SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A QUEDA DOS HOMICÍDIOS

O SUL, 31/10/2012

WANDERLEY SOARES

A comparação da estatística com uma festa de mil convidados projetará uma dolorosa visão.


É compreensível que o governo, através da pasta da Segurança Pública, cante loas para a sua administração diante de sua própria estatística que aponta a eventualidade de uma oscilação, para menos, do número de homicídios no Estado, mesmo que tal queda não chegue a trazer maior entusiasmo para a sociedade.  Ocorreram neste ano l.427 assassinatos, número que, segundo os conselheiros de minha torre, não pode ser considerado como pouca coisa. Imaginem uma festa com a presença de mil convidados e poderão fazer uma ideia do que sejam 1.427 cadáveres. No entanto, se no próximo ano for reduzido este montante em dez corpos, serão compreensíveis, como são agora, as loas do governo. Ainda sobre o tema e considerando a hábil interpretação dada pelo Estado a sua própria estatística, como um humilde marquês, apenas lembro que a diminuição ou o aumento de homicídios clássicos não é uma questão de polícia e, sim, de cultura e de saúde mental. Os demais casos, aqueles que envolvem criminosos profissionais, de fato, são fenômenos que devem ser tratados, com preferência maior, pela autoridade policial.


Motoqueiro

O motociclista morto em confronto com a Brigada Militar à noite segunda-feira em Porto Alegre, Márcio Chalmes Magalhães, estava indiciado por roubo de carro, lesão corporal e posse ilegal de arma. Márcio, de 28 anos, era conhecido como Motoqueiro Fantasma, pela agilidade em fugir da polícia. A suspeita é que ele trabalhava como motoboy durante o dia e atuava como assaltante à noite. Ele é apontado como o autor de mais de 100 assaltos a pedestres nos bairros Petrópolis, Bela Vista, Mont'Serrat, Moinhos de Vento, Rio Branco e Jardim Botânico.


Escola

Durante a madrugada de ontem, foi arrombada a Escola Estadual Pedro Américo, localizada no bairro Belém Novo, na Zona Sul de Porto Alegre. Os bandidos entraram pela janela do refeitório. Parte da merenda foi roubada. A escola tem cerca de 400 alunos.


Barbárie

Foi decretada pela Justiça a prisão preventiva de homem de 22 anos. Ele foi recolhido ao Presídio Central após ser preso em flagrante na frente de casa, no bairro Rubem Berta, prestes a ser lixado pela vizinhança. O delegado responsável pelo caso diz que houve lesões no bebê de três meses de idade. As agressões ocorriam havia 10 meses. A mãe da criança, que tem 15 anos, era proibida de sair de casa e presenciava os maus-tratos à filha. A criança está internada no Hospital da Criança Conceição.


Quadrilheiros

Foi presa em São Leopoldo uma quadrilha que roubava caminhões e extorquia vítimas no Vale do Sinos. São cinco presos, entre eles uma jovem de 17 anos que era namorada de um dos bandidos. Ela foi liberada. Segundo o delegado Marco Antônio Duarte, a quadrilha praticava crimes e depois exigia das vítimas R$ 20 mil para devolver os bens.


Morte

Um homem de 74 anos morreu durante assalto a sua residência na localidade de Morro Negro, no interior de Taquara. João Francisco Bittencourt sofreu um ataque cardíaco. Quatro bandidos invadiram a casa, à noite de segunda-feira, e impediram o socorro ao idoso. Os bandidos levaram um carro e dinheiro.

APENADO EXECUTADO COM 17 DISPAROS

ZERO HORA 30 de outubro de 2012 | N° 17238

VIOLÊNCIA NA CAPITAL

A polícia apura a execução de Luciano Rodrigues Nunes, 36 anos, no domingo, na zona sul da Capital. A investigação, no entanto, esbarra no silêncio de possíveis testemunhas. 

Apesar de Nunes ter sido atingido por pelo menos 17 tiros no meio da rua, moradores afirmaram aos policiais que não viram ou perceberam nenhuma movimentação por volta das 18h30min, quando ainda havia sol.

O crime ocorreu em um beco do bairro Nonoai. De acordo com os peritos, ele foi atingido por até 11 disparos nas costas e seis na cabeça. 

Havia cápsulas de pistola .380 próximas ao corpo. Nunes cumpria pena por roubo no regime semiaberto.

SEGURANÇA MUDA FORMA DE CONTABILIZAR MORTES



ZERO HORA 30 de outubro de 2012 | N° 17238

ALTOS E BAIXOS. Muda forma de contabilizar mortes

A Secretaria da Segurança Pública implementou uma nova metodologia para classificar as mortes violentas no Estado. Estão sendo contabilizados separadamente os homicídios dolosos (intencionais) e os dolosos de trânsito (quando o motorista assume o risco de matar em acidente). E não entram mais na contagem geral os homicídios culposos, como os provocados por disparos acidentais e acidentes de trabalhos.

– Éramos o único Estado das regiões Sul e Sudeste a embutir todo tipo de homicídio numa só estatística. Agora separamos por tipos, o que vai propiciar uma avaliação mais realista – diz o secretário-adjunto da Segurança Pública, Juarez Pinheiro.

Foi assim que, em agosto, o número caiu de 185 mortes (no total) para 172 (só dolosas), na comparação com 2011. Em setembro, com a nova metodologia, houve redução de 14% dos homicídios (de 164, em 2011, para 141). Com o antigo critério, a redução seria de 9,16%%: 153 assassinatos em setembro (com a soma de outros três homicídios dolosos de trânsito e nove homicídios culposos) contra 167 no mesmo período em 2011.

Pinheiro diz que a diferenciação entre homicídio doloso e culposo é feita com base no inquérito. Quando ele não está concluído, a contagem se embasa nos boletins de ocorrência e nas primeiras investigações das delegacias policiais de pronto atendimento, que comparecem aos locais de crime.


RS tem menos homicídios e mais roubos de veículos

Acentuada por novo método de contabilizar mortes, queda em setembro é comemorada pelo governo

Divulgados ontem pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), os indicadores da criminalidade de setembro trazem uma boa e uma má notícia para os gaúchos. A boa: os homicídios recuaram na comparação com o mesmo mês de 2011. A má: os roubos de veículos seguem em alta no Estado.

As autoridades comemoram a queda de 14% dos assassinato, um percentual vitaminado em razão da mudança da metodologia (leia texto abaixo). Foram 23 mortes a menos em relação a setembro do ano passado.

– Nossa esperança é que isso seja uma tendência. Outubro também deve terminar com menos mortes – avalia o secretário-adjunto da Segurança Pública, Juarez Pinheiro.

Autoridades destacam resultado de força-tarefa

Pinheiro diz que a redução do índice de homicídios depende de um conjunto de ações, como combate ao tráfico e abordagens constantes nos locais de maior incidência de crimes. Uma das medidas adotadas foram as forças-tarefas contra homicídios, com o remanejamento de policiais civis e militares para os municípios e as regiões mais violentos.

Nessas nove cidades houve uma redução nos indicadores de homicídio. Foram 182 mortes nos 130 dias anteriores à força-tarefa da BM e 156 assassinatos nos 130 dias posteriores à iniciativa, uma redução de 14,3%. O secretário-adjunto reconhece que falta muito. Afinal, os 1.427 homicídios deste ano significam 17,7% a mais que no mesmo período em 2011.

Outro fator de preocupação é o crescimento no número de furtos de veículos (7,6%, em relação a setembro de 2011) e roubos de veículos (5,3%). Os dois crimes, no acumulado do ano, também aumentaram em relação ao mesmo período de 2011.

– Temos de fazer algo forte com relação a esses delitos, especialmente o roubo, pelo potencial traumático que carregam – admite Pinheiro.

HUMBERTO TREZZI

IDOSO PASSA MAL E MORRE EM ASSALTO. BANDIDOS FAZEM PIADA


ZERO HORA 31 de outubro de 2012 | N° 17239

TAQUARA - SEM SOCORRO. Idoso passa mal e morre em assalto. Durante ataque em Taquara, família foi impedida de ajudar aposentado

ÁLISSON COELHO

Com a mão no peito, João Francisco Bittencourt ofegava no chão da sala. Enquanto o idoso de 75 anos passava mal, a mulher, a filha e o genro acompanhavam impotentes sua agonia. Armados, três homens impediam que a família auxiliasse o aposentado, que morreu enquanto sua casa era assaltada.

Aagonia da família durou pouco mais de uma hora. O grupo invadiu a residência, no interior de Taquara, no Vale do Paranhana, por volta das 21h15min de segunda-feira. Durante toda a ação, a família implorava em vão pela possibilidade de salvar o idoso.

João e a mulher assistiam à TV na sala no momento do assalto. No quarto, a filha, Teresinha da Silva Bittencourt da Rosa, 30 anos, cuidava do filho de oito meses, enquanto o marido dela, Éverton Gomes da Rosa, 28 anos, tomava banho.

Vítimas foram colocadas deitadas no chão e tapadas

Os ladrões chegaram à residência, na localidade de Morro Negro, em dois carros. Três deles arrombaram uma porta dos fundos e invadiram a casa. De arma em punho, arrastaram Éverton para fora do banheiro e reuniram a família na sala. Eles procuravam por dinheiro e perguntavam se havia alguma arma na casa.

João, a mulher e o genro foram deitados no chão e, em seguida, tapados com um cobertor. Éverton recebeu uma coronhada na cabeça e foi chutado. Com o bebê no colo, Teresinha pôde ficar sentada. Em pouco tempo, notou que o pai não estava bem.

– Ele estava com falta de ar, não conseguia respirar. Eu pedi que eles me deixassem levantar o meu pai ou então abrir um pouco a janela para entrar mais ar, mas eles não deixavam – conta a filha do aposentado.

