SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

LATROCÍNIO AUMENTA 31% NO RS NESTE ANO

ZERO HORA ONLINE 31/07/2013 | 16h22

Houve 50 roubos seguidos de morte de janeiro a junho, contra 38 no ano passado

O Rio Grande do Sul teve um aumento de 31,6% nos latrocínios no primeiro semestre deste ano, em comparação com igual período de 2012. De janeiro a junho do ano passado, foram 38 roubos seguidos de morte. Agora são 50.

O aumento concentrou-se no período de janeiro a março, quando os latrocínios mais do que dobraram, passando de 16, em 2012, para 35, em 2013. No segundo trimestre, houve queda de 32,8%, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pela Secretarias Estadual da segurança Pública.

Nos homicídios, houve queda de 6,3% no semestre. Foram registradas 965 mortes em 2013, contra 904 em 2012. Nos crimes contra o patrimônio, a tendência foi de aumento, com destaque para o furto de veículos (incremento de 14,4%) e o roubo (12,6%).

Os números

As estatísticas da segurança pública gaúcha de janeiro a junho nos últimos três anos:

Homicídio doloso
2011: 780 casos
2012: 965 casos (23,7%)
2013: 904 casos (-6,3%)

Furto
2011: 84.693 casos
2012: 80.754 casos (-4,6%)
2013: 77.852 casos (-3,6%)

Furto de veículo
2011: 7.369 casos
2012: 7.309 casos (-0,8%)
2013: 8.363 casos (14,4%)

Roubo
2011: 22.384 casos
2012: 22.353 casos (-0,13%)
2013: 25.166 casos (12,6%)

Roubo de veículo
2011: 5.536 casos
2012: 5.834 casos (5,4%)
2013: 6.091 casos (4,4%)

Latrocínio
2011: 39 casos
2012: 38 casos (-2,5%)
2013: 50 casos (31,6%)

Tráfico
2011: 4.238 casos
2012: 4.623 casos (9%)
2013: 4.860 casos (5,1%)


AVANÇOS NA SEGURANÇA EM SÃO PAULO

FOLHA.COM 29/07/2013 - 03h30

Editorial

Dados relativos a junho parecem confirmar a tendência de diminuição do número de homicídios dolosos no Estado de São Paulo.

Após oito meses consecutivos de alta, a taxa de assassinatos caiu pela primeira vez em abril, na comparação com o mesmo período do ano anterior. A queda repetiu-se em maio e novamente agora.

Segundo as informações mais recentes da Secretaria da Segurança Pública, o número de homicídios em junho foi 10,3% menor que no mesmo mês do ano passado --foram 355 ocorrências, contra 396 em 2012. Na capital, a redução foi de 12,3%.

Ao que tudo indica, o ponto de inflexão foi a substituição do titular da pasta, em novembro. A medida foi adotada em consequência de uma onda de violência entre criminosos organizados e agentes da Polícia Militar no segundo semestre. No período, houve 2.896 vítimas de homicídios, incluindo quase uma centena de policiais.

Neste ano, sob a gestão de Fernando Grella Vieira, o primeiro trimestre ainda apontava aumento nas ocorrências, mas em ritmo inferior ao de antes. Os três meses seguintes consolidaram a melhora.

Se esses resultados são positivos, o aumento dos roubos e dos latrocínios no Estado ainda é motivo de preocupação.

Os casos de latrocínio (roubo seguido de morte) passaram de 25 para 30, um aumento de 20% na comparação com junho de 2012. Embora proporcionalmente menor, o crescimento de 9,3% nos roubos é estatisticamente mais significativo. O número passou de 20.715 para 22.647 no Estado.

Esse tipo de crime, com emprego de violência contra as vítimas, afeta diretamente a sensação de segurança da população. Seu aumento, do ponto de vista eleitoral, pode ser um estorvo para o governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Soa alvissareira a proposta do governo estadual de criar um órgão, que contará com a participação de especialistas e da sociedade civil e terá a finalidade de fazer uma análise mais ampla e aprofundada sobre os dados da segurança pública paulista.

A partir de agosto, essa câmara terá reuniões periódicas e discutirá a divulgação diária --e não somente mensal--, por meio da internet, das estatísticas criminais.

Essa iniciativa poderá dar maior transparência às informações e permitir que a sociedade cobre de forma específica avanços no combate à criminalidade.

SEGURANÇA SEM INCÔMODOS


O SUL, 31/07/2013

WANDERLEY SOARES

A garantia da tranquilidade está nas mãos de cada cidadão. Basta obedecer às orientações das autoridades.

As sugestões do Poder Público para a garantia da tranquilidade dos cidadãos e, ao mesmo tempo, minimizar ao máximo incômodos para as autoridades e, com isso, estancar o crescimento da violência e da criminalidade, não são tão difíceis de serem adotadas. Se não, vejamos: não portar arma de qualquer tipo; não reagir em nenhuma hipótese diante dos olhos dos bandidos; dotar as residências de muros, cercas eletrificadas, câmeras de vigilância, cães bravos e seguranças humanos; não sair à noite; ao comércio noturno é recomendável que não abra à noite; se gremista, só ir a Grenal na Arena e despilchado; se colorado, só ir ao clássico em Caxias. É o Rio Grande da transversalidade, é a Porto Alegre do Kiko e da Copa.

Banco

A agência do Banrisul, no Centro de Glorinha, foi assaltada por volta do meio-dia de terça-feira. Cinco homens armados, usando toucas e luvas, roubaram dinheiro dos caixas e do cofre e fugiram em um Peugeot pela RS 030, em Gravataí, e abandonaram o carro na parada 117 da rodovia. Três pessoas foram feitas reféns, mas liberadas logo em seguida. Nada além do que a rotina bancária. Há quem ganha, há quem perde.

Menino Deus

Dois homens foram presos em Porto Alegre por terem assaltado quatro vezes o mesmo posto de combustíveis em menos de 15 dias. O posto fica na esquina da avenida Getúlio Vargas com a José de Alencar. Os assaltos foram realizados entre 27 de março e 10 de abril. Pelo menos, é possível que o quinto assalto leve alguns dias para acontecer. Isso tudo em nosso belo bairro Menino Deus, um dos mais próximos do Centro Histórico da Capital. É a Porto Alegre do Kiko e da Copa.

Médicos

Os médicos de todo o País fazem paralisação para protestar contra o governo federal. Como a minha seara é a segurança pública, mesmo tendo o maior respeito por toda e qualquer reivindicação de trabalhadores, não consigo entender uma paralisação na atividade de médicos. E há quem acredite nas mensagens simples de Francisco.

Sirenes

Uma mulher morreu atropelada por uma viatura da Brigada Militar em Santa Maria. O acidente aconteceu à noite passada na BR-287, entre as vilas Caramelo e São João. Uma viatura se deslocava para atender uma ocorrência com as sirenes ligadas e atropelou a jovem Débora Lenara Bronzati, de 23 anos. É claro que o caso merece uma investigação, mas as sirenes ligadas, que servem de alerta, não dispensam a atenção de quem dirige a viatura, especialmente em relação a pedestres.

PM baleado

Um policial militar foi baleado durante uma perseguição em Erechim. O soldado Adriano Pereira, de 33 anos, está na UTI do Hospital de Caridade. Os tiros que atingiram o PM foram disparados por um homem que estava na carona de uma moto. Ninguém foi preso e Adriano passa bem.

Crack

A tragédia do crack está motivando projetos enraizados em veios com plenitude eleitoreira que não indicam nenhuma base de sustentabilidade. Tudo em ritmo de campanha.

EXECUÇÕES NO PRADINHO

ZERO HORA 31 de julho de 2013 | N° 17508

Polícia investiga duplo homicídio em Alvorada


A Polícia Civil acredita que os dois homens executados a tiros na tarde de ontem no Pradinho, bairro Umbu, em Alvorada, não sejam moradores da região. Não apenas pela falta de identificação da dupla, que não tinha documentos e nem foi reconhecida pelos moradores das cercanias, mas também pelo modo como o crime foi cometido.

Por volta das 15h, um carro escuro, quatro portas, foi visto nas ruas do loteamento, que está abandonado. Em uma das ruas, o carro parou. Do veículo, desembarcaram os dois homens. Em seguida, foram ouvidos os disparos. Logo depois, o som do carro saindo do local.

Cada uma das vítimas foi atingida por quatro tiros, principalmente na cabeça, barriga e costas, o que pode indicar que foram pegos de surpresa pelos disparos logo após saírem do carro.

Mas chamou a atenção dos policiais o fato de apenas um projétil ter sido encontrado na cena do crime, junto aos corpos. Os agentes desconfiam de que os outros sete cartuchos tenham sido recolhidos pelos executores antes de deixarem a cena do crime.

Até a noite de ontem, os policiais da 1ª Delegacia da Polícia Civil de Alvorada ainda não tinham pistas da identificação das duas vítimas.

CAROLINA ROCHA


JOVENS E PERIGOSOS

Presos suspeitos de roubos a postos


O baile funk em uma casa do bairro Santa Teresa, na Capital, no dia 10 de abril, estava animado, mas havia um problema. A bebida acabara. Para não perder a festa, pelo menos cinco jovens atacaram a loja de conveniências do posto de combustíveis na esquina da Avenida Getúlio Vargas com a Rua José de Alencar, no bairro Menino Deus. Ontem, dois jovens, de 18 e 19 anos, foram presos. Outros três adolescentes que teriam participado de quatro roubos já foram identificados pela polícia.

O GRE-NAL E O PODER PÚBLICO

ZERO HORA 31 de julho de 2013 | N° 17508

EDITORIAIS


Com todo o respeito que a Brigada Militar merece, é inaceitável a decisão de veto à presença de torcedores visitantes no Gre-Nal do próximo domingo, o primeiro a ser realizado na Arena do Grêmio. Sob o pretexto de que não tem condições de dar segurança aos torcedores do Internacional, especialmente no deslocamento para o novo estádio, o comando da BM pediu ao Ministério Público para chancelar a ideia de torcida única no clássico. E lembrou, na sua argumentação, que a corporação retira um contingente de cerca de 700 homens do policiamento regular nas ruas para dar segurança a um evento esportivo privado.

Há, aí, duas questões distintas. A destinação de PMs para espetáculos artísticos e eventos esportivos é uma decisão do governo do Estado, que precisa ser resolvida no âmbito administrativo. Porém, quando a BM recebe ordem superior para atuar, descumpri-la significa insurreição. Além disso, o poder público existe para servir à sociedade. Não pode renunciar a essa missão. Se a Brigada não tem condições de dar segurança aos torcedores, que sejam criadas estas condições. Os órgãos de segurança não têm o direito de se omitir. Em meio ao debate sobre o Gre-Nal, surgiu inclusive a informação de que os policiais não pretendem interferir caso irrompa algum conflito no setor denominado Geral, onde rotineiramente ocorrem brigas entre torcedores. Era só o que faltava. Onde houver conflito, a Brigada tem que interferir, como é de sua atribuição constitucional e de sua tradição.

Embora o debate contenha forte componente de passionalismo, como ocorre em qualquer discussão envolvendo a rivalidade esportiva do Estado, ainda há tempo para um diálogo sensato, que garanta não apenas a presença pacífica das duas torcidas no Gre-Nal como também a segurança de todas as pessoas que se deslocarem para o estádio no próximo domingo. O Rio Grande não pode se render ao vandalismo – e conta com a valorosa Brigada Militar para garantir a vitória da civilidade.

JOVEM É EXECUTADO APÓS TER CARRO BARRADO POR ASSASSINOS


ZERO HORA ONLINE 31/07/2013 | 01h21

Carro abordado. Jovem é assassinado a tiros na zona sul de Porto Alegre. Cinco disparos atingiram André Luis dos Santos Leal na Estrada João Antônio da Silveira

DIÁRIO GAÚCHO

Um homem foi morto a tiros na noite desta terça-feira, no bairro Restinga, na zona sul da Capital. De acordo com o delegado Gabriel Bicca, da 4ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (4ª DHPP), a vítima, identificada como André Luis dos Santos Leal, 24 anos, não tinha antecedentes criminais.

