde os veículos são desmantelados para venda de componentes.

O prazo foi aberto em 28 de março deste ano e não resultou em muito interesse. A procura estava tão baixa que o governo prorrogou de junho para agosto o período para interessados cadastrarem suas revendas.

As próprias autoridades desconfiam que o nível de exigências possa ter assustado os revendedores. A Federação das Associações de Municípios do RS (Famurs) desenvolve campanha para divulgar a necessidade de cadastramento – mesmo que o prazo já esteja fechado, pode ser reaberto.

Agora o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) prepara um edital para credenciamento dos cadastrados. Essa etapa verificará se o interessado tem tudo que será exigido pela lei. Além de inibir venda de produto roubado, o governo vai garantir pagamento de impostos.

– Enviamos projeto de lei para concursar 24 funcionários para atuarem na fiscalização de desmanches. Até o fim do ano, abriremos o cadastramento e 2012 será o ano dedicado à fiscalização – anuncia Ildo Mário Szinvelski, diretor técnico do Detran-RS.

E os que não se adequarem? Szinvelski garante: a Polícia Civil e a BM serão chamadas a colaborar na fiscalização.

O exemplo do comerciante da Capital


Com 62 anos, 28 dos quais dedicados a desmantelar veículos para revenda de peças, José Antônio dos Santos é apontado pelo próprio Detran como um exemplo de pessoa que tenta se antecipar às cobranças previstas na nova lei. Antes mesmo de entrada em vigor da Lei Estadual 12.745/2007, Santos decidiu transformar sua revenda situada na Avenida Bento Gonçalves, extremo leste de Porto Alegre, num Centro de Desmanche de Veículos. Além de ser um dos proponentes da lei e de ter se adiantado no cadastramento, Santos já cumpre a maioria das exigências legais.

Veja:

Compra em leilão – Santos garante que só compra peças usadas em leilões, feitos pelo poder público ou por empresas seguradoras. Não compra de particulares (pessoas físicas) embora isso seja permitido.

Nota eletrônica – O comerciante dispõe de computadores que emitem notas fiscais eletrônicas, tanto para compra do veículo a ser desmanchado quanto para a peça que será retirada e vendida ao consumidor.

Foto do veículo – Santos tem álbuns de cada veículo adquirido.

Fichário das peças – O comerciante mantém um fichário com dados de cada peça retirada.

Filmagem do descarte – Santos filma a destruição das peças sem aproveitamento.


O que prevê a lei

1) O Detran vai controlar a compra e a venda de autopeças usadas, gerenciando um banco de dados. Os desmanches serão interligados por computador ao sistema do Detran, o que permitirá ao órgão fiscalizar a atividade do estabelecimento.

2) A empresa que revende peças deverá inserir no sistema a aquisição de cada automóvel para desmanche, em até três dias. Só poderá ser desmontado o carro com registro de baixa no Detran, e o prazo máximo para desmanchá-lo é de 15 dias.

3) A empresa deverá catalogar as peças com etiquetas contendo código de barras impresso, no momento do lançamento do veículo no sistema. O controle abrangerá 40 peças do carro, como motor, caixa de câmbio, portas, para-lamas, entre outros.

4) A empresa manterá um fichário com fotos tiradas no local e na data da compra do veículo, além de documentos que comprovem a procedência do carro. A documentação terá de ser guardada por cinco anos.

5) Ao vender uma peça, a empresa emitirá uma nota via computador, onde constará o número do chassi do carro de origem, o registro de baixa e dados pessoais do comprador. A venda da peça será registrada no sistema do Detran.

6) As sobras da desmontagem do carro, sem aproveitamento para venda, terão de ser descartadas em 30 dias, para evitar danos ao ambiente. Devem ainda ser revendidas para recicladoras credenciadas.

7) As polícias Civil e Militar, o Detran e a Secretaria Estadual da Fazenda fiscalizarão a venda de peças. O desrespeito à regra resultará em apreensão de peças e interdição do estabelecimento, além de eventual processo penal.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - De que adiantam leis se ninguém fiscaliza, executa ou aplica com punições severes no caso de descumprimento? Leis não aplicadas é como se não existissem.

CRIANÇAS E ADOLESCENTES

WANDERLEY SOARES, REDE PAMPA, O SUL
Porto Alegre, Terça-feira, 25 de Outubro de 2011.