Agricultor e comerciante, João nasceu e passou a vida no interior de Taquara. Ao lado de casa, mantinha um pequeno mercado e, nos fundos, cuidava de uma roça. Mesmo com a vitalidade de quem trabalhava todos os dias da semana, o idoso tinha o coração frágil depois de passar por duas cirurgias. Quando ele começou a passar mal, a filha temeu pelo pior.

– Eu só suplicava que eles levassem tudo o que quisessem, mas que me deixassem cuidar do meu pai – lembra Teresinha.

Ladrões fizeram piada

Enquanto Teresinha da Silva Bittencourt da Rosa suplicava para poder ajudar o pai, um dos ladrões chegou a dizer que não se importava “se o velho morresse”. Outro ainda fez piada:

– Vocês têm que trabalhar para adquirir alguma coisa. Eu não. Ando sempre de carro novo – teria dito um dos assaltantes enquanto via o idoso morrer.

Todo o dinheiro que havia na casa, cerca de R$ 800 que seriam utilizados no pagamento de uma conta, foi dado aos bandidos. Através de um rádio, eles chamaram um outro comparsa e encheram o carro com produtos do mercado da família. Ao entrar na casa, o motorista teria notado o estado de João.

– Vamos embora que esse homem já está morto – teria dito.

Após a saída do bando, que fugiu levando ainda o carro da família, um Golf, Teresinha e o marido chegaram a levar o pai para o hospital, mas já era tarde.

– Meu pai morreu na minha frente, sem que eu pudesse fazer nada.

Outros casos

PORTO ALEGRE - Briga de bar. 

Tenente da reserva da Brigada Militar é baleado na zona leste da Capital. Tibério Cezar Sayão dos Santos, 55 anos, sofreu dois disparos, mas não corre riscos. Um tenente da reserva da Brigada Militar foi baleado por volta das 5h30min desta quarta-feira na Avenida Bento Gonçalves, zona leste de Porto Alegre. Tibério Cezar Sayão dos Santos, 55 anos, sofreu dois disparos, um no queixo e outro no ombro. Encaminhado ao Hospital São Lucas da PUCRS, não corre risco de morte. De acordo com o 19º Batalhão de Polícia Militar (BPM), testemunhas teriam visto Sayão entrar em luta corporal com outra pessoa, que teria desferido os tiros e fugido do local. O tumulto teria ocorrido em frente a uma lancheria. A 11ª Delegacia de Polícia (DP) deve investigar o caso.

PORTO ALEGRE - TROCA DE TIROS. Homem é morto em confronto com a BM

Um homem apelidado pela polícia de Motoqueiro Fantasma, pela dificuldade em ser preso, foi morto na noite de segunda-feira depois de uma perseguição da Brigada Militar, no bairro Bela Vista, em Porto Alegre. Identificado como Márcio Chalmes Magalhães, 32 anos, ele teria entrado em confronto com policiais do 11º BPM na Avenida Neusa Brizola, onde supostamente teria cometido assaltos. Houve troca de tiros, e ele acabou baleado. Pouco depois, sofreu um acidente com a moto que dirigia. Chegou a ser levado ao HPS, mas não resistiu aos ferimentos.












segunda-feira, 29 de outubro de 2012

AS FACES DO MEDO

ZERO HORA 29 de outubro de 2012

EDITORIAIS


As estatísticas ganharam rostos na reportagem que este jornal publicou ontem, com uma ampla abordagem do roubo de veículos em Porto Alegre. Esse tipo de crime é o que acontece com mais frequência na Capital, estando à frente de outros episódios violentos, mas todas as tentativas de repressão às quadrilhas fracassaram até agora. O grande mérito da reportagem foi a revelação de dramas pessoais, em meio aos números e a um completo levantamento da geografia dos roubos, com a identificação das áreas mais vulneráveis. É chocante saber, por antecipação, que os relatos das vítimas do período abordado, no caso o mês de setembro último, se repetirão, apenas com mudanças de detalhes, nos próximos meses, e com todos os mesmos componentes.

Foram 496 roubos de carros e motos em setembro em Porto Alegre. Considerando-se que nem sempre um veículo equivale a apenas um ocupante, é bem superior a este o número de pessoas que foram aterrorizadas por ladrões. Trata-se da ação em que o delinquente submete a vítima às suas ordens no momento da abordagem, pois não estão incluídos aqui os furtos de veículos. O que se viu, com a publicação, foi um painel de horrores, com depoimentos que dão a exata dimensão das sequelas deixadas pelos fatos. São atemorizantes não só os ladrões e seus métodos, mas também a inércia das autoridades diante das barbaridades cometidas nas ruas a qualquer hora.

No balanço dos roubos, estão presentes também os seus desdobramentos econômicos, como o fato de que Porto Alegre perde apenas para São Paulo e uma região de Belo Horizonte no custo dos seguros de veículos. Contabiliza-se igualmente o prejuízo financeiro da própria vítima, que muitas vezes perde um bem não segurado. Mas a perda maior, que não cabe em nenhum tipo de medida, é a do direito de ir e vir sem a sensação de que quase todos à volta são suspeitos. O vigor da indústria do desmanche e da clonagem de carros denuncia a incapacidade do governo de proteger a cidade daquilo que mais a apavora.

FAIXAS E CARTAZES PARA ALERTAR SOBRE ROUBOS

ZERO HORA 28/10/2012 | 06h22

Moradores fazem faixas e cartazes para alertar sobre os roubos. Incidência de casos recentes de assaltos na Rua Portugal surpreende


Faixas e cartazes de alerta e de indignação foram espalhados pela viaFoto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS


A maior parte das pessoas que vivem ou trabalham na Portugal sabe que rua sofre com as investidas criminosas. A via tem acesso fácil a rotas de fuga. Desde o ano passado, faixas e cartazes em muros, grades e fachadas expõem o desespero de quem convive com ataques a pedestres e motoristas. Mas nem todos que frequentam o lugar prestam atenção ao alerta.

Às 20h30min de 30 de setembro, um publicitário de 27 anos estacionou o seu i30 na frente a um prédio próximo à Cristóvão Colombo. Ficou dentro do veículo não mais do que dois minutos. Esperava pela namorada, que já descia do apartamento. Mas, em vez dela, quem se sentou no banco do carona foi um homem armado que mandou o motorista descer e sumiu com o automóvel, levando uma mala de roupas e um computador com trabalhos da vítima do assalto.

— Eu não tinha reparado nas faixas — conta o publicitário.

Para os moradores mais antigos da Portugal, a incidência de casos recentes de roubos a motorista surpreende.

— Depois das nossas mobilizações, caíram os assaltos a pedestres e a residências — assegura Paulo Cunha, do Conselho de Segurança da Rua Portugal.

ROTAS DE FUGA PARA ROUBO DE CARRO

ZERO HORA 28/10/2012 | 06h22

Duas avenidas servem de rota de fuga para os criminosos. Assis Brasil e Sertório são vice-campeãs no ranking de roubos de carros em Porto Alegre


Via expressa, com mais de 11 quilômetros, Assis Brasil é acesso para municípios da Região MetropolitanaFoto: Bruno Alencastro / Agencia RBS


Embora as avenidas Assis Brasil e Sertório figurem como vice-campeãs no ranking de roubos de carros em Porto Alegre, em setembro, e façam parte do bairro Sarandi, o recordista em roubos (29 casos), seus números não surpreendem. Pelo contrário. Com 11,4 quilômetros e 10,3 quilômetros de extensão, respectivamente, as duas vias localizadas estão entre as maiores da Capital. E tradicionalmente servem de rota de fuga para a Zona Norte e também para municípios vizinhos como Canoas, Cachoeirinha, Alvorada e Gravataí.

Nesses locais, costumeiramente, a polícia localiza autopeças ou carros aos pedaços em desmanches e ferros-velhos clandestinos. Pelo fato de ser uma via expressa, de grande movimento de veículos durante o dia, a Assis Brasil contabiliza a maioria dos roubos — quatro de cinco — no período noturno, entre 18h e 1h30min. Na Sertório, com fluxo menos intenso, os roubos aconteceram, preferencialmente, durante o dia.

DEIXADA NA RUA COM A ROUPA DO CORPO

ZERO HORA 28/10/2012 | 06h23

Veículo é roubado com malas e bolsas no início de viagem de feriadão. Empresária de Santa Maria foi deixada na rua apenas com a roupa do corpo


Via com maior número de assaltos a motoristas em setembro, São Manoel tem perfil que atrai criminososFoto: Tadeu Vilani / Agencia RBS


Eminentemente residencial, a Rua São Manoel se tornou atrativa para ladrões pelo intenso volume de automóveis, a qualquer hora do dia ou da noite, que estacionam junto às calçadas ou acessam garagens de condomínios. Foi ao parar na frente de um edifício, próximo à Rua Domingos Crescêncio, que a empresária de Santa Maria Ronise Ardais, 43 anos, teve o seu Jetta roubado ao meio-dia de 20 de setembro. Ronise teclava no GPS o endereço do hotel em Gramado, onde passaria o feriadão Farroupilha com mãe, a quem tinha vindo buscar na Capital. Em uma fração de segundo, dois jovens armados e bem vestidos cercaram o carro.

— Nunca tinha sido assaltada, não imaginava que ali seria perigoso.

Mãe e filha foram obrigadas a ir para a calçada, e os bandidos desapareceram com o Jetta, levando bolsas, carteiras, bagagens com roupas de inverno, além de joias e uma máquina fotográfica de valor inestimável para a empresária, contendo imagens de família.

— O feriadão acabou ali. Fiquei só com a roupa do corpo. Como tudo estava fechado, tive de esperar até o dia seguinte para comprar outra muda de roupa e voltar para casa — lamenta.