O crime ocorreu por volta das 21h30min, quando André conduzia um Palio, adesivado como carro de tele mensagem, pela Estrada João Antônio da Silveira, em direção à Estrada João de Oliveira Remião (Lomba do Pinheiro). Segundo relato de testemunhas, o carro da vítima teria sido forçado a parar depois de ser fechado na pista por dois homens em um veículo sedan, cujo modelo não foi identificado.

O suspeito no banco do passageiro desceu, abriu a porta do motorista do Palio e disparou cinco vezes contra André. A dupla fugiu em seguida.

Até o final da noite, ninguém havia sido preso. A polícia trabalha o caso como execução, mas ainda não tem suspeitas para a motivação do crime. A investigação ficará a cargo da 4ª DHPP.



CORREIO DO POVO 31/07/2013 07:55

Fonte: Luciano Nagel / Rádio Guaíba

Jovem é encontrado morto em valão na zona Leste de Porto Alegre

Vítima, localizada no bairro Lomba do Pinheiro, tinha marcas de disparos pelo corpo

O corpo de um homem foi encontrado por volta das 5h desta quarta-feira às margens de um valão na Estrada Antônio Borges, bairro Lomba do Pinheiro, zona Leste de Porto Alegre.  A vítima, identificada como Lindomar Alves Pinto, de 21 anos, tinha marcas de tiros pelo corpo. A Brigada Militar (BM) informou que um tiroteio foi registrado no local onde Pinto foi encontrado. Não há suspeitos para o crime.






terça-feira, 30 de julho de 2013

A BAGUNÇA VAI SE INSTALANDO

O Estado de S.Paulo 30 de julho de 2013 | 2h 16


OPINIÃO


As manifestações que começaram no mês de junho não só perderam envergadura, como se tornaram mais raras, mas os atos de vandalismo promovidos por pequenos grupos, que nelas se infiltram, continuam com o mesmo ímpeto. Muitas vezes eles agem sozinhos, sem buscar a cobertura da grande maioria dos manifestantes pacíficos. Como não são reprimidos pela polícia - ou só o são, e ainda assim de forma tímida, quando sua violência ameaça escapar a todo controle -, sua ousadia vem num crescendo.

Eles voltaram a atacar na sexta-feira, deixando em São Paulo um rastro de destruição por onde passaram e, no Rio, amedrontando peregrinos reunidos à noite na Praia de Copacabana, onde se realizava um show promovido pela Jornada Mundial da Juventude. Na capital paulista, a manifestação - em apoio aos jovens que no Rio protestam contra o governador Sérgio Cabral - começou pacífica por volta das 18 horas no vão livre do Masp, na Avenida Paulista. Mas logo desandou, quando entrou em ação um grupo de participantes dos Black Blocks, que se intitulam anarquistas.

Eles ignoraram os apelos dos organizadores da manifestação para que não houvesse vandalismo e logo começaram um quebra-quebra. Depredaram 13 agências bancárias e picharam as Estações Trianon e Brigadeiro do metrô. Os poucos PMs ali presentes assistiram a tudo passivamente. Um tenente disse à reportagem do Estado que a ordem era não intervir.

Quando um manifestante pediu a outro PM que agisse contra os vândalos, ouviu como resposta: "Se você for até a delegacia e identificar (o suspeito de vandalismo) eu levo. Senão, não posso". Os Black Blocks se dirigiram em seguida para a Avenida 23 de Maio, onde usaram um ônibus biarticulado para interromper o trânsito. Só então a PM interveio, liberando o trânsito, e conseguiu dispersar o grupo quando ele retornou à Paulista.

No Rio, dessa vez não houve destruição, mas em compensação o susto foi grande. Cerca de 300 manifestantes, gritando "Fora Cabral" e "Não vai ter Copa", tentaram invadir a área que dá acesso ao palco onde pouco antes estivera o papa Francisco. Os peregrinos reagiram com medo e, se o show que se realizava ali no momento não tivesse sido encerrado antes da hora por causa dos gritos dos manifestantes, favorecendo sua dispersão, eles poderiam ter provocado pânico, com as consequências facilmente previsíveis.

A agressividade crescente desses grupos e o comportamento hesitante da polícia, que só intervém em último caso, quando o mal já está feito, criam uma situação altamente perigosa. Ela combina o medo da população - que, quando não presencia, assiste pela televisão às cenas impressionantes de destruição - com a ousadia dos vândalos, alimentada pela impunidade de seus atos.

A essa altura, nada mais justifica a hesitação e a timidez da polícia. Se a própria maioria dos manifestantes deixa clara sua discordância com a violência, o que os governantes ainda esperam para determinar às forças da ordem que ajam com o rigor que a situação exige? Ao contrário do que afirmaram algumas autoridades policiais, não há dificuldade alguma em distinguir os grupos violentos dos demais manifestantes. Basta ver o que fazem.

A passividade da polícia só se explica pelos receios dos governantes de serem acusados de violentos. O que se exige deles é a firmeza que tem faltado, porque a violência hoje está do outro lado - o dos grupos de vândalos. Nenhum deles - sejam os autoproclamados anarquistas como os Black Blocks, os skinheads, os funqueiros ou os simples bandidos - esconde sua clara adesão aos atos violentos para atingir objetivos tão vagos que a violência em si parece satisfazê-los.

Como o governo pode tolerar isso? Sua omissão só estimula os quebra-quebras e, a continuar assim, é grande o risco de que a situação fuja ao controle nas grandes cidades. Evitar isso, mantendo a ordem, é a atitude mais democrática a ser adotada pelos governantes. A bagunça não combina com a ordem democrática. É o seu oposto.

QUADRILHA SUSPEITA DE FRAUDAR LEILÕES

ZERO HOHRA 30 de julho de 2013 | N° 17507

LANCE FINAL. Quadrilha suspeita de fraudar leilões


Uma quadrilha que supostamente fraudava leilões de máquinas agrícolas, tratores, ônibus e caminhões foi desarticulada pelo Ministério Público. Em operação realizada na manhã de ontem, agentes prenderam nove suspeitos e realizaram buscas e apreensões em Boa Vista do Buricá, Panambi e Santa Maria. As cidades são os principais alvos da operação denominada Lance Final.

Conforme promotores responsáveis pela investigação, o grupo negociava para que os bens fossem arrematados por integrantes do grupo pelo lance mínimo. Em seguida, era feito um novo leilão, chamado de “caixinha”, entre os interessados.

A diferença entre o valor arrematado na prefeitura e o do “caixinha” era dividido entre o grupo, que abordava os participantes antes das sessões e os informava para não oferecer lances. Quando não havia combinação com o licitante, segundo o MP, a quadrilha oferecia valores apenas para aumentar o valor do bem e prejudicar o titular. Também não retiravam o produto após o arremate.

Em seis meses de investigação, a Promotoria Especializada Criminal, coordenada pelo promotor Ricardo Herbstrith, identificou indícios de fraude em pelo menos 12 municípios do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná.

VIGILÂNCIA INTERNA

ZERO HORA 30 de julho de 2013 | N° 17507

Órgão da Segurança Pública amplia combate à corrupção

Departamento criado pelo governo do Estado tem acesso a bancos de dados públicos e privados



O governo do Estado está montando uma estrutura especializada na repressão de desvios praticados por agentes públicos. Do uso indevido de viaturas a pagamento irregular de aposentadorias tudo deverá ser investigado pelo Departamento de Gestão do Conhecimento e Prevenção e Combate à Corrupção (Degecor).

O organismo funciona em caráter provisório desde o ano passado e já recebeu 307 reclamações de abusos e irregularidades envolvendo funcionários do Estado. Agora, se prepara para entrar em plena operação até o final de 2013, quando contará com 30 profissionais, entre policiais, especialistas em direito, finanças, tributos e técnicos em informática auxiliados por supercomputadores com acesso a todos os bancos de dados dos cerca de 80 organismos da administração direta.

Fruto de um compromisso de campanha do então candidato ao Palácio Piratini, Tarso Genro, o Degecor nasceu com a missão de unificar procedimentos e qualificar o trabalho de correição.

– É uma iniciativa inédita. Estamos caminhando dentro da máquina do Estado, recolhendo papéis e expedientes que apontem para algum ilícito penal ou administrativo – afirma o diretor do Degecor, delegado da Polícia Civil Jerônimo José Pereira.

Na prática, o Degecor dá o “pontapé inicial” nas investigações. As queixas são encaminhadas via 181 (o telefone do disque-denúncia da Secretaria da Segurança Pública) e também pelos próprios organismos estaduais. Ao receber as reclamações, o Degecor busca informações nos bancos de dados do Estado para reunir informações mais consistentes. Se constatar indícios de ilicitude, o caso é remetido para o setor ao qual pertence o servidor suspeito para abertura de sindicância ou, em casos graves, para a Polícia Civil instaurar inquérito.

A maioria das queixas, até agora, envolve policiais. Das 307 já analisadas, 168 foram remetidas para a Corregedoria da Brigada Militar e 91 para a Corregedoria-geral da Polícia Civil. Conforme Jerônimo, todos os casos ainda estão em andamento.

O delegado explica que, para verificar a veracidade de uma queixa de uso indevido de viaturas, por exemplo, o Degecor faz varreduras nos sistemas de controle dos veículos da frota oficial do Estado, no qual contém informações sobre datas e horários de quem dirige os carros, quilometragem rodada e registros de abastecimento.

Sistema unificado visa a ampliar a prevenção

Em paralelo ao departamento foi criado um fórum permanente com representantes de todos os organismos do Estado, que se reúne até duas vezes por mês para analisar eventuais falhas e desvios internos, sugerindo novas metodologias de controle. É o braço preventivo do novo departamento.

Além disso, está sendo formatado um sistema unificado de sindicâncias e processos administrativos e disciplinares.

– O Estado sempre foi deficiente para organizar procedimentos disciplinares. Até agora tem sido sindicância registrada em papel, com cada órgão fazendo do seu jeito. Mas com o sistema informatizado teremos um padrão – explica Jerônimo.

JOSÉ LUÍS COSTA

MAIS CONTROLE

- O Departamento de Gestão do Conhecimento e Prevenção e Combate à Corrupção (Degecor) começou a funcionar em janeiro de 2012, no sexto andar da Secretaria de Segurança Pública na Capital (SSP).

- Estão sendo comprados móveis, viaturas e computadores de última geração, ao custo de R$ 520 mil repassados pelo Ministério da Justiça

- A previsão é de que, até o final do ano, o Degecor irá contar com policiais civis e militares, técnicos da Procuradoria-geral do Estado (PGE), da Companhia de Processamento de Dados do Estado (Procergs), da Secretaria Estadual da Fazenda, do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

- O Degecor tem a missão de iniciar investigações sobre corrupção envolvendo qualquer dos 152.598 funcionários da administração direta do Estado. O departamento tem acesso irrestrito a bancos de dados de secretarias como Segurança, Saúde e Educação e das companhias (públicas e privadas) de energia elétrica e da Corsan.

- A Procuradoria-Geral do Estado instaurou cinco ações de improbidade administrativa.


GANGUE ATERRORIZA RESTINGA

ZERO HORA 29 de julho de 2013 | N° 17506

ÁREA CONFLAGRADA. Ação de gangues atemoriza a Restinga


O tráfico está por trás da imensa maioria dos tiroteios e assassinatos, certo? Errado. Ao menos na Restinga. O bairro da zona sul da Capital, com mais de 80 mil habitantes, é palco de uma situação atípica. Não há guerras por pontos de tráfico. Os índices de assaltos a veículos e estabelecimentos, em relação a outros bairros, são baixos.