A gravidade da agressão contra crianças é um debate que apenas eventualmente sai de um segundo plano

De acordo com a Sipani (Sociedade Internacional de Prevenção ao Abuso e Negligência na Infância), são 18 mil crianças agredidas por dia no Brasil. Pelo menos 750 são vitimizadas por hora e 12 são agredidas por minuto. De acordo com a psicóloga e supervisora da SOS Casas de Acolhida, Sônia Bagatini, que trabalha com crianças vítimas de violência, é preciso tomar uma atitude frente a essa situação. A SOS Casas de Acolhida é uma entidade sem fins lucrativos, que, desde 1993, acolhe crianças de zero a seis anos que foram afastadas do seu meio familiar. "Temos que refletir sobre isso. Não dá para esperar. A família, o governo e a sociedade devem participar juntos para cortar este circulo vicioso da violência contra a criança", afirmou a psicóloga. Ela, Sônia, tem toda a razão, mas por ora há um maior número de pessoas voltadas para a redução da responsabilidade penal de adolescentes para 16 anos e não tem tempo para pensar nas 18 mil crianças agredidas a cada dia.

Conselho Penitenciário

Nomeado pelo governador Tarso Genro, foi empossado, ontem, no cargo de presidente do Conselho Penitenciário do RS um homem com muitos anos de trabalho nesse campo, que é Rodrigo Puggina. A posse de Puggina foi presidida pelo secretário de Segurança Pública, Airton Michels, na sede daquela pasta

Morte na Redenção

O corpo de um jovem foi encontrado, na manhã de ontem, junto ao chafariz do Parque da Redenção, em Porto Alegre. A vítima foi identificada como Paulo Júlio Tavares da Silva dos Santos, 22 anos. A provável causa da morte é afogamento. Uma câmera de vigilância poderá auxiliar a polícia a esclarecer o caso

Santuário assaltado

Uma mulher funcionária do santuário de Nossa Senhora de Caravaggio, em Farroupilha. Ivete Marcanti, 44 anos, foi baleada na cabeça durante uma tentativa de roubo ocorrida, ontem, naquele local. Ela trabalha na loja de artigos religiosos que fica atrás da igreja. No início da manhã, dois ladrões chegaram de moto e um entrou no estabelecimento. Ele queria acesso ao cofre do santuário, mas não teve o pedido atendido. Um disparo foi feito e atingiu Ivete, que está hospitalizada

Escolas (1)

Número de arrombamentos de escolas está em queda em Porto Alegre. De acordo com a Brigada Militar, são 70 casos neste ano. Em 12 meses de 2010, foram 123, a maioria ocorre em instituições públicas. O chefe do Estado-Maior do CPC (Comando de Policiamento da Capital), tenente-coronel Paulo Stocker, credita o resultado ao aumento dos PMs residentes em colégios, além das patrulhas escolares

Escolas (2)

Três colégios da Capital registraram ocorrência de arrombamento no início da manhã de segunda-feira. De acordo com a polícia, vândalos quebraram vidraças e levaram objetos de escolas dos bairros Lomba do Pinheiro, São Borja e Restinga. Além disso, no bairro Belém Velho, a escola estadual Luiz Lima suspendeu as aulas por causa da ação de ladrões

Mulheres

A Polícia Civil prendeu quatro integrantes de uma quadrilha de tráfico de drogas que atuava no bairro Santos Dumont, em São Leopoldo. Foram apreendidas armas, drogas e um veículo Vectra. Segundo a polícia, duas mulheres gerenciavam o negócio.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

SEMIABERTO PARA MANDANTE DA EXECUÇÃO DE DOROTHY STANG

Condenado por morte de Dorothy Stang terá regime semiaberto; AGUIRRE TALENTO, DE BELÉM, FOLHA.COM, 22/10/2011

Um dos condenados pela morte da missionária norte-americana Dorothy Stang, o fazendeiro Vitalmiro Bastos Moura, o Bida, obteve na Justiça o direito a cumprir pena em regime semiaberto.

Bida foi condenado, em 2005, a 30 anos de prisão sob acusação de ser um dos mandantes do assassinato de Dorothy. Ele está preso em uma penitenciária em Belém.

