SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

INQUILINO MATAM PROPRIETÁRIA PARA ROUBAR O CARRO


ZERO HORA 24/12/2013 e 25/12/2013 | N° 17654

JÚLIA OTERO

PASSO FUNDO. ATAQUE NO NORTE

Inquilinos matam aposentada. Mulher que alugava casa nos fundos de propriedade em Passo Fundo foi estrangulada por jovens que queriam roubar o carro dela



Há mais de 15 anos, Tânia Mara Barreto, 61 anos, morava em uma casa confortável próxima à Universidade de Passo Fundo, no Norte. Vivendo sozinha, conseguia companhia ao alugar para estudantes uma habitação de três peças construída nos fundos do pátio. Por isso, ela não estranhou quando um jovem casal se interessou pelo imóvel. Mas Gabriel Teixeira de Araújo, 19 anos, e uma garota de 15 anos tinham outros planos. Após três dias, tentaram roubar o Fiesta da aposentada, e Tânia acabou morta por estrangulamento.

Por volta das 19h de domingo, dois amigos do casal – José Henrique Rodrigues da Silva, 20 anos, e Dionatan Bento dos Santos, 21 anos – chegaram ao local. Em torno das 23h, eles se dirigiram até a residência da proprietária e anunciaram o assalto, enquanto recolhiam celular e outros objetos.

Mas o grupo não esperava a reação de Tânia, que se desesperou e começou a gritar. Gabriel, segundo a Polícia Civil, pegou uma corda, amarrou os punhos da vítima e a levou até a casa dos inquilinos. Ele tirou o próprio cinto para asfixiar a aposentada.

O roubo do veículo acabou frustrado. A 200 metros do local do crime, o sistema de travamento fez o carro parar. Mais tarde, dentro do Fiesta, os policiais encontraram o corpo de Tânia e um tapete enrolado com os objetos que haviam sido roubados.

– Vi um movimento estranho na rua, vi aquele carro que ela andava para cima e para baixo sendo dirigido por outro e estranhei. Comecei a ligar para a casa dela e nada. Até que liguei para a polícia rodoviária – conta uma testemunha que prefere não se identificar por medo de represálias.

A vizinha chamou a Polícia Rodoviária Federal porque a casa ficava próxima à BR-285, no bairro Leonardo Ilha, uma região de classe média.

– Por ficar perto da universidade, às vezes escutávamos histórias de estudantes sendo roubados na rua. Mas violência desse tipo nunca escutei. Estou chocada – disse outra vizinha, que também prefere ficar no anonimato.

No dia do crime, vítima almoçou com familiares

Moradores ficaram chocados com a brutalidade do caso. A vítima é mãe de um esportista conhecido em Passo Fundo, o piloto de Stock Car e GT3 Cláudio Ricci.

– No dia da morte, almoçamos juntos. Ela nem mencionou que tinha inquilinos novos. É tudo muito triste – lamentou Ricci.

Os policiais foram informados por testemunhas de que os suspeitos teriam embarcado em um Verona. Motorista do veículo, Silva foi preso na vila onde mora.

– Estou certa da autoria do crime porque tenho testemunhas e o depoimento de três dos quatro envolvidos – ressalta a delegada Carolina Goulart.

Com prisão preventiva decretada por latrocínio (roubo com morte), os jovens foram recolhidos ao Presídio Regional de Passo Fundo. O destino da adolescente dependeria de uma decisão do Ministério Público.


CLÁUDIO RICCI, FILHO DA VÍTIMA

ENTREVISTA - “Ser morta dessa maneira não tem explicação”


O piloto de Stock Car e GT3 conversou com Zero Hora na tarde de segunda-feira por telefone:

Zero Hora – Fazia tempo que a sua mãe alugava a casa? Ela já havia tido problemas?

Cláudio Ricci – Fazia tempo, alugava para estudantes. De vez em quando tinha problemas, mas sempre conversava com a gente. Dessa vez, ela alugou e não nos contou. No dia da morte, almoçamos juntos. Ela nem mencionou que tinha inquilinos novos.

ZH – Como era a sua mãe?

Ricci – Ela estava na melhor forma: vivia em volta dos netos, sempre contente com os bichinhos em casa. Tinha gato, cachorro, passarinho... Era uma pessoa muito amorosa. E estava em uma fase boa depois de ter problemas nos rins, estava bem. Ser morta dessa maneira não tem explicação.

ZH – O que o senhor espera que aconteça agora?

Ricci – Espero que (os suspeitos) continuem presos. Mas a gente sabe como é no Brasil. Estava falando com os policiais, e eles me disseram: “A gente coloca a nossa vida em risco e depois colocam os criminosos na rua de novo”. Enquanto não se fizer algo sério, como pena de morte, vai continuar tudo igual.

ZH – O problema é a falta de segurança?

Ricci – Sim, olha como estão as coisas. Aqui mesmo em Passo Fundo, que já falta policial, chega no final de ano e metade dos brigadianos vão para o Litoral. O Interior sempre fica abandonado e aí acontecem casos como o da minha mãe.

Postar um comentário