SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

sábado, 29 de junho de 2013

TAXISTA É MORTO A FACADAS

ZERO HORA ONLINE 29/06/2013 | 03h59

Taxista é morto na zona sul da Capital. Vítima foi atendida pelo Samu, mas não resistiu aos ferimentos, possivelmente causados por faca


Colisão aconteceu na Rua Taquary, bairro CristalFoto: Dani Barcellos / Especial


Um taxista foi morto entre o final da noite de sexta-feira e o início da madrugada de sábado, em Porto Alegre. Conforme a Brigada Militar, Cleomar Santos da Silva, 49 anos, estava ferido dentro de seu táxi quando colidiu com outro veículo no bairro Cristal.

De acordo com informações que testemunhas deram à Polícia Civil, o veículo descia uma lomba desgovernado no momento da batida, na Rua Taquary. Dois homens que estavam no carro teriam fugido a pé. Santos, que tinha ferimentos no peito, possivelmente causados por facadas, chegou a ser atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu.

De acordo com outro taxista, que socorreu a vítima, o taxímetro do veículo marcava R$ 14 no momento do acidente. Acredita-se, portanto, que os criminosos tenham entrado no veículo em algum ponto não muito distante do local onde o carro foi encontrado.

O delegado Rodrigo Pohlmann Garcia, que atende a ocorrência, afirma que, possivelmente, se trata de um caso de latrocínio. Mas outras hipóteses ainda não estão descartadas. Segundo o delegado, as investigações devem ficar a cargo no Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC).

quarta-feira, 26 de junho de 2013

PERDAS E DANOS

O SUL, 26/06/2013


Direta ou indiretamente, quem vai indenizar?


Os danos causados dolosamente por vândalos e bandidos durante as manifestações de rua que estão acontecendo nos últimos dias, direta ou indiretamente, serão indenizados pelo bolso dos contribuintes, pois não há outra saída. As lideranças chamadas pacíficas desses movimentos devem atentar para isso, pois quadrilhas organizadas, neonazistas e vândalos, estão plenamente preparados para usar as manifestações sociais como escudo para ações de selvageria, sem bandeira nenhuma que não seja a queda do Estado de Direto, a derrocada das instituições. Ao fazer de minha torre tal observação, tenho consciência de que essas coisas são por demais controvertidas, pois mesmo lideranças ou pretensas lideranças dos movimentos pacíficos se mostram preocupadas em defender vândalos e bandidos através das redes sociais com textos cuidadosamente elaborados e interpretados por jovens atores ou atrizes amadoras, que não descuidam da maquiagem nem desprezam óculos escuros. Tirante os grupos que têm pleno conhecimento da importância dos movimentos de rua e que abominam a ideia da derrocada das instituições - Executivo, Legislativo e Judiciário - há, paralelamente, em fase avançada, o treinamento de manifestantes profissionais que, alienados ideológica e politicamente, cultivam afinidade com bandidos e vândalos.


Defesa


Quando a Brigada Militar deixou de ser passiva contra os bandidos e vândalos, infiltrados na manifestação de segunda-feira, e desencadeou uma ação que, na realidade, era de legítima defesa, própria e de terceiros, foi aplaudida por manifestantes pacíficos e por moradores e pequenos e grandes comerciantes das zonas agredidas.


Habilidade


Uma agência do banco Santander localizada na avenida Bento Gonçalves, próximo à rua Humberto de Campos, bairro Partenon, Zona Leste de Porto Alegre, foi arrombada durante a madrugada de ontem. Os criminosos desativaram, habilmente, o sistema de alarmes e arrombaram dois cofres. Ainda não se sabe a quantia roubada.


Sargento quase nada


Um segundo-sargento da Brigada Militar - ele não é o único - que depois de 30 anos de serviço decidiu ficar na ativa sob o pálio da Gipsa (Gratificação de Incentivo para a Permanência no Serviço Ativo da Brigada), com direito a receber todos os benefícios do servidor militar ativo (férias, substituição temporária, triênios etc.), teve seu soldo reduzido, a manu militari, de R$ 1.011,00 para R$ 900,00. Isto significa que tal paciente, como segundo-sargento, passou a receber menos que um terceiro-sargento, cujo soldo é de magníficos R$ 1.080,00. Eis um tema que sugiro para os cabeças do comando-geral da Brigada, que pensam, diariamente, sem descontos nem juros, na família brigadiana, comecem a meditar, embora, para os coronéis, reconheço, isto seja muito pouco, quase nada.

APÓS ARRASTÃO, CONFRONTO E MORTES NO RIO



ZERO HORA 26 de junho de 2013 | N° 17473

OPERAÇÃO EM FAVELA

Pelo menos 10 morrem em ação do BOPE no Rio. Confronto entre traficantes e policiais no Complexo da Maré teve início após arrastão em manifestação



Pelo menos 10 pessoas morreram e cinco foram baleadas em confrontos entre policiais militares e traficantes de drogas no Complexo da Maré, na zona norte do Rio, entre o início da noite de segunda-feira e o fim da tarde de ontem.

Entre os mortos, estão um sargento do Batalhão de Operações Especiais (Bope), dois moradores e seis suspeitos de envolvimento com o tráfico. Foram detidos 10 homens.

O tiroteio começou por volta das 19h de segunda-feira, quando um grupo de criminosos iniciou um arrastão na Avenida Brasil, após uma manifestação. Policiais do 22º Batalhão da Polícia Militar entraram em confronto com traficantes. Os PMs, então, pediram o reforço do Bope.

No tiroteio inicial, morreram o sargento do Bope Ednelson Jerônimo dos Santos Silva, 42 anos, e o morador Eraldo Santos da Silva, 35 anos. Na madrugada, José Everton Silva de Oliveira, 21 anos, foi baleado e morreu. Os outros seis mortos, que, conforme a polícia, eram suspeitos de ligação com o tráfico, não haviam sido identificados até ontem. O décimo corpo foi resgatado na manhã de ontem pelo Corpo de Bombeiros. Com os corpos, os PMs dizem que foram apreendidos fuzis, pistolas, metralhadora, granada e grande quantidade de drogas.

Um dos detidos, identificado como Edvan Ezequiel Bezerri, 29 anos, é apontado como o autor do disparo que matou o sargento do Bope.


Complexo receberá UPP após visita do Papa

A favela permaneceu ocupada durante toda a madrugada de segunda e ontem. Cerca de 400 PMs participaram da operação. Nove escolas públicas não funcionaram ontem, prejudicando cerca de 7,5 mil alunos.

Moradores e organizações não governamentais (ONGs) que atuam na favela acusam policiais militares de terem invadido casas e executado algumas vítimas. A polícia nega. Formado por 15 favelas com 130 mil moradores, o Complexo da Maré, atualmente, é dominado por duas facções de traficantes de drogas e uma milícia. A região deverá ser ocupada pelas forças de segurança em agosto, para futura instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Há duas semanas, a PM realizou uma reunião com representantes de todas as associações de moradores da Maré. Segundo a diretora de uma ONG, na ocasião, foi dito que o conjunto de favelas começará a ser ocupado em agosto, logo depois da Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

terça-feira, 25 de junho de 2013

CONFRONTO NO COMPLEXO DA MARÉ NO RIO DEIXA 9 MORTOS. UM É SGT DO BOPE


Sobe para 9 número de mortos em confrontos no Complexo da Maré, no Rio. Entre os mortos estão sargento do Bope e morador da comunidade; tiroteio teria começado após arrastão em protesto e a Força Nacional foi acionada

25 de junho de 2013 | 10h 40

Marcelo Gomes - O Estado de S. Paulo



RIO - Já chega a nove o número de mortos no complexo de favelas da Maré, na zona norte do Rio, desde o início da noite de segunda-feira, 24. São cinco suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas, além do sargento do Batalhão de Operações Especiais (Bope) Edinelson Jerônimo dos Santos Silva, de 42 anos, Eraldo Santos da Silva, de 35, morador da favela Nova Holanda sem envolvimento com criminosos, e duas pessoas ainda não identificadas. A Força Nacional de Segurança foi acionada.


Alexandre Brum/Agência O Dia/AE
Policiais que participam da operação na Maré

O clima ainda é tenso na região. Cerca de 400 policiais militares do Bope, do Batalhão de Operações com Cães e do 22º Batalhão (Maré) ocupam a favela Nova Holanda, uma das comunidades do complexo, à procura de traficantes, armas e drogas. Até as 10h de hoje, cinco homens, entre eles um menor de 16 anos, haviam sido detidos.

Policiais civis da Divisão de Homicídios também estão no interior da favela fazendo perícia nos locais onde ocorreram as mortes. Homens da Força Nacional de Segurança patrulham os acessos à comunidade pela avenida Brasil.

O tiroteio começou por volta das 19 horas de segunda-feira, quando um grupo de criminosos iniciou um arrastão na pista sentido zona oeste da avenida Brasil, na altura da Nova Holanda, em Bonsucesso, na zona norte. Antes, os criminosos teriam participado de uma manifestação que saiu da praça das Nações, em Bonsucesso, e chegou a interditar uma faixa da Avenida Brasil.

Após o início dos assaltos em série na via expressa, policiais militares do 22º Batalhão foram acionados e teve início um confronto com traficantes que estavam na Nova Holanda. Os policiais então pediram reforço do Bope. Durante o tiroteio, morreram o sargento e um morador.

Pelo menos outros cinco moradores foram atingidos por balas perdidas e um PM do 22º Batalhão, identificado como William Cordeiro Belo, de 37 anos, foi ferido no queixo com uma pedrada. Essas seis pessoas foram atendidos no Hospital Federal de Bonsucesso e passam bem.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

CRIMES DE ASSASSINATOS CHEGAM A 500 EM 2013

ZERO HORA 24 de junho de 2013 | N° 17471

REGIÃO METROPOLITANA. Crimes de assassinatos chegam a 500

Três crimes ocorridos no final de semana fazem as 19 principais cidades da Região Metropolitana e do Vale do Sinos atingirem a alarmante marca de 500 assassinatos em 2013. Mais de 30,4% dos mortos têm entre 16 e 25 anos.

Além disso, armas de fogo (a maioria roubadas ou furtadas) são usadas em 84% dos casos. Em média, 2,89 pessoas foram mortas por dia na região – mais de 20 por semana. Com 199 casos, Porto Alegre responde por praticamente 40% dos crimes, à frente de Canoas (58), Alvorada (46), Viamão (39) e Novo Hamburgo (34).

Em relação ao ano passado, houve pequena melhora: o homicídio 500 ocorreu em 1º de junho de 2012 – a média de mortes era de 3,26/dia.


ÚLTIMAS MORTES. Três casos ocorridos no final de semana fizeram o número ser alcançado

VIAMÃO – Luis André Ferreira, 19 anos, levou um tiro na altura do peito por volta das 22h de sábado na Rua Antônio Batista, na Vila Augusta. Segundo a Brigada Militar, ele foi encaminhado ao Hospital de Viamão, onde morreu, na madrugada de ontem. A 2ª Delegacia de Polícia começa hoje a investigar o caso.

PORTO ALEGRE - Jeferson de Oliveira da Rosa, 33 anos, foi morto a tiros próximo a um campo de futebol dentro do Loteamento Santa Terezinha, no bairro Marcílio Dias, por volta da meia-noite de ontem. De acordo com a 2ª DHPP, cerca de 20 disparos de pistolas 380 e 9mm foram encontrados no corpo da vítima. Parentes afirmaram que Jeferson era do bairro Humaitá e, há dois meses, estaria morando no loteamento com uma tia.

PORTO ALEGRE – Um homem foi morto a tiros na sexta-feira, por volta das 23h, na Avenida Doutor João Dentice, bairro Restinga, na Zona Sul. Vinicius de Souza, 21 anos, levou três tiros em uma casa onde, por duas vezes, a polícia apreendeu pessoas por tráfico de drogas. Conforme testemunhas ouvidas pela polícia, Vinícius teria sido “convidado” por uma pessoa para tomar conta da casa, uma conhecida boca de fumo. Na sexta, ele foi morto, aparentemente, por membros de uma das gangues que tentam controlar o tráfico na região.

domingo, 23 de junho de 2013

PAI E FILHO SÃO BALEADOS AO REAGIREM A ASSALTO EM PORTO ALEGRE

ZERO HORA ONLINE 23/06/2013 | 15h12

Pai e filho são baleados ao reagirem a assalto no Bairro Hípica, em Porto Alegre. Ladrão também foi atingido no momento em que entrou em luta corporal com os donos da padaria


Padaria foi alvo pela terceira vez em oito anos
Foto: Lívia Stumpf / Diario Gaucho

Aline Custódio


Uma tentativa de assalto a uma padaria deixou duas pessoas baleadas por volta das 13h deste domingo na Rua Hermes Pacheco, Jardim Urubatã, no Bairro Hípica. De acordo com a Brigada Militar, Wiliam da Silva Barbosa, 21 anos, e mais dois comparsas tentaram assaltar uma padaria. Porém, os donos do estabelecimento, que são pai e filho, reagiram e entraram em luta corporal com os ladrões.