O carro até hoje está sumido.

O professor de Educação Física Edson Costa, 49 anos, trabalha na São Manoel, sabia dos perigos, mas se distraiu por um fator aliado do crime: um temporal, na tarde de 18 de setembro.

— Voltava do almoço. Quando destravei as portas para abrir o guarda-chuva, um assaltante se sentou no banco do carona empunhando um revólver — recorda Costa.

O ladrão fugiu com o Focus do professor, que ficou a pé, só com o guarda-chuva nas mãos.

Morador do local, um administrador de empresas de 44 anos sofre com mais intensidade os reflexos da ação de dois ladrões que levaram o Gol dele, na noite de 21 de setembro, uma sexta-feira, quando chegava em frente ao portão com a filha de 15 anos. O carro, modelo 2010, com 15 dias de uso, não foi recuperado.

— Não tive tempo nem de colocar rádio e alarme e fazer seguro. Fiquei com o carnê de 24 parcelas para pagar, um prejuízo de R$ 26 mil. Agora, não tem mais saída noturna — consola-se o administrador, que procura casa em outro bairro da cidade.

CARRO LEVADO COM BEBÊ DE UM ANO DENTRO

ZERO HORA 28/10/2012 | 06h11

ROUBO DE CARRO - Em um dos locais mais visados, carro foi levado com bebê de um ano dentro. Avenida Nova York, que passa pelos bairros Auxiliadora e Rio Branco, enfrenta epidemia de roubos


Depois de ver a filha sumir com o veículo roubado, comerciante decidiu mudar de endereçoFoto: Tadeu Vilani / Agencia RBS


Com apenas seis quadras e 782 metros de extensão, predominantemente residencial, a Avenida Nova York enfrenta a mais surpreendente epidemia de roubos de carros. Os bandidos atacam vítimas sem preocupação com testemunhas, como fizeram na noite de 30 de setembro na esquina da Rua Mata Bacelar ao levar o Sentra 2012 de um geólogo de 67 anos.

— Manobrava o carro com ajuda de um guardador, tinha gente nas sacadas, na rua. Quando vi, dois homens apareceram na minha porta — diz ele.

A dupla também roubou documentos e pertences, não recuperados.

— Estou em depressão. Fiz um cartão TRI e ando de ônibus. Até hoje agradeço a Deus por não terem me levado junto. Acho que morreria — completa.
Quase no mesmo ponto, às 9h15min do dia 25, uma advogada de 27 anos teve o i30 roubado.

— Saí rápido do carro. Tentaram me pegar pelos braços e diziam que eu também iria, com sorriso irônico e debochado. É inacreditável isso acontecer ali, pais levando filhos para uma escolinha, gente varrendo a rua. Estava chegando para a fisioterapia, mas abandonei, nunca mais voltei lá — desabafa.

No mesmo dia, uma hora antes, na esquina com a Avenida América, uma dupla roubou o Passat de outro advogado. O carro reapareceu porque tem rastreador, mas o notebook e um pen drive com arquivos de 12 anos de trabalho evaporaram. A mesma dupla, no mesmo lugar, no domingo 23, é suspeita do ataque ao comerciante Vinícius, 22 anos, e a mulher, Alline, 19 anos. Parado ao lado do seu Fox, com motor ligado, em frente ao prédio onde morava, Vinícius conversava com um amigo, aguardando Alline, que tinha subido ao apartamento para trocar de roupa. Ele pensava que a filha de um ano do casal estava com a mulher, mas o bebê ficara no banco traseiro do Fox:

— De repente, apareceram dois caras. Saí correndo e eles pegaram o carro. Depois, encontrei a Alline perguntando pela nossa filha. Foi a pior sensação da minha vida. E, ela, desmaiou.

Como o carro tem corta-corrente, ele foi abandonado dois minutos depois com o bebê dormindo na cadeirinha.

— Graças a Deus não aconteceu nada mais grave. Me mudei daqui e não corro mais de assalto — diz o comerciante.

A VIOLÊNCIA POR TRÁS DO ROUBO DE CARROS

ZERO HORA, 28/10/2012 | 06h12

A violência por trás dos 496 veículos roubados em Porto Alegre em setembro. Levantamento de ZH mostra a brutalidade dos crimes que seguirá atormentando as vítimas

JOSÉ LUÍS COSTA*

O roubo de carro está incorporado à cultura de Porto Alegre como assar uma costela no domingo ou torcer para Grêmio e Inter. Estatísticas indicam que nenhum outro crime violento ocorre com tanta intensidade como os ataques a motoristas por bandidos armados. Os veículos licenciados na Capital representam apenas 14% da frota gaúcha, mas a cidade concentra metade de todos os assaltos no Rio Grande do Sul.

Estatísticas da Secretaria da Segurança Pública (SSP) mostram que, entre janeiro e agosto, dos 7.874 veículos roubados no Estado, 3.984 foram levados das ruas e avenidas de Porto Alegre — equivalente a 50,6%. É um percentual elevadíssimo se comparado com outros indicadores. Os homicídios na Capital, por exemplo, representam 22% dos casos registrados nos primeiros oito meses do ano em 497 municípios. E os roubos em geral, incluindo ataques a residência, pedestres e estabelecimentos comerciais, 33,5%.

Em setembro, dois episódios na Capital chocaram o Estado pela brutalidade dos assaltantes — o atropelamento do corretor Eloy Kath, 81 anos, e a morte do técnico de caldeiras do Hospital de Clínicas Paulo Roberto Rosa de Oliveira, 54 anos. Mas há outros episódios que também geraram traumas e prejuízos a centenas de motoristas, cujos dramas costumam ficar ocultos pela frieza das estatísticas (leia textos nas páginas 34 até 37).

ZH traçou o perfil do roubo de carro na maior cidade gaúcha, produzido a partir de registros na Polícia Civil no mês de setembro. O levantamento revela que, em 30 dias, os bandidos levaram 496 automóveis, caminhonetes e motocicletas, apontando armas para os condutores e passageiros, arrancando, além do veículo, documentos, pertences e a tranquilidade das vítimas. O número de roubos não é mais alto do ano — dados oficiais do mês ainda não foram divulgados pela SSP —, mas é o setembro mais violento desde 2010.

Quatro bairros, 20% dos casos

O estudo indica uma tendência já percebida em análises anteriores. As áreas nobres da cidade são as mais castigadas. Os bairros Petrópolis, Auxiliadora, Rio Branco e São João aparecem no topo do ranking dos preferidos pelos ladrões. Somente nessas quatro regiões ocorreram cem roubos no período. O número equivale a 20% de todos as ocorrências do gênero nos 81 bairros da Capital.

O mapeamento aponta, ainda, as ruas mais visadas. A São Manoel, que corta quatro bairros, é a recordista, com sete casos. A Coronel Bordini aparece em segundo, com cinco registros, assim como a Nova York, ambas com pontos mais críticos no trecho do bairro Auxiliadora. Da análise dos registros surgem outras constatações. O modelo preferido é o Gol — consequência natural, pois é o mais vendido — e o período mais perigoso é entre 18h e meia-noite, com quase metade dos registros. Dos 496 carros roubados, 254 foram recuperados (51,2%).

A incidência do crime já rendeu a Porto Alegre o título nada honroso de a capital nacional do roubo de veículos. E isso tem pesado cada vez no bolso de proprietários de automóveis. O custo do seguro já aumentou mais de 30% no primeiro semestre de 2012, impulsionado, em boa parte, pelos roubos e pelos furtos (quando o automóvel é levado sem a presença da vítima). Em maio, um comparativo de preços de apólices, entre 11 capitais, revelou que os valores cobrados em Porto Alegre estavam entre os mais salgados do país, ficando atrás apenas de Belo Horizonte e São Paulo.

A delegada Vivian do Nascimento, da Delegacia de Repressão ao Roubo de Veículos, considera aceitáveis os números de setembro, por serem inferiores aos do mês anterior:

— Em agosto foram 627 casos.

Vivian diz que tem monitorado os locais de maior incidências de roubos e que, desde o final de setembro, vem prendendo integrantes de quadrilhas que atuam nessas áreas da cidade.

*Colaboraram Débora Ely e Lucas Cunha


BM MUDA ESTRATÉGIA PARA CONTER ROUBOS DE CARROS

ZERO HORA 29/10/2012 | 04h02

Brigada Militar muda estratégia para reprimir o roubo de carros na Capital. Proposta prevê aumento do número de PMs a pé nos locais mais críticos

José Luís Costa

O Comando de Policiamento da Capital (CPC) planeja alterações no patrulhamento da cidade para ampliar a repressão aos ladrões de carros. A proposta do coronel Alfeu Freitas, comandante do CPC, é aumentar o número de PMs a pé nos locais mais críticos.

Em reportagem publicada neste domingo, Zero Hora elencou as ruas e os bairros onde motoristas mais sofrem com os roubos em Porto Alegre. O levantamento, a partir de registros em setembro, na Polícia Civil, apontou 496 casos, 20% deles em apenas quatro regiões — Petrópolis, Auxiliadora, Rio Branco e São João. Entre as vias com mais ocorrências, figuram São Manoel, Nova York, Coronel Bordini e Artigas.


A medida vem ao encontro das reinvindicações de moradores e comerciantes dos pontos mais críticos.

— Aqui na Nova York, PM é miragem — desabafou um deles.

Com pouco mais de 750 metros de extensão, a via registrou cinco casos em setembro, sendo que em dois pontos, nos cruzamentos com a Rua Mata Bacelar e com a Avenida América, ocorreram quatro roubos.

