SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

ROUBO, CASO DE POLÍCIA


FOLHA.COM 30/09/2013 - 03h00


Editorial



Os dados sobre crimes cometidos no Estado de São Paulo durante o mês de agosto confirmam duas tendências distintas nas estatísticas da segurança pública paulista.

De um lado, mantém-se a redução dos homicídios dolosos (intencionais), em queda há cinco meses consecutivos na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Tudo faz crer que foi debelada a onda de violência iniciada no segundo semestre de 2012, com o enfrentamento prolongado entre policiais e criminosos organizados.

Outra dinâmica, contudo, é percebida nos números de roubos. Pelo terceiro mês seguido, houve aumento significativo desse crime, praticado mediante grave ameaça ou violência física contra a vítima (no que se distingue de um simples furto). Os 22,6 mil casos de agosto representam elevação de 10% em relação ao mesmo mês de 2012.

Em julho, a alta já havia sido de 14,5% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Também cresceram os casos de latrocínios (roubos seguidos de morte). Somados, são delitos frequentes o bastante para interferir na sensação de segurança da população. Não há motivo, portanto, para a Secretaria da Segurança Pública deixar de direcionar esforços para combater esse tipo de crime no Estado.

O secretário Fernando Grella Vieira, entretanto, parece buscar outro caminho. Em vez de assumir deficiências da pasta e se dispor a corrigi-las --como fez no caso dos homicídios--, ele optou, ao comentar as estatísticas, por fazer críticas ao Legislativo e ao Judiciário.

De acordo com seu raciocínio, a legislação para os crimes que aumentaram é frouxa demais. Ainda segundo Grella, sem maior rigor, a atuação da polícia terminaria equivalendo a "enxugar gelo".

A tese do secretário não se sustenta. Os homicídios diminuíram no Estado sem que tivesse ocorrido qualquer endurecimento legal. O crescimento dos roubos, por sua vez, não tem relação com leis mais brandas, já que as penas para esse crime não mudaram --continuam de quatro a dez anos de prisão.

Grella pode estar certo ao indicar a necessidade de uma lei para restringir desmanches de veículos. O comércio irregular de autopeças estimula furtos e roubos de carros.

Mesmo aí, porém, a regulamentação será inócua sem a devida fiscalização. O Estado precisa agir, com inteligência e de forma preventiva, a fim de assegurar o cumprimento das leis --e não há como a Secretaria da Segurança Pública se esquivar dessa responsabilidade.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Discordo totalmente da conclusão deste editorial. De nada adianta a secretaria de segurança pública (deveria ser extinta), no caso as forças policiais, agirem com  "inteligência e de forma preventiva, a fim de assegurar o cumprimento das lei", se os esforços são inutilizados por leis brandas elaboradas pelo Legislativo e as leis coativas existentes não são aplicadas por uma justiça onde tudo é moroso, burocrata e sem compromisso com a sensação de segurança pública nas ruas e lares. E o aumento dos roubos são consequências das leis permissivas que alimentam a impunidade, tratando os pequenos crimes como algo normal, aceitável e indiferente à dor, indignação e impotência das vítimas que ficam a mercê de serem mortos ao reagirem ou por motivo fútil.

domingo, 29 de setembro de 2013

NO RS, EXECUÇÕES E CRUELDADE

ZERO HORA 29 de setembro de 2013 | N° 17568


PORTO ALEGRE - Detento é morto quando deixava Presídio Central

Em liberdade condicional, apenado foi atingido por tiros minutos depois de sair da prisão



A liberdade condicional para Ibaré Franco da Silva, 53 anos, durou apenas alguns minutos, na madrugada deste sábado, em Porto Alegre.

Ao caminhar duas quadras, após deixar o Presídio Central de Porto de Alegre, por volta da 1h20min, Ibaré foi abordado por homens em um veículo. De dentro do carro, foram disparados cerca de 10 tiros. Ibaré morreu na hora, e os criminosos fugiram sem serem identificados. A vítima portava apenas uma guia de soltura, expedida pelo Presídio Central. O caso é investigado pela 1ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa.

Ibaré era conhecido de policiais e agentes penitenciários. Iniciou a vida criminosa na década de 1980 e tinha condenações por homicídio, tráfico de drogas, assalto e cárcere privado. De albergues, fugiu pelo menos três vezes. Após uma das fugas, na madrugada de 5 de fevereiro de 1997, manteve 11 pessoas reféns – incluindo quatro crianças – ao invadir uma casa no bairro Lomba do Pinheiro, na Capital. Armado, se dizia perseguido por PMs. Depois de duas horas de tensão, ocorreu um tiroteio, Ibaré foi ferido e preso.