No momento do assalto, havia cinco funcionários e dois clientes na padaria Casa do Pão. Dois homens entraram, pegaram refrigerantes e anunciaram o assalto. Ao saírem do local levando o dinheiro, deram de cara com os proprietários da padaria. Eduardo Ridieri, 46 anos, segurou a mão de um dos assaltantes, enquanto seu filho, Rafael Ridieri, 22 anos, deu uma pancada na cabeça do outro ladrão, que reagiu atirando. O comparsa entrou em um Palio amarelo e fugiu.

O pai, Eduardo, foi atingido de raspão no queixo e na perna direita. Rafael levou um tiro na clavícula esquerda. Os dois foram socorridos por moradores e levados ao Hospital de Pronto Socorro. Eduardo foi liberado ainda na noite de domingo.

Wiliam foi socorrido pelo Samu e também encaminhado ao HPS. Ainda consciente, ele teria dito a populares que o trio estava de bobeira quando decidiu fazer o assalto e que estava até cansado.

Ainda de acordo com a Brigada Militar, havia apenas um revólver 32 no local e, pelo menos, cinco tiros teriam sido disparados. É a terceira vez que a padaria é assaltada em oito anos.


DIÁRIO GAÚCHO

BANDIDOS FAZEM ARRASTÕES EM DOIS RESTAURANTES EM SP


Bandidos fazem arrastões em dois restaurantes da zona sul de SP. Casos aconteceram em Moema e no Morumbi na noite de sábado, 22

23 de junho de 2013 | 13h 40

Adriana Ferraz - O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Dois restaurantes da zona sul de São Paulo sofreram arrastões na noite de sábado, 22. Em Moema, pelo menos quatro criminosos encapuzados invadiram a lanchonete The Fifties. No Morumbi, pela segunda vez no mês, o alvo foi o restaurante japonês Nakato.

No The Fifities, os bandidos levaram objetos pessoais de clientes que lotavam o restaurante por volta das 22h30 do sábado. O arrastão durou poucos minutos, segundo a polícia. Ninguém ficou ferido. Durante a ação, cerca de R$ 5 mil do caixa também foram levados pelos ladrões.

A quadrilha abordou pessoas que estavam no andar térreo da lanchonete, que fica na Alameda Juaperi, a duas quadras da Avenida Ibirapuera. Segundo a PM, pelo menos 15 clientes registraram o roubo, mas o número de vítimas pode ser maior. Os ladrões recolheram celulares, bolsas, joias e dinheiro e fugiram. Não há identificação da quadrilha, que não foi presa.

Imagens do circuito interno do estabelecimento devem ser requisitadas pela polícia durante a investigação. O caso foi registrado no 27º DP (Campo Belo), mas a apuração será conduzida pelo Departamento de Investigações ao Crime Organizado (Deic), que, por ordem do governador Geraldo Alckmin (PSDB), dispõe agora de uma divisão para "crimes especiais", como arrastões a restaurantes e condomínios.

No Morumbi, pela segunda vez no mês, o alvo foi o restaurante japonês Nakato. Dois homens armados assaltaram os clientes por volta de 22h30 de sábado. Ao passarem pelas mesas, recolheram bolsas, carteiras, documentos, relógios e cerca de R$ 3 mil em dinheiro dos clientes. Em seguida, fugiram em um carro que os aguardava bem próximo ao restaurante. Oito vítimas registraram boletim de ocorrência.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

ASSALTADA AGÊNCIA DO BANRISUL NO INTERIOR DO RS

ZERO HORA ONNLINE 21/06/2013 | 13h58

Quadrilha assalta agência do Banrisul de Esmeralda. Criminosos fugiram levando dois reféns


Uma quadrilha assaltou a agência do Banrisul de Esmeralda por volta das 11h desta sexta-feira.

Conforme o inspetor Everaldo Marcon, da delegacia do município, pelo menos três homens chegaram em um Siena prata. Eles estouraram a fechadura de uma porta lateral e anunciaram o assalto. Na ação, dois deles fizeram uma vigilante e um cliente de refém enquanto o terceiro abria o cofre. Eles obrigaram o funcionários a fazer um cordão dentro da agência, próximo à porta.

— O objetivo era manter o controle das pessoas, para que não chamassem a polícia — afirma Marcon.

O grupo fugiu em direção a Pinhal da Serra levando os dois reféns, que foram libertados na localidade de Passo do Canal, há cerca de 15 quilômetros do centro da cidade. Nenhum deles ficou ferido e não houve confronto com a polícia.

Conforme Marcon, o carro usado na ação teria sido roubado na manhã desta sexta-feira em Caxias do Sul. Equipes fazem buscas na região. No início da tarde, segundo Marcon, um suspeito foi localizado. Por volta das 13h45min, no entanto, ele ainda não havia sido reconhecido pelas vítimas.


PIONEIRO.COM

FLAGRANTE DE FURTO DURANTE O PROTESTO DE PORTO ALEGRE

VÍDEO MINUTO
AUTOR: ZERO HORA
21/06/2013 às 12:44

Imagens mostram flagrante de furto durante protesto em Porto Alegre









Um vídeo gravado durante a depredação da revenda de motos Honda, no cruzamento das avenidas João Pessoa e Ipiranga, na segunda-feira à noite, em Porto Alegre, mostra um flagrante de furto de dois capacetes.

Na imagem, o homem, ainda não identificado, aparece saindo da loja carregando os objetos nas mãos. A cena revolta manifestantes que estavam nas imediações. Um deles diz:

– Ele acha que a loja não tem circuito interno para filmar.

Outros cercam o homem e, aos gritos, o repreendem:

– Devolve, devolve o bagulho, devolve, velho.

O homem teria retornado à loja e recolocado os capacetes no lugar, mas teriam sumido logo depois.

TORTURA E ROLETA-RUSSA POR DÍVIDAS DO TRÁFICO

ZERO HORA 21 de junho de 2013 | N° 17468

COBRANÇA DE R$ 300


Um caso de crueldade na cobrança de dívidas do tráfico resultou em três prisões ontem, em Vacaria, na Serra. Os suspeitos teriam torturado e tentado matar dois dependentes de drogas que deviam R$ 150 cada.

Adívida havia sido contraída em uma negociação de crack no início do ano. Foram presos Willian John Maciel, 24 anos, Manoel Alessandro Vieira da Silva, 31 anos, e Maicon Jackson Nascimento da Rosa, 28 anos. Conforme o delegado Anderson Silveira de Lima, os três e Paulo Rodrigo Alves dos Santos, 30 anos, que já estava detido, sequestraram as vítimas, de 35 e 39 anos, em 1º de abril deste ano.

O grupo levou os devedores até uma casa do bairro Barcelos. No imóvel, segundo Lima, os homens foram espancados com socos, chutes e coronhadas. Em seguida, os agressores teriam submetido as vítimas a sessões de roleta-russa com uma arma apontada na cabeça.

No final das cerca de quatro horas de agressões, o homem de 35 anos levou um tiro de raspão na cabeça e caiu desacordado. Os criminosos acharam que ele estava morto. Em seguida, a outra vítima levou um tiro no abdômen. Os agredidos conseguiram pedir ajuda e foram socorridos.

– Depois de fazer três vezes a roleta-russa, Paulo apontou a arma para a barriga do homem e disse: “Agora, vou te matar”. A vítima saiu gritando por socorro. Os quatro se assustaram e fugiram – conta o delegado.

A polícia descobriu a tortura após intimar as vítimas, que não queriam depor por medo. Paulo confessou o crime, mas disse que o grupo disparou porque foi agredido pelas vítimas. Os outros três suspeitos negaram participação no caso. Todos tinham antecedentes policiais por tráfico e assalto. Eles foram conduzidos ao Presídio Estadual de Vacaria.


NOITE VIOLENTA. Quatro execuções em quatro horas

No intervalo de quatro horas, quatro homens foram executados a tiros em Porto Alegre e Canoas. Por volta das 22h30min de quarta, Adão Leodemar Silva da Rosa, 51 anos, foi morto no bairro Rio Branco, em Canoas. Perto da 1h de ontem, o corpo de William Gustavo Polese, 33 anos, foi encontrado no bairro Fátima. No mesmo horário, na Capital, João Batista de Oliveira Carvalho, 43 anos, foi executado no bairro Vila Nova. Por volta de 2h, um homem não identificado foi morto a tiros no bairro Nonoai.

VÍRUS DO BEM


ZERO HORA 21 de junho de 2013 | N° 17468

Computador roubado leva ladrões à cadeia. Polícia identificou e monitorou bando que atacou estacionamento na Capital

JOSÉ LUÍS COSTA

Há tempos que criminosos invadem bancos de dados com vírus para copiar senhas e desviar dinheiro de contas bancárias. Mas, desta vez, a mesma tecnologia que serve ao crime foi usada a favor da polícia. Sem saber que tinha roubado uma CPU monitorada por outro computador à distância, um assaltante se tornou “vítima” da internet ao usar o equipamento. Ele revelou seus dados pessoais e de comparsas em redes sociais, levando-os à cadeia.

Três pessoas foram presas nesta semana e outra é procurada pela Delegacia de Repressão a Roubos de Veículos (DRV).

A desventura do grupo ocorreu no final da noite de 3 de maio, quando quatro homens chegaram em um Astra prata na frente de um estacionamento do bairro Santa Cecília, em Porto Alegre. Três deles invadiram o estabelecimento, renderam um funcionário, roubaram uma caminhonte EcoSport e, na hora de fugir, resolveram levar um computador com teclado e mouse, além de uma impressora fiscal.

Era o começo da derrocada do assaltantes, embora eles ainda não soubessem.

Uma câmera de monitoramento gravou o assalto. Minutos depois do roubo, Anderson Sarate de Oliveira, o Dedão, 23 anos, o motorista do Astra prata que teria levado o trio até o estacionamento, foi preso com o veículo por uma equipe volante da Polícia Civil – ele acabou liberado posteriormente. O Astra era roubado.

Enquanto isso, o trio fugia para o bairro Rubem Berta, na zona norte da Capital. O veículo foi estacionado na Avenida Bernardino Silveira Amorim para “esfriar”. Ou seja, ficaria ali por algumas horas para os ladrões saberem se o carro tinha ou não rastreador. A EcoSport não tinha o dispositivo, mas policiais militares foram mais rápidos que os ladrões e apreenderam o veículo logo depois.

Os assaltantes “perderam” o carro, mas ficaram com o computador. Entretanto, não tiveram a mesma preocupação com rastreamentos. A CPU e os acessórios foram levados para a casa da namorada de um dos ladrões no bairro Partenon. Até uma criança usava o equipamento.

Como o computador tinha um mecanismo que, automaticamente, compartilha todo o conteúdo da tela online com outra máquina à distância, a polícia foi avisada e o delegado Juliano Ferreira passou a acompanhar e gravar os acessos ao computador roubado.

Às 12h36min de 6 de maio, três dias após o roubo, o balconista Marcelo Luis Marques, 30 anos, preencheu um cadastro em um site de compras, fornecendo nome completo, profissão, estado civil, telefones – o principal e para recados–, e-mail, endereço e até um ponto de referência para facilitar a sua localização.

Agentes compararam imagens divulgadas em redes sociais

Uma equipe policial foi ao local e viu um carro estacionado no pátio. Anotou as placas e descobriu que os dados no cadastro preenchido por Marques eram verdadeiros.

