SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

sexta-feira, 29 de março de 2013

30 MINUTOS DE TERROR


ZERO HORA 29 de março de 2013 | N° 17386

CAMPESTRE DA SERRA - Bandidos rendem PMs, atacam três agências bancárias e subjugam os 3 mil habitantes do município de Campestre da Serra


Como em filme de faroeste, uma quadrilha fez um arrastão em todos os estabelecimentos bancários de Campestre da Serra e instalou o pavor no município de 3 mil habitantes. Em meia hora, o bando feriu e dominou os três únicos PMs da cidade e roubou dinheiro do Banco do Brasil, Banrisul e Sicredi. O assalto com ingredientes nunca antes visto na Serra interrompeu o almoço e apavorou moradores.

À mesa de casa, um estudante de 25 anos escutou um estrondo. O rapaz correu à janela e se impressionou com a cena. De dentro de um SpaceFox, cinco assaltantes tiroteavam contra três PMs em uma viatura.

– Saí no pátio e vi o tiroteio. Voltei e me joguei no chão. Nunca tinha visto nada igual. Fiquei com medo – conta o aposentado Reinaldo Bazi, 72 anos, complementando o relato do jovem.

Armados com espingarda calibre 12, pistola e revólver, os criminosos forçaram a rendição dos PMs, que estavam em menor número e com apenas pistolas. Um deles, o sargento Jésse Jones Pinto Rodrigues foi ferido de raspão no pescoço. O estudante viu os ladrões saírem do carro, abrirem as portas da viatura e puxarem os brigadianos para fora. Os PMs foram obrigados a deitar no chão, enquanto o bando os desarmava e recolhia o colete à prova de balas de um deles. Os soldados André Luís Baldi e Guilherme Tramontin Silveira escaparam dos tiros, mas sofreram lesões na cabeça ao serem agredidos a coronhadas.

“Eles pareciam os donos da cidade”

O grupo colocou Baldi e Silveira dentro do SpaceFox e partiu, deixando o sargento. Iniciava ali o arrastão. Primeiro, a quadrilha rumou com os PMs reféns para ao Banco do Brasil, passando pela frente do Banrisul, que logo a seguir também seria assaltado. Chegaram no Banco do Brasil, que fica em frente à praça central, causando pânico entre moradores. Vizinho da agência, o aposentado Teodolindo Panassol, 70 anos percebeu a movimentação e espiou pela janela basculante de casa.

– Eles estavam todos encapuzados. Fizeram os dois PMs saírem do carro, que tinha furos de bala no para-brisa. Como a porta do banco não abriu a tiro, deram marretadas. Em uns cinco minutos, saíram com mochila e um deles disse: “vamos embora que aqui rendeu pouco”.

O bando entrou no SpaceFox e foi para o Banrisul. Abriram a porta do banco a marretadas e fizeram o segurança e dois funcionários se deitar no chão. Aguardaram alguns instantes até o cofre eletrônico se abrir, recolhem dinheiro a saem. Os assaltantes voltaram ao Centro, onde deixaram o PM Guilherme, e partiram para o terceiro banco atacado. Trafegaram lentamente, com as portas do veículo abertas.

– Pareciam os donos da cidade – comentou um morador.

A porta de vidro do Sicredi também foi estilhaçada. Com mais dinheiro recolhido, a quadrilha fugiu no SpaceFox, que depois teria sido substituído por um Gol branco.

A sequência de assaltos mobilizou dezenas de policiais militares, civis e rodoviários, peritos do Instituto-geral de Perícias e dois helicópteros da Brigada Militar e da Polícia Civil.

De ambulância, os três policiais militares foram levados para o Hospital Nossa Senhora Aparecida, em Vacaria. Receberam atendimento e puderam ir para casa. Na saída, o sargento Jésse se limitou a dizer:

– Agora está tudo tranquilo, graças a Deus.

CLEVER MOREIRA | CAMPESTRE DA SERRA


Assaltantes seriam da região da Serra

A principal suspeita da Polícia Civil é de que os assaltantes que aterrorizaram Campestre da Serra sejam remanescentes do bando parcialmente desarticulado no início do mês em uma operação realizada em Caxias do Sul.

Para agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) que apuram o caso, o quinteto seria o mesmo que assaltou agência do Sicredi no dia 15 deste mês em Protásio Alves, na Serra.

Apesar da ousadia de fazer PMs reféns, o grupo que se embrenhou na mata durante a fuga não portava fuzis, tampouco submetralhadoras. Segundo o diretor do Deic, delegado Guilherme Wondracek, o bando seria formado por assaltantes da região. Para ele, o fato de terem rendido os policiais foi circunstancial, ou seja, não estaria no plano inicial dos criminosos.

– Eles portavam armas comuns, como uma calibre 12 e pistolas calibre .40 e 380. Não parecem ter ligação com bandos mais organizados. Depararam com os PMs e os fizeram reféns – acredita o delegado.

Mesmo com a suspeita de que se trata de uma quadrilha local, a investigação ficará a cargo da Delegacia de Roubos do Deic. Durante todo o dia de ontem, agentes da delegacia especializada e o próprio Wondracek fizeram buscas e coletaram informações na região. O helicóptero da instituição também foi usado, mas os suspeitos não foram localizados.

– É uma região de mata fechada, o que dificulta trabalho – pondera Wondracek.

Uma equipe de agentes da especializada deve permanecer na área em busca de pistas que levem à identificação dos bandidos. Eles devem receber apoio de policiais da Delegacia de Furtos, Roubos, Capturas e Entorpecentes (Defrec) de Caxias do Sul, que investigaram e prenderam, no dia 7, três integrantes de um bando que se preparava para assaltar uma agência em Lajeado, no Vale do Taquari. Todos fariam parte de uma mesma organização criminosa.

Bando era formado por ex-militares

Questionado sobre a possibilidade de uma nova onda de ataques com cidades sitiadas, como a que amedrontou o interior gaúcho em 2008, o diretor do Deic disse:

– É um grupo local, sem treinamento especial.

Na época, municípios da Serra e Região Carbonífera foram alvo de uma série de assaltos praticados por PMs e ex-militares, que, além do treinamento especializado, portavam fuzis e transformavam clientes e seguranças dos bancos em escudos humanos em fugas. Desde o ano passado, se intensificaram ações com uso de explosivos, aterrorizando comunidades.







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