SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

terça-feira, 7 de maio de 2013

FAROESTE NO INTERIOR DO RS


ZERO HORA 07 de maio de 2013 | N° 17425

PÂNICO NO INTERIOR

Reféns e medo em Sarandi. Criminosos atacaram banco, usaram pessoas como escudo e trocaram tiros com polícia em ação que começou em Constantina


FERNANDA DA COSTA | SARANDI

Uma série de ataques violentos resultou em dois assaltos a banco, tiroteios, mais de 40 reféns – incluindo dois policiais – e pânico entre 21 mil moradores da região norte do Rio Grande do Sul. Sarandi, um dos municípios acossados pelos bandidos, ficou praticamente paralisada após a ação da quadrilha. A maior parte do comércio fechou, e mesmo quem continuou atendendo preferiu manter as portas cerradas. Até as aulas foram suspensas, à tarde, devido a um tipo de crime que vem se repetindo no Estado.

As 16 horas de terror começaram na noite de domingo, no município próximo de Constantina, quando quatro homens fizeram um gerente do Banrisul e a mulher reféns em casa. Pela manhã, o gerente foi obrigado a abrir o cofre do banco. A polícia suspeita que, após o crime, o mesmo bando tenha assaltado a agência do Banco do Brasil de Sarandi, a cerca de 46 quilômetros. Por volta das 11h30min, quatro homens renderam dois policiais militares e e tomaram 40 clientes e funcionários como reféns.

– Eles já entraram atirando na porta, encapuzados. Por instinto, todo mundo se jogou no chão – relata um dos funcionários da agência, que preferiu não se identificar.

Para escapar, os criminosos usaram os reféns como escudos humanos. Colocaram ainda os dois PMs no porta-malas de um Tiida, que ficou aberto, e fugiram.

– Eles fizeram isso para inibir a ação dos policiais. Não queriam que atirassem no carro – relata o comandante do 3º Regimento de Polícia Montada (RPMon) da BM, tenente-coronel Fernando Carlos Bicca.

Uma equipe do Batalhão de Operações Especiais da Brigada Militar de Passo Fundo foi acionada e passou a perseguir os bandidos. Um dos homens atirava contra a polícia de cima do veículo, pelo teto solar.

– Quando vi o tiroteio, corri para fechar a loja, tinha medo que eles entrassem aqui. Um deles me viu e atirou no vidro da loja – conta o funcionário de uma farmácia.

Ao passar por uma lombada, o Tiida bateu em uma caminhonete. Três bandidos saíram atirando. Os dois policiais no porta-malas ficaram feridos no acidente, e um deles ainda recebeu um tiro de raspão nas costas. Até a noite de ontem, os dois PMs permaneciam internados em observação. O grupo seguiu pela rodovia Iraí-Canoas (BR-386) até chegar à construtora Samaq, onde mora o funcionário Nilo Francisco Pasini, 68 anos, um filho de 12 anos e uma filha de 16.

– Eles mandaram eu me ajoelhar e apontaram uma arma para a minha cabeça. Temendo pela vida dos meus filhos, eu pedi para que eles se acalmassem – relata Pasini.

Um dos homens fugiu pelos fundos, enquanto os outros dois faziam a família refém. A polícia cercou o local e começou uma negociação. O refém pedia, a todo momento, calma aos bandidos. Relata ter feito de tudo para que eles não machucassem os filhos, inclusive oferecendo água, comida e remédios para dor, já que um deles estava machucado devido ao acidente.

A negociação demorou cerca de uma hora. Eram 13h15min quando Paulo Augusto Arruda Hoff, 30 anos, e Daniel Dolores dos Santos, 32 anos, libertaram os reféns e encerraram mais um capítulo de horror no Estado. Segundo a Polícia Civil, foram apreendidos R$ 776 mil, um fuzil, uma submetralhadora, uma espingarda calibre 12 e duas pistolas que seriam dos policiais militares.



QUATRO DIAS DE VIOLÊNCIA

Resumo dos quatro roubos a banco no Estado de sexta-feira até ontem. Contando-se também arrombamentos, tentativas de arrombamento e furtos, são nove ataques desde o final da semana passada

ONTEM

1. Criminosos fazem reféns em Constantina, no norte do Estado. Depois de fazer um gerente do Banrisul e a mulher dele reféns em casa por volta das 21h de domingo, quatro homens mantiveram o casal sob vigilância até a manhã de ontem. Dois deles levaram o gerente ao banco para pegar dinheiro. Outros dois deslocaram-se até Boa Vista das Missões, onde deixaram a mulher.

2. Os mesmos bandidos assaltaram o Banco do Brasil, em Sarandi. Dois policiais militares foram feitos reféns e levados pelos assaltantes depois de deixarem a agência. Eles fugiram em um Nissan Tiida, que acabou capotando durante a perseguição. Por volta das 12h30min, os bandidos trocaram tiros com uma equipe da Brigada Militar no bairro Santa Catarina. Um policial ficou ferido.

SEXTA-FEIRA

3. Uma quadrilha rendeu dois PMs no município serrano de Fagundes Varela, na manhã de sexta. Com camiseta, óculos escuros e protegidos por coletes à prova de balas, e atacaram uma agência do Sicredi.

4. A mesma quadrilha também roubou uma agência do Banco do Brasil, na sequência, em Fagundes Varela. O bandidos fugiram. No domingo, um agricultor de Cotiporã foi feito refém por um suspeito de ter assaltado as agências.

OUTRAS AÇÕES CONTRA BANCOS

- 28 de março – Três bancos foram atacados por criminosos em Campestre da Serra e policiais foram feitos reféns. Dois brigadianos foram baleados e encaminhados ao Hospital Nossa Senhora da Oliveira, em Vacaria. Eles passam bem.

- 22 de abril – Seis pessoas foram feitas reféns durante os assaltos a duas agências bancárias de Pedras Altas. Antes de atacar as agências do Banrisul e do Sicredi, os bandidos renderam um policial. Os criminosos roubaram uma arma e uma viatura.



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