Em acessos ao Facebook, aos poucos, foram surgindo fotos e nomes de amigos de Marques. E a polícia captando as imagens. Parte delas foi comparada com as cenas registradas pela câmera de segurança do estacionamento. Além de Marques, Giliard Ubaldo Bagnolin, o Ado, 22 anos, e Marcelo Santos Fonseca, o Celo, 33 anos, foram identificados e reconhecidos como os três homens que invadiram o estacionamento.

Marques e Bagnolin foram presos temporariamente na segunda-feira e negaram envolvimento no assalto. A namorada de Marques também acabou presa, sob suspeita de receptação. Oliveira foi preso temporariamente ontem e Fonseca está desaparecido.

Ontem, o delegado pediu a prorrogação da prisão temporária dos suspeitos por pelo menos mais uma semana.

Da pirataria para crimes mais graves

O ladrões do grupo desarticulado nesta semana pela polícia com ajuda de um computador são novatos em matéria de crimes graves.

Até o roubo ao estacionamento, a maioria deles tinha passagens pela polícia por pequenos delitos e por pirataria – copiar e vender CDs e DVDs. Os casos aconteceram no bairro Partenon e no entorno do Camelódromo, no centro de Porto Alegre, onde por diversas vezes houve apreensão de mercadorias. Nos últimos tempos, Marcelo Luís Marques trabalharia na livraria de um shopping da Capital.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

VIAJORES DA COPA

O SUL, 20/06/2013

WANDERLEY SOARES


Estratégias da segurança pública, independente dos movimentos sociais, deverão ser totalmente repensadas.


Alguns membros da segurança pública, tão logo ficou decidida a realização da Copa de 2014 no Brasil, passaram a se especializar no entorno do tema. Com isso, até deixaram um tanto de lado as funções que tinham em suas corporações para aperfeiçoarem seu inglês, pendurarem-se em gabinetes, lustrarem sapatos e circularem pela Europa em busca de conhecimentos de como combater terroristas, de como tratar com turistas asiáticos, de como melhor dialogar com muçulmanos e judeus ou mesmo com anarquistas de todas as etnias. Enquanto isso, os índices de violência e criminalidade passaram a aumentar no País e este é o caso do RS, especialmente em Porto Alegre e Região Metropolitana. Mas, enfim, o objetivo era o de acertar os ponteiros até a bola rolar na Copa. Nesta moldura, os viajores da Copa não pensaram nos movimentos sociais internos e, muito menos, nas lascas que quadrilheiros poderiam tirar das manifestações. Em verdade, até chegaram a pensar nos quadrilheiros, mas ficaram alienados dos movimentos sociais. Sigam-me.


Ensaio


As manifestações sociais vinham sendo realizadas sob o pálio da Brigada Militar com horário para começar e terminar e com roteiros definidos com segura antecedência. A bandidagem, segundo a política da segurança transversal, deveria ser controlada com a instalação dos eleitoreiros e samaritanos territórios das mães da paz. No entanto, com a abertura da Copa das Confederações - o grande ensaio para a Copa do Mundo - ficou claro que as lideranças dos legítimos movimentos sociais estavam mais bem preparadas para os protestos ao estabelecerem seus próprios horários e seus próprios roteiros do que os viajantes da Copa. De outra banda, a bandidagem não passou a fazer nada mais nada menos do que já vinha fazendo e, em meio à multidão pacífica, com maior facilidade, pois também é acolhida pela proteção dos direitos humanos. Isso aponta para que as estratégias da segurança, sem reprimir os movimentos sociais, deverão ser totalmente repensadas contra o crime organizado. E há pouco tempo para isso.


A engomada FNS


Sempre como um humilde marquês, de forma solitária, tenho dito que essa tal de FNS (Força Nacional de Segurança) é bibelô decorativo projetado pelas fantasias de Brasília. Airton Michels, secretário da Segurança do RS, mesmo que não tenha esta mesma opinião, descarta pedir a ajuda da engomada FNS que, agora, em outras capitais do País, pretende arriscar tisnar a farda diante das crescentes manifestações sociais. A segurança pública dos Estados é que precisa ser mantida, permanentemente, com efetivos e equipamentos logísticos necessários para o cumprimento de suas missões.


Jovens bebuns


Porto Alegre é a capital brasileira onde mais adolescentes consomem bebida alcoólica. É o que aponta pesquisa do IBGE realizada entre abril e setembro do ano passado. Foram entrevistados 1.455 adolescentes, entre 13 e 15 anos. Trinta e cinco por cento admitiram terem ingerido bebida alcoólica. Os menores índices da pesquisa foram obtidos em Belém do Pará e Fortaleza.

MULHER É MORTA A TIROS À LUZ DO DIA

ZERO HORA 20 de junho de 2013 | N° 17467


PORTO ALEGRE - Mulher é morta a tiros na Azenha

RENATO GAVA

Uma mulher morreu na tarde de ontem por estar, aparentemente, no lugar errado e na hora errada. O crime aconteceu em uma das regiões mais movimentadas de Porto Alegre, por volta das 17h, e em frente a centenas de pessoas e com vários tiros – um deles atingiu o para-brisa do Clio de um comerciante.

Angelica Emília Vieira dos Santos, 23 anos, levou um tiro no coração e morreu na Rua Freitas de Castro, no bairro Azenha.

– Ainda é muito cedo, estamos investigando, mas nada foi subtraído da vítima e não há nada que nos leve a acreditar em latrocínio (roubo com morte) – disse o responsável pela 4ª Delegacia de Homicídios, delegado Gabriel Bicca.

A vítima não tinha antecedentes policiais. Os agentes que investigam o caso acreditam que o alvo era o companheiro de Angelica. Os dois estavam com outras pessoas em frente a um dos vários estabelecimentos que vendem acessórios para veículos. Dois homens a pé apareceram e, sem dizer nada, começaram a atirar em direção ao grupo. De acordo com o relato de testemunhas, foram pelo menos sete disparos.

Vítima tentou se refugiar em terrenos de oficinas

Na correria logo após os primeiros disparos, o companheiro de Angelica correu até a Avenida Azenha. Ela tentou se abrigar em um terreno no qual funcionam oficinas automotivas e foi perseguida por um dos criminosos, que fez pelo menos três disparos. Um tiro atingiu a mulher, que morreu na hora.

O delegado confirmou que o companheiro de Angelica tem antecedentes, mas não revelou por quais crimes. Pouco depois, ele foi ouvido por investigadores, mas, ontem, de acordo com Gabriel Bicca, pouco acrescentou à investigação.

– Vamos ouvir testemunhas e pessoas ligadas à vítima. Ainda é cedo para definirmos uma linha de investigação – avaliou o delegado.

PAVOR DENTRO DE CASA

ZERO HORA 20 de junho de 2013 | N° 17467

PASSO FUNDO - Criminosos ameaçam atear fogo a artesão


Uma mancha de sangue no tapete da sala é a marca mais visível dos momentos de pânico que um morador de Passo Fundo, no norte do Estado, sofreu durante um assalto. Amarrado e com as roupas encharcadas de álcool, ele passou mais de meia hora ouvindo ameaças de que morreria queimado.

Oartesão de 48 anos assistia à TV na residência onde mora sozinho, no bairro Rodrigues, quando ouviu barulhos no pátio, por volta das 20h30min de terça-feira. Depois de alguns minutos, ele resolveu ver o que era. Quando abriu a porta de casa, viu dois homens se escondendo atrás de um arbusto. Eles agrediram o dono da residência com socos e pontapés e o levaram até a sala.

Com ferimentos no pescoço e um corte na boca, o artesão conta que teve as mãos e os pés amarrados, e foi deixado no chão do aposento enquanto os assaltantes reviravam a casa atrás de dinheiro.

– Eles amarraram as minhas mãos com uma toalha e os meus pés com fios que arrancaram de uma almofada – relatou a vítima do assalto, com olhar distante.

Sem encontrar dinheiro na sala, os assaltantes decidiram ameaçar o morador. Um deles pegou uma embalagem de álcool de cozinha e derramou pelas roupas do artesão:

– Eles diziam que iriam colocar fogo em mim se eu não entregasse dinheiro. Pensei que iria morrer.

Morador fingiu que estava desmaiado

Segundo ele, os assaltantes passaram mais de meia hora revirando a casa e só foram embora depois de encontrar cerca de R$ 3 mil, que ele escondia no guarda-roupas. Quando retornaram à sala, o artesão decidiu fingir que estava desmaiado, com medo de que eles o machucassem ainda mais.

Os criminosos fugiram levando o dinheiro, documentos e a chave da casa. O morador ainda teve de se livrar das amarras para chamar a polícia.

Na manhã de ontem, ele contou com a ajuda de uma irmã e uma cunhada para arrumar a casa.

– Também troquei a fechadura, tenho medo de que eles tentem entrar aqui novamente.

Ele relatou aos policiais que não conhecia os bandidos e também não tem inimigos ou desevenças. A Polícia Civil ainda não tem suspeitos do ataque.



“Achei que eu iria morrer queimado”


O artesão de 48 anos, que pediu para não ser identificado, relatou o drama a ZH.

Zero Hora – Como os assaltantes invadiram a casa?

Artesão – Como tem uma construção ao lado da minha casa, fica fácil usar tijolos para pular o muro. Imagino que eles tenham feito isso. Quando ouvi barulhos no pátio, resolvi abrir a porta, e eles acabaram me agredindo. Não vi se estavam armados, mas achei melhor não reagir.

ZH – De que forma eles ameaçaram o senhor?

Artesão – Eles me amarraram e ficaram revirando a casa em busca de dinheiro. Um deles decidiu jogar álcool em mim e me ameaçar. Dizia que iria colocar fogo em mim se eu não entregasse dinheiro a eles.

ZH – O que passou na sua cabeça neste momento?

Vítima – Achei que eles fossem que matar, que eu iria morrer queimado. Não imaginei que as pessoas pudessem ser tão más assim. Moro há 40 anos nesta casa e nunca tinha sido assaltado. Agora, estou com medo.


RESTINGA SECA - FUGA DA POLÍCIA. Assaltante armado faz família refém


Uma família foi feita refém em casa, no início da noite de terça-feira, em Restinga Seca, na Região Central. Segundo informações da Brigada Militar, por volta das 18h20min, um homem com uma pistola e com o rosto encoberto rendeu um casal e seus dois filhos, no interior do município. Conforme a BM, o suspeito teria participado de assalto a uma cooperativa agrícola de Agudo.

Após o assalto, no qual foram roubados cerca de R$ 5 mil, os bandidos trocaram tiros com a polícia. O confronto ocorreu nas proximidades de onde a família mora. Durante a fuga, um assaltante invadiu a residência e obrigou a família a levá-lo de carro até Santa Maria, onde teria sido deixado na BR-392. Ninguém ficou ferido. Dois dos suspeitos pelo assalto à cooperativa já foram presos.


TAPERA - Capotagem após assalto a residência

A Polícia Civil investiga um assalto a residência em Tapera, no Norte, na noite de terça-feira. Três homens invadiram uma casa no interior do município, por volta das 20h30min. O trio, encapuzado, tinha um rádio na frequência da Brigada Militar. Eles amarraram os moradores em um banheiro e roubaram pertences e dinheiro das vítimas. Os homens fugiram levando dois veículos da família.

Segundo a Brigada Militar, os criminosos seguiram pela ERS-223 e capotaram o veículo próximo a Victor Graeff. Uma mulher que passava pelo local parou para prestar ajuda e foi rendida. Ela dirigia uma Saveiro e foi obrigada a entrar no carro. Os bandidos seguiram nos dois veículos em direção a Passo Fundo, mas a vítima conseguiu fugir. Ninguém foi preso.

PROTESTO: RECOMENDAÇÃO DA PM DE SANTA CATARINA



Polícia Militar de Santa Catarina


RECOMENDAÇÕES AOS CATARINENSES

A livre manifestação do pensamento é um direito garantido pela Constituição que se reveste em um exercício inconteste da cidadania. Atenta e voltada a preservação desta garantia, a Polícia Militar de Santa Catarina vem acompanhando o desenrolar das manifestações sociais que vem acontecendo em nosso Estado desde a última terça-feira. Nesse sentido, recomendamos aos catarinenses as seguintes orientações:

a) Nestes locais de grande aglomeração, é possível que criminosos - que nada tem a ver com a manifestação - aproveitem-se do anonimato na multidão para provocar danos, depredação e outros atos de vandalismo. Por isso:

- Evite levar crianças para estes eventos;

- Não seja influenciado pela conduta de vândalos. Não apoie depredação, dano, ou qualquer outro ato violento;

- Denuncie os atos acima citados pelo telefone 190 ou pelo Twitter da @ P_M_S_C.

b) A você, que não deseja participar destes atos, considere que:

- Vias públicas podem ser bloqueadas sem aviso prévio e serviços como transporte coletivo podem ser interrompidos temporariamente. 

