SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

EXECUÇÃO DE TAXISTAS: VÍTIMAS EM SÉRIE


ZERO HORA 01 de abril de 2013 | N° 17389

TAXISTAS. Vítimas de crimes em série. Em 2 horas, 3 taxistas foram mortos pela mesma arma



Três vezes, na madrugada do sábado, um assassino apanhou um táxi em algum ponto de Porto Alegre e cruzou bairros até pôr fim à corrida com dois tiros na cabeça do motorista.

Nas três ocasiões, separadas por um breve intervalo de tempo, usou uma única arma de calibre 22. Os indícios sugerem que o matador, depois das primeiras execuções, usou os táxis para percorrer a cidade em busca da sua próxima vítima.

Essa brutal sequência de crimes revoltou os taxistas da Capital, que promoveram um grande protesto entre a tarde e a noite de ontem, e mobilizou o aparato de segurança pública do Estado.

– As mortes ocorreram em menos de duas horas. É um fato atípico, de estudo criminológico. Na crônica policial gaúcha, jamais foi visto algo parecido – afirmou o secretário da Segurança Pública, Airton Michels, em uma entrevista coletiva realizada na tarde de ontem no Quartel-General da Brigada Militar.

Michels não se referia apenas às três mortes do sábado. Cerca de 48 horas antes, na madrugada de quinta-feira, outros três taxistas haviam sido mortos, também com tiros na cabeça, no aglomerado urbano formado pelas cidades de Santana do Livramento e Rivera, na fronteira entre Brasil e Uruguai. As espantosas coincidências não terminaram aí. Pelo menos duas das vítimas da quinta-feira – as que morreram em território brasileiro, das quais já há informações sobre a perícia – também foram alvejadas com tiros de calibre 22.

A primeira reação do governador Tarso Genro, ainda no sábado, foi descartar uma relação entre as duas madrugadas de barbárie. Na tarde de ontem, no entanto, o secretário Michels permitiu à população suspeitar de que os dois casos possam estar ligados, ao trazer informações novas sobre o episódio da Fronteira na entrevista convocada para falar das execuções na Capital.

Investigadores buscam imagens

O primeiro sinal do assassino de taxistas veio à tona à 1h50min de sábado, quando o corpo de Edson Roberto Loureiro Borges foi localizado em uma rua da Vila Ipiranga, na Zona Norte. Quarenta minutos depois, Eduardo Ferreira Haas foi achado morto no Passo D’Areia. Nenhum dos dois estava com o carro. O assassino abandonou os veículos a quilômetros de distância – os automóveis só foram localizados pela manhã.

A terceira vítima, Cláudio Gomes, foi a única deixada ao lado de seu táxi. Ele foi o último a ser encontrado, às 3h20min, no bairro Mario Quintana. O fato de que, desta vez, o assassino não levou o carro faz a polícia acreditar que Gomes tenha sido o último a ser morto.

Segundo o delegado Odival Soares, que atua no caso, a polícia acredita que o carro não foi deixado junto à vítima, nos dois primeiros ataques, porque o assassino usou-o para se deslocar até o local da cidade onde escolheria o próximo taxista a morrer. Segundo Soares, a polícia ainda não determinou quem morreu primeiro – se Edson ou Eduardo. As investigações apontam que a escolha dos taxistas foi aleatória.

O chefe de Polícia, delegado Ranolfo Vieira Júnior, afirma que ainda não há suspeitos e que não foi esclarecido se as vítimas se conheciam. As autoridades estão trabalhando para obter imagens de câmeras de segurança nas proximidades dos locais dos assassinatos. Também tentam apurar se os táxis foram chamados por telefone. Duas linhas de investigação estão abertas: homicídio e latrocínio (não foi encontrado dinheiro com nenhuma das vítimas ou nos veículos, e dois dos táxis tiveram o aparelho de som roubado).

– Os indicativos mostram que foram praticados por uma única pessoa. Mas ainda é cedo para se descartar qualquer situação – disse Ranolfo.

Na entrevista da tarde, Michels afirmou que não foi possível determinar na perícia se os crimes de Livramento foram cometidos com uma mesma arma. Ele assegurou, porém, que o revólver utilizado para matar os três taxistas de Porto Alegre não foi usado na Fronteira.


ALINE CUSTÓDIO E ITAMAR MELO


Os motoristas

Eduardo Ferreira Haas - Tinha 32 anos e deixa uma filha de 13 anos. Em dois anos de profissão, fora assaltado 15 vezes. Desesperada com os roubos, a mulher de Eduardo, Juliana, separou-se de Eduardo e disse que só reataria se ele abandonasse o táxi.

O irmão de Eduardo, Osório Haas, desabafa: “Há quatro meses, ele apareceu só de cueca. Tinham roubado tudo. E eu fui levar uma calça para ele sair do carro”.

Edson Roberto Loureiro Borges - Ex-motorista do Estado, Edson trabalhou como escriturário e, há pouco mais de um ano, desempregado, aceitou o convite para dirigir um táxi com o cunhado. Morava com a mulher na zona leste de Porto Alegre. Estava com 49 anos e ainda não havia sido assaltado. A reação de Sílvio Azeredo, também taxista, cunhado de Edson: “ Ele gostava da profissão, gostava de ouvir os passageiros. Nunca tinha convivido com o perigo”.

Cláudio Gomes - Aposentado, prestes a completar 60 anos, aceitou o emprego de taxista para ajudar os filhos no sustento dos netos. Trabalhava às sextas, aos sábados e aos domingos.

O protesto de Pedro Paulo de Souza, primo de Cláudio: “Quando se perde um ente querido por morte natural, a gente até se conforma. Mas em uma estupidez como essa... Estou muito revoltado”.

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