SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

VIOLÊNCIA AINDA EM ALTA EM SÃO PAULO

FOLHA.COM 28/02/2013 - 03h30

VIOLÊNCIA AINDA EM ALTA

Editorial


Não seria em dois meses que o novo secretário da Segurança Pública paulista, Fernando Grella Vieira, poderia interromper a onda de violência em São Paulo. Nem por isso torna-se menos preocupante que janeiro tenha sido o sexto mês seguido de aumento no número de assassinatos no Estado.

Na comparação com janeiro de 2012, houve alta de 16,9% nos casos de homicídios dolosos (com intenção de matar) em todo o Estado de São Paulo. Foram registrados 416 episódios, com 455 vítimas.

Embora a capital tenha observado aumento de 16,6%, similar ao do Estado, na Grande São Paulo o indicador cresceu mais, 24,2% --ou seja, o incremento foi mais acentuado nos municípios do entorno.

Dois outros aspectos merecem consideração. O primeiro, inquietante, é que os índices de violência seguem em ascensão. Tudo indica que os números de janeiro ainda reflitam as circunstâncias do ano anterior, quando Polícia Militar e crime organizado se engajaram num enfrentamento prolongado.

O segundo, porém, é mais alentador: o crescimento nos assassinatos observado em janeiro é bem menor que o registrado nos meses anteriores. Em dezembro, na comparação com o mesmo mês de 2012, a alta fora de 30,8%; em novembro, de 32%; em outubro, de 38%.

Talvez seja sinal de que o atual responsável pela Segurança Pública esteja obtendo algum progresso. Seu antecessor, Antonio Ferreira Pinto, deixou o posto em novembro, desgastado pela crise.

Serão necessários mais alguns meses, no entanto, para que se forme melhor juízo a respeito do desempenho de Fernando Grella Vieira. Por enquanto, especialistas concordam que ele aposta na direção correta: fortalecer as investigações, a cargo da Polícia Civil.

O não esclarecimento das ocorrências sem dúvida amplia a sensação de insegurança e favorece a bandidagem. Em janeiro, por exemplo, diversos outros crimes, como roubo e estupro, também aumentaram em São Paulo.

Parte do desafio está em restaurar a confiança da população na polícia. A taxa de homicídios havia caído, em anos recentes, ao patamar de dez por 100 mil, menos da metade da média nacional; tornando a subir, dissemina inquietude.

Pouco ajuda, nesse sentido, que a Secretaria da Segurança busque amenizar os dados de homicídios.

A análise oficial comparou janeiro com dezembro, perspectiva que ressalta uma redução dos assassinatos. A cartilha da própria pasta, contudo, manda cotejar com o mesmo mês do ano anterior, para contornar influências sazonais.

MANCHAS NO CENTRO HISTÓRICO

O SUL, 28/02/2013

WANDERLEY SOARES


O que deveria ser modelar está fora de controle

Não convém aos estrategistas do policiamento ostensivo de Porto Alegre e da Região Metropolitana sequer lembrar do linchamento até a morte de um homem, fato ocorrido segunda-feira última nas proximidades do Mercado Público, da prefeitura e da Praça XV, cartões postais da cidade que prepara suas vestes para receber uma ponta da Copa. Unido este episódio ao aumento dos índices de criminalidade em todo o Estado, todo o discurso do governo da transversalidade com territórios e mães da paz, além do prenúncio e anúncio da polícia científica e humanística, deságua num vazio. Tenho apontado, como um humilde marquês, aqui da minha torre com meus conselheiros, que o Centro Histórico deveria ser modelo e local de ensaios de projetos de segurança pública, se é que eles existem. Pois é no Centro Histórico que, na área cultural, aparece o Museu Júlio de Castilhos, cuja fachada é uma imundícia, onde o trânsito é uma bagunça sem fiscalização, onde o viaduto Otávio Rocha, na Borges de Medeiros, está entregue a marginalizados e a marginais, a vândalos e a assaltantes. É no Centro Histórico, sem policiamento, que um homem foi espancado, apedrejado e morto


Crime e castigo

No final da tarde de terça-feira, três bandidos, num carro roubado, entraram em confronto com policiais militares em Sapucaia do Sul. Um dos assaltantes foi preso, um fugiu e o outro foi morto no tiroteio. Na tentativa de fuga, o carro conduzido pelos bandidos atropelou uma criança, que não chegou a receber ferimentos de grande gravidade


Quadrilha

A Polícia Civil desarticulou no Vale do Sinos uma quadrilha que assaltava residências de luxo na Serra Gaúcha. Quatro homens foram presos na operação realizada ontem na Vila Coreia, em São Leopoldo. De acordo com os policiais, os assaltantes faziam um levantamento sobre as vítimas monitorando os horários de movimento nas residências. Foram apreendidos três carros, duas motos e eletrodomésticos.


Câmeras

As câmeras de vigilância do Ciosp não são confiáveis. Algumas não têm controle direcional e são parcialmente controláveis devido sua lentidão


Adolescente

Agentes do Denarc prenderam, no final da manhã de ontem, um adolescente de 17 anos na rua da Tuca, bairro Partenon, no conhecido ponto de tráfico do Campo da Tuca. Com o jovem, os policiais encontraram 37 pedras de crack embaladas e 26 buchas de cocaína. Conforme a polícia, o rapaz foi abordado a 300 metros da Escola Estadual de Ensino Fundamental Jerônimo de Albuquerque.


Bom senso

Seis torcedores do Corinthians conseguiram uma liminar junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo para ter o direito de assistir a partida contra o Milionários no Pacaembu pela Copa Libertadores. Onde estava o bom senso do magistrado ao tomar esta decisão?

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - O assassinato no Mercado Público, um centro histórico e postal do RS, repete o clamor dos moradores e comerciantes de Porto Alegre sobre a ausência do policiamento ostensivo preventivo e permanente, além de revelar que o sistema de monitoramento é inútil sem a vigilância de agentes preparados e atentos às telas. 

