SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

NÚMEROS DE PRIMEIRO MUNDO

O SUL, 31/08/2012

WANDERLEY SOARES

A visão do governo espraiada sobre a criminalidade tem o esoterismo da dialética da transversalidade.

Através de seus porta-vozes oficiais e, principalmente, pelos oficiosos, o governo, através da cúpula da segurança pública - abordei este tema ontem -, joga habilmente com palavras, desenvolve a retórica esotérica da transversalidade, trabalha com a alquimia dos números para explicar os índices oscilantes da violência e da criminalidade. Ao fim e ao cabo, é projetada para a sociedade a ideia de que estamos, em termos de segurança pública, no limiar do primeiro mundo. Estaria este humilde marquês exagerando em sua interpretação da dialética da transversalidade? Acredito que não, pois o próprio governo reconheceu o crescimento dos índices de homicídios no RS. Pois leiam, sobre isso, o que declarou para seus assessores midiáticos o secretário-adjunto da Segurança Pública, Juarez Pinheiro, orador arrebatador de plateias: "A curva de homicídios diminuiu. Considerando 90 dias antes da formação da força-tarefa da Brigada e 90 dias depois os resultados são positivos. A participação da Polícia Civil na força-tarefa, a apuração de responsabilidade nos homicídios, comparando junho e julho do ano passado com igual período de 2012, pulou de 12% para 63%. São números de Primeiro Mundo". Repito Juarez Pinheiro: "São números de Primeiro Mundo". Portanto, estamos prontos para a Copa. Estou quase despreocupado. No sábado, sigam-me.

Prisões

A Polícia Civil gaúcha deflagrou duas operações contra grupos criminosos na manhã de ontem que resultaram em 22 prisões. Foram capturados 14 envolvidos em homicídios, arrastões e tráfico de drogas em São Leopoldo, no Vale dos Sinos. No Vale do Taquari, houve a prisão de oito pessoas. Dos presos, em breve, a polícia deverá informar quantos ficaram, de fato, presos, e por quanto tempo.

Preventiva

O delegado Enizaldo Plentz encaminhará, hoje, ao Judiciário o pedido de prisão preventiva para o homem acusado de executar com três tiros o engenheiro civil Élio Ellwanger, de 53 anos. O crime ocorreu quarta-feira quando Élio chegava a sua casa no bairro Rondônia, em Novo Hamburgo, no Vale dos Sinos. Os motivos do crime não foram esclarecidos.

Saúde armada

Levantamento do Sindicato Médico mostra que nos últimos dois meses aconteceram oito casos de violência em hospitais e postos de saúde somente na Região Metropolitana. A continuar assim, o pessoal da saúde deverá trabalhar armado. Com armas não letais, é claro.

Copa

O governo federal publicou, ontem, no Diário Oficial da União, os detalhes do planejamento estratégico de segurança para a Copa do Mundo de 2014. As operações terão três focos: ameaças externas, proteção de portos aeroportos e fronteiras. As responsabilidades e despesas serão compartilhadas entre os governos federal, estaduais e municipais. Agora vamos esperar de como serão distribuídas, em cada área, as tarefas e quais os grupos ou pessoas, isoladamente, serão os felizes contemplados. A fila de candidatos é grande e não deverá parar de crescer.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

MÉDICO É ASSALTADO E POSTO FECHA

ZERO HORA ONLINE, Sem atendimento30/08/2012 | 11h53

UBS Chácara da Fumaça fecha por dois dias por falta de segurança. Médico do posto foi assaltado na manhã desta quinta-feira


Cartazes anunciam a interrupção das atividades Foto: Carlos Macedo / Especial

Eduardo Torres

O UBS Chácara da Fumaça, no Bairro Rubem Berta, estará fechado nesta quinta e sexta-feira por conta da falta de segurança na região. Nesta manhã, por volta das 6h45min, o médico que atende no local foi assaltado. Os bandidos levaram o veículo e documentos do profissional.

Indignados com a falta de segurança, funcionários suspenderam o atendimento e pedem garantias à Secretaria Municipal de Saúde. A estimativa é de 200 consultas agendadas deixem de ser atendidas.


DIÁRIO GAÚCHO

ASSALTO CAUSA TUMULTO EM BAIRRO NOBRE DE PORTO ALEGRE

ZERO HORA ONLINE, Porto Alegre30/08/2012 | 14h02

Assalto causa tumulto no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre

Carro foi abandonado na Praça Doutor Maurício Cardoso, próximo ao número 142

 

Carolina Rocha


Um assalto causou tumulto nas redondezas do bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre, no início da tarde desta quinta-feira. De acordo com o 9º BPM, uma mulher teve o carro, uma caminhonete Nissan, roubado na Avenida Cristóvão Colombo.

Ao arrancar com o veículo, o assaltante teria feito vários disparos.
Ninguém ficou ferido e não houve revide por parte de PMs ou policiais civis. O bandido acabou abandonando o carro nas proximidades da Praça Maurício Cardoso.

De acordo com relatos de testemunhas, teria ocorrido um tiroteio no local. O 9º Batalhão de Polícia Militar, que atendeu à ocorrência, não confirmou a informação. A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) foi acionada às 13h40min para bloquear o trânsito na região.

A NUDEZ DO SANTO

O SUL, 30/08/2012

WANDERLEY SOARES

A violência e a criminalidade permanecem numa perigosa oscilação com a tendência de um crescimento incontrolável.


O governo, através da cúpula da segurança pública, sempre há de encontrar um jogo de palavras, uma retórica, uma alquimia de números para explicar ora o aumento da ocorrência de homicídios e uma queda um tanto chinfrim dos roubos, ora a diminuição dos estelionatos e um índice zero de fugas do semiaberto com o uso de asa delta. Está um tanto difícil de explicar os explosivos contra agências bancárias, mas isso também envolve as estratégias de segurança pífias desses estabelecimentos. O certo, no entanto, incansavelmente tenho falado de minha torre que a segurança pública não alcançará uma estatura austera através de forças-tarefas desmontáveis ou de mutirões eventuais antecedidos com paradas midiáticas, o que é uma estratégia que minha vovó já denunciava como a arte de desnudar um santo para vestir outro. Enquanto esta estratégia vigorar, a violência e a criminalidade estarão com seus índices em perigosa oscilação, com a tendência de um crescimento incontrolável.

(...)

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Eu discordo totalmente do emprego de "forças tarefas" e de forças fictícias que desviam recursos dos órgãos competentes para apoiar um departamento para reduzir ou combater a criminalidade. Estas só ajudam a fomentar as divergências e desarmonia, aumentar os claros e criar atritos. Agora servem muito bem para uso midiático e personalístico. As questões de ordem pública não podem ser tratadas com políticas partidárias, ações superficiais e estratégias amadoras. As ações precisam ter suporte estratégico e técnico, um sistema de justiça criminal efetivo, duração além dos governos, continuidade na justiça e amparo em leis rigorosas e respeitadas.

(...) continuação da coluna...

Banco


A agência do banco Santander localizada no Centro de Estância Velha, no Vale do Sinos, foi assaltada na manhã de ontem. Três bandidos, que já estavam dentro da agência, renderam o gerente e outros funcionários que chegavam para trabalhar. A suspeita é de que o trio usou uma entrada de ventilação para acessar o interior do prédio. O coronel Paulo Henrique Sperb, comandante da Brigada Militar no Vale do Sinos, revelou que os assaltantes conheciam bem o sistema de segurança. Este é mais um episódio que deixa claro o desinteresse dos bancos pela segurança de seus funcionários. Neste ano ocorreram 104 ataques a banco e caixas eletrônicos no RS.


Bandido morto


Um homem identificado como Rafael Santos da Silva, de 26 anos, foi morto, na noite de terça-feira, durante tentativa de roubo a minimercado na Zona Sul de Porto Alegre. Três ladrões invadiram o estabelecimento localizado na avenida Juca Batista. Um cliente reagiu e houve tiroteio. O dono do mercado, Airton Luiz Padilha, foi atingido por dois tiros e está internado no HPS. De acordo com a Brigada Militar, Rafael tinha antecedentes criminais, acusado inclusive de um homicídio. Os outros dois ladrões conseguiram fugir.


Improvisos


A abertura do Presídio de Arroio dos Ratos está ocasionando correria nos corredores da Susepe e da Brigada relacionada à manutenção do contigente responsável pela segurança dessa casa prisional. Agentes penitenciários estão sendo convocados como diaristas para trabalhar naquele local e brigadianos destinados ao Presídio Central serão deslocados para lá, onde atuarão na segurança externa. Tudo improvisado, conforme o velho truque do cobertor curto, inclusive com a possibilidade de pagamento de diárias irregulares. E assim viaja a política penitenciária do RS.


O AUMENTO DA CRIMINALIDADE


ZERO HORA 30 de agosto de 2012 | N° 17177

 

EDITORIAL

A resistência da criminalidade no Estado, mesmo com a intensificação de ações das forças policiais, é um fenômeno preocupante para os gaúchos, que só podem se sentir ainda mais inseguros quando confrontados com as estatísticas oficiais. Se nem mesmo a força-tarefa da Brigada Militar e o aprofundamento das investigações pela Polícia Civil são suficientes para deter o avanço da violência, é preciso que as autoridades da área de segurança pública reforcem sua estratégia, permitindo que os gaúchos voltem a se sentir menos atemorizados com a livre atuação de criminosos.

Dados da Secretaria da Segurança Pública revelam que, de janeiro a julho, o total de homicídios no Estado aumentou 15,1%, em comparação com igual período do ano passado. No mesmo período, o número de roubo de veículos cresceu 5,1%, ao mesmo tempo em que o de posse e tráfico de drogas ampliou-se de forma considerável. Mais uma vez, confirma-se na prática o quanto crimes contra a vida estão geralmente associados a drogas ilícitas e a ataques contra condutores de veículos. Qualquer combate eficaz contra o crime, portanto, precisa levar em conta esses dois aspectos.

Autoridades de segurança reconhecem a gravidade dos dados, mas admitem que alguns percentuais chegaram a se mostrar ainda mais elevados. A particularidade de, agora, mesmo altos, estarem com tendência de queda indicaria que a força-tarefa dos policiais teria começado a dar resultados nos últimos meses. É pouco, porém, para servir de consolo, ainda mais levando-se em conta que essas operações têm prazo para terminar.

