SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

VÂNDALOS DEIXAM RASTRO DE DESTRUIÇÃO NO LEBLON E IPANEMA


Confronto deixa rastro de destruição no Leblon e em Ipanema. Vândalos fazem barricadas de fogo, destroem e saqueiam lojas; grupo seguiu também para a Lagoa. Governador convoca reunião de emergência para discutir violência. Na Rocinha, trânsito foi fechado nos dois sentidos da Autoestrada Lagoa-Barra


LETÍCIA FERNANDES
CAROL ROCHA
GUSTAVO GOULART
LEONARDO BARROS
O GLOBO
Atualizado:18/07/13 - 4h26

Barricadas de fogo ao longo da rua Ataulfo de Paiva Marcelo Carnaval / Agência O Globo


RIO — A ação de vândalos deixou um rastro de destruição nos bairros do Leblon e Ipanema após confronto entre manifestantes e policiais na noite desta quarta-feira, perto da residência do governador Sérgio Cabral. No início da madrugada, uma reunião de emergência foi convocada por Cabral para discutir ações a fim de conter os protestos violentos nas ruas da cidade. O encontro deve ocorrer às 8h no Palácio Guanabara.

Pelo menos cinco agências bancárias, bancas de jornal, pontos de ônibus, vitrines e alguns painéis elétricos foram vandalizados durante a confusão. Uma loja de roupas também foi saqueada na Ataulfo de Paiva. Lojas também foram saqueadas em Ipanema. O cheiro de gás ficou muito forte na região. Bombeiros também atuaram no combate às chamas.

O clima nesses bairros da Zona Sul foi de apreensão por parte de moradores e clientes de bares e restaurantes. Vários estabelecimentos comerciais fecharam suas portas e os frequentadores saíram às pressas.

Segundo a Polícia Militar, sete PMs ficaram feridos com pedradas. Uma quinta policial se feriu ao ser atingida nas costas por uma bomba de fabricação caseira. O número de manifestantes feridos não foi confirmado.

Dezesseis pessoas foram detidas e levadas para a 14ª DP (Leblon). Seis foram enquadrados no crime de formação de quadrilha e pagaram fiança. Outras nove também foram liberados, incluindo dois menores. Um homem, que estava com três morteiros na mochila, identificado só como Anderson, foi autuado por porte de explosivo e ficou preso.

Por volta de 1h30m, cerca de cem manifestantes se concentraram em Ipanema, na esquina das ruas Aníbal de Mendonça e Redentor, para protestar perto da casa do Secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. Eles foram dispersados pelo Batalhão de Choque com balas de borracha, jatos d´água e bombas de efeito moral. Alguns manifestantes se dirigiram, então, para a Lagoa Rodrigo de Freitas, onde ocuparam a Avenida Epitácio Pessoa.

O conflito desta quarta-feira começou por volta das 22h45m, na esquina da Avenida General San Martin com a Rua Aristides Espínola, quando um grupo teria jogado pedras contra os militares. Os policiais revidaram com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo.

Mais cedo, uma das bombas atingiu o bar Jobi, na Avenida Ataulfo de Paiva, e alguns clientes que estavam no local tiveram que sair correndo. Muitos se abrigaram no interior do estabelecimento, mas, devido ao incômodo causado pelo gás, também foram obrigados a deixar o bar. A Prima Bruschetteria, na mesma avenida, também foi atingida pelo gás.

Por volta das 22h55m, um manifestante atirou um morteiro contra as tropas. Um caminhão de jato de água da PM foi usado para apagar focos de incêndio nas ruas. Algumas ruas do bairro ficaram sem luz por quase uma hora. Pouco antes do conflito, um grupo já havia ateado fogo em lixeiras em dois pontos da Avenida General San Martin.

No começo da noite, duas manifestações realizadas na Zona Sul do Rio complicaram o trânsito para motoristas que seguiam em direção à Barra da Tijuca. No Leblon, o protesto contra o governador Sérgio Cabral, com aproximadamente mil pessoas, fechou os dois sentidos da Avenida Delfim Moreira, na altura da Rua Aristides Espínola, até por volta das 22h30m. A via, onde mora Cabral, ficou isolada por 13 carros do Batalhão de Choque e 80 policiais. Para tentar chegar à Aristides Espínola, cerca de 500 pessoas seguiram, às 20h, pela Rainha Guilhermina até a General San Martin, passando pelo Ataulfo de Paiva. O grupo caminhou entre os carros, complicando o tráfego, que já estavam na pista. A Delfim Moreira foi interditada a partir da Avenida Bartolomeu Mitre.

Já na Rocinha, moradores que protestaram contra o desparecimento de uma pessoa, ocorrido domingo, chegaram a interditar a Autoestrada Lagoa-Barra nos dois sentidos. A via foi completamente liberada às 22h. O trânsito ficou parado, com reflexos na Gávea e na Lagoa. A CET-Rio chegou a colocar uma reversível em operação na Avenida Niemeyer, que foi desativada em seguida. Mais cedo, houve um princípio de tumulto entre os participantes e três PMs. Enquanto os jovens se dispersavam, um grupo destruiu lixeiras pelas ruas do Leblon e danificou a portaria de um prédio administrativo da Rede Globo, na Bartolomeu Mitre.

Um grupo de estudantes universitários usou um projetor para expor imagens na fachada de um prédio na esquina da Avenida Delfime Moreira e da Rua Aristides Espínola. Sofia Maldonado, de 23 anos, estudante de cinema na UFF, disse que se reuniu com um grupo de amigas para entender os motivos dos protestos. Ela estava com o projetor nas mãos, enquanto uma amiga monitorava um laptop com as imagens sentada num canteiro.

— Não queríamos ir para as ruas sem entender, de fato, o que estava acontecendo. Estudamos o assunto bastante e agora resolvemos participar. Juntamos várias frases, imagens e estamos fazendo nosso manifesto em repúdio ao que está acontecendo — disse Sofia



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