SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

A MORTE DO CANGACEIRO

ZERO HORA 31/12/2012 e 01/01/2013 | N° 17299

TERROR NA SERRA

CARLOS WAGNER
Baleado por policiais, o foragido número 1 do Estado, Elisandro Rodrigo Falcão, 31 anos, caiu da caçamba de uma caminhonete e morreu em posição fetal no chão, abraçado a um fuzil, em uma estradinha na Serra. Esse foi o fim do bandido gaúcho, um dos pioneiros em assaltos a bancos e explosões de caixas eletrônicos usando a estratégia do Novo Cangaço, que consiste em ocupar militarmente pequenas cidades do Interior.

Pela maneira de agir, Falcão é descrito pelos policiais como um cangaceiro, um criminoso violento que alardeava: seria pego somente morto. Entres seus pertences, a polícia encontrou um medicamento usado por asmáticos. Ele era procurado por BM, Polícia Civil e também pela Polícia Federal (PF).

A morte deverá mexer nas estatísticas de roubo a bancos, na opinião do delegado Guilherme Wondracek, diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). O delegado afirma que o cerco ao bando do Falcão se fechou no dia 22, em uma operação conjunta das polícias gaúchas e catarinenses. Foram presos três suspeitos de ataques a caixas eletrônicos.

– Ele era um homem de linha de frente nos enfreamentos com a polícia, um articulador entre os bandidos – disse Wondracek.

A história de Falcão no crime teve início nos anos 1990, na periferia de Caxias do Sul, onde ficou conhecido por conseguir fugir da BM pilotando motos furtadas. Logo se envolveria com roubo de carros e, na década seguinte, ataques a caixas eletrônicos com explosivos. Tornou-se um dos líderes da Quadrilha da Van, bando que usava o utilitário para levar os caixas eletrônicos. Nos assaltos, sua função era a tomada de reféns.

Em 2007, foi pego de surpresa por PMs enquanto tomava café com a namorada. Em julho, fugiu do albergue da Penitenciária Industrial de Caxias do Sul.


Ações atribuídas ao grupo de Falcão

Picada Café, 25 de agosto
– Dois caixas eletrônicos do Banco do Brasil foram explodidos. Na fuga, os criminosos fizeram refém um homem que passava pela rua.

Nova Bassano, 8 de setembro – Quatro homens armados explodiram pelo menos dois caixas eletrônicos. Na ação, moradores foram feitos reféns.

Fagundes Varela, 17 de setembro – Pelo menos três homens participaram de um ataque com explosivos ao Banco do Brasil.

Jaquirana, 28 de setembro – O Banco do Brasil que fica no Centro da cidade foi completamente destruído por cinco homens armados.

Vacaria, 8 de outubro – A praça de pedágio da Rodosul, entre Vacaria e São Marcos, teve o cofre explodido durante a madrugada, por quatro homens armados com fuzis.

CERCO NA MATA E BARREIRAS


ZERO HORA 31/12/2012 e 01/01/2013 | N° 17299

TERROR NA SERRA

Cerco na mata para encurralar bandidos mobilizou Cotiporã. PMs montaram barreiras na Serra para prender bando e libertar os reféns

CARLOS GUILHERME FERREIRA

Insistência. Essa foi a tática adotada pela Brigada Militar (BM) para encurralar os cinco bandidos que escaparam com reféns – seis mulheres, dois homens e uma criança – em Cotiporã, na Serra, na madrugada de domingo.

Conforme o capitão Juliano Amaral, do Comando Regional de Policiamento Ostensivo (CRPO) da Serra, na manhã de domingo foram montadas quatro barreiras fixas nos pontos de ligação do município com outras localidades.

Houve substituição do efetivo entre o final da tarde e o início da noite, já que os bloqueios tinham duração indefinida – dependiam da captura dos criminosos. A polícia acreditava que eles poderiam tentar escapar ainda na noite de domingo.

– Vamos manter as barreiras até saírem daqui. Não tem horário – disse Amaral, antes da libertação dos reféns.

Além das blitze, os policiais apostaram em patrulhas móveis pelo interior de Cotiporã. A maior parte do efetivo – que não teve número oficialmente divulgado, mas estaria em torno de 150 homens – concentrou-se na localidade de Morro do Céu, aposta da BM como paradeiro dos fugitivos. Os reféns foram encontrados na localidade de Santa Lúcia, a cerca de cinco quilômetros de onde foram capturados. Helicópteros e cães farejadores também foram usados nas buscas, coordenadas a partir de um QG montado no prédio de três andares do centro administrativo de Cotiporã.

Conforme Amaral, os policiais dispunham de armamentos do calibre de metralhadoras, fuzis e pistolas. A ideia era estar a postos para um novo confronto, se necessário, e em iguais condições.

Aliás, o armamento pesado e os coletes usados pelos criminosos eram fatores que poderiam prejudicar uma tentativa de fuga – mais ainda porque, ao entrarem na mata, abandonaram o Astra que dirigiam. E a área onde estariam seria de vegetação densa.

– Eles estão sem muita logística – avaliou o capitão.

QG montado no centro da cidade

Toda a movimentação na caça aos fugitivos se refletiu na rotina dos 4 mil habitantes de Cotiporã. De acordo com o secretário da Fazenda, Aníbal Fellini, a presença maciça de autoridades, policiais e profissionais da imprensa impressionou os moradores:

– Estava comentando com a minha família: parece aqueles filmes de guerra, que montam um acampamento e uma estrutura.

Ele e outros voluntários trabalharam no QG do centro administrativo. Em uma sala fechada do térreo, disponibilizaram cerca de 20 colchões no piso de parquê, para o revezamento dos policiais no descanso. Tudo muito rápido: coisa de uma ou duas horas de sono.

Com a alimentação, o procedimento foi parecido. Optou-se por usar a estrutura do CTG Pousada dos Carreteiros, a cerca de 200 metros do QG, para cozinhar. Dali saíram um café da manhã composto por pão, suco e queijo, lanches e um almoço servido com bife, arroz e carreteiro.

No segundo piso do centro administrativo, estava a área central, pela qual passaram autoridades da segurança pública estadual – e que, por vezes, ficou sem o próprio comando de campo da operação, pela necessidade de acompanhar os deslocamentos do efetivo. Alguns policiais não dispuseram da estrutura, por ficarem em postos avançados, como em uma ponte sobre o Rio das Antas. Mesmo assim, o clima era de esperança para o resgate dos reféns.

De acordo com Aníbal, não se ouviam lamentos por uma ação desta magnitude acontecer justamente na virada do ano. Pelo contrário.

– Eles (policiais) diziam que não sairiam enquanto a situação não se resolvesse – contou.


PF alertou Brigada sobre movimentação do bando

Policiais federais investigavam há meses assaltantes de bancos que agem nos três Estados do Sul



A Brigada Militar e sua vasta rede de informantes monitoravam há semanas os passos do bando de Elisandro Falcão. Graças a dicas de delinquentes de menor expressão, o serviço de inteligência da corporação tinha conhecimento de que um grande ataque estava sendo planejado para o último fim de semana do ano. Como os quadrilheiros são radicados na Serra, a lógica é que o ataque fosse na região. Contribuiu também para o trabalho da BM a colaboração da Polícia Federal, que rastreava há meses a quadrilha. A PF também tinha a informação sobre o assalto iminente, mas, por falta de meios, apenas manteve conversações com os PMs.

Conforme ZH adiantou sábado, os federais começaram a investigar três bandos que praticam, nos três Estados do Sul, uma modalidade de crime conhecida como Novo Cangaço: assaltantes que usam armas de grosso calibre e fazem reféns durante os ataques. Em geral, a PF atua apenas em roubos a bancos federais, mas como as mesmas quadrilhas também atacam instituições estaduais ou privadas, na prática a investigação não se limita à jurisdição da corporação.

A BM tratou de buscar reforços em outros pontos do Estado, assim que deduziu que a Serra seria o alvo. Deslocou mais de cem policiais de Passo Fundo, Caxias do Sul e Porto Alegre, para palmilhar as pequenas localidades da região. Assim que as primeiras explosões sacudiram Cotiporã, PMs foram enviados para bloquear uma das estradas. Praticamente “colidiram” com os bandidos numa estrada vicinal. Desta vez, os policiais levaram a melhor.

Tarso elogia a “devida resposta” de BM e Estado

O ataque à fábrica de joias em Cotiporã mobilizou a cúpula da Segurança Pública do Estado durante o domingo. Por ordem do governador Tarso Genro, o titular da pasta, Airton Michels, foi ao município da Serra para acompanhar o trabalho da polícia na captura dos criminosos e no resgate dos reféns – considerada a “prioridade das prioridades” pelo governador.

Às 22h40min, após a libertação, o foco passou a ser a captura dos bandidos. Comandante da Brigada Militar na região da Serra, o capitão Juliano Amaral disse que barreiras seriam montadas por toda a região:

– Eles vão tentar fugir de toda maneira e nós vamos tentar encontrá-los de toda maneira.