BARBÁRIE NA CAPITAL

ZERO HORA 28 de fevereiro de 2013 | N° 17357

Polícia identifica mendigo linchado



Foi a partir da divulgação das características da vítima – tatuagens peculiares nos dois ombros – que uma mulher de 39 anos deu as pistas à polícia sobre quem, afinal, era o homem espancado até a morte na madrugada de segunda-feira, em frente ao Mercado Público, centro de Porto Alegre. Os exames de digitais no Departamento Médico Legal (DML) confirmaram a identidade de Domingos Rodrigues Aronna, que havia completado 23 anos na sexta-feira

– Ele cometia roubos pelo Centro. Nos últimos meses, estava vivendo por ali, às vezes dormindo nos hotéis dessa região. Eu dizia para ele mudar de vida, que ainda era muito novo, mas ele era muito louco mesmo – diz a mulher, que se apresentou como namorada dele.

Os dois haviam se encontrado pela última vez na noite de domingo. Por volta das 21h, se despediram na parada do ônibus dela. Domingos teria ficado no Centro.

Conforme a polícia, o morto estava em liberdade condicional. Em 2010, ele foi preso e condenado pelo roubo de uma sacola com compras na Rua Sete de Setembro, no Centro. Esse tipo de crime, naquela região, não é exceção. Quando foi morto, a polícia encontrou na sua mochila documentos de um homem de 47 anos, morador de Guaíba, vítima de furto na área central.

Suspeito de assassinato diz não conhecer agressores

Em seu depoimento à 2ª DHPP, o único suspeito do assassinato preso até agora afirmou que o rapaz teria tentado assaltá-lo por volta das 4h15min no Terminal Parobé, por isso, gritou por socorro. Logo, três homens e uma mulher teriam aparecido em seu socorro. Ele foi autuado em flagrante pelo homicídio e afirmou não conhecer os agressores.

Ontem, o delegado Filipe Bringhenti, que comanda a investigação, começou a analisar as possíveis identidades dos responsáveis pela barbárie no centro de Porto Alegre. Domingos foi perseguido até a Rua Siqueira Campos, agredido a socos e pontapés e, já caído, foi golpeado com quatro pedradas usando piso de basalto.

– Foi um crime cruel. A hipótese de legítima defesa alegada pelo suspeito não se justifica – aponta o delegado.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

OSCILAÇÃO E QUEDA

O SUL, 27/02/2013

WANDERLEY SOARES

Segurança pública não passa pelo truque da multiplicação dos pães

Para o secretário de Segurança, Airton Michels, o crescimento do índice de homicídios no Estado "passa pela reformulação dos dados estatísticos". Difícil de entender essa linguagem da política de segurança pública científica e humanística do governo gaúcho da transversalidade. Digamos, por exemplo, o que tem a ver um linchamento ocorrido no coração do Centro Histórico de Porto Alegre, absolutamente despoliciado no início da manhã de segunda-feira última, com a reformulação dos dados estatísticos? De outra banda, aqui da minha torre, sempre apontei que as estatísticas oficiais teriam credibilidade se mostrassem as oscilações dos índices de violência e criminalidade e, nunca, apontar, enganosa e ciclicamente, a queda desses fenômenos, a menos que a transversalidade venha a descobrir o truque da multiplicação dos pães


Câmeras

Na área em que ocorreu o linchamento de segunda-feira, apenas um brigadiano cuida das câmeras de segurança e não dispõe de controle direcional. A média de PMs que ficam no atendimento do 190 é de quatro a cinco para toda a Porto Alegre. Nas vésperas da Copa, sem dúvida, o problema são os dados estatísticos


Paz

Um homem considerado o segundo na linha de comando do tráfico de drogas na Lomba do Pinheiro, Zona Leste da Capital, foi detido pela Brigada Militar portando um revolver de calibre 38. A prisão ocorreu durante uma ronda na área de um chamado Território da Paz. Aliás, esses territórios não estão dando certo e ainda não dá para saber se envolvem um programa de segurança ou simplesmente eleitoreiro. Pelo sim ou pelo não, da minha torre, proponho que seja instalado um território da paz com sede na Praça XV, ali na frente do Mercado Público, onde houve o linchamento


Cabide

O presidente da AsofBM (Associação dos Oficiais da Brigada Militar) defende a extinção da pasta da Segurança Pública em favor da prestigiação do comandante-geral da Brigada Militar e do chefe da Polícia Civil, que despachariam diretamente com o governador. Para Riccardi, a pasta da Segurança é um cabide de empregos. Tal ideia já foi posta em prática durante o governo de Alceu de Deus Collares


Decisões oficiais

Do DOE (Diário Oficial do Estado): mais nove soldados da Brigada tiveram renovadas suas cedências para a engomada e ilustrada FNS (Força Nacional de Segurança); publicada a aposentadoria de 61 professores quando as escolas engatinham no início do ano letivo. Isso se junta às cedências. Estão sobrando professores no ensino da transversalidade; a escrivã de polícia Aline de Oliveira Nunes foi colocada à disposição da prefeitura de Canguçu para exercer a função de secretária do Planejamento, Meio Ambiente e Urbanismo; o professor de história Ricardo Superti de Oliveira continua à disposição do TCE, onde exerce a função de chefe de gabinete de conselheiro; publicada a súmula de inexigibilidade de licitação para contratação da empresa Arquium Construções e Restauro Ltda. para prestação de serviço de climatização do segundo pavimento da ala governamental do Palácio Piratini no valor de R$ 1.281.849,97. Em passagem rápida pelo Piratini, notei que, de fato, o clima não está bom.

CRUEL ASSASSINATO AO LADO DE CARTÃO POSTAL DA CAPITAL GAÚCHA




ZERO HORA 26 de fevereiro de 2013 | N° 17355

AO LADO DO MERCADO

Morador de rua morre espancado. Suspeito de crime afirma que vítima tentou assaltá-lo no centro da Capital


EDUARDO TORRES

Um morador de rua morreu após ser atingido por socos, pontapés e pedradas em várias partes do corpo, nas imediações do Mercado Público, em Porto Alegre, às 4h de ontem. Quem passava pelo local, na altura da Rua Siqueira Campos, às 6h, deparava com os peritos analisando o corpo do homem, até a noite de ontem não identificado pelo Departamento Médico Legal (DML).

Estava ensanguentado e caído na calçada, com ferimentos profundos na cabeça. Ao lado dele, pedras de calçamento tinham marcas de sangue, indicando que foram usadas para agredi-lo até a morte.

O morador de rua foi massacrado por quatro homens e uma mulher, primeiro a socos e pontapés. E, por fim, levou pelo menos quatro pedradas na cabeça. As imagens do sistema de monitoramento da prefeitura mostraram o morador de rua fugindo do grupo desde o Terminal Parobé. Teria conseguido fazer a volta no Mercado até ser pego na calçada do outro lado.