O que o Estado precisa garantir são providências de impacto contra o crime, tanto de caráter preventivo quanto repressivo, que acenem com respostas imediatas e a longo prazo. Os gaúchos não podem se conformar com a perspectiva de que o avanço na criminalidade deve ser visto como inevitável, pois é possível, sim, detê-lo com ações firmes.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - O editorial (ZH 30/08) segue tendência equivocada e visão distorcida daqueles que buscam soluções meramente policiais para combater os delitos, mesmo que, na prática, vislumbrem circunstâncias que envolvem drogas ilícitas e ataques contra condutores de veículos. Sim, é possível deter o avanço da criminalidade com "AÇOES FIRMES", mas "estas" não estão nas forças policiais, mas nas leis, na eficácia do sistema de justiça criminal, na execução penal e na vontade dos Poderes que governam o Brasil.  Atualmente, os esforços policiais estão sendo desmoralizados por leis elaboradas por legisladores benevolentes, por políticas prisionais liberais e desumanas, e por uma justiça soberba, morosa, burocrata, distante, descompromissada e desinteressada da ordem e da severidade.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

A SEGURANÇA PROMETIDA







WANDERLEY SOARES
O SUL Porto Alegre, Quarta-feira, 29 de Agosto de 2012.

Depois da novela, a vida real continua e o Diabo não dorme.

Um preso do regime semiaberto, de 39 anos de idade, foi flagrado dirigindo sem habilitação e armado com uma submetralhadora. Ele foi pego durante a madrugada de ontem na RS-734, em Rio Grande. O apenado, que tinha permissão para realizar serviços externos, também carregava uma pistola devidamente municiada. Este regime semiaberto é sempre festejado por bandidos profissionais e significa uma preocupação para a polícia e uma ameaça constante contra a sociedade. Este é um dos problemas na área da segurança pública que os governos vão rolando de promessa em promessa. Sigam-me.

Graças

Nessa moldura, vale lembrar de que quem faz promessas para seus ícones de devoção honram seus compromissos uma vez que tenham recebido as graças almejadas. Bem mais cômoda é a missão do político que faz a promessa para seu grande santo, que é o eleitor. Ele recebe a graça, que é o voto, no dia certo e realiza seus pagamentos, quando realiza, pela metade em dias incertos e, invariavelmente, complementando a dívida com outras promessas. Acontece que a segurança pública não pode continuar a ser envolta por esses artifícios, pois ela é a base da vida dos cidadãos em todas as suas atividades nas 24 horas do dia e não apenas até começar a novela das oito. Depois da novela, a vida real continua e o Diabo não dorme.

Vigilantes

Três pessoas foram presas, ontem, em operação da Polícia Civil do Espírito Santo, em parceria com policiais gaúchos. As investigações começaram no Estado capixaba. Os acusados, estelionatários profissionais, eram donos de quatro empresas de vigilância privada.

Pânico

Uma joalheria foi arrombada no Centro de São Martinho, no Noroeste do Estado, na madrugada de ontem. Segundo uma testemunha, diversos indivíduos participaram da ação. Os criminosos chegaram a dar disparos em via pública, provocaram pânico, mas terminaram fugindo sem levar nada.

Ciclistas

Um PM de folga foi baleado ao tentar prender dois criminosos que assaltaram uma lan house em Santa Maria na noite de terça-feira. Os bandidos estavam de bicicleta e levaram um vídeo game. Quando o soldado, Leonardo Gomes Toledo, 26 anos, tentou parar os ciclistas, foi baleado no rosto e num dos braços. O PM está internado no Hospital de Caridade de Santa Maria. Os ladrões que, claramente, atiraram para matar, conseguiram fugir.

Meninos

Em Caxias do Sul, na noite de terça-feira, houve um tumulto no Centro de Atendimento Socioeducativo. Por volta das dez horas, um interno rendeu o monitor que abria a cela. O infrator, um meninão de 19 anos, queria a chave de outras celas para que adolescentes pudessem invadir uma ala. Monitores de plantão, sempre com o cuidado de não machucar os meninos, conseguiram controlar a situação.

Estranho inquérito

Continua muito estranho o tratamento dado pela Brigada Militar para o caso de uma soldado e uma sargento acusadas de envolvimento na facilitação de entrada de visitantes na Penitenciária Estadual do Jacuí. Ninguém sabe o encaminhamento que foi dado ao inquérito, o que esta causando um mal estar entre os próprios brigadianos, principalmente para aqueles que apontaram as irregularidades.

AVANÇO DA VIOLÊNCIA NO RS


ZERO HORA 29 de agosto de 2012 | N° 17176

Alta de homicídios resiste a força-tarefa na segurança. Assassinatos no Estado cresceram 6,9% em julho, em meio a mobilização policial para frear crimes

ÁLISSON COELHO 

A mobilização das forças policiais ainda está sendo insuficiente para conter os homicídios no Rio Grande do Sul. Dados divulgados ontem pela Secretaria da Segurança Pública apontam que os assassinatos aumentaram 6,9% em julho, na comparação com o mesmo período do ano passado. As autoridades, no entanto, acreditam que o reforço no policiamento tem ajudado a reduzir os roubos.

Amaior parte dos municípios da Região Metropolitana contempladas por aumento de efetivos da Brigada Militar registrou crescimento das mortes violentas. Das cinco cidades que receberam reforço de PMs do Interior, em três os homicídios aumentaram no mês de julho: Alvorada, Cachoeirinha e Viamão. Porto Alegre teve o mesmo número de casos e apenas Viamão registrou queda em relação a julho de 2011. A força-tarefa da BM deve ser mantida até a primeira quinzena de setembro.

Nos sete primeiros meses do ano, os assassinatos aumentaram 15,1% no Estado, na comparação com o mesmo período do ano passado. Para o secretário da Segurança, Airton Michels, a expectativa é de que os resultados da força-tarefa devem ser colhidos nos próximos meses.

– Fomos surpreendidos pelo crescimento dos homicídios no primeiro semestre, que chegou a ser de mais de 20%. O que nos conforta um pouco é que o ritmo desse crescimento diminuiu no final do semestre – destacou.

Já a diminuição de 11,1% dos casos de roubos, conforme avaliação do secretário, pode ser um reflexo do aumento de efetivo da BM na ruas.

Secretário destaca resultados obtidos pela Polícia Civil

Dos seis municípios que ganharam reforço de policiais civis – para vitaminar as investigações de casos de homicídios –, em metade houve redução das mortes em julho: Caxias do Sul, Passo Fundo e Viamão. No entanto, Alvorada, Guaíba e São Leopoldo registraram mais assassinatos.

– Nosso grande investimento para conter os homicídios é na investigação. Em 62% dos casos, a autoria dos crimes foi identificada no mês passado, e acreditamos que isso será refletido nos próximos meses – afirma Michels.

Novo Hamburgo registra disparada de assassinatos

A disparada dos casos de homicídios em Novo Hamburgo tem alarmado a polícia. Nos primeiros sete meses do ano, o município do Vale do Sinos registrou aumento de 81,8% nos casos na comparação com o mesmo período do ano passado.

Em julho, seis pessoas foram assassinadas na cidade – contra apenas um caso registrado no mesmo mês do ano passado. Com esse avanço da violência na cidade, 2012 já é o ano com maior número de homicídios desde 2002, quando a Secretaria da Segurança Pública passou a divulgar os índices da criminalidade. Para se ter uma ideia, até 31 de julho o número de assassinatos em Novo Hamburgo praticamente igualava as estatísticas de 2011: foram 60 homicídios nos sete primeiros meses do ano contra 61 registrados em todo o ano passado.

Uma equipe especializada passou a investigar os casos no início de junho. De acordo com o titular da Delegacia de Homicídios, Enizaldo Plentz, em julho foram esclarecidos 80% dos crimes, o que deve melhorar os indicadores nos próximos meses. Para o delegado, por trás da escalada da violência está o tráfico de drogas em bairros pobres da cidade.

– Notamos que a maioria desses crimes envolvem pessoas que já estavam na criminalidade. Grande parte dos casos tem como componente o tráfico, o que mostra que o problema é maior. Esperamos diminuir esses índices – explica Plentz.

Para o secretário da Segurança Pública, Airton Michels, o momento é de avaliar o que está acontecendo na cidade. Não estão descartadas mudanças na estrutura do efetivo policial do município.

– Já tivemos uma mudança no comando da BM. Mesmo com a redução do crescimento (de homicídios) em junho e julho, vamos analisar o que mais é necessário – disse Michels.

Trensurb sofre onda de assaltos

O trensurb registra a maior onda de assaltos nos últimos seis anos. Com o 19º ataque às bilheterias – ocorrido na noite de sábado, na Estação Mathias Velho, em Canoas –, a média de roubos por mês em 2012 chegou a 2,37. Em 2006, a média foi de 2,25. O número é ainda mais alarmante se comparado com o ano passado, em que ocorreram nove roubos (média mensal de 0,75).

Há duas semanas, a Trensurb informou que o trabalho de segurança é de natureza operacional – prestar assistência ao usuário – e não patrimonial. E que a política da empresa é evitar a presença de vigilância armada nas estações, para preservar a integridade de usuários e empregados. A implantação da bilhetagem eletrônica é uma alternativa para diminuir a circulação de dinheiro das estações e, com isso, os roubos.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Será que os nossos governantes (governos, legisladores e magistrados) ainda não aprenderam que não se freia o crime só com forças policiais. É lógico que a presença permanente de policial nas ruas, a resposta rápida na contenção, as investigações bem apuradas e uma perícia operacional eficiente são muito importantes, mas estas são apenas uma parte de um sistema de justiça criminal que no Brasil está desintegrado, fracionado, corporativo e inoperante, criando mais atritos entre as instituições do que resultados para a ordem pública e segurança população.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

SP: CAEM HOMICÍDIOS, SOBE LATROCÍNIOS E OUTROS CRIMES

 
FOLHA.COM 28/08/2012 - 03h00
 28/08/2012 - 03h00

Homicídio cai, mas cresce latrocínio em São Paulo

AFONSO BENITES
DE SÃO PAULO

Após a cúpula da Segurança Pública admitir que São Paulo passava por uma escalada da violência no primeiro semestre deste ano, as estatísticas de julho apontam que houve uma reversão no aumento da criminalidade.

Comparando o mês de julho deste ano com o mesmo período do ano passado, tanto o Estado quanto a capital reduziram o número de casos de homicídios dolosos (intencionais). A queda foi de 7,7% e 13,2%, respectivamente.

Essa redução, porém, ainda não foi suficiente para alterar o quadro dos sete primeiros meses deste ano, em comparação ao mesmo período de 2011, com o crescimento de quase todos os índices criminais no Estado.

Em julho, foram registrados 347 casos de assassinatos, com 380 vítimas no Estado (média de 12 ao dia). Na capital paulista, foram 92 casos e 102 vítimas (três ao dia). Na mesma ocorrência, pode haver mais de uma vítima.

Se considerado o acumulado do ano, porém, São Paulo teve um aumento de 5,9% e a capital, 15,3%.

Junho deste ano havia sido o mais violento dos últimos 18 meses no Estado.