Mesmo antes de os reféns serem localizados, o governador e o secretário da Segurança já despejavam elogios à atuação da Brigada Militar na ocorrência. Tarso enfatizou que “os criminosos receberam a devida resposta da BM e do Estado”. A morte de três assaltantes em confronto com policiais militares foi classificada por Michels como “legítima defesa” dos PMs envolvidos no tiroteio:

– Não trabalhamos com a hipótese de matar ninguém, mas, sim, de prender os infratores para que eles cumpram as penas. Nós trabalhamos dentro das orientações do Código Penal, da legítima defesa. Esse pessoal estava fortemente armado e foi para o confronto. Não tinha outra providência que não esta – defendeu o secretário.











TERROR NA SERRA


ZERO HORA 31/12/2012 e 01/01/2013 | N° 17299

Explosões, mortes e 20 horas de tensão

HUMBERTO TREZZI | COTIPORÃ

A Brigada Militar aniquilou o principal núcleo da mais agressiva quadrilha de assaltantes do Rio Grande do Sul, num tiroteio que deixou três criminosos mortos e dois PMs feridos sem gravidade em Cotiporã – cidade serrana de 4 mil habitantes, situada a 37 quilômetros de Bento Gonçalves.

Na fuga, nove pessoas (sete de uma mesma família) foram levadas pela quadrilha para uma área de mata fechada. No final da noite de domingo, todos os reféns foram libertados. Mas os bandidos permaneciam foragidos, caçados pela polícia.

Amelhor notícia do domingo no Rio Grande do Sul veio tarde da noite, direto do Twitter do capitão Juliano Amaral, do Comando Regional de Policiamento Ostensivo (CRPO) da Serra:

– Estamos com as nove vítimas sãs e salvas. Deus seja louvado!

Foi o prenúncio para as sirenes e salvas de palmas que marcaram, por volta das 23h30min, a chegada de viaturas policiais ao CTG Pousada dos Carreteiros, no centro de Cotiporã. Traziam os nove reféns resgatados após quase 20 horas em poder de bandidos. Não era o fim da linha, porém: ainda faltava localizar os criminosos responsáveis pelo assalto à fábrica de joias Guindani, na madrugada de domingo.

– Permaneceremos com as barreiras e o patrulhamento. Eles estão com toda a dificuldade da mata – afirmou o capitão Amaral.

Tudo começou na madrugada, quando cerca de 30 pessoas, que aproveitavam a temperatura amena jogando boliche e tomando cerveja na madrugada de domingo, no centro da cidade foram surpreendidas por volta das 2h. Um bandido, de touca negra e fuzil nas mãos, entrou na lancheria e rendeu o grupo. As pessoas seriam usadas como escudo humano para o ataque a uma fábrica de joias. Era o começo de uma madrugada de explosões, roubo, perseguições e mortes.

Ao saírem, com as mãos na cabeça, os reféns perceberam bandidos por toda a praça Maurício Cardoso, a principal da cidade. Uns ficavam perto da Igreja Matriz, outros próximo à fábrica da Guindani.

Os homens que bebiam no bar foram obrigados a tirar as camisas e os sapatos. As mulheres, apenas os calçados. O objetivo era constrangê-los e impedir tentativas de fuga. Todos tiveram de deixar celulares, chaves e dinheiro dentro de sacolas trazidas pelos bandidos.

Um dos criminosos dizia:

– Viemos aqui buscar nossas joias, não temos nada contra vocês.

Difícil de se confiar nessa conversa. A quadrilha usou, então, bananas plásticas moldáveis de explosivo feito à base de emulsão de nitrato de amônia e TNT. Arrombou a fábrica de joias e grudou o material em cofres. Foram 10 pequenas explosões, que acordaram a cidade.

Carregados com sacos de joias, os bandidos fugiram em três veículos – dois carros que já tinham usado para invadir a cidade e uma caminhonete Strada, pertencente a uma refém. Levaram junto, além da dona do veículo, mais seis reféns na caçamba, sem camisa, açoitados pelo vento. A dona da Strada foi obrigada a dirigir. O comboio de três veículos os seguiu por uma estrada de chão batido, rumo a Bento Gonçalves.

Três morreram em troca de tiros

Numa curva, cruzaram com um Vectra da BM. Tinha tudo para dar errado. A mais bem equipada quadrilha de assaltantes estava em maior número e com uma caminhonete cheia de reféns. Na troca de tiros, morreram três criminosos, entre eles Elisandro Falcão, o foragido número 1 da lista de procurados pela Justiça gaúcha.

Mesmo protegido com dois coletes à prova de balas e armado com um fuzil chinês e um pistola calibre .45, ele levou vários tiros e caiu morto, de bruços, numa estrada de chão batido, ao lado de um saco de joias. Nenhum refém ficou ferido com gravidade.

Seis assaltantes, porém, escaparam em um Astra – o Audi e a Strada ficaram bloqueados pela viatura. No Audi morreu, com um tiro de fuzil, o bandido Sérgio Antônio Ritter. Com ele, tombou Paulo César da Silva. Os estilhaços acertaram uma das mãos de um dos reféns.

Os criminosos ainda enfrentaram a BM outras duas vezes em questão de minutos, sem feridos ou mortos. Durante a fuga, entraram em uma casa da zona rural, em Linha 14 de Julho, fizeram uma família refém e sumiram no mato, levando junto seus escudos humanos. Os mesmos que, mais tarde, receberiam atendimento no CTG enquanto os criminosos permaneciam na mata, famintos e sitiados pela polícia.

O episódio mostrou que o Novo Cangaço (como o uso de escudos humanos é conhecido) não é invencível. Os policiais provaram.



Comoção na chegada

Após 20 horas na mata, deixados para trás pelos sequestradores e em silêncio, os reféns foram encontrados por policiais. Levados ao CTG Pousadas dos Carreteiros, no centro de Cotiporã, emocionaram moradores que aguardavam o desfecho do caso.

Uma refém foi atendida em uma ambulância. Os primeiros socorros aos demais foram prestados no CTG. Todos estavam com fome e cansados. Apenas familiares, visivelmente nervosos, puderam entrar para abraçar os parentes sequestrados. Uma menina de 11 anos estava entre os reféns.

– O grupo estava na região da mata, próximo à casa onde foi pego pelos assaltantes – contou o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Sérgio Abreu.

À Rádio Gaúcha, o comandante da Brigada na região da Serra, capitão Juliano Amaral, disse que o grupo passou todo o tempo no mato:

– Nenhum foi agredido. Apenas foi solicitado o silêncio. Dois sequestradores pediram que eles permanecessem quietos dentro da mata fechada na região do Morro do Céu.

Um alívio para a família de sete dos nove reféns que, durante a tarde, aguardava por notícias na casa invadida pelos criminosos horas antes, na Linha 14 de Julho.

O ataque na madrugada quebrou a paz da comunidade de produtores de uva formada por 25 famílias.

– Ouvi barulhos e meu marido mandou eu ficar onde estava. O cachorro estava solto, bravo e começou a latir, acho que por isso eles foram embora – relatou Justina Buratti, mãe de Ademir Buratti, 49 anos, e sogra de Aivone Buratti, 52 anos, proprietários da residência invadida e que também teriam sido levados pelos bandidos.

DECLARAÇÃO

Willian Bernardi, 23 anos, estudante, um dos nove reféns levados pelos bandidos e localizados na noite de domingo pela polícia: "Estávamos dormindo, às 4h, quando dois homens bateram à nossa porta. Estavam fortemente armados. Eles usavam touca ninja e portavam fuzil. Nos pegaram pelos braços e nos mandaram sair pelos fundos. Ficamos das 4h às 18h sem comer e nem beber nada, no mato, sentados. A sede era muito maior do que a fome. Eles nos trataram respeitosamente. Não fizeram nada. Comentaram que os companheiros estavam mortos. Estávamos bem tranquilos. Eles diziam que a briga não era conosco e que se ficássemos quietos todos iam sobreviver. Pelas 15h os bandidos foram embora, mas nós não tínhamos certeza. Ficamos no mesmo local, com medo. Fomos caminhando até encontrar dois brigadiano."




ASSALTO EM COTIPORÃ: IMAGENS

Assalto em Cotiporã

IMAGENS VIA INTERNET por ROBSON ALVES











OUTRAS IMAGENS











REFÉNS DE COTIPORÃ: FIM DA AGONIA

ZERO HORA ONLINE - 30/12/2012 | 23h16

Fim da agonia. Após 20 horas, reféns são libertados em Cotiporã. Criminosos que assaltaram fábrica de joias seguem foragidos


Reféns foram liberados no final da noite deste domingo
Foto: Juan Barbosa / Agencia RBS

Após 20 horas sob o poder dos criminosos que assaltaram uma fábrica de joias na madrugada passada, em Cotiporã, os reféns do crime que mobilizou o Estado foram libertados. O restante da quadrilha que cometeu o assalto segue foragido.