Mas a região se tornou palco de uma explosão de gangues de adolescentes, e situações banais, como disputas amorosas e bailes, são motivos para tiros.

Para comemorar seu aniversário de 21 anos, um rapaz alugou um salão no bairro e organizou um baile funk. Dias depois, ao sair para a rua, levou um tiro no ombro direito – só não foi executado porque conseguiu correr. Antes de atirar, os criminosos explicaram o porquê da violência: ele havia feito a festa na “área deles” sem autorização.

– São vários casos parecidos, uma situação endêmica – analisa o titular da 4ª Delegacia de Homicídios, delegado Gabriel Bicca.

Conforme Bicca, dos 280 inquéritos a cargo da delegacia especializada, pelo menos 40% são relacionados a casos na Restinga.

– Sempre é coisa de uma gangue contra a outra. A simples e exclusiva futilidade de se pertencer a um grupo e entrar no território de outro, até para visitar um amigo, gera uma morte – diz o delegado.

Mapeamento da BM identifica 23 gangues

Comandante do 21º Batalhão de Polícia Militar, o tenente-coronel Oto Amorim também acumula relatos de histórias semelhantes. Na semana passada, PMs apreenderam um garoto de 15 anos com uma pistola e o levaram ao batalhão. O oficial disse que o adolescente poderia ir para a Fase. A resposta surpreendeu Amorim:

– Eu nem tô (preocupado). Tô pensando é onde vou arrumar dinheiro para comprar outra arma.

O 21º BPM identificou 17 gangues na Restinga, além de mais seis espalhadas em outros bairros da Zona Sul, como Lami e Belém Novo. O fato de a Restinga ser um Território da Paz (área definida como prioritária pela segurança pública a partir dos índices de homicídios) não tem sido suficiente para impedir a violência.

RENATO GAVA



PRECOCIDADE NO CRIME. Garoto de 12 anos é flagrado no tráfico

Um adolescente de 12 anos foi apreendido com crack e dinheiro proveniente da venda de drogas, às 22h30min de sexta-feira, no bairro Restinga, zona sul de Porto Alegre. Uma viatura da Brigada Militar passava pela Rua Coliseu, perto de uma zona conhecida como boca do Alemão, quando viu o garoto.

Ele tentou se esconder em uma casa, mas foi pego pelos policiais. Na abordagem, os policiais militares encontraram R$ 167 em notas de baixo valor e moedas em um dos bolsos do moletom do menino. No outro bolso, dentro de uma embalagem de confetes, havia 99 pedras de crack.

De acordo com a soldado do 21º Batalhão de Polícia Militar Oriana Burin, o garoto disse que havia começado a vender drogas na sexta-feira:

– Ele comentou que só queria sustentar os irmãos.

De acordo com a Brigada, o adolescente tem cinco irmãos. Ele foi encaminhado ao Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca). Avisada, a mãe dele compareceu ao local.



MORTES NO RS

- Porto Alegre
– Anderson Vinícius Soares Reis, 19 anos, foi executado com pelo menos menos quatro tiros de revólver calibre 38, à queima-roupa, na cabeça. O corpo foi encontrado na esquina das ruas Jacuí e Curupaiti, bairro Santa Tereza, na zona sul da Capital, por volta das 0h45min de ontem. Um adolescente é suspeito de cometer o assassinato. De acordo com o delegado Gabriel Bicca, o motivo seria uma desavença.

- Eldorado do Sul – Rafael de Borba Garcia, 23 anos, foi assassinado com pelo menos dois tiros – na cabeça e no peito – e a mãe dele ficou ferida com um tiro na mão. Eles foram atacados dentro de casa, na Rua Tramandaí, por volta das 20h de sábado. Segundo a Brigada Militar, dois jovens teriam invadido a casa e, sem anunciaram nada, já teriam disparado contra Rafael. A motivação do crime ainda é apurada pela polícia.

- Novo Hamburgo – Luciano Antônio dos Santos, 38 anos, foi morto com diversos tiros por volta das 4h30min de sábado, na Rua Dois Irmãos, bairro São José. A polícia ainda desconhece as circunstâncias do crime, mas há suspeita de que tenha relação com o tráfico de drogas. Luciano tinha antecedentes por envolvimento no tráfico.

- Caxias do Sul – Após levar dois tiros, por volta das 6h, Rudimar Drum da Silva, 25 anos, morreu na manhã de ontem. Ele foi levado para um posto de saúde, mas não resistiu. A vítima estaria atuando como segurança em um baile no distrito de Vila Oliva.

CERCO A LADRÕES DE CARGA

ZERO HORA 29 de julho de 2013 | N° 17506

Roubo acaba com tiros, caçada aérea e prisões

Perseguição a quadrilha que usou até veículos blindados para levar carga de cigarros mobilizou a BM



Um roubo de carga em Gravataí deu início a uma sequência de seis horas de tiroteio, perseguição e cerco da Brigada Militar, no sábado. Foram acionados o Batalhão de Operações Especiais (BOE) e o Batalhão de Aviação para dar apoio aos pelotões de Gravataí, Alvorada e Viamão, que caçaram uma quadrilha responsável pelo ataque a um caminhão carregado com cigarros.

Cristiano de Oliveira Evaldt e Janaína Rodrigues Gonçalves foram capturados pelos policiais. De acordo com a BM, Evaldt, flagrado na rodovia Sapucaia do Sul-Viamão (ERS-118), estava na direção de um Focus, blindado e roubado, usado no violento ataque. Já a mulher foi encontrada em uma casa na zona rural de Viamão, usada para armazenar, além da carga de cigarros, outros produtos roubados e armas.

Por volta das 8h, o cenário no bairro Jansen, em Gravataí, lembrou filmes de faroeste. Um caminhão foi interceptado na Avenida Presidente Kennedy, por um Volvo, que seria blindado, enquanto o Focus dava cobertura ao assalto. A Brigada Militar foi avisada da ocorrência, e tiveram início as buscas na região. Houve troca de tiros.

– Ficamos atentos justamente pela presença desse Volvo. Em Cachoeirinha, informaram que ele havia participado de alguns roubos. Quando iniciamos a abordagem, eles revidaram com tiros de fuzil. Só depois percebemos que o carro dos criminosos era blindado, pois o atingíamos e não acontecia nada – descreve a capitã Cátia Hanni Lopes dos Santos, do 17º BPM.

O condutor do Volvo abandonou o carro e fugiu a pé. Com batalhões vizinhos alertados, Evaldt foi capturado ainda na manhã de sábado. A prisão deu pistas do paradeiro da quadrilha. Os criminosos estariam em uma casa no limite entre Alvorada e Viamão. Lá, no começo da tarde, os policiais encontraram um fuzil .30 – provavelmente usado no tiroteio –, um revólver calibre 38, uma pistola de brinquedo, coletes à prova de balas, munições, carregadores e radiocomunicadores.

A carga de cigarros estava no local. Também foram encontrados materiais como colchas e cobertores, cuias, espetos para churrasco, panelas e utensílios de alumínio, todos encaixotados. Duas motos e um Peugeot roubados também foram recuperados.

A mulher presa na casa teria informado à polícia que o bando usava o local como esconderijo havia pelo menos um mês. A suspeita é de que pelo menos outras três pessoas façam parte do bando. Conforme o comandante do 18º BPM, tenente-coronel Marcelo Giusti, o patrulhamento na região continua em busca de suspeitos.

PAPA EM RISCO

ZERO HORA 28 de julho de 2013 | N° 17505

DIÁRIOS DO MUNDO | RODRIGO LOPES

Papa em risco

Na Avenida Pensilvânia, em Washington, cinco minutos antes de a comitiva de Barack Obama passar, um pelotão de batedores cruza, em alta velocidade, a via, mantendo qualquer pedestre na calçada. Aconteceu em janeiro de 2009, na noite anterior à posse do presidente americano. Em busca de uma boa foto, desci do cordão, fiquei no canto da calçada, para chegar mais perto do comboio. Imediatamente, um batedor se aproximou, parou muito perto do meu pé e gritou:

– Afaste-se, cara!

E a comitiva de Obama passou com segurança. Além do presidente prestes a ser empossado, tive a oportunidade de testemunhar, em algumas coberturas internacionais, as comitivas de George W. Bush, Cristina Kirchner, de Dilma, de Lula, de Hugo Chávez e até desfiles de Bento XVI de papamóvel pelo Vaticano. Talvez por isso tenha ficado intrigado com a cena do comboio do papa Francisco entalado entre uma fila de ônibus e uma multidão ao longo da Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro. A certa altura, quando a delegação estava cercada, dois agentes tiveram de empurrar um carro da Guarda Municipal que bloqueava o caminho.

As falhas foram muitas. Uma das primeiras lições de qualquer curso de segurança diz respeito ao transporte de autoridades. Um perímetro de segurança deve ser estabelecido – de preferência por batedores. É aconselhável que o automóvel siga em velocidade compatível com a situação externa – se há risco, acelera.

A sucessão de erros no caso do Papa obrigou os seguranças que estavam no carro a descerem várias vezes para proteger as janelas. Os 12 agentes – quatro do Vaticano e oito brasileiros – teriam perdido na confusão um relógio e um celular, além de um terno ter sido rasgado. Um policial chegou ao fim do trajeto sem um dos sapatos.

Se o erro foi do motorista do carro líder do comboio, da Polícia Militar, da prefeitura ou do governo do Estado – ou mesmo uma opção do próprio Vaticano – é o que menos importa. O fato é que o Papa ficou vulnerável. A imagem do Brasil lá fora foi abalada. Jornais como o La Repubblica definiram o erro de trajeto como “caos da segurança nacional”, no texto intitulado “Segurança em pane”. O também italiano Corriere della Sera disse que a situação foi de “extremo perigo”.


Bolas fora

Mais uma vez, a polícia carioca foi mal e virou notícia internacional: a agressão ao fotógrafo Yasuyoshi Chiba, da France Presse, durante um protesto contra o governador Sérgio Cabral, foi uma bola fora. Quanto à organização da visita do Papa, a má notícia ficou por conta de falhas no planejamento. Um lamaçal impediu um dos momentos mais bonitos: a vigília e missa de encerramento da Jornada Mundial da Juventude, que teve de ter seu local alterado na maior falha da organização até sexta-feira. Há um mês, o Ministério Público do Rio já havia apontado problemas em Guaratiba.

CLAMOR DAS RUAS

ZERO HORA 27 de julho de 2013 | N° 17504

A PAUTA DO ELEITOR

Pesquisa detalha clamor das ruas. 
Ibope indica que, para os brasileiros, a saúde é o maior problema do país, seguida de educação, segurança, drogas e corrupção


Ao ouvir mais de 7,6 mil pessoas em todo o país após os protestos de junho, o Ibope conseguiu fazer um retrato do descontentamento dos brasileiros. No geral, as pessoas estão satisfeitas com a vida que levam, mas querem mais dos governantes – principalmente na saúde.

Questionados sobre os maiores problemas do país, sobre as áreas em que o governo federal tem pior desempenho e sobre quais devem ser as prioridades do Planalto, os eleitores convergem para os mesmos setores: além da saúde – campeã absoluta na lista de preocupações do cidadão –, aparecem repetidamente educação, segurança, drogas e corrupção. São os mesmos pedidos que apareciam nos cartazes dos manifestantes de junho. A sondagem foi realizada pelo Ibope entre os dias 9 e 12 de julho. Na quinta-feira, o instituto apresentou uma parte dos dados, relacionada à avaliação do governo Dilma Rousseff e dos governos estaduais. Ontem, divulgou o restante das informações, referentes a diversas áreas da vida nacional.