A alta das mortes coincidiu com o período no qual oito policiais militares de folga foram mortos com características de crimes encomendados e com suspeita de ligação com o crime organizado.

Já a quantidade de latrocínios, que é o roubo seguido de morte, cresceu 55% no Estado e dobrou na capital.

"A SSP comemora a redução avaliando o número de casos. O correto é ver o número de vítimas. Se somarmos as vítimas de homicídio com as de latrocínio, notamos que o número é quase o mesmo. Não há o que comemorar", disse a coordenadora de análise de dados do Instituto Sou da Paz, Lígia Rechenberg.

Fazendo a soma sugerida pela especialista, chega-se ao número de 115 mortos na capital em 2011 e 114 neste ano.

Já o comandante da PM, Roberval Ferreira França, afirma que a queda na criminalidade é uma tendência.

OUTROS CRIMES

Os dados divulgados pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB) também mostram aumento em estupro, roubo de banco, veículo, carga e furto de veículo.

"A redução dos casos de crimes contra o patrimônio [roubos e furtos] só é possível com o investimento em inteligência. Não adianta só botar polícia na rua, se ela não é alocada com eficiência e se as investigações não são bem feitas", afirmou Rechenberg.


Revertemos a tendência de alta, afirma comandante da PM


Escalado pela Secretaria da Segurança Pública para falar sobre os índices criminais divulgados ontem, o comandante da Polícia Militar de São Paulo, coronel Roberval Ferreira França, afirmou que a redução dos homicídios se deve ao aumento do policiamento na rua, a maior integração das polícias e à resolução de casos.

"Fizemos um conjunto de operações e aprimoramos a análise dos nossos indicadores para atuar melhor nas áreas onde há maior incidência criminal", afirmou.

Segundo França, essas mudanças ocorreram de junho para cá, quando a Secretaria da Segurança Pública notou que o Estado enfrentava uma escalada da violência.

"Podemos dizer que revertemos a tendência de alta porque os indicadores da primeira quinzena de agosto nos mostram que estamos tendo menos crimes", disse.

Sobre o aumento dos latrocínios, o roubo seguido de morte, o comandante afirmou que "lamenta a perda de vidas", porém, que o aumento do número absoluto é pequeno em relação ao tamanho da população da capital.

"Na cidade de São Paulo, foram 12 casos, seis a mais do que em julho do ano passado. É pouco se levarmos em conta a população de 11 milhões de habitantes."

Editoria de Arte/Editoria de Arte/Folhapress



CRIMES DIFERENTES

Sobre o cálculo feito pela representante do Instituto Sou da Paz para medir a criminalidade, somando o número de vítimas de latrocínio com as de homicídios dolosos, França afirmou que a polícia evita fazer essa conta porque induz a um eventual erro na estratégia de combate à criminalidade.

"Crimes diferentes devem ser combatidos de maneira diferente. No latrocínio, o objetivo do criminoso é roubar. No homicídio, não." (Ab)

Eduardo Anizelli - 18.abr.12/Folhapress



A SEGURANÇA PÚBLICA TAMBÉM PRECISA DORMIR

O SUL - Porto Alegre, Terça-feira, 28 de Agosto de 2012







WANDERLEY SOARES

A escola e a Copa.

É nos detalhes que é possível verificar a estratégia de segurança da Capital que se prepara para o grande evento.

Uma escola municipal de educação infantil no bairro Restinga, Zona Sul de Porto Alegre, suspendeu as aulas ontem, devido a furto e ato de vandalismo. Criminosos quebraram vidros de sete salas da escola Florência Sócias. De acordo com a Guarda Municipal, a ação só foi percebida quando funcionários chegaram no início da manhã. Os invasores atearam fogo em uma sala de aula. Um computador foi furtado. Os 195 alunos foram dispensados. A turma da sala que foi incendiada também não terá aulas hoje. A secretária municipal de Direitos Humanos e de Segurança Urbana, Sônia D'Ávila, confirmou que o alarme da escola não funciona devido a uma disputa judicial. Outras vinte escolas estão com alarmes desativados. Eis aí o nível das estratégias de segurança em nossas escolas, com a sempre ausente Guarda Municipal. Isso também reflete uma ponta do nível de segurança com que conta cada cidadão, por ora, na Porto Alegre da Copa.

Barbárie

A Polícia Civil encontrou, por volta do meio dia de ontem, a cabeça de Andressa Hann, de 22 anos, morta em Imigrante, durante a madrugada. A cabeça estava em um matagal, na Linha Herval, a 5 quilômetros do local do assassinato. No local também estava uma motocicleta. Segundo o delegado José Romaci Reis, o ex-namorado é apontado como autor da barbárie. O corpo da moça foi encontrado na casa do acusado, no Centro da cidade. Inutilmente, os cientistas do espírito, da alma e da psique hão de debater esta monstruosidade.

Apenados

Um Protocolo de Ação Conjunta entre a Susepe (Superintendência dos Serviços Penitenciários) e a empresa M.C.Lopes Serviços e Transportes Ltda., firmado ontem, irá viabilizar trabalho para 15 apenados do Instituto Penal de Viamão. As atividades serão desenvolvidas na coleta de resíduos industrial e doméstico nos municípios de Cachoeirinha, Gravataí e Sapucaia do Sul.

Ciclistas

Ciclistas distribuidores de água sem controle de suas empresas e, muito menos, do poder público, continuam rodando agressivamente pelos passeios, mesmo em locais de maior movimento de pedestres, como é o caso do Centro Histórico da Capital. Aliás, parte de ciclistas desportistas costuma, todos os domingos, praticar esse tipo de agressão contra quem frequenta o Brique da Redenção, ao mesmo tempo em que pedem para serem respeitados. Estes mesmos agressores querem uma cidade mais humanizada.

Noite

Ficou anotado nos anais de minha torre que um canhão da mídia descobriu que cidades pequenas do RS estão sem policiamento noturno. Creio que os descobridores desta carência não costumam sair à noite em Porto Alegre ou mesmo andar pelas maiores cidades do interior do Estado. Afinal, a segurança pública também precisa dormir.

JOVEM É MORTA E DECAPITADA

ZERO HORA 28 de agosto de 2012 | N° 17175

IMIGRANTE - Jovem é morta e decapitada

VANESSA KANNENBERG

Uma jovem de 22 anos foi morta e decapitada ontem em Imigrante, no Vale do Taquari. O crime aconteceu durante a madrugada na casa do ex-namorado da vítima, no Centro. Andressa Hann, 22 anos, morava em Teutônia e teria terminado o relacionamento há sete meses. Para a Polícia Civil, o suspeito do crime é o ex-namorado da vítima. Gilson Alan Altmann, 25 anos, conforme a BM, ligou para familiares após o crime. PMs encontraram o corpo dela sem a cabeça na casa. Na parede, Altmann teria deixado um recado, escrito com sangue, pedindo desculpas. Ele fugiu de moto, levando a cabeça. O veículo e a cabeça foram encontrados em um matagal. O suspeito não foi localizado.

– Tudo indica que seja crime passional – afirmou o delegado José Romaci Reis.

GUAÍBA - Cliente é morto ao reagir a assalto

A Polícia Civil de Guaíba tenta confirmar a suspeita de que um adolescente de 15 anos seja o autor de um latrocínio (roubo com morte), na tarde de domingo. Floriano de Souza e Silva, 62 anos, fazia compras em um minimercado quando reagiu a um assalto e foi morto. O assalto aconteceu por volta das 15h, no mercado Big Bom, na Rua X-14. Segundo testemunhas, um garoto teria ido até os fundos do estabelecimento. Enquanto isso, o comparsa, identificado como Alex Vieira Costa, 26 anos, anunciou o assalto. Floriano, que recém havia pagado as compras, estava guardando o troco. Vigia da rua, ele sacou um revólver e matou Costa. Mas não contava que o comparsa estava dentro da loja.

– Segundo o relato das testemunhas, o guri praticamente encostou a arma na nuca do idoso e atirou – contou um policial.

VACARIA  - Morto a tiros

Antonio Luiz Gomes, 32 anos, foi morto a tiros por volta das 5h, quando saía de casa, na Rua Carlos Schüller, no bairro Municipal, para comprar cigarros. A polícia investiga a motivação e a autoria do crime.

DÉCADAS DE QUEIXAS

ZERO HORA 28 de agosto de 2012 | N° 17175

SUA SEGURANÇA | HUMBERTO TREZZI


Representantes dos guincheiros gaúchos têm se esmerado, ao longo dos últimos dias, em dizer que queixas de furtos em depósitos credenciados pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) são esporádicas e pontuais. Não são. Desde o início de 2010, 45 punições foram aplicadas a depósitos terceirizados pelo Detran por irregularidades encontradas e vários dos casos se referem ao desaparecimento de peças dos veículos.

O jornalista Sérgio Becker fez a gentileza de trazer, na semana, a Zero Hora, um dossiê a respeito, formado por notícias de jornais e acompanhamentos processuais. São mais de 30 páginas com relatos impressionantes de vítimas de funcionários de depósitos que praticavam furtos nos veículos recolhidos, a exemplo dos flagrados por ZH em reportagem do dia 19.

Um dos casos é surrealista. Em 2002, o dono de um depósito em Porto Alegre foi preso em flagrante pelo dono de um carro, que constatou o sumiço do estepe, macaco e alto-falantes do seu veículo. Poucas pessoas sabem, mas qualquer cidadão pode prender alguém em flagrante, desde que comprovado o crime em andamento. O dono do veículo levou o guincheiro à Polícia Civil, onde ele foi autuado em flagrante por peculato e levado ao Presídio Central. Foi liberado dias depois.

Em outro caso rumoroso, de 2000, uma empresária viu o carro desaparecer, enquanto ela se divertia com amigos em um bar. Achou que tinham furtado. Ligou para as autoridades, para depósitos e nada de o veículo aparecer. Passados 48 dias, ela recebeu de um policial a informação de que o veículo estava em um depósito da zona norte da Capital. Foi lá, e os funcionários do guincho negaram a presença do automóvel ali. Indignada, ela entrou à força e vistoriou 150 carros, até encontrar o Uno. Ela nunca entendeu como o carro estava lá, mas todos negavam.

Entre 2007 e 2009, apenas em Porto Alegre, o Detran abriu oito investigações sobre desaparecimento de peças. Outro tipo de irregularidade, que levou inclusive a descredenciamento, era o depósito cobrar hospedagem dos veículos furtados – ilegal, já que vítimas de crimes ficam isentos de pagar a estadia em pátios oficiais. Como se vê, reclamações contra depósitos não têm nada de raridade.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

TIROTEIO EM PAGODE: 6 MORTES E 14 FERIDOS

FOLHA.COM 27/08/2012 - 08h33

Tiroteio deixa seis pessoas mortas e 14 feridas em Belo Horizonte


Seis pessoas morreram e outras 14 ficaram feridas em um tiroteio na noite de ontem em uma casa onde ocorria um show de pagode, próximo a um restaurante, no bairro São Geraldo, em Belo Horizonte. Nenhum suspeito foi preso.

