SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

sexta-feira, 15 de março de 2013

BRUNO PERDEU LAUANE PARA O CRIME


ZERO HORA 15 de março de 2013 | N° 17372

MORTE DE UNIVERSITÁRIA

Bruno perdeu Lauane para o crime. Namorado da estudante de Odontologia assassinada durante assalto em Porto Alegre relata momentos dramáticos do ataque


BRUNA SCIREA

O zelo de Bruno pela segurança de Lauane era uma das características do namoro mais admiradas pela família da jovem. Não importava onde fosse. Como um guarda-costas, ele fazia questão de levar e buscar a amada sempre que podia. Acreditava que, ao seu lado, a estudante universitária estaria protegida.

Por isso, desde a noite de segunda-feira, a sensação de impotência ocupa o segundo lugar na ordem dos sentimentos. Em primeiro, vem a dor da perda. Lauane Custódio Lucas, 22 anos, foi assassinada quando chegava em casa acompanhada de Bruno Crixel Zimpel, 27 anos. O casal, junto havia quase dois anos e meio, foi abordado por assaltantes que exigiam a chave do Mégane, estacionado pouco antes na Rua São Luís, no bairro Partenon.

Antes mesmo que a ordem fosse atendida, uma bala atravessou o ombro de Bruno e atingiu a namorada no pescoço. Lauane morreu na porta de entrada do prédio em que vivia com os pais – Alexandre e Eloá Lucas – e o irmão, Yago. A mãe chegou quando a área já estava tomada por viaturas. Bastou reconhecer a bermuda e o tênis que a jovem caída no chão vestia para entender o que havia acontecido.

– Aquele dia foi o nosso primeiro juntos na academia. Ela queria emagrecer para a formatura que seria no final do ano. Foi quando tudo aconteceu – lamenta Bruno.

Família e colegas de Lauane fazem protesto hoje na UFRGS

Lauane se formaria em Odontologia pela UFRGS em dezembro. Familiares e colegas de turma se reúnem, ao meio-dia de hoje, em um protesto contra a violência em frente à faculdade.

– A minha filha, a gente não vai ter de volta. Só nos resta ter a justiça – resume Eloá.

O caso é tratado como prioridade pela 11ª Delegacia da Polícia Civil, afirma o delegado responsável, Omar Sena Abud. Sabe-se que os criminosos fugiram em um táxi e pagaram a corrida ao desembarcar na esquina das ruas Caldre Fião e Paulino Azurenha. Outra pista é uma pistola deixada no pátio de uma casa na Rua Marques de Abrantes. O calibre é o mesmo do projetil usado no crime. Ainda não há suspeitos.


ENTREVISTA - “O assaltante estava transtornado”

Bruno Crixel Zimpel Namorado da universitária assassinada



Na tarde de ontem, bastante emocionado, Bruno Crixel Zimpel, 27 anos, recebeu ZH na casa da avó de Lauane. Acompanhado dos pais e do irmão da namorada, Bruno contou como foi o assalto que terminou na morte da jovem:

ZH – Como tudo aconteceu?

Bruno – A gente chegou à Rua São Luís pouco depois das 21h. A Lauane saiu antes do carro porque seria difícil descer no local onde eu estacionaria. Ela já tirava a chave e se preparava para abrir o portão do prédio. Quando fechei a porta do carro, senti uma certa maldade nas pessoas que se aproximavam. Eles iam pelo mesmo lado da calçada, quando um deles puxou a arma e disse: “Eu quero a chave, eu quero o carro”. O assaltante não parecia estar normal. Parecia drogado, pois estava transtornado.

ZH – Vocês reagiram?

Bruno – Eu não tentei correr, não chutei, não empurrei, não fiz nenhum movimento brusco. Segui aquilo que a gente sabe que deve ser feito: nada. Apenas me desloquei em direção ao portão para jogar a chave para ele. E aí veio um estrondo muito forte. Não senti nada, mas vi que a Lauane caiu. Achei que ela tivesse desmaiado de susto, porque corri para cima dela e comecei a apalpá-la. Ela já respirava com dificuldade, e o sangue começou a escorrer pelo meu braço. Foi aí que percebi que eu tinha tomado um tiro. Mas não tinha nenhuma marca nela. Então comecei a gritar por socorro.