Em maio de 2002, após ser transferido para o regime semiaberto, beneficiado por uma falha judicial – ele não tinha direito à progressão naquele momento– , Ibaré voltou a agir do mesmo modo. Invadiu uma estética no bairro Petrópolis, mantendo cerca de 30 pessoas reféns por mais de 45 minutos. Ibaré fugia de PMs, após assaltar uma farmácia na Avenida Protásio Alves.


SÃO LUIZ GONZAGA - Mulher assassinada dentro de casa

A Polícia Civil de São Luiz Gonzaga, no Noroeste gaúcho, investiga a morte de Ediane Ramos Szulczewski, 25 anos. O corpo da vítima foi encontrado na noite de sexta-feira, ferido com pelo menos dois tiros na cabeça. A vítima estava dentro de casa, no assentamento Campos do Pontão, na zona rural. Na manhã deste sábado, parentes e vizinhos prestaram depoimentos aos agentes da delegacia da Polícia Civil.


CAXIAS DO SUL - Homem é queimado no centro de Caxias do Sul

Um homem teve o corpo queimado nas ruas de Caxias do Sul, na Serra, no começo da madrugada de sábado. Ele foi internado em estado grave na Unidade de Tratamento Intensivo do Hospital Pompeia. Conforme informações da Brigada Militar, o homem sofreu queimadura de terceiro grau, em 80% do corpo, com lesões no rosto, tórax e braços.

A vítima seria morador de rua e até a manhã deste sábado não havia sido identificada. Dois homens foram vistos correndo no local do crime, próximo ao Postão 24 Horas.


PORTO ALEGRE - Jovem é assassinado no bairro Santa Tereza em Porto Alegre

Um jovem foi morto a tiros na madrugada deste domingo (29), na Zona Sul de Porto Alegre. O crime ocorreu por volta das 2h da manhã, na rua Rubens Alcântara, Bairro Santa Tereza. A vítima não teve a identidade revelada pela polícia. A Brigada Militar não descarta a relação do crime com o tráfico de drogas na região. No mês de setembro, cinco pessoas foram mortas com envolvimento com o tráfico no bairro Santa Tereza, a maioria das vítimas tinham entre 18 e 25 anos. RADIO GAÚCHA


FARROUPILHA - Homem é morto a tiros

Não há suspeitos da autoria do crime. Um homem foi morto a tiros na noite desta terça-feira (24/09), em Farroupilha. O crime ocorreu por volta das 19h50min. Populares escutaram seis disparos de arma de fogo na Rua Carlos Fanton, bairro São José , e chamaram a Brigada Militar. Os policiais isolaram a área e identificaram a vítima como Anuar Ubert, 35 anos. Ele tinha antecedentes por furto, ameaça e lesão corporal. A região onde aconteceu o assassinato é um conhecido ponto de tráfico de drogas. A polícia fez buscas, mas ninguém foi preso. REDE SUL DE RÁDIO, por Cleberson Portela , dia 25/09/2013 às 05:58













































sábado, 28 de setembro de 2013

MAIS RIGOR CONTRA ATOS DE VANDALISMO

ZERO HORA 28 de setembro de 2013 | N° 17567

CENTRO HISTÓRICO. Mais rigor contra atos de vandalismo

Após ataque a museu, polícia pode bloquear vias durante manifestações



Um dia depois de o Museu Julio de Castilhos, da Capital, ter sido alvo de vandalismo, a Secretaria da Segurança Pública anunciou que pretende aumentar o rigor no policiamento, com reforço de efetivo e possibilidade de bloquear o trajeto de manifestantes para evitar depredação do patrimônio. O prédio teve vidros quebrados e porta e paredes pichadas. Os vândalos retiraram as pedras que compõem o piso da Praça da Matriz e da Catedral Metropolitana e as jogaram contra a fachada.

Para o secretário estadual da Segurança Pública, Airton Michels, a ação de um grupo de pessoas, após o protesto pacífico pelo passe livre, passou dos limites e exige uma reação da Brigada Militar.

– Nos parece que fazer uma manifestação democrática não é o objetivo deste grupo, porque ultrapassou quase todos os limites de dano ao patrimônio quando atacaram a Catedral Metropolitana, o Museu Julio de Castilhos. É óbvio que nossa ação de polícia passará a ser mais contundente, mais ostensiva. Teremos reforço de efetivo e podemos impedir a mobilidade do grupo – diz o secretário.