Segundo a Polícia Militar, todas as vítimas estavam no show na rua Itaité, quando dois homens armados chegaram, por volta das 23h50, e fizeram os disparos. A corporação afirma acreditar que os criminosos tentavam atingir duas pessoas que estavam no local.

Os bandidos fugiram em uma moto após os disparos. A polícia ainda investiga o que teria motivado o crime e se os envolvidos teriam envolvimento com gangues da região. No local do crime, a polícia apreendeu uma submetralhadora 9 milímetros, de uso exclusivo das Forças Armadas.

As vítimas foram socorridas e encaminhadas para o Hospital João 23, mas ainda não foi informado o estado de saúde delas.

ADOLESCENTE E BEBÊ SÃO EXECUTADOS A TIROS

ZERO HORA 27 de agosto de 2012.

CANOAS - Adolescente e bebê são mortos a tiro

A Polícia Civil deve começar a ouvir hoje depoimentos para tentar esclarecer um crime brutal, em Canoas, na Região Metropolitana. Uma adolescente de 17 anos foi morta com um tiro enquanto amamentava o filho, de apenas 12 dias. Atingido, o bebê também morreu. O crime aconteceu na noite de sexta-feira, na casa em que Tainá dos Santos Noronha vivia com um jovem de 25 anos e o filho, Nathan. O imóvel fica no mesmo pátio da residência dos sogros da garota. A bala atingiu a cabeça da criança e o peito de Tainá. Mãe e filho foram socorridos, mas a adolescente morreu antes de chegar ao Hospital Nossa Senhora das Graças, em Canoas. O bebê foi transferido para o Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre e também não resistiu ao ferimento. Conforme o delegado, a arma do crime não foi encontrada pelos policiais, mas a suspeita é de que se trate de um revólver. A autoria do disparo ainda está sendo investigada.

CAXIAS DO SUL - Homicídio

A Polícia Civil de Caxias do Sul aguarda resultados da perícia e da necropsia para esclarecer se Daisy Cruz, 24 anos, foi coberta por terra e pedras ainda viva. O relato foi dado à polícia, na sexta, pelo ex-namorado da jovem, Marcelo Sidinei Pires, 30 anos, que confessou o assassinato e foi preso.

CACHOEIRINHA - Árbitro é assassinado

O árbitro de futsal Carlos Roberto Pereira, 39 anos, foi morto a facadas na noite de sábado no pátio de um condomínio na Rua Jacuí, bairro Princesa Isabel, em Cachoeirinha. Ele foi atingido por volta das 21h50min. A Brigada Militar foi chamada, mas o autor já havia fugido do local.

SUMIÇO DE OBJETOS


ZERO HORA 27 de agosto de 2012 | N° 17174

 

DEPENADOS. Mais uma denúncia sobre depósito

Mulher alega que vários objetos deixados por assassinos de seu irmão dentro de carro roubado sumiram no SOS Esteio

 FRANCISCO AMORIM E HUMBERTO TREZZI

Na semana em que estão previstos os depoimentos dos suspeitos de furtos em veículos dentro do pátio do Centro de Remoção e Depósito SOS Esteio flagrados por Zero Hora, um novo caso vem a público. E novamente o palco são as instalações do depósito credenciado pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) na Avenida das Indústrias, na zona norte da Capital.

Abalada pela perda do irmão assassinado em julho dentro de casa no bairro Teresópolis, Andrea Nunes de Oliveira, 41 anos, sofreu um segundo golpe na última sexta-feira. Quando foi até o depósito SOS Esteio para reaver pertences deixados pelos assassinos dentro do Astra do seu irmão, recolhido para perícia, ela descobriu que o carro estava vazio.

– Os assassinos carregaram o carro com TV, netbook, aparelho de som, mas fugiram sem o veículo, que foi recolhido para perícia. Então, eu consegui autorização na delegacia para pegar essas coisas. O netbook, por exemplo, tem fotos da família, coisas importantes para nós – conta Andrea, que é assistente administrativa.

Com o auto de restituição em mãos, assinado pelo delegado Cleber Lima, da 1ª Delegacia de Homicídios, Andrea foi na manhã de sexta-feira ao depósito, mas ao abrir o veículo não localizou nenhum dos bens. Em uma sala, ela disse ter recebido informalmente uma proposta de indenização, a qual recusou.

– Me senti acuada dentro de uma sala, então saí e fui registrar ocorrência em uma delegacia (12ª Delegacia da Polícia Civil, no Sarandi). Como desaparecem com as coisas de um carro envolvido em um crime de homicídio? Não estou atrás de dinheiro, quero o computador do meu irmão de volta. Parte da história dele está ali – desabafou.


Advogado admite sumiço


O advogado do SOS Esteio, César Peres, admitiu o desaparecimento dos objetos. Peres afirma que o check in de remoção comprova que o Astra chegou ao local no dia 10 de julho com todos os bens listados pelo delegado.

– Constatamos que os objetos desapareceram do interior do veículo. Vamos indenizar. O SOS Esteio trabalha com funcionários, isso pode acontecer – afirmou.

O caso será incluído na investigação da Delegacia de Roubos de Veículos, aberta após flagrantes feitos por Zero Hora de furtos de peças de um Uno e de um caminhão Mercedes-Benz no depósito SOS Esteio, situado na Zona Norte da Capital – que foi interditado para a entrada de veículos.

O inquérito anexou as fotografias feitas por ZH e inclui depoimentos prestados pelos repórteres que assistiram aos fatos. A delegada titular da Delegacia de Roubos de Veículos, Vivian Nascimento, aguarda a chegada de documentos do Detran – incluindo vistorias no depósito – para encorpar o inquérito.

Na próxima semana, devem ser ouvidos a proprietária do SOS Esteio, Janete Benini, e três funcionários flagrados furtando as peças.

O caminhão tinha sido recolhido ao SOS Esteio em uma operação contra veículos clonados. Mesmo sendo um veículo que a Polícia Civil deixou aos cuidados do depósito, os funcionários do SOS Esteio tiraram dele o tacógrafo e o velocímetro. Do Uno, foram furtados a bateria, tubos de gás veicular, bancos e o som.

domingo, 26 de agosto de 2012

O MEDO LATINO


CORREIO DO POVO/RS
ANO 117 Nº 331 - PORTO ALEGRE, DOMINGO, 26 DE AGOSTO DE 2012

Oscar Bessi Filho

Enquanto um ou outro ainda discute se é competência desta, daquela Polícia, dos Smurfs ou dos escoteiros mirins atender à vontade do povo e tirar traficantes e bandidos das ruas, ou, na contramão do desespero popular, gestores públicos tentam liberar a droga para legalizar de vez o descontrole, veio a ONU mostrar o que já sabemos. O que já sentimos. O que anda na contramão a um palmo de nossas mãos - amarradas. Claro, desde que não passemos nossos dias protegidos numa ilha da fantasia filosófica, sem enfiar o pé na lama que nos cerca e sem se dar conta de que a violência tem densidade, cheiro, cor e gosto amargo para quem a experimenta. E gera trauma em suas vítimas. Traumas irreversíveis. Ah, nosso cotidiano é pautado pelo medo? Nenhuma novidade.

O relatório Estado das Cidades da América Latina e do Caribe, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), manchete de capa no Correio do Povo da última quarta-feira, destacou que a violência é a principal preocupação de seus cidadãos. Cidadãos esses que convivem com as maiores taxas de homicídios do planeta e com urbanização descontrolada, abandono do campo e o desequilíbrio das relações num consumismo apelativo, inescrupuloso, que rasga de valores e atropela o amor, as humanidades. Políticas sociais paliativas e demagógicas sob uma cultura de guerra, malandragem e corrupção. A exclusão e a insegurança permanecem sendo um baita negócio, público e privado. Temos jeito?

Temos. Mas as ações públicas devem ser fortes e definitivas. Já vencemos a moda de fazer charme com cigarro e exibir celulares gigantes, por que não venceremos a inversão de valores e a desesperança? Mas vejo um alerta ainda mais grave nessa pesquisa. O risco democrático. O olhar desconfiado sobre a liberdade que nos custou tanto para ser recuperada. Pensem. O maior medo do latino-americano, fora enfrentar argentinos na Libertadores, já foi a volta das ditaduras. Não é mais? Opa. Algo está errado. Muito errado.

Insisto: enquanto o cidadão mais simples precisar colocar grades em sua casa, ficar tenso ao pendurar a roupa em seu varal, não permitir ao filho brincar na rua e sentir calafrios ao sair à noite, seja a pé em ruas mal iluminadas, num ônibus que pode ser assaltado e queimado ou ao parar seu carrinho numa sinaleira, o alerta é pior. Que o medo cansa. E traz a desforra, motivada pela falta de fé em quem controla esta sociedade e se omite, ou faz tudo ao contrário e ainda se locupleta. A premissa maior da civilização dá lugar ao olho por olho. É o momento em que a cidadania se perde, a liberdade escapa outra vez e a violência, banal e pretensamente justificada, triunfa.

COMO ACHAR UMA AGULHA NUM PALHEIRO


ZERO HORA 26 de agosto de 2012 | N° 17173

CARTA DA EDITOR | Pedro Dias Lopes


Responda rápido: roubam-se mais carros em Porto Alegre na Avenida Protásio Alves, na Assis Brasil, na Ipiranga ou na Bento Gonçalves? “Sei lá”, é uma resposta natural e plenamente aceitável. Como é que se vai saber?

A partir deste domingo, essas e outras milhares de perguntas têm resposta rápida e fácil no site de Zero Hora. Estamos lançando uma seção de datajournalism, ou jornalismo de dados, uma tendência de grandes jornais como Washington Post, The New York Times ou The Guardian.

Mas o que é datajournalism? A internet tem zilhões de informações em bancos de dados públicos ou privados. E os leitores, dificuldade para encontrar, como quem busca uma agulha num palheiro, aquele dado específico que lhes interessa. A missão dos jornais é encontrar, processar e entregar aos leitores esses dados, mas de uma forma palatável e amigável.

