SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

O ALERTA DE BOSTON

ZERO HORA 17 de abril de 2013 | N° 17405


EDITORIAIS


Está com as autoridades americanas, infelizmente acostumadas a lidar quase que rotineiramente com atentados contra inocentes, a missão de desvendar a autoria e as motivações das explosões de segunda-feira em Boston. O que for apurado certamente irá contribuir para a compreensão de fatos como este e para que o mundo adote medidas preventivas capazes de pelo menos reduzir os riscos de ações violentas contra grupos indefesos de pessoas. O alerta que vem dos Estados Unidos interessa particularmente ao Brasil, em preparação para uma série de eventos internacionais. Todas as instituições envolvidas na montagem de um complexo sistema de segurança devem pôr à prova a declaração de ontem do ministro das Relações Exteriores, de que estamos preparados para enfrentar ameaças internas e externas.

É oportuna a atitude do senhor Antonio Patriota ao procurar transmitir confiança aos brasileiros e a eventuais participantes dos eventos. O primeiro grande teste acontecerá em junho, na Copa das Confederações. Em julho, o país será sede da Jornada Mundial da Juventude, promovida pela Igreja Católica, que deve trazer o papa Francisco pela primeira vez ao Brasil. No ano que vem, será vez da Copa do Mundo, e em 2016, da Olimpíada. Em nenhum outro período tão curto de tempo, o país acolheu tanta gente, como ocorrerá a partir deste ano. Preparativos intensos, que se iniciam agora, são decisivos para a preservação de vidas e também da imagem do Brasil. É o que as autoridades asseguram que vem sendo feito, com treinamentos aqui e no Exterior e a inspiração em referências de eventos anteriores em outras nações.

Ressalte-se a ênfase dada pelo consultor da Fifa para a Copa do Mundo Andre Pruis à troca de experiências com organismos internacionais que se dedicam ao serviço de inteligência. O esforço para que o sistema montado fique como legado ao país, por formar pessoal e investir em tecnologia, não pode, no entanto, ser ameaçado pela carência de recursos humanos. Devem ser ouvidos e bem avaliados os alertas de entidades de servidores federais, que têm demonstrado preocupação com a possível falta de pessoal para todas as tarefas de segurança. As mesmas entidades advertem para o fato de que a concentração de pessoal de ponta nas demandas dos eventos pode, no caso da Polícia Federal, por exemplo, deixar a descoberto o combate ao contrabando e ao tráfico de drogas.

São receios bem fundamentados, que merecem atenção dos envolvidos com a proteção aos participantes dos eventos. Atentados covardes como o que abalou Boston e o mundo podem ter causas diversas e obviamente merecem o repúdio internacional. Mas as manifestações de indignação são insuficientes para que venham a ser evitados ou tenham seus danos reduzidos, especialmente em congraçamentos ou competições que atraem, como em Boston, povos de todos os continentes. O Brasil deve evitar que a área de segurança repita os transtornos da condução de projetos de engenharia, que têm abalado a reputação do país por conta de defi-ciências de gestão que provocam atrasos nos cronogramas, queda na qualidade das obras, desperdícios e superfaturamento.



O TERROR REVIVIDO. Explosivos tinham pregos e metal

Autoridades de Boston dizem que corpos de vítimas continham objetos pontiagudos que podem ter sido lançados na explosão


Os explosivos usados nos ataques na Maratona de Boston foram provavelmente artefatos artesanais feitos com fragmentos de pregos e de metal, com o objetivo de causar o maior dano possível, de acordo com informações preliminares das autoridades americanas. Um dia depois do ataque que deixou três mortos e mais de 170 feridos, o FBI e a polícia de Boston se negaram a revelar detalhes da investigação em curso e se as explosões estariam relacionadas a extremistas estrangeiros, ou americanos.

Uma equipe de cerca de 30 especialistas com cães farejadores vasculhou a área – a linha de chegada da famosa maratona –, enquanto as autoridades pediam à população que entrasse em contato caso tivesse informação importante.

– Vai levar muitos dias para processar este cenário – comentou Gene Marquez, agente especial encarregado do Escritório de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos em Boston.

As equipes de resgate e os médicos que trataram das vítimas relataram que as bombas parecem ter dispersado fragmentos de pregos e de metal, causando ferimentos, sobretudo na parte inferior do corpo, e provocando grande número de amputações.

– Há uma variedade de objetos pontiagudos que nós encontramos nos corpos. Provavelmente, essas bombas continham múltiplos fragmentos metálicos – disse o chefe do Departamento de Cirurgia do Trauma do Hospital Geral de Massachusetts, George Velmahos.

Mulher de 29 anos é segunda vítima fatal identificada

A rede CNN divulgou que as duas bombas de Boston podem ter sido feitas com “panelas de pressão” e, provavelmente, “timers” teriam sido empregados. Reportagens na imprensa americana, que citam investigadores anônimos, têm se concentrado em artefatos improvisados.

A prefeitura de Boston informou que uma mulher de 29 anos, Krystle Campbell, é a segunda vítima a ser identificada. A terceira vítima seria um estudante da Universidade de Boston que não teve o nome revelado. Na segunda-feira, já havia sido identificado o menino Martin Richard, oito anos. Carolina Feijó, 29 anos, é a única brasileira ferida. Estilhaços atingiram uma de suas pernas. Ela ficou menos de uma hora no hospital.

BOSTON

Sem resposta - Incógnitas que cercam os ataques em Boston

PREPARAÇÃO PARA A MARATONA - A polícia de Boston disse que a área das explosões foi varrida duas vezes antes da prova. Também há relatos de que o número de agentes de segurança disfarçados na maratona era maior do que o usual. Como não foi possível detectar os explosivos?

PLACA DE CIRCUITO - A polícia teria descoberto uma placa de circuito nas imediações do local da explosão, segundo o jornal The Boston Globe. Mais tarde, porém, negou que estivesse de posse da peça. Por quê?

MODUS OPERANDI - A ONG SITE Intelligence Group diz que grupos supremacistas brancos teriam indicado como “leitura altamente recomendada” um artigo de uma revista da Al Qaeda intitulado “Faça uma Bomba na Cozinha de sua Mãe”. Que grupos são esses?

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