ZH – O atendimento foi rápido?

Bruno – Em questão de segundos chegou alguém. Avisei que os pais da Lauane moravam naquele prédio e pedi para chamá-los. Meu braço começou a doer e eu continuava implorando para que cuidassem da Lauane. Primeiramente chegou a Brigada Militar, depois chegou o Samu, que foi direto atendê-la. Passei a ser atendido quando a segunda ambulância chegou. Perguntei por que não levavam a Lauane para o hospital, se ela não estava respondendo. E aí um dos homens me disse que não poderia tirá-la daqui. Se tirasse, ela morreria. E aí me levaram para o hospital.

ZH – Quando você ficou sabendo que ela havia morrido?

Bruno – Somente quando estava dentro do hospital. Eu perdi a noção do tempo, pois me deram morfina e outros medicamentos. Mas eu sempre estava perguntando pela Lauane. Até que uma hora uma tia teve acesso ao local onde eu estava. Então eu pude perguntar como ela estava. Minha tia não respondeu nada. Foi assim que eu fiquei sabendo.

ZH – Você lembra da fisionomia de algum dos bandidos?

Bruno – Eu foquei em um rapaz. Como ele tinha a arma na altura do peito, acabou ficando gravada na minha memória a camisa que ele vestia. Era uma do Milan (clube de futebol italiano), dourada. Ele também vestia um boné de aba larga, por isso era difícil de ver o rosto. Eu sei que outras pessoas estavam com ele, mas não sei quantas, nem como eram. Depois do estrondo, eu não vi mais nada, nem mesmo para que lado correram.

ZH – Algum pertence foi levado?

Bruno – Aparentemente nada. Ele não levou minha carteira, nem a chave do carro. Até agora não encontrei meu celular, que é um aparelho velhíssimo, mas acredito que não tenha sido roubado. Acho que caiu pelo chão. O carro estava todo aberto.

ZH – Como você encarava a questão da segurança?

Bruno – Sempre fui muito preocupado. Eu vivia levando e buscando e trazendo a Lauane dos lugares e sempre pedia que tivesse cuidado ao pegar ônibus. Na minha ingenuidade, acreditava que ela estaria mais segura comigo. Ainda mais sendo mulher e bonita como era. Só que não pude fazer nada. E isso é o mais revoltante, porque a gente se sente impotente. O sentimento de insegurança só cresce. A vida está banalizada. O cara atirou para matar, sem pensar se ela merecia ou não morrer. Indignação. É o que resume.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - E todos nós lastimamos a perda e o sofrimento dos familiares e amigos de Lauane, assim como nos sensibilizamos quando lemos, ouvimos e assistimos casos semelhantes de perda para o crime, cada vez mais livre, ousado e cruel, mas fazemos pouco para mudar esta calamidade social. Somos medrosos para reclamar de uma justiça morosa, alternativa e inoperante que liberta a bandidagem, age descompromissada com as ordem pública, se mantém conivente com as negligencias do poder político e produz uma justiça criminal assistemática, corporativa e discriminatória. E continuamos a eleger políticos "bondosos", "tolerantes" e "alternativos"; defensores de corruptos e bandidos; apoiadores do consumo de drogas; "padrinhos" da inoperância judicial e do caos prisional; negligentes nas questões de justiça e ordem pública; e muito ativos nos reajustes salariais em cascata; na farta distribuição de emendas parlamentares; nos gastos particulares visando a reeleição; no compadrio para aumentar impostos e na elaboração de de  leis comemorativas e de leis benevolentes que soltam bandidos que matam e apadrinham crimes de menor potencial ofensivo. Até quando o BRASIL vai tolerar isto? 2014 está aí. Ou se muda a postura ou a bandidagem vai tomar conta e mais famílias vão chorar um ente amado ou um bem perdido para o crime.
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