SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

PAVOR DE ASSALTOS RONDA LINHA DE ÔNIBUS


ZERO HORA 11 de julho de 2013 | N° 17488

REPÓRTER NO ÔNIBUS
Pavor de assaltos ronda o Fátima. Usuários da linha procuram esconderijos para se proteger de ladrões

ANDRÉ MAGS

Com o dia ainda escuro e a rua silenciosa, a confeiteira Estela Maris, 46 anos, costuma se posicionar no “cantão”. É como ela chama o espaço na calçada em frente à esquina das ruas Procópio Ferreira e Wilson Sant’Anna Vieira, no lado oposto ao ponto de onde o ônibus Nossa Senhora de Fátima parte em direção ao centro de Porto Alegre.

Baixinha, Estela fica entre as casas e uma árvore para se camuflar enquanto aguarda a chegada de mais passageiros, até a partida do veículo. É a tática da confeiteira para evitar assaltos, o grande drama dos usuários da linha da empresa Conorte que circula pelo bairro Rubem Berta, na zona norte da Capital.

O “cantão” é estratégico. Estela tem ampla visão da área e pode antecipar a ação de algum bandido que surja na praça ao lado do ponto de ônibus. Vazia, cheia de árvores e com pouca iluminação, a praça é o local preferido para os ataques. Naquela manhã de terça-feira, a confeiteira não precisou se esconder. Havia mais gente na parada, o que a tranquilizou. Às 6h50min, o veículo partiu, carregando gente cheia de histórias de medo e violência.

Estela conta que uma amiga foi deixada só de calcinha na região, e só não acabou estuprada porque conseguiu fugir. A própria confeiteira já escapou de ladrões.

– Eu quase dei em um deles, uma vez – disse a confeiteira.

Uma dupla que age de motocicleta há tempos no bairro é um dos temores dos usuários. A estudante de curso pré-vestibular Waleska Grigolo, 18 anos, confirma que além da dupla há um quarteto que ataca de carro. Eles costumam estacionar junto às paradas de ônibus do Rubem Berta e roubar todo mundo. Dinheiro, bonés, casacos, bolsas e mochilas são os objetos levados.

A família da comerciária Maura Vargas, 43 anos, impede que ela vá sozinha até a parada do Fátima, como a linha é mais conhecida. Sempre há um familiar para levá-la, seja primo, tio. O cenário disponível no inverno é perfeito para a bandidagem na região: amanhecer escuro, iluminação pública deficiente e pouco movimento nas ruas.

Motorista pede blitze policiais no itinerário

Funcionários da empresa confirmam os assaltos frequentes. O motorista do ônibus, há 17 anos na função, entende que a solução seria haver blitze policiais para identificar a presença de criminosos na área. No entanto, lamenta que, em todo esse tempo de trabalho, só tenha visto duas blitze.

Ele freou o ônibus no fim da linha, sob o Camelódromo, no Centro, às 7h48min. Boa parte dos moradores do bairro Rubem Berta já havia descido ao longo das avenidas Assis Brasil e Farrapos.

Para a maioria dos passageiros que haviam chegado ao Centro, aquela era somente mais uma linha normal que se pega no meio do caminho, sem necessidade de preocupações que levem a um esconderijo no “cantão”.



FICHA TÉCNICA
- Linha: Nossa Senhora de Fátima
- Empresa: Conorte
- Horários diários: 140
- Ônibus: 11
- Usuários: 7 mil por dia
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