Às 23h25min, sob aplausos dos moradores da cidade, as vítimas retornaram à cidade em viaturas da Brigada Militar. Os reféns foram levados ao CTG Pousada dos Carreteiros. Uma das vítimas recebeu atendimento médico em uma ambulância, enquanto o restante recebeu os primeiros cuidados dentro do CTG.

Seis mulheres, uma criança e dois homens, foram mantidos reféns por uma quadrilha especializada em ataques com explosivos. O grupo foi libertado na localidade de Santa Lúcia, no interior de Cotiporã, a cerca de cinco quilômetros da casa onde foi pego. Na frente da prefeitura, cerca de 150 pessoas, que faziam vigília pelas vítimas, comemoraram a notícia.

Durante a madrugada, a quadrilha havia explodido uma fábrica de joias no centro de Cotiporã. Na fuga, trocaram tiros com a polícia. Três bandidos acabaram morrendo, entre eles Elisandro Falcão, o líder do bando.



FOTO: Reprodução

À Rádio Gaúcha, o comandante da BM na região, capitão Juliano Amaral, relatou que os reféns estavam escondidos no mato:

— Nenhum refém foi agredido. Apenas foi solicitado (pelos criminosos) o silêncio. Foi pedido que eles ficassem quietos. Dois sequestradores estavam com as vítimas — contou.

O oficial informou que a Brigada irá manter as buscas aos assaltantes durante a madrugada.

— Eles vão tentar fugir de toda maneira e nós vamos tentar encontrá-los de toda maneira. De madrugada, eles estão sozinhos na mata — detalhou.


31/12/2012 | 00h58

Via internet. Notícia da libertação dos reféns chegou pelo Twitter. Comandante da operação pôs fim à angustia de famíliares e amigos com post em microblog



Capitão da Brigada Militar Juliano André Amaral publicou a mensagem
Foto: Twitter / Reprodução

"Estamos com as nove vítimas sãs e salvas e bem. Deus seja louvado!"

Foi com essa mensagem, publicada no microblog Twitter por volta das 22h40min deste domingo, que o capitão Juliano André Amaral, do Comando Regional de Policiamento Ostensivo (CRPO) da Serra e comandante da operação de resgate dos reféns, pôs fim à angústia que durou mais de 20 horas e consternou o Estado.

Seis mulheres, uma criança e dois homens foram encontrados na localidade de Santa Lúcia, cerca de 5 quilômetros longe de onde foram levadas por criminosos que assaltaram uma fábrica de joias em Cotiporã.

A notícia foi comemorada por cerca de 150 pessoas que faziam vigília em frente à prefeitura.Quase uma hora depois, em silêncio e sob aplausos dos moradores da cidade,as vítimas retornaram à cidade em viaturas da Brigada Militar.


domingo, 30 de dezembro de 2012

GOVERNADOR TARSO: PRIORIDADE DAS PRIORIDADES

30/12/2012 14h27

Resgate a reféns de assalto no RS é 'prioridade das prioridades', diz Tarso.Segundo a polícia, nove pessoas estão em poder de assaltantes. Ação dos crimnosos ocorreu na madrugada de domingo (30), em Cotiporã.

Do G1 RS


Material apreendido com foragido após assalto em
Cotiporã (Foto: Guilherme Pulita/RBS TV)

Para o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, a prioridade no caso do assalto a uma fábrica de joias na Serra é a integridade física dos reféns levados pelo grupo de criminosos foragidos. Segundo a polícia, nove pessoas ainda estão em poder dos assaltantes que explodiram o estabelecimento em Cotiporã durante a madrugada deste domingo (30). Na ação, foi morto o homem mais procurado do estado, Elisandro Falcão, conforme a polícia.

Além do assaltante, morreram outros dois suspeitos. Dois policiais foram feridos e levados ao hospital, mas não correm risco. Entre os reféns estão uma família e uma criança de cinco anos, de acordo com informações da polícia. Duas mulheres que estavam em um bar também foram levadas. A suspeita é de que os reféns estejam escondidos em uma mata.

Cerca de 200 policiais trabalham nas buscas, com o helicóptero da Brigada Militar de Passo Fundo. Os assaltantes fugiram em um Astra, um Audi e um Fiat Strada, onde teriam sido levados os reféns. "Ainda não sabemos o total de criminosos. Além dos três mortos, acreditamos que há quatro ou cinco que estão foragidos", disse o comandante da Brigada Militar, coronel Sérgio Abreu.

Foragido morreu após assalto a fábrica de joias na Serra (Foto: Guilherme Pulita/RBS TV)

O governador do estado afirmou que serão utilizados todos os meios operacionais disponíveis para solucionar o caso e que é preciso “um comando tranquilo” na ação. “A prioridade das prioridades é cuidar da vida dessas pessoas. O comando deve ser tranquilo. Vamos contar com a capacidade da nossa Brigada Militar para que isso tudo termine bem”, disse Tarso Genro, em entrevista à Rádio Gaúcha na manhã deste domingo.

Interior fábrica de joias assaltada na serra gaúcha
(Foto: Guilherme Pulita/RBS TV)

Ele ainda lembrou que o cerco aos criminosos, responsáveis por uma série de ataques a caixas eletrônicos com explosivos, se deu por conta da movimentação do setor de Inteligência da corporação. “É resultado de um trabalho intenso. No entanto, a parte final da ação é extremamente importante e vamos sacrificar qualquer solução em benefício da vida dos reféns”. Conforme ele, o secretario estadual de Segurança Pública, Airton Michels, está se deslocando para o município de Cotiporã a fim de acompanhar as atividades.

Para o governador, o balanço da Segurança no Rio Grande do Sul em 2012 é bastante positivo. “Nós temos a obrigação de dizer que nossas metas foram alcançadas. E os resultados não são aleatórios, mas símbolos de um trabalho sério a médio e longo prazo. Tenho certeza que estamos sendo muito bem compreendidos pela população”.
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O assalto

Foi morto em confronto com a Brigada Militar na madrugada deste domingo (30) o assaltante mais procurado do Rio Grande do Sul. Segundo a polícia, o homem conhecido como Falcão, de 31 anos, participou de um assalto a uma fábrica de joias em Cotiporã, na Serra. Outros dois suspeitos morreram no local. Os demais envolvidos na ação conseguiram fugir levando como reféns um grupo de moradores dos arredores e uma quantia em dinheiro.

Segundo o capitão Juliano Amaral, da BM, Falcão era líder de uma quadrilha responsável por ataques a bancos e carros-fortes na região com o uso de explosivos. Por volta das 2h deste domingo, ele e mais 9 homens armados usaram explosivos para detonar a porta principal da fábrica de joias, localizada no Centro de Cotiporã. Com a chegada da polícia, houve perseguição e troca de tiros na saída da cidade. Além dos criminosos, dois policiais foram atingidos e levados ao hospital de Veranópolis.

FALCÃO: TRAJETÓRIA DE AÇÕES CRIMINOSAS



















RADIO GAÚCHA 30 de dezembro de 2012

FORAGIDO Nº 1 É MORTO PELA POLÍCIA NA SERRA 

Reportagem Guilherme Pulita.

A trajetória de ações criminosas do bandido mais procurado do Estado terminou nesta madrugada. Elisandro Rodrigo Falcão, de 31 anos, morreu em confronto com a Brigada Militar em Cotiporã, após ataque com explosivos em fábrica de joias. Outros dois bandidos morreram.

Histórico

Alçado ao posto de foragido número 1 do Rio Grande do Sul, Falcão era apontado como o líder da principal quadrilha de assaltantes que usa explosivos em ataques a bancos e praças de pedágio na Serra. Morador de Caxias do Sul, o bandido estaria escondido na Região Metropolitana e iria à Serra apenas para fazer fazer os assaltos.

Elisandro Falcão passou a liderar o bando de assaltantes com a morte de Juliano Justino da Rosa, o Julianinho. O bandido, que encabeçava a lista dos foragidos do Estado, era o principal parceiro de Falcão. Aliás, segundo informações do setor de inteligência da BM, Falcão era o homem que fugiu no cerco em que Julianinho foi morto, no bairro Santa Catarina, em Caxias do Sul. Com a baixa de Julianinho, no começo de agosto, o criminoso morto neste domingo assumiu a chefia dos bandidos.

Eles eram parceiros desde 2006, quando criminosos montaram uma quadrilha especializada em arrastar caixas eletrônicos de agências e postos bancários usando uma van. O bando foi apelidado de Quadrilha da Van e ganhou notoriedade depois da prisão do assaltante José Carlos dos Santos, o Seco, 33 anos. A Quadrilha da Van assumiu a lacuna deixada no mundo do crime com o desmonte do bando de Seco.

