SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

terça-feira, 2 de abril de 2013

NO RASTRO DO MATADOR

ZERO HORA 02 de abril de 2013 | N° 17390


TAXISTAS 

JOSÉ LUIS COSTA, colaborou Marcelo Gonzatto

A Polícia Civil está mergulhada numa caçada desde a quinta-feira, quando três taxistas foram mortos na fronteira Brasil-Uruguai. Dois dias depois, foi a vez de três motoristas de táxi em Porto Alegre serem executados, da mesma maneira que seus colegas fronteiriços, com tiros na cabeça. A possibilidade de que um matador em série tenha escolhido o Rio Grande como palco galvaniza esforços de policiais e peritos para conter a matança.

Três dezenas de policiais civis de seis dos principais departamentos de investigações da Polícia Civil gaúcha têm, desde ontem, um desafio: encontrar o homem que matou três taxistas na zona norte de Porto Alegre na madrugada de sábado, semeando pânico entre os 10,6 mil motoristas (permissionários e condutores auxiliares) de táxi na Capital. Outro grupo se deslocou de avião à Fronteira, onde três outros taxistas foram mortos em condições similares aos da Capital – dois em Santana do Livramento e um na vizinha Rivera, no Uruguai.

Apoiado por informações repassadas pela Brigada Militar e por taxistas, o grupo que compõe a força-tarefa da Polícia Civil foi escalado depois de uma reunião no gabinete do chefe de Polícia. O criminoso executou as três vítimas com uma arma calibre 22, desferindo dois tiros em cada uma, todos na cabeça. Além disso, roubou dinheiro e os rádios dos veículos. Só não fugiu com o terceiro táxi por causa de uma pane elétrica.

– As linhas gerais de investigação são duas: crime contra o patrimônio e homicídio, que pode ser por vingança ou psicopatia – afirma o chefe da Polícia Civil, Ranolfo Vieira Junior.

Uma avaliação preliminar indicaria se tratar de um latrocínio (roubo com morte). Mas a desconfiança que cresce entre os investigadores mobilizados no caso é de algo bem mais grave: os assassinatos teriam sido praticados por um matador em série. A frase marcante, entre as declarações do secretário da Segurança Pública, Airton Michels, ontem pela manhã à Rádio Gaúcha, foi:

– Temos um matador a solta pela cidade e enquanto não for preso, colocaremos todas as forças policiais para prendê-lo e dar segurança aos taxistas.

O principal argumento que leva a suspeita de um serial killer: quem sairia para a rua com uma arma calibre 22, com pequeno potencial ofensivo, para roubar alguns reais de taxistas em uma madrugada com a cidade vazia em meio a um feriadão? Um maníaco seria a resposta mais compatível.

Os passos da investigação

A polícia estaria diante de um criminoso com perfil diferente do padrão encontrado nas ruas.

– Em geral, é uma pessoa extremamente inteligente, que saberá se esconder, dificultando muito a investigação. Se sentirá no comando da situação, e só vai aceitar ser identificada ou presa por vaidade pessoal, quando entender que é hora de aparecer e que a população saiba quem ele é – analisa um experiente investigador.

Com as seis mortes e à frente de um crime com repercussão internacional, a polícia estabeleceu os seguintes passos para a investigação dos assassinatos:

Uma das primeiras ações da polícia foi montar o eventual roteiro tanto dos taxistas quanto do criminoso. A primeira vítima foi Edson Roberto Loureiro Borges, 50 anos, executado à 1h, provavelmente fora do carro, na Rua dos Nautas, na Vila Ipiranga. De lá, o matador fugiu com o táxi até a Rua Professor Pedro Santa Helena, no Jardim do Salso, onde o veículo foi deixado. Uma hora e 45 minutos depois, o corpo de Eduardo Ferreira Haas, 31 anos, foi encontrado na Rua São Jerônimo, no Passo da Areia. Do mesmo modo anterior, o assassino fugiu com o táxi, abandonado na Rua Mata Bacelar, bairro Auxiliadora.

Apenas 14 minutos depois, o assassino matou o taxista Cláudio Gomes, 59 anos, alvejado com um tiro na cabeça ainda dentro do carro e outro fora. A vítima tombou ao lado do carro na Rua José da Maia Martins, no bairro Mario Quintana. O táxi ficou ali porque o bandido não conseguiu acionar a ignição.