Manifestantes que estiverem mascarados e não contrariarem a determinação de se identificarem poderão ser presos por desobediência. A ação, que já foi aplicada em protestos anteriores, segue o artigo da Constituição Federal que veda o anonimato.

Para o secretário-adjunto da Secretaria Estadual da Cultura, Jéferson Assumção, a ação foi um “desrespeito à memória e ao patrimônio cultural do Estado”. O valor do prejuízo ainda está sendo calculado, mas, segundo Assumção, o dano não poderia ter ocorrido em momento pior. Na noite de quinta-feira, enquanto os vândalos danificavam o prédio pelo lado externo, dentro estava sendo lançado o livro Teu Amigo Certo, com correspondências inéditas de Julio de Castilhos, patriarca gaúcho que viveu e morreu no casarão onde funciona o museu.

Reaberto em agosto após uma reforma que custou R$ 300 mil, a administração do museu precisará analisar detalhadamente os danos provocados no casarão centenário. A reforma, que contou com trabalho de recuperação de fachada, esquadrias e portas, pode ter sido bastante comprometida com o ataque. Assumção salienta que a porta principal, pichada durante a ação, havia sido recolocada há um mês. Ainda ontem, foram trocados os vidros e pintada a porta principal. A limpeza da pichação impregnada na fachada de pedra arenito deve ocorrer até hoje.

No protesto, a BM prendeu sete pessoas, sendo três adolescentes, por dano ao patrimônio público. A Polícia Civil abriu inquérito para investigar a participação dos detidos.


SUSPEITOS DE CRIMES

ZERO HORA 28 de setembro de 2013 | N° 17567

FORAGIDO DA JUSTIÇA

Identificado suspeito de atirar em professor


A polícia identificou o assaltante que baleou o professor Everton Luis Deiques, na tentativa de roubar a caminhonete dele em frente ao colégio Mãe de Deus, no bairro Tristeza, zona sul da Capital, no dia 28 de agosto.

Um foragido da Justiça de 43 anos será indiciado por roubo qualificado e tentativa de homicídio no encerramento do inquérito pela 6ª Delegacia da Polícia Civil, que deve acontecer na próxima semana. De acordo com a delegada Áurea Hoeppel, o suspeito foi reconhecido por fotografias.

O suspeito coleciona mais de dez antecedentes criminais e, desde 2008, está foragido. Já tem condenação por roubo, antecedentes por outros crimes, em sua maioria, contra estabelecimentos comerciais e de ensino ou contra motoristas, principalmente entre os bairros Restinga e Tristeza. Um possível comparsa ainda não foi identificado.

Imagens das câmeras de monitoramento próximas ao local do crime foram analisadas, e o suspeito aparecia de perfil, usando boné. A identificação foi possível porque investigadores reuniram fotos de foragidos do sistema prisional, com atuação em crimes na Zona Sul. O professor acabou reconhecendo um daqueles homens.


MORTE DE PSICÓLOGO. Mais um suspeito deve se apresentar


O quinto integrante do Monza bordô que abordou o psicólogo Samuel Eggers, 24 anos, no dia 13 deste mês, deve se apresentar à Polícia Civil na próxima semana. A presença dele foi informada durante o depoimento de duas irmãs, de 30 e 18 anos, que também estavam como passageiras do carro na noite em que Samuel foi morto ao reagir a uma tentativa de assalto. Dois rapazes, de 25 e 18 anos, estão detidos temporariamente. Agentes do 2º Distrito Policial trabalham na depuração dos depoimentos das jovens.

– As moças confirmaram que um deles é o autor dos tiros que vitimaram Samuel, que teria regido a um assalto.


Preso suspeito de homicídio na Capital

Foi preso ontem o homem suspeito de ter baleado a filha e matado, na sequência, o novo companheiro da ex-mulher, crime que ocorreu em 9 de junho, no bairro Bom Jesus, em Porto Alegre.

Odilon Gonçalves Júnior, 36 anos, tentou cometer o assassinato, por ciúme, duas vezes. Na primeira tentativa, ele teria invadido a casa na Rua Alfredo Ferreira Rodrigues e atirado contra Luís Fernando Duarte Schumacher, 33 anos. Errou o disparo. A própria filha de Odilon se jogou para salvar o padrasto. Ela foi atingida na região cervical e ficou tetraplégica.

Duas horas depois, Odilon voltou ao local e executou Luís Fernando.

