SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

terça-feira, 23 de abril de 2013

CIDADE DOMINADA


ZERO HORA 23 de abril de 2013 | N° 17411


Bandidos prendem PMs e atacam bancos. Na fuga de Pedras Altas, na Campanha, usaram uma caminhonete da BM

JÚLIA OTERO

Cenas de filme policial se materializaram em Pedras Altas, no sul do Estado, durante a manhã de ontem. Com roteiro criado especialmente para o município de 2,5 mil habitantes, no coração da Campanha, quatro criminosos renderam pelo menos seis pessoas – entre elas um policial – com fuzil e armas longas para assaltar os dois únicos bancos locais, aproveitando-se das fragilidades da Brigada Militar e da Polícia Civil na região.

Duas mulheres ficaram feridas e as marcas de tiros passam de 30. Eram 9h quando os bandidos chegaram em um Fox preto. Renderam o único policial, levando também duas espingardas e uma pistola e viatura da guarnição, uma Nissan.

Com os dois carros, os bandidos andaram uma quadra e pararam em frente ao banco Sicredi. Lá, renderam o guarda e uma funcionária que os informaram que o cofre só poderia ser aberto às 9h.

– Eles gritaram: “Então vamos para o outro” – conta o delegado Gilnei Rosa Albuquerque.

O outro era o Banrisul, distante uma quadra, na Avenida Visconde do Mauá. Em frente ao local, os criminosos saíram dos carros e deixaram os reféns nos veículos.

– A gente escutava tiro e as pessoas diziam que Banrisul o estava sendo assaltado. Eu vinha saindo de casa e vi a viatura, pensei que a polícia já tivesse dominado a situação e fui me aproximando. Mas ao chegar lá, um homem com fuzil mandou eu entrar no carro – conta um aposentado de 70 anos.

Do lado de dentro da agência, pânico. A cliente do banco e vendedora Fernanda Costa, 28 anos, ao escutar os disparos se escondeu no banheiro junto ao funcionário Pierre Costa Morais, 52 anos – atingido com um tiro de raspão na panturrilha:

– Eles me colocaram no carro. Junto comigo fizeram o guarda do Banrisul embarcar.

Na prefeitura, que fica ao lado do banco, estava o diretor de TI do município, Rogério Pazin, que acompanhou a movimentação pela janela e pelas câmeras de segurança que estavam filmando a rua.

– Parecia cinema. Eles desceram cheios de armas, com as caras encobertas e alguns usando terno e gravata – lembra Pazin.

Os bandidos atiraram contra a entrada principal do Sicredi, que dava para uma porta giratória. A polícia acredita que nesse momento duas funcionárias foram atingidas, uma no ombro e outra no cotovelo. Elas foram encaminhadas para o Hospital de Pronto Socorro de Pelotas.

Usaram uma porta lateral e puseram os reféns como barreira humana na rua. Depois de levarem o dinheiro, liberaram os reféns, com exceção do policial militar, do guarda e de uma funcionária do Sicredi. Na viatura, os criminosos seguiram em direção a Herval – os reféns foram liberados pelo caminho, 15 quilômetros adiante, sem ferimentos. Uma das hipóteses, segundo a Polícia Civil, é de que os bandidos tenham intenção de ir para a Fronteira.

As vias de saída foram bloqueadas e cerca de cem homens rastreiam os bandidos. Um helicóptero da Brigada Militar foi utilizado. A viatura foi encontrada no interior de Herval, abandonada.

Quadrilha identificou fragilidades

ANDRÉ MAGS

A quadrilha sabia que somente um PM cuidava de toda a cidade, que não havia delegacia de polícia, que o município tinha duas agências bancárias e que era fraco o sinal de celular em regiões mais afastadas.

A quadrilha havia fugido para uma área nos arredores do município de Herval, no sul do Estado, recheada de assentamentos e com comunicação precária.

No meio da tarde, o delegado de Pinheiro Machado – cidade distante quase 50 quilômetros de Pedras Altas –, Gilnei Albuquerque, tentava falar com os policiais envolvidos na caçada e com os integrantes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Não conseguia.

– Estou há duas horas sem contato – disse.

As informações que a polícia tinha eram básicas. A rota de fuga dos quadrilheiros seguia de Pedras Altas a Herval e poderia desembocar no Uruguai. Há dois anos e meio na Delegacia da Polícia Civil de Pinheiro Machado, Albuquerque afirmou que há como chegar a Jaguarão e Arroio Grande por meio de vias isoladas. Ele aguardava o contato do grupo do Deic que, naquele momento, ainda demoraria uma hora para chegar. Na viatura do Deic em deslocamento desde a Capital, o titular da Delegacia de Roubos, Joel Wagner, ainda não sabia que Albuquerque estava no local.

– A quadrilha tem uma superioridade tanto em armamento quanto em número, em comparação com o efetivo – afirmou Wagner.

O subcomandante-geral da BM, Silanus Mello, também foi para a região para acompanhar a caçada aos quadrilheiros.


TERROR NA FRONTEIRA

1. Quatro homens chegam em Pedras Altas pouco antes das 9h em um Fox preto, com placas de Joinville (SC), e param no posto da Brigada Militar.

2. Eles rendem um policial militar e levam duas carabinas e uma pistola .40, além da viatura da BM, uma Nissan.

3. Percorrem uma quadra e param em frente ao banco Sicredi, onde levam como refém um guarda e uma funcionária. 

4.Andam uma quadra e param no Banrisul, onde rendem funcionários e retiram dinheiro. Outras três pessoas são feitas reféns naquele momento.

5. Voltam para o Sicredi. Retiram os reféns dos veículos, colocam fogo no Fox e fazem uma barreira humana com os vítimas.

6. Roubam o Sicredi, libertam todos os reféns, com exceção do guarda do Sicredi, uma funcionária e o policial militar. Fogem em direção a Herval, com a viatura e depois de 15 quilômetros libertam os reféns.
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