A escalada criminosa de Elisandro Rodrigo Falcão alcançou projeção quando ele passou a assaltar com a Quadrilha da Van. Entre setembro de 2006 e abril de 2007, quando o bando foi desarticulado, o grupo teria cometido pelo menos 15 crimes. Falcão já foi indiciado por 12 dessas ações, entre roubos de veículos e furtos e roubos de bancos. Em abril, quando a quadrilha foi desmontada pela Defrec, Falcão permaneceu foragido. Como contavam com parte do armamento da quadrilha da van e a logística das ações, logo o grupo recém-formado e liderado pelo foragido começou a agir.

Falcão foi preso pela Delegacia de Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas em agosto de 2007. Na época, ele era monitorado por agentes que flagraram uma conversa com Julianinho, naquela oportunidade preso, negociando uma metralhadora. Falcão ficou preso até o primeiro semestre deste ano, quando se tornou foragido do albergue prisional de Caxias do Sul. Em pouco tempo, ele organizou um novo bando ao lado de Julianinho, que era especialista em explosivos.

Com a morte do amigo e parceiro, o bandido então passou a arregimentar novos criminosos. Entre eles, estaria um ex-sargento do Exército, que seria o novo responsável pelos explosivos do bando.

ASSALTO TERMINA EM MORTE POR BALA PERDIDA

Vidros quebrados mostram sinais do tiroteio que matou o passageiro de um ônibus em Soledade
Foto: Maurício Orsolin / Especial














ZERO HORA 30/12/2012 | 10h44

Passageiro morre com tiro perdido durante assalto em Soledade. Policial Militar reagiu contra assaltantes e deu inicio ao tiroteio dentro de um restaurante

Marielise Ferreira


Uma tentativa de assalto terminou em tragédia na madrugada de domingo em Soledade, no norte do Estado. André Roberto Santos de Oliveira, 36 anos, foi morto com um tiro perdido, durante um tiroteio entre um policial militar e bandidos que tentavam assaltar o restaurante Italians, às margens da rodovia Soledade- Porto Alegre (BR-386).

Os quatro homens chegaram ao restaurante por volta das 3h, usando um Golf que haviam roubado em Passo Fundo. Antes mesmo de entrar no Italians, eles renderam um casal de Erechim que ia para o litoral, e roubaram o Vectra que estava no estacionamento do local. Um dos bandidos assumiu a direção do carro enquanto os outros três entraram no restaurante. Armados e encapuzados eles anunciaram o assalto, mas ao ver que havia um policial militar no restaurante, saíram sem levar nada.

Conforme e ocorrência policial, os homens já estavam no lado de fora do restaurante quando o PM reagiu e atirou contra os bandidos. Eles revidaram e passaram a atirar. Durante o tiroteio, o passageiro André Roberto Santos de Oliveira, 36 anos, que estava sentado em um banco fora do restaurante, foi atingido por uma bala na cabeça. Oliveira, que havia saído de Porto Alegre e viajava para Cruz Alta, não resistiu ao ferimento e morreu no local. Os quatro bandidos fugiram do local levando o Vectra prata, com placas IJW 2436, de Erechim.

O Italians ficou fechado até as 8h para a realização de perícia. No local, os técnicos do IGP recolheram cerca de 10 cartuchos de vários calibres, incluindo de pistola .380 e até de fuzil. O caso está sendo investigado pelo delegado de Soledade Sander Ribas Cajal e a polícia civil suspeita que os bandidos sejam presidiários que tenham sido liberados do presídio de Passo Fundo com indulto de Natal.

O nome do Policial Militar não foi divulgado pela Polícia Civil. A Brigada Militar deve instaurar uma sindicância para apurar o caso. Quando ele atirou contra os bandidos havia mais de 50 pessoas dentro do restaurante, local de parada para motoristas, caminhoneiros e ônibus. Os clientes se apavoraram com a ação e houve correria no local.


RADIO GAÚCHA, 30/12/2012

Assalto a restaurante termina com morte em ponto de parada de ônibus em Soledade

Postado por Leandro Staudt

Um assalto a restaurante terminou em morte à noite passada às margens da BR-386, em Soledade. Quatro homens atacaram o restaurante Italian's, que funciona como ponto de parada de ônibus que fazem linhas pela região. Um policial militar que jantava no local reagiu e houve tiroteio. Uma bala perdida atingiu o passageiro André Roberto Santos de Oliveira, de 36 anos, que viajava de Cruz Alta para Porto Alegre. Ele estava do lado de fora prédio e morreu na hora.

Na fuga, os bandidos roubaram um Vectra de uma família que viajava para o Litoral e parou para jantar. A polícia recolheu nesta manhã cartuchos de pistola, espingarda e fuzi. Até agora, não há informações sobre a quadrilha que realizou o ataque.


Casal é assaltado em casa em Imbé

Reportagem Cid Martins

Um casal foi rendido por assaltantes numa casa de Santa Terezinha, balneário de Imbé. Foi à noite passada. Os bandidos prenderam os moradores num quarto e roubavam objetos, quando o dono da casa pediu socorro e atraiu vizinhos. Os criminosos fugiram com um notebook.

O veranista Ricardo Luiz Michel tentou recuperar o computador e acabou ferido a tiro na perna esquerda. Os assaltantes fugiram, mas deixaram cair documentos. A polícia apura o caso.

ASSALTO EM COTIPORÃ: SETE REFÉNS CONTINUAM DESAPARECIDOS

ZERO HORA ONLINE 30/12/2012 | 11h15

Sete reféns ainda estão desaparecidos após assalto em Cotiporã. Polícia segue a busca pelos criminosos


Mais de 120 PMs buscam os remanescentes do bando de Elisandro Falcão, morto em tiroteio
Foto: Ronaldo Bernardi / Agência RBS

Humberto Trezzi (texto) e Ronaldo Bernardi (fotos), de Cotiporã


Mais de 120 PMs palmilham as densas matas da região entre Cotiporã e Veranópolis, na Serra, à procura dos remanescentes do bando de Elisandro Falcão, foragido morto em tiroteio com policiais na madrugada de hoje. A Brigada Militar mobilizou tropas de elite — os Batalhões de Operações Especiais (BOE) — de Caxias do Sul, Passo Fundo e Porto Alegre atrás da quadrilha. O motivo é que os bandidos fugiram com sete reféns, que ainda estão desaparecidos.

Desses, dois reféns moram na área urbana de Cotiporã e os demais são agricultores que foram pegos numa casa na colônia e levados dentro de um Astra e um Audi pelos bandidos. Os reféns seriam dois homens, quatro mulheres e uma criança. Os ocupantes dos veículos trocaram tiros duas vezes com PMs. Os carros foram inutilizados pelos tiros e abandonados, mas os quadrilheiros conseguiram fugir junto com os sete escudos humanos.

É certo que os 4 mil habitantes de Cotiporã nunca viram algo igual. A noite de sábado, agradável, convidava a uma cerveja e por isso um dos bares situados no centro da pequena localidade serrana permaneceu aberto. Eram 2h quando um bandido, de touca negra e fuzil, entrou na lancheria e rendeu os clientes. Mais de 30 pessoas que bebericavam ali ou jogavam boliche foram feitas de reféns.

Ao saírem, com mãos na cabeça, os reféns viram que existiam bandidos por toda a praça Maurício Cardoso, a principal da cidade. Uns ficavam perto da Igreja Matriz, outros próximo à fábrica de joias Guindani — alvo prioritário da quadrilha — e também em cada esquina próxima ao templo. Transformados em escudos humanos, os homens que bebiam no bar foram obrigados a tirar camisas e sapatos. As mulheres, apenas os calçados. Isso foi feito para constrangê-los e impedir tentativas de fuga. Todos tiveram também de deixar celulares, chaves e dinheiro dentro de sacolas trazidas pelos bandidos.

Confira entrevista feita com G, 21 anos, um dos rapazes que bebia no bar e foi ferido com estilhaços de projéteis de fuzil:

Zero Hora — Assim que vocês foram feitos reféns, o que os bandidos fizeram?

G. — Tentaram nos tranquilizar. Diziam: "Viemos aqui buscar nossas joias, não temos nada contra vocês". Mas quem consegue ficar tranquilo numa situação assim?

ZH — Aí eles explodiram a fábrica de joias?

G. — Isso. Usaram uns explosivos que parecem velas moles (emulsão de nitrato de amônia e TNT). Tiraram de mochilas e levaram dentro da fábrica. Soubemos depois que grudaram nos cofres e explodiram. Avisaram para a gente se abaixar...Foram umas 10 explosões, parecia que o mundo tava vindo abaixo.

ZH — O que aconteceu em seguida?

G. — Botaram eu e mais uns cinco na caçamba da caminhonete, sem camisa, no vento. A dona da caminhonete foi obrigada a dirigir. Foi um comboio de três veículos, estrada afora. Aí, numa curva, cruzaram com uma viatura da BM e dispararam, de surpresa. Foi um monte de tiro. Um Astra com bandidos e reféns escapou. O Audi e a nossa Strada ficaram bloqueados pela viatura. Aí foi grito, ameaça, mais tiro. Tudo no escuro. Um dos bandidos levou um monte de disparos e morreu ao meu lado. Os estilhaços pegaram na minha mão. Achei que ia morrer...mas não era minha hora (G. começa a chorar...)