O endereço é fácil: www.zerohora.com/zhdados. Nesta seção, o leitor já encontra aplicativos produzidos pela Redação sobre educação (o resultado do Ideb), segurança (o mapa dos furtos e roubos de veículos em Porto Alegre, também assunto de reportagem nas páginas 32 e 33 desta edição), religião (como se distribuem os credos religiosos por município no Estado), entre outros. (Veja o quadro)

A seção não é estática. Mais e mais conteúdos de datajournalism serão sempre acrescentados e atualizados ali por nossos editores, repórteres e programadores. Então, quando alguém lhe perguntar, de agora em diante, qual é a avenida em que mais se roubam carros na Capital, dê uma olhadinha em ZH Dados e responda prontamente: no primeiro semestre deste ano foi a Assis Brasil.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - RECOMENDO! Brilhante iniciativa de Zero Hora.

 www.zerohora.com/zhdados


ANATOMIA DO ROUBO DE CARRO

 ZERO HORA DOMINICAL 26 de agosto de 2012 | N° 17173

PERIGO NAS RUAS. Uma lupa no crime

 FRANCISCO AMORIM

O bairro em que moro é um dos preferidos pelos ladrões de veículos? O modelo do meu carro é um dos mais visados pelos assaltantes? Quais os dias e horários mais perigosos em Porto Alegre?

Dúvidas como essas, que costumam preocupar os motoristas gaúchos, podem ser respondidas agora com poucos cliques em zerohora.com

Ao reunir 4,2 mil registros oficiais sobre os roubos e furtos de veículos ocorridos em Porto Alegre nos seis primeiros meses do ano, uma nova ferramenta do site de Zero Hora permitirá ao internauta realizar buscas personalizadas que o ajudarão a entender a dinâmica do crime na cidade. As informações disponibilizadas na rede, como horários, locais e perfis das vítimas, são as mesmas usadas pelas autoridades policiais para traçarem suas estratégias de contenção da violência na capital gaúcha.

– O que é realidade, é realidade. É importante o cidadão estar informado sobre sua rua, se ela tem ou não um índice alto de criminalidade – afirma o secretário da Segurança Pública, Airton Michels.

O mapa do crime, que tem como base ocorrências registradas entre janeiro e junho por Brigada Militar e Polícia Civil, revela que o bairro Petrópolis é o preferido pelos bandidos em 2012, os homens entre 30 e 34 anos são as principais vítimas dos ataques armados e as madrugadas de quartas-feiras são as mais perigosas.

Outra constatação importante é a de que a maior parte dos crimes ocorrem em vias secundárias do eixo Centro-Norte. Apesar de a Avenida Assis Brasil ser a campeã em roubos e furtos, com 1,7% do total das ocorrências somadas, seguida pela Sertório, os ladrões preferem agir no entorno das grandes vias dessa região. Com apenas 10 quadras, por exemplo, a Avenida Guido Mondin registrou nove ataques, todos à mão armada.

– Com base nas ocorrências, temos realizado operações nas vias de acesso a outras cidades nos horários de maior incidência de crimes – comenta o comandante do Policiamento da Capital, coronel Alfeu Freitas.

O banco disponível no site desde a manhã de sábado será atualizado com novas informações da Secretaria da Segurança Pública a cada três meses, em uma ação assegurada pela Lei de Acesso à Informação. Ao dar transparência a dados sobre a criminalidade, o governo do Estado espera incentivar o registro de ocorrência por parte das vítimas.



NÚMEROS






- 23 veículos foram levados diariamente, em média, por ladrões em Porto Alegre no primeiro semeste de 2012




sábado, 25 de agosto de 2012

DAS GREVES E DOS ENGOMADOS

O SUL. Porto Alegre, Sábado, 25 de Agosto de 2012.





WANDERLEY SOARES

 

De lambuja, o cidadão é obrigado a aturar briguinhas institucionais.

Embora a lei contemple os servidores públicos com o direito de greve, tal direito é exercido, rigorosamente, contra a sociedade, especialmente quando o movimento é praticado pelos órgãos da segurança pública. Evidentemente que, nos casos da segurança e do magistério, os movimentos grevistas são motivados por notável e crônica incompetência do poder público em gerir pólos da maior gravidade para a vida do cidadão. Cria-se então um impasse: deve o cidadão condenar os grevistas ou cobrar competência do poder público que é regiamente pago para contornar tais crises? Da minha torre, é possível observar que o governo, em todos os seus níveis, não mostra competência política para administrar a segurança pública e acontece até de colocar no ostracismo, sem direito nem mesmo a promoções, profissionais de indiscutível experiência e conhecimento em todas as áreas da violência e da criminalidade pelo fato de não sacudirem a bandeirinha deste ou daquele partido. Isso sem falar nos policiais engomados que são designados, de bandeirinha em punho, exatamente para trabalharem fora das áreas de policiamento com avantajada remuneração. De lambuja, o cidadão tem de aturar essas briguinhas do Ministério Público e Brigada Militar em oposição aos critérios da Polícia Civil, cuja legalidade de decisões não é colocada em discussão. Torno-me, com isso, a cada dia, mais preocupado.

Assaltos

A Trensurb sofreu dois assaltos no espaço de seis horas. Foram atacadas as Estações Anchieta e Canoas. Dois jovens atacaram a Estação Canoas, no final da madrugada de quinta-feira. Depois, dois homens assaltaram a Estação Anchieta, na Zona Norte de Porto Alegre. Em 2012, já são 18 roubos ocorridos, o dobro em relação ao ano passado.

Lei do tráfico

Polícia Civil prendeu dez traficantes de drogas, ontem, no Vale do Sinos. Os agentes do Denarc fizeram seis prisões em Novo Hamburgo, e quatro em Sapiranga. Foram apreendidos 16 kg de drogas, além de armas e carros. Em São Leopoldo, o corpo de uma vítima da quadrilha estava enterrado dentro de um casebre, na Vila Aldeia, bairro Independência. A polícia suspeita que é um traficante que se desentendeu com o líder do grupo. Um homem foi contratado para cometer esta execução. Em uma escuta da Polícia Civil, dois traficantes falam que o assassino mostrou o corpo para outras pessoas e debocharam do que aconteceu. Os policiais suspeitam que o assassino acabou morto como queima de arquivo, mas seu corpo ainda não foi em encontrado.

Índios

A Polícia Civil realizou, ontem, uma operação contra o tráfico de entorpecentes em uma aldeia indígena Kaingang, em Estrela, no Vale do Taquari. Foram presos a cacique, Maria Antônia Soares da Silva, dois filhos dela, um irmão e o marido, além de uma pessoa sem identificação. Os policiais recolheram pequena quantidade de maconha e crack, além de uma pistola. Independente da legislação, esta operação gera uma dúvida: se os índios consomem drogas como tradição cultural, que lhes foi arrancada pelos brancos, como os brancos poderão julgá-los criminosos?

SE MANDA!

FOLHA.COM 24/08/2012 - 03h30

Eliane Cantanhêde

BRASÍLIA - Saí do trabalho pouco depois das 21h para jantar com uma "fonte" (no jargão dos jornalistas, pessoa que tem informações importantes), e estava voltando para casa já no início da madrugada, sozinha, dirigindo, quando percebi que um carro me seguia.

Frio na barriga, pé no acelerador. Primeira curva, segunda, até concluir, na terceira, que a brincadeira estava ficando perigosa. Decidi frear, para que o carro seguisse em frente e me deixasse em paz. "Quem sabe não é um garotão fazendo 'pega'?"

Não era. O carro, um sedã caro, me ultrapassou e deu um cavalo de pau, trancando a pista. Dois homens armados com revólveres desceram. Um deles, bem jovem, gritando: "Sai do carro, sai do carro, se manda!".

Voluntariosa, minha mão direita engatou a ré. Mas o cérebro e o pé abortaram a ideia, que passou rápida, na velocidade da luz. Jamais reagir, diz o manual. É para sair do carro? Vamos sair. Agarrei o celular, abri a porta, virei de costas, aliviada por não me levarem. Já sofri sequestro-relâmpago, sei o que é.

Desta vez, não quis ver caras, placa, o modelo de carro, nenhum detalhe. Meu sentido de autopreservação venceu a minha (considerada imbatível) curiosidade jornalística.

Lá se foram eles, me deixando na rua, com frio, assustada, tentando agir, sem lembrar o número da polícia, mas martelando o que a gente vê todo dia nos seriados policiais americanos na TV: "Call 911". Qual é o "911" no Brasil, ou em Brasília? Sei lá. Acho que a gente não tem o hábito de chamar a polícia.

Horas antes, a filha do ministro da Pesca, Marcelo Crivella, tinha sofrido sequestro-relâmpago em plena hora do almoço, num local movimentado, improvável. E assim se descobriu que, de 13 a 19 de agosto, houve 16 crimes desses no DF.

A capital da República está perigosíssima, mas essa não é uma exclusividade dela. A violência no Brasil está fora de controle.

 Eliane Cantanhêde, jornalista, é colunista da Página 2 da versão impressa da Folha, onde escreve às terças, quintas, sextas e domingos. É também comentarista do telejornal "Globonews em Pauta" e da Rádio Metrópole da Bahia.

VIOLÊNCIA ATINGE BRASÍLIA

FOLHA.COM 25/08/2012 - 05h30

Leitores comentam violência que atinge Brasília

Há muito tempo que Brasília convive com duas colossais balelas: capital da esperança e boa para viver por causa da qualidade de vida. Pois sim. O pavor pelo qual qual passou a jornalista Eliane Cantanhêde ("'Se manda!'", "Opinião", 24/8) voltando para casa depois do trabalho atinge e amedronta a todos nós.

Brasília é uma cidade insegura, despoliciada, com péssimo transporte público coletivo, escolas caindo aos pedaços e dramático e ineficaz serviço de saúde, ou seja, Brasília tornou-se uma cidade comum, complicada, suja e feia, como a maioria das outras. A audácia, a violência, a covardia e a arrogância dos bandidos é avassaladora. Ninguém tem mais sossego. Nem mesmo em casa o brasiliense tem paz e segurança. O mais amedrontador é que não sabemos onde essa brutal escalada de violência vai parar.

VICENTE LIMONGI NETTO (Brasília, DF)

*

Lamentável o ocorrido com a eficiente jornalista Eliane Cantanhêde. Diante disso, a explicação "culta" corrente é esta: se o bandido for pobre, a causa será a desigualdade social; se for de classe média, a causa será a falta de ética; se for rico, a causa será a ganância ilimitada; se for menor, nem há crime, apenas conflito com a lei. Salve-se quem puder.

JÚLIO FERREIRA DE OLIVEIRA (Belo Horizonte, MG)

*

Manifesto minha solidariedade à jornalista Eliane Cantanhêde, mais uma vítima da violência em Brasília, da qual também fui vítima, neste ano, mas em outra circunstância. Diante disso, pela sensação de abandono geral, parece justo o clamor aqui existente: quando os governantes se sensibilizarão com o problema?