– Foi um linchamento. Já temos identificado e preso um dos agressores e, com as imagens, vamos atrás do restante do grupo – explica o delegado Filipe Bringhenti, que investiga o caso pela 2ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Homem detido admitiu ter participado das agressões

Pouco tempo depois das agressões, um homem de 50 anos se apresentou à Brigada Militar. Estaria passando mal, com problemas cardíacos, e foi encaminhado ao Hospital de Pronto Socorro (HPS). Ele afirmou que o morador de rua havia tentado assaltá-lo, e um grupo de jovens reagiu e iniciou a perseguição. O homem confessou ter participado das agressões, mas garante que não desferiu o golpe fatal, com pedradas na cabeça.

– Ele admitiu que as agressões aconteceram por sua causa e que deu alguns chutes na vítima, mas diz que não conhece o homem que golpeou com a pedra – afirma o delegado plantonista Leandro Araújo.

O suspeito foi mantido sob custódia no HPS e, depois, autuado em flagrante pelo homicídio. Testemunhas apontaram à polícia que o homem morto dormia nas ruas do Centro nos últimos meses. Em um primeiro momento, a polícia chegou a divulgar o nome como sendo de um homem de 47 anos, morador de Guaíba. No começo da tarde, foi esclarecido que o morador de rua estava com os documentos de uma vítima de furto anterior dentro de uma mochila. Pela versão do suspeito, a perseguição teria se iniciado no Terminal Parobé.


Como teria sido o linchamento - Um homem de 50 anos teria se assustado com o morador de rua no terminal de ônibus da Praça Parobé, e gritado “pega ladrão!” . Um grupo de três homens e uma mulher passava por ali e teria resolvido ajudá-lo. Perseguiram, correndo, o morador de rua até a calçada do Mercado Público, diante da Rua Siqueira Campos. O morador de rua foi derrubado a socos e pontapés. Já caído, foi golpeado quatro vezes na cabeça com pedras de calçamento em basalto. Não teve chances de defesa e morreu no local.

SANTA CRUZ DO SUL - Família é refém durante assalto

Uma família foi feita refém na madrugada de ontem em Linha Pinheiral, interior de Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo. Por volta das 4h30min, dois homens encapuzados invadiram uma padaria. Segundo a Brigada Militar, o alarme tocou e o dono desceu ao local. Os assaltantes levaram o homem até a sua casa e roubaram R$ 10 mil e uma espingarda. Na saída, os dois encapuzados colocaram o comerciante, a mulher e a filha dentro do carro da família. Eles foram liberados mais tarde. A polícia faz buscas na região.



ZERO HORA - 27 de fevereiro de 2013 | N° 17356

ESTEIO - Bandido morre em tiroteio 

Um bandido morreu durante tiroteio com a polícia no início da noite de ontem, em Esteio. De acordo com a Brigada Militar, uma policial teve o carro roubado por três homens quando chegava em casa, em Sapucaia do Sul. Após a localização do veículo, houve perseguição e troca de tiros. Um dos criminosos morreu e os outros dois ficaram feridos. Um fugiu e outro foi encaminhado ao hospital em estado regular. Ele foi autuado em flagrante por roubo a mão armada e tentativa de homicídio. Durante a fuga, uma criança foi atropelada pelos bandidos. Até o final da noite, ela estava em estado regular.

GRAVATAÍ - Polícia faz busca por estuprador

A Polícia Civil segue em busca de informações que levem à identificação de um homem que violentou uma mulher em 14 de fevereiro, no bairro Parque dos Anjos, em Gravataí. Na segunda-feira, a Delegacia da Mulher de Gravataí divulgou um retrato falado digital do estuprador e pediu a colaboração da comunidade para tentar identificá-lo. Conforme a delegada Simone Chaves, da Delegacia da Mulher, várias denúncias chegaram à DP dando o nome de um suspeito. Um deles chegou a ser detido na empresa em que trabalha, em Glorinha, e foi submetido a reconhecimento pessoal – a vítima apontou que ele não era o estuprador. Além disso, o homem e seus patrões contaram que ele estava no trabalho no horário do crime. Informações podem ser dadas pelos telefones 181 ou (51) 3431-5273.

PORTO ALEGRE - Trio é preso com drogas na Capital

Três foram presos ontem à noite, na zona sul de Porto Alegre, com drogas e carro roubado. Segundo a Brigada Militar, o trio, que não teve as identidades reveladas, foi encontrado em um sítio, no Bairro Lajeado, por volta das 19h. Além do carro, que foi roubado ontem, foram apreendidos aproximadamente sete quilos de maconha e uma balança de precisão. Dois dos presos possuem antecedentes criminais. Um deles por porte ilegal de armas, tráfico de drogas e roubo; o outro, somente por roubo a pedestre. Eles foram encaminhados à 3ª Delegacia de Pronto Atendimento.








VIOLÊNCIA AUMENTA COM SOLTURA DE PRESOS, DIZ JUIZ


ZERO HORA 27 de fevereiro de 2013 | N° 17356

GANGORRA DO CRIME. Conforme titular da Vara de Execuções Criminais, déficit de vagas impulsiona a criminalidade


O juiz da Vara de Execuções Criminais (VEC) de Porto Alegre, Sidinei Brzuska, acredita que o crescimento da criminalidade em 2012 está diretamente relacionado à soltura de presos do regime semiaberto por falta de vagas nos albergues na Região Metropolitana. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) divulgou, na segunda-feira, os dados oficiais da violência. Revelou um preocupante aumento de homicídios (17,4%), de furtos de veículos (6,1%) e de roubos de veículos (9,2%).

Desde novembro, 500 apenados, com progressão ao regime semiaberto já autorizado pela Justiça – mas que seguiam atrás das grades por falta de vagas nos albergues –, estão sendo liberados das cadeias para ir até a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) em busca de lugar em albergues. A VEC não dispõe de números oficiais, mas estimativas indicam que, dos 500 liberados desde novembro, metade estaria solta.

A medida foi determinada pela Justiça, atendendo a pedido da Defensoria Pública, que classificou a situação dos presos como ilegal – pois a Susepe os mantinha no regime fechado, descumprindo ordem judicial para mandá-los para um albergue.

Mas, mesmo com os presos se apresentando à Susepe, a fim de forçar a transferência para um albergue, a corporação não tem lugar para alojar a todos. A cada dia, em média, 10 apenados procuram a VEC para relatar a situação e recebem ordem para voltar à Susepe na semana seguinte.