A possibilidade de ser uma maníaco apavora a categoria, assustada por comentários de que alguém teria ligado para uma central de rádio taxi, avisando que mais motoristas seriam mortos. Em meio a isso, um taxista desapareceu com o carro na tarde de domingo, reaparecendo ontem, possivelmente, por questões particulares.

– Caso se confirme um matador em série, aí a situação é bem mais grave – lamenta Luiz Nozari, 58 anos, presidente do Sindicato dos taxista de Porto Alegre.

Imagens

Ontem, a polícia passou o dia rastreando eventuais locais por onde os táxis tenham passado para tentar localizar câmeras de vigilância com alguma imagem que possa auxiliar nas investigações.

Digitais

A perícia datiloscópica, em busca de impressões digitais e realizada nos três carros no dia do crime, será refeita hoje pelo Departamento de Criminalística. No primeiro momento, não apontou marcas que possam levar a suspeitos.

As armas

As armas usadas para cometer os crimes em Santana do Livramento e Porto Alegre são do mesmo calibre, .22. Não se sabe se eram pistolas ou revólveres, mas a hipótese mais provável é que sejam revólveres, pelo número reduzido de tiros em cada vítima. As perícias já descartaram que tenha sido usada a mesma arma na Capital e na Fronteira: a ranhura dos projéteis encontrados é diferente. Uma só arma teria sido usada em Livramento e outra, em Porto Alegre.

A perícia

As perícias constataram que as seis vítimas (três em Santana do Livramento e três em Porto Alegre) foram mortas da mesma maneira. Com exceção do taxista morto no Uruguai, do qual não se sabe o resultado oficial da perícia, todos os outros morreram com dois tiros na cabeça. Alguns, com tiro de fora para dentro do veículo, outros, com disparo feito de dentro do carro (o atirador seria passageiro). Na Capital, dois taxistas foram mortos fora do carro e um, com pelo menos um tiro dentro do veículo.

Semelhanças

Em cinco casos, tanto em Livramento como em Porto Alegre, os veículos foram abandonados longe das vítimas. Apenas num caso, na Capital, o motorista (Cláudio Gomes) estava próximo ao táxi. Nenhum dos taxistas porto-alegrenses têm antecedentes criminais.

Assassinatos na Fronteira

A hipótese dos policiais para as execuções em Santana do Livramento é que sejam relacionadas ao tráfico de drogas na conturbada região da fronteira. Já em Porto Alegre os policiais trabalham com a tese de um assaltante enlouquecido, talvez um psicopata.



SUA SEGURANÇA | HUMBERTO TREZZI

Coincidências demais


A polícia trabalha com três hipóteses para a série de mortes de taxistas no Estado. Confira:

Latrocínio – Tudo seria uma série de assaltos cometidos por um ou mais criminosos frios, que não se importam de matar as vítimas mesmo depois de roubá-las. Indício disso é que todos eles tiveram algum dinheiro levado pelo criminoso. Em alguns casos, o rádio do carro também. Contra isso está o fato de serem bens de pouco valor.

Homicídio – Alguém estaria matando os motoristas não para roubá-los, mas por vingança. Um acerto de contas por algo pessoal (os próprios taxistas trabalham com a hipótese de que seja recalque de algum delinquente que foi preso ou apanhou de motoristas) ou, então, por encomenda. Nesse último caso se enquadram mortes ordenadas pelo tráfico. Essa é a principal linha com a qual trabalham os policiais da Fronteira. Seis oficiais graduados da Polícia Nacional uruguaia e um delegado brasileiro acreditam que as mortes em Santana do Livramento-Rivera são fruto de uma disputa do tráfico de drogas. A favor dessa tese está o fato de uma vítima ter antecedentes criminais.

Psicopata – A terceira hipótese, que mais atemoriza os policiais, é de estarem frente a um psicopata. Alguém que escolheu matar taxistas, apenas por prazer ou alguma doentia obsessão. O problema na teoria de que as mortes da Fronteira nada tem a ver com as de Porto Alegre é que existem coincidências demais. O calibre da arma é o mesmo, o padrão dos tiros é o mesmo, as vítimas têm a mesma profissão e o assassino, via de regra, abandonou carros longe dos corpos. Será que tanta similaridade é fruto do acaso?
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