MARCOS ANTONIO PAULINO DA SILVA (Brasília, DF)

Marri Nogueira (30.jul.2010)/Folhapress

Leitores comentam a violência que atinge Brasília, capital federal, onde colunista da Folha foi assaltada

EM DOIS ANOS, DETRAN DESCREDENCIOU 8 DEPÓSITOS

ZERO HORA. Depenados25/08/2012 | 05h41

Em dois anos, oito depósitos de veículos no RS foram descredenciados pelo Detran

Advogada de sindicato considera que número é pouco expressivo em um universo de 188 Centros de Remoção e Depósito


De 2010 a 2012, oito Centros de Remoção e Depósito (CRDs) foram descredenciados pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran). É o que mostram os arquivos da autarquia. Outros três depósitos estão em processo de descredenciamento.

O número de punições, porém, é maior. Dos 188 depósitos de veículos credenciados no Rio Grande do Sul, nove receberam advertências por mau funcionamento, 16 tiveram atividades suspensas e 11 receberam multas por irregularidades.

O descredenciamento só ocorre, via de regra, quando o CRD é reincidente em queixas e já recebeu outros tipos de punição, como a advertência. Alguns casos são rigorosos. O Serviço de Guinchos Kabika, de Caxias do Sul, foi descredenciado por ter cobrado por um serviço que o Detran interpretou que deveria ser gratuito.

— Cobrei para uma cegonha (carreta) levar uns veículos leiloados. Dei nota e tudo. Os caras usaram a nota para questionar minha cobrança e o Detran me descredenciou. Simples assim — reclama o gerente do depósito, Vinícius Colognese.

O Detran alega que por quatro vezes foram encontradas irregularidades no Kabika.


Guinchos Kabika foi descredenciado por cobrar serviço que seria gratuito
Foto: Maicon Damasceno


Os problemas que mais levaram a descredenciamento foram venda de peças retiradas dos veículos abrigados no depósito (quatro casos), fichário sobre veículos desatualizado (quatro casos) e instalações inadequadas.

O problema é pontual, alega advogada do CRDO que representam oito depósitos, num universo de 188? A pergunta é feita pela advogada do Sindicato de Centros de Remoção e Depósitos de Veículos do Estado do RS, Cristiane Josuinkas, ao considerar "pouco expressivo" o número de guincheiros envolvidos em irregularidades.

— O problema é pontual. Defendemos punição aos que cometem delitos, mas não pode ser feita uma generalização. Quase todas as empresas de guincho são sérias — alega Cristiane.

A advogada diz que, em muitos casos, empregados furtam peças ou desviam recursos sem que os donos dos depósitos saibam. Isso porque muitos proprietários não estão nos CRDs no final de semana e deixam o serviço para empregados de confiança — que se revelam não ser de tanta confiança assim.

Cristiane acredita que todos os 188 CRDs foram fiscalizados pelo Detran nestes 10 anos que o serviço está terceirizado. Ela diz que a maior queixa dos proprietários de guinchos é que as responsabilidades são muitas, mas os lucros, nem tanto.

Conforme a advogada, 46% dos faturamento líquido dos depósitos se destina ao Detran. Já os depósitos têm de deixar por anos carros abandonados nas suas dependências, sem cobrar — só quando o veículo é retirado (o que pode levar décadas) é que o Detran paga pela remoção.

— Isso não permite pagar bem os empregados e, em alguns casos, eles partem para o desvio de peças — reconhece Cristiane.

JOVEM DESAPARECIDA É ENCONTRADA MORTA

ZERO HORA 24/08/2012 | 20h38

Polícia localiza corpo de jovem no interior de Caxias do Sul

Motorista confessou informalmente assassinato de Daisy Cruz

Polícia localiza corpo de jovem no interior de Caxias do Sul  Maicon Damasceno/
Corpo foi encontrado na noite desta sexta-feira Foto: Maicon Damasceno. A Polícia Civil localizou o corpo de Daisy Cruz, 24 anos, desaparecida desde a tarde de segunda-feira, em Caxias do Sul.


O motorista da Visate Marcelo Sidinei Pires, 30 anos, confessou informalmente o assassinato nesta sexta-feira e revelou onde escondeu o cadáver.


Foto: Arquivo pessoal, divulgação

De acordo com os investigadores, o corpo está enterrado em um matagal no caminho para a localidade de Linha 40, no interior de Caxias do Sul. As equipes aguardam a chegada de peritos antes de iniciar a remoção.

O crime foi solucionado no final da tarde desta sexta-feira. Pires admitiu informalmente ter matado a garota. A confissão aconteceu após ele receber alta do hospital e ser levado para a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam).

Daisy sumiu na tarde segunda-feira, no bairro Cidade Nova, quando ia para o trabalho. Testemunhas afirmam que a jovem foi obrigada a entrar no carro do motorista. Os dois eram namorados.

No dia seguinte, Pires se envolveu em um acidente de trânsito na BR-116, quando conduzia um ônibus que colidiu em um caminhão dirigido por Eligio José Echer, que morreu.

Entenda o caso

:: A frentista Daisy Cruz, 24 anos, estava desaparecida desde a tarde de segunda-feira, dia 20 de agosto de 2012. As primeiras informações indicavam que, por volta das 14h50min daquele dia, moradores do bairro Cidade Nova, onde ela reside com os tios e uma prima, viram Daisy gritando dentro do carro do homem por quem teria um relacionamento, o motorista da Visate Marcelo Sidinei Pires, 30 anos.

:: Na segunda-feira, de acordo com testemunhas, logo após Daisy sair de casa para ir ao trabalho, Pires teria a abordado em uma rua do Cidade Nova. Já no Astra, a jovem teria gritado por ajuda, mas o motorista conseguiu levá-la com ele

:: Um tio da frentista comunicou o sumiço à polícia ainda na segunda-feira :: No domingo, a frentista e o motorista teriam encerrado um relacionamento amoroso que durou cerca de três meses. A frentista teria desistido do namoro ao descobrir que o motorista era casado.

:: Na manhã de terça-feira, dia 21 de agosto, Pires se envolveu em um acidente de trânsito na BR-116. Na colisão entre o ônibus que ele dirigia e um caminhão, morreu o caminhoneiro Eligio José Echer, 50. Após o acidente, Pires foi internado no Hospital Pompéia

:: Na quinta-feira, dia 23 de agosto, três testemunhas apontaram, em depoimento na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, a suspeita de que o motorista seria o responsável pelo desaparecimento da frentista

:: Nesta sexta-feira, dia 24 de agosto, Pires recebeu alta do hospital e confessou envolvimento no desaparecimento da jovem em depoimento à Polícia Civil no final da tarde.

:: No começo da noite de sexta-feira, dia 24 de agosto, o corpo da frentista foi encontrado no caminho para a Linha 40.

Pioneiro


DELEGADO DA PC É BALEADO EM ASSALTO

ZERO HORA 24/08/2012 | 22h35

Delegado de polícia é baleado no bairro Glória, em Porto Alegre

Atingido por um disparo na perna, o policial está sendo atendido no HPS.

Um delegado da Polícia Civil foi ferido por um disparo na perna, por volta das 20h, na Rua Professor Carvalho de Freitas, no bairro Glória, zona sul da Capital.

Segundo informações preliminares da polícia, o delegado Gérson Mello teria sido baleado na perna em uma tentativa de assalto, e não teria havido troca de tiros. O criminoso teria fugido a pé. O policial está sendo atendido no Hospital de Pronto Socorro, em Porto Alegre.

Menino de 12 anos é executado nas proximidades

Em seguida, houve um assassinato na Avenida Arnaldo Bohrer, paralela à Rua Professor Carvalho de Freitas. Enquanto a polícia fazia buscas na região pelo atirador do delegado, agentes encontraram o corpo de um jovem com cerca de 12 anos em uma casa de madeira que funcionava como um bar. As informações preliminares indicam que dois homens dispararam contra o jovem. Ainda não foram encontrados documentos ou parentes do menino.

Segundo o delegado Gabriel Bicca, a vítima não apresentava tipo físico, idade ou roupas parecidas com às do criminoso que feriu o delegado Gérson Mello. Ainda haverá uma investigação, mas a princípio os crimes não estariam conectados.

MAIS UM BANCO É EXPLODIDO NO INTERIOR DO RS

ZERO HORA ONLINE 25/08/2012 | 06h07

Quadrilha explode caixas eletrônicos em Picada Café. Segundo a Brigada Militar, homens armados levaram refém, que foi liberado em seguida


Município da Serra é o 15º alvo de assaltantes em 2012 Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS


Dois caixas eletrônicos de uma agência do Banco do Brasil de Picada Café, na serra gaúcha, foram explodidos no início da madrugada deste sábado. A ação dos criminosos ocorreu por volta das 2h30min, conforme a Brigada Militar (BM) de Nova Petrópolis.

O banco fica na Rua Emancipação, no centro da cidade. Na fuga, os criminosos teriam levado um homem que passava pela rua como refém e fugiram em um veículo preto, ainda não identificado. O homem foi solto no bairro Joaneta, minutos depois, em uma estrada que liga o interior do município a Gramado.

Sem ferimentos, ele foi levado ao Posto de Saúde do município e passa bem. Segundo a BM, pelo menos quatro homens fortemente armados realizaram a ação. A polícia montou barreiras em estradas federais e estaduais e faz buscas na região. Quando a BM chegou ao local, os criminosos já haviam desaparecido.

— Estamos contando com o apoio de 20 homens do Batalhão de Operações Especiais (BOE) que efetuam buscas nas estradas vicinais que ligam a região com o Vale do Sinos e Caxias do Sul — disse o comandante da BM de Nova Petrópolis, Emerson Ubirajara de Souza.

Chamados para conter a fumaça que se ergueu do prédio com a explosão, os Bombeiros Voluntários de Picada Café tomaram as primeiras precauções de segurança na agência.

— Deslocamos porque tinha bastante fumaça. Então desligamos o sistema de gás central para evitar prejuízos maiores. Ficou tudo destruído. Algumas lojas que ficam ao lado do banco sofreram danos — conta o bombeiro voluntário Vílson Koch.

Ainda segundo Koch, enquanto fugiam os criminosos teriam disparado alguns tiros para cima, no intuito de assustar os moradores que saíam de casa alarmados com a explosão. De acordo com a BM, foram encontrados nas proximidades da agência cartuchos de fuzil .762, .556 e espingarda.

O ataque deste sábado foi a 15ª ação do gênero entre janeiro e agosto de 2012, contra 10 no ano passado e oito em 2010. A última ocorrência havia sido registrada em Torres, no Litoral Norte, no dia 14. Em semanas anteriores, houve ataques do tipo em São Francisco de Paula, na Serra, e em Feliz, no Vale do Caí.