– A situação é grave. Temos cada vez menos vagas no semiaberto e cada vez mais presos nas ruas. O problema do semiaberto afeta diretamente a sociedade, refletindo no aumento de roubos e homicídios – lamenta Brzuska.

Em dezembro de 2010, para tentar abrir vagas nos albergues, a VEC da Capital autorizou cerca de 2 mil apenados do regime aberto a cumprir a pena em casa, sob a forma de prisão domiciliar. Pouco adiantou. Desde então, oito albergues sofreram interdições judiciais – gerando um déficit de vagas no semiaberto que chega a 1,4 mil.

As carências contribuem para fugas do semiaberto. De cada cem apenados, apenas 15 permanecem em albergues após 10 meses. A maioria foge ou volta para o regime fechado – por ter sido flagrada cometendo um novo crime. Brzuska afirma que o problema se acentua pela escassez de agentes penitenciários, propiciando inclusive mortes de apenados em albergues. Onze foram assassinados e seis estão desaparecidos desde fevereiro de 2010 na Região Metropolitana, o que obrigou a VEC a interditar o Instituto Penal de Charqueadas e a Colônia Penal de Venâncio Aires por falta de segurança.

– Enquanto não existir um controle efetivo do semiaberto, qualquer política de segurança pública será insuficiente para conter a criminalidade – afirma Brzuska.

JOSÉ LUÍS COSTA


ENTREVISTA- “Vamos construir três albergues”

Airton Michels/Secretário da Segurança Pública



O secretário da Segurança Pública, Airton Michels, comentou ontem a influência da soltura de presos nos índices de criminalidade. Veja a síntese da entrevista:

Zero Hora – O juiz Sidinei Brzuska credita o aumento da criminalidade à liberação de presos do semiaberto por falta de vagas nos albergues. Qual a sua opinião?

Airton Michels – Pode ser uma possibilidade, mas precisaríamos mais tempo para confirmar. Seguramente, a questão penitenciária é um dos fatores da criminalidade. Ainda no primeiro semestre, teremos anúncio de muitas obras, com geração de vagas.

ZH – Os presos estão saindo das cadeias e indo até a Susepe mas, como não existem vagas, acabam soltos. Como avalia a situação?

Michels – Vamos construir três albergues em breve, com 450 vagas. Em abril, devemos começar as obras.

ZH – O déficit de vagas no semiaberto chega a 1,4 mil. Há pavilhões fechados ou incendiados desde 2010, em Porto Alegre. Também há albergues interditados por falta de segurança. Quantos agentes faltam?

Michels – Temos um déficit de 1,4 mil agentes e vamos abrir este ano um concurso. Em 2011, contratamos 800 agentes. Os agentes conquistaram o direito da aposentadoria com 30 anos de serviço. Com isso, 600 se aposentaram a partir de 2012. Temos 3 mil agentes.

ZH – No regime fechado, o novo pavilhão da Modulada de Charqueadas está pronto, mas não pode ser ocupado. O novo pavilhão da Modulada de Montenegro está interditado por questões ambientais.

Michels – As coisas quando começam mal terminam mal. Por que ainda não começamos nenhuma obra prisional no Estado? Porque estamos fazendo projetos executivos que tenham perfeição técnica. Quando seriam entregues 500 vagas em Montenegro, deparamos que não foram tomadas providências ambientais. Em Charqueadas, não providenciaram a cozinha.

ZH – Esses pavilhões de Montenegro e Charqueadas foram anunciados pelo subsecretário Juarez Pinheiro para março de 2012. Por que é tão difícil cumprir promessas?

Michels – Nunca se deve prometer prazos em termos de obras. Porque o secretário fez a promessa? Porque os construtores diziam que em março terminariam, só que não terminaram.


O que promete o secretário da Segurança, Airton Michels:

PARA CONTER OS HOMICÍDIOS - Incremento de 2,5 mil novos policiais militares para patrulhar as ruas de Porto Alegre e Região Metropolitana, a partir de abril. O novo contingente de soldados está em curso, com formatura prevista em até 60 dias. Para Michels, uma das razões da elevação dos índices de homicídios é uma nova metodologia de tipificação dos assassinatos.

“Até anos anteriores, tinha caso de homicídio que não entrava na contagem, pois era cadastrado como lesão corporal ou encontro de cadáver.”

PARA CONTER O ROUBO DE VEÍCULOS - Concentrar esforços nos locais mais visados. Dos 11.983 veículos roubados no Estado, em 2012, 6.101 casos foram registrados em Porto Alegre, que teve crescimento anual de 10,8% – o aumento no Estado alcançou 9,27%.



COMENTÁRIO DO BENGOCHEA  - E não foram poucas as vozes como a nossa neste mesmo blog que alertamos desde o início para os efeitos da LEI DA IMPUNIDADE (Lei 12.403) criada para acobertar a morosidade da justiça e o descaso do Executivo na execução penal. Agora, até os magistrados estão enxergando o óbvio, mas nada fizeram para impedir a insanidade de aplicar esta lei inoportuna, falaciosa e letal para o povo brasileiro.

As medidas anunciadas são incapazes de enfrentar e reduzir o crescimento da violência no RS, pois o incremento no efetivo é insuficiente para ocupar os espaços de risco, concentrar esforços e fortalecer os policiais; os albergues são portas de saída da bandidagem; as políticas prisionais ficaram nas promessas de campanha; os presídios continuam um caos; a justiça não interage e nem se envolve na resolução das questões ordem pública pertinentes à ela; e não existe um sistema de justiça criminal capaz de harmonizar os poderes, desburocratizar as ligações, reduzir o corporativismo, acabar com os conflitos organizacionais, agilizar os processos e desenvolver um ciclo permanente e responsável na execução e aplicação das leis penais para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio.

Quando é que as autoridades brasileiras e a sociedade organizada irão acordar, tirar a venda da cegueira e passar a exigir uma profunda reforma da justiça brasileira? Será possível que elas acreditam que medidas policiais somadas às leis brandas, punições leves e sistema permissivo possam dar conta de violência e criminalidade sem envolvimento direto de uma justiça coativa?

Em que país democrático do mundo, uma cultura de ordem e respeito foi desenvolvida com leis brandas e justiça fraca?