A maioria dos brasileiros (77%) está satisfeita ou muito satisfeita com a vida que leva. No Rio Grande do Sul, o cenário não é o mesmo: 70% dos entrevistados se disseram satisfeitos ou muito satisfeitos. Os gaúchos também destoam em relação ao governo Dilma Rousseff. Segundo o Ibope, Minas Gerais e Rio Grande do Sul são os locais com a população mais descontente com o apoio dado pela administração federal ao Estado. Esses são os Estados em que Dilma nasceu e fez carreira profissional.

Entre os 602 entrevistados no RS, 73% acreditam que o Estado precisa de ajuda federal para oferecer serviços públicos adequados – o maior percentual entre as 11 unidades da federação avaliadas pelo instituto. Os gaúchos se dizem insatisfeitos quanto ao apoio federal nas áreas de segurança (86%), educação (84%) e saúde (83%). As reclamações também atingem o Palácio Piratini: 78% acreditam que o governador Tarso Genro e seus secretários utilizam mal os recursos públicos.

A maioria dos brasileiros se diz favorável às manifestações que ocorreram pelo país: 50% disseram aprová-las e 39% disseram serem favoráveis desde que sem casos de violência e vandalismo. Porém, a maioria (58%) afirmou que não pretende participar de protestos caso eles voltem a se repetir. Questionados sobre os motivos que os levariam sair às ruas, os entrevistados voltaram os temas dos cartazes: saúde, educação, segurança e combate à corrupção – mais um indicativo das prioridades da população.

SOLDADO DA BM É AGREDIDO E AMARRADO EM ASSALTO

25 de julho de 2013 | N° 17502

ALVO À PAISANA

Um policial militar de 25 anos foi assaltado quando estava em seu veículo, com a namorada, estacionado na Rua Colônia Monge, em Rolante. Três jovens em um Chevette branco se aproximaram do Gol vermelho de Silemar Régis Sziminski pedindo informações e logo anunciaram o assalto.

O soldado estava à paisana. O bando roubou uma pequena quantia em dinheiro, celulares, além da pistola Taurus .40, usada pela Brigada Militar. O crime aconteceu às 23h50min de terça-feira.

Sziminski foi amarrado pelas mãos no porta-malas de seu carro. Atado, ele levou socos e chutes dos três criminosos. O policial se identificou como militar do Exército durante o assalto. A quadrilha, de Novo Hamburgo, fugiu em direção à ERS-239, quando foi localizada pela polícia, após receber um chamado do soldado, que conseguiu desatar-se das cordas e correu para a casa de moradores da área para chamar os seus colegas.

Na perseguição, os bandidos atiraram contra uma viatura da Brigada Militar. Em Taquara, o bando perdeu o controle do veículo e capotou. Policiais levaram os criminosos para o Hospital Bom Jesus, em Taquara.

A Polícia Civil suspeita que o trio sabia que Sziminski era policial.

– Tudo indica que eles praticaram o crime para roubar a arma do PM – afirmou o delegado Rosalino Constante Seara.

VIOLÊNCIA EM GRAVATAÍ

ZERO HORA 25 de julho de 2013 | N° 17502

Idoso é morto em ataque a residência


Durante o mês de julho, Lauro Menegotto, 79 anos, compareceu quatro vezes à 2ª Delegacia da Polícia Civil de Gravataí, na Região Metropolitana, para comunicar que sua casa havia sido alvo de arrombamento. Na quinta vez em que invadiram a residência, ele não pode registrar a ocorrência. Foi assassinado com golpes na cabeça.

Ocorpo foi encontrado na noite de terça-feira.

– Possivelmente, desta vez a vítima estava em casa, reagiu e foi atingida com um golpe na cabeça, com um pau ou outro objeto contundente – afirmou o chefe de investigações da 2ª DP de Gravataí, Carlos Augusto Silva.

O corpo foi encontrado na cama, com vestígios de sangue na cabeça. Pelo estado do cadáver, a polícia acredita que a morte tenha ocorrido havia pelo menos 24 horas. O crime ocorreu na Rua São Carlos, bairro São Vicente, Parada 64 de Gravataí. Ao lado da casa, há um matagal que dá acesso à freeway.

O idoso morava sozinho. Familiares, em depoimento à polícia, disseram que foram levados eletrodomésticos e o carro dele, um Monza 1988, placas IBB-6632. Até ontem, o veículo não havia sido localizado. A última ocorrência que Menegotto havia registrado foi no dia 15, quando contou que a porta da casa havia sido arrombada e alguns pertences foram levados. A polícia não tem suspeitos identificados.

Segundo os números contabilizados pelo Diário Gaúcho, foi o 31º latrocínio (roubo com morte) ocorrido este ano nas 19 principais cidades da Região Metropolitana e do Vale do Sinos.

DISPUTA DO TRÁFICO EM VILA DE PORTO ALEGRE

ZERO HORA 25 de julho de 2013 | N° 17502

CONFLITO NA CONCEIÇÃO

Polícia em alerta com disputa de traficantes



O assassinato de um detento do regime semiaberto dentro da Fundação Patronato Lima Drummond, na noite de sábado, é um sinal de que o conflito pelo controle das bocas de fumo da Vila Maria da Conceição, em Porto Alegre, ainda não cessou. Alexsandro Matos Pituva, 35 anos, executado com nove tiros na casa prisional, era um dos homens de confiança de Paulo Ricardo Santos da Silva, o Paulão da Conceição.

Aligação entre a vítima e o chefe das bocas de fumo da região alertou os policiais do Departamento de Homicídios da Capital de que o conflito pode se estender para outros lugares. Primeiro, as mortes ocorriam nos arredores da vila. O bando rival, que tenta tomar os pontos de Paulão, é liderado por um homem conhecido como Xu. Antes braço direito de Paulão, ele é agora o seu principal rival.

A Polícia Civil já descobriu que Xu tem uma lista de execuções dos soldados de Paulão. Desde maio, cinco homens foram executados na Conceição. Mesmo que não tivesse dinheiro e armamento, Xu dispõe de soldados, arregimentados entre os próprios ex-combatentes de Paulão. Do outro lado, Paulão tem dinheiro para comprar armas, munições e drogas, mas não tem quem lute para defender as bocas de fumo da vila.

No início de julho, Paulão teria desembolsado uma boa quantidade de dinheiro para se rearmar para a disputa. A suspeita é de que o fuzil M4 encontrado no Morro da Cruz, no dia 17, fosse uma dessas armas, a mais poderosa delas, já que dispara 900 tiros por minuto. Seria a maneira com que Paulão, que cumpre pena na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), teria encontrado para defender a vila.


QUEDA DE BRAÇO. Bandos disputam território

- A região da Vila Maria da Conceição, na Capital, abrigaria pelo menos 50 pontos de tráfico.

- Um império que ganhou status de maior da Capital nos anos 90, liderado por Paulão da Conceição.

- Com o líder preso e doente, um antigo gerente do traficante, conhecido como Xu, rebelou-se e estaria liderando a guerra para tomar o controle da região.

- Paulão também perdeu o controle da galeria da qual era líder, na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas.

INSEGURANÇA NA SERRA

ZERO HORA 25 de julho de 2013 | N° 17502

Comércio sofre com sequência de roubos. Criminosos atacam estabelecimentos de uma mesma rua em Caxias do Sul


Ações rotineiras de uma dupla de assaltantes são o principal assunto abordado nas rodas de conversa entre moradores e comerciantes da Rua Flávio Francisco Belini, no bairro Santos Dumont, em Caxias do Sul. Em menos de uma semana, quatro casos foram registradas.

Aregião que virou alvo dos bandidos se limita a 800 metros da via. Em investidas rápidas e com rostos encobertos por capacetes e toucas ninja, os criminosos têm gerado um sentimento coletivo de insegurança.

A última ação da dupla ocorreu na tarde de terça-feira. O alvo foi a Churrascaria Borba, próxima da BR-116. Um homem armado exigiu ao proprietário que entregasse o dinheiro do caixa. Sem agredir ninguém, o assaltante fugiu com R$ 486 e embarcou na moto de um comparsa que o aguardava no lado de fora.

– Ele chegou a me apontar o que dizia ser um revólver, mas não consegui identificar o que era. Como fui pego de surpresa, fiquei calmo, mas depois bate o sentimento de revolta. É o primeiro assalto em oito anos que tenho o negócio – conta o proprietário da churrascaria, Ismarildo Fortuna da Fonseca, 45 anos.

Antes da investida ao restaurante, a dupla já havia atacado um minimercado, uma padaria e um açougue da mesma rua. Um consenso entre os comerciantes é de que os autores dos roubos são os mesmos em todos os casos. Os principais indícios seriam a jaqueta cinza com estampas usada por um dos criminosos nos ataques e a moto preta pilotada pelo comparsa. Duas das investidas foram registradas por câmeras de segurança.

– Sempre tivemos câmeras na padaria, mas isso não inibiu a ação deles. No momento em que ele me abordou, fiquei nervosa e reagi segurando a mão dele. Sei que não podia fazer aquilo, mas na hora não pensei. Ele pegou R$ 80 e fugiu – diz a proprietária da Padaria e Confeitaria 14 Bis, Jaqueline Poletto da Silva, 38 anos.

Até ontem, nenhum suspeito dos ataques havia sido identificado.

VÂNDALOS INDICIADOS

ZERO HORA 24 de julho de 2013 | N° 17501

ATOS NA CAPITAL. Polícia Civil indicia 60 por vandalismos em protestos


A Polícia Civil gaúcha indiciou 60 pessoas por vandalismo e saques nos protestos que sacudiram o Estado, desde junho. A contabilidade é do delegado Marco Antônio de Souza, do Departamento de Polícia Metropolitana (DPM), que concentra as investigações em Porto Alegre.

Os indiciados, quase todos na faixa dos 18 aos 25 anos, respondem por delitos como dano ao patrimônio privado ou público (a maioria dos casos), furto e roubo (no caso dos saques). Dos 60, 21 responderão a Termo Circunstanciado, um tipo de inquérito que envolve delitos de menor potencial ofensivo, como resistência à prisão, desacato à autoridade, desobediência e perturbação da tranquilidade.

– A maior parte está envolvida em saques – diz o delegado, que tem remetido os inquéritos à Justiça e aguarda posição do Ministério Público.

Marco Souza investiga o ataque a duas viaturas da Brigada Militar, queimadas com coquetéis molotov em 1º de julho, no pátio da Secretaria da Segurança Pública (SSP).

O delegado já tem suspeitos, mas prefere não detalhar a linha de investigação, enquanto busca provas. Uma das peças que falta para o inquérito é a perícia dos carros.

ANARQUISTAS DOS PROTESTOS APRENDEM A FAZER MOLOTOV

REVISTA ÉPOCA- BLOG DO FELIPE PATURY

A base de treinamento da guerrilha urbana. Anarquistas dos protestos se reúnem no MT para fazer coquetel molotov

LEONEL ROCHA

28/07/2013 15h00 - Atualizado em 29/07/2013 19h23



GLADIADORES É assim que se autoproclamam os anarquistas das manifestações (Foto: Felipe Dana/AP)

Primeiro, a ONG Defensoria Social espalhou voluntários pelo país para defender manifestantes presos por vandalismo. Agora, os anarquistas também recebem treinamento de instrutores experientes. 

Nos fins de semana, os jovens se reúnem em cidades de Mato Grosso para fazer coquetel molotov e escudo de madeirite e produzir líquidos que anulam o efeito do gás lacrimogêneo. Nesses encontros, eles escolhem bancos e empresas multinacionais como alvos de depredação. 

Participam dessas reuniões os anarquistas Anonymous, Anarcopunk e Acción Directa, ex-militantes do MST, alguns dissidentes das Farc e remanescentes da guerrilha uruguaia Tupamaros e da Central Operária Boliviana. 

