SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

PEQUENA CIDADE, TRAUMA GRANDE

ZERO HORA 31/12/2013 e 01/01/2014 | N° 17660


RÓGER RUFFATO


COTIPORÃ ANO 1 - 
Assalto com reféns em fábrica de joias deixou sequelas no município da Serra


Olhares desconfiados e praça vazia ao anoitecer denunciam: a cidade não é mais a mesma. Nem os adornos natalinos no centro de Cotiporã, na Serra, nem as apresentações artísticas são suficientes para manter os 4 mil habitantes nas ruas e apagar as más lembranças.

O sentimento com a proximidade do Ano-Novo é de angústia, principalmente para um grupo de 30 jovens que se viu na condição de refém, nas últimas horas de 2012.

Passava das 2h do dia 30 de dezembro de 2012 quando uma quadrilha desembarcou na cidade e rumou ao único bar aberto. Os frequentadores foram silenciados com gritos e tiros para o alto. Quem liderava o bando era o assaltante mais procurado do Estado, Elisandro Rodrigo Falcão, 31 anos. Em poucos minutos a quadrilha fez os moradores reféns e explodiu portas e cofres da fábrica de joias Guindani, ao lado da praça central.

Durante a fuga, o comboio da quadrilha foi interceptado por uma guarnição da Brigada Militar (BM) em uma estrada de chão batido que liga a área urbana de Cotiporã à RS-431. O encontro deflagrou intensa troca de tiros. Falcão e os comparsas Paulo César da Silva e Sérgio Antônio Ritter foram mortos. Outros bandidos fugiram levando reféns, libertados na madrugada seguinte. Acabaram presos.

A gritaria e os estrondos despertaram a população do centro. Uma aposentada de 75 anos nem desconfiava que seu neto estava entre os reféns e era levado pelos criminosos na caçamba de uma camionete com outros seis amigos.

– Escutei uns estouros bem fortes e acordei. Quando soube que ele tinha sido levado, horas depois, comecei a rezar – conta.

A tensão daquela véspera de Réveillon obriga a idosa a manter remédios para insônia em sua cabeceira. E, passado um ano, o assalto virou tabu. Com medo de que algo semelhante se repita, muitos planejam deixar a cidade neste feriadão. Uma semana antes do Natal, um frentista já arrumava a mochila e carregava o carro.

– Os planos são de não ficar aqui. Não fiquei traumatizado, mas acredito que será melhor passar o Ano-Novo em outro lugar. Vou me sentir mais tranquilo – diz o rapaz de 23 anos.

Com poucas opções de lazer, aos poucos Cotiporã retoma o costume de frequentar bares. Após o assalto à fábrica, as pessoas se sentiram desencorajadas a sair de casa.

– Demorou umas duas semanas para o pessoal voltar a frequentar o bar, mas o movimento está próximo do normal – constata o proprietário do bar invadido no assalto.

Uma estudante de Turismo que dirigiu o carro para a fuga da quadrilha e se esteve em fogo cruzado relata como os dias seguintes foram difíceis:

– Até a queima de fogos no Ano-Novo me despertou uma crise nervosa.

A polícia também mudou de postura. Incluiu Cotiporã e outros municípios pequenos da Serra nas rondas do Batalhão de Operações Especiais.


Postar um comentário