SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

ACABO DE SER ASSALTADO


ZERO HORA 10 de maio de 2013 | N° 17428 ARTIGOS


Celito de Grandi*



Foi há uma semana, na sexta-feira, 3 de maio.

Fui assaltado, sobrevivi, fui rezar aos meus santos.

Era uma manhã de intensa neblina.

Só depois que surgiu o sol, por volta de 11h, fui para o Parque Marinha do Brasil, onde faço caminhadas, sempre que possível.

Menos gente que o habitual, talvez pelo tempo instável. Também não vi algum guarda ou policial.

Findo o trajeto, sentei-me num banco da parte central, onde há o Monumento à Marinha, com âncora e espelho d’água, cenário bonito para as fotos de crianças nos passeios de domingo.

Dois rapazes chegaram por trás, sem que eu os visse, um postou-se em pé, à frente, o outro sentou ao meu lado. Com o boné escondendo metade do rosto e a mão direita na jaqueta, indicando que no bolso havia uma arma, ele disse:

– Conhece o esquema, não é, tio? Me passa o relógio.

Tirei com calma o relógio do pulso, enquanto imaginava a próxima perda, os contatos todos do celular.

Eu os olhei. Eles me olharam.

Sempre levo comigo algum dinheiro para emergências. Como era o caso. Se for um viciado, quem sabe ele há de ficar satisfeito com a entrega do suficiente para o próximo passo: a compra de uma pedra de crack.

E quando o homem pediu o celular, imaginei negociá-lo: dou-lhe os reais, fico com o aparelho.

– Sou cardíaco, preciso falar com o médico – eu disse.

A ideia de um coração maltratado pode tê-los sensibilizado. Pediram desculpas, saíram caminhando com evidente pressa, mas sem medo.

Só no momento seguinte me dei conta da imprudência: por que não entreguei logo o celular? E se eles decidissem, ao contrário do que fizeram, apressar a minha morte, como fazem com tantos que não chegam a ter tempo de entregar-lhes o que querem?

Perdoem-me os familiares e os amigos se houve uma reação imatura, eu deveria ter aprendido todas as lições com o assassinato de meu irmão.

No seu caso, ele não reagiu, levantou os braços em sinal de entrega, e eles o feriram com um tiro mortal.

Permaneci calmo durante o assalto.

Só mais tarde tive consciência do medo, só na tarde daquele dia as mãos e as pernas tremeram e senti uma enorme sensação de desamparo.

No domingo, fui orar para Santa Terezinha, a mesma santa que me salvou a vida, segundo minha mãe, quando era um menino e adoeci.

Só resta rezar.

Porque ao Estado não adianta recorrer. Esse ente poderoso e implacável arrecadador, que deveria nos garantir segurança e tranquilidade, não tem respostas para nossos dramas.

Eles, os criminosos, dominam tudo e todos. Decidem se é ou não nossa hora de morrer. No meu caso, quem sabe por serem também eles principiantes, deixaram-me viver.

*JORNALISTA E ESCRITOR


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA -Não tem mesmo adiantado recorrer ao Estado que nos governa de modo permissivo cobrando impostos abusivos e agindo com descaso, leis brandas, justiça condescendente e parlamentares bonzinhos com a bandidagem. Resta ainda, depois de rezar pela nova vida concedida pelo bandido, passar a votar em políticos duros contra  o crime, contando com a sorte para que eles não sejam aliciados por interesses escusos e tomados pelos ares das benevolências, da omissão, da permissividade, do interesse particular e da mudança de valores onde o bandido tem mais direitos que o cidadão trabalhador.
Postar um comentário