BANDIDO É NOVAMENTE PRESO POR ROUBO DE CARRO

ZERO HORA ONLINE 27/02/2013 | 01h30

Trio é preso com carros roubados na zona norte de Porto Alegre

Suspeitos foram pegos em estacionamento do bairro São Geraldo com veículo clonado e outro roubado na terça-feira



Três homens foram presos com dois carros roubados na zona norte da Capital, na noite de terça feira. Os suspeitos, que não tiveram a identidade divulgada, foram capturados em uma operação da Delegacia de Furtos e Roubo de Veículos (DRFV) de Porto Alegre.

O trio estava sob investigação da polícia há mais de um mês. Na terça-feira, por volta das 22h30min, uma equipe de seis agente da DFRV realizou a abordagem em um estacionamento na Rua Buarque de Macedo, no bairro São Geraldo.

No local foram encontrados uma caminhonete Kia Sorento com placas clonadas e a chave de um Toyota Corolla. O veículo, que foi localizado a algumas quadras do estacionamento, havia sido roubado na mesma noite.

Um dos presos tem antecedentes por receptação de carro roubado e já havia cumprido pena no sistema prisional. Os três são suspeitos de cometer outros furtos e roubos de veículos na região.


DIÁRIO GAÚCHO

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

ESCALADA VIOLENTA


ZERO HORA 26/02/2013 | 06h03

Homicídios crescem 17% em um ano no Rio Grande do Sul

Secretaria de Segurança Pública divulgou dados da criminalidade no Estado em 2012


Vanessa Beltrame

No final da tarde de segunda-feira, sem alarde, a Secretaria de Segurança Pública do Estado divulgou os dados da criminalidade no Rio Grande do Sul referentes ao ano passado. Quando comparados às estatísticas de 2011, os dados revelam um aumento no índice de crimes violentos.

O número de homicídios cresceu 17,47%, depois de ter sofrido uma redução de 0,36% entre 2010 e 2011, enquanto os roubos de veículos — que vinham crescendo desde 2010 — continuam em ascensão: de 2011 para 2012, aumentaram 9,27%.

Os roubos cresceram 1,37%, enquanto os furtos, em que não há uso de violência, caíram 4,23%. Para o consultor de segurança José Vicente da Silva Filho, coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo e secretário nacional de Segurança Pública entre julho e dezembro de 2002, ter um aumento no número de roubos e uma queda nos furtos é preocupante, uma vez que significa a presença de criminosos mais violentos.

— Para a estrutura social e econômica que o Rio Grande do Sul tem, a situação deveria estar muito melhor — avalia o consultor.

Com uma população aproximada de 10,6 milhões de habitantes, de acordo com o Censo 2010 do IBGE, o Estado teria uma média de 18,3 mortes para cada 100 mil pessoas. O número do Rio Grande do Sul ainda é menor do que a média nacional (27,2 mortes por 100 mil), mas é maior do que o da cidade de São Paulo (11 mortes por 100 mil), que tem uma população parecida, de 10,4 milhões de habitantes.

— Querer invocar causas socioeconômicas, como as epidemias de crack, para justificar o aumento da violência, não é correto. O erro é do aparato de segurança do Estado, que falhou com a sociedade — afirma José Vicente.

O secretário de Segurança Pública, Airton Michels, foi procurado ontem por ZH, mas afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que só se pronunciará à imprensa hoje. O chefe da Polícia Civil, delegado Ranolfo Vieira Jr., e o comandante-geral da Brigada Militar, Fábio Duarte Fernandes, disseram que só falariam sobre os índices depois da declaração de Michels.


SUA SEGURANÇA | Humberto Trezzi

Aumentos preocupantes

É verdade que alguns crimes importantes e que incomodam muito a população, como estelionato e o furto comum (aquele do batedor de carteira ou do ladrão de botijão de gás), tiveram uma queda no número de ocorrências entre 2011 e 2012. Outros, como extorsão, também caíram mas são numericamente pouco significativos, dentro do universo de delitos cometidos no Rio Grande do Sul. O preocupante, nas estatísticas divulgadas ontem pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), é que quase todos os crimes que envolvem violência ou grave perda patrimonial aumentaram. Alguns, num ritmo que acompanha o crescimento da população, como o assalto. Outros, como o roubo de veículos (com arma) e o furto de veículos (sem violência), superam em muito o crescimento populacional e não podem, portanto, ser explicados por esse fator.

Mas, de todos os delitos que tiveram crescimento, o mais preocupante é o homicídio – até por tirar a vida, o bem mais precioso. Foram 17,47% de aumento. Um golpe nas expectativas das autoridades, por vários motivos. Um deles é que os assassinatos tinham sofrido uma ligeira redução entre 2010 e 2011, voltando a crescer agora. O outro fator de espanto é que, sempre é bom reconhecer, as polícias têm se esforçado para combater os homicídios. Tanto a BM como a Polícia Civil montaram forças-tarefas para prevenir e reprimir este delito. E, apesar do esforço, a morte continua campeando, sobretudo acertos de contas entre traficantes da Grande Porto Alegre. Talvez um dos problemas seja que esses mutirões são realizados por policiais vindos do Interior, que pouco conhecem das vilas metropolitanas – menos ainda, dos delinquentes que agem nelas.


EM SANTA CRUZ - Família é refém durante assalto

Uma família foi feita refém na madrugada de ontem em Linha Pinheiral, interior de Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo. Por volta das 4h30min, dois homens encapuzados invadiram uma padaria. Segundo a Brigada Militar, o alarme tocou e o dono desceu ao local. Os assaltantes levaram o homem até a sua casa e roubaram R$ 10 mil e uma espingarda. Na saída, os dois encapuzados colocaram o comerciante, a mulher e a filha dentro do carro da família. Eles foram liberados mais tarde. A polícia faz buscas na região.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - A escalada da violência não surpreende quem acompanha o estado de insegurança no Brasil. Vivemos num país onde não existe um Sistema de Justiça Criminal; as penas são brandas e favorecem os autores de delitos; as polícias estão sucateadas e enfraquecidas; o setor prisional é um caos; os poderes político e judicial agem com descaso e sem harmonia ou interação; e os parlamentares criam benevolências legais para acobertar a negligência dos governantes e a morosidade do judiciário, sem se preocupar com a vida, a saúde e o patrimônio do povo que representam. No Brasil, se matar um animal, o matador é preso inafiançável, mas executar uma pessoa não dá nada e ainda recebe o abrigo de leis brandas, a cobertura de variados recursos, a morosidade da justiça, o transitado em julgado centralizado no supremo, o domínio e portas abertas do caos prisional, os benefícios sem monitoramento, o cumprimento de apenas 1/6 da pena, a ociosidade diante da desobrigação do trabalho, o abrandamento dos crimes hediondos e as salvaguardas das leis que semeiam a impunidade e colhem a crueldade de bandidos que são presos várias vezes, mas ficam livres para roubar, traficar, assaltar, ferir, executar desafetos e tirar a vida, a saúde e o patrimônio de pessoas trabalhadoras e inocentes por motivos banais. Enquanto o povo sofre com o terror e impotência, os poderes político e judiciário agem com indiferença como se não vivessem a mesma realidade do povo que policiais e agentes prisionais tentam minimizar com muito esforço e risco de morte.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

