SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

VIOLÊNCIA NA CAPITAL

ZERO HORA 26 de dezembro de 2013 | N° 17655

JOSÉ LUIS COSTA

Perseguição a taxista foi flagrada por câmera. João Souza foi assassinado na segunda-feira, após discussão de trânsito


É por meio de imagens de uma câmera de vigilância que a polícia tenta identificar os assassinos do taxista João Pedro de Souza, 29 anos, em Porto Alegre. O crime ocorreu na tarde de segunda-feira, na Vila Nova, Zona Sul, após uma discussão de trânsito entre a vítima e dois homens em uma motocicleta.

Souza foi executado com tiro de revólver à queima-roupa, quando levava duas passageiras – uma mulher e uma menina – para casa. Uma câmera de um estabelecimento comercial flagrou o táxi sendo perseguido pela moto após um abalroamento envolvendo os dois veículos. O crime ocorreria pouco depois, na Rua Amapá.

A imagem mostra o táxi – um Voyage, prefixo 1212 – na Rua Amapá, e, logo a seguir, a passagem de uma moto Yamaha, modelo YBR, em tons branco e preto. A posição da câmera e a velocidade da moto não permitem visualizar a placa. Além disso, os dois homens usavam capacetes, dificultando a identificação da moto e dos assassinos. Mas a câmera mostrou outros veículos próximos – um carro branco, com um homem ao volante, e um motoboy.

– Acho que essas pessoas testemunharam o crime e espero que nos procurem, colaborando para esclarecer o caso. Vamos checar todas as informações – diz o delegado Rodrigo Pohlmann Garcia, da 4ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

“Tu vai ter de pagar”, teria dito um dos motoqueiros

Conforme Garcia, as passageiras estão em pânico e sem condições de descrever características dos criminosos. Na terça-feira, um alerta anônimo levou a polícia a localizar um suspeito, mas ele teria provado que estava em outro local e seu nome foi descartado.

O infortúnio do taxista começou a se desenhar logo após o embarque das passageiras em um supermercado da Avenida Cavalhada, às 17h30min de segunda. No cruzamento da Avenida Vicente Monteggia com a Estrada João Salomoni, o táxi e a moto se bateram, amassando levemente a lataria do Voyage, junto ao pneu traseiro direito. Souza desceu do carro e ouviu reclamações do motoqueiro, alegando que o taxista tinha quebrado algo da moto

– Tu vai ter de pagar – gritou o condutor da moto.

Souza entendeu que cada um deveria bancar seu prejuízo, voltou ao táxi e seguiu a corrida. Rodou cerca de 900 metros, quando percebeu pelo retrovisor a aproximação da mesma moto.

– Acho que vou me incomodar – disse o taxista para as passageiras.

Souza manobrava o carro para retornar, na Rua Amapá, e a moto emparelhou ao seu lado. Sem descer, o caroneiro puxou um revólver e atirou três vezes contra a porta do taxista. O vidro estava aberto. Um dos tiros acertou a axila esquerda de Souza. O projétil atingiu o coração, e o motorista morreu na hora. Os bandidos fugiram em direção à Vicente Monteggia. No táxi ficaram pertences de Souza e cerca de R$ 150.

Informações sobre o crime podem ser repassadas, de forma anônima, para o fone (51) 3354-2725, na 4ª DHPP.



“Era um guri calmo”, lembra colega


Neto de taxista, João Pedro de Souza morava no bairro Cristo Redentor, e era uma espécie de novato na profissão. Ex-instrutor de autoescola, separado, pai de uma menina de dois anos, Souza assumira cinco meses atrás o volante do táxi do avô, que se aposentou e foi morar em Tramandaí.

O ponto de táxi dele era no cruzamento da Avenida Jerônimo de Ornelas com a Rua Jacinto Gomes, onde o prefixo 1212 está cadastrado há mais de 32 anos. Nos últimos 20 dias, Souza dirigia um Voyage novo, modelo 2014, trabalhando sempre durante o dia.

– Era gente boa, um guri calmo, com muita paciência – recorda o motorista Clairton Cecato, 43 anos. –A gente ainda estava ensinando muita coisa para ele – lamenta outro colega, Edson Teixeira.
Postar um comentário