ZERO HORA

FORAGIDO Nº 1 DO RS MORRE EM CONFRONTO COM A BM

ZERO HORA 30/12/2012 | 10h46

Foragido número 1 do Estado morre em confronto com BM após assalto a fábrica de joias na Serra. Elisandro Rodrigo Falcão, 31 anos, liderava uma quadrilha responsável por ataques a bancos com uso de explosivos em cidades gaúchas


No início da manhã, foi realizada perícia no local do confronto entre PMs e criminososFoto: Guilherme Pulita / Agencia RBS

Matheus Piovesan

O assaltante mais procurado do Estado do Rio Grande do Sul morreu na madrugada deste domingo em confronto com a Brigada Militar (BM) após participar de ataque a uma fábrica de joias em Cotiporã, na serra gaúcha.

Elisandro Rodrigo Falcão, 31 anos, estava foragido da polícia e liderava uma quadrilha responsável por ataques a bancos com uso de explosivos no RS. Entre as ações atribuídas ao grupo estão os ataques a caixas eletrônicos em Picada Café, Nova Bassano, Fagundes Varela, Jaquirana e ao pedágio de Vacaria. Também é possível que o bando tenha assaltado agências em Torres e Dom Feliciano.

— O Falcão sempre realiza enfrentamentos quando há a tentativa de coibi-lo. O serviço de inteligência da BM já estava à procura dele. Nos últimos meses, fomos fechando o cerco e tentando prever as ações do bando — relatou o major Daniel Coelho, chefe da agência central de inteligência em Porto Alegre da Brigada Militar.

Além de Falcão, outros dois criminosos identificados como Sérgio Antônio Ritter e Paulo César da Silva foram mortos em confronto com a BM ao cruzarem com uma viatura.

No embate, ocorrido na saída da cidade, dois dos quatro policiais que estavam na viatura foram baleados. Feridos, eles foram encaminhados ao hospital de Veranópolis. Um dos PMs levou um tiro de raspão e o outro, dois tiros de fuzil em um dos braços e em uma das pernas.

O ataque

Fortemente armados, cerca de 10 bandidos chegaram à cidade no início da madrugada. Por volta das 2h, realizaram ao menos 10 pequenas explosões na fábrica e fizeram, de reféns, um grupo de moradores.

Como a BM monitorava a atividade dos bandidos através de escutas e especulava que haveria uma atividade criminosa na Serra, a polícia chegou rapidamente ao local. Ao perceber a aproximação dos PMs, os bandidos fugiram levando um novo grupo de reféns.

Na saída da cidade, a BM realizou um cerco aos criminosos e houve tiroteio. Três bandidos morreram, e dois policiais ficaram feridos.

Os policiais negociaram, por cerca de uma hora, a liberação de cinco reféns e o resgate aos PMs atingidos. Um dos veículos utilizados na fuga conseguiu passar pela barreira e um número não informado de criminosos se escondeu em matagal da região. Não há informações se há mais reféns com os fugitivos.

Por volta das 5h30min, o Grupo de Ações Táticas Especiais da Brigada Militar (Gate) isolou a área do confronto para explodir cinco quilos de dinamite, que foram encontrados com os bandidos. Ainda não há informações sobre o que foi levado da fábrica.

Subcomandante-geral da Brigada Militar, o coronel Altair de Freitas destacou o reforço de policiamento para o êxito da ação.

— No sábado, o Gate já estava na Serra pois sabíamos que eles iriam atacar, mas o local era incerto. Conseguimos mandar o pessoal da Operação Golfinho, que estava no Litoral, para o local do crime rapidamente, o que favoreceu a ação tática — afirmou.


ZERO HORA 12/10/2012 | N° 11503
EXPLOSÕES EM BANCOS. À caça do suposto líder

ROBERTO AZAMBUJA

Porto Alegre – A Polícia Civil caça o homem que considera o assaltante mais procurado no Estado. Elisandro Rodrigo Falcão, 31 anos, seria um dos líderes da quadrilha responsável pelos ataques com explosivos a bancos de Picada Café, Nova Bassano, Fagundes Varela e Jaquirana, além do pedágio de Vacaria, na BR-116. Falcão foi indiciado, inclusive, pela participação no assalto ao Banrisul de Bom Jesus, em 2007, explica o titular da Delegacia de Roubos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Juliano Ferreira. Na ocasião, um bando formou um cordão de isolamento com reféns e trocou tiros com a Brigada Militar. Durante o tiroteio, o então vice-prefeito Leonardo Baroni Silveira foi baleado e morreu. O suposto líder do bando está foragido desde o início do ano. A Polícia Civil chegou ao nome dele depois que PMs prenderam Deyvid Possa, 27 anos, horas depois do grupo explodir o cofre do pedágio da BR-116, entre Vacaria e São Marcos, na última segunda-feira. Possa, segundo Ferreira, estava em um sítio na localidade de Vila Segredo, no interior de Ipê. Uma informação anônima delatou a localização do bando, composto por mais três homens que não tiveram a identidade divulgada. Na noite anterior ao assalto, o grupo teria jantado na propriedade, conforme vizinhos. No encalço da quadrilha há meses, a polícia encontrava dificuldades para conectá-la aos ataques com explosivos. Uma busca na propriedade onde Possa foi detido recuperou, escondidos embaixo de um galinheiro, objetos que teriam sido utilizados nos assaltos. Entre eles, roupas, toucas ninja, uma mochila, uma barra de ferro e uma pistola. Pela análise das câmeras de segurança das agências foi possível identificar os mesmos agasalhos e equipamentos usados pela quadrilha, conta Ferreira.


CLIC RBS - CASO DE POLÍCIA, 17 OUT 2012

Quem é o foragido Número 1 do RS 

Reportagem de Guilherme Pulita




Elisandro Rodrigo Falcão - Foto: Divulgação / Polícia Civil

Identificado pelo setor de inteligência da Brigada Militar e caçado pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais, o Deic, Elisandro Rodrigo Falcão, de 31 anos, há mais de três meses dribla cerco policiais no Estado.

Alçado ao posto de foragido número 1 do Rio Grande do Sul, Falcão é apontado como o líder da principal quadrilha de assaltantes que usa explosivos em ataques a bancos e praças de pedágio na Serra. Radicado em Caxias do Sul, o bandido estaria escondido na Região Metropolitana e viria à Serra apenas para fazer fazer os assaltos.

Elisandro Rodrigo Falcão - Foto: Divulgação / Polícia Civil

A confirmação da participação de Falcão nos assaltos veio com a prisão do criminoso Dayvid Possa, de 27 anos. Ele foi detido pela Brigada Militar em Ipê horas depois do assalto à praça de pedágio de Vacaria. Possa é primo da ex-companheira de Falcão e foi identificado por um PM que confrontou imagens de câmeras de vigilância com as roupas apreendidas com o bandido. Possa já havia conseguido fugir de uma abordagem policial em São Marcos e abandonou explosivos na fuga. Quem estaria com ele naquela dia era Falcão.

Elisandro Falcão passou a liderar o bando de assaltantes com a morte de Juliano Justino da Rosa, o Julianinho. O bandido, que encabeçava a lista dos foragidos do Estado, era o principal parceiro de Falcão. Aliás, segundo informações do setor de inteligência da BM, Falcão era o homem que fugiu no cerco em que Julianinho foi morto, no bairro Santa Catarina, em Caxias do Sul. Com a baixa de Julianinho, no começo de agosto, Falcão assumiu a chefia dos bandidos.


Elisandro Rodrigo Falcão - Foto: Divulgação / Polícia Civil

Eles eram parceiros desde 2006, quando um grupo de criminosos montou uma quadrilha especializada em arrastar caixas eletrônicos de agências e postos bancários usando uma van. O bando foi apelidado de quadrilha da van e ganhou notoriedade depois da prisão do assaltante José Carlos dos Santos, o Seco, 33 anos. A quadrilha da van assumiu a lacuna deixada no mundo do crime com o desmonte do bando de Seco.

A escalada criminosa de Elisandro Rodrigo Falcão alcançou projeção quando ele passou a assaltar com a quadrilha da van. Entre setembro de 2006 e abril de 2007, quando o bando foi desarticulado, o grupo teria cometido pelo menos 15 crimes. Falcão já foi indiciado por 12 dessas ações, entre roubos de veículos, e furtos e roubos de bancos. Em abril, quando a quadrilha foi desmontada pela Defrec, Falcão permaneceu foragido. Como contavam com parte do armamento da quadrilha da van e a logística das ações, logo o grupo recém-formado e liderado pelo foragido começou a agir.


