SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

AUMENTAM EM 50% ATAQUES A POSTOS DE COMBUSTÍVEIS

ZERO HORA 7 de junho de 2013 | N° 17455

ALVO FÁCIL

Assaltos na Capital e no Interior alteram a rotina de comerciantes e espalham pânico entre frentistas


Desde o início do ano, a rotina de contabilizar prejuízos e prestar informações à polícia tem se repetido mensalmente no posto Shell, na Avenida Protásio Alves, esquina com a Antônio de Carvalho. Ontem, pela sexta vez, o local virou alvo de assaltantes, que ainda aterrorizaram mais dois estabelecimentos. Em menos de meia hora em um trajeto inferior a 10 quilômetros, a dupla armada e encapuzada roubou R$ 1.150, além de pertences de clientes e frentistas do estabelecimento.

Asensação de insegurança relatada pelo gerente do Shell Luis Felipe Borges está refletida nas estatísticas: o número de assaltos a postos de combustíveis no Estado aumentou 50,4% nos cinco primeiros meses deste ano. Conforme dados da Divisão de Planejamento e Coordenação da Polícia Civil, foram registradas 367 ocorrências de janeiro a maio, contra 244 no mesmo período de 2012.

– Os funcionários estão trabalhando com medo, porque sabem que, uma hora ou outra, isso pode acontecer novamente – lamenta o gerente.

Borges conta que o assalto não durou 40 segundos e que a dupla fugiu em uma moto. De acordo com o diretor da Delegacia Regional de Porto Alegre, delegado Cléber Ferreira, este é o perfil típico do delito, motivado pela facilidade de fuga.

– São locais abertos, com pouca vigilância e que sempre têm algum dinheiro. Normalmente, são jovens de 20 a 35 anos que cometem o crime para comprar drogas.

Devido ao aumento de ocorrências na Capital, principalmente na Zona Norte, Ferreira disse que a orientação é priorizar investigações relacionadas aos ataques. No ano passado, a quantidade de casos de assaltos a postos cresceu 2,5 vezes em relação a 2011, quando foram registradas 87 ocorrências em estabelecimentos de Porto Alegre.

O delegado admite, no entanto, que a impunidade é um dos fatores que contribuiem para o crescimento da prática. De janeiro a maio, apenas 12 pessoas foram presas em flagrante.

– Infelizmente muitas vítimas não fazem o reconhecimento porque têm medo de represália – complementa Ferreira, um dos delegados mais experientes em atuação no Estado.

CLEIDI PEREIRA



Especialista sugere mais barreiras da BM

Para o especialista em segurança pública José Vicente da Silva Filho, como a moto é o principal intrumento destes ataques, barreiras policiais constantes poderiam reduzir em 30% o número de assaltos na capital gaúcha em um mês.

– O crescimento não é mérito dos bandidos. É, sim, falha da polícia – avalia o ex-secretário nacional de Segurança Pública.

O fênomeno também tem sido verificado nas demais capitais brasileiras nos últimos anos. Vicente cita um levantamento feito por ele em São Paulo que indicou que 58% dos 3,8 mil postos de combustíveis foram alvo de ataques em 2010.

Ele aconselha os empresários do ramo a adotarem medidas que dificultem a ação dos criminosos, como contratar vigilânica e instalar câmeras. Além disso, ressalta que é preciso investir em iluminação adequada e deixar o dinheiro em um caixa dentro da loja e não junto às bombas de abastecimento.

– O criminoso vai pela lei do menor esforço e do menor risco. O que está havendo é muita facilidade, seja por descuido da polícia ou dos comerciantes.

Segundo o coronel João Diniz Godoi, do Comando de Policiamento da Capital (CPC), tem sido realizadas operações desde o início do ano na tentativa de frear os índices. Godoi ressalta que as ações, como blitze e abordagens, resultaram na prisão de 26 pessoas neste período. Os policiais orientaram gerentes e proprietários a instalarem câmeras de segurança. No entanto, como as medidas não estão surtindo efeito, o CPC analisa a criação de uma patrulha específica para atuar em locais e horários mais vulneráveis.


ESCALADA

Crime sem repressão Ocorrências no Estado
2012 - 586 (73,4%)
2011 - 338 (-25,2%)
2010 - 452 (-20%)
2009 - 565 (16%)
2008 - 487

Ocorrências na Capital
2012 - 219 (151,7%)
2011 - 87 (-43,1%)
2010 - 153 (5,5%)
2009 - 145 (-4,6%)
2008 - 152

2012 - 2013*
Janeiro - 52 - 74 (42,3%)
Fevereiro - 40 - 65 (62,5%)
Março - 54 - 91 (68,5%)
Abril - 35 - 61 (74,3%)
Maio - 63 - 76 (20,6%)
Total  - 244 - 367 (50,4%) * Dados do Estado.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - As barreiras sugeridas jamais serão suficientes contra o crime se nossos representantes no Congresso continuarem omissos pulverizando o país com leis brandas e inócuas contra os delitos e a justiça criminal permanecer atuando de forma burocrata, assistemática, condescendente, morosa, alternativa e sem preocupação com o interesse público da ordem, da segurança e da paz social. O retrabalho e a impunidade reforçam um cenário caótico. As forças policiais prendem estes bandidos, mas eles voltam rapidamente ao crime beneficiados pelo descaso dos poderes político e judiciário que aceitam e são coniventes as leis e com este estado de insegurança que aterroriza o povo brasileiro com perdas de vida, saúde, patrimônio e sossego.



REDE RECORD. Polícia do RS faz ação para combater a onda de assaltos a postos de combustíveis

19/2/2013 20h57
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