SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

QUADRILHA LEVOU CEM CARROS

ZERO HORA 12 de abril de 2013 | N° 17400

CRIME GOLPEADO

Especializado em roubo e furto de veículos, bando era chefiado por condenado que cumpre pena na PEJ



Uma quadrilha responsável por roubar cem veículos em seis meses foi desarticulada ontem pela Polícia Civil. Assaltantes, falsificadores e receptadores atendiam a encomendas de peças e veículos recebidas por Daniel José Alves Silveira, 31 anos, o “Daniboy”, que comandava a organização de dentro do Presídio Estadual do Jacuí (PEJ), em Charqueadas.

Cerca de 300 policiais de cinco departamentos da Polícia Civil prenderam 28 pessoas e cumpriram 53 ordens de busca e apreensão em 12 cidades do Estado e de Santa Catarina.

Segundo o delegado Juliano Ferreira, chefe da Delegacia de Repressão ao Roubo de Veículos, que comandou a operação com o delegado Arthur Raldi, a quadrilha agia, principalmente, em Viamão e Porto Alegre.

– Essa é uma das maiores quadrilhas do Estado, talvez a maior da Região Metropolitana – afirmou Ferreira.

Ação deve ter impacto em outras quadrilhas

Conforme o delegado, a prisão do bando terá impacto em outras quadrilhas e deverá reduzir o número de veículos levados:

– A expectativa é de que crimes como o roubo e o furto diminuam em até 10% nos próximos meses.

As estatísticas oficiais da Secretaria da Segurança Pública, porém, sugerem que as prisões terão repercussão mais discreta neste tipo de delito. Em 2012, desapareceram nas mãos de bandidos 9.663 veículos na Capital – 26 por dia. Os suspeitos presos, de acordo com a polícia, roubavam uma média de um carro a cada dois dias.

Para o chefe do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), delegado Guilherme Wondracek, a operação foi exitosa, apesar de não ter sido possível cumprir todos os mandados de prisão. A investigação, que começou em junho do ano passado, solicitou os mandados em dezembro, mas devido à discussão no Judiciário a respeito da competência sobre os possíveis processos, atrasou em torno de quatro meses.

– Conseguiremos diminuir o número de ocorrências desse tipo de crime – aposta Wondracek.

Na operação, foram apreendidos, também, cinco veículos roubados, cinco quilos de maconha, um revólver calibre 38 e uma espingarda calibre 12.

– O Daniboy utilizava o celular como uma arma – complementa Ferreira.

THIAGO TIEZE



SUA SEGURANÇA | HUMBERTO TREZZI

Cartão de apresentação


A Operação Bad boy é o cartão de visitas dos delegados Juliano Ferreira e Arthur Raldi. A dupla de policiais acaba de assumir as rédeas na Delegacia de Roubos de Veículos, uma das unidades que compõem a linha de frente da polícia, e nada melhor que uma onda de prisões para mostrar que não vai ter moleza.

Chama a atenção que não só os chefes da quadrilha estavam presos. Os “puxadores” (assaltantes) também eram presidiários, só que hospedados em albergues do regime aberto e semiaberto, sobretudo em Viamão. O segundo item que demonstra extrema organização é que o bando era compartimentado. Um grupo assaltava (os “mão-na-cabeça”), outro receptava (os intrujões), alguns picotavam o auto em peças ou trocavam com solda a numeração do chassi (os mecânicos) e uma quarta turma “esquentava” documentos (dando ao veículo aparência legal). Muitos sequer se conheciam. Uma sofisticação completada por um cuidado: deixavam os veículos destinados à clonagem “repousando” uns três dias num galpão, antes de serem enviados ao receptador. Crime cirúrgico, como cirúrgica foi a intervenção dos policiais.


Postar um comentário