Missionária Dorothy Stang é tema de ópera nos EUA

A progressão de regime foi obtida porque Bida já cumpriu cinco anos e quatro meses de reclusão, mais do que um sexto da pena (o mínimo exigido por lei).

O benefício foi concedido na última sexta-feira (21). Bida sairá da cela onde cumpre pena em regime fechado com outras 14 pessoas e irá para uma cela do regime semiaberto.

Terá direito a sair cinco vezes ao ano, para a comemoração de datas festivas, e também para trabalhar, caso obtenha um emprego.

O fazendeiro ainda tenta ser transferido para um presídio em Altamira (oeste do Pará), onde vive sua família, mas a Justiça até agora negou-lhe esse pedido.

"Nosso objetivo maior é obter a transferência para Altamira. Com o regime semiaberto, lá fica mais fácil para ele conseguir trabalho e ele ficará mais perto da família", afirmou o advogado Raimundo Pereira Cavalcante.

A MORTE DE DOROTHY

Dorothy Stang foi morta por um pistoleiro em 2005, aos 73 anos, quando se dirigia a um assentamento de agricultores em Anapu (a 766 km de Belém, no oeste do Pará).

Cinco pessoas foram condenadas por seu assassinato. Rayfran das Neves Sales foi acusado de ter efetuado os disparos, acompanhado por Clodoaldo Batista.

O fazendeiro Arnair Feijoli foi acusado de ser o intermediário entre os fazendeiros que queriam encomendar o crime e os pistoleiros.

Todos os três já foram condenados e atualmente cumprem pena em regime semiaberto.

Além deles, o fazendeiro Regivaldo Pereira da Silva, o Taradão, foi condenado em maio de 2010 por encomendar o crime.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Mais uma vez o Brasil mostra para o Mundo que é um paraíso da bandidagem. Benevolências prisionais para o mandante da cruel execução da missionária Stang. Não é a toa que a bandidagem está livre fomentando o terror pelo país, e que poderosos não se intimidam em mandar matar que se atravessa no seu caminho. O Brasil tem uma justiça morosa amparada por leis benevolentes e políticas prisionais tolerantes e plenas de privilégios para a bandidagem.

MEU ASSALTO, MEU SEGURO

FERNANDO ALBRECHT, COMEÇO DE CONVERSA, JORNAL DO COMERCIO, 24/10/2011

Uma autoridade disse há dias que o fato de ter diminuído a população carcerária nos presídios do Estado deve-se à maior eficiência no remanejo de vagas.

Pode até ter contribuído, mas qual o peso da redução de penas devido à nova lei que trata crimes como roubo e assalto afiançáveis?

As gangues têm até um “fundo” de resgate para bancar seus integrantes.

MAIS UM ÔNIBUS DE TURISTAS É ATACADO NA BR 386 EM FREDERICO

Trio assalta ônibus de estudantes que saiu de Santa Maria com destino ao Paraná. Motorista do coletivo foi surpreendido na BR-386, em Frederico Westphalen - RADIO GAÚCHA E ZERO HORA ONLINE, 24/10/2011. Atualizada às 15h26min

Pelo menos 24 ocupantes do ônibus que foi assaltado na madrugada desta segunda-feira na BR-386 ficaram presos por cerca de 40 minutos no porta-malas do veículo após a abordagem de criminosos no quilômetro 22 da rodovia.

O veículo, que partiu de Santa Maria com destino a Toledo, no Paraná, levava 22 estudantes de Filosofia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) a um congresso quando foi abordado em Frederico Westphalen, no norte do Estado.

— Eles achavam que o ônibus ia para o Paraguai, eu acho — afirmou Robson Rodrigues Carvalho, uma das vítimas.

O estudante teve a carteira com documentos e dinheiro roubados por volta da 1h30min, quando um dos dois motoristas do ônibus reduziu a velocidade para passar em um quebra-molas e foi surpreendido por tiros efetuados por assaltantes. Segundo a polícia, pelo menos quatro homens armados entraram no coletivo, um dos quais conduziu o veículo para uma estrada próxima.

O trio recolheu pertences como como celulares, máquinas fotográficas, dinheiro e cartões bancários de alguns passageiros e os documentos de um dos condutores. Depois, o grupo esvaziou o pneu dianteiro do veículo e trancou os estudantes e os dois motoristas no porta-malas, fugindo em um automóvel Siena de cor preta.