Os próximos atos de vandalismo como ação política estão previstos para o desfile de 7 de setembro e o Rock in Rio.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Enquanto os anarquistas se organizam, aprendem e treinam suas táticas terroristas, o Congresso, o Governo e o Judiciário se omitem e as leis permanecem condescendentes. Sobra para os policiais que arriscam a vida nos confrontos e para os cidadãos de bem que perdem patrimônio e ficam com suas vidas a mercê de atos terroristas impunes.

terça-feira, 23 de julho de 2013

O FRIO E A INSEGURANÇA


O SUL, 23/07/2013

WANDERLEY SOARES

O jogo da vida não pode ser proibido pelo governo

Numa decida de minha torre, que não exigiu nada mais do que a coragem de enfrentar o frio da manhã, que estava entre quatro e cinco graus positivos, percorri o Centro Histórico da Porto Alegre da Copa e do Kiko e, sob marquises e escadarias, testemunhei moradores de rua sobrevivendo entre cobertores imundos, cachaça barata, jornais vencidos e cachorros sempre fiéis, solidários. Momentos depois, li que a mesma manhã frustrou turistas que lotaram Gramado e Canela. Milhares de pessoas estão nas duas cidades à espera da neve. Nada contra moradores de rua e, muito menos, contra amantes da neve gaúcha. O jogo da vida não pode ser proibido pelo governo. No entanto, em tempos de visita papal e de debates medievais de religiosos, permito-me esta divagação sobre a nossa insegurança.


Maconha

A Polícia Federal fez a maior apreensão de maconha ocorrida no País neste ano. Agentes apreenderam um caminhão com 4,6 toneladas de maconha na BR-163, em Caarapó, interior do Mato Grosso do Sul. O flagrante ocorreu no sábado, mas só foi divulgado ontem. A maconha estava no meio da carga de bancos de madeira. O motorista disse que foi contratado para transportar a droga do Mato Grosso do Sul até São Paulo. O que impressiona neste tipo de operação é que o tráfico de maconha nunca é abalado. Trata-se de uma droga que, depois de uma apreensão, aumenta de preço para o consumidor, mas nunca fica em falta.


Decisões oficiais
Deu no DOE (Diário Oficial do Estado): ...os apostilamentos de prorrogação dos contratos de locação de imóveis para as delegacias de polícia de Gaurama por R$ 1.580,30 mensais, de Mata por R$ 1.337,20 mensais, de Novo Hamburgo por R$ 1.762,67 e de Novos Cabrais por R$ 1.094,07. É a polícia sem teto próprio
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SEM SOSSEGO

ZERO HORA 23 de julho de 2013 | N° 17500

PORTO ALEGRE - Caminhoneiros em alerta com furtos no Porto Seco

Ladrões aproveitam descuido de motoristas para levar veículos estacionados na zona norte da Capital


CAROLINA ROCHA

A hora do almoço, que deveria ser de descanso e tranquilidade, tem sido uma das mais tensas do dia para os caminhoneiros que estacionam nas proximidades da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), na zona norte de Porto Alegre. Por semana, segundo os próprios motoristas, dois caminhões são furtados na região do Porto Seco. E tanto faz para os bandidos se o veículo tem carga ou está vazio.

– A gente sabe que, quando estaciona, não pode tirar o olho. É piscar ,e eles levam – conta um dos caminhoneiros, que pediu para não ser identificado.

O medo dos motoristas é maior entre o fim da manhã e o início da tarde. Isso porque muitos já descarregaram suas cargas e aguardam para carregar o caminhão novamente. Nesse intervalo de tempo, ficam com os veículos estacionados, apenas esperando.

Em alguns postos, para permanecer num pátio com vigilância, os caminhoneiros pagam R$ 40 por dia. Os motoristas que não têm como pagar acabam deixando os veículos estacionados na rua. É aí que os ladrões se aproveitam.

– Eu paro aqui neste posto porque sou cliente. Não deixo o caminhão sozinho. Quando minha mulher viaja junto, um fica no caminhão enquanto o outro sai para comer ou tomar banho. O que não dá é para deixar o caminhão abandonado – comenta o caminhoneiro gaúcho Carlos Henrique de Vargas Chaves, 43 anos, que mora em São Paulo e viaja para Porto Alegre uma vez por semana.

Basta parar nos postos de combustíveis da Avenida Assis Brasil, próximo à freeway, para ouvir relatos de furtos. Em geral, os bandidos se aproveitam da distração dos caminhoneiros para levar o veículo. Na semana passada, dois motoristas perderam seu meio de sustento. Um levava uma carga de telhas, e o outro, uma de ferro. Outro profissional, além de ter tido o caminhão levado, foi vítima de extorsão pelos ladrões.

– Ele esqueceu o celular no caminhão, e os caras ligaram para ele. Pediram R$ 25 mil de resgate. Ele ofereceu R$ 18 mil, e os ladrões não quiseram – conta outro motorista, que pediu para não ser identificado.

– No Paraná, se tu não pagas, eles tocam fogo no caminhão. É difícil trabalhar assim – conta Chaves.

Bandidos chegaram a pedir resgate por veículo

Em 2009, o então titular da Delegacia de Furto e Roubo de Veículos, delegado Heliomar Franco, fez uma operação para deter uma quadrilha especializada no furto de caminhões. No primeiro semestre de 2008, 98 veículos haviam sido furtados em Canoas. Durante seis meses, policiais investigaram a ação do bando, que desmanchava os veículos em São Leopoldo. Em 2012, os suspeitos foram absolvidos pela Justiça por falta de provas.

De acordo com o delegado Juliano Ferreira, hoje titular da delegacia especializada, os furtos acontecem também na Avenida Sertório e na Rua Voluntários da Pátria, tradicionais locais em que os caminhoneiros param para refeições e descanso. Na 22ª Delegacia da Polícia Civil, que abrange o Porto Seco e a Avenida Assis Brasil, em média três ocorrências de furto de caminhão são registradas por mês.

domingo, 21 de julho de 2013

TODO MUNDO PODE SER LADRÃO



ZERO HORA 21 de julho de 2013 | N° 17498

ARTIGOS

Vigarice, por Marcelo Pires*



Minha mãe, no ônibus, encontrou uma amiga que contou a seguinte história: Tu não sabe o que aconteceu comigo, fui no supermercado fazer o rancho, fui naquele shopping novo, o da Assis Brasil, fiz as compras do mês, gastei mais de R$ 350, na saída, rancho pesa, tu sabe, ainda mais pra quem já tem idade, fui até o ponto de táxi, coloquei todas as compras no porta-malas do carro, embarquei, o motorista era pé pesado, rapidinho, rapidinho, eu tava em casa. O carro parou na frente do meu portão, paguei o motorista, desci do táxi pra pegar as minhas compras, fiquei chateada com o sujeito, ele não desceu pra ajudar, bobagem minha, o final da história, tu vai ver, é pior do que falta de gentileza. Quando eu tava na calçada, indo em direção ao porta-malas, pronta pra pegar meus pacotes, o motorista, blam, fechou a porta, e fugiu, levando todo meu rancho. Fiquei ali, na frente de casa, com cara de boba, morrendo de vergonha. Não fiz nada errado, eu sei, dei bom dia, paguei a corrida, agradeci, parece que quando a gente fica mais velha, em vez de ser alvo de respeito, só é alvo de vigarice. Fiquei com vergonha do pessoal da minha rua, fiquei imaginando o que eles tavam pensando, a coroca da casinha azul caiu em mais uma, já tá bem gagá aquela ali. Com o rosto queimando, o peito apertado, entrei em casa, liguei pro meu filho, ele passou lá em casa, a gente foi junto no ponto de táxi, na frente do shopping. Sabe o que os outros motoristas disseram? Que eu era a sétima ou oitava senhora que aparecia ali com a mesma história, que tem um malandro dando este golpe e que eles, motoristas, não podem fazer nada, o ponto é destes que qualquer táxi para, o controle é impossível. Quer dizer, eu não fui a única que fiquei com cara de boba na frente de casa, te cuida, minha amiga, te cuida.

A parada da senhora chegou, ela desceu do ônibus, abraçou a bolsa forte contra o peito e saiu caminhando rápido pela rua.

Fiquei imaginando o que deveria ter acontecido com o motorista logo depois que ele fugiu com o rancho: a duas, três quadras antes de chegar em casa, ele para o táxi e espia o saldo da sua rapinagem. O motorista mora com a esposa, ele mente a respeito dos ranchos que traz, diz que o táxi está rendendo, diz que agora pode “caprichar” no súper. O motorista sempre dá uma conferida nos ranchos que afana para saber o que dizer quando a esposa, por exemplo, pergunta por que ele comprou fralda se não tem nenhuma criança em casa (“é para um colega que teve filho, mulher, não enche”).

Então, a duas, três quadras antes de chegar em casa, ele está ali, sorrindo e dando uma olhada nos pacotes (oba, batata frita), três caras se aproximam, exigem a chave do carro e mandam ele ficar quieto, é um assalto. Ele tenta reagir, leva um safanão, cai, leva um chute na barriga e, no chão, encolhido, fica sem ar, sem reação. Vê um dos caras pegando a chave no seu bolso, outro pegando a sua carteira em outro bolso e depois, calmamente, todos entrando no carro e indo embora, levando, inclusive, o rancho – os ladrões comem as batatinhas.

Um senhor idoso se aproxima, ajuda o motorista a se levantar, pergunta como ele está e, pesaroso, comenta: “Hoje em dia, filho, tem que ficar atento, todo mundo pode ser ladrão”.


*PUBLICITÁRIO


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Reza o código penal: - Furto, art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel. Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. O caso em tela pode ser enquadrado em  Furto Qualificado§ 4º - A pena é de reclusão de 2 (dois) a 8 (oito) anos, e multa, se o crime é cometido por ter havido abuso de confiança, fraude, escalada ou destreza. Ele pode alegar muitas atenuantes que podem transformar seu ato criminoso em menor potencial ofensivo que o deixará livre para cometer outros crimes e até matar alguém. Isto quer dizer que não dá nem dor de barriga para o autor do ilícito. Se for para a prisão ficará bem pouco tempo e ainda em regime semiaberto, e ainda não pagará qualquer indenização á vítima que foi ludibriada e subtraída de bens. Esta impunidade só existe aqui no Brasil Surreal onde os bandidos fazem o que querem com as pessoas e fica por isto mesmo.

sábado, 20 de julho de 2013

PCC AMPLIA SUA REDE CRIMINOSA EM 20 ANOS

CORREIO DO POVO 20/07/2013 15:15


Polícia Federal apurou que a facção está montando um império financeiro com o narcotráfico

Fonte: Álvaro Grohmann / Correio do Povo

O envolvimento de policiais civis e militares com o Primeiro Comando da Capital (PCC), descoberto em recente investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, evidenciou o alcance dos tentáculos da facção na busca pelo monopólio no mundo do crime e infiltração na sociedade. Em 19 de julho de 2012, o promotor de Justiça do Gaeco Flávio Okamoto havia alertado, em entrevista ao Correio do Povo, sobre os planos de expansão do PCC, criado há 20 anos, visando a uma “federação do crime”. Já a Polícia Federal apurou que a facção está montando um império financeiro com o narcotráfico. Neste sentido, o combate às finanças da organização é considerado primordial. Entre janeiro e junho deste ano, a PF causou um prejuízo de R$ 50 milhões com as apreensões de cocaína do PCC.

Autora do recém-lançado livro “PCC, Hegemonia nas Prisões e Monopólio da Violência”, pela Editora Saraiva, a socióloga Camila Caldeira Nunes Dias, pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP) e professora da Universidade Federal do ABC, destaca que a presença da facção em SP e outros estados é uma realidade. “O monopólio do PCC em SP produziu uma ‘pacificação’ das relações no mundo do crime, contribuindo para a redução dos homicídios, dentro e fora das prisões”, analisa.

