SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

terça-feira, 26 de março de 2013

ARROMBADOR PEDE DESCULPA POR ROUBO

ZERO HORA 26 de março de 2013 | N° 17383

SURPRESA APÓS FURTO

Ladrão arrependido, mas nem tanto assim

Arrombador pede desculpa em bilhete, porém não devolve TV e dinheiro

TAÍS SEIBT

A professora de Porto Alegre ainda não tinha assimilado o furto do aparelho de TV de 37 polegadas, comprada em 12 prestações, quando o ladrão a surpreendeu novamente. Na segunda vez, no entanto, o ato do bandido veio em forma de penitência.

“Discupa dona Maria que DEUS li abençoe foi pelós meus filhos que tive que robá sei que não é serto mais só DEUS para mijuga que DEUS ilumine seu caminho e que tide em dobro Amém.”

O bilhete, redigido à mão e com vários erros de ortografia, foi encontrado pela síndica em frente ao condomínio no bairro Cristal, na Zona Sul, quatro dias depois do arrombamento, registrado no dia 15 de março.

– No dia seguinte ao assalto, procuramos os documentos pelas calçadas ao redor e não achamos nada. De repente, eu encontro tudo enroladinho num saco plástico, com um bilhete – conta a síndica.

De acordo com a professora, que pediu para não ser identificada, os documentos voltaram rabiscados, provavelmente por uma criança. Esse fato, além da menção ao sustento dos filhos no bilhete, fez a professora parar para uma reflexão:

– Sempre trabalhei em escolas na periferia, ensinando aqueles guris. O que a gente faz quando essas coisas acontecem?

Caligrafia pode levar à identificação do bandido

Ela fez o que tinha de ser feito. Bloqueou todos os cartões levados e registrou ocorrência na 6ª Delegacia da Polícia Civil de Porto Alegre, relatando furto da TV, dos documentos e de R$ 120. Como o ladrão levou as chaves da casa e do condomínio, no mesmo dia, os miolos das fechaduras foram trocados.

Conforme a síndica, os criminosos tiveram acesso ao local depois de entortar barras de ferro da cerca, de forma a permitir a passagem. Na casa, a suspeita é de que tenham entrado pela basculante do lavabo. O condomínio não dispõe de câmeras de vigilância.

Ainda sem ter tomado conhecimento do teor do bilhete, a delegada Áurea Regina Hoeppel, titular da 6ª DP, adianta que o papel manuscrito pode ser importante para a identificação do autor do furto.

– É uma situação realmente inusitada e tem que ser analisada com muita cautela, pois há uma série de coisas a serem avaliadas. Primeiro, esse bilhete precisa ser apreendido e temos que ver se a vítima reconhece a caligrafia – diz a delegada.

A vítima do furto informou a Zero Hora que irá entregar o bilhete à Polícia Civil.


ENTREVISTA - “A gente se sente inútil”

Vítima do furto - Professora



Depois de receber o bilhete do assaltante, a vítima conversou com ZH, por telefone, sobre a ocorrência. Confira os principais trechos:

ZH – Como foi o furto?

Vítima – Eu estava em casa. Eram 5h, estava chovendo. Minha casa tem três pisos e o banheiro fica no terceiro. Acordei, fui para o banheiro e liguei o chuveiro. Acho que eles se assustaram com o barulho e correram.

ZH – O que foi levado?

Vítima – Pegaram a televisão. A bolsa estava na sala. Tinha dinheiro na carteira que eu ia levar para minha filha pagar uma conta. Eles reviraram tudo, pegaram os cartões do banco, todos os meus documentos, um relógio, uns brincos. Só não pegaram mais coisas porque se assustaram. Porta afora tinha uns trocos que eles deixaram cair.

ZH – Como avalia o teor do bilhete do ladrão?

Vítima – Paro para pensar nos dois lados. Eu trabalho para ter minhas coisas, comprei minha TV em 12 prestações e vem alguém, entra na minha casa e pega. E daí eu penso na situação de uma pessoa assim. A gente se sente inútil.
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