- Se você tem compromissos importantes, leve em conta estes fatores, planeje rotas alternativas e antecipe seus deslocamentos.

Como se vê, equalizar em harmonia o exercício da livre manifestação e o direito de ir e vir requer exaustiva habilidade e sintonia social, atributos dos quais nossa Corporação é portadora. 

Estamos atuando, portanto, mais uma vez, ao lado do povo catarinense. Existimos para proteger e não será diferente nestes dias que já fazem parte importante de nossa história. Conte sempre com nossa Polícia Militar de Santa Catarina, formada por pessoas do bem, para o bem das pessoas. 

Quartel do Comando-Geral em Florianópolis, 19 de junho de 2013.

NAZARENO MARCINEIRO
Coronel PM Comandante-Geral
PoliciaMilitar de Santa Catarina




Matéria indicada por Tarso Antônio Marcadella
Circula pelos moradores dentro da filosofia de Policia Interativa.

MINORIA RADICAL


ZERO HORA 20 de junho de 2013 | N° 17467

Grupo discute ataques na Capital



Em reunião da terça-feira, integrantes de um bloco que participa dos protestos em Porto Alegre discutiu futuros atos, entre eles ações violentas. Participaram do encontro militantes de sindicatos, partidos e movimentos sociais.

A sede de um sindicato no centro de Porto Alegre serviu de base, na noite de terça-feira, para articulações de um dos principais grupos que lideram os protestos em Porto Alegre. Durante os debates, que duraram três horas, houve defesas de ações violentas para chamar a atenção. Entre elas, depredações.

Entre os 200 manifestantes na reunião, havia militantes de PSOL, PSTU, PT, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Sindbancários, Sindicato dos Correios, DCE da PUC-RS, DCE da UFRGS, Movimento Pula Roleta, PoA Protesta e Movimento de Proteção Indígena.

O encontro foi convocado pelo Bloco de Luta em Defesa do Transporte Público, um dos principais grupos organizadores de protestos no Rio Grande do Sul e foi realizado das 18h às 21h. A reunião foi na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Processamento de Dados (Sindppd-RS), na Rua Washington Luís, centro da Capital. Segundo relatos colhidos por Zero Hora, todos participantes tiveram de se identificar e dizer os motivos pelos quais estavam ali. No momento da entrada, todos tinham de abrir bolsas e mochilas para provar que não carregavam gravadores.

Possíveis alvos foram listados

Em meio às discussões, foram feitas defesas veementes de depredações como forma justa de chamar atenção às demandas do grupo. Um dos participantes, que se disse estudante de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), declarou:

– Nós vamos para a rua novamente. Se tiver de depredar prédio público, vamos depredar. Se tiver de incendiar ônibus, vamos fazer isso. Porque agora o Brasil acordou para combater esses políticos corruptos.

Cada vez que alguém mencionava a possibilidade de depredação, brincadeiras eram feitas. Uma militante do PSTU chegou a dizer:

– Só não depredem o sindicato, porque temos de devolver o lugar inteiro aos donos.

Entre os possíveis alvos mencionados por alguns participantes do encontro estão o Tribunal de Justiça, o Palácio Piratini (sede do governo estadual), Federasul e meios de comunicação, como o Grupo RBS. O Palácio da Justiça, localizado na Praça da Matriz, foi alvo na passeata de segunda-feira. Vidraças foram quebradas.

Um dos que falaram durante a reunião foi Lucas Maróstica, militante do PSOL. Um membro do MST disse que seus companheiros estavam prontos para qualquer coisa:

– Para o bem ou para o mal.

Os debatedores perguntaram também se existiam ali médicos ou estudantes. Diante da resposta positiva, pediram que se apresentassem no final, para planejar como será feito o auxílio aos feridos que surgirem durante as manifestações.

A reunião também decidiu que o foco ideológico dos protestos deve ser afinado. Os integrantes do Bloco de Luta mostraram preocupação com o crescimento abrupto da massa que vai às ruas protestar, fenômeno que atrelou às passeatas uma multiplicidade de causas, incluindo algumas conservadoras. O grupo, responsável pelo chamamento das manifestações em Porto Alegre desde 2012, é majoritariamente de esquerda e avalia que o gigantismo dos atos trouxe consigo o risco de perda de foco ou hasteamento de bandeiras conservadoras.

Bloco elegeu três bandeiras

Para se manter na vanguarda conceitual do movimento, o Bloco de Luta decidiu que irá resgatar três antigas demandas, colocando-as no patamar de importância em que está a reivindicação pela redução da tarifa de ônibus para R$ 2,60.

Dentre as demandas, estão a qualificação da saúde pública, a destinação de 10% do produto interno bruto (PIB) para a Educação e de 2% do PIB para investimentos em políticas de transporte público. A meta dos jovens é ter em mãos demandas concretas, que afastem pautas abstratas e de difícil mensuração.

Uma decisão, porém, de agregar novas bandeiras à linha de frente dos protestos, junto à causa da redução das tarifas de ônibus urbanos, foi a alternativa encontrada para segurar a eclosão de pautas consideradas conservadoras.

Na avaliação de manifestantes, durante o processo de agregação de novos atores ao movimento, houve a aproximação de uma oposição de direita ao governo federal. São essas alas, consideradas conservadoras, que levantam bandeiras como a luta contra a corrupção. O temor dos manifestantes de esquerda, ainda que eles também defendam o combate a fraudes e desvios, é que o movimento fique focado apenas em um discurso de moralidade e de ética.

Conduta da BM será questionada

Outra pauta inserida nas passeatas e que incomoda os líderes de esquerda é a da redução de impostos. Para eles, os tributos são altos em certa medida, mas o pensamento é de que os “ricos” deveriam pagar ainda mais.

O Bloco de Luta ainda pretende fazer uma “denúncia política” para questionar o governador Tarso Genro sobre a conduta da Brigada Militar, considerada agressiva pelos manifestantes. O grupo negou que tenha entregue uma pauta de reivindicações a Tarso e ao prefeito de Porto Alegre, José Fortunati.


Quatro não poderão participar de protesto


Uma hora antes da manifestação de hoje, grupo terá de se apresentar em unidade da Brigada Militar na Capital

Enquanto milhares de pessoas estiverem nas ruas no entardecer de hoje, em Porto Alegre, pelo menos quatro homens que participaram do protesto na segunda-feira deverão ficar reclusos no quartel do 1º Batalhão de Polícia Militar (1º BPM), na Capital, por determinação da Justiça. Eles se envolveram em depredações e foram presos em flagrante por crimes de dano ao patrimônio público e privado, desobediência, desacato e resistência.

Ao todo, foram 10 prisões e nove apreensões de adolescentes. Nenhum nome foi divulgado e todos estão em liberdade.

Por cerca de 20 horas, os quatro homens ficaram recolhidos a uma cela de triagem do Presídio Central de Porto Alegre. Na tarde de terça-feira, o juiz Carlos Francisco Gross, da 9ª Vara Criminal da Capital, concedeu liberdade provisória ao grupo, mas impôs que, a partir de então, durante futuros protestos, o quarteto terá de se apresentar no quartel da BM.

A ordem judicial determina que eles estejam hoje no 1º BPM a partir das 17h – horário previsto para o início da manifestação pública – até o encerramento.

Se descumprirem a medida, a liberdade provisória pode ser revogada, e os quatro homens podem acabar presos novamente. Até a tarde de ontem, porém, o comando do 1º BPM não havia recebido a comunicação oficial da Justiça para o cumprimento da medida, e a BM não soube detalhar os procedimentos que seriam adotados.

– Quando tivermos a certeza que o protesto terminou, eles serão liberados – afirmou o subcomandante-geral da BM, coronel Silanus Mello.

O teor da decisão que determinou a soltura dos demais seis suspeitos não foi divulgado. No ano passado, a Justiça determinou que torcedores envolvidos em brigas em estádios de futebol, na Capital, deveriam se apresentar ao 1º BPM, onde permaneceriam durante os horários dos jogos. Na época, eles ficavam em uma sala, sentados, sem direito a usar telefone e sem acesso a rádio, TV ou computador. Apesar de se tratar de uma decisão judicial, a maioria dos torcedores desrespeitou a ordem.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

CENÁRIO DE DESTRUIÇÃO E VANDALISMO


São Paulo tem cenário de destruição depois de atos de vandalismo. Lojas foram saqueadas depois de a sede da prefeitura ser depredada por grupo que participou da manifestação


CLEIDE CARVALHO
SÉRGIO ROXO
THIAGO HERDY
O GLOBO
Atualizado:19/06/13 - 9h10


Agência do Itaú, no centro de SP, foi alvo de ataque 
Eliaria Andrade / Ag. O Globo


SÃO PAULO - O Centro de São Paulo amanheceu nesta quarta-feira com um rastro de destruição provocado por atos de vandalismo praticados por um grupo que participava da manifestação contra o aumento da tarifa de ônibus. Nos arredores da prefeitura, pelo menos 15 lojas foram alvo de saques. Agências bancárias também foram atacadas. Houve tentativa de destruir caixas eletrônicos para roubar dinheiro.

O cenário de destruição assustou quem passou pelo centro de São Paulo ou quem chegou para trabalhar na manhã desta quarta-feira. Por volta de 8h, funcionários recolhiam os sacos das vidraças da sede da prefeitura, que também foi pichada com frases "Haddad Covarde" e "A culpa é de quem?". A cabine da Policia Militar ao lado do prédio foi totalmente quebrada e queimada. Grades do chão foram retiradas.

As duas agências do Banco Itaú - na rua Libero Badaró e na praça do Patriarca - foram depredadas e roubadas. Computadores e tudo o que estava sobre as mesas foram levados. A loja Marisa, do outro lado da rua, foi saqueada.

No começo da manhã, funcionários do Itaú recolhiam pertences pessoal do que restou da mesa. Tapumes foram colocados na fachada, antes de vidro.

- Isso é um absurdo. Manifestação é com palavras, com a boca - disse Graziela Martins, funcionária do banco, ao chegar para o trabalho, e ver, horrorizada a agência destruída.

Michele Castro, que trabalha numa empresa de cobrança na mesma rua, espantada com a situação, condenou o vandalismo.

- Isso não vai resolver nada. Não tem que aumentar a passagem de ônibus, mas o que o banco tem a ver com isso? As coisas não se resolvem assim - falou Michele.

Gisele de Carvalho, que trabalha na BMF Bovespa, disse que apoia a causa das manifestações, mas não os atos de vandalismo

- A manifestação é justa. O Brasil está cansado de corrupção, mas eu não esperava ver isso. Roubar e destruir não ajudam em nada. Só pioram as coisas.

Na terça-feira, o GLOBO acompanhou um saque em uma loja de tênis na Rua São Bento. Depois de destruírem a porta de ferro com um pé de cabra, o bando invadiu o estabelecimento e saiu de lá com vários pares nas mãos. Um rapaz jovem, aproveitou e trocou o tênis na frente da loja, deixando o calçado que usava para trás.

Os sons das sirenes dos alarmes dos estabelecimentos violados se misturavam na Rua São Bento. Cerca de 50 metros adiante, o alvo foi uma loja de celulares. Segundo o segurança, que não quis se identificar, todos os aparelhos que estavam em exposição foram levados.

- Eu me tranquei no estoque. Eles só não levaram mais porque não conseguiram entrar lá - disse.

Pelas ruas, era possível ver pessoas carregando televisões, roupas e outros equipamentos eletrônicos. Quatro saqueadores, foram presos ao se depararem com policiais que protegiam a sede da Secretaria de Segurança Pública, localizada na região.

Os saques foram o ato final de uma guerra que dominou o Centro de São Paulo por mais de duas horas. Sem a interferência da polícia, a região virou uma praça de guerra.