Segundo ela, o ataque às finanças da facção é muito mais efetivo do que insistir no combate através do encarceramento ou da violência. A socióloga lembra que a organização está presente em cada estado de forma diferente. No Mato Grosso do Sul e no Paraná, observa, a atuação é “bem consistente” por estar na fronteira com a Bolívia e o Paraguai. “Em outros estados, há configurações específicas que dependem de fatores como a conformação das quadrilhas e as formas como se dá a conexão com o PCC, que pode ser conflituosa ou não”, acrescenta.

Em relação ao RS, a socióloga assinala que há grupos criminosos bem estabelecidos e por isso a entrada no PCC “não se dá de forma direta, mas muitas vezes por acordos de cooperação com grupos locais”. A pesquisadora percebe ainda que existe uma “tentativa de nacionalização e de controle da distribuição da cocaína e de maconha no Brasil”.

Facção tem perfil político-ideológico

Qual o perfil do PCC? Em sua pesquisa de quatro anos e meio nos presídios de SP, a socióloga Camila Caldeira Nunes Dias entrevistou 30 lideranças da facção. “Não somos uma organização criminosa. Somos uma organização de criminosos. Nossa finalidade é social, mas o meio é o crime”, respondeu um dos líderes. Para entender essa organização, a pesquisadora explica que não basta saber das atividades econômicas ilícitas. “Há um componente político-ideológico fundamental que passa pela experiência do encarceramento e se expressa na oposição ao Estado, visto como inimigo, sobretudo a partir da administração prisional e das polícias”, esclarece.

A autora do livro “PCC, Hegemonia nas Prisões e Monopólio da Violência” lembra que o objetivo central de sua obra foi compreender como se deu o processo de expansão do PCC no sistema carcerário em SP e quais as transformações produzidas. “As principais conclusões dizem respeito à ampla hegemonia conquistada pelo PCC nas prisões paulistas, acompanhada de uma expansão fora das prisões, com papel destacado no mundo do crime, principalmente na economia ilícita, com destaque ao tráfico de drogas”, aponta.

De acordo com a socióloga, uma das consequências desse processo, além da monopolização das atividades ilícitas, foi a resolução e mediação de conflitos no mundo do crime, sendo obtida uma “paz imposta” a partir de normas da facção. Ela considera ainda um erro a negação da existência da facção.

“Mídia gosta de glamourizar o crime”

Autor do livro “CV-PCC – A Irmandade do Crime”, pela Editora Record, o jornalista e escritor Carlos Amorim recorda que a facção surgiu há 20 anos, em 1993, no anexo do Presídio de Taubaté, no interior de São Paulo.
A organização nasceu destinada a “resistir às péssimas condições carcerárias, por meio da organização dos detentos em torno de uma lista básica de reivindicações: melhoria das condições sanitárias; atendimento aos doentes; visitas íntimas, etc.”, afirma.

Ele lembra que o PCC ficou mais de sete anos em silêncio, crescendo sorrateiramente e estendendo seus tentáculos por todo o sistema penal. A facção apareceria pela primeira vez em 2001 com nove rebeliões. “Quando se pergunta às autoridades sobre o PCC, a resposta é certa: isso não existe, a mídia gosta de glamourizar o crime”, constata.

Voz dos detentos cruza fronteiras
Na opinião da jornalista Fátima Souza, autora do livro “PCC — A Facção”, pela Editora Record, a organização surgiu porque os presos queriam uma voz que falasse por eles. A ideia era “montar uma espécie de sindicato” que denunciasse a situação deles. “O PCC cresceu, chegou a todos os estados brasileiros e cruzou fronteiras internacionais”, conclui.



RENDA E VIOLÊNCIA EM ALTA NAS REGIÕES NORTE E NORDESTE


Renda e violência em alta nas regiões Norte e Nordeste do país. Nos estados com maior aumento em taxa de mortes não naturais, salários cresceram acima da média


ANTÔNIO GOIS
MARCELLE RIBEIRO
O GLOBO
Publicado:20/07/13 - 19h00


RIO, SÃO PAULO E MACEIÓ - Entre 2001 e 2011, período em que estados das regiões Norte e Nordeste registraram aumento na renda per capita acima da média nacional, um efeito indesejado ocorreu: o crescimento das mortes violentas. Para especialistas, a causa dessa aparente contradição é que as mudanças sociais e econômicas não foram acompanhadas por estruturas de segurança pública de melhor qualidade.

O contraste entre o bom momento econômico e a piora nos indicadores de segurança pode ser constatado num cruzamento de indicadores de renda per capita e taxa de mortes violentas por 100 mil habitantes feito pelo GLOBO nos microdados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE) e nos registros do DataSus.

No grupo de dez estados que mais registraram aumento na taxa de mortes violentas, nove são do Norte e do Nordeste, e oito tiveram crescimento da renda per capita acima da média nacional (22%). No período analisado, só seis unidades da federação viram suas taxas de violência diminuir: Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Amapá, Roraima e Rondônia. Desse grupo, apenas os dois últimos tiveram crescimento da renda acima da média nacional.

Os dados utilizados pelo GLOBO contemplam todos os tipos de óbitos registrados no SUS por causas não naturais. Incluem homicídios, vítimas de trânsito, suicídios e acidentes. Os homicídios, no entanto, são o fator que mais explica o crescimento da violência, de acordo com especialistas, seguido de acidentes de trânsito.

Especialistas em segurança pública consideram inusitado que a renda melhor não tenha sido acompanhada por menos mortes violentas.

— A violência está aumentando no Norte e no Nordeste. O que espanta é que o Nordeste é a região que mais se beneficiou da redução da pobreza. Houve um crescimento demográfico, econômico e social importante em vários estados do Nordeste, que, no entanto, foi acompanhado de mais violência e maior presença do tráfico de drogas — disse Ignacio Cano, professor de Ciências Sociais e pesquisador do Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Descuido com a segurança pública

Para Claudio Beato, coordenador do Centro de Estudos em Criminalidade e Segurança Pública da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), estados que foram beneficiados por mais investimentos econômicos e por programas de renda, como Bolsa Família, descuidaram do sistema de segurança:

— O que ocorreu é um paradoxo. Houve uma desestruturação do sistema de segurança em vários estados, como Alagoas e Bahia. Esses estados nunca cuidaram muito bem da questão da segurança, e agora a coisa está dando resultados negativos — disse Beato.

Em 2011, Alagoas estava em primeiro lugar na lista de estados com mais mortes violentas, superando o Espírito Santo (que encabeçava o ranking em 2010). Em 2011, Alagoas teve 115 mortes violentas por 100 mil habitantes; 63% delas foram por agressões (homicídios). O Espírito Santo teve 108 mortes violentas por 100 mil habitantes em 2011, sendo 44% por agressões. O resultado dos dois estados é bem pior do que a média nacional de mortes violentas naquele ano: 76 por 100 mil habitantes.

— O Espírito Santo está sempre entre os piores e mais violentos do país. Até a década de 1990, Alagoas era um estado tranquilo, a taxa de homicídio era baixa, mas cresceu na última década. Em Alagoas o problema tem a ver com a difusão das armas de fogo. No Espírito Santo o problema é mais antigo, o crime organizado tomou o estado. Conter as mortes violentas nesses estados não é algo fácil — diz o pesquisador e diretor de Estado e Instituições do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Daniel Cerqueira.

— O governo federal está fazendo esforços para conter os problemas de violência em Alagoas. É um estado pequeno. É como um teste tentar resolver os problemas de lá — disse Ignacio Cano.

No Rio de Janeiro, a situação melhorou, segundo os dados do DataSus. Os índices de mortes violentas tiveram pequena queda na comparação de 2010 com 2011, e uma redução significativa, quando se analisa a série histórica desde 2001. As mortes por homicídio também caíram. O estado, que ocupava a 10ª posição entre os com maior índice de mortes violentas em 2010, passou à 12ª posição em 2011, atrás de estados do Norte e do Nordeste, além de Minas Gerais e Goiás.

— O Rio vem melhorando desde 2002, pois foram feitos investimentos nas polícias — disse Beato.

Para Daniel Cerqueira, os resultados do Rio têm relação com a expansão das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs):

— A queda do índice de mortes por agressão tem a ver com as UPPs, que começaram a ser implantadas em favelas pequenas. As UPPs só tomaram corpo no final de 2009 e em 2010, quando a região da Tijuca começou a ter unidades — afirmou Cerqueira.

São Paulo também melhorou seus índices de mortes violentas entre 2001 e 2011. No caso paulista, no entanto, como os dados do DataSus, recém-liberados pelo Ministério da Saúde, vão somente até 2011, ainda não é possível analisar o efeito da onda de violência verificada na Região Metropolitana do estado este ano:

— O Sudeste, de maneira geral, fez um dever de casa que o Nordeste vai ter que começar a fazer agora, que é ter uma gestão melhor da área de segurança, ter um investimento mais acentuado — disse Beato.

Falta de ciclovias favorece acidentes

Em Alagoas, o crescimento do trânsito em Maceió e nas cidades vizinhas não foi acompanhado de providências, como a construção de ciclovias, um dos fatores que levou à morte de Álvaro Vasconcelos Júnior, de 26 anos, uma promessa no triatlon, na última segunda-feira. Ele morreu enquanto pedalava, durante um treino na AL-101 Sul. Um ônibus atropelou o rapaz, herdeiro de uma das maiores fortunas do estado. O motorista foi indiciado por homicídio. Disse que chovia muito e, por isso, não viu o rapaz.

O salto de Alagoas nas estatísticas do DataSus assustou o presidente do Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil do estado, Daniel Pereira.

— Não há como saber as causas dessa violência porque não temos um observatório, um instrumento para analisar e combater esses casos. Aqui na comissão trabalhamos só com homicídios.

A Secretaria estadual de Defesa Social informou que vai instalar bases comunitárias nas áreas consideradas mais violentas.

Colaborou Odilon Rios (Especial para O GLOBO)


AFROREGGAE É EXPULSO DO ALEMÃO PELO TRÁFICO


AfroReggae encerra atividades no Alemão após suposta expulsão por traficantes. Sede da ONG, que sofreu um incêndio nesta semana, amanheceu fechada neste sábado. Para coordenador do projeto, ameaça deixa claro que "os traficantes ainda mandam lá"


CÍNTIA CRUZ, DO EXTRA
O GLOBO
Atualizado:20/07/13 - 19h32

A pousada do AfroReggae que foi atingida por incêndio, no Complexo do Alemão Pablo Jacob / Agência O Globo


RIO - O coordenador do AfroReggae, José Júnior, falou na tarde deste sábado, sobre o encerramento das atividades na sede da ONG no Alemão, na Rua Joaquim Queiroz. Segundo coordenador do AfroReggae José Júnior, o fechamento ocorreu por ordem do pastor Marcos Pereira, líder da Assembléia de Deus dos Últimos Dias, que está preso acusado de estuprar fieis. A informação foi publicada na edição deste fim de semana da revista “Veja”.

— Se não fechássemos ia acontecer uma tragédia. Nos avisaram que iam explodir uma bomba, disseram isso claramente — disse. — Por isso, decidi parar com todas as atividades do AfroReggae no Alemão. Seria uma irresponsabilidade manter as atividades com 250 crianças diante das ameaças. Mesmo que a polícia tentasse dar um reforço, parasse um caveirão na porta, o AfroReggae não foi feito para isso. Foi criado para mediar conflitos, e isso iria contra a nossa filosofia.

Para Júnior, a saída da ONG do Complexo do Alemão mostra quem dá as cartas na favela:

— Se o AfroReggae tem de sair do Alemão por determinação do tráfico, fica claro que os traficantes ainda mandam lá.

José Júnior afirmou que todas as atividades do AfroReggae, inclusive uma pousada, alvo de um incêndio na noite da última segunda-feira. A polícia já indiciou um suspeito de ter ateado fogo no prédio, onde também funcionava a redação do jornal “Voz da Comunidade”.

