SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

domingo, 31 de março de 2013

EM DOIS ANOS, 15 ASSALTOS

ZERO HORA 30/03/2013 | 18h44

Taxista assassinado havia sido assaltado 15 vezes em dois anos, diz irmão.Os outros dois motoristas mortos neste sábado tinham histórias diferentes com a violência.


Eduardo Haas, em foto de arquivo com a mulher, Juliana: ela pedia para o marido largar a profissão
Foto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal


Paulo Germano


Um dos três taxistas assassinados na madrugada de sábado em Porto Alegre, Eduardo Ferreira Haas, 31 anos, havia sido assaltado 15 vezes em dois anos de profissão. É o que conta o irmão, Osório Haas, que, assim como a mãe, a mulher e a sogra, insistia diariamente para Eduardo arrumar outro emprego.

— Há uns quatro meses, ele apareceu lá em casa só de cueca. Tinham roubado tudo. E eu fui levar uma calça para ele poder descer do carro — relembra Osório, 30 anos, aguardando a liberação do corpo em frente ao Departamento Médico Legal.

Pai de uma menina de 13 anos, Eduardo vivia em Alvorada e fora frentista antes de trabalhar no táxi — dirigia das 18h às 6h, com folga somente aos domingos. Desesperada com a frequência dos assaltos, a mulher dele, Juliana, já havia tomado uma medida extrema para persuadir o marido.

— Estavam separados. A Juliana, minha filha, dizia para ele: "Larga essa vida perigosa que eu volto a morar contigo". Todo mundo queria que ele largasse — relata a sogra de Eduardo, Ana da Silva de Ávila.

Edson gostava de ouvir passageiros


Edson Borges Foto: Reprodução

Ao contrário de Eduardo Ferreira Haas, que era assaltado com assustadora regularidade, o taxista Edson Roberto Loureiro Borges, 49 anos, foi morto em seu primeiro contato com bandidos. Ex-motorista do Estado, Edson trabalhou como escriturário e, há pouco mais de um ano, desempregado, aceitou o convite para dirigir um táxi com o cunhado.

— Eu o trouxe para esta vida e agora estou arrasado. Ele gostava da profissão, gostava de ouvir os passageiros. Nunca tinha convivido com o perigo — afirma Sílvio Azeredo, também taxista, irmão da mulher de Edson.

Pai de duas meninas, ele cumpria o horário entre as 17h e as 6h e morava com a mulher na zona leste de Porto Alegre.

Cláudio trabalhava pelos netos

Aposentado, prestes a completar 60 anos, Cláudio Gomes aceitou o emprego de taxista para ajudar os filhos — uma das garotas faz faculdade — no sustento dos netos. Morador de Alvorada, trabalhava somente às sextas, aos sábados e aos domingos, sempre das 19h às 7h.

— Quando se perde um ente querido por morte natural, a gente até se conforma. Mas em uma estupidez como essa... Estou muito revoltado — protesta o primo de Cláudio, Pedro Paulo de Souza, lembrando que o taxista já havia sido assaltado "mais de uma vez".

Foto: Andréa Graiz


VÍDEO: veja como foram os protestos na madrugada

Postar um comentário