LIBERDADE PARA MATAR



ZERO HORA 25 de fevereiro de 2013 | N° 17354

Foragido do semiaberto é o suspeito de atirar em PM


O jovem apontado como autor do tiro que matou o policial militar da reserva Jorge Alberto Amaral, 44 anos, na noite de terça-feira, em Caxias do Sul, estava foragido do sistema prisional após ganhar a liberdade graças a um benefício da legislação.

Isac Francisquetti de Souza, o Buiu, 25 anos, foi preso com o outro envolvido no crime, Renato Correa Drum, o Diogão, 27 anos, na noite de sexta-feira, após uma investigação do Serviço de Inteligência da Brigada Militar, com apoio da Polícia Civil.

Souza teria sido o criminoso que entrou em luta corporal com o sargento da reserva, após uma perseguição. Ele progrediu do regime fechado ao semiaberto e, no dia 14 de janeiro, obteve autorização para deixar o Instituto Penal por quatro dias. Ele não retornou à cadeia.

A autorização foi concedida quando a juíza Sonáli da Cruz Zluhan, da 3ª Vara Criminal, respondia pela Vara de Execuções Criminais (VEC). Sonáli, que cobria as férias da titular da VEC, Milene Fróes Rodrigues Dal Bó, explicou que detentos do semiaberto têm direito a 35 saídas temporárias por ano, de no máximo sete dias cada.

– Não lembro o motivo da dispensa – comentou a juíza.

Segundo o delegado regional da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), Roniewerton Pacheco Fernandes, as solicitações podem ser feitas ao administrador do sistema prisional, mas quem concede o pedido é um juiz. A administradora do Instituto Penal, Marisa Grzebielukas, reitera que a VEC autoriza as saídas, e o Instituto apenas as distribui conforme pedidos dos detentos. Marisa lembra que Souza chegou ao albergue no dia 13 de janeiro e pediu saída por quatro dias. Foi liberado no dia seguinte.

– Ele disse que queria ficar com a família, porque havia permanecido muitos meses no regime fechado. Se a VEC defere as 35 saídas por ano, não podemos negar – explica Marisa.

A administradora estava de licença- saúde quando Souza recebeu o benefício. Ela conta que o preso tem histórico de fuga. No ano passado, antes de voltar ao regime fechado, ele pulou o muro do Instituto após contagem realizada às 18h30min e não voltou. Souza tem passagens na polícia por receptação, roubo, furto, tentativa de homicídio e formação de quadrilha.

Em depoimento à polícia, a dupla admitiu envolvimento na morte. Apontado pelo comparsa como autor do tiro que matou Amaral, Souza alegou que o disparo foi acidental. Souza admitiu que o tiro partiu da arma que ele portava, e não do revólver do PM.

CRISTIANE BARCELOS | CAXIAS DO SUL


IMBÉ - Bando faz reféns em supermercado

Um grupo de 16 pessoas, entre funcionários e clientes do supermercado Assun de Imbé, no Litoral Norte, ficou refém de um bando de assaltantes na manhã de ontem. Conforme a polícia, os assaltantes invadiram o local por volta das 7h, quando os funcionários chegavam para abrir o estabelecimento.

Seis homens armados anunciaram o assalto. Os reféns foram trancados em um depósito e tiveram os pulso algemados com lacres plásticos. O roubo durou cerca de um hora. Os bandidos não conseguiram levar o dinheiro do cofre principal. Apenas os cofres que ficam junto aos caixas foram abertos. A quantia levada foi de R$ 7 mil.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - A justiça nem lembra o motivo do benefício dado ao bandido. É com este descaso e no papel que funciona o sistema de justiça criminal brasileiro. Para o bem da paz social no Brasil, uma das primeiras iniciativas da sociedade organizada seria reformar a justiça brasileira criando um SISTEMA DE JUSTIÇA CRIMINAL independente, técnico, ágil nos processos, eficiente nas ligações, desburocratizado, integrado, comprometido com o interesse pública, diligente com a ordem pública e envolvendo o judiciário, o MP, a defensoria, as forças policiais e as guardas prisionais de modo a fazer funcionar o ciclo desde a prevenção dos delitos até a ressocialização do apenado da justiça. Este sistema devidamente amparado por leis rigorosas, controles, vigilância, monitoramento, pesos e contrapesos, disciplina e eficácia pode aumentar as penas para prisão perpétua para o crime capital, trabalho obrigatório aos apenados, progressão somente após atingir 4/6 da pena e concessão de benefícios e licenças monitoradas e canceladas no caso de quebra de requisitos e protocolos.

GRANADA EM ÁREA BOÊMIA DA CAPITAL GAÚCHA



ZERO HORA 25 de fevereiro de 2013 | N° 17354

PORTO ALEGRE. Granada lançada em área boêmia

Os frequentadores e moradores de uma região de intensa atividade boêmia no centro de Porto Alegre foram surpreendidos pela ação de uma turma de jovens no amanhecer de ontem. O grupo arremessou uma granada na frente do bar Adegas, na Rua Marechal Floriano. O artefato, que não explodiu, tinha características de explosivos fabricados na época da II Guerra Mundial.

– Os frequentadores teriam ouvido o grupo gritar que era Bala na Cara (uma das mais violentas gangues de traficantes da Capital) – relatou o capitão Ederson Trajano, do 9º Batalhão de Polícia Militar.

