SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

TERROR EM LAVRAS DO SUL

ZERO HORA 28 de outubro de 2013 | N° 17597

JOSÉ LUÍS COSTA

Grupo atacou sete bancos. Polícia Civil acredita que criminosos estariam por trás de assaltos na Serra e no Vale do Taquari


Os protagonistas do roubo a banco que paralisou Lavras do Sul na sexta-feira são suspeitos de agir em outros sete ataques em cidades do interior gaúcho nos últimos 12 meses. O trio, morto em confronto com PMs, faria parte de uma quadrilha radicada em Caxias do Sul, na Serra. Além de assaltar bancos, também sequestrava gerentes e familiares das vítimas.

Os três homens, reconhecidos por parentes e identificados como sendo Lucas Pedroso Meneguzzi, 26 anos, Jeferson Gustavo de Castilhos, 24 anos, e Roberto Luís Rogoski, 31 anos, seria remanescente de um bando cujo expoente era Agripino Brizola Duarte, 43 anos, preso com um Stilo clonado, em abril, em Canoas.

Conforme o delegado Joel Wagner, da Delegacia de Repressão a Roubos, além de Duarte, outros comparsas já foram presos por suspeita de pelo menos sete ataques anteriores, a maioria na Serra. De acordo com o delegado, existem provas de que o grupo agiu nos dois assaltos em Campestre da Serra, em fevereiro e em março – quando foram roubadas três agências de uma vez só e um PM foi ferido no pescoço.

A quadrilha também seria responsável por manter como reféns por 10 horas a família de um gerente do banco Sicredi de São José do Herval, no Vale do Taquari, resultando no roubo à agência. Segundo Joel, à medida que líderes do bando são presos, novos comparsas são arregimentados.

– Se corta a cabeça, a quadrilha não morre. Ela se estrutura novamente e segue agindo – afirma o delegado.

Joel define os três bandidos mortos como gurizada de pouca experiência. Eles teriam agido sem “orientação superior”, se aventurando com número reduzido de comparsas – normalmente agem com mais de cinco e sem armamento pesado (tinham revólver, pistola e uma espingarda). Além disso, não imaginavam que a Brigada Militar estava em alerta para o confronto.

Um Inquérito Policial Militar será instaurado pela BM para apurar a conduta dos militares que atuaram no combate ao roubo ao banco.

De acordo com o comandante do Comando Regional de Policiamento da Fronteira, coronel Iguaraçú Ricardo da Silva, o procedimento é aberto sempre que policiais militares se envolvem em ocorrências com morte. Nesse caso, a ação dos PMs ocorreu enquanto os bandidos mantinham reféns e um deles acabou baleado sem gravidade.


Brigada se preparou para o confronto

JULIANA GELATTI E LIZIE ANTONELLO

Dois dias antes do assalto ao Banco do Brasil, o contingente de policiais militares de Lavras do Sul foi para Caçapava do Sul para treinamento de tiro, que ocorre a cada dois meses.

Naquele dia, o comando da BM na região já sabia de um eventual ataque a banco, mas os policiais não tinham a exata noção do quanto seria útil a prática de acertar mais de 350 disparos em alvos a diferentes distâncias.

A 10 metros, ficava o primeiro alvo praticado pelos policiais. A mesma distância que estavam do trio de assaltante que mataram durante tiroteio após o roubo ao banco. Além do tiro a alvos estáticos, o treinamento da BM inclui o chamado “tiro decisivo”, em que é forjada uma situação dentro de um ambiente em que surgem, de repente, bandidos e reféns, e o policial deve decidir e mirar rapidamente, sem acertar as vítimas.

Segundo o relato de um policial, a interceptação dos bandidos começou com cerca de cinco pessoas. Aos poucos, outros PMs fora de serviço se juntaram à ação e, no fim, quase todo o efetivo estava presente.

– Ajudou o fato de Lavras ser pequena e conhecermos a quase todos. Foi fácil identificar quem não era da cidade – afirmou o PM.

Uma das hipóteses levantadas pelos PMs ao receber o alerta do roubo era de que o caso se arrastasse por horas, já que havia reféns.

– No momento em que o carro deles se deslocou, seguimos atrás, à distância. Um deles estava com o corpo para fora do carro, e o primeiro tiro que ele deu foi contra a viatura. Nessa hora, paramos o carro, desembarcamos e seguimos a pé, prontos para atirar – contou um PM.

Após virar a esquina, o carro dos assaltantes perdeu o controle, possivelmente com um dos pneus furados. E o gerente do banco, que estava dentro do carro, caiu pela porta direita do veículo.


OS MORTOS - Os três criminosos que morreram na troca de tiros com PMs tinham antecedentes policiais


JEFERSON GUSTAVO DE CASTILHOS, 24 ANOS - Em liberdade provisória desde maio, Castilhos era o mais jovem da quadrilha. É suspeito de assaltar três bancos em Campestre da Serra, em março.


LUCAS PEDROSO MENEGUZZI, 26 ANOS - Natural da Capital, morava em Caxias do Sul. Tinha antecedentes policiais por porte ilegal de arma, roubo de veículo e estabelecimento comercial. Estava foragido.


ROBERTO LUÍS ROGOSKI, 31 ANOS - Caxiense, tinha sido preso em 2001 por roubo e estava em liberdade desde 2003. Segundo a polícia, desde então não teria se envolvido em crimes.


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