— Foi assustador. Ficamos presos durante uns 40 minutos, eu acho. Conseguimos sair forçando a porta do bagageiro — afirmou Robson, que foi uma das vítimas que conseguiu esconder o telefone celular, com os quais acionaram a polícia local.

Ninguém ficou ferido durante o assalto, e nenhum suspeito foi preso até o momento.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - É sabido que esta região do RS é local de risco e ponto de ataques a ônibus de excursão. Portanto, a Polícia Rodoviária Federal já deveria manter de forma permanente guarnições especiais patrulhando a região e monitorar o trânsito dos ônibus de excursão que passarem pela região.

ONDA DE HOMICÍDIOS NO RS

FESTA TRÁGICA. Garoto é morto na balada em São Leopoldo - LETÍCIA BARBIERI, ZERO HORA 24/10/2011

Um adolescente de 17 anos estava em um bar, em São Leopoldo, quando virou alvo de um homem armado. Na tentativa de socorrer o amigo, outros três adolescentes acabaram baleados – um garoto e duas garotas.

Era dia de festa no sábado, com a reabertura de um dos bares mais populares da Vila Paim, no bairro São Miguel, de São Leopoldo, até que um grupo entrou, às 2h, e abriu fogo contra Daniel de Borba Thimotheo. Ele não resistiu.

Moradores da Rua Manoel Monteiro do Nascimento acordaram com o tiroteio. Para quem estava lá ficou claro que o alvo era Daniel, mas cada amigo que tentou intervir acabou ferido. Pelo menos uma das garotas, com gravidade.

– Ele chegou pelas costas do Daniel e disse “isso aqui é pra ti ó” e começou a atirar. Ele atirava em todo mundo ali – relatou a namorada do adolescente, Mariana da Rosa, 22 anos.

Com o braço enfaixado, Daniela da Rosa Gomes, 18 anos, saiu do Hospital Centenário direto para o velório do amigo, no Cemitério Ecumênico de São Leopoldo. Durante o tiroteio, ela tentou puxar Daniel para o lado e acabou atingida na mão direita.

Os irmãos Daniele e Jonathan, de 18 e 23 anos, não tiveram a mesma sorte. Ela foi atingida pelas costas e permanecia ontem internada no hospital. Jonathan levou um tiro no pé e corre o risco de ter de amputá-lo.

Testemunhas apontam um morador do bairro Vicentina como o autor dos disparos.

Namorado morto

Uma mulher de 48 anos foi presa como a principal suspeita de ter assassinado o namorado, Irenoi de Mello, 55 anos. O fato teria acontecido na casa dela, no bairro Porto Blos, por volta das 15h de sábado, em Campo Bom. Ele chegou a ser socorrido pelo Samu, mas não resistiu.

Corpo em avenida

O corpo de um homem foi encontrado no final da tarde de sábado, por volta das 18h, na Avenida dos Municípios, no bairro Canudos, em Novo Hamburgo. O cadáver tinha marca de tiros e, até o final da tarde de ontem, ainda não havia sido identificado.

Homem assassinado

Patrício Santana de Oliveira, 26 anos, o Alemão, foi assassinado, no sábado à noite, às 22h25min, no Acesso 2 da Vila Valença, em Viamão. Ferido com três tiros no abdômen ele chegou a ser encaminhado ao Hospital de Caridade, mas não resistiu aos ferimentos. É o quarto homicídio naquela região em uma semana.

Morto a tiros

Um homem foi morto a tiros por volta das 23h30min de sábado, no bairro Rubem Berta, zona norte da Capital. De acordo com a Brigada Militar, Carlos Rafael Bittencourt Balparda, 23 anos, foi baleado com pelo menos oito tiros, na Rua Francisco Galecki.


Homem é morto com cinco tiros em bar de Gravataí, na Região Metropolitana. Vítima sofreu os disparos após se desentender com um homem que estava no local - ZERO HORA ONLINE, 24/10/2011 | 02h49min

Um homem foi morto a tiros no começo da madrugada desta segunda-feira em um bar de Gravataí, na Região Metropolitana. Foi por volta das 0h45min na Rua Anita Garibaldi, número 790, no bairro Morada do Vale I.

Segundo a Brigada Militar, Cristiano Alves dos Santos, de 34 anos, foi baleado cinco vezes após se desentender com um homem que também estava no estabelecimento.

