SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

sábado, 10 de agosto de 2013

UMA AVENIDA QUERIDA PELOS LADRÕES

ZERO HORA 10 de agosto de 2013 | N° 17518

CARLOS GUILHERME FERREIRA

REPÓRTER NA SEGURANÇA


Trinta e dois passos demarcam a fronteira entre a lei e o crime na Avenida Saturnino de Brito, na Vila Jardim. Trata-se da distância entre a 14ª Delegacia da Polícia Civil da Capital e um dos 19 estabelecimentos comerciais já assaltados numa das principais artérias da Zona Norte.

Os dados vêm de levantamento informal realizado por ZH, no início da tarde de ontem, ao percorrer os 1,7 mil metros de extensão da Saturnino. A reportagem ouviu todos os comerciantes que estavam abertos e considerou, também, dois locais citados por vizinhos como vítimas de criminosos. Dos 57 estabelecimentos, um terço foi atacado – seja recentemente ou nos últimos anos.

A reportagem visitou a Saturnino a partir da indicação da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), como um dos locais mais perigosos para o comércio na Capital. Antes de consultar a CDL, ZH pediu à Secretaria da Segurança Pública estatísticas sobre crimes por bairros e ruas, mas o órgão informou que os dados não estão disponíveis.

Na Saturnino, sabe-se como os bandidos agem. Quem relata é a atendente Nara Dias, 48 anos, funcionária há 10 anos da farmácia vizinha à delegacia:

– Ele pediu um desodorante e assaltou. Eram 13h.

Nara escapou ilesa, fora a tensão por ter uma arma apontada e um prejuízo de cerca de R$ 300. Não reagiu, ao contrário do que já aconteceu em um mercado apreciado pelos ladrões – houve quatro assaltos, no mínimo. O funcionário Valdecir Machado, 41 anos, afirma ter acompanhado um ladrão algemado até a delegacia. Foi o desfecho de uma tentativa frustrada de roubo de caixas de suco, na qual até a mulher do delinquente apareceu.

– Assalto? Aqui, é que nem bom-dia – ironiza Machado.

A saudação resume, de certa forma, a chegada de criminosos a uma oficina mecânica. Às 8h15min de 18 de julho, um grupo invadiu o local, fechou o portão e levou dinheiro, câmeras digitais e notebook. Conforme o gerente, só conseguiram sair graças a um cliente, responsável por abrir o cadeado.

Tantas ocorrências, claro, forçam cuidados. Estabelecimentos gradeados, segurança privada e alarmes e câmeras de monitoramento se tornaram comuns na Saturnino. Tanto quanto a resposta-padrão “ainda não” à pergunta de ZH sobre assaltos, em vez de um simples “não”. É o medo de ações protagonizadas, em certos casos, por duplas montadas em motos. Enquanto um assaltante aponta a arma, outro aguarda na motocicleta para a fuga.

Farmácia contabiliza dois ataques em quatro meses

Uma funcionária de farmácia já viveu esta experiência. No emprego há quatro meses, contabiliza dois ataques. Representa, também, o tipo de situação que preocupa os lojistas. Presidente da CDL, Gustavo Schifino lamenta a exposição de profissionais e de clientes – acredite, uma mulher comprou em uma lojinha na Saturnino e perdeu a mercadoria para ladrões na saída do estabelecimento.

– Sabemos que o cobertor é curto para a cidade inteira, mas entendemos que deve haver melhor aparelhamento e remuneração da segurança pública – diz Schifino, para quem outro problema é a facilidade de libertação dos presos.

Ontem, pelo menos, seria difícil haver prisões durante as pouco mais de duas horas da passagem de ZH pela Saturnino. É porque a reportagem não viu crimes nas ruas. Nem policiais.


CONTRAPONTOS

O que diz o delegado André Mocciaro, titular da 14ª Delegacia da Polícia Civil desde fevereiro deste ano - O delegado acredita que os relatos de assalto na Saturnino sejam referentes a ocorrências registradas, em alguns casos, há muitos anos: – Não vejo (a Saturnino de Brito) como sendo um local de alto índice, no momento, de assaltos a estabelecimentos.

O que diz o tenente-coronel Eduardo Biacchi Rodrigues, comandante do 11º Batalhão de Polícia Militar (BPM) - “Acompanhamos para onde o crime migra e movimentamos nossa rede para outros locais. Temos prisões diárias e policiamento a pé, motorizado e em patrulhas especiais. Consideramos a Saturnino um ponto-base de policiamento. É uma rota de escape de criminosos. É necessário ter uma viatura ali. Desde que estou aqui, em 8 de maio, houve três ocorrências de roubo a estabelecimento na Saturnino. Em 22 de maio e em 16 e 19 de julho. Geralmente, são dois com arma de fogo. Houve três ocorrências de roubo a pé e três de roubo de carro.”




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