Freitas reconhece dificuldades em patrulhar a cidade pela carência de policiais, e também critica a legislação que permite a soltura de criminosos. Ele compreende o clamor social e concorda que a sensação de insegurança pode ser amenizada com mais PMs a pé. O coronel diz que o uso de viaturas paradas em locais estratégicos não tem maiores efeitos quanto o PM a pé porque, em geral, elas são acionadas para atender a ocorrências e obrigadas a abandonar os locais.

Uma reunião entre o comando do CPC e oficiais de todos os batalhões da Capital, na quarta-feira, deverá definir detalhes da nova estratégia.

Entrevista: Coronel Alfeu Freitas, comandante do policiamento da Capital

Por telefone, neste domingo, comandante do policiamento da Capital avaliou a atuação da BM no combate aos ladrões de carro. Leia os principais trechos da entrevista:

Zero Hora — Qual a principal dificuldade para reprimir roubos?

Coronel Alfeu Freitas — Quase todos os dias a BM prende em flagrante pessoas roubando carros. Muitas vezes, a mesma pessoa, mais de uma vez. A maior dificuldade é manter essas pessoas fora de circulação. A BM prende gente que deveria estar presa.

ZH — Faltam PMs nas ruas de Porto Alegre?

Freitas — O ideal seria um PM em cada esquina 24 horas por dia? Mas isso é impossível. O efetivo disponível é insuficiente para toda a demanda, mas existe policiamento ostensivo. Tanto é que prendemos, em média, 20 criminosos por dia.

ZH — A BM vai intensificar barreiras e blitze?

Freitas — Todos os dias montamos barreiras em Porto Alegre, com três, quatro PMs em locais mais visados, abordando carros suspeitos, durante alguns minutos. São barreira móveis, para não ficar em um lugar só.

ZH — Na Rua Artigas, no bairro Petrópolis, os roubos de carros terminaram depois que a BM colocou lá um soldado de plantão.

Freitas — O PM foi colocado para resolver problemas que aconteciam lá. Mas não posso prometer que vai estar todos os dias. Sou favorável ao policiamento a pé. É a presença do PM que inibe o crime. As viaturas são usadas para atender a ocorrências depois que o crime já aconteceu.

ZH — E outras ruas com alto índice de roubos terão PMs também?

Freitas — Vamos procurar atender às necessidades. Por isso tenho insistido internamente em trabalhar com policiamento a pé.

ZH — As pessoas enxergarão os PMs nas ruas?

Freitas — Temos de tomar atitudes para minimizar a sensação de insegurança e medo. O PM tem de ser proativo, não poderá ser um espantalho. Quero prender quem está envolvido em crimes.


sábado, 27 de outubro de 2012

DEPENADOS

 
ZERO HORA 27 de outubro de 2012 | N° 17235

Sumiram 43 peças de veículos. Detran conclui auditoria no SOS Esteio e anuncia providências para evitar novos furtos em depósito

FRANCISCO AMORIM E HUMBERTO TREZZI

Em 19 de agosto, na reportagem Depenados, Zero Hora mostrou que veículos eram furtados dentro das dependências de um depósito oficial do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Foram flagrados dois automóveis (um Uno e um Gol) e um caminhão Mercedes-Benz tendo partes levadas por funcionários do SOS Esteio, Centro de Remoção de Veículos situado na Zona Norte de Porto Alegre.

No dia seguinte, o Detran interditou esse estabelecimento, que era credenciado para receber automóveis apreendidos ou encontrados após serem abandonados por ladrões. Agora se sabe que as vítimas não foram três, mas dezenas.

A interdição serviu para realização de uma auditoria, cujo resultado foi anunciado ontem pelo Detran. Foram analisados 1.643 veículos e constatado que, em 43 deles (2,5% do total), sumiram itens como sistema de som, espelho retrovisor externo, baterias ou pneus sobressalentes. Foram também encontradas motocicletas sem o devido capacete e outros veículos sem acessórios, como macaco, baú e triângulo. A inspeção revelou a falta de alguns itens pessoais dos proprietários dos veículos, como notebook, televisor e pen drives.

O mais incrível é que um automóvel sumiu inteiro. Há indícios de que ele teria sido entregue a autoridades municipais, mas isso ainda não ficou comprovado. Se o veículo não aparecer, o depósito terá de indenizar o proprietário.

Como o Detran conseguiu comprovar o sumiço desse material?

– Confrontamos o check-list preenchido pelas autoridades (guardas de trânsito, policiais) com o que foi encontrado por nossos auditores, na inspeção. Os veículos foram examinados, um por um. Tudo o que faltou, anotamos – descreve o presidente do Detran, Alessandro Barcellos.

Barcellos afirma não ter condições de provar se os objetos sumiram antes ou durante o período de permanência dos carros no depósito. É que os sumiços não foram gravados (excetuados os flagrantes feitos por ZH), mas comprovados apenas pelo cotejo entre o documento preenchido por quem apreendeu e o exame físico do veículo.

SOS Esteio está intimado a retirar os 1,6 mil veículos do depósito

De qualquer forma, a responsabilidade pelo sumiço é do depósito, diz o presidente do Detran. Ele admite que todos os casos de sumiço de peças são passíveis de indenização por parte do SOS Esteio. O Detran constatou ainda outras falhas no depósito, administrativas, como preenchimento equivocado de dados sobre veículos ali depositados, processos cadastrados em duplicidade e liberação de veículos sem o encerramento do processo.

Por tudo isso, foi mantida a interdição do SOS Esteio – ou seja, novos veículos não podem lá ser descarregados. O depósito terá prazo para se defender e, se a defesa não for aceita, será descredenciado, não podendo mais receber veículos apreendidos pelo poder público.

O depósito também foi intimado a retirar todos os 1,6 mil veículos ali abrigados. Não em decorrência do furto de peças, mas pela suspeita de possível contaminação do terreno onde fica o SOS Esteio. Eles serão removidos para Esteio, onde a empresa tem outro depósito.

Tramita ainda na Polícia Civil um inquérito criminal que analisa os saques de veículos flagrados por Zero Hora. Já há decisão de indiciar criminalmente, por peculato, três funcionários do SOS Esteio.

Veículos terão de ser fotografados

O presidente do Detran, Alessandro Barcellos, tinha anunciado em agosto 10 medidas destinadas a sanear os depósitos de veículos e dificultar furtos. Algumas foram proteladas, outras implantadas parcialmente, mas outras serão implementadas de forma imediata.

É o caso da exigência de que qualquer veículo seja fotografado, antes de ser levado ao centro de remoção do Detran. Ela será exigida em 30 dias.

– Agora, exigiremos de cinco a sete fotos, no local do acidente ou do encontro do veículo furtado. O depósito deverá guardar isso em um CD e, se ocorrer queixa do proprietário do automóvel, ele terá de nos mostrar as condições em que encontrou o carro. No futuro, essas fotos serão enviadas para um banco de dados, via computador – anuncia Barcellos.

Veja abaixo como estão as providências anunciadas pelo Detran logo após a reportagem de ZH:

O balanço das medidas
1) Separação de áreas para veículos recolhidos por infrações de trânsito administrativa, questões policiais, judiciais ou perícia
- parcialmente implantada.
2) O check list (Auto de Retirada de Veículo de Circulação), além de mais detalhado, deverá ser preenchido também pelo agente do órgão que realizou a apreensão (hoje apenas o guincheiro assina o documento)
- implantada parcialmente.
3) Desenvolvimento de sistema informatizado pela Procergs com integração de dados, agregando fotografias ao prontuário do veículo, para maior controle
- não implantada, depende da Procergs.
4) Procedimentos de registro fotográfico dos veículos no local da ocorrência e no acesso ao depósito, além de decalques de chassi e motor e fotografias
- não implantada, mas já agendada para daqui a 30 dias.
5) Restrição de acesso de pessoas a veículos recolhidos por ilícitos, salvo que haja uma autorização policial
- implantada parcialmente.
6) Veículos apreendidos por restrições estruturais (como rebaixamento fora das normas) poderão ser retirados do depósito para que a retificação seja feita em oficina (hoje, os mecânicos fazem o conserto dentro dos próprios depósitos, em uma área imprópria)
- já implantada.
7) Aceleração dos processos nas perícias a cargo do Instituto-geral de Perícias (IGP) em depósito e nas liberações policiais e judiciais
- implantada parcialmente, depende do IGP.
8) Intensificação de leilões de sucatas
- implantada parcialmente.
9) Novos credenciamentos de depósitos para a capital do Estado e Interior
- implantada parcialmente.
10) Uso de lacres, fitas e similares nas portas dos veículos apreendidos
- não implantada

 
Contraponto
O que diz o SOS Esteio:
O advogado do SOS Esteio, César Peres, se diz surpreso com o resultado da auditoria do Detran. Para ele, os proprietários do depósito “são pessoas honestas”, que inclusive se ofereceram para custear prejuízos com sumiço de objetos que porventura tenham ocorrido no estabelecimento. Ele ressalta que ainda não teve acesso às informações da investigação, mas acredita que a dona do depósito vai conversar com todos os empregados, para checar como os objetos sumiram e o que poderá ser feito para ressarcir os prejuízos.

PIOR DO QUE NO VELHO OESTE


ZERO HORA 27 de outubro de 2012 | N° 17235

EDITORIAIS

O registro de mais de 500 ações criminosas contra bancos nos três Estados da Região Sul só neste ano – maior do que o estimado para todo o período de colonização do oeste norte-americano, como indicam estudos recentes de pesquisadores da Universidade de Dayton, nos Estados Unidos – é suficiente para justificar providências mais consequentes do que as adotadas até hoje. Por isso, é promissor para os cidadãos o inédito mutirão entre autoridades, empresários e trabalhadores gaúchos, catarinenses e paranaenses com o objetivo de desenvolver ações policiais e mecanismos de segurança que possam conter a violência dos bandidos. Não é admissível que a sociedade continue a se sentir cada vez mais refém de quem não hesita em recorrer a qualquer forma de surrupiar dinheiro alheio, que deveria ser mais resguardado tanto pelos responsáveis diretos – os bancos –, quanto pelos organismos de segurança pública.

