SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

A DERROCADA DE UM IMPÉRIO


ZERO HORA 07 de junho de 2013 | N° 17455

GUERRA DO TRÁFICO

Disputa pelo comando de uma dos maiores pontos de distribuição de drogas do Estado já deixou quatro mortes na Capital



Há um rei deposto na Vila Maria da Conceição, bairro Partenon. E um exército em retirada. Doente e recolhido numa das celas da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), Paulo Ricardo Santos da Silva, o Paulão, um dos traficantes mais conhecidos do Estado, que há quase três décadas comanda o comércio de drogas na Conceição, está perdendo o poder.

Os sinais da derrocada são identificados nas casas abandonadas, inclusive a do próprio Paulão – um sobrado de três pisos, de padrão muito superior às existentes na vila, desocupado às pressas –, e, sobretudo, nas vítimas. Até agora, pelo menos quatro pessoas ligadas a Paulão foram executadas.

De acordo com a Brigada Militar, residências foram deixadas para trás pelos principais gerentes do tráfico.

Com Paulão preso e doente, um antigo gerente teria se rebelado e estaria liderando a guerra para tomar o controle do tráfico na região. Um enteado de Paulão também estaria disputando o poder paralelo na vila.

Sem forças na Conceição, Paulão também perde espaço no sistema prisional. Nesta semana, presos ligados ao traficante foram expulsos da 2ª galeria do pavilhão A do Presídio Central, que tem cerca de 350 presos e, historicamente, era comandada por Paulão. O desprestígio na Modulada de Charqueadas e na Pasc é questão de tempo.

Mesmo com portas arrombadas e a maior parte dos móveis já retirados, ninguém ousa ocupar as residências abandonadas pelo bando na Conceição. Na tarde de quarta-feira, a reportagem constatou essa situação em pelo menos cinco casas da vila.

– Quem está saindo de casa não são moradores comuns, e, como não há um novo comando, ninguém invade. Por medo e respeito. Ou porque ainda esperam o que pode acontecer – acredita o sargento Diógenes da Silva, que comanda a força-tarefa do 19º BPM, atuante dentro da vila.

Desde o começo de maio, quando um antigo gerente do tráfico voltou-se contra o comando desse império da droga, a região está em guerra. O comentário é de que os últimos parentes do Paulão da Conceição que ainda moravam na vila buscaram abrigo em outras regiões da cidade.

Remanescentes do bando tentam se manter no poder

O maior símbolo da debandada está no final da Rua Irmã Nely. Camuflada por uma série de casebres com paredes de compensado, ergue-se uma residência em forma de fortaleza, com três andares e cobertura.

A casa é apontada pela polícia como o local onde a família do Paulão viveu por mais de uma década. Nos últimos anos, pelo menos três mandados judiciais foram cumpridos no local pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. Com detalhes em tijolos a vista e poucas janelas, tudo lembra as casas dos líderes do tráfico carioca, em meio à pobreza ao redor. Lá dentro, há banheiros com hidromassagem, lustres de cristal, quadros de arte e azulejos decorando cada ambiente.

Está abandonada, mas apenas os eletrodomésticos foram retirados.

A última casa esvaziada, porém, não era uma moradia. Conforme o levantamento da polícia, era o local onde Sandro Drey de Souza, 21 anos, sobrinho de Paulão, executado há uma semana, mantinha uma boca de fumo. O local onde os usuários supostamente se reuniam – uma sala ampla – tem como únicos móveis bancos que formam um círculo.

– Aqui que eles faziam a “farinhada” – aponta um PM.

Remanescentes da quadrilha estariam sustentando o ponto de tráfico.

EDUARDO TORRES

O QUE ESTÁ EM JOGO

- A região abrigaria pelo menos 50 pontos de tráfico, com movimentação de R$ 1,2 milhão por mês.
- Um império que ganhou status de maior da Capital nos anos 90, liderado pelo Paulão da Conceição. Ele teria loteado as bocas e dividido responsabilidades entre seus principais gerentes.

- Com o líder preso e doente, um antigo gerente, conhecido como Xu, rebelou-se e estaria liderando a guerra para tomar o controle da região.

- A polícia investiga possíveis articulações para retomadas, tanto por parte de Beto Drey (enteado do Paulão), quanto do próprio Paulão.

AS MORTES

- 5 de maio – Bruno Bicca, 22 anos, foi morto com tiros na cabeça.

- 8 de maio – Carlos Maurício Silva Rabelini, o Boquinha, foi executado com mais de 10 tiros dentro de uma casa na Rua João do Rio.

- 10 de maio – Rafael Pereira Santiago, 37 anos, foi encontrado morto com pelo menos cinco tiros na cabeça no bairro Nonoai.

- 30 de maio – Sandro Drey de Souza, 21 anos, foi morto em uma emboscada na Avenida Oscar Pereira, bairro Belém Velho. Sobrinho de Paulão, ele era um dos gerentes do bando, com a missão de controlar os veículos da quadrilha.
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