ZERO HORA E RÁDIO GAÚCHA

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

FORAGIDO Nº 1 VOLTA À CADEIA

ZERO HORA 24 de agosto de 2012 | N° 17171

FIM DA CAÇADA. Assaltante apontado como líder da mais recente onda de ataques a bancos no RS e em SC foi capturado em Cachoeirinha

JOSÉ LUÍS COSTA 

Um sentimento de alívio tomou conta da Polícia Civil ontem após a captura do assaltante Enivaldo Farias, o Cafuringa, 41 anos, apontado como o bandido gaúcho de atuação mais intensa no país e no Exterior. – É um peso que tiramos das costas. Por alguns dias, vamos estar mais tranquilos com menos assaltos a bancos – desabafou o diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Guilherme Wondracek.

Considerado o foragido número 1 do Estado, Cafuringa era procurado pelas polícias gaúcha, catarinense, Federal e paraguaia. É suspeito de fomentar a mais recente ofensiva contra bancos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. O bando dele seria responsável por nove ataques nos últimos dois anos.

Com envolvimento em crimes por duas décadas, ele seria o líder de uma quadrilha que se especializou em sequestrar gerentes, tesoureiros e seus familiares para assaltar bancos. Meticuloso, Cafuringa não teria pressa em observar seus alvos e planejar os ataques. Uma das primeiras investidas com esse método, em maio de 2005, foi abortada em Ribeirão Preto, no interior paulista, quando agentes do Deic o prenderam.

– Por nove dias, ele ficou em uma praça, acompanhando a rotina do banco e monitorando os funcionários de uma agência da Caixa Econômica Federal – lembra Wondracek.

Conforme o delegado, antes dos ataques, Cafuringa costumava montar uma espécie de dossiê das vítimas, com fotos de seus parentes, das casas e até dos colégios onde os filhos dos bancários estudavam. As imagens eram usadas para atemorizar os funcionários sequestrados ou aqueles que eram rendidos dentro das agências.

– Assim, quem tem coragem de ir à delegacia e reconhecer os assaltantes? A maioria fica com medo de prestar depoimento – lamenta o delegado Juliano Ferreira, da Delegacia de Roubos e Extorsões do Deic.


Bando aderiu a explosivos

Nos últimos tempos, o bando de Cafuringa também teria aderido a explosivos no ataques a bancos. Ele estava sendo monitorado pela polícia havia três meses. Agentes sabiam que o criminoso se movimentava entre Canoas, onde nasceu e tem familiares, e o sul catarinense. No dia 15, quando foram explodidos seis caixas eletrônicos de uma agência do Banco do Brasil, em Torres, no Litoral Norte, os policiais pensaram que Cafuringa estava envolvido no caso.

Mas, segundo a polícia, ele estava um pouco além do Rio Mampituba, mantendo um tesoureiro e a mulher dele reféns por 13 horas, em Criciúma (SC), obrigando o bancário a ir até a agência do BB na cidade vizinha de Içara e recolher o dinheiro do cofre.

Depois de ir a São Paulo, passar por Novo Hamburgo, Sapucaia do Sul e Canoas, Cafuringa se refugiou em uma casa de uma mãe de santo em Cachoeirinha. Ao amanhecer de ontem, 14 policiais invadiram o local. Encontraram Cafuringa dormindo, com duas pistolas calibre 9 mm – uma sob o travesseiro. Mas ele não teve tempo de reagir e foi dominado.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Apesar de somar 19 anos e dois meses de condenações – até abril de 2019 – por assaltos, receptação e adulteração de veículo, ter fugido quatro vezes, estar envolvido na execução de ex-comparsa e ter participado diretamente da morte de um agente penitenciário, o bandido obteve liberdade condicional, foi preso novamente por porte de arma e em seguida solto. Esta é a justiça brasileira que decide amparada por leis benevolentes e sem qualquer compromisso com a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. Bandido perigoso nas ruas sobra para os policiais e para o cidadão, ambos vítimas da impunidade e do descaso da lei e da justiça.



DELEGADA LIBERA TRAFICANTES PRESOS PELO MP


ZERO HORA ONLINE 24/08/2012 | 05h08

Liberação de presos causa mal-estar entre Polícia Civil e Ministério Público. Delegada manda soltar suspeitos de tráfico de drogas após ação do MP e da Brigada Militar

Uma operação coordenada pela Promotoria de Justiça Especializada Criminal de Porto Alegre, realizada na quinta-feira na zona leste da Capital, acabou em desentendimento entre Ministério Público (MP) e Polícia Civil.

Com a ajuda da Brigada Militar (BM), a promotoria cumpriu 17 mandados de busca e apreensão no bairro Lomba do Pinheiro e prendeu oito suspeitos de tráfico de drogas. Mas, os criminosos foram soltos.

Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Criminal do Foro do Partenon, após investigação feita pelo MP sobre o comércio de drogas. Houve apreensão de drogas, armas e munições. Levados até a 3ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), os suspeitos não tiveram lavrados os flagrantes e foram liberados. Isso porque a Polícia Civil não participou da ação, explicou a delegada Ana Luiza Caruso. A atitude revoltou o MP.

— Depois de muita negociação, a delegada limitou-se a registrar a ocorrência e recolher o material apreendido. Estão levando em conta a qualidade de quem prende e não de quem é preso. É injustificável, e quem perde é a sociedade — disse o promotor Mauro Rockenbach.

O promotor justifica o auxílio da Brigada na operação pela quantidade necessária de policiais e a localização geográfica dos pontos de tráfico. Em julho, segundo Rockenbach, outros 26 mandados foram cumpridos e quatro pessoas acabaram presas em ação semelhante. Da mesma forma, os flagrantes não teriam sido lavrados.

Para justificar a decisão, a delegada Ana Luiza alegou que a Brigada Militar teria realizado escutas telefônicas para investigar os suspeitos detidos, o que é vedado constitucionalmente. Argumentou, também, que nenhum dos presos — inclusive uma mulher de 85 anos — teria antecedentes criminais.

— Os mandados dizem que foram realizadas escutas. A Brigada tem que estar na rua. Se o MP estava convicto (dos crimes), por que não pediu prisão preventiva — questiona Ana Luiza.

Segundo o comandante-geral da Brigada Militar. Sérgio de Abreu, a corporação não realiza escutas. Antes da liberação, os envolvidos foram ouvidos. Eles deverão ser investigados, garante a delegada. O caso foi repassado ao Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc).

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA -Na ativa, já realizei operações como esta, mas hoje na reserva e com estudo mais avançado do sistema, acho estas intervenções incorretas e inadequadas já que têm efeito de desvalorizar o aparato policial. É mais um fato que revela claramente a desintegração do sistema e a inexistência de um Sistema de Justiça Criminal que promovem uma verdadeira esculhambação no combate ao crime que só beneficia a bandidagem. Não defendo a postura da Delegada, já que ela deveria dar prioridade à paz social, apesar de se sentir desprestigiada na função que exerce, e só depois colocar a público o seu sentimento de revolta.  O fato serve para mostrar a necessidade de uma profunda reforma administrativa e normativa nas instituições, nos procedimentos, nas ligações e nos processos que envolvem as funções essenciais à justiça, entre elas a policial, com responsabilidades nas questões de ordem pública. Na minha opinião, o MP deveria atuar diretamente nas corregedorias e investigando crimes envolvendo autoridades públicas, deixando os demais para as forças policiais. Esta intromissão causa mal-estar, desprestigia o aparato policial e semeia discórdia entre duas forças policiais co-irmãs no combate ao crime.

CÂMERAS QUE (QUASE) TUDO VEEM



ZERO HORA 24 de agosto de 2012 | N° 17171. ARTIGOS

MILTON R. MEDRAN MOREIRA*


Câmeras que tudo veem. Ou quase tudo. Elas estão nos bancos, nas lojas, na rua, nos elevadores. Flagram os roubos e os furtos. Medem, com irrecorrível precisão, a velocidade de nosso carro. Registram a cara de pau do funcionário corrupto ou do cidadão corruptor, no preciso instante do recebimento ou oferecimento da propina.

Tudo ou quase tudo vendo, elas têm o mérito de prevenir e intimidar. Ou de intimidar e, assim, prevenir. Quando eu era criança, sempre que tinha vontade de fazer, escondido, alguma coisa tida e havida como errada, me vinha à mente a figura do olho que tudo vê. Era dessa forma que nos falavam de Deus: um olho poderoso, capaz, inclusive, de enxergar nossos pensamentos. É verdade que do pensamento, essa “coisa à toa”, nas asas da qual “a gente voa quando começa a pensar”, nem sempre me libertava facilmente. Até porque a presença intimidatória do grande olho sempre me chegava à mente quando esta já se havia irremediavelmente ocupado de pecaminosas elucubrações. Restava o remorso, um reforço a mais para não transformar em atos o que o fugidio pensamento engendrara.

Vivemos tempos em que a tecnologia, a serviço da prevenção do crime, começa a substituir o grande olho de que me falavam em minha infância. Não fosse ter de, cuidadosamente, conviver com outros avanços da pós-modernidade, como o direito à privacidade, os aparatos tecnológicos flagrariam muito mais. Afinal, é na intimidade, cercados dos muros por nós erguidos, que demonstramos o que verdadeiramente somos. Toda a vantagem daquele olho que tudo via, na minha meninice, era a de penetrar soberano, absoluto, sem a contraposição de qualquer outro direito, por sobre e através dos frágeis muros que, malgrado minha ingenuidade, eu já era capaz de erguer. Tão poderoso ele era que, inclusive, derrogava meu direito individual ao estado de graça, garantidor de uma teórica impunidade.

Pois, agora, a tecnologia e a argúcia jornalística realizaram algo muito parecido com o feito do grande olho que eu tanto temia. Tiveram, é verdade, que fazer campana, escalar muros e telhados, arrostar perigos de que meu terrível inquisidor estava livre, para flagrar o que, no fundo, todo mundo sabia ocorrer. Quem que, já tendo seu carro furtado ou roubado, e o havendo recuperado em um desses depósitos autorizados, não o encontrou desfalcado, dilapidado, destruído? Queixar-se a quem? O depositário simplesmente dirá que assim o recebeu. A autoridade policial, que atende dezenas de casos semelhantes a cada dia, não terá tido o necessário tempo de vistoriá-lo suficientemente, antes de lhe dar o destino. Palavra conta palavra!

Palavras, aliás, compõem a máscara atrás da qual representamos o tempo todo. No fundo, somos todos atores. Para fugir do campo de ação dos muitos olhos construídos pelos costumes, pelas leis e imposições sociais, vamos aprimorando nossa capacidade de representar. Por simplória e, especialmente, porque nela flagramos outras tantas máscaras a esconderem interesses nem tão sagrados, já não alimentamos a mesma fé no olho que tudo vê. Talvez seja tempo de substituí-lo por algo mais moderno e eficiente: a inigualável e precisa câmera pela natureza instalada em nossa consciência. Mais do que nos indicar o que devemos fazer ou deixar de fazer, a consciência dispõe de mecanismos que nos premiam e nos castigam, sem a necessidade de sanções e recompensas sobrenaturais. Felicidade ou infelicidade são, justamente, as premiações e punições que o indivíduo ou a sociedade colhem de seu justo agir. Ninguém, aliás, é obrigado a crer nisso para ser melhor, mas é na precisão com que ela nos aponta o que é e o que não é direito que, talvez, possamos reintegrar a presença divina no homem. Enquanto nossas ações ou omissões tiverem por fim afastar-nos do campo de ação desses olhos que tudo ou quase tudo veem, só por medo de suas consequências, seguiremos sendo meninos medrosos e assustados. Espíritos livres, no entanto, é o que estamos destinados a ser. E felizes.


