SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

sábado, 30 de março de 2013

CRIME BINACIONAL

ZERO HORA 30 de março de 2013 | N° 17387

SUA SEGURANÇA | HUMBERTO TREZZI


Até para os padrões da fronteira gaúcha, traçada a tiros nas guerras com os castelhanos, a chacina de taxistas ocorrida em Santana do Livramento é uma overdose de violência. E a hipótese de um psicopata com raiva de táxis ter cometido o crime é cada vez mais implausível. Pouco provável também é que assaltantes comuns tenham decidido, subitamente, matar as três vítimas. O fato de os assassinos terem levado objetos dos mortos pode ser, mais que premeditação, oportunismo dos matadores. O mais provável é um acerto de contas. De que gênero, ainda é difícil dizer.

Uma das hipóteses é que estivessem, os três taxistas ou algum deles, devendo a alguém. Dívida faz parte da rotina numa cidade cujo submundo reúne agiotagem, tráfico, descaminho, abigeato, tráfico de mulheres e lavagem praticada por doleiros. Um primeiro passo é checar se algum dos motoristas estava envolvido nesse meio.

Os táxis são responsáveis por conduzir parte dos muambeiros que fazem de Santana do Livramento uma pujante cidade fronteiriça. Nem sempre é gente inofensiva. É provável que, nesse leva e traz de mercadorias (nem sempre legais), a polícia encontre pistas sobre as causas das mortes.

Precedentes de violência praticada pelo crime organizado na fronteira não faltam. Em 18 de julho de 2005, os policiais civis Ronaldo Almeida da Silva e Jesus Leonel da Silva Ilha foram atraídos a um depósito de bebidas, baleados e enterrados quando ainda agonizavam. Os dois policiais assassinados tinham sido presos no ano anterior por contrabando de uísque e estariam envolvidos na extorsão de um dono de freeshop em Rivera. Esse empresário, conforme as investigações, contratou um grupo de matadores liderado por um policial civil paulista, Ricardo Guimarães, o Matador, que acabou condenado pelos crimes e foi preso anos depois. Como se vê, nem o fato de serem colegas impediu o assassinato. É por esses antecedentes na cidade que uma exaustiva investigação se impõe.
Postar um comentário