— Venho recebendo ameaças desde fevereiro de 2012 quando afirmei publicamente que o pastor Marcos era bandido. Que ele é o conselheiro do crime organizado - disse Júnior, sem saber se a ONG será reaberta no local.

Por causa do fechamento, 350 jovens que faziam oficinas de grafite, percussão e circo estão sem aulas.


20/07/2013 - 17:16

Coordenador da ONG, José Junior , disse que foi ameaçado por traficantes Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
José Júnior: ‘Se o AfroReggae tem de sair do Alemão por determinação do tráfico, fica claro que os traficantes ainda mandam lá’


Extra


O coordenador do AfroReggae, José Júnior, falou há pouco ao EXTRA sobre a saída da ONG do Complexo do Alemão, ocorrida nesta sexta-feira. A informação foi publicada na edição deste fim de semana da revista “Veja”.

Segundo ele, na quinta-feira passada um líder comunitário do Alemão o procurou e disse ter recebido a visita de traficante, às 4h30m daquele dia. O bandido teria dito que, se o AfroReggae não saísse da favela, o tráfico jogaria uma bomba dentro da sede da ONG, localizada na Rua Joaquim de Queiroz.

— Por isso, decidi parar com todas as atividades do AfroReggae no Alemão. Seria uma irresponsabilidade manter as atividades com 250 crianças diante das ameaças. Mesmo que a polícia tentasse dar um reforço, parasse um caveirão na porta, o AfroReggae não foi feito para isso. Foi criado para mediar conflitos, e isso iria contra a nossa filosofia.

José Júnior afirmou que todas as atividades do AfroReggae, inclusive uma pousada, alvo de um incêndio na noite da última segunda-feira. A polícia já indiciou um suspeito de ter ateado fogo no prédio, onde também funcionava a redação do jornal “Voz da Comunidade”.

— Ainda não sei se voltaremos para lá — disse o coordenador da ONG.

Em fevereiro de 2012, José Júnior deu uma entrevista exclusiva ao EXTRA acusando o pastor Marcos Pereira, fundador da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, de envolvimento com o tráfico de drogas. “Talvez seja a maior mente criminosa do Rio de Janeiro”, disse à época o coordenador do AfroReggae. Em função das denúncias, foi aberta uma investigação na polícia. Atualmente, o pastor Marcos está preso sob a acusação de estuprar fiéis.

— Desde fevereiro, eu e o (pastor) Rogério Menezes estamos recebendo ameaças de morte de vários traficantes, e isso é diretamente relacionado à entrevista que dei para o EXTRA.

Para Júnior, a saída da ONG do Complexo do Alemão mostra quem dá as cartas na favela:

— Se o AfroReggae tem de sair do Alemão por determinação do tráfico, fica claro que os traficantes ainda mandam lá.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

SP CONCENTRA QUASE METADE DAS MORTES EM ASSALTOS A BANCOS

R7 - 19/7/2013

Pesquisa mostra que 30 pessoas foram assassinadas no País

Do R7



Um segurança foi ferido no ombro por criminosos durante uma tentativa de assalto contra uma agência bancária na rua do Orfanato, na Vila Prudente, em julhoAle Vianna/Brazil Photo/Estadão Conteúd

O Estado de São Paulo responde por quase metade (46,67%) das mortes em assaltos a bancos no País, de acordo com levantamento feito pela Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) e CNTV (Confederação Nacional dos Vigilantes).

Só no primeiro semestre, 30 pessoas foram assassinadas em assaltos a bancos. São Paulo registrou 14 casos, enquanto Rio de Janeiro teve cinco. Bahia e Rio Grande do Sul completam a lista dos Estados com maior número de casos, sendo três cada.

A principal ocorrência (60% do total) é a chamada “saidinha de banco”, no qual o cliente é abordado logo após o atendimento bancário. Foram 18 mortes provocadas no País.

Para a Contraf-CUT e a CNTV, essas mortes “comprovam, sobretudo, a escassez de investimentos dos bancos na melhoria da segurança”.

As 30 mortes no primeiro trimestre mostram uma média de cinco vítimas mortas por mês, o que representa aumentos de 11,1% em relação ao mesmo período de 2012, quando foram registradas 27 mortes, e de 30,4% em comparação a igual período de 2011, que teve 23 mortes.

Os homens foram as principais vítimas (28), o que representa 93,3% do total. Já o perfil de idade em que as mortes são mais comuns não foi identificado, o que mostra que todas as faixas etárias estão vulneráveis.

SALVADOR É A CIDADE MAIS VIOLENTA DO BRASIL

R7 - 19/7/2013 

Estudo mostra que Salvador é a cidade mais violenta do Brasil. Jovens entre 14 a 25 anos são as principais vítimas de violência no País

Do R7, com Jornal da Record



Casos de violência cresceu mais de 220% na Bahia em 30 anosReprodução/ Rede Record

Salvador (Bahia) é a cidade mais violenta em todo o território nacional, de acordo com um estudo sobre a violência no Brasil.

O levantamento mostra que o número de pessoas assassinadas no País é maior do que alguns conflitos armados internacionais. Em três décadas, o aumento foi de 323%.

Depois de Salvador, aparecem Rio Largo (AL) e Maceió (AL). Ananindeua, no Pará, e São Miguel dos Campos, em Alagoas, seguem no ranking da pesquisa.

Os jovens de 14 a 25 anos são as principais vítimas, especialmente de homicídios. A pesquisa mostra também que o maior número de assassinatos é contra pessoas negras. Os crimes acontecem com mais frequência de quinta-feira a domingo.

Em relação aos jovens, a região Sudeste é que apresentou o menor índice. No entanto, a situação é mais complicada no Nordeste. A cidade de Natal ganhou o título de capital mais violenta para jovens. Em três décadas, os crimes subiram 267% no município.
Assista ao vídeo:

IMPUNIDADE E ESPÍRITO GERAL DO BRASILEIRO


BRASIL SEM GRADES Jul 09|18:13

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 Ernesto Oderich Sobrinho*


A impunidade abala a confiança e a motivação das pessoas. Suspeita-se que, melhor que esforçar-se, é conseguir o favor de um político ou ser “afilhado” ou parente de alguém importante, pois mais valeria ter padrinho que ser competente.

O custo disso pode ser percebido comparando as expectativas do ”cidadão comum” com as dos praticantes de esportes coletivos, onde as regras geralmente são respeitadas dentro e fora das quadras. O jovem sabe que se aprimorando, progredirá e será reconhecido. Pouco importa quem o indicou, sua raça, religião e grau de instrução. A regra é igual para todos e a impunidade, exceção!

Isso parece não acontecer nas atividades cotidianas. Mais que inteligente e capaz, há que ser esperto, bem apadrinhado e saber tirar vantagem. O mau exemplo vem de cima. O baixo nível de instrução explica a não percepção da correlação entre corrupção, impunidade e corporativismo e falta de recursos para a saúde, educação e segurança.

Montesquieu, ao escrever seu Espírito das Leis, listou o que “governa os homens e estabelece o espírito geral do povo”: o clima, a religião, as leis, as máximas do Governo, os exemplos de fatos passados, os costumes e as maneiras. Se vivesse no Brasil de hoje teria destacado o nível de impunidade em razão da importância que tem em nossa forma de viver e pensar. Ela está garantida em nosso Código do Processo Penal (CPP): neste, sob o manto da garantia dos direitos individuais, assegura-se a impunidade para quem tiver recursos para pagar bons advogados ao longo dos anos necessários para que a causa prescreva. Monumento à hipocrisia, é tão “eficaz” que apenas 5% a 8% dos “crimes de sangue” são levados a juízo, e apenas uma parcela ínfima é condenada.

A ONG Brasil Sem Grades apoia o Ministério Público gaúcho na proposta de suprimir 15 artigos do CPP que garantem a impunidade dos acusados de crimes contra a pessoa. Conheça e ajude a divulgar as propostas acessando esse linkhttp://www.brasilsemgrades.com.br/downloads/cartilha.pdf

* Ernesto Oderich Sobrinho é Engenheiro e Conselheiro da Brasil Sem Grades.

VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL E CEDÊNCIAS

O SUL,  19/07/2013


WANDERLEY SOARES

Bolas em presídio.

Sempre haverá um meio para driblar a sanha dos poderosos, especialmente dos que vivem do erário.

Na Penitenciária Modulada Estadual de Montenegro mais 20 apenados começaram a trabalhar, quarta-feira última, na costura de bolas de futebol. A atividade é desenvolvida a partir de um PAC (Protocolo de Ação Conjunta) com a artesã Roselaine Terezinha Vaz da Rosa, que comercializa o produto. Esta é a quinta empresa a firmar contrato com o presídio, que chega ao total de 208 presos nesta atividade. A costura de bola existe há mais de 10 anos naquela casa prisional. Nesta moldura, estou inclinado a manter meus leitores informados sobre bolas de futebol para evitar que alguns oficiais da Brigada, algum delegado da Polícia Civil ou mesmo algum membro do Ministério Público, todos sempre em busca do que é justo e perfeito, me processem.


Caixa arrombada


Bandidos arrombaram, durante a madrugada de ontem, a agência da Caixa Federal de Júlio de Castilhos, na região central do Estado. A Brigada Militar foi acionada quando o alarme disparou. Dois pedreiros que trabalhavam numa obra no mesmo prédio foram encontrados amarrados. A Polícia Federal vai apurar se houve roubo.


Valorização profissional


Quase sete meses depois de ser ferido, durante troca de tiros com criminosos, o soldado Neivaldo Nondillo, de 41 anos, permanece com redução de 43 por cento do salário. O enfrentamento aconteceu em Cotiporã. Por estar de licença médica, não recebe vale-alimentação, horas extras e gratificação salarial que dobravam os vencimentos. Depois de o caso ter sido noticiado, o governo do Estado encaminhou à Assembleia um projeto instituindo abono durante licenças para o tratamento de problemas de saúde relacionados ao exercício da profissão, mas o policial segue com o salário reduzido.


Coca


A Polícia Federal apreendeu, na madrugada de ontem, 100 kg de cocaína na RS-040 em Capivari do Sul. A droga estava no fundo falso de um caminhão. Segundo os policiais, a cocaína é procedente do Paraguai. O caminhoneiro foi preso.


Homicídios


Nas seis delegacias de homicídios de Porto Alegre há algumas discrepâncias na distribuição de delegados. Em quatro novas há dois delegados em cada uma (titular e adjunto). No entanto, duas, que são as mais antigas, com um passivo de inquéritos que chega a 1.200, não contam com delegado titular. Muito estranho.


Cedências


O TCE (Tribunal de Contas do Estado) possui quinze servidores cedidos de outros órgãos públicos, sendo que sete, correspondente a 47%, tem origem na Brigada Militar. O efetivo da Brigada continua transbordante.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

DESTRUIÇÃO CAUSADA POR VÂNDALOS REVOLTA MORADORES DO LEBLON


Confusão aconteceu depois de um confronto entre manifestantes e policiais perto da residência do governador. Na manhã desta quinta-feira, garis trabalhavam na limpeza de estabelecimentos destruídos


WALESKA BORGES 
O GLOBO
Atualizado:18/07/13 - 14h28

Gari trabalha na limpeza da loja da Toulon no Leblon Pablo Jacob / Agência O Globo


RIO — Moradores do Leblon acordaram revoltados com a destruição causada no bairro depois da ação de vândalos durante a manifestação desta quarta-feira. Muitos contaram que ficaram acordados até as 4h assustados com barulhos de bombas e sobrevoos de helicópteros. O tumulto deixou um rastro de destruição não só no Leblon, mas também em Ipanema. A confusão aconteceu depois de um confronto entre manifestantes e policiais perto da residência do governador Sérgio Cabral. Para a maioria dos moradores, a polícia não agiu com excessos. A economista Regina Santos, de 59 anos, defendeu a PM. Para ela, o movimento que culminou com a destruição não foi feito por estudantes.