Elisandro Rodrigo Falcão - Foto: Divulgação / Polícia Civil

Na ações mais recentes, Falcão teria escapado depois de uma troca de tiros com PMs que o perseguiam em uma caminhonete roubada, no final de junho de 2007. O veículo foi o mesmo usado pela quadrilha que atacou o Banrisul de Terra de Areia, no Litoral Norte. Na oportunidade, Falcão teria sido ferido com um tiro na mão e outro de raspão na cabeça. Em seguida, o grupo liderado por Falcão teria assaltado o Banrisul de Bom Jesus, quando o vice-prefeito foi morto ao ser confundido com um policial civil. O ladrão que atirou em Leonardo Silveira teria entrado no banco dizendo "baixei um rato" (matei um policial civil).

Falcão foi preso pela Delegacia de Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas em agosto de 2007. Na época, ele era monitorado por agentes que flagraram uma conversa entre ele e Julianinho, naquela oportunidade preso, negociando uma metralhadora. Falcão ficou preso até o primeiro semestre deste ano, quando foragiu do albergue prisional de Caxias do Sul. Em pouco tempo, ele organizou um novo bando ao lado de Julianinho, que era especialista em explosivos.

Com o a morte do amigo e parceiro, o bandido então passou a arregimentar novos criminosos. Entre eles, estaria um ex-sargento do Exército, que seria o novo responsável pelos explosivos do bando. Esse criminoso está em liberdade, mas é investigado pela Polícia Civil.

HEROÍSMO POLICIAL: "MANDARAM A GENTE SE ENTREGAR, MAS REAGIMOS."

ZERO HORA 30/12/2012 | 08h56

Assalto em Cotiporã. "Mandaram a gente se entregar, mas reagimos", diz PM que participou de ação. Policiais relatam a troca de tiros com criminosos que tentaram assaltar fábrica de joias na Serra


Três criminosos morreram no confronto com a BMFoto: Ronaldo Bernardi / Agência RBS

Humberto Trezzi (texto) e Ronaldo Bernardi (fotos), de Cotiporã

Eram 2h15min quando os soldados da Brigada Militar Derquis Adriano Martins e Sedenir Silva toparam com uma Fiat Strada em alta velocidade, com pelo menos sete pessoas seminuas na caçamba. Não tiveram dúvidas: era um dos veículos usados pela quadrilha que acabara de explodir uma fábrica de joias em Cotiporã. E os desafortunados na caminhonete eram reféns dos bandidos.

Derquis e Sedenir, que trabalham no serviço reservado da BM em Bento Gonçalves, sabiam que a quadrilha faria o assalto, mas não sabiam onde. Foi então que receberam uma ligação, logo após a 1h30min, relatando 10 pequenas explosões de dinamite que destroçaram a fábrica de joias Guindani, em Cotiporã, distante 30 quilômetros de Bento.

A dupla ganhou apoio de dois outros policiais, pegou os fuzis, pistolas e entrou num Vectra com as cores da BM, se deslocando a mais de 100 km/h para Cotiporã. Foi no caminho, numa estrada de chão batido, que os PMs viram a caminhonete repleta de reféns — todos sem camisa, mãos para cima, apavorados.

Antes mesmo que pudessem se dar conta de que o veículo era da quadrilha, os brigadianos foram recebidos a bala. Uma saraivada de tiros de fuzil AK-47 acertou em cheio a viatura policial. Os PMs revidaram com tiros de fuzil FAL e mataram um bandido que estava num outro veículo, um Audi com placas frias, de São Luiz Gonzaga. O criminoso, que vestia colete a prova de balas e traje tático (estilo militar), morreu com um tiro na cabeça. Os outros criminosos dispararam e feriram os dois PMs que acompanhavam Derquis e Sedenir. Um deles, o soldado Neivaldo, recebeu tiros numa perna e num braço e ficou caído na estrada.

PM ferido em confronto com bandidos em Cotiporã passa bem. Neivaldo Nondillo está internado no Hospital Pompéia, em Caxias do Sul

Dois PMS ficaram feridos em confronto com parte de uma quadrilha que havia atacado uma fábrica de joias, em Cotiporã. A ação ocorreu durante a madrugada deste domingo.

Neivaldo Nondillo, 40 anos, teria sido atingido por dois tiros de fuzil em um dos braços e em uma das pernas. O policial foi transferido do Hospital Nossa Senhora de Lourdes, em Veranópolis, para o Hospital Pompéia, em Caxias do Sul. De acordo com informações do hospital, Nondillo não corre risco de morte e se prepara para passar por uma cirurgia no braço. 

O outro PM ferido é Leonardo Rafael dos Santos, 31 anos. Ele levou um tiro de raspão, foi atendido em Veranópolis, e liberado.

Confira, a partir daí, o relato de Derquis:

Zero Hora — Com o seu companheiro ferido, como vocês reagiram?

PM Derquis Martins — Tinha feridos dos dois lados, os veículos bloqueavam a estrada, aí negociamos uma trégua. Era uma situação surreal, invertida: estávamos em menor número. Eles eram uns sete em dois carros, nós em quatro. Mandaram a gente se entregar, mas reagimos. Parecia que eles eram policiais e nós os criminosos.

ZH — Vocês reagiram, mesmo eles estando com reféns?

Derquis — É que eles atiraram primeiro, acertando nossos colegas. Aí matamos um deles, o do Audi. Ficou um impasse. Negociamos, eles liberaram cinco reféns, mas aí eles tentaram abrir caminho à força, arrancando a caminhonete. Aí atiramos de novo e matamos mais dois deles, o Falcão e o Paulo César da Silva.

ZH — O senhor já tinha estado num tiroteio como esse?

Derquis — Sim. Participei do tiroteio que resultou na morte do Julianinho, em Caxias (comparsa de Falcão na mesma quadrilha desbaratada hoje). Mas desta vez foi pior, foi terrível, era tiro para tudo que é lado. Quase morremos. Ainda bem que estamos aqui para contar a história. Sinto pena é das sete pessoas que ainda estão reféns.



SEUS DADOS NA INTERNET ESTÃO SENDO USADOS


ZERO HORA 30 de dezembro de 2012 | N° 17298

REPORTAGEM ESPECIAL

Sorria, seus dados estão sendo usados


MARCELO GONZATTO

A frase acima pode soar ameaçadora, mas é real. Muitas das informações e dos conteúdos digitais lançados à rede pelos internautas em sites como Facebook e Google são compilados com o objetivo de permitir anúncios publicitários direcionados. Ergue-se, assim, uma polêmica sobre os limites da privacidade no mundo virtual.

Recentemente, o advogado Márcio Cots estava fazendo uma pesquisa na internet por meio de um site de buscas a fim de encontrar um carrinho de bebê. Ao concluir o levantamento, fechou o buscador e voltou a utilizar o computador para trabalhar.

As páginas seguintes, porém, começaram a lhe apresentar sucessivos anúncios de carrinhos de bebê. Este é apenas um exemplo de como dados pessoais e o comportamento online de usuários são utilizados de maneira muitas vezes despercebida e levantam um debate sobre os limites da privacidade no mundo virtual.

– O anúncio, por si só, não vejo como invasivo. Mas pode incomodar saber que alguém monitora o que você está acessando – avalia Cots, advogado paulista especializado em Direito Digital.

O modo como informações e conteúdos digitais lançados à rede por internautas são utilizados ganhou destaque nas últimas semanas, quando o aplicativo de fotos Instagram anunciou uma alteração em sua política percebida como uma brecha para a venda das imagens postadas pelos usuários. A diretoria recuou e garantiu que não pretende negociar o material. Mas o fato é que dados fornecidos consciente ou inadvertidamente já são utilizados pelas empresas da internet para erguer um mercado bilionário.

– Os dados pessoais dos usuários são, hoje, a principal fonte de receita na internet. Grande parte dos serviços, como Google e Facebook, depende da coleta e do processamento de dados dos usuários. O que ocorre é que nem sempre se sabe como são coletados e utilizados – revela o diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Ronaldo Lemos, um dos principais especialistas do país na área.

Em resumo, serviços gratuitos para o internauta obtêm lucro compilando informações pessoais a fim de permitir anúncios publicitários cada vez mais direcionados. Essas informações incluem dados fornecidos intencionalmente pelo internauta ao se cadastrar no serviço ou de maneira involuntária ao fazer buscas e visitar sites. Com base nisso, o Google chega a criar estimativas de sexo, idade, localização geográfica e interesses de cada um – até se o usuário de um determinado computador costuma ter mais atração por notícias de meteorologia ou esportes, por exemplo. Para consultar parte do que o Google sabe sobre você, acesse google.com/ads/preferences.

Os limites desse tipo de prática estão descritos nos termos de uso e privacidade, com os quais todos precisam concordar para utilizar as ferramentas digitais. O problema é que esses termos costumam ser pouco claros – e pouco lidos. Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor mostra que 84% dos brasileiros não leem essas condições.

Em geral, as maiores empresas da internet se comprometem a não relacionar as informações do internauta à sua identidade, tratando-as de forma anônima. Mesmo assim, especialistas sustentam que não há como garantir que essa vinculação não seja feita por falhas de segurança ou intencionalmente. Além disso, a informação costuma circular entre diferentes companhias.

