SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

terça-feira, 30 de abril de 2013

GUERRA DO TRÁFICO FERE CRIANÇA DE SETE ANOS


ZERO HORA 30 de abril de 2013 | N° 17418

INFÂNCIA ATINGIDA

Amanda Ritieli da Rosa Duarte dormia no quarto de casa, em Gravataí, quando foi baleada


EDUARDO TORRES

Uma criança de sete anos é mais uma vítima do tráfico de drogas em Gravataí, na Região Metropolitana. A pequena Amanda Ritieli da Rosa Duarte foi atingida por pelo menos um disparo de calibre 12 na região do abdômen, na madrugada de ontem, quando a casa onde vive com as duas irmãs (de quatro e 10 anos) e os pais foi alvo de um ataque.

Para a polícia, o objetivo era atingir o pai da menina, o pedreiro Adriano Terra Duarte, 30 anos, em mais um capítulo na disputa pelo controle do tráfico entre o Parque Itatiaia e o Loteamento Princesas, em Gravataí. Amanda permanecia internada em estado gravíssimo na UTI Pediátrica do HPS, em Porto Alegre.

As marcas da violência persistiam na casa de madeira na Rua Dilson Funaro, no Parque Itatiaia, na manhã de ontem. Havia furos de bala nas roupas das crianças estendidas no varal. As paredes mais pareciam de isopor, despedaçadas e tomadas pelos tiros. Testemunhas afirmam que foram mais de 30 disparos. Amanda foi atingida sobre o beliche onde dormia, no quarto dos fundos com uma das irmãs. Pelo menos três tiros perfuraram duas paredes até chegar à cama das meninas.

– Como eles tiveram coragem de fazer isso? Um anjo dormindo dentro de casa, que nunca teve nada a ver com nenhuma sujeira. Isso é um absurdo, são uns monstros – desabafa a avó de Amanda Ritieli, Iara Rejane Duarte, 49 anos, que estava inconsolável ontem à tarde à espera de notícias da neta.

Dois carros – um Kadett escuro e uma Fiorino branca – teriam chegado à frente da casa por volta da 1h. Pelo menos quatro homens desceram dos veículos armados com espingardas calibre 12 e pistolas .380. Abriram fogo contra a residência onde a família dormia sem dizer uma só palavra.

No quarto da frente, estavam o pedreiro, a mulher e uma filha de quatro anos. Ao ouvir os primeiros tiros, ele conseguiu jogar as duas no chão. Um dos tiros perfurou a parede a menos de 10 centímetros da cama onde dormiam.

Na tentativa de salvar a família, ele teria corrido para a janela da sala e a abriu para que os criminosos soubessem que ele estava ali, e não nos quartos. Foi em vão. Os tiros continuaram a esmo. Até a menina ser ferida no beliche.

O caso é apurado pela 1ª Delegacia da Polícia Civil de Gravataí, que já tem pelo menos três suspeitos. Eles seriam traficantes do Loteamento Princesas, que é vizinho dali.


Violência na disputa pelo comércio de drogas


A suspeita é de que o crime esteja relacionado a uma rivalidade. Segundo os familiares, desde a adolescência de Adriano, ele e os irmãos já teriam traficado quando moravam no Loteamento Princesas. Mas, desde a prisão do caçula, o pedreiro teria abandonado a vida no crime.

– O envolvimento com as drogas destruiu a família dele. A mulher chegou a ir embora para Santa Catarina e não voltaria se ele não mudasse de vida – lembra a mãe.

Há cinco anos, com a promessa de não se envolver mais com o tráfico, o pedreiro voltou a morar com a mulher e as filhas. Dessa vez, no Parque Itatiaia. Mas foi encontrado pelos antigos aliados. Segundo testemunhas, há pelo menos duas semanas criminosos vinham circulando pela vila ostentando armas e ameaçando moradores.

O chefe de investigações da 1ª Delegacia da Polícia Civil de Gravataí, Jair Gonçalves, afirma que Adriano não tem antecedentes criminais, mas não descarta a hipótese do caso estar ligado à disputa pelo domínio das bocas de fumo, que se desenrola na região desde a prisão de um antigo líder do tráfico.
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