SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

CARONA PARA O CRIME

ZERO HORA 04 de outubro de 2013 | N° 17573


KAMILA ALMEIDA

Caminhoneiros eram aliciados por bandidos. Polícia estima que grupo preso ontem tenha desviado, com auxílio de motoristas, R$ 3 milhões em cargas



O assédio de criminosos a caminhoneiros na Fronteira para desvio de cargas é antigo. Desta vez, um grupo foi descoberto pela Polícia Civil e preso na manhã de ontem em cinco municípios gaúchos. A polícia estima que eles sejam responsáveis pelo desvio de R$ 3 milhões em mercadorias.

Após quase sete meses de investigação, a Operação Kobi, coordenada pelos delegados Guilherme Wondracek e Luciano Peringer, chefe do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e titular da Delegacia de Repressão ao Roubo e Furto de Cargas (DRFC), respectivamente, prendeu sete motoristas, seis suspeitos de fazerem parte da quadrilha e um receptador da carga em Uruguaiana, Santana do Livramento e Charqueadas. Antônio Santos Carlos, 52 anos, conhecido como Tonho das Cargas, seria o líder do esquema e foi pego em Sapucaia do Sul.

– Esta é a primeira operação em que se consegue prender um grupo de caminhoneiros e também quadrilheiros na mesma leva – disse Wondracek.

A polícia acredita que o centro de operações funcionava em Uruguaiana, na Fronteira Oeste: era lá que ocorriam as negociações de entrega da carga e era de lá boa parte dos motoristas1397124194(). O produto era entregue pelo condutor sem qualquer simulação de assalto. Apenas em alguns casos, o painel do veículo era quebrado para inutilizar o rastreador e não haver ameaça durante a suposta fuga.

O esquema levantou desconfiança depois de um roubo de cargas em Uruguaiana, quando contradições surgiram no depoimento do motorista.

– Um cara disse que foi roubado, mantido no mato por horas, que chovia muito, que estava frio e, quando chegou à delegacia, estava limpo, seco. Estranho, né? Era inverno teria que ter chegado molhado, com hipotermia – disse o comissário Carlos Motta, que participou das investigações.

As cargas-alvo eram de pneus, cobre e leite em pó e vinham do Chile e da Argentina e algumas cidades gaúchas. Os roubos eram registrados em municípios gaúchos, na Argentina ou na divisa com Santa Catarina.

– Temos imagens de motoristas negociando cargas em hotéis no mesmo momento em que dizem ter sido assaltados – explica Wondracek.

Vídeos e interceptações reforçam as suspeitas

Os indícios contra a quadrilha aumentaram quando um motorista, que se recusou a fazer parte do esquema, denunciou um homem que tentou aliciá-lo. Segundo Luciano Peringer, este tipo de crime, envolvendo caminhoneiros, não é algo novo. Desta vez, porém, a polícia coletou provas técnicas, como os relatórios de rastreamento veicular fornecidos pelas empresas transportadoras que eram comparados com os depoimentos dos condutores, além de vídeos e interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça.

– Acreditamos que a quadrilha tenha desviado R$ 3 milhões em cargas – detalhou Peringer.


SUA SEGURANÇA | HUMBERTO TREZZI

Poderia ser pior

Ocaso dos caminhoneiros que simulam furto de forma combinada com quadrilhas é uma engenhosa e preocupante modalidade de crime. Isso porque um dos princípios sobre os quais a humanidade caminha é a confiança. Se empregadores não puderem confiar nas palavras do empregado que se diz assaltado, o mundo está bem pior. E foi o que ocorreu, nesse caso. Mas poderia ser pior. No início da década de 2000, quando proliferavam no Estado e no país CPIs sobre Crime Organizado, ocorreram casos em que transportadores de carga estavam envolvidos em simulação de roubos. Em alguns casos, com colaboração do motorista. Duas eram as vantagens dos quadrilheiros: vendiam a carga supostamente roubada e, de quebra, acionavam o seguro para recuperar o “prejuízo”. Cabe a Polícia, que agiu bem agora, investigar se apenas os motoristas estão por trás desse delito desbaratado ontem.



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