Sem Comando

Quando os manifestantes ainda se concentravam na Praça da Sé, um grupo, sem a coordenação do Movimento Passe Livre (MPL), saiu pela Rua Benjamin Constant. Gabriel Simeone, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto( MTST), ainda tentou assumir o comando. Mas quando os manifestantes passaram na frente da prefeitura, a maioria parou no local. Os manifestantes que carregavam a faixa principal da passeata seguiram em frente, mas, quando se deram conta, estavam sozinhos. Homens da Guarda Civil Metropolitana (GCM) guardavam o prédio. Grades haviam sido colocadas na calçada para manter os manifestantes distantes.

O público foi aumentando minuto a minuto. Depois de cerca de meia hora, os manifestantes ultrapassaram as grades e se aproximaram da entrada do prédio. Houve uma primeira tentativa de invasão, repelida pelos GCMs com gás pimenta. Mas na segunda tentativa, não foi possível conter o bando enfurecido. Os guardas recuaram, fugiram para dentro do prédio, e acionaram um dispositivo que fez subir uma grade de ferro automática. A grade evitou invasões, mas não protegia os vidros do edifício. Munidos de pedras, bombas e das próprias grades que estavam na calçada para isolar o edifício, inciaram o quebra-quebra.

Minutos depois, um grupo se colocou na frente do prédio disposto a evitar a depredação.

- Sem vandalismo - gritavam.

- Sem moralismo - respondiam os que estavam dispostos a partir para o ataque.

Estratégia

A cerca de um quilômetro e meio da prefeitura de São Paulo, milhares de manifestantes seguiam a faixa oficial da passeata do Movimento Passe Livre, pela sexta vez seguida sob a condução do negociador do MPL, Matheus Freis, cercado por três PMs em contato com o comando geral da corporação.

O grupo seguia em direção à Avenida do Estado e à Marginal Tietê, alvo inicial dos protestos, quando foi informado sobre a insistência de outros milhares que focavam a prefeitura como alvo prioritário da noite. Sentados no asfalto do viaduto 25 de março, após breve votação por consenso, decidiram desviar a rota e voltar ao Centro.

- Eu queria ir pela marginal, mas o povo decidiu ir para a prefeitura, não temos como agir de forma diferente - explicou o estudante de história da USP Caio Martins, liderança do MPL, que já sabia do início dos problemas em frente à sede municipal.

Mas, o que poderia virar problema, transformou-se em (parte da) solução.

Com a ajuda dos três policiais militares, de boné, que o acompanhavam, Freis abriu caminho em meio aos manifestantes em frente à prefeitura e puxou um novo cordão em direção à Avenida Consolação, a mesma que havia sido palco de guerra entre polícia e manifestantes na quinta-feira.

Milhares seguiram em paz até a Avenida Paulista, sob o aceno de pessoas com bandeiras brancas nas janelas. Quem queria confusão, ficou para ver a região central virar palco de guerra. No final, os defensores da paz desistiram de conter o bando enfurecido.

Poste Vira Arma

A chuva de pedras contra o prédio parecia que nunca teria fim. Foi quando o grupo disposto a vandalizar, a maioria com os rostos cobertos, resolveu tentar forçar a entrada na prefeitura por uma porta de madeira lateral. Primeiro, arrancaram da calçada um poste de metal que segurava uma placa de trânsito e, com ele, tentaram abrir caminho para a invasão. De dentro do prédio, os funcionários da prefeitura olhavam pelas janelas perplexos. O prefeito Fernando Haddad (PT) havia saído antes do protesto começar. Os servidores que não tinham encerrado o expediente mais cedo ficaram trancados por horas no local sem poder sair.

Apesar da insistência, a porta não caiu. Simultaneamente, um outro grupo começou a depredar um furgão da TV Record. Depois de tentarem virar o veículo, resolveram colocar fogo. O furgão ficou totalmente destruído. Uma guarita da Polícia Militar, que já estava desocupada na hora que os manifestantes chegaram, também foi depredada e incendiada.

os vândalos, alguns punks, agiam livremente sem serem incomodados pela polícia. Assim, resolveram voltar o alvo para uma agência bancária do outro lado da rua. Chegaram a tentar entrara num prédio invadido, mas foram contidos. Eram comuns as brigas dentro do próprio grupo que que praticava os atos de vandalismo.

O cenário de guerra foi se espalhando. Tirando os envolvidos no vandalismo e os repórteres, poucos se arriscavam a andar pela região. A gestora pública Maira de Lourdes Oliveira, de 67 anos, era uma das corajosas.

- Vim porque queria participar um momento histórico do meu país. Mas esses que estão aí não são manifestantes. São bandidos, vândalos.

Só duas horas depois do início do quebra-quebra, é que os primeiros homens da PM chegaram. Vinte deles, sem escudos, foram colocados para correr pelos manifestantes. Cerca de 20 minutos depois, chegou um grupo da Força Tática, com escudos e bombas de gás. Por alguns minutos, conseguiram dispersar e paralisar os saques, que, no entanto, começaram logo em seguida.

Verde e Amarelo

Na Avenida Paulista, a manifestação seguia pacífica. A cidade estava partida. A exemplo do que ocorrera no dia anterior, a presença das cores da bandeira do Brasil pintadas nos rostos, camisetas e faixas ampliava ainda mais o propósito do ato. Mais do que brigar pela redução da tarifa, estar ali era algo tratado como um ato civismo.

Camisetas brancas com três entre os termos mais citados no Twitter de terça-feira (# Não são só R$0,20, #Vem pra rua e # Verás que um filho teu não foge à luta) eram vendidas pelas empresárias Andrea Miranda, de 42 anos, e Sanny Toyar, de 41, que lucravam com a festa.

- Estávamos fazendo um curso e precisávamos inventar uma empresa em menos de 24 horas. Não foi tão difícil assim escolher - disse Sanny, dona de uma loja de pijamas online.

Em menos de uma hora de chegada na festa, a dupla já havia vendido 10 de 60 camisetas.

- Vamos vender tudo hoje - previa Andrea, que tem empresa de software.

Uma fila com pelo menos 25 pessoas se formava perante o engenheiro civil Marco Aurélio do Nascimento, de 20 anos. Com um dedo em cada pote de tinta, um verde e outro amarelo, ele desenhava nos rostos as duas faixas semelhantes ao símbolo das "caras pintadas" do impeachment de Collor, de 21 anos atrás.

- Já não é mais a luta por R$ 0,20. Isso ele já vai ter que fazer. Este é um grande protesto contra a corrupção - disse o rapaz, eleitor de Geraldo Alckmin (PSDB) e de Dilma Rousseff (PT), que naquela noite contabilizara pelo menos 200 pessoas que haviam ganhado seu desenho no rosto.

PROTESTOS: CONFRONTO EM FORTALEZA


Manifestantes e policiais entram em confronto em frente ao Castelão. Cerca de 15 mil pessoas ocupam vias de acesso ao estádio; Brasil e México jogam às 16h

PEDRO MOTTA GUEIROS
RENATO DE ALEXANDRINO 
O GLOBO
Atualizado:19/06/13 - 13h11

Policiais montam barreira para conter manifestantes em ruas proximas ao estadio do Castelão
 Ivo Gonzalez / Agência O Globo


FORTALEZA — A chegada de cerca de 15 mil manifestantes, segundo estimativas da polícia, às barreiras montadas por policiais na Avenida Alberto Craveiro, em Fortaleza, uma das vias de acesso ao Castelão, acabou em correria e muita confusão nesta quarta-feira. Pelo menos 500 policiais se postaram a três quilômetros do Castelão para impedir que a manifestação contra os gastos com estádios para a Copa das Confederações e Copa do Mundo se aproximasse do estádio. Quando os manifestantes tentaram furar o bloqueio, foram reprimidos com força. Bombas de efeito moral, balas de borracha e spray de pimenta foram usados para dispersar os manifestantes. Por enquanto, não há informações de feridos.

Antes de chegar às barreiras policiais, o protesto estava pacífico, com gritos de “Sem violência” e cartazes contra a presidente Dilma Rousseff. Mais cedo, o clima de tensão se misturava com a irreverência típica do nordestino. Enquanto ajeitava a formação, um soldado disse para o outro ao seu lado:

— ‘Vambora’ fechar. Só pode passar mulher bonita.

Brasil e México jogam às 16h no Castelão. Uma vitória deixa a seleção com a classificação às semifinais encaminhada.

A MINORIA INCENDIÁRIA

O SUL, 19/06/2013

WANDERLEY SOARES

No teste de segunda-feira última para a Copa, a estratégia do governo se mostrou frágil.


O diapasão por parte da mídia e, especialmente, das autoridades governamentais ao realizarem balanço sobre a onda de protestos que teve como ponto culminante - que não pode ser confundido como ponto final - as manifestações de segunda-feira última, em onze capitais do País, aponta que uma minoria infiltrada praticou os atos criminosos, como assaltos contra pessoas e depredação de patrimônios público e privado. Dentro de tal enfoque, no frigir dos ovos, os movimentos estão sendo considerados como democráticos e pacíficos, o que não deixa de ser verdade, mas apenas uma parte da verdade. Sigam-me.


Amostragem


No caso de Porto Alegre, onde se situa minha torre, não obstante a prisão, detenção ou apreensão de cerca de 50 pessoas integrantes da tal minoria, os policiais atuaram, nos momentos mais críticos dos atos criminosos, de forma contemplativa, no aguardo de que os fatos se consumassem, obedecendo, é claro, à filosofia do governo da transversalidade. Presenciei grande parte da fúria da minoria que, praticamente, por si só, se dispersou depois de colocar a cidade em situação de pânico, inclusive deixando 12 cavalos da Brigada Militar feridos. Inclino-me a acreditar que a minoria - quadrilheiros mascarados - passou a merecer as mesmas considerações dos manifestantes pacíficos, com exceção daqueles 50 que foram presos por amostragem. Dentro desta moldura, acrescento que será difícil definir o que poderia ter sido excesso por parte da Brigada Militar, pois mais passiva do que a tropa foi contra a tal minoria seria, simplesmente, entregar a cidade para incendiários. Por fim, nesse teste de segunda-feira para a Copa, a estratégia do governo se mostrou frágil, a ponto de colocar tanto a sociedade, inclusos os manifestantes pacíficos, assim como os próprios profissionais de polícia em situação de alto risco contra uma minoria incendiária.


Incompetência



O MPF (Ministério Público Federal) abrirá investigação sobre recursos federais não usados para obras ou construção de presídios no RS. A investigação segue recomendação do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) de responsabilizar governos estaduais pelo desperdício de recursos federais destinados ao sistema carcerário. O RS teve de devolver ao Ministério da Justiça, em 2012, R$ 18,8 milhões empenhados para a construção de dois presídios regionais, em Bento Gonçalves e Passo Fundo, um albergue em Bagé e um ambulatório prisional em Charqueadas. Como a verba foi devolvida, parece-me que não houve desperdício, mas apenas incompetência na elaboração de projetos nas datas aprazadas.


Cadáver guinchado

Funcionários do Detran encontraram o corpo de um homem ao fiscalizar um carro guinchado que havia sido abandonado no Centro de Montenegro, no Vale do Caí. Ao abrir o Vectra no depósito, eles localizaram o cadáver de Volnei Gonçalves, 48 anos, no banco traseiro, com marcas de dois tiros no peito e de espancamento no rosto.


Presídio


Ontem, no Presídio Industrial de Caxias do Sul, houve uma rebelião, após uma tentativa de fuga.

PERFIL VARIADOS DOS DETIDOS POR VANDALISMO




ZERO HORA 19 de junho de 2013 | N° 17466

FORÇA JOVEM

Perfil variado de detidos é desafio


No grupo de 45 pessoas detidas devido aos protestos da noite de segunda-feira, na Capital, quatro têm antecedentes criminais. Destes, três responderam por crimes de menor potencial ofensivo, como porte de entorpecentes e desordem, enquanto uma quarta pessoa apresenta envolvimento em um roubo a taxista.

Segundo o coronel Fábio Duarte Fernandes, comandante-geral da Brigada Militar, não há relação entre os presos na segunda com as pessoas detidas na quinta passada.

– São pessoas diferentes. Mas os métodos são os mesmos – afirmou.

Fernandes admitiu dificuldades no reconhecimento. Pretende cruzar imagens de câmeras de segurança com as informações já disponíveis.

– Os depredadores estão no interior do movimento. Nem os manifestantes conseguem identificar quem são essas pessoas. Eles se misturam – explicou.

