SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

DESTRUIÇÃO CAUSADA POR VÂNDALOS REVOLTA MORADORES DO LEBLON


Confusão aconteceu depois de um confronto entre manifestantes e policiais perto da residência do governador. Na manhã desta quinta-feira, garis trabalhavam na limpeza de estabelecimentos destruídos


WALESKA BORGES 
O GLOBO
Atualizado:18/07/13 - 14h28

Gari trabalha na limpeza da loja da Toulon no Leblon Pablo Jacob / Agência O Globo


RIO — Moradores do Leblon acordaram revoltados com a destruição causada no bairro depois da ação de vândalos durante a manifestação desta quarta-feira. Muitos contaram que ficaram acordados até as 4h assustados com barulhos de bombas e sobrevoos de helicópteros. O tumulto deixou um rastro de destruição não só no Leblon, mas também em Ipanema. A confusão aconteceu depois de um confronto entre manifestantes e policiais perto da residência do governador Sérgio Cabral. Para a maioria dos moradores, a polícia não agiu com excessos. A economista Regina Santos, de 59 anos, defendeu a PM. Para ela, o movimento que culminou com a destruição não foi feito por estudantes.

— A PM só atuou depois de muito ser instigada. Não houve truculência. Pagamos um IPTU caríssimo para ter que passar por uma situação como essa. Se o manifestante tem alguma coisa contra o governador, deveria ir ao Palácio Guanabara — disse a moradora, que contou ainda ter sido contaminada pelos gases.

A moradora Cristina Drummond, de 60 anos, disse que não é contra os protestos, mas não aceita o vandalismo:

— O cenário era o de uma praça de guerra. Uma verdadeira quebradeira com lixeiras arrancadas e incendiadas. Para mim, foi uma ação de vândalos, porque o trabalhador está dormindo a uma hora dessas.

No entanto, segundo o engenheiro Vinícius Mascarenhas, de 53 anos, a PM se limitou a atuar nas proximidades da casa do governador Sérgio Cabral:

— A polícia ficou perto da casa do governador e não agiu aqui na vizinhança. O governador deveria se mudar daqui.

Um policial federal que não quis se identificar também estava revoltado com a presença dos policiais apenas nas proximidades da Rua Aristides Epínola.

— A polícia foi criada para proteger o cidadão e não apenas o governador. Tenho um filho de 6 anos que não conseguiu dormir por causa da confusão.

Manhã de limpeza e reconstrução

Na manhã desta quinta-feira, garis trabalhavam na limpeza de estabelecimentos destruídos, como uma loja da Toulon, uma agência bancária do Itaú e uma loja Lidador, todas na Avenida Ataulfo de Paiva. Eduardo Balesteres, um dos sócios da Toulon, se emocionou ao falar de depredação e dos saques na loja que funciona no local há 6 anos. Em lágrimas, ele disse que soube da ação pela TV.

— Essa é uma agressão não à Toulon, mas à cidade do Rio. São pessoas orquestradas para fazer o mal. Não tem nenhuma razão quebrar o patrimônio da cidade — disse o empresário, que não soube estimar o valor do prejuízo.

Pelo menos cinco agências bancárias, bancas de jornal, pontos de ônibus, vitrines e alguns painéis elétricos foram vandalizados durante a confusão. Também houve saques em Ipanema. Apesar de, na terça-feira, o comandante da PM, coronel Erir Ribeiro Costa Filho, ter dito que a polícia iria reduzir o uso de gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes, o cheiro era muito forte na região.

Durante a noite, o clima na Zona Sul foi de apreensão. Vários estabelecimentos comerciais fecharam suas portas mais cedo e os frequentadores saíram às pressas. Foi o que aconteceu no bar Jobi e na Prima Bruschetteria. O gerente do bar Jobi, que fica na Avenida Ataulfo de Paiva, disse que, durante o tumulto, uma bomba foi lançada no estabelecimento por volta das 23h. Segundo Antônio Marques Pires, de 56 anos, cerca de 70 pessoas estavam no local e saíram correndo sem pagar a conta. O bar, que funciona diariamente das 10h às 4h30m, fechou as portas às 23h30m.

— Acho complicado as pessoas destruírem lojas que não têm nada a ver com o governo. A polícia também deveria ter mais cuidado na hora de atuar. Eles viram uma aglomeração e já pensaram que se tratavam de manifestantes - reclamou Antônio. Ele acredita que, como os clientes são conhecidos, eles deverão retornar para pagar as contas.

O gerente afirmou ainda que não calculou os prejuízos do estabelecimento. No entanto, ele acredita que, se as manifestações continuarem no local, os clientes podem se afastar, aumentando ainda mais as perdas para o comércio local.

Na Prima Bruschetteria, localizada na Avenida Rainha Guilhermina, os clientes também ficaram assustados. O local foi atingido por gases. Uma funcionária que não quis se identificar contou que o estabelecimento fechou as portas pelo menos duas horas mais cedo.

Segundo a Polícia Militar, sete PMs ficaram feridos com pedradas. Uma quinta policial se feriu ao ser atingida nas costas por uma bomba de fabricação caseira. O número de manifestantes feridos não foi confirmado.

Dezesseis pessoas foram detidas e levadas para a 14ª DP (Leblon). Seis foram enquadrados no crime de formação de quadrilha e pagaram fiança. Outras nove também foram liberados, incluindo dois menores. Um homem, que estava com três morteiros na mochila, identificado só como Anderson, foi autuado por porte de explosivo e ficou preso.

O conflito desta quarta-feira começou por volta das 22h45m, na esquina da Avenida General San Martin com a Rua Aristides Espínola, quando um grupo teria jogado pedras contra os militares. Os policiais revidaram com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo.

Postar um comentário