O primeiro encontro já serviu para evidenciar algumas fragilidades, que contribuem para expor ainda mais a população, particularmente em comunidades de menor porte, mais expostas aos criminosos. Uma delas é de que falta segurança nas agências – aspecto inaceitável, levando em conta que, onde há dinheiro vivo, seja no Brasil, seja em regiões que prosperaram a partir do Velho Oeste norte-americano, sempre haverá alguém tentando se apossar dele. A outra é que, em Estados como os da Região Sul, falta um mínimo de interação entre as forças policiais, que facilite, por exemplo, maior uso da inteligência com a intensificação da troca de dados. Por isso, é importante que a pretendida união de forças entre autoridades de segurança e representantes da iniciativa privada avance, para que pelo menos as comunidades mais vulneráveis à ação de assaltantes de banco voltem logo a sentir-se mais protegidas.

A particularidade de as quadrilhas especializadas nesse tipo de ato migrarem de um Estado para outro de acordo com suas próprias conveniências deixa evidente que a questão não tem mais como ser atacada isoladamente. Nos três Estados mais meridionais, o número de ataques a bancos registrou uma elevação considerável neste ano, em comparação com o anterior. É preciso, portanto, reforçar o policiamento, mas também impor maior controle sobre o uso de explosivos e adotar medidas elementares e que realmente funcionem na prática. Como esse tipo de crime só tende a cessar quando o dinheiro se torna inacessível, a providência mais urgente precisa ser a inutilização automática de cédulas furtadas.

Como bem lembraram os representantes dos Estados sulinos reunidos agora, é preciso também mudar a lei, levando-a realmente a intimidar quem hoje se vale de explosivos para esse tipo de ataque, por exemplo. Sem esse maior rigor, o que o futuro imediato reserva para os cidadãos, particularmente os da Região Sul, é um pesadelo típico de Velho Oeste – não o real, mas o popularizado pelo cinema, com os evidentes exageros para os quais esse tipo de entretenimento se presta.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

TRÁFICO: CHEFE COMANDAVA DE DENTRO DO PRESÍDIO CENTRAL

G1 RS 26/10/2012 08h26

Polícia prende suspeitos de tráfico na Região Metropolitana de Porto Alegre. Operação prendeu 10 pessoas em Cachoeirinha e Eldorado do Sul. Chefe do tráfico comandava o grupo de dentro do Presídio Central.

Fábio Almeida Da RBS TV


Polícia realiza operação contra o tráfico de drogas na Região Metropolitana de Porto Alegre (Foto: Fábio Almeida/RBS TV)

A Polícia Civil realiza operação na manhã desta sexta-feira (26) no combate ao tráfico de drogas nas cidades de Eldorado do Sul e Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Até o momento, 10 pessoas foram presas.

Participam da operação 150 policiais que estão cumprindo 24 mandados de busca e apreensão e 10 de prisão. A ação é coordenada pela 2ª DP de Porto Alegre.

Segundo a Polícia Civil, o bando é comandado por um presidiário. O homem, que cumpre pena no Presídio Central, coordena toda a movimentação do tráfico de dentro da cadeia. São distribuídos cerca de 50 quilos de droga por semana.

Entre os detidos na manhã desta sexta, estão a esposa e a filha do chefe do tráfico. Escutas da polícia também mostram que o homem usava o telefone para negociar armas, ordenar assassinatos e até mesmo planejar um golpe para assumir uma empresa de segurança privada, matando um advogado, dono do negócio.

"Monitora onde ele está que vou mandar um guri conversar com ele. Vai subir, vou mandar ele (a vítima) pousar na galeria de cima", diz o criminoso em uma das escutas.

ONDA DE VIOLÊNCIA DEIXA PM E SEIS PESSOAS MORTAS EM SP

FOLHA.COM 26/10/2012

MARTHA ALVES
DE SÃO PAULO



Um policial militar e ao menos outras seis pessoas foram mortas a tiros em nova onda de violência na capital e Grande São Paulo, entre o final da tarde de ontem (25) e a madrugada desta sexta-feira. Outras seis pessoas ficaram feridas, entre elas um PM. Nenhum suspeito pelos crimes foi preso.

Outra série de mortes foi registrada entre a noite de quarta-feira (24) e a madrugada de ontem (25) na capital e Grande São Paulo. Treze pessoas foram baleadas e oito delas morreram, entre elas um PM. Por volta das 20h30, um policial militar à paisana foi morto a tiros, na Vila Nova Curuçá, zona leste de São Paulo.

Segundo a polícia, o policial chegava em casa quando dois homens em uma moto dispararam vários tiros e fugiram sem levar nada. Ele foi levado ao Hospital Tide Setúbal, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

O caso foi registrado no 67º Distrito Policial, no Jardim Robru. O caso será investigado pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa).

Eduardo Anizelli/Folhapress


Policial pericía moto de PM morto a tiros na Vila Nova Curuçá, zona leste de SP, na noite de quinta-feira (25)


Na Grande São Paulo, quatro homens tentaram assassinar um policial militar na rua Oscarito, no Jardim Silvia Maria, em Mauá, por volta das 21h de ontem.

O PM chegava de carro, acompanhado do filho de seis anos, a casa de um outro militar quando os criminosos dispararam vários tiros. Ele revidou e os criminosos para fugir atiraram contra duas mulheres, que foram atingidas no abdômen. No tiroteio, o vidro do carro do policial foi atingido e os estilhaços atingiram seu filho.

As duas mulheres e o menino foram levados ao pronto-socorro do Hospital Nardini. O PM saiu ileso da troca de tiros. O caso foi registrado na delegacia central de Mauá.

Outro policial militar à paisana foi baleado ao tentar impedir um roubo a uma adega na rua Endres, na Vila das Bandeiras, em Guarulhos, por volta das 17h de ontem.

Criminosos invadiram a adega e anunciaram o roubo. O PM reagiu e foi baleado na cabeça pelos ladrões, que fugiram levando duas armas do militar. Ele foi levado ao Hospital Padre Bento e não corre risco de morte. O caso foi registrado no 1º Distrito Policial de Guarulhos.

Em Santo André, criminosos atiraram contra um carro da polícia civil na avenida Santos Dumont, no bairro Casa Branca, por volta da 1h desta sexta-feira.

Segundo a PM, dois homens em uma moto se aproximaram do carro e dispararam dois tiros e fugiram. Os tiros acertaram apenas o vidro do carro. Nenhum policial ficou ferido.

CIVIS MORTOS

Três homens foram baleados quando comemoraram uma aniversário em frente a um bar na rua Jiparaná, na Parada XV de Novembro, zona leste de São Paulo, por volta das 22h de quinta-feira (25).

Dois foram levados a pronto-socorro Planalto, mas um não resistiu aos ferimentos e morreu. Segundo a PM, uma terceira vítima foi baleada na mão, mas fugiu correndo do local.

O caso foi registrado no 63º Distrito Policial, na Vila Jacuí.

Eduardo Anizelli/Folhapress


Polícia isola local onde três pessoas foram baleadas na rua Jiparaná, na zona leste de SP


Na mesma região, uma pessoa foi encontrada morta a tiros na rua João da Silva Aguiar, no bairro Lajeado, por volta das 19h. O caso foi registrado no 68º Distrito Policial, no Lajeado.

Um homem foi encontrado morto em uma praça na rua Domingos de Rogatis, Jardim da Saúde, zona sul de São Paulo, por volta das 22h. O caso foi registrado no 26º Distrito Policial, no Sacomã.

Outro homem foi baleado na rua Israel Ferreira Ferro, no jardim Carombé, zona norte de São Paulo, por volta da 1h30. Ele foi levado ao pronto-socorro Taipas.

Na zona oeste, um homem foi encontrado morto a tiros por volta das 21h na avenida Engenheiro Antônio Eiras Garcia, no Jardim Esmeralda. O caso foi registrado no 89º Distrito Policial, no Portal do Morumbi.

Em Carapicuíba (Grande São Paulo), um casal foi morto a tiros na Estrada do Embirussu, por volta das 23h.

Segundo a polícia, a mulher foi encontrada morta dentro de um carro e o homem foi levado ao pronto-socorro Dirce, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. O caso foi registrado no 1º Distrito Policial de Carapicuíba.

DEFEITO NO 190 DIFICULTA INVESTIGAÇÃO DE MORTES

25/10/2012 22h04

Defeito na central da polícia dificulta investigação de morte de casal. Ligação para o 190 não foi registrada e policial não lembra da conversa. Homem de 69 anos e esposa de 34 foram encontrados mortos, em Londrina.

Do G1 PR, com informações da RPC TV Londrina


Casal foi encontrado morto na manhã de quarta-feira
(24), em Londrina (Foto: Reprodução / RPC TV)

A Central de Operações da Polícia Militar (PM), em Londrina, não gravou a ligação que partiu de um dos celulares encontrados na casa onde moravam um empresário de 69 anos e a esposa dele, de 34. Eles foram encontrados mortos na manhã de quarta-feira (24).

Um raio afetou sete dos oito terminais que registram as chamadas de emergência e foi, justamente, em um destes equipamentos que entrou a chamada por volta da 1h de quarta-feira. A ligação durou aproximadamente um minuto.