Entre os 45 detidos na segunda, estão 10 adolescentes. Oito foram levados ao Departamento Estadual da Criança e do Adolescente e liberados e dois acabaram encaminhados para o Ministério Público Estadual.

Outros 35 envolvidos foram levados para a 3ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento – 25 foram ouvidos e liberados ontem, sendo que quatro pagaram fiança.

Restaram 10 presos por três flagrantes homologados pela Justiça, encaminhados ao Presídio Central. São jovens, têm em média 22 anos e pertencem a várias classes sociais. Pelo menos dois moram em apartamentos de bairros nobres da Capital, mas há quem habite as ruelas da Vila Bom Jesus, um dos lugares mais violentos de Porto Alegre.

Os nomes não foram divulgados pela polícia, mas os detidos integram a ala radical de diferentes grupos sociais que atuam na cidade. Parte justifica os atos alegando que o Brasil vive um período em que as classes populares estão preparando a revolução para tornarem-se dirigentes do país.

Ontem à noite, o juiz Carlos Francisco Gross determinou a soltura de quatro dos 10 presos. No despacho, o magistrado enfatizou que os manifestantes têm direito à liberdade provisória, mas estabeleceu uma condição: terão de se apresentar ao 1º Batalhão de Polícia Militar nos horários de futuros protestos, e lá permanecer até o encerramento.

CARLOS GUILHERME FERREIRA E CARLOS WAGNER



“Passaram do limite quando colocaram fogo”


Neta de um político perseguido durante a ditadura militar, Laura Bittencourt tem no sangue paixão pelos assuntos que dizem respeito à coletividade. A mãe, Ana Carolina, afirma que a filha sempre teve interesse pelo bem comum como uma das características mais marcantes de sua personalidade. Por isso, apoia a presença da menina nas manifestações.

Segundo Ana, a educação que deu à filha lhe dá plena confiança de que, mesmo empunhando cartazes e gritando palavras de ordem, Laura não está fazendo nada de errado nas ruas. Inclusive quando o protesto pacífico, por vezes, descamba para a violência, como na noite da última segunda-feira.

– Como mãe, confesso que fiquei preocupada com a segurança física da Laura, mas confio que a educação que dei a ela aqui dentro vai ajudar a tomar as decisões certas lá fora.

Contente de ver sua imagem na capa de ZH simbolizando a ala pacífica do movimento, Laura prefere não julgar os membros radicais. Responsáveis por depredações de lojas e ônibus, dezenas de manifestantes entraram em conflito com policiais.

– Acho errado quando passam dos limites, quebrando casas, pichando prédios. Passaram do limite quando colocaram fogo nos ônibus, porque os ônibus também são nossos. Se a gente está lutando por uma redução da tarifa, é para usar os nossos ônibus. E a gente não pode queimar uma coisa que é nossa – diz.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

ACORDO DE ALTO RISCO

O SUL, 17/06/2013

WANDERLEY SOARES

Quem se alia à bandidagem passa a se submeter às leis da bandidagem


A infiltração de bandidos na manifestação ocorrida em Porto Alegre contra o preço da passagem de ônibus, uma angústia que atinge a toda a população, é algo que precisa ser analisado pelas lideranças de movimentos como esse que, inevitavelmente, voltarão a ocorrer. Quem reza pela cartilha de bandido como bandido será tratado não só pelas organizações policiais, mas pela própria sociedade. Os infiltrados, mascarados como bandidos comuns, chegaram a fazer rápidos arrastões, além de colaborarem com o insano quebra-quebra. Este tipo de fenômeno começa com a tolerância da infiltração e, numa etapa seguinte, a bandidagem é convocada a participar. Os mesmos bandidos que comandam o crime na periferia alçarão voo nos movimentos sociais urbanos. Há ainda o detalhe de que, quem se alia à bandidagem, passa a se submeter às leis da bandidagem


Taxista


A polícia localizou, ontem, o corpo de Valdir Nigres Alves, 55 anos, taxista que estava desaparecido desde a noite de quinta-feira, em Mostardas, Sul do Estado. Ele foi morto a facadas. O cadáver estava na estrada Caieira, zona rural de Mostardas.


Tráfico


Três homens foram presos, ontem, na rua Clara Nunes, bairro Restinga, Zona Sul da Capital. Os policiais apreenderam um bloco de crack pesando cem gramas, 169 pedras prontas para a venda e seis celulares.


Assaltos


Uma farmácia foi assaltada, quinta-feira, em Nova Petrópolis, por quatro homens que, pouco depois, foram capturados pela Brigada. Em Caxias do Sul, duas farmácias foram assaltadas no Centro da cidade. Os bandidos fugiram com dinheiro das caixas. Em Porto Alegre, dois postos de combustíveis foram atacados, no começo da madrugada, na Zona Sul. Os ataques aconteceram nas avenidas Nonoai e Aparício Borges. Outro assalto a posto de combustível ocorreu em Caxias do Sul, no bairro São Pellegrino.


Banco


Uma agência do Banco Santander, localizada na Zona Norte de Porto Alegre, foi assaltada. O banco fica na avenida Carlos Gomes, perto do Hospital Mãe de Deus Center e está em obras. Os bandidos renderam os operários e conseguiram retirar o cofre, que foi colocado no porta-malas de um Fiesta Sedan, e fugiram.


Banho de sol



Um apenado fugiu do Presídio Regional de Santa Cruz do Sul no início da tarde de ontem. Gilnei Adriano Dias, 25 anos, aproveitou o horário do banho de sol para escalar um muro de quatro metros de altura e pular duas redes de contenção. Ele estava preso desde dezembro de 2007 por roubo e assalto.

domingo, 16 de junho de 2013

MAIS UM TAXISTA ASSASSINADO NO RS

ZERO HORA 16 de junho de 2013 | N° 17463

ASSASSINATO NO INTERIOR

Taxista é morto a tiros em Pelotas. Motoristas fizeram protestos ao longo da madrugada nas ruas da cidade



O assassinato do taxista Márcio André Marques de Oliveira, 40 anos, foi o estopim para uma madrugada de protestos em Pelotas, no sul do Estado. Colegas da vítima bloquearam o trânsito da Avenida Bento Gonçalves, que corta a cidade, e fizeram buzinaços. O objetivo era chamar a atenção para a falta de segurança.

Segundo a polícia, a última informação é de que Oliveira havia sido acionado pela empresa em que trabalhava para ir ao bairro Dunas. Por volta de 23h30min, seu corpo foi encontrado dentro do carro na Rua 16, a poucas quadras de sua casa, com marcas de tiro próximo ao pescoço.

De acordo com o delegado Félix Rafanhim, que investiga o caso, não é possível descartar qualquer hipótese. A mais forte, inicialmente, seria de homicídio, já que, aparentemente, nenhum objeto foi levado.

– Mas também temos de levar em conta que ele foi chamado por estar mais próximo ao local, aleatoriamente. Ou seja, não seria tão possível haver uma premeditação – comenta.

O delegado optou por não divulgar se há suspeitos pelo crime, para não atrapalhar o rumo das investigações.

E justamente para cobrar investigações é que os taxistas de Pelotas fizeram a manifestação durante a madrugada. Por mais de três horas, movimentaram os carros, buzinaram e interromperam o trânsito próximo ao quartel do 4º Batalhão de Polícia Militar (BPM). Eles também foram até a casa do prefeito Eduardo Leite (PSDB) para protestar.

– Tínhamos marcado uma reunião para segunda-feira, envolvendo as secretarias que têm alguma relação com violência, como Saúde, Justiça e Segurança, Educação e Obras, que cuida da iluminação. Notamos um crescimento na sensação de insegurança na cidade – afirmou o prefeito.

É a sensação de insegurança que tem levado os taxistas de Pelotas a não fazer mais corridas a alguns pontos do bairro Dunas, considerado violento. Segundo o colega André Leivas, Márcio Oliveira, por ser morador do Dunas, jamais se negava a fazer uma corrida:

– Ele me dizia que não podia deixar de atender o bairro porque alguns moradores eram violentos. Tinha muita gente boa que morava lá e precisava do serviço – contou.

De acordo com Leivas, Oliveira era uma pessoa extremamente dedicada à família. Casado, tinha uma enteada de 15 anos. Trabalhava durante o dia, mas pediu para trocar o turno por causa do trânsito.

RAFAEL DIVERIO

AS ESTATÍSTICAS NA CAPITAL

ANO Nº - O número de taxistas mortos em assalto

2003 - 6
2004 - 3
2005 - 1
2006 - 4
2007 - 2
2008 - 2
2009 - 6
2010 - 1
2011 - 0
2012 - 1
2013* 4
Fonte: * até 15 de junho Fonte: Sindicato dos Taxistas de Porto Alegre (Sintaxi)


Ano sangrento

HUMBERTO TREZZI

Uma pesquisa no noticiário e nas escassas estatísticas disponíveis mostra que 2013 já é um dos mais sangrentos anos para a categoria dos taxistas no Rio Grande do Sul. E isso já no primeiro semestre.

Em Porto Alegre, 2013 teve quatro motoristas de táxi mortos em assaltos. Só perde para os anos de 2003 e 2009, cada um deles com seis taxistas assassinados durante roubos (veja tabela abaixo).

Já no que se refere ao Estado como um todo, foram registrados nesse primeiro semestre impressionantes 11 assassinatos de taxistas – e as investigações apontam que quase todos foram em assaltos.

Além dos quatro motoristas mortos na Capital, ocorreram latrocínios de taxistas em Tupanciretã, Santana do Livramento, Lajeado, Mostardas e, na noite de sexta-feira, em Pelotas. Para efeito comparativo, Zero Hora fez uma pesquisa e encontrou em 2012 seis assassinatos de taxistas no Rio Grande do Sul. Ou seja, 2013 está na metade e já superou a macabra estatística do ano anterior.

A categoria dos taxistas foi atingida em cheio em 2013 pela ação de um serial killer. Nada menos que seis motoristas de táxi foram assassinados no espaço de 48 horas, entre 28 e 30 de março, pelo jovem Luan Barcelos da Silva, 21 anos.

Três de suas vítimas atuavam em Santana do Livramento, cidade natal do rapaz. Outras três em Porto Alegre. Ele não conhecia nenhum dos alvos: simplesmente os escolheu a esmo, matou e depois roubou. O rapaz, que lecionava informática para crianças, foi preso em abril.


sábado, 15 de junho de 2013

FILHOS DO ESTUPRO

REVISTA ISTO É N° Edição: 2274 |  15.Jun.13 - 18:46

Projeto de lei que prevê auxílio financeiro para mulheres grávidas vítimas de violência sexual, o chamado "bolsa estupro", causa polêmica até entre pessoas nascidas desse ato de agressão

Natália Mestre


PRÓ-ABORTO
A gerente de varejo Claudia Salgado, 28 anos, é contra o Estatuto do Nascituro.
“Por ser fruto de um estupro, me sinto até mesmo no direito moral de ser a favor do aborto.
Eu sei o quanto foi horrível e quantas vezes eu desejei não ter nascido, pois acredito
que a vida da minha mãe teria sido muito melhor se isso não tivesse acontecido”

Minha mãe tinha 18 anos na época em que foi estuprada. (...) Ela era tão inocente que nem sabia que estava grávida, nem foi atrás de Justiça, apenas se fechou. E quando a barriga ficou impossível de disfarçar, ela não pôde mais negar e outra vez passou por mais humilhação. Teve de sair de casa às pressas, pois meu avô queria matá-la. Eu não acho que, para ela, seguir a gravidez foi uma escolha, ela não entendia o que estava acontecendo e só teve essa opção. (...) Ela não tinha a menor estrutura emocional de ter um filho sob aquelas condições e naquela idade. E eu nunca me senti desejada. Minha infância ficou quebrada e, minha vida, incompleta. (...) Sentia raiva da minha mãe porque ela me teve sem ter me desejado, embora existisse o respeito por saber que ela nunca deixou nada me faltar. (...) Sempre tive o sentimento de que ela se importava comigo, mas não me amava. (...) Acho muito mais digno interromper uma gravidez indesejada do que colocar uma criança no mundo para sofrer e passar necessidades. Hoje não sinto a menor vontade de ser mãe. Não acredito que poderei ser boa o suficiente.”



