SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

sábado, 20 de abril de 2013

CRIME ATERRORIZA UMA PREFEITA

ZERO HORA 13 de abril de 2013 | N° 17401

REFÉM DO MEDO. Dupla arromba a sede da prefeitura de Mato Leitão, invade a residência de Carmen Goerck (PP) e foge levando a chefe do Executivo


A prefeita de Mato Leitão, Carmen Goerck (PP), 55 anos, passou cerca de 90 minutos nas mãos de dois assaltantes na madrugada de ontem. Embora já tenha sido vítima de outros assaltos, foi a primeira vez que a professora e farmacêutica foi sequestrada. – Foi horrível, mas fiz o possível para manter a calma e tentar me manter viva, porque bens materiais a gente recupera – disse Carmen, num misto de alívio e susto.

Um dos focos dos bandidos era a prefeitura. A sede municipal chegou a ser arrombada, mas, conforme o comandante local da Brigada Militar, Antônio Pereira da Silveira, os criminosos não encontraram dinheiro. Decidiram, então, invadir a residência da prefeita.

Conforme acontece no dia 12 de todo mês, ontem seria o pagamento de fornecedores municipais. A informação parecia ser de conhecimento dos bandidos. Carmen, porém, explicou à dupla que a administração da cidade emancipada há 21 anos, de 3,8 mil habitantes, jamais trabalhou com dinheiro vivo e efetua os pagamentos via banco.

Sozinha na residência, já que os três filhos não moram em casa e o marido estava viajando, a prefeita foi acordada pelos criminosos. Após ter a casa e a farmácia da família vasculhadas, foi levada como refém.

– Eu moro em Porto Alegre há 14 anos e nunca fui assaltada. Em menos de seis meses, a casa da minha mãe foi assaltada duas vezes. Alguma coisa está errada – pondera a primogênita da prefeita, Graziela Goerck, farmacêutica de 32 anos.

A violência também assusta os moradores do município.

– A gente nunca sabe quando pode ser a nossa vez. Convivemos com uma sensação de insegurança – resume Juliane Ficher, 30 anos, funcionária de uma padaria.

A prefeita afirma que já vinha tratando de medidas para aumentar a segurança e que o fato de ela própria ter sido atacada deve ser usado para reforçar o pedido de maior efetivo policial – o município conta com cinco brigadianos e não tem delegacia da Polícia Civil própria. Carmen busca também recursos para instalação de câmeras de monitoramento em vias públicas.

VANESSA KANNENBERG | MATO LEITÃO

Horas de horror. Série de crimes cometidos na madrugada de sexta-feira assusta moradores do município de Mato Leitão:

3h - Dupla invade a prefeitura e entra no gabinete da prefeita, mas não encontra nada. Segue para a casa da prefeita, que fica do outro lado da rua.

4h - Arromba a residência da prefeita. Quer que Carmen abra o cofre da prefeitura, mas ela não tem a chave.

4h30min - A dupla busca dinheiro. Como não acha, decide atacar a farmácia dos Goerck, administrada pela filha da prefeita, que fica no térreo da casa.

5h - Os assaltantes fogem levando o carro da prefeitura com Carmen como refém. Eles seguem no sentido Lajeado-Venâncio Aires (RSC-453).

5h5min -  Cerca de três quilômetros adiante, o motorista perde o controle do veículo, que sai para fora da pista. Eles se escondem no mato, mas voltam para a rodovia, onde são resgatados por outro veículo.

5h40min - Sozinha, Carmen sai do veículo e caminha até a casa mais próxima, onde pede ajuda. Os criminosos não foram localizados.


Investigada sequência de assaltos

Os ataques de ontem em Mato Leitão não foram casos isolados no Vale do Rio Pardo. A sequência de roubos, principalmente a residências, na região, realizados de forma semelhante está na mira da Polícia Civil há dois meses.

De acordo com o delegado Paulo César Schirrmann, os casos têm um mesmo padrão: são crimes planejados, com apoio de carros de resgate, uso de veículos da vítima, residências de médio padrão como alvo e o costume de fazer reféns, mas sem provocar lesão.

– É um investigação muito complexa e ainda estamos tentando montar o quebra-cabeça. Mas acredito que em pouco tempo conseguiremos prender suspeitos – afirma Schirrmann, acrescentando que não pode dar detalhes para não atrapalhar a resolução do caso.


ENTREVISTA. “Estamos desprotegidos”

Carmen Goerck - Prefeita



Alternando sorrisos nervosos e lágrimas, a prefeita de Mato Leitão, Carmen Goerck, 55 anos, conta como manteve a frieza quando assaltantes invadiram sua casa. A seguir, uma síntese da entrevista:

Zero Hora – Como a senhora percebeu a presença dos assaltantes?

Carmen Goerck – A minha pincher (raça de cachorro) começou a latir e eu levantei, pensando que pudesse ser o meu marido. Abri a porta do quarto, não deu nem tempo de ligar a luz e já dei de cara com os dois homens na sala. Eles estavam encapuzados e armados, acho que com revólver.

ZH – O que eles queriam?

Carmen – Queriam ir na prefeitura. Acredito que não conseguiram achar o que queriam lá e vieram na minha casa, porque deviam saber que eu morava aqui. Quando chegaram, só falavam em cofre, cofre e cofre. Mandaram eu pegar a chave da prefeitura. Eu peguei e disse que não tinha dinheiro.

ZH – O que eles fizeram?

Carmen – Reviraram tudo, até a latinha em cima da mesa que tinha um dinheirinho paro o Terno de Reis. Mas eles não encontraram nada demais. Em determinado momento eles lembraram da farmácia e resolveram ir lá. A minha sorte é que tinha algum dinheiro em caixa.

ZH – A senhora se manteve calma durante todo tempo?

Carmen – Mesmo naquele horror todo, tentei manter a calma. Tentava sempre mentalizar as dicas da polícia. A pior parte foi quando resolveram me levar. Antes, eles me amarraram na cama. Mas como não sabiam como sair da casa, me levaram.

ZH – Eles fugiram muito rápido?

Carmen – Pulamos todos os quebra-molas, sem parar. Até que o motorista se assustou, perdeu o controle e nós voamos para fora da estrada. Depois um outro carro chegou e eles foram embora. Andei no escuro até a casa mais próxima.

ZH – Como a senhora se sente?

Carmen – Vulnerável. Aqui no Interior estamos desprotegidos, sem segurança. Eu, como prefeita, pretendo buscar recursos para colocarmos câmeras de monitoramento nas ruas e fazer uma campanha para que o comércio também invista nisso. Além disso, quero pedir reforço policial. Não podemos ficar reféns desse medo, e vejo que a comunidade está assustada.


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