Nesta quinta-feira (25), o policial que atendeu a chamada prestou depoimento. Ele disse que atendeu diversas ligações na madrugada e que não se recordava da conversa.
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“Nós temos, em principio, registro de uma ligação naquele horário do incidente no apartamento. No entanto, caso exista uma nova informação, proveniente do delegado e de outra circunstância que preceda este horário, nós também temos condições de emitir novos relatórios e instruir inquérito também”, afirmou o capitão Villa, porta-voz da PM.

A ligação foi o último contato do empresário e da mulher dele, antes de os dois serem encontrados mortos no apartamento de luxo onde moravam, em uma região nobre de Londrina. Para o delegado Willian Douglas Soares, que investiga as mortes, a motivação dos crimes pode ter sido passional.



Soares acredita que algum documento salvo em um netbook, encontrado no lixo do apartamento, pode ter causado a briga relatada por moradores do edifício. O computador será examinado.

As primeiras informações apontam para a hipótese de homicídio seguido de suicídio. O delegado espera imagens de câmeras de segurança do prédio para avançar nas investigações.

AVIAÇÃO CONTRA O CRIME

O SUL, 26/10/2012

WANDERLEY SOARES

Pelo avanço da criminalidade, não se pode descartar a criação, na Brigada, de pelotões de paraquedistas.

O CPC (Comando de Polícia Ostensiva da Capital) contará, hoje, com um reforço. Será o patrulhamento aéreo, executado pelo Batalhão de Aviação da Brigada Militar com sobrevoos nos principais eixos viários da cidade e, se necessário, em acompanhamento de ocorrências para apoiar as guarnições motorizadas e o policiamento a pé. Aqui da minha torre, salvo o controle no trânsito, a ideia é a de que a força aérea brigadiana seja mobilizada com objetivos específicos, pontuais e em andamento, como é o caso de salvamentos. Num primeiro plano, meus conselheiros apontam como prioridade contra a violência e a criminalidade ações de pelotões motorizados, da infantaria e da cavalaria, com o devido acompanhamento dos PMs ciclistas. A aviação brigadiana, no entanto, poderá alcançar um patamar de maior importância no policiamento ostensivo terrestre se forem criados pelotões de paraquedistas.


Imagens e agentes

O Centro Integrado de Comando de Porto Alegre começou a funcionar ontem. Vinte e quatro agentes monitoram a capital por meio de 300 câmeras durante 24h. Por meio de 39 telas, agora é possível acompanhar ocorrências de trânsito, ações criminosas e efeitos climáticos. A partir da visualização passam a ser adotadas medidas rápidas para solucionar os problemas. O Centro Integrado custou R$ 5,6 milhões. As imagens serão compartilhadas com a Brigada Militar. Nenhuma dúvida sobre a eficiência do equipamento eletrônico. O tempo dirá sobre a competência dos agentes que, nas ruas, forem monitorados pelas imagens.


Fantasia

Um falso sequestro mobilizou a Brigada Militar, em Santa Maria, na noite de quarta-feira. Duas adolescentes acionaram a polícia alegando terem sido raptadas por homens na saída de um mercado, no bairro Nova Santa Marta. Contaram que haviam sido libertadas, mas que uma terceira amiga seguia em poder dos sequestradores no porta-malas de um carro. Oito viaturas fizeram buscas na região por cerca de três horas. Na delegacia, elas confessaram a farsa, mas não explicaram porque mentiram. Foi uma fantasia louca, mas também uma falsa comunicação de crime.


Explosões

A punição branda para bandidos que promovem ataques com o uso de explosivos é vista como principal motivo para o crescimento deste tipo de crime. O secretário-adjunto da Segurança Pública do Estado, Juarez Pinheiro, afirmou para a mídia da Capital que o tema será debatido hoje durante reunião da Câmara Temática de Segurança Bancária. Pinheiro vai defender penas mais rigorosas para assaltos com explosões. O secretário entende que o uso de explosivos também oferece risco à população. Parece-me, nesta moldura, que Juarez Pinheiro pretende participar da mudança do Código Penal em favor da segurança bancária.


Mulher

Agentes do Denarc prenderam, ontem, em Alvorada, uma mulher de 39 anos, traficante de drogas. Os policiais encontraram 45 tijolinhos de maconha, 11 petecas de cocaína e 78 pedras de crack. A moça estava sendo observada pelos investigadores havia um mês. Ela foi autuada em flagrante por tráfico de drogas com a agravante de vender entorpecentes nas proximidades de colégios. A prisão de homens e mulheres traficantes é uma rotina em todo o Estado. Ações iguais deveriam ser permanentes contra assaltantes de rua.

ASSALTO, TIROTEIO E PRISÃO

ZERO HORA 26 de outubro de 2012 | N° 17234

TENSÃO NA ZONA NORTE


Ladrões de carro são presos após tiroteio


Dois criminosos foram presos após tentarem roubar um carro e trocarem tiros com PMs do 11º BPM, na madrugada de ontem, na zona norte de Porto Alegre. A Polícia Civil acredita que, nos últimos 60 dias, pelo menos um deles esteja envolvido em cerca de 20 roubos de veículos naquela região da cidade.

Wagner Duarte Morrudo, 24 anos, foragido do sistema penitenciário, levou um tiro no pé, foi atendido no Hospital Cristo Redentor e não teve lesões sérias. Luiz Fernando Padilha Costa, também 24 anos, não resistiu e foi preso.

– Em oito casos, Costa foi reconhecido por testemunhas por foto. Temos ainda uns 20 casos abertos em que as características do suspeito batem com as dele – disse o titular da 14ª DP, Wagner Dalcin.

Costa havia sido preso por PMs no dia 19 de setembro, quando roubava um veículo na Rua Engenheiro Walter Bohel, na Vila Ipiranga. Na época, o delegado Dalcin já havia pedido sua prisão temporária à Justiça, que analisava o caso. Mas, antes de um juiz dar resposta, Costa foi liberado da cadeia, no dia 2 de outubro.

Dupla abordava uma mulher em seu carro

O delegado Dalcin disse que vai solicitar a custódia dos dois presos para que sejam submetidos a exame de reconhecimento por parte das vítimas de roubo. Na área da 14ª DP, que abrange bairros como Vila Ipiranga, Cristo Redentor, Jardim Itu Sabará, Chácara das Pedras e Vila Jardim, em média ocorrem três casos de roubo de veículos por dia.

Morrudo e Costa foram pegos no início da madrugada de ontem na Rua Cipó, bairro Passo D’Areia. Segundo a Brigada Militar, uma guarnição do 11º BPM passava no local quando viu a dupla abordando uma mulher em seu carro – Morrudo estava com a arma em punho. Ao perceberem a viatura, os dois fugiram correndo. Morrudo teria efetuado pelo menos um disparo, mas não acertou os PMs.

Um dos soldados reagiu e o baleou no pé. Ferido, o homem parou na hora. Com ele foi apreendido um revólver calibre 38, com numeração suprimida. Costa, que responde também por crimes de receptação e estelionato, entregou-se em seguida. Foram presos em flagrante e encaminhados ao Presídio Central.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

SP: CINCO MORTOS E SEIS FERIDOS À BALA EM 5 HORAS. UM PM É ASSASSINADO.

25/10/2012

Cinco pessoas são mortas e seis são feridas à bala em 5 horas em SP. Na noite desta quarta-feira, 24, mais um policial militar foi assassinado na capital


Ricardo Valota - O Estado de S.Paulo



SÃO PAULO - A Grande São Paulo viveu mais uma noite violenta, com ao menos cinco mortos e seis feridos em cerca de cinco horas, entre 20h30 de quarta-feira e 1h30 desta quinta-feira, 25. Entre os mortos, está um policial militar, o soldado Gilmar Gabriel dos Santos, de 42 anos, baleado por um homem encapuzado por volta das 21h na região de Sapopemba, zona leste de capital paulista, quando voltava para casa.

Neste ano, ao menos 84 policiais militares foram mortos em todo o Estado,sendo que em 46 casos há indícios de execução.

Em torno do mesmo horário do assassinato do PM, um homem foi baleado nas costas no Capão Redondo, zona sul de SP, e encaminhado ao pronto-socorro do Campo Limpo, onde está internado.

Outra vítima fatal foi um homem que, supostamente, tentou assaltar um policial militar e a namorada no início da madrugada, em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. O agente estava à paisana, reagiu à abordagem e matou o criminoso. O parceiro do bandido conseguiu fugir.

Às 22h30, também em frente a um bar no Parque Santo Antonio, na zona sul de São Paulo, três pessoas foram atacadas a tiros por dois homens em uma moto, de acordo com a PM.

Evandro Cristiano Ribeiro de Araújo, 24 anos, morreu. Douglas Florêncio da Silva, de 20 anos, e um adolescente de 17 anos, também atingidos, foram encaminhados ao pronto-socorrro do Campo Limpo. O estado de saúde dos sobreviventes não foi informado. Nenhum dos três tinha passagem pela polícia.

Na zona norte de São Paulo, à 0h30, na Estrada do Corredor, uma mulher foi atingida por tiros disparados por motoqueiros. A vítima foi levada pela PM ao Hospital Geral de Taipas e o estado de saúde não foi informado.

Um pouco mais tarde, um morador da mesma via acionou a polícia porque havia um homem baleado na perna em seu quintal. O ferido também foi levado ao Hospital Geral de Taipas. A polícia não descarta relação entre esses dois crimes.

À 1h, de novo, segundo testemunhas, dois motoqueiros, que fugiram, mataram um homem na região de Pirituba, zona sul de São Paulo.

Na mesma zona, outra vítima fatal, com cerca de 35 anos, de acordo com a polícia, foi encontrada na rua, baleada na barriga e nas pernas. Os criminosos não foram identificados.

