SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

ASSALTO E INDIFERENÇA

ZERO HORA 20 de agosto de 2013 | N° 17528


ROBERTO AZAMBUJA


Turista deixa a Capital criticando a segurança

Intercambista turco atacado na madrugada de domingo reclama de descaso de policiais em Porto Alegre


As sete semanas que passou no Brasil por meio de um projeto de intercâmbio foram inesquecíveis para o turco Arda Yokas, 22 anos. Conheceu as belezas do Rio de Janeiro e provou os famosos chocolates de Gramado. Mas exatamente em seu último dia, na Capital, teve de sentir o sabor amargo da insegurança.

Na bagagem, o que levaria de boas lembranças agora vai acompanhado de decepção com uma cidade que receberá milhares de turistas estrangeiros durante a Copa. E parece ainda não estar preparada.

Por volta das 4h de domingo, Yokas retornava com uma amiga para o apartamento onde estava hospedado, na Rua Avaí, no Centro. Voltavam da festa de despedida do rapaz. De repente, o jovem foi agarrado por trás e imobilizado, enquanto dois homens roubavam seu telefone celular e sua carteira. Tentou reagir, mas acabou agredido. No esforço, recuperou o objeto em que levava os documentos.

Amedrontados, os amigos decidiram registrar a ocorrência à tarde. Foram orientados a buscar a 1ª Delegacia da Polícia Civil (DP), na Rua Riachuelo. Perto das 14h de domingo, depararam com o local fechado (segundo informado a ZH, a DP está fechada aos fins de semana devido a reformas, mas há um cartaz direcionando para a 17ª DP).

Antes disso, quando encaminhava-se para a 1ª DP, a dupla reconheceu os ladrões no Largo dos Açorianos. Decidiram ir ao posto da Brigada Militar na Praça XV. Lá, foram informados de que nada poderia ser feito.

– Foi inaceitável, até engraçado. Pensei que poderia dizer à polícia onde eles estavam que iriam levá-los à delegacia para interrogatório, como aconteceria no meu país. Mas não, a polícia não agiu – desabafou Yokas, ontem, antes de embarcar de volta para Izmir, cidade onde mora na Turquia.

A orientação foi procurar a 17ª DP, na Voluntários da Pátria, ou registrar o boletim de ocorrência ao longo da semana. Os PMs teriam alertado Yokas e a amiga que não era aconselhável circular naquela região ao final da tarde porque corriam risco de assalto.

– Imagine um policial informando que a mesma rua da delegacia é perigosa e que há uma grande possibilidade de ser roubado lá? – ironizou.

Após toda a peregrinação, o boletim de ocorrência foi registrado na 2ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA). Às 11h de ontem, Yokas entrou no avião sem saber se retornará ao Brasil.


Turco dava aulas na vila Bom Jesus

No período em que ficou em Porto Alegre, Arda Yokas lecionava inglês como voluntário em uma ONG na vila Bom Jesus. A região é conflagrada pelo tráfico de drogas e é uma das mais violentas da cidade. Lá, em nenhum momento sentiu-se amedrontado como na madrugada de domingo:

– Eu gostei da cidade, mas fiquei com a certeza de que não é segura. Ouvi que pessoas são roubadas dentro dos ônibus e também que (ladrões) tentam entrar em seus apartamentos. E a polícia parece que não faz nada.

Apesar da insegurança, Yokas irá lembrar, principalmente, das pessoas. Caracterizou-as como amigáveis e carinhosas, conforme a estudante que o conduziu em passeios pela Capital:

– Ele disse que a maioria das pessoas com quem conviveu sempre queria arranjar um jeito de ajudar. Por isso, foi tão triste esse contraste – conta a jovem, que preferiu não se identificar.

Em Porto Alegre, chamaram-lhe a atenção o Parcão, o Museu Iberê Camargo e o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs). No entanto, reclamou da sujeira nas ruas.


CONTRAPONTO O que diz o major André Luiz Córdova, comandante do 9º Batalhão de Policiamento Militar - “Tão logo se receba qualquer relato, temos uma apuração para conferir o que aconteceu. Todos os integrantes da população, caso deparem com uma situação em que forem mal atendidos, podem nos informar. Não posso formar um juízo de valor sem ter a versão dele (rapaz) e de testemunhas. Não posso criticar os policias ou ele sem ter um relato. Ele (rapaz) pode mandar por e-mail o relato que faremos a apuração.”

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Nada mais é do que o retrato da insegurança e sintoma do declínio das forças de segurança pública que só os governantes não querem reconhecer publicamente. São visíveis os sinais de abandono, sucateamento, desvios, privilégios de poucos, ingerência partidária em questões técnicas, discriminação na justiça criminal e enfraquecimento das forças de segurança pública promovida por leis condescendentes apadrinhadas pela conivência dos Poderes de Estado, cujos reflexos atingem a ordem pública, a população e quem vier nos visitar.
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