SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

VÍRUS DO BEM


ZERO HORA 21 de junho de 2013 | N° 17468

Computador roubado leva ladrões à cadeia. Polícia identificou e monitorou bando que atacou estacionamento na Capital

JOSÉ LUÍS COSTA

Há tempos que criminosos invadem bancos de dados com vírus para copiar senhas e desviar dinheiro de contas bancárias. Mas, desta vez, a mesma tecnologia que serve ao crime foi usada a favor da polícia. Sem saber que tinha roubado uma CPU monitorada por outro computador à distância, um assaltante se tornou “vítima” da internet ao usar o equipamento. Ele revelou seus dados pessoais e de comparsas em redes sociais, levando-os à cadeia.

Três pessoas foram presas nesta semana e outra é procurada pela Delegacia de Repressão a Roubos de Veículos (DRV).

A desventura do grupo ocorreu no final da noite de 3 de maio, quando quatro homens chegaram em um Astra prata na frente de um estacionamento do bairro Santa Cecília, em Porto Alegre. Três deles invadiram o estabelecimento, renderam um funcionário, roubaram uma caminhonte EcoSport e, na hora de fugir, resolveram levar um computador com teclado e mouse, além de uma impressora fiscal.

Era o começo da derrocada do assaltantes, embora eles ainda não soubessem.

Uma câmera de monitoramento gravou o assalto. Minutos depois do roubo, Anderson Sarate de Oliveira, o Dedão, 23 anos, o motorista do Astra prata que teria levado o trio até o estacionamento, foi preso com o veículo por uma equipe volante da Polícia Civil – ele acabou liberado posteriormente. O Astra era roubado.

Enquanto isso, o trio fugia para o bairro Rubem Berta, na zona norte da Capital. O veículo foi estacionado na Avenida Bernardino Silveira Amorim para “esfriar”. Ou seja, ficaria ali por algumas horas para os ladrões saberem se o carro tinha ou não rastreador. A EcoSport não tinha o dispositivo, mas policiais militares foram mais rápidos que os ladrões e apreenderam o veículo logo depois.

Os assaltantes “perderam” o carro, mas ficaram com o computador. Entretanto, não tiveram a mesma preocupação com rastreamentos. A CPU e os acessórios foram levados para a casa da namorada de um dos ladrões no bairro Partenon. Até uma criança usava o equipamento.

Como o computador tinha um mecanismo que, automaticamente, compartilha todo o conteúdo da tela online com outra máquina à distância, a polícia foi avisada e o delegado Juliano Ferreira passou a acompanhar e gravar os acessos ao computador roubado.

Às 12h36min de 6 de maio, três dias após o roubo, o balconista Marcelo Luis Marques, 30 anos, preencheu um cadastro em um site de compras, fornecendo nome completo, profissão, estado civil, telefones – o principal e para recados–, e-mail, endereço e até um ponto de referência para facilitar a sua localização.

Agentes compararam imagens divulgadas em redes sociais

Uma equipe policial foi ao local e viu um carro estacionado no pátio. Anotou as placas e descobriu que os dados no cadastro preenchido por Marques eram verdadeiros.

Em acessos ao Facebook, aos poucos, foram surgindo fotos e nomes de amigos de Marques. E a polícia captando as imagens. Parte delas foi comparada com as cenas registradas pela câmera de segurança do estacionamento. Além de Marques, Giliard Ubaldo Bagnolin, o Ado, 22 anos, e Marcelo Santos Fonseca, o Celo, 33 anos, foram identificados e reconhecidos como os três homens que invadiram o estacionamento.

Marques e Bagnolin foram presos temporariamente na segunda-feira e negaram envolvimento no assalto. A namorada de Marques também acabou presa, sob suspeita de receptação. Oliveira foi preso temporariamente ontem e Fonseca está desaparecido.

Ontem, o delegado pediu a prorrogação da prisão temporária dos suspeitos por pelo menos mais uma semana.

Da pirataria para crimes mais graves

O ladrões do grupo desarticulado nesta semana pela polícia com ajuda de um computador são novatos em matéria de crimes graves.

Até o roubo ao estacionamento, a maioria deles tinha passagens pela polícia por pequenos delitos e por pirataria – copiar e vender CDs e DVDs. Os casos aconteceram no bairro Partenon e no entorno do Camelódromo, no centro de Porto Alegre, onde por diversas vezes houve apreensão de mercadorias. Nos últimos tempos, Marcelo Luís Marques trabalharia na livraria de um shopping da Capital.
Postar um comentário