A vítima chegou a ser socorrida pelo Samu, mas não resistiu aos ferimentos e acabou morrendo no Hospital Dom João Becker.

A polícia já tem informações sobre o suspeito, que fugiu do local depois de efetuar os disparos.

ATAQUES A BANCO CRESCEM FOMENTADOS PELA LEI DA IMPUNIDADE FEITA PELO CONGRESSO


TENDÊNCIA DO CRIME. Ataques a banco crescem em 2011. Policiais culpam facilidades da lei e temem onda de arrombamentos ainda maior nos meses de final de ano - ZERO HORA, 24/10/2011

Na sexta-feira, em Sapucaia do Sul, três homens tentaram arrombar um caixa eletrônico do Bradesco em um posto de combustíveis às margens da BR-116. Foram surpreendidos pela Brigada Militar, que prendeu um dos ladrões, enquanto os outros conseguiram fugir, sem o dinheiro.

Foi o centésimo ataque a banco neste ano no Estado. Para autoridades policiais, a ousadia dos ladrões tem em sua origem a mudança na lei que vem dificultando a prisão de autores de crimes cuja pena é de até quatro anos.

O número de ataques a agências e postos da rede bancária aumentou, até outubro, 13,5% em relação ao mesmo período de 2010. No ano passado foram 89 ataques até esta data.

A análise dos dados por parte de ZH e Rádio Gaúcha, com base em contabilidade das polícias, inclui roubos, furtos e tentativas. Os números são confirmados pelo delegado Juliano Ferreira, da Delegacia de Roubos e Extorsões.

A maioria dos furtos e roubos (incluindo tentativas) ocorreu em Porto Alegre, com 28 ataques, seguida de Caxias do Sul (seis) e Canoas (quatro). Seis em cada 10 assaltos ou arrombamentos ocorreram na Região Metropolitana – mesma média do ano passado.

Dois fatores se sobressaem quando analisadas as estatísticas disponíveis. O primeiro é que, se continuar nesse ritmo, a onda de ataques deve superar 2010. Sobretudo porque os dois meses finais do ano são, tradicionalmente, mais visados. É o período de compra para festas e de 13º, o que sempre representa uma maior circulação de dinheiro nas agências e nos terminais.

Arrombador fica pouco tempo preso

O segundo fenômeno que emerge do cotejo das estatísticas é que o número de arrombamentos (sem violência) supera o de assaltos (com violência). Não só em 2011, mas também no ano passado, o que evidencia que está se confirmando uma tendência. Este ano aconteceram 35 assaltos ou tentativas, contra 65 arrombamentos concretizados ou tentados. Ou seja, o número de vezes em que os ladrões tentaram entrar no banco sem usar armas é quase o dobro daquelas nas quais foi usado armamento. Em 2010 ocorreram 37 assaltos (com armas) concretizados ou tentativas contra agências bancárias e 76 furtos (arrombamentos, sem armas) concretizados ou tentados.

Experientes policiais tecem duas hipóteses para o crescimento dos arrombamentos e decréscimo dos assaltos. Uma delas é a fragilidade dos sistemas bancários de segurança, que tornam pouco difícil realizar arrombamentos noturnos. A outra é o afrouxamento da legislação penal, no que tange ao cumprimento das penas. Os ladrões sabem que ficam muito menos tempo presos se realizarem ataques sem violência. O delegado Juliano Ferreira ressalta que o furto oferece menos riscos ao bandido.

O perigo, para as quadrilhas, diminuiu ainda mais desde julho, quando passou a vigorar uma mudança no Código de Processo Penal que recomenda aos juízes a adoção de nove medidas alternativas à prisão para crimes com pena máxima de quatro anos (caso do furto), antes de determinar o encarceramento provisório de um suspeito. As medidas sugeridas vão desde uma simples reprimenda até prisão domiciliar ou pagamento de multa.

As alternativas incluem ainda o comparecimento periódico à Justiça, o impedimento de frequentar determinados locais, a proibição de se ausentar da cidade, o monitoramento eletrônico por meio de tornozeleiras e o afastamento do local costumeiro de trabalho, para evitar contato com cúmplices. Já nos casos de assalto, essas punições alternativas não se aplicam de forma automática. Ferreira reclama:

– Arrombador já ficava pouquíssimo tempo na cadeia. Agora, com a nova legislação, praticamente não esquenta banco atrás das grades.

