SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

VINGADORES EXECUTAM SUSPEITO DE ASSALTO

ZERO HORA 05 de abril de 2013 | N° 17393

TÁXI ATACADO

Vingadores executam suspeito de assalto

Homem foi perseguido no limite de Porto Alegre com Alvorada e alvejado com cerca de 10 disparos


Em meio às investigações para prender o matador de três taxistas em Porto Alegre, a Polícia Civil tem mais um mistério a esclarecer envolvendo a categoria, possivelmente, fruto do clima de revolta pelas mortes em série. Quem executou de forma misteriosa o suspeito de atacar, no final da noite de quarta-feira, um motorista de táxi?

Investigações preliminares indicam que os autores do crime seriam dois homens que souberam do roubo e perseguiram o suspeito por vielas da Vila Dois Irmãos, no limite de Porto Alegre e Alvorada. A vítima foi alvejada com cerca de 10 tiros em um terreno baldio.

Conforme relato do taxista – o nome não foi revelado pela polícia –, o homem embarcou no táxi na Avenida Assis Brasil, nas imediações do Hospital Cristo Redentor, com destino até a Avenida Bernardino Silveira Amorim.

Em um beco no final da via, o rapaz teria anunciado o assalto, simulando estar armado. Pegou R$ 26, um GPS e o celular do motorista e fugiu a pé, segundo versão da vítima.

Taxista disse à Polícia Civil não ter presenciado a morte

A partir daí, o episódio ganha contornos obscuros. O taxista teria saído com o veículo em perseguição ao suspeito e deparado com dois homens desconhecidos, a quem teria contado o ocorrido.

Enquanto o motorista seguia em direção a um posto do 20º Batalhão de Polícia Militar, distante nove quadras de onde foi atacado, moradores das imediações escutaram uma série de disparos na esquina das ruas dos Coqueiros com a Belas Violetas.

– Ouvi uns quatro tiros, mas não levantei da cama – contou um homem.

Outro morador disse que saiu para a rua e só viu dois vultos correndo em disparada. Alertados por telefonemas, PMs chegaram ao local e encontraram o corpo. À Polícia Civil, o taxista garantiu não ter presenciado a morte.

– É um mistério que vamos esclarecer. Mas, pelas características, não tem vinculação com as três mortes de taxistas – garantiu o delegado Filipe Borges Bringhenti, da 4ª Delegacia de Homicídios.

Além deste caso, as 24 delegacias da Polícia Civil na Capital estão sendo cobradas para solucionar roubos a taxistas e postos de combustíveis.

A ordem da Chefia da Polícia Civil foi repassada a delegados pelo Departamento de Polícia Metropolitana ontem pela manhã. A ideia é identificar e prender os ladrões para tranquilizar os taxistas.

– Pedi aos delegados titulares que priorizem a solução destes casos – afirmou o delegado Cleber Ferreira, diretor regional da Polícia Civil em Porto Alegre.

JOSÉ LUÍS COSTA


EFEITO CRIME. Taxistas pegam mais corridas por telefone.Conforme operadoras, motoristas evitam atender aos passageiros que chamam carros nas ruas.


O medo dos taxistas de serem vítimas de assassinato mudou o mercado. Ontem, o Diário Gaúcho conversou com cinco das maiores operadoras de Porto Alegre e confirmou a nova rotina. Com medo de pegar passageiros nas ruas, ao acaso, muitos dos taxistas do turno da noite têm dado preferência para os chamados das teletáxis. Isso fez com que o tempo que o passageiro aguarde pelo transporte diminua. Ou seja: há mais carros para quem telefona pedindo um táxi.

Omotivo está na segurança maior. A maioria das operadoras tem um cadastro dos passageiros, fora as corridas feitas com vale-táxi, em que o taxista recebe um vale, em vez de dinheiro, o que não é atrativo nem lucrativo para o assaltante. Outra mudança é um ligeiro aumento nos chamados noturnos. Os donos das empresas ainda não sabem se essa é uma elevação normal, registrada no início de todos os meses, ou se é uma reação dos passageiros, alertados de que os taxistas hesitam em parar nas ruas.

Numa das empresas ouvidas pela reportagem, a mudança foi o aumento do contato entre o operador e o motorista. A empresa oferece aos conveniados um serviço de monitoramento do carro por satélite, que permite também bloquear o veículo em caso de roubo. É uma das poucas da Capital que mantém o contato por rádio.

– Outro dia, um taxista pegou uma corrida longa para um endereço muito suspeito. Ele chamou o operador, perguntou o endereço e pediu para que o colega o guiasse a chegar até o local. Resultado: os passageiros pediram pra descer antes, já vendo que a corrida era monitorada – contou o responsável pela operadora.

Na Capital, delegados ainda tentam imagens de câmeras

Em Porto Alegre, delegados do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa solicitaram à Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) uma lista de presos liberados para passar a Páscoa fora da cadeia. A ideia é comparar a relação com as impressões digitais encontradas nos veículos dos três taxistas assassinados.

A polícia também pediu à Justiça mandado de busca e apreensão para duas empresas que têm imagens nos locais onde foram encontrados os corpos dos três taxistas.



ROUBO À TAXISTAS - DADOS DE 2008 A 2013*

Onde foram registrados mais assaltos:
- 15ª DP (Partenon) 172
- 4ª DP (São Geraldo) 155
- 18ª DP (Mário Quintana) 149
- 13ª DP (Cavalhada) 142
- 20ª DP (Cristal) 138
Fonte: *Foram 1.739 ocorrências em 24 DPs da Capital. Fonte: Polícia Civil
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