SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

ASSALTO AO SUPERMERCADO: BANDIDOS PLAYBOY


ZERO HORA 14 de outubro de 2013 | N° 17583

LARA ELY

Quadrilha exibia um perfil incomum. Bandidos com “estilo de playboy” dispararam pelo menos um tiro dentro de loja em Porto Alegre


Centenas de pessoas amontoavam-se nas filas dos caixas e pelos corredores em um dos principais supermercados do bairro Menino Deus, em Porto Alegre, por volta das 20h30min de sábado, quando quatro homens armados invadiram o local e ordenaram que os clientes deitassem no chão. Com o movimento típico do final de semana acentuado pelo feriado do Dia das Crianças, o Zaffari da Avenida Getúlio Vargas sofreu um assalto fora do comum – para alguns, inclusive, com cenas dignas de uma produção cinematográfica.

Ao ter os seus pertences tomados, um dos clientes teria reagido, dando socos e jogado cebolas em um dos assaltantes. Segundo o delegado Cesar Carrion, que investiga o caso pela 2ª Delegacia de Polícia da Capital, esse teria sido o motivo que desencadeou um disparo no interior do estabelecimento. Não houve feridos.

A somar para o inusitado, pesam fatores como a invasão despercebida de um local movimentado, a ação rápida e articulada da quadrilha e a ostentação dos automóveis utilizados na fuga (um Audi, um SpaceFox e uma moto).

Além disso, o visual dos assaltantes chamou a atenção de policial civil que trabalha na investigação da 2ª DP e estava no interior do mercado no momento do sinistro.

– Alguns deles tinham estilo de playboy, eram fortes, estavam de moletom canguru, calça jeans justa e tinham gel no cabelo. Quem olha, em um primeiro momento, não pensa que é assaltante – caracterizou o policial.

Segundo Carrion, os bandidos teriam levado uma quantia aproximada de R$ 10 mil, entre valores saqueados dos caixas, pertences de clientes e dinheiro retirado de uma sala administrativa. A polícia suspeita de que a quadrilha tinha informações privilegiadas e que seja a mesma que já vem atuando em outros assaltos na região. A liberação das imagens, que deve ocorrer hoje, norteará a investigação.

Consultada por Zero Hora, a Companhia Zaffari de Supermercados não quis se manifestar sobre o assunto.



“São bandidos muito bem preparados”

ENTREVISTA > Policial e cliente do supermercado



A pistola prateada empunhada pelo suposto líder da quadrilha fez um policial civil, que não quis se identificar, deitar-se imediatamente no chão e administrar a vontade de reagir. Em conversa por telefone com a reportagem, ele relatou detalhes da movimentação no interior do local.

Zero Hora – Onde você estava na hora do assalto?

Policial civil – Já havia terminado minhas compras e esperava um amigo na parte interna do mercado, no corredor próximo à saída da Getúlio Vargas. Estava sentando em um banco, falando ao celular quando vi dois homens entrarem por cada um dos lados do estabelecimento. Quando o cara passou pelo meu lado com a arma, logo me deitei, pois temi reconhecimento. Comecei a controlar para ver o que eles iriam fazer. Tive de manter a calma.

ZH – Como foi a ação?

Policial civil – Eles usavam capuz na cabeça. Entraram entre quatro, dois pela porta da Getúlio Vargas e dois pela Múcio Teixeira. O líder mandou segurar a porta. Devia ter mais alguém aguardando no carro, pois nas quadrilhas sempre têm os que assaltam e os que dirigem. Na hora que estava no chão, meu telefone tocou. O toque era uma sirene até dias atrás, ainda bem que tinha mudado. O cara da pistola prateada mandou desligar o telefone. Acredito que sei quem era, e ele está envolvido em outros assaltos no bairro Menino Deus e Medianeira. Tive cuidado para que ele não me visse. Coloquei a carteira e o celular na cueca. Depois disso, saímos, peguei carro particular e fomos atrás, pelo rastreamento do iPhone, localizamos o morro. Chegando lá, tinha baile funk para tudo que é lado, aí eles se dispersaram.

ZH – Como foi o clima durante o assalto?

Policial Civil– São bandidos muito bem preparados, uma quadrilha perigosa. Tinha alguém cuidando na porta, com voz de comando. Todos acatavam o que eles ordenavam. Menos um homem, que não entendeu direito do que se tratava e jogou cebolas na cara do bandido. Aí ele disparou, ainda bem que ninguém se feriu. Eu estava armado, mas achei melhor não usar. Não consegui reagir. Foi melhor, pela segurança dos que estavam lá. O bote inicial dos bandidos foi nos que estavam no corredor da frente e nos caixas. Foi um assalto de cinema.
Postar um comentário