Esses são alguns trechos do depoimento da gerente de varejo Claudia Salgado, 28 anos, ao blog Olga, no qual ela relata as dificuldades vividas pela mãe grávida, após ser violentada sexualmente, e os impactos desse trauma na sua vida, na condição de uma filha do estupro. Sua posição favorável ao aborto esquenta ainda mais a discussão sobre o Estatuto do Nascituro, que está em tramitação na Câmara dos Deputados e foi aprovado no último dia 5 pela Comissão de Finanças e Tributação. O projeto de lei, que ainda precisa passar por outras comissões e pelo Senado, prevê que o ser humano concebido, mas não nascido, tenha proteção jurídica e direitos garantidos –­ inclusive apoio financeiro do Estado em caso de gravidez resultante de violência sexual, o que vem sendo chamado de “bolsa estupro”. O controverso projeto tem gerado discussões inflamadas de ambos os lados. Manifestações em todo o País contra a proposta foram marcadas para o sábado 15. Também circula uma petição online que conta com mais de 100 mil assinaturas.

O texto do Estatuto assegura o direito à vida, à saúde do óvulo fecundado (mesmo que “in vitro”) e a políticas públicas que garantam o seu desenvolvimento. “É claramente uma defesa da vida que começa a vigorar a partir do momento da concepção”, explica o ex-deputado federal Luiz Bassuma, autor do projeto. “Ele coloca uma barreira para a legalização do aborto”, acrescenta Lenise Garcia, presidente do Movimento Nacional da Cidadania pela Vida (Brasil Sem Aborto). Os críticos, porém, enxergam na proposta um revide à decisão do Supremo Tribunal Federal de autorizar a interrupção da gravidez de fetos anencéfalos sem que a prática se configure um crime. “O próximo passo será a criminalização do aborto em qualquer instância”, acredita a professora Flávia Piovesan, especialista em direitos humanos e constitucionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). No Brasil, a gestação só pode ser legalmente interrompida em casos de estupro, de gravidez de anencéfalos e quando há risco de vida da mãe. E, mesmo nesses casos, é um processo burocrático e extremamente complicado.



“É uma tragédia quando as mulheres se veem grávidas de um estupro. Como se não bastasse ter sofrido uma violência comparável a atos de tortura, ela precisa tomar uma decisão normalmente sem apoio, de uma forma exposta, sentindo culpa e sendo julgada pela sociedade”, explica o médico Jefferson Drezet, coordenador do Programa Bem Me Quer do hospital Pérola Byington, de São Paulo, referência no atendimento de mulheres vítimas de violência sexual. Foi o que aconteceu com Carlinda José Flávio. Aos 21 anos, ela descobriu que estava grávida, já no quinto mês de gestação, após um estupro. Não pensou duas vezes, fez as malas e fugiu de Anápolis (GO) para a casa de uma prima, em Brasília, com medo de se tornar a vergonha da família. O objetivo era pular de um viaduto e se matar. Ela tentou duas vezes, mas o bebê mexia dentro da barriga e tirava a sua coragem. Na terceira tentativa, diz que sentiu uma mão em seu ombro e ouviu um pedido para que não se jogasse. “Olhei para trás e não tinha ninguém. Fui embora chorando, desesperada, e me dei conta de que queria ter a criança”, conta.

Hoje, de volta à sua cidade e com 61 anos, Carlinda está casada há 39 e é mãe de quatro filhos. A filha nascida do estupro é a mais velha, a técnica Cíntia Aparecida Flávio, 39, que tinha apenas 7 anos quando descobriu não ser filha do seu pai. “Foi um choque. Ele era o meu herói. Por muito tempo tive crises querendo saber quem era o meu pai verdadeiro, se eu tinha outros irmãos”, diz. Mas foi aos 21 anos, grávida do seu filho Rafael – hoje com 18 – que a jovem descobriu toda a verdade. “Nunca mais quis conhecê-lo e passei a admirar e amar ainda mais a minha mãe.”



Seguir com a gravidez ou interrompê-la nunca será uma decisão fácil para a mulher. Pior ainda é quando ela não tem condições de tomá-la, como a mãe de Felipe Francisco da Silva, 23 anos. Surda e muda, ela saiu para dar uma volta pelo bairro e desapareceu. Foi encontrada no dia seguinte, completamente desnorteada e sem conseguir explicar o que tinha acontecido. Com o passar do tempo, a gravidez, fruto de violência sexual, apareceu. Ela teve o bebê e morreu de ataque cardíaco quando Felipe tinha apenas 4 anos. “Eu me lembro que ela cuidava muito bem de mim e, mesmo dentro das suas limitações, era superprotetora”, conta o rapaz. Criado pela avó, ele descobriu sua história aos 15 anos. “Ela me chamou para uma conversa e me contou toda a verdade. Na época, eu não consegui enxergar a dimensão disso, só depois entendi a gravidade do caso. Essa situação me despertou a vontade de sempre lutar pela vida”, diz ele, que é contra o aborto.

O ponto mais polêmico do Estatuto está no Artigo 13. Ele propõe que o estuprador genitor seja identificado e responsável por pagar uma pensão alimentícia até a maioridade. “Quem propõe isso não sabe a dor que é passar por essa agressão. Quem passa por isso não vai querer nada daquela pessoa”, afirma Carlinda, que é contra o aborto. Sua filha Cíntia pensa da mesma forma: “Eu não ia querer nada dele, não quero conhecê-lo, não quero vínculo”. Se o agressor não for encontrado, o Estado assume essa incumbência, por isso está sendo chamado de “bolsa estupro”. É uma proposta estapafúrdia, porque pressupõe que a vítima possa querer algum contato com o seu algoz – que deveria estar na cadeia e, portanto, sem condições de pagar pensão. Além disso, sugerir auxílio financeiro é uma maneira desleal de induzir a grávida a ter esse filho. “O projeto ainda naturaliza a violência contra a mulher e respalda o estupro na nossa sociedade, um crime hediondo que será banalizado”, diz Sonia Coelho, integrante da Sempreviva Organização Feminina (SOF).



De fato, existe uma mancha vergonhosa no País: o crescimento da violência sexual. Só nos primeiros quatro meses de 2013, houve um aumento de 20% dos casos em São Paulo, segundo a Secretaria de Segurança Pública, em comparação com o mesmo período do ano passado. Entre 2009 e 2012, esse tipo de crime aumentou 162% no Brasil. Entre as vítimas estava Regiane Marques de Souza, 38 anos. Estuprada em um lixão em Maricá (RJ) em 2010, quando voltava para a casa depois de jantar com amigas, ela se viu grávida. Regiane morava sozinha com dois filhos pequenos e quis tirar a criança. Chegou a ir ao hospital para fazer o aborto, mas começou a passar mal. O único lugar disponível para ser atendida era a maternidade. “Quando vi aquelas mães felizes com seus filhos nos braços, resolvi ter o bebê”, conta. Ela se mudou, então, para o Novo Gama, nos arredores de Brasília, onde superou a dor da violência e hoje é feliz ao lado de Maria Vitória, de 1 ano e 7 meses.

Fotos: Adriano Machado e Leo Caldas

A JOGATINA DO CACHOEIRA NÃO PARA

REVISTA ISTO É N° Edição: 2274 | 15.Jun.13 - 17:50

Casas de bingos ilegais, comandadas pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira, continuam a funcionar nas cidades vizinhas a Brasília. A polícia confirma: "Ele nunca parou"

Izabelle Torres

Em uma rua da periferia de Valparaíso (GO), distante 30 quilômetros da capital do País, uma casa de pouco mais de 100 metros quadrados, com portas e janelas lacradas por esquadrias de ferro, passa despercebida em meio a residências simples e à poeira que se acumula pela falta de asfalto. Na porta, um homem sentado em um banco de plástico analisa o movimento e dá uma batida no portão velho como sinal de permissão para abri-lo. O local é um ponto de jogatina e de bingos ilegais que continua desafiando a polícia e colocando em xeque a estrutura do Estado. Lá dentro, 22 máquinas de caça-níqueis estavam à disposição dos 13 jogadores que se enfileiravam em uma sala com pouca luz e um silêncio opressor na noite da quarta-feira 12. Os cinco funcionários que trabalhavam na área interna conversavam discretamente sobre uma possível mudança de endereço e combinavam de telefonar para os clientes mais cativos informando o novo destino, que seria o terceiro em cinco meses. Delegados envolvidos no combate aos jogos ilegais são unânimes em afirmar que casas como essa ainda são comandadas pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Condenado a 39 anos e oito meses de prisão por corrupção ativa, peculato, violação de sigilo e formação de quadrilha, além de indicado como comandante da máfia dos caça-níqueis na região Centro-Oeste, Cachoeira é considerado por policiais um contraventor na ativa, que continua a acumular poder e a contar com as ramificações políticas do esquema de jogos ilegais montado por ele.


EM PLENA ATIVIDADE
Condenado a 39 anos e oito meses de prisão, Cachoeira opera
por meio do tesoureiro José Olímpio Queiroga (leia documento)
e do irmão, Paulo Cachoeira



De acordo com o delegado Alexandre Lourenço, da Delegacia de Combate ao Crime Organizado de Goiás, todas as investigações sobre a propriedade das casas de bingo fechadas nos últimos meses levaram aos mesmos contraventores: os integrantes da família de José Olímpio Queiroga. Queiroga é apontado na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, como tesoureiro de Cachoeira e responsável por viabilizar a abertura dos locais utilizados pelo grupo para explorar o jogo. “Posso dizer que essas casas que continuam operando são comandadas pelo grupo do Cachoeira. Nossas investigações levam sempre às mesmas pessoas e à pirâmide da organização denunciada durante a Operação Monte Carlo. A verdade é que Cachoeira nunca parou. Pior: será difícil pará-lo definitivamente”, lamenta o delegado, que tenta criar uma força-tarefa para possibilitar uma ação conjunta de combate aos jogos ilegais.

No último mês, seis pessoas avisaram sobre o funcionamento de casas de jogos ilegais espalhadas em diversas cidades do entorno de Brasília. ISTOÉ encontrou uma delas em Formosa (GO), distante 100 quilômetros da capital. Com uma estrutura bem mais modesta do que a casa que abrigava as máquinas em Valparaíso, a segurança é menos reforçada e a clientela é composta basicamente por idosos. Há três mulheres se revezando no atendimento cordial aos clientes e apenas um homem com a responsabilidade de interrogar visitantes. “Esses funcionários que atendem raramente encontram os verdadeiros chefes. Muitas vezes, não sabem mesmo quem eles são. Por isso, documentar quem está no topo da pirâmide é o grande desafio”, diz o delegado-adjunto da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado do Distrito Federal, Fernando Cocito. Ele comemora o fato de 45 casas de bingos terem sido fechadas desde fevereiro do ano passado, quando Cachoeira foi detido pela primeira vez.



A estrutura do esquema de jogos ilegais indica a existência de novos personagens. Um deles é Paulinho Cachoeira, irmão de Carlinhos, que tenta alçar voo solo na contravenção. Pelo menos três casas fechadas pela polícia nos últimos cinco meses apontavam que ele era o comandante dos grupos. Sempre que é chamado a depor, Paulinho diz que monta a própria estrutura e que não depende do irmão. “Meu cliente está recolhido com a família, não chefia nada disso. Ele não comanda nada”, diz o advogado de Cachoeira, Nabor Bulhões. Os policiais, porém, não consideram verdadeira a versão, uma vez que manter e reestruturar os grupos depois de cada ofensiva é considerado um trabalho que exige experiência, habilidade e, claro, muita influência política, requisitos que Cachoeira preenche.

Foto: Adriano Machado / AG. ISTOÉ


TÁXISTA É ASSASSINADO EM PELOTAS

ZERO HORA 15/06/2013 11:56

Motorista de táxi é assassinado em Pelotas. Em protesto, colegas da vítima bloquearam rua por quatro horas


O taxista Marcio André Marques de Oliveira, de 40 anos, foi morto na noite dessa sexta-feira com um tiro no pescoço. O crime ocorreu por volta das 22h35min quando o motorista do veículo Palio, prefixo 096, foi chamado para buscar um passageiro. O assassinato ocorreu na rua 16 do loteamento Dunas, no bairro Areal. Esta é a 26ª morte por homicídio em Pelotas neste ano.