— A PM só atuou depois de muito ser instigada. Não houve truculência. Pagamos um IPTU caríssimo para ter que passar por uma situação como essa. Se o manifestante tem alguma coisa contra o governador, deveria ir ao Palácio Guanabara — disse a moradora, que contou ainda ter sido contaminada pelos gases.

A moradora Cristina Drummond, de 60 anos, disse que não é contra os protestos, mas não aceita o vandalismo:

— O cenário era o de uma praça de guerra. Uma verdadeira quebradeira com lixeiras arrancadas e incendiadas. Para mim, foi uma ação de vândalos, porque o trabalhador está dormindo a uma hora dessas.

No entanto, segundo o engenheiro Vinícius Mascarenhas, de 53 anos, a PM se limitou a atuar nas proximidades da casa do governador Sérgio Cabral:

— A polícia ficou perto da casa do governador e não agiu aqui na vizinhança. O governador deveria se mudar daqui.

Um policial federal que não quis se identificar também estava revoltado com a presença dos policiais apenas nas proximidades da Rua Aristides Epínola.

— A polícia foi criada para proteger o cidadão e não apenas o governador. Tenho um filho de 6 anos que não conseguiu dormir por causa da confusão.

Manhã de limpeza e reconstrução

Na manhã desta quinta-feira, garis trabalhavam na limpeza de estabelecimentos destruídos, como uma loja da Toulon, uma agência bancária do Itaú e uma loja Lidador, todas na Avenida Ataulfo de Paiva. Eduardo Balesteres, um dos sócios da Toulon, se emocionou ao falar de depredação e dos saques na loja que funciona no local há 6 anos. Em lágrimas, ele disse que soube da ação pela TV.

— Essa é uma agressão não à Toulon, mas à cidade do Rio. São pessoas orquestradas para fazer o mal. Não tem nenhuma razão quebrar o patrimônio da cidade — disse o empresário, que não soube estimar o valor do prejuízo.

Pelo menos cinco agências bancárias, bancas de jornal, pontos de ônibus, vitrines e alguns painéis elétricos foram vandalizados durante a confusão. Também houve saques em Ipanema. Apesar de, na terça-feira, o comandante da PM, coronel Erir Ribeiro Costa Filho, ter dito que a polícia iria reduzir o uso de gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes, o cheiro era muito forte na região.

Durante a noite, o clima na Zona Sul foi de apreensão. Vários estabelecimentos comerciais fecharam suas portas mais cedo e os frequentadores saíram às pressas. Foi o que aconteceu no bar Jobi e na Prima Bruschetteria. O gerente do bar Jobi, que fica na Avenida Ataulfo de Paiva, disse que, durante o tumulto, uma bomba foi lançada no estabelecimento por volta das 23h. Segundo Antônio Marques Pires, de 56 anos, cerca de 70 pessoas estavam no local e saíram correndo sem pagar a conta. O bar, que funciona diariamente das 10h às 4h30m, fechou as portas às 23h30m.

— Acho complicado as pessoas destruírem lojas que não têm nada a ver com o governo. A polícia também deveria ter mais cuidado na hora de atuar. Eles viram uma aglomeração e já pensaram que se tratavam de manifestantes - reclamou Antônio. Ele acredita que, como os clientes são conhecidos, eles deverão retornar para pagar as contas.

O gerente afirmou ainda que não calculou os prejuízos do estabelecimento. No entanto, ele acredita que, se as manifestações continuarem no local, os clientes podem se afastar, aumentando ainda mais as perdas para o comércio local.

Na Prima Bruschetteria, localizada na Avenida Rainha Guilhermina, os clientes também ficaram assustados. O local foi atingido por gases. Uma funcionária que não quis se identificar contou que o estabelecimento fechou as portas pelo menos duas horas mais cedo.

Segundo a Polícia Militar, sete PMs ficaram feridos com pedradas. Uma quinta policial se feriu ao ser atingida nas costas por uma bomba de fabricação caseira. O número de manifestantes feridos não foi confirmado.

Dezesseis pessoas foram detidas e levadas para a 14ª DP (Leblon). Seis foram enquadrados no crime de formação de quadrilha e pagaram fiança. Outras nove também foram liberados, incluindo dois menores. Um homem, que estava com três morteiros na mochila, identificado só como Anderson, foi autuado por porte de explosivo e ficou preso.

O conflito desta quarta-feira começou por volta das 22h45m, na esquina da Avenida General San Martin com a Rua Aristides Espínola, quando um grupo teria jogado pedras contra os militares. Os policiais revidaram com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo.

POLÍCIA ARGUMENTA QUE NÃO PODE MANTER VÂNDALOS PRESOS PORQUE A LEI NÃO PERMITE

Após vandalismo na Zona Sul, PM vai repensar atuação em protestos. Cúpula de Segurança acredita que pacto com entidades falhou. Beltrame diz que planejamento para visita do Papa está pronto. Comandante da PM defende uso de gás lacrimogêneo para conter vândalos

O GLOBO
Atualizado:18/07/13 - 12h28

O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, a chefe de Polícia Civil do Rio, Martha Rocha; e o comandante-geral da PM, coronel Erir Ribeiro Costa Filho após reunião da Cúpula de Segurança do estado Marcos Tristão / Agência O Globo


RIO - A Polícia Militar informou nesta quinta-feira, após reunião de emergência convocada pelo governador do Rio, Sérgio Cabral, que vai repensar as estratégias de atuação em manifestações depois do tumulto provocado por vândalos no protesto desta quarta-feira na Zona Sul. Na avaliação da Cúpula de Segurança do estado, o pacto com organizações não-governamentais como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Anistia Internacional e entidades de direitos humanos não deu certo. Segundo o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, o planejamento da polícia para atuação em protestos terá de ser refeito.

— Vamos analisar criteriosamente o que aconteceu ontem (quarta-feira), refazer o planejamento para uma próxima manifestação, analisar as medidas que não foram aplicadas e executá-las num novo protesto. Temos que pensar no que vai acontecer daqui pra frente — disse o secretário.

Ainda durante a entrevista coletiva, Beltrame afirmou que planejamento para a visita do Papa Francisco está pronto. O Pontífice chega ao Rio na segunda-feira para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que será realizada entre os dias 23 e 28 deste mês. O secretário de Segurança disse ainda que não tem informações de protestos marcados para o período da visita do Papa.

— Ele tem um protocolo. A agenda está em discussão do governo federal com o Vaticano. A gente sabe o que vai acontecer na agenda desta autoridade. A questão da manifestação é diferente, a PM está se adaptando, porque não há uma agenda coordenada. A gente está atento, mas tem que ver quando vai acontecer, se isso vai acontecer, porque a gente não tem esta informação — disse o secretário.

O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Erir Ribeiro Costa Filho, afirmou que houve dificuldade em conter os vândalos que destruíram lojas, bancos e equipamentos públicos no Leblon e Ipanema na noite desta quarta-feira. Segundo ele, a falta de liderança, característica das manifestações que vêm sendo realizadas desde o mês passado, é um fator novo que a PM não estava preparada para lidar.

— Vimos ontem (quarta-feira) que houve dificuldades. Vamos repensar nossa estratégia para voltarmos a atuar como antes. Não sabemos quem está por trás disso tudo, tem muita gente perdida, mas nós não estamos perdidos. E se a PM não estiver ali, é anarquia — afirmou o comandante.

No início da tarde desta quinta-feira, o governador Sérgio Cabral divulgou uma nova nota sobre os atos de vandalismo. No comunicado ele chama o ocorrido de afronta, e reafirma sua posição de garantir o direito de ir e vir através das forças de Segurança Pública.

"Os atos de vandalismo na madrugada de ontem nos bairros do Leblon e de Ipanema são uma afronta ao Estado Democrático de Direito. O Governo do Estado reitera a sua posição de garantir, através das forças de Segurança Pública, não só o direito à livre manifestação, como também o direito de ir e vir e à proteção ao patrimônio público e privado."

Comandante da PM defende uso de gás lacrimogêneo

Na terça-feira, a PM havia dito que o uso de gás lacrimogêneo seria reduzido em manifestações. Segundo o coronel Erir Ribeiro, que defendeu o uso do equipamento, a medida prejudicou a ação da PM no protesto desta quarta-feira.

— O gás que todo mundo reclama é o menos letal. Serve pra dispensar os vândalos. Na ação de ontem (quarta-feira), a falta de uso de gás prejudicou a operação — disse o coronel.

Durante a entrevista coletiva após a reunião de emergência convocada pelo governador Sérgio Cabral, a chefe de Polícia Civil do Rio, Martha Rocha, foi questionada sobre a quantidade de presos. Segundo a delegada, a polícia não pode manter os vândalos presos porque a lei não permite.

— A Polícia Civil não parou de trabalhar, mas tenho que seguir o que determina a lei. Alguns vândalos foram presos por formação de quadrilha, mas o crime é afiançável. Identificamos 16 pessoas por incitação à violência desde o início das manifestações, só que ninguém pode ficar detido por isso. Além do mais, o crime de dano ao patrimônio depende de representação, ou seja, de que as vítimas se manifestem — disse Martha Rocha, acrescentando que há três medidas cautelares em andamento, mas que dependem da apreciação da Justiça e do Ministério Público.

A polícia identificou nove pessoas suspeitas de participar de atos de vandalismo na noite desta quarta-feira nas ruas do Leblon e Ipanema. Elas foram detidas por incitação à violência, mas liberadas em seguida. Equipes da 14ª DP (Leblon) percorrem, na manhã desta quinta-feira, ruas do bairro em busca de imagens que possam identificar outros suspeitos. Além disso, os policiais fotogafram os estabelecimentos que foram depredados e orientam os proprietários a prestar queixa de crime de dano ao patrimônio.

— A polícia está trabalhando, mas tem o limite controlado pela lei. Eu não posso fazer milagre — afirmou a delegada Martha Rocha.

O encontro de emergência no Palácio Guanabara, em Laranjeiras, aconteceu após protestos violentos nas ruas da cidade. Na noite desta quarta-feira, depois de uma manifestação pacífica perto da residência do governador, grupos atearam fogo em barricadas de lixo na Ataulfo de Paiva e na Visconde de Pirajá, saquearam lojas e depredaram bancos. A ação de vândalos deixou um rastro de destruição nos bairros do Leblon e Ipanema após confronto entre manifestantes e policiais.

Governador acusa adversários políticos

O governador Sérgio Cabral (PMDB) acusa seus adversários políticos de serem os responsáveis pelos protestos na sua vizinhança, no Leblon. Segundo ele, há uma tentativa de seus opositores de antecipar o calendário eleitoral. A acusação, no entanto, foi rebatida por possíveis concorrentes à eleição em 2014. O vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) é o nome apoiado por Cabral para a sucessão no Palácio Guanabara.

Um grupo chegou a ficar acampado na esquina de Cabral e foi retirado pela Polícia Militar no último dia 2. Dois dias depois, um novo protesto no mesmo local terminou em confronto entre manifestantes e a polícia, que usou bombas de gás lacrimogêneo. Provável candidato do PR ao governo do Rio, o deputado federal Anthony Garotinho disse que a atitude de Cabral de atribuir as manifestações à oposição é “um devaneio” e “um delírio”:

O vereador Cesar Maia, que deve ser candidato pelo DEM, afirmou que o governador ainda não entendeu nada da dinâmica das redes sociais:

Pré-candidato do PT à sucessão no Palácio Guanabara, o senador Lindbergh Farias não quis comentar a declaração do governador. A pré-candidatura de Lindbergh abriu uma crise entre PT e PMDB. Os peemedebistas querem a manutenção da aliança nacional e pressionam para que o senador desista de concorrer ao posto para apoiar Pezão. Com a estratégia de se preservar, Lindbergh tem delegado a outros aliados a missão de falar por ele.


A vidraça de um edifício quebrada na Avenida Ataufo de Paiva Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo