SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

MÃE É MORTA COM O FILHO NOS BRAÇOS

ZERO HORA 26 de novembro de 2013 | N° 17626


EDUARDO TORRES


DENTRO DE CASA. Lisiane Lopes de Souza foi esfaqueada na Vila da Paz, em Cachoeirinha, Região Metropolitana


Os gritos de pavor do menino de oito anos, pedindo socorro em nome da mãe, despertaram a tia, Jaqueline Cândido Ramos, 35 anos, por volta das 4h de ontem. Ainda sem entender o que realmente acontecia, ela passou pelo corredor estreito que divide as casas dos familiares na Rua 29 de Setembro, Vila da Paz, em Cachoeirinha.

Não percebeu que o irmão, ensanguentado, saía a passos largos, deixando um rastro pelo caminho. Quando entrou na casa, deparou com a cunhada, Lisiane Lopes de Souza, 31 anos, caída na cama do casal. Tinha pelo menos um corte profundo no pescoço. Entre seus braços, também sujo pelo sangue da mãe, estava o filho mais novo, de apenas um ano.

– Ela era uma ótima pessoa, não merecia um final triste como esse. Não consigo entender por que uma barbaridade dessas – lamentava Jaqueline.

O dia já havia amanhecido quando o companheiro de Lisiane, Rogério de Oliveira Cândido, 34 anos, deu entrada no Hospital Padre Jeremias com cortes no peito. De acordo com o delegado Rafael Liedtke, da 1ª Delegacia da Polícia Civil de Cachoeirinha, o ferimento foi causado provavelmente na briga com a companheira. Ontem, porém, ele não tinha sido ouvido pela polícia.

A pouco mais de dois quilômetros do local do crime, na Vila Imbuí, Vera Lopes de Souza, 50 anos – a mãe de Lisiane –, ainda tentava encontrar uma explicação para a perda, na manhã de ontem. Os dois netos expressavam o resultado das cenas traumáticas de horas antes.

O pequeno não chorava, mas mantinha os olhos arregalados, quase sem expressão. Já o menino de oito anos, que socorreu a mãe, entrou em choque. Era amparado por uma vizinha.

– Eu avisava a minha filha sobre o que poderia acontecer vivendo com esse sujeito violento. Tentei afastar ela desse homem, mas ela nunca deixou – conta Vera.

Lisiane foi morta enquanto ainda travava o final de um combate contra a leucemia. Já havia sido submetida a duas transfusões de sangue e estava com exames marcados até o final do tratamento. No ano que vem, planejava voltar a trabalhar.

Agressões nunca foram registradas na polícia

O último mês de vida de Lisiane teria sido um “inferno”. Pelo menos é assim que a mãe da jovem, Vera Lopes de Souza, define a relação. Era ela quem amparava a filha depois das brigas com Rogério. Há cerca de três meses, Lisiane havia voltado à casa da mãe, com os dois filhos, aos prantos. Tinha marcas de agressões no corpo. Mesmo com a insistência da mãe, ela não registrou ocorrência contra o companheiro. Dois meses depois, o perdoou. Ele prometeu que a violência não se repetiria, mas, para Vera, uma frase, meses antes, não se apagou:

– Ele falou: “se não vai ficar viva para mim, não vai ficar para os outros” .

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