Um exemplo citado pelo delegado é o de três paulistas presos em flagrante na Avenida Benjamin Constant, ainda com as ferramentas, dentro da agência. Ficaram menos de dois meses no presídio e já estão soltos, livres para voltar a agir e engrossar ainda mais as estatísticas.

TENDÊNCIA DO CRIME. Falta de estrutura antifurto preocupa

O sábado registrou mais um ataque a banco, o 101º do ano. A agência do Banrisul da Avenida Nossa Senhora das Dores, em Santa Maria, foi arrombada. Por volta das 8h30min, um cliente do banco, que foi ao local para retirar dinheiro, ligou para a Brigada Militar e avisou sobre o incidente. A fechadura da porta que dá acesso aos caixas eletrônicos foi violada, e o vidro interno da agência, quebrado. Foram levados uma CPU e um monitor. Não há registro de perda de dinheiro.

O que chama a atenção é que o arrombamento, silencioso, aparentemente não foi detectado pelos sistemas de vigilância do banco. Só foi descoberto porque um cliente viu os sinais da porta violada.

Arrombamentos acontecem muito devido à precariedade dos mecanismos de segurança bancária, opina o delegado Juliano Ferreira. Ele salienta que faltam portas blindadas nos estabelecimentos e também alarmes luminosos para alertar para arrombamentos, como o que aconteceu em Santa Maria. Faltam também câmeras de circuito interno de TV, vitais para identificar os autores dos crimes.

O delegado sugere ainda a adoção de cédulas com tintura (que mancham ao serem furtadas) nos caixas eletrônicos, procedimento quase não adotado no Rio Grande do Sul.

Operações desencadeadas pela Polícia Civil ao longo do ano reduziram, em 2011, a incidência de um dos mais temidos artefatos utilizados pelos arrombadores: os explosivos. O delegado Ferreira não tem a contabilidade final de todos os casos registrados, mas garante que o número caiu. Já o uso de maçarico, por meio do qual os ladrões praticam um lento arrombamento ao cortar o terminal, tem aumentado: já são pelo menos 29 este ano, contra 14 no ano passado.

SUA SEGURANÇA | Humberto Trezzi. Fábrica de arrombadores

Há uma semana, no dia 16, quatro homens foram presos em flagrante pela BM ao tentar arrombar uma agência do Banco do Brasil na esquina das avenidas Farrapos e São Pedro, em Porto Alegre. Estavam hospedados num hotel em Canoas e são suspeitos de dois arrombamentos na Capital. Eles continuam presos, até porque dois tinham antecedentes, inclusive com mandado de captura em aberto. O que chamou a atenção dos policiais é que a quadrilha era originária de Joinville (SC) como a maioria dos arrombadores surpreendidos pela polícia nos últimos anos.

Por incrível que pareça, arrombadores presos em outros seis Estados este ano tinham como origem Joinville. É o caso de quatro homens capturados em flagrante num hotel de luxo em Natal (RN). Eles já tinham sido presos, anteriormente, em Santa Catarina, Paraná, Bahia, Pernambuco, Paraíba e Maranhão. Todos eram naturais de Joinville e ganharam o apelido, óbvio, de “caixeiros”.

Alguns métodos deles se repetem. Usam documentos falsos, se comunicam pouco (apenas o necessário para finalizar o golpe), se reúnem menos ainda. Utilizam maçarico, pé-de-cabra, lonas para disfarçar a operação e fitas adesivas para tapar os alarmes. Fogem do Estado onde arrombam assim que o golpe é concluído, com passagens compradas de antemão.

Um dos “caixeiros” é detentor de um patrimônio avaliado em R$ 1 milhão, aplicado em carros de luxo, casas, uma chácara no interior de Santa Catarina, caminhões e, inclusive, lojas.

E por que Joinville? Conforme os policiais, esta cidade ficou conhecida, anos atrás, por sediar várias fábricas de caixas eletrônicos. A suspeita é de que os arrombadores tenham adquirido nessas fabriquetas o know-how para desmontar o produto ali fabricado, aplicando esse conhecimento no crime. Sabem exatamente onde cortar o equipamento sem danificar as notas.