Na Cidade Líder, na zona leste de SP, três jovens que conversavam em frente à casa de um deles foram atacados a tiros por motoqueiros escoltados por um veículo, segundo a polícia. Um dos homens foi atingido na cabeça. Socorrido por PMs, ele foi levado ao Hospital Santa Marcelina, de Itaquera. O estado de saúde do rapaz é grave.

MONITORAMENTO DE VEÍCULOS






SINIAV começa monitoramento a partir de janeiro

O ano de 2013 vai começar diferente para uma parte dos motoristas brasileiros. Pelo menos inicialmente para quem vai pegar um carro novo. O SINIAV – um tipo de SIVAM para carros – vai entrar em operação em todo o país, começando obrigatoriamente pelos carros novos. Todos – sem exceção – terão que sair de fábrica com o chip de rastreamento. Não se trata daquele rastreador que o proprietário pode ou não ativar no momento da compra.

O chip do SINIAV estará sempre ativo e identificando o veículo em qualquer ponto do território nacional, seja em estradas ou vias urbanas. O dispositivo vai custar R$ 5,00 e será cobrado do proprietário na hora de licenciar. Ele vai permitir que os órgãos de trânsito fiscalizem a frota nacional, a fim de evitar roubo/furto de veículos/cargas, controlar tráfego, restringir acesso em zonas urbanas, fiscalizar velocidade média, aplicar multas, localizar veículos roubados, enfim, uma série de funções agregadas.

O sistema vai utilizar uma série de antenas fixas ou móveis para fiscalizar a frota. Além disso, os carros usados também deverão ser equipados com o chip até julho de 2014. Os estados vão programar as instalações individualmente.

O serviço deve ser feito no momento do licenciamento. Quem não portar o chip terá de pagar multa de R$ 127,69, além de ter cinco pontos na CNH e ter o veículo retido.



PORTAL DO DENATRAN, 07 de abril de 2011







Atendendo a Portaria nº 227, de 30 de março de 2010 do DENATRAN, que trata sobre o uso do Protocolo IAV DENATRAN, desenvolvido com o propósito de tornar interoperáveis os equipamentos de leitura, de processamento de informações de veículos e as placas de identificação veicular eletrônica, partes integrantes e fundamentais ao SINIAV, informamos que o termo de confidencialidade já está disponível para download.

Ressaltamos aos fabricantes de semicondutores e de equipamentos de leitura e processamento de informações provenientes das placas de identificação veicular eletrônica que pretendam desenvolver soluções para o SINIAV que venham a utilizar protocolo de comunicação terão de utilizar o Protocolo IAV DENATRAN. Para tanto se faz necessária a assinatura de um Termo de Confidencialidade, entre os Fabricantes Licenciados e o DENATRAN.

Dessa forma, os fabricantes deverão cumprir os requisitos da referida Portaria para obter o licenciamento mediante pedido oficial protocolizado junto ao DENATRAN e entregar o termo de confidencialidade, devidamente preenchido e assinado pelo preposto da empresa.

Qualquer dúvida no preenchimento, favor entrar em contato na CGPNE / DENATRAN por meio do endereço eletrônico siniav.denatran@cidades.gov.br - Telefones: (61) 2108-1864 / 2108-1867.

Informamos que a documentação exigida pela Portaria Denatran 227/2010, entregue em sua totalidade ou de forma parcial, deverá vir acompanhada de pedido oficial, no qual deverá constar o objetivo, que é o licenciamento do Protocolo IAV DENATRAN, e a relação de todos os documentos apresentados. Caso a documentação não seja entregue em sua totalidade, incluindo o Termo de Confidencialidade, também deverá constar no pedido oficial o número do processo referente à documentação entregue anteriormente.

Mais informações,

CGPNE / DENATRAN

siniav.denatran@cidades.gov.br
Telefones:(61) 2108-1864 / 2108-1867


COMENTÁRIO: Faltou avisar que se o tempo gasto entre duas antenas for menor que o estipulado, conforme as placas de velocidade, ou seja, andou acima do limite, portanto gastou menos tempo entre as antenas, vai ser multado por excesso de velocidade também!!!

MIGUEL, CONTINUE FALANDO

ZERO HORA 25 de outubro de 2012 | N° 17233. ARTIGOS


Renato Ariotti*
No dia 23 de outubro, celebrou-se um mês do assassinato do papeleiro Carlos Miguel dos Santos, que teve seu corpo encharcado por gasolina e ateado fogo. Quatro adolescentes que estão recolhidos no Case em Caxias do Sul queriam dar um susto no papeleiro por causa de uma pequena “dívida”.

Na última sexta feira à tarde, estive visitando o terreno baldio, no bairro Pio X, na cidade de Caxias, onde Miguel, de 45 anos, o papeleiro, foi martirizado.

Há mais de uma semana, estão comigo, na casa paroquial Santa Catarina, do bairro com o mesmo nome aqui em Caxias, seus dois cachorrinhos: Scooby e Preta. Sinto que estão se adaptado e muito bem. Também está aqui a carrocinha (quis que viesse junto, pois cachorro é fiel ao dono e também às coisas do dono) utilizada pelo papeleiro, na labuta cotidiana. Sua diária era de R$ 5 a R$ 10. Eram felizes, ele e seus dois companheiros inseparáveis.

Agora, tenho mais uma coisa que era dele. Por ocasião da visita ao terreno, recebi, de uma pessoa que mora próximo ao local e conhecia o Miguel, a faca, “a dívida”, o motivo do crime.

Os adolescentes roubaram a faca do Miguel que, para tê-la de volta, deveria pagar R$ 2. Não tinha, então os adolescentes adquiriram R$ 2 de gasolina, jogaram em seu corpo e atearam fogo. Morreu dois dias depois.

No dicionário, faca significa instrumento cortante, composto de lâmina e cabo. A “faca do Miguel” está bem enferrujada, mede 35cm, até é cortante, mas não tem cabo.

Faca é um utensílio doméstico usado para cortar, para descascar, usada por todos num bom churrasco; mas naquela noite foi o motivo da discórdia e, como em muitos casos, outras facas são utilizadas para roubar, destruir e matar.

A faca é um ótimo instrumento, porém depende de quem a utiliza. Diz o apóstolo Paulo: “Tudo posso, mas nem tudo me convém”.

O mandamento de Deus, não matar, continua vivo e atual. Vivemos com medo e inseguros. Creio que não é na repressão ou pondo mais policiais nas ruas que iremos resolver o problema da violência. Uma das soluções está na família, na escola, na educação das crianças, adolescentes, jovens e adultos. Mas como educar, num mundo marcado pela insegurança, pela competição, pelo ciúme, pela ameaça?

Vivemos numa sociedade do “ah, não dá nada” e, por causa da indiferença de tantos e porque nos acostumamos com o mal, a violência continua e a cada dia cresce mais.

Nos trancamos em nossas casas e prédios, nos protegemos com cercas alarmes, câmeras e, ainda por cima, escrevemos: “Sorria, você está sendo filmado”.

Miguel, por favor, já que estou cuidando dos bens que conseguiste em vida, cuida de nós, dali junto de Deus, nosso Pai.

*Padre

SEGURANÇA ZERO: OPINIÃO

ZERO HORA 25 de outubro de 2012 | N° 17233

DO LEITOR

Segurança zero

Também acho que precisamos de tolerância zero para a criminalidade (ZH do dia 23), mas não nos moldes dos falsos moralistas de plantão, que é passar panos quentes na situação. A tolerância zero aqui neste país deve ser nos moldes do que foi aplicado em Cingapura. Institucionalizar a pena de morte para crimes hediondos, como latrocínio, estupro, tráfico de drogas.Somente assim teremos um país ordeiro e marginais com medo da Polícia e da Justiça, coisa que ainda não existe.

Milton Ubiratan Rodrigues Jardim, Aposentado – Torres

Por que as autoridades deste país não querem implantar a segurança zero? Não vejo outra saída para acabarmos com a violência. Lugar de bandido é na prisão e sem regalias, afinal, prisão não é hotel. Que terminem com o regime aberto, semiaberto e a progressão da pena.A Portaria nº 48 do INSS, que sustenta a família do presidiário com valor bem superior ao salário mínimo, é um verdadeiro absurdo e um estímulo à criminalidade.

Josete Sanchez, Química – Porto Alegre

Pena fatal

E ainda dizemos que no Brasil não existe pena de morte. Ela está aí, como mostra a reportagem “Um preso morre a cada três dias no Rio Grande do Sul” (ZH do dia 21), e, o que é pior, ela é de uma maldade terrível, atinge aleatoriamente criminosos de variados graus de periculosidade, alguns, até, quase inocentes. Só os mais nocivos estão fora, eles têm segurança máxima, paga por nós.

Antonio Augusto d’Avila, Economista – Porto Alegre

Força judicial

Doravante não poderemos mais fazer ligação entre o Judiciário e as pizzas (ZH do dia 23). Mas o Legislativo se mantém inabalável no propósito de produzir pizzas e mais pizzas (as mais recentes: Cachoeira, gazeta remunerada ou “trabalhar nas bases” e a Comissão de Ética absolvendo seus pares).

Vilson Cadore, Administrador – Canoas


SOBRE ZH

Em ZH do dia 11, André Luís Woloszyn fez uma análise caolha da violência em “A insegurança que transforma”, esquecendo que o Estatuto do Desarmamento está contribuindo para o aumento da criminalidade. Os bandidos estão se sentindo muito mais confiantes, pois têm certeza da inexistência de armas de fogo em poder das pessoas de bem. O articulista desconhece o aumento desenfreado dos ataques promovidos em sítios e fazendas do Interior. Quando existia o “porte de arma para veículos”, na década de 70, raras eram as cargas furtadas.

Edmor Cansian, Aposentado – Marau

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A SEGURANÇA EM VERSOS E LAMENTOS




Muito falam
Do problema de segurança
Mas são poucos os que conhecem
E raras são as esperanças.