– Se uma empresa faz uma aplicativo para o Facebook, por exemplo, passa a ter acesso a dados do usuário. Além disso, há empresas especializadas em vender informações sobre o perfil dos internautas, ainda que de forma anônima – sustenta Lemos.

Atenção ao publicar informações pessoais

Outra ameaça à privacidade é o que o próprio internauta divulga. Especialista em segurança da informação, Leonardo Lemes Fagundes costuma ter extremo cuidado com o que torna público na internet, inclusive nas redes sociais. Ele lembra que, mesmo quando alguém tem um perfil restrito a amigos, comentários ou imagens podem ser replicados por eles e se disseminar pela rede. Outro detalhe muitas vezes desconhecido é que esse conteúdo pode permanecer armazenado indefinidamente.

– No caso do Facebook, todos os dados fornecidos ficam armazenados, desde o perfil do usuário e suas postagens, fotos, como todas as conversas realizadas utilizando o serviço de chat da rede social, mesmo após a exclusão da conta do usuário – alerta.


Nova lei limita uso de dados particulares

Os limites sobre o direito à privacidade no mundo virtual deverão ficar mais claros no Brasil nos primeiros meses de 2013, quando se espera que seja votado no Congresso o marco civil regulatório da internet. O marco regulatório é uma espécie de “constituição” da internet no Brasil, mas já teve sua apreciação adiada várias vezes devido a temas polêmicos.

O principal deles, previsto no texto, é o princípio da neutralidade da rede. Isso significa que um provedor de acesso não poderia aumentar a velocidade de conexão com a página de uma empresa que pagasse uma taxa extra para isso, enquanto limita a capacidade de outra. Em relação ao sigilo das informações dos usuários, o projeto obriga que os registros de conexão dos internautas sejam guardados pelo período de um ano, mas sob total segredo e em ambiente seguro – podendo ser revelados somente mediante ordem judicial. Outro ponto diz que nenhuma informação virtual poderia ser utilizada para um fim diferente daquele para o qual foi fornecida. Isso poderia limitar o uso de dados de usuários com fins comerciais.

– O provedor de internet, por exemplo, ficaria proibido de divulgar informações sobre a conexão do usuário como origem e tempo da conexão, ou ainda informar o endereço de e-mail de um determinado cliente. A privacidade e a intimidade só podem ser violadas em casos de determinação da Justiça – esclarece o especialista em segurança da informação Leonardo Fagundes.


Para o seu filho ler

Cuidado com os estranhos!!!

- Se você usa alguma rede social como Facebook e Twitter, é importante tomar cuidado com o que você posta.

- Só publique comentários e fotos que você tem certeza que podem ser vistos por qualquer pessoa, inclusive seus pais.

- Evite falar sobre coisas valiosas que você tem dentro de casa ou mostrar fotos delas. Essa informação pode ajudar bandidos a planejarem um assalto, por exemplo.

- Por esse mesmo motivo, também evite revelar como é a rotina da sua casa, qual o horário em que seus pais saem para trabalhar ou quando sua família estará fora de casa nas férias.

- Lembre que muitas pessoas não são quem dizem ser na internet. Por isso, não use a webcam sem conhecimento dos seus pais e jamais marque um encontro com alguém que você não conhece.






O MERCADO DE ARMAS QUE ABASTECE O CRIME

Armas de guerra são as preferidas da bandidagem.


ZERO HORA 30 de dezembro de 2012 | N° 17298

ARSENAL CLANDESTINO

Vender e alugar revólveres, pistolas e espingardas, muitos deles furtados de órgãos públicos, para líderes de quadrilhas tornou-se um dos mais lucrativos negócios no submundo da Região Metropolitana


CARLOS WAGNER E JOSÉ LUÍS COSTA

Aprisão de dois soldados da Brigada Militar há duas semanas, suspeitos de matar o coronel aposentado do Exército Julio Miguel Molinas Dias para roubar a coleção de 23 armas dele, revela a face obscura de homens da lei que mergulharam no submundo do tráfico de armas. Assim como outros PMs, policiais civis e bandidos que se passam por colecionadores, a dupla de soldados trocou de lado, tentando se estabelecer no mais rentável negócio do momento entre os criminosos da Região Metropolitana: a venda e o aluguel de armas e munições.

– A repercussão do caso trouxe à tona um dos grandes problemas que temos hoje, a valorização do preço das armas no mercado ilegal – diz o delegado Alexandre Vieira, da 9ª Delegacia da Polícia Civil.

Os soldados se juntaram a contrabandistas, atraídos por um mercado cada vez mais inflacionado por causa das restrições às vendas oficiais, pela campanha do desarmamento e pelo crescimento da criminalidade. O Rio Grande do Sul, em proporção à população, é o recordista em recolhimento de armas no país – já foram tiradas de circulação 53.851 unidades desde 2004. Até outubro, os homicídios cresceram 16% este ano, e o roubo de veículos subiu 6,5%.

O comércio clandestino se fortalece graças à falta de segurança e ao descontrole em organismos sob a tutela do Estado, quartéis, delegacias, fóruns e até em acervos de colecionadores. São as principais fontes – assim como o tráfico pelas fronteiras e o desvio de cargas – de abastecimento do mercado clandestino de revólveres, pistolas, espingardas, submetralhadoras, fuzis e munições no Rio Grande do Sul.

Antes de serem presos, os dois PMs suspeitos da morte de Molinas já eram investigados pela Corregedoria da BM por causa de furtos de armas no quartel onde trabalhavam, o 11º Batalhão de Polícia Militar, na zona norte da Capital.

– Se ficarem provados esses indícios, as sanções serão severas – afirma o coronel João Gilberto Fritz, corregedor-geral da BM.

Presos negociavam revólveres com PM

No começo do ano, um sargento da força-tarefa da BM que atua em cadeias foi preso por colegas, após apreensão de cinco armas em uma galeria da facção Os Manos no Presídio Central. Ele seria o fornecedor de celulares, pistolas e revólveres para apenados. A captura do sargento explicaria como cerca de 50 armas de fogo driblaram os mecanismos de segurança e detectores de metais e foram parar nas mãos de detentos do Central nos últimos dois anos.

Em Canoas, uma ex-estagiária da Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento responde a processo criminal por desvios de dinheiro, drogas e armas da repartição, ocorridos em 2009. Situação semelhante ocorreu na 1ª Delegacia da Polícia Civil de Alvorada, no começo deste ano. Em Gravataí, em março, a Corregedoria da Polícia Civil e o Ministério Público prenderam dois agentes civis ao encontrar no carro de um deles quatro revólveres e uma espingarda que deveriam estar no depósito de delegacias. A suspeita é de que venderiam as armas para criminosos. Em 2010, uma inspeção do MP em delegacias constatou a falta de uma centena de armas relacionadas a inquéritos.

– Esses fatos são gravíssimos. As delegacias estão mais cautelosas para evitar desvios – afirma o delegado Walter Waigner, corregedor-geral da Polícia Civil.

Nos últimos dois anos, somente de três fóruns do Interior, foram levadas 564 armas (225 entre maio e julho deste ano), além de farta munição, apreendidas por serem elementos de provas em processos criminais. No começo de dezembro, um colecionador de armas foi condenado a seis anos de prisão por vender, ilegamente, munição, inclusive de uso restrito para PMs de quartéis da Capital. Cápsulas deflagradas, com sinal característico de recarga pelo colecionador, teriam sido usadas em armas por ladrões que assaltaram um carro-forte, em 2008, em Barra do Ribeiro.


Pistola “exportada” para o Presídio Central

A mais surpreendente vertente do comércio ilegal de armas no Estado envolve o desvio de cargas remetidas pela Forjas Taurus, de Porto Alegre, para clientes no Brasil, via Correios. Revólveres e pistolas vêm sendo surrupiados durante o trajeto entre a fábrica e os destinatários. Seriam pelo menos 17 casos e, segundo a Polícia Federal, o derrame no mercado clandestino chegaria a centenas de armas, desde 2009. O caso segue como mistério sem pistas sobre autores do crime.

– Ainda não descobrimos como ocorrem os desvios que, acreditamos, seguem acontecendo – afirma o delegado federal Cristiano Gobbo.

A Taurus tem autorização legal para as remessas por correspondência. As caixas são lacradas, sem identificação do produto nem do fabricante. Em algum ponto do percurso, bandidos abrem as embalagens, tiram as armas e, no lugar, colocam pedras com o peso idêntico ao do armamento – a pesagem de mercadorias seria a única forma de controle dos Correios.

Conforme Gobbo, existem suspeitas de que algumas dessas armas foram desviadas no Estado. E o caso mais enigmático aconteceu no começo deste ano no Presídio Central. Durante uma revista de rotina, foi encontrada uma pistola modelo PT709, 9 mm – de uso restrito pelas Forças Armadas e pela PF – , com identificações intactas.