Pouco antes das 6h, uma patrulha do 9º BPM isolou a área. Logo a seguir, o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) chegou ao local e neutralizou a granada com jatos de água. Levado para uma pedreira, o artefato foi detonado no começo da tarde. O relato dos frequentadores dos bares será o ponto de partida da investigação sobre a origem da granada. A apuração deverá ser feita pela Polícia Civil. O major André Cruz Córdoba, comandante do 9º BPM, confirmou que o modelo da granada e sua aparência (com gomos metálicos) é similar aos usados na II Guerra Mundial:

– Inclusive tinha aparência antiga. É a primeira vez que tenho notícia de um explosivo desse tipo ser jogado na área central da Capital.

O major disse que outras granadas encontradas recentemente eram de treinamento do Exército, mas modernas.

DETRAN ANUNCIA RIGOR CONTRA FURTO

ZERO HORA 25 de fevereiro de 2013 | N° 17354

MAIS PROMESSAS

Investigado pela Polícia Civil, o sumiço de veículo cedido à BM em depósito oficial põe o órgão de trânsito outra vez contra a parede


“Não vai ficar assim, será uma punição exemplar”. Essa é a promessa do diretor técnico do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Ildo Mário Szinvelski, a respeito do mais novo crime ocorrido dentro de um depósito de veículos credenciado pelo órgão. O furto de uma caminhonete Mitsubishi L200, revelado por Zero Hora no sábado, motivou um enérgico anúncio de providências por parte das autoridades de trânsito.

Agarantia é mais uma que vem se somar a outras 10 medidas anunciadas em 2012. Daquela vez, a promessa surgiu após Zero Hora revelar, na série de reportagens Veículos Depenados, o furto de peças de carros e caminhões guardados em Centros de Remoção e Depósito (CRDs) do Detran. Agora, outro furto gera perplexidade.

O caso mais recente é o da L200. Depois de ser apreendido transportando drogas, armas e munição, em 19 de outubro, o veículo foi recolhido ao pátio do CRD do Vale, situado na Rua Dona Teodora, zona norte de Porto Alegre. Atendendo a um pedido do 21º Batahão de Polícia Militar, a Justiça permitiu que o veículo fosse cedido para uso da Brigada Militar. Quando os policiais foram buscar a caminhonete, a surpresa: ela havia sumido do pátio do depósito. Foi procurada por dois dias, até que os próprios donos do CRD registraram na Polícia Civil o desaparecimento do veículo.

Luiz Majewski, pai da proprietária do CRD do Vale, Lara Majewski, diz que os donos do depósito foram vítima de furto.

– Pelo que apuramos, um ex-funcionário nosso, aliado com o dono de um guincho, levou a caminhonete. Inclusive já tentaram vendê-la duas vezes. Todos os detalhes nós estamos passando para a Polícia Civil.

Ampliação de terreno teria facilitado ação de ladrões

Majewski afirma que só teve certeza do furto ontem. Acredita que a ação dos ladrões foi facilitada pelo fato de o depósito ter sido ampliado, de maneira provisória, para um terreno de 1,5 hectare, contíguo à sede do CRD. Há um ano, a área foi locada para fazer um leilão de veículos apreendidos. Após algum tempo, acabou se transformando em depósito provisório, sem câmera de vigilância e outros itens de segurança. A precariedade tem facilitado a ação de ladrões na área.

– Nós estamos negociando uma área de três hectares para transferir este depósito de maneira definitiva – afirma Majewski.

CARLOS WAGNER E HUMBERTO TREZZI




Depósito está ameaçado de ser descredenciado

A titular da Delegacia de Roubos de Veículos da Polícia Civil, delegada Vivian Nascimento, abriu inquérito por furto para checar o caso da L200 sumida dentro do depósito oficial. Já o Detran quer explicações:

– Trata-se de um caso de polícia, que será investigado com rigor, pois o terceirizado é o responsável pela guarda e conservação do veículo recolhido e encaminhado ao depósito. O empresário do CRD do Vale responderá administrativa, civil e penalmente e poderá ser descredenciado – comenta o diretor técnico do Detran, Ildo Mário Szinvelski.

O dirigente ressalta que foi publicado há pouco decreto que institui força-tarefa para efetuar a identificação de todos os veículos e sucatas passíveis de perícias, liberações de restrições policiais e judiciais, dentro dos depósitos oficiais. O objetivo é viabilizar os leilões administrativos e a destinação ambientalmente correta desses materiais abandonados nos CRDs.

As 10 promessas de 2012

Em agosto, após ZH revelar furtos em depósitos oficiais de veículos, o Detran anunciou uma série de medidas. Três promessas foram cumpridas, duas não e as demais foram parcialmente cumpridas:

1) A separação dos veículos oriundos de crimes e acidentes A ideia é acelerar procedimentos para liberação dos veículos em depósito (são 75,3 mil em todo Estado).
- Como está: parcialmente cumprida. Vale para os novos credenciados. Os CRDs antigos, superlotados, receberam prazo para se adequar.

2) Mudanças na forma de preenchimento do Termo de Remoção e Depósito de Veículo O documento gera prova das condições do veículo na entrada em depósito.
- Como está: cumprida.

3) Adequação do sistema informatizado para inclusão das imagens e dados adicionais é um banco de dados dos veículos.
- Como está: não cumprida. Mesmo após reuniões para integração de dados entre Detran, Procergs e integrantes da Secretaria da Segurança Pública, carece de plataforma-padrão informatizada.

4) Exigência de registro fotográfico do veículo no local da ocorrência e no depósito, além de decalques de chassis e motor visa a verificar se algum objeto sumiu do carro apreendido.
- Como está: parcialmente cumprida. Portaria obriga a medida a partir de dezembro.

5) Restrição de acesso de pessoas e veículos recolhidos por ilícitos, salvo se houver autorização policial A meta é evitar ladrões nos pátios.
- Como está: cumprida, segundo o Detran.

6) Retirada dos veículos dos depósitos para reparos Objetivo é limitar a circulação de pessoas.
- Como está: cumprida.

7) Aceleração de inquéritos, coleta de provas e perícia A ideia é esvaziar os pátios dos depósitos.
- Como está: parcialmente cumprida. A meta é liberar carros no máximo em 90 dias. Conforme o Detran, a tarefa compete à Polícia Civil e ao IGP.

8) Intensificação de leilões de sucatas O objetivo é esvaziar os pátios superlotados.
- Como está: parcialmente cumprida. Alguns leilões foram feitos, mas os depósitos continuam lotados. Tramita projeto de lei para acelerar os leilões.