Um judiciário distante e lento
Uma polícia fracionada
A política corrompida
Para este povo sonolento 

A perícia jaz impotente
Diante de recursos e pessoal
Com peritos isolados
Da investigação policial

Processos que não previnem
E demasiado formalismo
Para uma polícia desestruturada
De forte corporativismo

Esta polícia que só responde
Ao chamado de ocorrência
Sem postos comunitários
Para manter a sua presença

Robotizada nas tarefas
Tendo o confronto por rotina
Fica a mercê da impotência
Nesta guerra suja e fria

Crimes não solucionados
Queixas sem solução
Permanecem nas gavetas
Como indícios sem projeção

Desumanos e indignos
Os presídios ficam lotados
Destruindo valores
E aliciando fiéis soldados

Soldados que o crime
Algema com o tempo
Compensando com morte
A exclusão de sentimentos

Não há tratamento,
Não há recuperação
São vidas marginais
Sementes da falta de prevenção

Frutos da desestrutura
Sem lei ou dignidade
Algoz de uma tortura
Marginais da sociedade

E esta mesma sociedade
De reféns e sentimentos
Que conta suas vítimas
Num tranqüilo lamento

Lamentos que o medo omite
Os programas sem foco
Que os arautos constroem
Num ideário irrealista e utópico

Brilhantes ou nefastos
A solução de qualquer jeito
Só embarga as esperanças
De quem sofre seus efeitos

Algozes e vitimas são irmãos
Nesta vida contemporânea
Calando o timbre da voz
Que já foi livre e espontânea.


BÁRBÁRIES, ASSALTO E BALA PERDIDA

O SUL, 24/10/2012

WANDERLEY SOARES

Bárbaro

O presidente da Câmara Municipal de Uruguaiana, Francisco Azambuja Barbará, conhecido como Kiko Barbará, foi preso, ontem, em operação que investiga o aliciamento e corrupção de adolescentes. A Polícia Civil também prendeu seis empresários e um advogado. De acordo com a investigação, eles faziam programas com meninas de idade entre 14 e 18 anos. A farra ocorria em troca de favores ou até mesmo pela subsistência das garotas. O delegado Thiago Albech explicou que a exploração era favorecida pela situação social das meninas. A mãe de uma das vítimas também teve a prisão decretada por omitir o caso das autoridades. Nada contra os cidadãos submetidos aos coronéis nordestinos que ainda lá existem, mas nós não podemos aceitar a nordestização do Rio Grande. A ação da Polícia Civil de Uruguaiana deveria ter continuidade em todo o Estado.


Assalto

Um posto de combustíveis foi assaltado durante a madrugada de ontem em Porto Alegre. O estabelecimento fica na avenida Ipiranga, entre as ruas Salvador França e Cristiano Fischer. Dois homens renderam uma funcionária e levaram dinheiro. Nada além do que a rotina que aguarda a Porto Alegre da Copa.


Dentista caçado

O dentista Silvio Beltrami, denunciado pelo Ministério Público por sedar e danificar de forma premeditada dentes de pacientes em uma clínica em Capão da Canoa, está sendo procurado em todo o território brasileiro, conforme a Polícia Civil gaúcha.


Bala perdida

Uma criança foi morta por bala perdida em Gravataí, na Região Metropolitana da Capital. Bruno Michel Duarte, 11 anos, foi atingido na cabeça quando brincava na rua Juca Feijó, Vila Neila.

MORTE DE PRESOS: MENSAGEM AO GOVERNADOR E RESPOSTA


ZERO HORA 23 de outubro de 2012 | N° 17231

PAULO SANT’ANA

Mensagem ao governador

Atenção, governador Tarso Genro e sua assessoria. Zero Hora estampou domingo o maior escândalo social gaúcho: morre um preso a cada três dias, 120 presos por ano, nas cadeias gaúchas.

Reaviso o governador: esses 1,2 mil presos que morrem a cada década no RS são levados à morte (grande escândalo!) pela tuberculose, por broncopneumonia e por assassinatos, a maioria deles por enforcamento.

Senhor Tarso Genro, sabe como enforcam os presos no RS? Reúnem-se na cela ou na galeria diversos presos, formam um conselho de sentença, condenam um deles à morte, pedem a ele que traga uma corda e um banco, ela a enlaça no pescoço e um dos presos dá um pontapé no banquinho.

Isso acontece em nossas barbas, em pleno século 21.

O que têm a dizer sobre isso os nossos dirigentes penitenciários?

É vergonhoso que o Estado tenha a sua mercê os presos doentes e não trate de sua saúde. É vergonhoso que morram apodrecidos por tuberculose, doença de fácil tratamento, os presos gaúchos. É vergonhoso!

E os assassinatos por enforcamento? Quanta dor, quanto medo dentro das galerias, o apenado achando que ele será o próximo escolhido para morrer.

Governador Tarso Genro, desculpe, mas isso não pode continuar.

Eu não durmo direito sabendo como morrem milhares de presos nas nossas cadeias

Conheço o governador Tarso Genro, ele também não deve estar dormindo direito.

As doenças de que morrem os presos são de fácil tratamento. Isto quer dizer que os presos não são tratados.

E os enforcamentos? Que vergonha. Isso agora não vai ficar assim. Serão chamados ao Piratini os dirigentes prisionais. Têm de ser chamados e têm de pôr cobro imediato a este opróbrio.

Não é possível levar adiante um governo com presos morrendo de doenças fúteis e condenados por outros presos ao enforcamento.

Não é possível. Algo tem de ser feito e confio em que Tarso o fará.

Se morrem inúmeros por enforcamento, imaginem a situação de terror que vivem todos nos presídios.

De cada 10 mortes nos presídios da Região Metropolitana, informou ZH, quatro dos mortos têm HIV.

Doença e terror, em pleno século 21, quando se enganam os que pensam que está tudo bem ao nosso redor. Em verdade, está tudo caindo aos pedaços.

As execuções penais, atribuições da Justiça, têm de tomar providências sobre esse descalabro.

O pior de tudo é que, diante dessas mortes, muita gente do público, que quer ver os detentos mortos ou sendo maltratados, vibra.

Isso é o pior.

O destino me tratou mal: eu não deveria ter vindo ao mundo nessa época vergonhosa.


ZERO HORA 24 de outubro de 2012 | N° 17232

Governador responde


Na minha coluna de ontem, alarmado com a morte de 120 presos gaúchos por ano, em razão de doenças e assassinatos ocorridos dentro das prisões, pedi ao governador Tarso Genro que providenciasse para pôr fim a esse genocídio.

O governador respondeu prontamente a esta coluna. Eis a resposta:

“Prezado Paulo Sant’Ana. Como é de costume, li logo cedo a sua coluna publicada nesta terça-feira, em Zero Hora. Quero lhe dizer que também compartilho do seu tormento em relação às mortes no sistema prisional do nosso Estado. Tenho plena consciência de que estamos falando de vidas humanas e que mortes (naturais ou homicídios) não podem ser tratadas como estatística.

Mas posso garantir que essa situação vem diminuindo drasticamente neste governo.

Por isso, recorro ao seu tradicional espaço para informar – a ti e ao povo gaúcho – que estamos trabalhando arduamente para reverter esse doloroso quadro.

Obtivemos alguns avanços já, reduzindo a média de mortes nos últimos cinco anos, que era superior a 200 óbitos/ano. No ano passado, houve uma tímida queda, com o registro de 173 óbitos. Já nos primeiros nove meses de 2012, com a gradativa (e ainda lenta) ampliação de vagas no sistema, e o reforço de 22 equipes de saúde atuando nas casas prisionais, o número total de mortes chegou a 68.

São médicos, dentistas, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e auxiliares de gabinetes odontológicos prestando serviços continuamente. No interior, o atendimento é feito pelos hospitais e postos de saúde locais.

Em menos de dois anos, mais que dobrou o número de presos atendidos pelas equipes de saúde. Mesmo assim, o número de mortes ainda é alto porque a maioria dessas pessoas já chega aos presídios em estado avançado de doenças como HIV e tuberculose.

Os gestores dos serviços penitenciários vêm conseguindo ampliar o número de vagas para acabar com a superlotação, o que tem consequência imediata na redução da tensão nas cadeias, permitindo um maior controle dos agentes penitenciários na identificação da formação e organização de grupos criminosos, bem como na prevenção de homicídios e outros adventos dessa natureza no sistema.

A ampliação das vagas é a medida estrutural que confere condições ao Estado para um efetivo controle das casas prisionais.

Por fim, reitero que a exposição desses números tem tão somente o objetivo de melhor apresentar o tamanho do desafio que estamos enfrentando no sentido de assegurar saúde, dignidade e, fundamentalmente, plenas condições de recuperação àqueles que venham a ingressar no sistema prisional do RS. Cordialmente, (ass.) Tarso Genro, governador do Estado”.


Agora escreve o colunista. 

Ontem afirmei que muita gente concorda com o morticínio nas prisões e quer ver os detentos sofrendo ou sendo assassinados. Pois só para ter uma ideia de inúmeras manifestações que recebi neste sentido, vou transcrever um e-mail de inacreditável insensibilidade.

Vem do leitor Fabiano Saldanha (fabianosaldanha@hotmail.com): “Realmente é um absurdo! Um preso morto a cada três dias é um escândalo, é pouco!! Muito pouco, deveria ser um por dia, ou dois!!! Se estão lá, coisa boa não são. Ou tu achas que bandido deve andar solto por aí como os que atacaram a médica Simone, reportagem de capa de hoje? Francamente Sant’Ana. Faça uma pesquisa entre teus leitores e veja quem concorda com essa tua opinião. ‘Bandido bom é bandido morto’”.