Questionada, a Taurus respondeu se tratar de uma pistola exportada em outubro de 2010 para a Taurus International em Miami, na Flórida (EUA). A PF investiga se a arma foi introduzido no Central por um sargento da BM, preso na mesma época da apreensão da pistola sob suspeita de vender armas e celulares para detentos.

Traficantes alugam para assaltantes

O crescimento do mercado ilegal de armas vem sendo acompanhado pela Polícia Civil e pela Brigada Militar na Região Metropolitana de Porto Alegre. Um dossiê informal contém informações com base em inquéritos, escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, relatos de informantes e, principalmente, depoimentos informais de bandidos.

O quadro montado pelo estudo dá uma ideia da valorização das armas no mercado ilegal na última década. Por exemplo: pistolas calibre .380 e 9 mm, muito usadas por ladrões de carro, custavam R$ 3 mil, e agora pularam para R$ 6 mil (veja quadro abaixo).

Houve também uma mudança na maneira de operar o mercado ilegal de armas. Os traficantes gaúchos copiaram o modelo das favelas cariocas: aluguel de armas para assaltantes. Adquiridas em grandes quantidades por criminosos para manter as bocas de fumo, as armas acabaram se tornando um lucrativo negócio de aluguel, observou Luiz Carlos Silveira, da Viva Rio, uma ONG que virou um ícone no país na luta contra a violência.

No Estado, a locação de armamento para assaltantes já foi detectada em escutas telefônicas, afirma o promotor Mauro Rochemback. As armas são alugadas por “lançada”, gíria usada pelos bandidos para denominar um assalto. Por exemplo, a diária de um revólver custa R$ 400 e de um fuzil, R$ 2 mil. O preço do aluguel se assemelha ao valor da compra (R$ 500), porque os criminosos querem evitar o flagrante com os armamentos. A garantia do retorno da arma às mãos do traficante tem um grande estímulo: a pena de morte. Daí o zelo dos bandidos pelas armas locadas, como mostram escutas telefônicas.

A presença de ex-PMs no mercado de locação de armas começou a ser notada há dois anos. ZH conversou com um advogado, que falou na condição de que não fosse identificado. Ele fez uma pesquisa entre 10 processos em que defende clientes presos por porte ilegal de armas:

– Mais da metade das armas analisadas vinha das mãos de ex-policiais militares – afirmou.

CONTRAPONTOS

O que diz a assessoria de imprensa dos Correios: A Diretoria dos Correios do RS esclarece que até o presente momento não recebeu informações sobre a conclusão das investigações realizadas pela Polícia Federal: “Destacamos que as referidas investigações acontecem sempre que os Correios, através dos órgãos de controle interno, informam às autoridades alguma irregularidade no fluxo de encomendas da ECT. Neste caso, a investigação se refere a 17 eventos isolados, que já estavam sob análise da Polícia Federal, identificados ao longo de três anos, 2009 a 2011, em locais diferentes do país.

O que diz Antonio Cesar Carré, chefe da equipe de segurança do Tribunal de Justiça: Conforme Carré, foi criada uma Comissão de Segurança no Tribunal de Justiça (TJ), formada por juízes, desembargadores e técnicos. Esta comissão elaborou um plano para reforçar a segurança em 93 comarcas, que deverão receber um investimento de R$ 8 milhões. O chefe da equipe de segurança do TJ informa, ainda, que estão sendo feitas as licitações.

O que diz a Forjas Taurus: “A Forjas Taurus sempre colabora com as instituições policiais e militares nas investigações relacionadas a denúncias que envolvem o trânsito de seus produtos. Os eventos ligados à segurança interna são muito raros e isolados, mas quando ocorrem são exaustivamente investigados e medidas corretivas são adotadas. A Taurus segue uma legislação rigorosa e detalhada sobre produção, trânsito e comércio de seus produtos”.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Dentro de um SISTEMA DE JUSTIÇA CRIMINAL (inexistente no Brasil) as provas de crimes ficam no Departamento Policial onde há locais especialmente construídos para manter o controle e segurança das provas de crimes. No Brasil, só as Polícias Militares seriam capazes de garantir este controle e segurança, desde que tivesse esta competência e investimentos em depósitos construídos para este fim. A situação exige maiores cuidados no controle e no depósito de armas. Os prédios do judiciário e os atuais depósitos de armas nas PPMM e nas FFAA são vulneráveis, assim como o controle nos Correios. Além disto, urge a criação de uma POLÍCIA NACIONAL DE FRONTEIRA para patrulhar as linhas de fronteira e manter postos de controle nos locais de acesso e saída, tendo o suporte de leis rigorosas contra o porte e uso de armas não registradas e o apoio de uma justiça coativa aplique penas longas e multas pesadas.






BANDIDOS EXPLODEM FÁBRICA DE JÓIAS, ENFRENTAM A BM E TRÊS MORREM.

ZERO HORA 30/12/2012 | 08h03

Criminosos explodem fábrica de joias, fazem reféns e trocam tiros com policiais em Cotiporã. No tiroteio, três criminosos morreram e dois policiais militares foram baleados


No início da manhã, foi realizada perícia no local do confronto entre PMs e criminososFoto: Guilherme Pulita / Agencia RBS

Três criminosos morreram em confronto com a Brigada Militar (BM) após assalto a uma fábrica de joias em Cotiporã, na serra gaúcha, na madrugada deste domingo.

Fortemente armados, cerca de 10 bandidos chegaram à cidade no início da madrugada. Por volta das 2h, eles realizaram pelo menos 10 pequenas explosões na fábrica.

A BM monitorava a atividade dos bandidos através de escutas e sabia que haveria uma atividade criminosa na Serra neste domingo. Houve reforço no policiamento e a Brigada chegou rapidamente ao local. Ao perceber a aproximação dos policiais, os bandidos fugiram com moradores da cidade que foram feitos reféns.

Na saída da cidade, a BM realizou um cerco aos criminosos e houve tiroteio. Três bandidos morreram, e dois policiais ficaram feridos. Um deles levou um tiro de raspão. O outro levou dois tiros de fuzil em um dos braços e em uma das pernas. Eles foram atendidos no hospital de Veranópolis e passam bem.

Os policiais negociaram, por cerca de uma hora, a liberação de cinco reféns e o resgate aos PMs atingidos. Um dos veículos utilizados na fuga conseguiu passar pela barreira e um número não informado de criminosos se escondeu em matagal da região. Não há informações se há mais reféns com os fugitivos.

A BM prossegue com buscas pela área. Os três criminosos que morreram no confronto ainda não foram identificados.

Por volta das 5h30min, o Grupo de Ações Táticas Especiais da Brigada Militar (Gate) isolou a área do confronto para explodir cinco quilos de dinamite, que foram encontrados com os bandidos. Ainda não há informações sobre o que foi levado da fábrica.


RÁDIO GAÚCHA E ZERO HORA



sábado, 29 de dezembro de 2012

SOB O DOMÍNIO DO MEDO

REVISTA ISTO É N° Edição: 2250 29.Dez.12 - 11:29

Aumento exponencial das taxas de homicídio em São Paulo e reação tardia do governo deixaram a maior cidade do País se tornar refém da violência

Natália Martino



Assassinatos de policiais militares seguidos por homicídios de civis protagonizados por homens encapuzados viraram rotina em São Paulo. Desde 2006, quando o crime organizado realizou uma série de ataques e deixou um saldo de 652 assassinatos em dois meses, os paulistanos não conviviam com taxas de violência tão elevadas. A guerra não declarada entre o poder público e os bandidos resultou em 176 homicídios na capital só em outubro, segundo dados mais recentes, o mês mais violento do ano, e assustou a população, submetida, em muitas regiões, a toques de recolher.

A postura adotada pelo governo foi negar a crise, o que adiou sua solução. O então secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, dizia que os homicídios eram casos isolados. A primeira reação do governo aconteceu apenas em 29 de outubro com o início da Operação Saturação, que ocupou a favela Paraisópolis, na capital, e, mais tarde, foi estendida a outras comunidades. Até o dia 15 de dezembro, 171 pessoas haviam sido presas. Em 6 de novembro, o Estado aceitou uma parceria com o governo federal para tentar conter a violência. Entre as ações, foi anunciada a criação de uma agência de inteligência de atuação integrada e a transferência de presos para presídios federais.



O quadro só começou a mudar, porém, quando Ferreira Pinto foi substituído, em 22 de novembro, por Antonio Grella Vieira. O novo secretário admitiu a gravidade da situação e trocou o comando das polícias civil e militar. Para Hédio Silva Jr., o ex-secretário estadual de Justiça e Defesa da Cidadania de São Paulo, Grella acertou ao focar em investimentos na área de inteligência policial e na retomada do papel de investigação da Polícia Civil, enfraquecida na gestão anterior. “A estratégia me parece correta e capaz de, em curto prazo, alcançar avanços efetivos”, acredita. Esse é o desafio para 2013.