Segundo o responsável pela investigação, delegado Félix Rafanhim, a polícia trabalha inicialmente com a hipótese de homicídio, mas não foi descartada a possibilidade de ter sido um latrocínio (roubo seguido de morte). Após o crime, um grupo de taxistas bloqueou o trânsito na avenida Bento Gonçalves, por quatro horas, para protestar pela morte do colega. Os manifestantes estiveram ainda em frente à Polícia Civil para pedir mais segurança e agilidade na investigação.

O presidente do Sindicato dos Taxistas de Pelotas, Inildo Rediess, lamentou pela manhã o ocorrido. Segundo ele, não há nada que a categoria possa fazer e, por isso, procurou acalmar os colegas e deixar que a polícia trabalhe na elucidação do crime. Segundo ele, a última ocorrência envolvendo morte de taxista em Pelotas foi no ano passado.

Vítima anterior

Em fevereiro de 2012, o taxista Luiz Carlos Cardoso, de 62 anos, morreu após ser agredido por dois homens. Segundo ocorrência registrada na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), Cardoso foi espancado na esquina das ruas Félix da Cunha e General Neto, no Centro, por volta de 6h30min, quando tentou intervir em uma briga a favor de um colega. Um dos agressores era um policial militar (PM) temporário em Camaquã.



Fonte: Luciara Schnied / Correio do Povo

VIOLÊNCIA CONDENADA

ZERO HORA 15 de junho de 2013 | N° 17463

LIMITE DOS PROTESTOS

Os protestos contra a elevação da tarifa de ônibus tiveram início na Capital em março, se alastraram por diversas capitais do país e retornaram com voltagem redobrada para Porto Alegre nesta semana. A escalada no nível de agressividade de manifestantes e policiais reforça um debate sobre os limites das ações de cada parte e o temor de novos confrontos.


Ao ampliar o número de alvos e o nível dos danos registrados, o mais recente protesto contra a tarifa de ônibus em Porto Alegre inflamou um debate sobre a violência nas manifestações e o papel de ativistas e policiais. Reproduzida com fôlego nas redes sociais, a discussão apresenta pontos de vista divergentes sobre o rumo da mobilização, mas encontra um ponto comum: o temor de acirramento dos ânimos.

Zero Hora ouviu líderes políticos, sociólogos, manifestantes e cidadãos de diferentes matizes ideológicos sobre a elevação na agressividade dos protestos. Foram contabilizadas depredações ao patrimônio público e privado. Em contrapartida, a Brigada Militar deteve 23 suspeitos. Um vídeo publicado na internet mostra que policiais recolheram pessoas até de dentro de um bar. Não houve, porém, relatos de agressões como as praticadas pela PM paulista.

Até esta semana, os alvos costumavam ser prédios relacionados à questão da tarifa de ônibus, como a prefeitura.

– A população está ficando mais indignada com o aumento do custo de vida, com a corrupção e a falta de democracia nas discussões sobre as cidades, além da forte repressão que houve em São Paulo – argumenta a vereadora do PSOL Fernanda Melchionna.

O protesto de quinta na Capital sucedeu a manifestações em São Paulo, por sua vez inspiradas no movimento porto-alegrense, que envolveram duros confrontos entre ativistas e policiais. Fernanda sustenta que dar destaque a atos radicais promovidos por uma minoria é uma tentativa de criminalizar o movimento na Capital. Para o líder do PSDB na Câmara de Vereadores, Mario Manfro, as depredações devem ser vistas, sim, como parte das manifestações e combatidas com rigor pela polícia.

– Se tu chamas um manifesto, tu és responsável pelo bônus se conseguir a tua meta. Mas também é responsável pelo ônus se as coisas fogem do controle – sustenta Manfro, que também condena os bloqueios de vias públicas.

O cientista político e coordenador do curso de Ciências Sociais da Ulbra, Paulo Moura, avalia que o vandalismo é promovido por pessoas que procuram ampliar a visibilidade das ações aproveitando-se de um cenário de insatisfação popular provocado pela inflação e perda do poder aquisitivo.

– Embora não se fale nisso, é a perda do poder aquisitivo que explica, também, o apoio popular ao movimento. Mas, quando ocorrem abusos, a polícia tem de agir – defende.

O problema, na visão do ativista Lucas Fogaça, da Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre (Anel), é que os atos violentos, segundo ele pontuais, motivam ações ainda mais agressivas das autoridades.

– Quando há algum excesso, a reação da polícia é desproporcional. Por isso, a partir de agora as lutas devem adotar um caráter mais amplo também contra a repressão – aposta.

Para a cientista e professora da UFRGS Céli Regina Pinto, a resposta para a escalada de violência deve ser buscada:

– Dizer que são vândalos não basta. Não estou defendendo, apenas dizendo que precisamos saber quem são, porque essa violência é muito perigosa.


Paulista veio documentar a passeata no RS

Entre os manifestantes foram reconhecidos integrantes de torcidas organizadas da dupla Gre-Nal, estudantes e jovens com passagens pela polícia. Segundo registros policiais, dos 23 detidos, 14 moram em Porto Alegre e os outros vivem na Região Metropolitana. A maioria se declarou universitário ou secundarista e não possui histórico de envolvimento em atos de violência.

Um dos presos é o paulista Felipe de Aquino Ramos, 24 anos. Afirmou ser documentarista e que veio de São Paulo com o objetivo de fotografar os protestos. Um chip com imagens registradas por Ramos foi apreendido pela BM.

O estudante Fabrizio Dall Bello Arriens, 28 anos, responde a um Termo Circunstanciado (TC) por desobediência nos protestos para evitar cortes de árvores no entorno da Usina do Gasômetro, na Capital.

Um outro jovem, Jonathan da Silva Leite, 22 anos, já foi indiciado pela Polícia Civil por roubo e, em novembro do ano passado, preso em flagrante sob suspeita de tráfico de drogas, na zona norte da Capital.


Ordem era intervir em último caso

Como o protesto da quinta-feira à noite estava agendado em redes sociais, a Brigada Militar (BM) se precaveu escalando o maior número de PMs para acompanhar a manifestação. Cerca de uma hora antes do início da passeata, o Comando de Policiamento da Capital (CPC) deslocou cerca de 160 policiais de pelotões especiais para o centro de Porto Alegre.

A ordem era monitorar e intervir em último caso. A BM não admite, mas queria evitar confronto. Infiltrou soldados entre os manifestantes para descobrir eventuais alvos dos protestos, tentando se antecipar a depredações. De certo modo, a tática funcionou. Quando a marcha chegou em frente ao prédio do Tribunal de Justiça do Estado (TJ), o local já estava cercado de PMs. A parada diante do TJ teria o objetivo de pressionar a Justiça a reduzir a tarifa. Pedras foram arremessadas com estilingue em direção ao prédio, sem danos.

Mas em outros pontos do Centro, estabelecimentos não foram poupados. Mas por que foi permitido?

– A nossa intenção foi evitar um confronto de grande escala, pois tu sabes como começa, mas não sabes como termina. Quando tu pinças uma pessoa no meio da multidão, estimulas as condições para que se estabeleça um conflito em grande escala – justificou o comandante interino do 9º Batalhão de Polícia Militar (9º BPM), André Luiz Córdova.

Segundo ele, a conduta dos PMs foi dentro de um padrão adotado em outras manifestações, e só ocorreram intervenções quando fugiu do controle.

– Não podemos criminalizar os movimentos sociais. Apenas um pequeno grupo, que não chegaria a 2% do total de manifestantes, foi responsável pelas depredações – afirmou o delegado Antônio Vicente Nunes, do Departamento de Polícia Metropolitana.

Algumas das pessoas foram encurraladas em um bar na Praça Garibaldi, onde tentaram se refugiar. O grupo foi identificado pela BM, e a partir de provas como testemunhos e imagens, a Polícia Civil irá apurar os autores dos atos de vandalismo.

– Não houve uma clareza suficiente que nos permitisse fazer os autos de prisão em flagrante e individualização das condutas – afirmou o delegado.

Grupo RBS registra ocorrência por ameaça e carro depredado

O Grupo RBS registrou ocorrência na 2ª Delegacia da Polícia Civil pela ameaça a seus profissionais e depredação de um dos carro da empresa durante o protesto de quinta-feira na Capital. Na ocasião, um carro que levava funcionários para o Aeroporto Salgado Filho foi parado por manifestantes na Avenida João Pessoa, sacudido, pichado, chutado e teve o vidro traseiro quebrado por um pedaço de ferro.

Marcelo Rech, diretor-executivo de Jornalismo da RBS e vice-presidente do Fórum Mundial de Editores, lamentou a agressão aos profissionais da empresa, considerando-a uma tentativa de tolher a liberdade de imprensa e a livre expressão. Ricardo Pedreira, diretor-executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ), também condenou o ataque e disse ser “inaceitável” tal ameaça.

A Associação Internacional de Radiodifusão (AIR) repudiou os atos de violência contra o Grupo RBS. Em nota, disse que violência, intimidação, ameaça e destruição material “violam os direitos fundamentais” e restringem severamente a liberdade de expressão”. Também frisou que “é dever dos Estados prevenir e investigar” os fatos, bem como “punir os responsáveis”.

Já a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) afirmou, em nota, que “atos de extrema violência e intimidação como o ocorrido na capital gaúcha são um grave atentado ao livre exercício do jornalismo e devem ser rechaçados”.

Mídia internacional relaciona fatos à Copa


A ação de policiais contra manifestantes em São Paulo recebeu atenção da mídia internacional. Nos Estados Unidos, a rede de TV CNN afirmou que houve “confrontos violentos exatamente um ano antes do início da Copa do Mundo”. Na França, a agência de notícias AFP disse que a confusão aconteceu “a três dias da abertura da Copa das Confederações”. O espanhol El País observou que a polícia paulista “perdeu o controle”. No argentino Clarín, o título destaca a continuidade do movimento. Já o venezuelano El Universal estampou uma foto em que um policial aparece atirando contra uma multidão.


OS ESTRAGOS: Fonte: Fonte: Brigada Militar

PICHAÇÕES - 21 lojas, um prédio, três bancas de revista e veículos

DEPREDAÇÕES - Seis agências bancárias, cinco veículos e um parquímetro

CONTÊINERES - Cerca de 40 contêineres foram virados, chutados e pichados, e um deles, queimado, provocando o bloqueio da Avenida João Pessoa por uma hora




Uma polícia violenta

No dia seguinte aos protestos marcados por violência, o governo de São Paulo abriu investigação para apurar excessos cometidos pela polícia nos protestos ligados às tarifas de ônibus. Apesar de reconhecerem a liberdade de expressão e se mostrarem abertos ao diálogo, as autoridades defenderam, nos discursos, a atuação policial.

Em São Paulo, a Secretaria da Segurança Pública garantiu que vai investigar supostos abusos. O prefeito Fernando Haddad (PT) descartou adiar o reajuste da tarifa para cessar as manifestações. Ontem, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) defendeu a mesma medida.

Para tentar acalmar os ânimos, Haddad decidiu convidar integrantes do Movimento Passe Livre, que tem organizado a onda de protestos, para uma reunião na terça-feira. A ideia é discutir de propostas sobre transporte público.

O prefeito ressalta, no entanto, que o convite não significa intenção de reduzir a tarifa reajustada recentemente, de R$ 3 para R$ 3,20. Haddad reiterou que o reajuste ficou abaixo da inflação e que cumpriu compromisso de campanha.

Já o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, considerou que houve “excesso” e “abuso” por parte de alguns policiais em São Paulo, mas elogiou a abertura de investigações e pontuou que o governo federal não intervirá porque o tema é de competência estadual.

No Rio, policiais também entraram em conflito com moradores. O governador Sérgio Cabral (PMDB) disse que há viés político no ato:

– Os jovens que foram presos pela baderna não estavam ali para defender interesses públicos, mas para gerar um clima de confusão.


EXCESSOS NA INTERNET. Manifestantes denunciam atuação policial

- Canais na internet foram criados por participantes dos protestos para divulgar o que consideram excessos policiais em SP. Os tumblrs oquenaosainatv.tumblr.com e o feridosnoprotestosp.tumblr.com, por exemplo, foram criados especialmente para denunciar agressões.
- Outro endereço, que usa a hashtag “protestosp” no topo, segue a mesma proposta. Há depoimentos de ameaças de policiais militares a cidadãos e relatos de que armas foram apontadas aos manifestantes – desarmados.