SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

AUMENTAM OS ASSALTOS A POSTOS DE COMBUSTÍVEIS




ZERO HORA 22 de janeiro de 2013 | N° 17320

EM ESTADO DE ALERTA

Crescem 70% os assaltos a postos de combustíveis. Em mais um caso no RS ontem, frentista foi assassinado enquanto trabalhava em Passo Fundo

FERNANDA DA COSTA | PASSO FUNDO/CASA ZERO HORA

O assassinato de um frentista ontem em Passo Fundo, no norte do Estado, expõe a crescente onda de assaltos a postos de combustíveis no Estado. Só em 2012, os ataques aumentaram 70% em comparação com 2011. Locais tidos como vulneráveis põem em risco a segurança de funcionários e clientes.

José Pedro Oraides Borges, 40 anos, foi morto na sua primeira semana de trabalho. É o segundo frentista assassinado no mesmo posto de combustíveis em dois anos. Ele foi atingido por volta da 1h de ontem, por um homem que estava em uma caminhonete S10, e morreu no local. A Polícia Civil investiga as hipóteses de tentativa de assalto e execução.

– Parecia cena de faroeste. O carro chegou com um homem armado na caçamba, que usava uma touca – contou o proprietário do posto, que preferiu não se identificar, após assistir às imagens das câmeras de segurança.

Ladrões costumam atacar entre meia-noite e 4h

Em 2012, o Rio Grande do Sul registrou 564 ataques a postos, ante as 330 ocorrências de 2011, conforme a Secretaria da Segurança Pública. Os municípios com mais casos são Porto Alegre, Novo Hamburgo, Caxias do Sul, Passo Fundo e Pelotas (quadro ao lado). Para a polícia, os postos são visados por terem segurança frágil, funcionarem na madrugada e oferecerem rápidas rotas de fuga aos assaltantes.

– Poucos estabelecimentos têm guardas ou seguranças – observa o delegado regional da Polícia Civil de Porto Alegre, Cleber Ferreira, que na tentativa de barrar os crimes convocou uma reunião com outros nove delegados da Capital, pedindo prioridade na investigação das ações.

Segundo ele, o horário preferido dos ladrões é entre a meia-noite e as 4h e os locais mais procurados na Capital – que lidera o número de ocorrências no Estado, com 215 assaltos – são os localizados em grandes avenidas, pela rota de fuga facilitada. No Interior, segundo o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Sergio Roberto de Abreu, os postos de combustíveis mais visados ficam na área urbana:

– Na maioria das ocasiões, o assalto ocorre nas lojas de conveniência.


Ações são atribuídas a pequenos grupos

Tanto a Polícia Civil como a Brigada Militar atribuem os assaltos a pequenos grupos, interessados em realizar ações rápidas, e que usam o dinheiro dos roubos para comprar drogas. Segundo o delegado regional da Polícia Civil de Porto Alegre, Cleber Ferreira, a ação muitas vezes é semelhante: os assaltantes chegam em carros ou motocicletas e ameaçam os frentistas a entregar dinheiro. Quando o alvo é a loja de conveniência, os bandidos descem das motocicletas de capacetes, para que as câmeras de segurança não os identifiquem.

– São roubos rápidos, em que se leva pouco dinheiro e normalmente não envolvem agressão. O caso de Passo Fundo foi diferente – comenta o comandante-geral da BM, coronel Sergio Roberto de Abreu,

Diante da onda de assaltos, a Brigada Militar pretende contar com os comandos regionais para criar novos roteiros de patrulhamento noturno. Também devem ser feitas reuniões com os proprietários de postos com objetivo de passar orientações de segurança.


Indignação com a falta de segurança

O dono do posto de combustíveis onde o frentista foi morto ontem teme revelar sua identidade, mas não esconde a sua preocupação com a falta de segurança.

Aos 35 anos, ele enfrentou o sexto assalto ao estabelecimento, localizado às margens da ERS-324, nos últimos quatro anos.

– A sensação de insegurança está cada vez pior. Meus funcionários não podem pagar com a vida – desabafa.

José Pedro Oraides Borges foi o segundo funcionário morto no posto de combustíveis. O primeiro caso foi na madrugada de 9 de setembro de 2010.

Na tentativa de barrar os ataques no local, o proprietário planeja fechar as portas no turno da noite:

– Vamos gerar desemprego por causa da violência.


SUA SEGURANÇA | HUMBERTO TREZZI

O drive-thru do crime


A maré de assaltos a postos de combustíveis, apesar de crescente, não tem nada de organizada. É feita por ladrões inexperientes, na maioria das vezes uma dupla tripulando moto. A justificar o apelido de drive-thru, muitos sequer chegam a desembarcar do veículo: apontam a arma para o frentista e exigem o dinheiro que ele carrega nos bolsos, via de regra alguns trocados obtidos dos fregueses.

Nos casos mais sofisticados, os assaltantes entram na loja e pegam o dinheiro do caixa, nunca mais do que algumas centenas de reais. É um delito desorganizado, improvisado. Jovens iniciantes no submundo, desejosos de fazer caixa para uma festa na noite ou então necessitados de pagar a dose de droga comprada fiado de um patrão do tráfico. Simples assim. Existem centenas de grupos que se dedicam a esse tipo de delito no Rio Grande do Sul – fazendo o mesmo em farmácias, motéis, tudo que possa render dinheiro fácil e rápido.

Mais rasteiro do que isso, na escala de valores da criminalidade, só ladrão que assalta pedestre ou ônibus urbano, atrás de centavos. A onda de ataques a revendas de combustíveis obedece a uma escala oposta à dos assaltos a joalherias. Esses, sim, com receptador certo e alto giro da mercadoria.


Postar um comentário