9) Credenciamento de novos centros dentro dos novos padrões de segurança Visa a aumentar a capacidade de guardar veículos apreendidos.
- Como está: parcialmente cumprida. Foi credenciado um novo CRD na Capital, mas outros estão pendentes de liberação de alvarás pelo município.

10) Uso de lacres, fitas e similares nas portas O objetivo é que o veículo não seja aberto após ser apreendido. Essa promessa foi recomendada pelo Conselho Estadual de Trânsito e aceita pelo Detran.
- Como está: não cumprida. Tramita projeto de lei no Legislativo.

DESIGUALDADE NÃO GERA VIOLÊNCIA


Brasil prova que desigualdade não gera violência

Um dogma repetido à exaustão por jornalistas e acadêmicos com orientação ideológica de esquerda é o de que pobreza e desigualdade são as causas principais da violência. Alguns, como Marcelo Lopes de Souza, até usam uma retórica malandra para relativizar essa relação de causa e efeito que eles estabelecem a partir de pressupostos puramente ideológicos, mas a conclusão final de seus escritos vai sempre na direção de priorizar o combate à desigualdade como forma de reduzir a violência.

Ora, mas o Brasil é justamente a prova de que essa causalidade não tem comprovação empírica. Desde o Plano Real, o salário mínimo subiu muito acima da inflação - ganho real de 75% só no período de 1995 a 2004 -, milhões de pessoas saíram da pobreza e ainda houve uma rápida diminuição da desigualdade de renda (Néri, 2006). O gráfico abaixo mostra isso claramente, pois houve queda da desigualdade dos rendimentos do trabalho de 1995 em diante e, a partir de 2001, declinou também a desigualdade medida pela renda domiciliar per capita - RDPC.




Fonte: HOFFMAN, 2006

E não venham dizer que a queda do índice de Gini medido pelos indicadores acima foi pequena, não. Uma pesquisa realizada com dados de 74 países mostrou que, de 2001 a 2005, a queda da desigualdade ocorrida no Brasil mostrou-se mais rápida do que em 77% desses países. E, ao comparar o Brasil consigo mesmo, constata-se que a velocidade da queda recente da desigualdade foi tão grande quanto o aumento da concentração de renda ocorrido na década de 1960, período sobre o qual os especialistas são unânimes em dizer que houve uma enorme elevação da desigualdade. Por conta disso, a concentração de renda era, em 2005, a mais baixa registrada no Brasil desde trinta anos antes (Barros et al., 2006).


Mas, apesar de a pobreza e a desigualdade terem diminuído de forma significativa, desde 1995, a proporção de homicídios do sexo masculino no total de óbitos por causas externas teve um crescimento considerável em âmbito nacional e em quase todas as regiões entre 1990 e 2000, conforme o gráfico abaixo. Já no período que vai de 2000 a 2005, quando a queda da desigualdade até se acelera, deu-se um fato curioso: a proporção de homicídios declinou ligeiramente no Centro-Oeste e teve uma redução considerável no Sudeste, mas aumentou em todas as demais regiões do país! Assim, a pequena queda ocorrida na proporção de homicídios no total de óbitos do país, durante esse período, deve-se quase que exclusivamente à forte queda verificada no Sudeste, tendo em vista a grande participação dessa região no conjunto da população brasileira.



Fonte: SÁ, 2011

Na verdade, a redução da violência mostrada nesse gráfico não se deu realmente na região Sudeste, mas apenas no estado de São Paulo! Considerando-se o número de mortes violentas entre jovens de 15 a 24 anos, do sexo masculino, vemos que o número de mortos por cem mil teve queda de 48% nesse estado só no período de 2001 a 2006. Já a taxa de homicídios dolosos na capital paulista despencou de 51,23 por cem mil habitantes para menos da metade (22,98) no período que vai de 2000 a 2005. Depois, a taxa caiu ininterruptamente até 2011, quando alcançou 8,95. Somente em 2012 houve um recrudescimento da violência, com uma taxa acima de 11 homicídios dolosos por cem mil habitantes, por conta de confrontos do PCC com a polícia - situação até certo ponto semelhante com o que se vê agora em Santa Catarina. Ainda assim, a capital paulista tinha, em 2011, uma taxa de homicídios cinco vezes menor do que em 2000 (ver aqui). Não é a toa que, hoje, o estado de São Paulo figura entre os menos violentos do país, conforme os dados do Mapa da Violência (Sá, 2011).


Diante disso, se aqueles que apontam a pobreza e a desigualdade como causas principais da criminalidade levassem a sério a lógica do seu pensamento, deveriam concluir, com base nos dados citados, que as únicas áreas do Brasil onde houve melhora da situação social foram a região Centro-Oeste e o estado de São Paulo, especialmente neste último. No resto do Brasil, a desigualdade e a pobreza só poderiam ter aumentado. Afinal, só isso poderia justificar, por exemplo, o aumento da proporção de homicídios dolosos no total de óbitos verificados no Sul e no Nordeste quando se comparam 1990, 2000 e 2005.

Mas jornalistas e intelectuais engajados não costumam seguir a lógica.

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BARROS, R. P. et al. A queda recente da desigualdade de renda no Brasil. In: BARROS, R. P.; FOGUEL, M. N.; ULYSSEA, G. (org.). Desigualdade de renda no Brasil: uma análise da queda recente. Brasília: Ipea, v. 1, 2006.
HOFFMAN, R. Queda da desigualdade da distribuição de renda no Brasil, de 1995 a 2005, e delimitação dos relativamente ricos em 2005. In: BARROS, R. P.; FOGUEL, M. N.; ULYSSEA, G. (org.). Desigualdade de renda no Brasil: uma análise da queda recente. Brasília: Ipea, v. 1, 2006.
NERI, M. Desigualdade, estabilidade e bem-estar social. BARROS, R. P.; FOGUEL, M. N.; ULYSSEA, G. (org.). Desigualdade de renda no Brasil: uma análise da queda recente. Brasília: Ipea, v. 1, 2006.
SÁ, E. B. S. Análise espacial do crime e da dinâmica da violência entre 2007 e 2010 em Curitiba. Trabalho de Conclusão de Curso. Departamento de Geografia da Universidade Federal do Paraná, 2011.


fonte: http://tomatadas.blogspot.com.br/2013/02/brasil-prova-que-desigualdade-nao-gera.html?showComment=1361790491743#c1166578622149041628

Matéria indicada por 
Anselmo Heidrich