*ADVOGADO E JORNALISTA, PRESIDENTE DO CENTRO CULTURAL ESPÍRITA DE PORTO ALEGRE

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A TÉCNICA E A ARTE



O SUL Porto Alegre, Quinta-feira, 23 de Agosto de 2012.





 



WANDERLEY SOARES
 

Militares ocuparão as cúpulas da segurança durante grandes eventos.

Devido à greve na Polícia Federal, a presidente Dilma Rousseff decidiu privilegiar o papel das Forças Armadas no comando da segurança dos grandes eventos previstos no Brasil. Ela entende que os policiais agiram para atemorizar a sociedade em aeroportos, postos de fronteiras e portos. Os militares passarão a comandar o órgão responsável pelo planejamento para a Copa das Confederações em 2013, Copa do Mundo em 2014 e a Olimpíada do Rio em 2016. Os cidadãos de todo o País, por certo, deverão aplaudir a decisão de Dilma, mesmo os que não têm saudade, como é o caso deste humilde marquês, dos militares no exercício de poderes que extrapolam as suas atividades precípuas. Ocorre que, por ora, decididamente, as organizações policiais - no caso a Polícia Federal - são mais hábeis na técnica de reprimir movimentos sociais do que na arte de realizar políticas reivindicatórias para suas categorias.

Classe

Dois homens de classe média foram presos em Porto Alegre sob a acusação de roubos de carros e assaltos em lotéricas. A operação Playboy foi desencadeada ontem pela Polícia Civil. Um terceiro homem, de 28 anos, está envolvido com o grupo, mas foi internado pela família numa clínica de reabilitação de drogados. Ocorre que bandidos como esses estão, invariavelmente, envolvidos com o tráfico e consumo de drogas.

Homicídio

Um médico foi morto a facadas em Capão da Canoa, no bairro Zona Nova. O corpo do oftalmologista Celso Germanos foi encontrado, na manhã de ontem, pela sua empregada que chegava para o trabalho. Segundo a Brigada Militar, Celso levou três facadas nas costas.

Curiosidade

O STF (Supremo Tribunal Federal) concedeu habeas corpus autorizando a liberdade provisória do fazendeiro Reginaldo Pereira Galvão. A decisão liminar é do ministro Marco Aurélio Mello. O fazendeiro foi condenado pelo Tribunal de Júri, em Belém, a 30 anos de prisão pelo assassinato da missionária Dorothy Stang, em fevereiro de 2005. Galvão estava na cadeia desde setembro do ano passado. Pela decisão do ministro Marco Aurélio Mello, a prisão só poderia ocorrer após o fim de todos os recursos da defesa. É claro que a vítima do crime, Dorothy, não teve nenhum recurso de defesa.

Detran

Como os técnicos do Detran pautaram, monitorados pela mídia, dez medidas de moralização do órgão, tornou-se evidente para este humilde marquês que faltou um 11 primeiro item na iniciativa: o presidente do órgão, Alessandro Barcellos, deveria colocar o seu cargo à disposição. No entanto, tais gestos não estão afinados com o diapasão da política da transversalidade.

UM DEPÓSITO EXEMPLAR CONTRA FURTOS

ZERO HORA 23 de agosto de 2012 | N° 17170

DEPENADOS

Local de recolhimento de carros do Detran em Porto Alegre fotografa veículos antes de guardá-los e separa automóveis por tipo de infração


HUMBERTO TREZZI 

Assim que chega ao pátio, o veículo apreendido é fotografado pelo guincheiro em seis posições diferentes: quatro fotos externas, uma do motor e uma do interior. Tudo para que o dono saiba em que condições seu bem foi rebocado até o depósito. As fotos vão para um CD, armazenado em um fichário e com cópia disponível para o Departamento Estadual de Trânsito (Detran). O carro vai depois para um armazém, dividido de acordo com o tipo de infração que levou ao seu recolhimento: acidente, multa ou crime. Para evitar que aconteça furto de peças dentro do depósito, oito câmeras de vídeo instaladas em todos os pontos do pátio vigiam 24 horas o local.

Procedimentos assim, considerados modelares pelo Detran, já são rotina no Centro de Remoção e Depósito (CRD) KF Resgate, inaugurado há 12 dias na Avenida dos Estados, zona norte de Porto Alegre. É um local que já foi credenciado de acordo com normas que o governo estadual quer tornar obrigatórias para todos os futuros depósitos de veículos. A meta é evitar que se repitam episódios como a depenagem de veículos flagrada por Zero Hora no depósito SOS Esteio, também na zona norte da Capital, conforme reportagem publicada no domingo.

Antes mesmo de se tornar obrigatório, o KF Resgate providenciou duas garantias aos donos dos veículos ali armazenados: as fotos do carro (antes e depois de guardá-los), decalques com cópia dos números de chassis (para checar se algo é clonado ou roubado) e uma ficha, com código de barras, contendo dados do veículo. Todos os dias a direção do depósito renova uma planilha contendo informações sobre automóveis, motos e caminhões recolhidos e devolvidos, bem como o dinheiro resultante das operações. Tudo é repassado ao Detran.

Os clientes têm sala de estar com TV, na espera por atendimento. Os guincheiros ficam em local fora do pátio, com exceção da hora em que vão largar ou pegar um carro. O atendimento aos donos de veículos é filmado, para registrar confusão ou queixa.

– Tudo para que o dono do veículo tenha motivos para nos elogiar e não reclamar do nosso serviço – diz uma das sócias do depósito, Lisiane Krever.

 

PLAYBOYS NA CADEIA


ZERO HORA 23 de agosto de 2012 | N° 17170

Trio assaltava para bancar festas e vício em drogas. Operação da polícia prendeu, no bairro Tristeza, suspeitos de roubos de carros e ataques ao comércio

EDUARDO TORRES 

Filhos de funcionários públicos com curso superior e empregados, três homens teriam participado de assaltos em Porto Alegre para sustentar o consumo de drogas pesadas e festas eletrônicas. Na manhã de ontem, a Polícia Civil prendeu dois suspeitos em condomínios de classe média no bairro Tristeza, na Zona Sul.

Com um mandado de prisão temporária, policiais foram recebidos com uma pergunta desafiadora:

– O que vocês querem aqui?

O tom indignado partiu de um rapaz de 25 anos que, ao ser informado de que era um dos alvos da Operação Playboys, soltou um pitbull, contido em seguida com arma de choque. O jovem, algemado, foi levado pelos policiais.

Com a prisão de outro suspeito, de 41 anos, e a descoberta do terceiro comparsa, de 28 anos (internado em clínica de reabilitação), os agentes da 2ª Delegacia da Polícia Civil acreditam ter interrompido a trajetória de criminosos que roubavam carros e atacavam estabelecimentos comerciais quase que por diversão. O nome dos suspeitos não foram divulgados.

Ontem, foram apreendidos um revólver calibre 38, registrado no nome do pai de um dos presos, mas com o registro vencido, e uma réplica de pistola, além de munição.

– Faziam ações organizadas e julgavam que nunca cairiam – afirmou o delegado César Carrion.

O trio teria sido reconhecido em, pelo menos, três roubos de carros entre os bairros Menino Deus e Petrópolis, em abril. Mas a estimativa da polícia é de que eles estejam envolvidos em mais de 10 ataques. Sempre com os rostos visíveis, usando um carro anteriormente roubado, eles interceptavam a vítima na chegada em casa. Um permanecia no carro enquanto os outros dois, armados, forçavam a entrega do veículo.

Suspeitos teriam assaltado lotéricas na Zona Sul

Em abril, as ações do trio começaram a dar errado, depois que uma Pajero foi roubada no Menino Deus. O veículo estava equipado com rastreador e, no dia seguinte, os policiais chegaram a um estacionamento no Centro, onde além da caminhonete, outros dois carros roubados na véspera haviam sido deixados intactos, provavelmente à espera de um receptador.

– Estamos apurando uma diversificação dos roubos. Eles agora estariam atacando lotéricas na Zona Sul – explicou o delegado.

A esperança dos investigadores é de que mais vítimas, sobretudo do bairro Menino Deus, reconheçam o trio.

Da academia ao mundo do crime

A origem do trio de assaltantes pode ter sido uma academia. E as festas eletrônicas, uma espécie de ponto para reuniões. O suspeito de 41 anos é professor de jiu-jitsu e teria como principal parceiro no crime o seu pupilo nas lutas, o homem de 28 anos.

– Eles são todos usuários de drogas pesadas, de cocaína a ácido. Mantinham o vício com os crimes – disse o delegado.

O aluno brigão teria passado o limite da diversão. Há algumas semanas, ele está internado em uma clínica de reabilitação. Ontem, os agentes cumpririam um mandado no local para ouvi-lo.

Mau exemplo - Em São Paulo, rapazes de classe média também foram presos por envolvimento em crimes. Em julho, a polícia desarticulou um grupo que praticava sequestros relâmpagos. Conhecidos como Quadrilha dos Playboys, eles eram descritos pelas vítimas como jovens, bem vestidos e agressivos. Segundo a polícia, muitos cursavam faculdades e tinham veículos dados pelos pais. Em fotos, eles apareciam com roupas e bebidas que teriam sido compradas enquanto as vítimas eram mantidas reféns. Nove dos 14 suspeitos acabaram presos.



COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Esta fato, e outros que ocorrem no Brasil e no mundo, derruba as justificativas dos "especialistas" em segurança pública que acreditam serem as questões de desregramento social as origens dos criminosos. Entendo que a origem do criminoso está no caráter formado na família, no descaso com a saúde mental e na influência do ambiente externo onde as más companhias aliciam, subjugam e contaminam. Além disto, as oportunidades para os delitos aparecem num ambiente de descaso com a ordem pública onde a justiça é fraca, as penas não são temidas, as leis são benevolentes e sem capacidade de corrigir e os presídios são depósitos controlados pelos apenados. Portanto, assim como um pobre sujeito analfabeto pode ser levado ao crime, um indivíduo de classe rica e estudo em escolas de qualidade também pode. Mudam apenas os sentimentos pessoais e, ou os interesses do grupo a que está submetido.