EM PRISÃO DOMICILIAR, BANDIDO MORRE DURANTE ASSALTO


28 de setembro de 2013 | N° 17567

ATAQUE FRUSTRADO

Bandido morre durante um assalto em Gravataí

Polícia suspeita de que disparo possa ter partido da arma do próprio criminoso



O que seria um roubo, terminou em trapalhada e tragédia para uma dupla de assaltantes ontem, em Gravataí. Douglas de Andrades, 22 anos, que cumpria prisão domiciliar por roubo, morreu atingido por um tiro na barriga.

Apolícia ainda apura se ele, por acidente, atirou contra si próprio, com uma pistola .380 encontrada próxima ao corpo, ou se o disparo casual partiu da arma do comparsa, que conseguiu fugir.

Os dois homens, armados e a bordo de uma moto, atacaram um posto de combustíveis na ERS-118, bairro Bom Sucesso, pouco depois das 9h. Enquanto Douglas teria rendido os funcionários, seu comparsa já havia entrado no escritório do gerente e exigia que ele abrisse o cofre do estabelecimento. Nesse momento, com todos dentro da loja de conveniências, o assaltante, irritado porque o gerente não tinha a chave do cofre, teria acertado uma coronhada nele.

– Só ouvi um estouro. Mas todos estavam de cabeça baixa, não deu para ver de onde foi o tiro – conta uma funcionária.

Ferido na barriga, Douglas correu para a rua pedindo socorro, mas caiu ferido ali mesmo. Seu comparsa fugiu na moto levando mais de R$ 500.

– É possível que ele tenha disparado ao tentar guardar a pistola, mas ainda aguardamos a perícia para determinar se isso pode ter acontecido – afirma o delegado da 1ª Delegacia da Polícia de Gravataí, Anderson Spier.

Ontem, ele solicitou a captura das imagens das câmeras de monitoramento. O estabelecimento foi aberto no trecho recém-duplicado da ERS-118 há duas semanas.

– Não era um assalto muito comum. Havia um carro à espera deles, que ficou abandonado – explica o chefe de investigação, Jair Gonçalves.

Parentes de Douglas foram ao local do crime. Segundo eles, o rapaz teria saído de casa, em Cachoeirinha, alegando que iria procurar emprego.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - É mais um bandido que coloca a vida de inocentes em risco, beneficiado por leis indecentes e por uma justiça ingênua e conivente com estas leis, onde as leis e a justiça se lixam para a segurança pública.

MISTÉRIO EM EXECUÇÃO DE COMERCIANTE


ZERO HORA 28 de setembro de 2013 | N° 17567

CRIME NA CAPITAL

Mistério em execução de comerciante no Mont’Serrat

Proprietário de um minimercado, Luís Carlos Lussani, 45 anos, foi alvejado no início da manhã de ontem



Um crime intriga a polícia e a comunidade do bairro Mont’Serrat, em Porto Alegre. Qual a razão para o assassinato do comerciante Luís Carlos Lussani, 45 anos? No começo da manhã de ontem, um jovem entrou no minimercado de Lussani, aproximou-se da vítima e disparou duas vezes contra o rosto do proprietário. Fugiu sem roubar nada. Lussani morreu dentro do estabelecimento, no cruzamento da Rua Eudoro Berlink com a Avenida Mariland.

Obandido teria estado no local por volta das 8h e comprado um sanduíche. Voltou meia hora depois e se dirigiu para perto do balcão. De braços cruzados, se postou próximo a uma TV e ficou olhando as imagens por alguns instantes. Em seguida, caminhou até o caixa e apontou um revólver para o face direita de Lussani e atirou. O comerciante desabou atrás do balcão. Não satisfeito, o matador puxou o gatilho outra vez, acertando as costas de Lussani.

O assassino deixou o local a pé, pela Eudoro Berlink, em direção à Avenida Lucas de Oliveira. Um motorista o teria visto, contudo, sem descrever detalhes. Gravações de câmeras de vigilância instaladas na região serão requisitadas pela polícia para tentar identificar suspeitos.

Assim que aconteceu o crime, o local foi cercado por parentes, amigos e até fornecedores de Lussani, conhecido como Carlão, estabelecido no bairro havia quase uma década.

– Ele era uma pessoa maravilhosa – definiu uma moradora das imediações e cliente do minimercado.

– Tinha um coração enorme. Emprestava guarda-chuva para os clientes não se molharem – acrescentou outro vizinho.

A filha, e a companheira do comerciante estavam inconsoláveis.

– Ninguém esperava uma coisa dessas – lamentou um irmão da vítima, o também comerciante Anuar Lussani.

Os relatos iniciais de duas testemunhas (uma cliente e um funcionário) são pouco reveladores. Eles disseram que o criminoso era jovem, com idade próxima dos 20 anos, e que vestia calça jeans e boné.

Familiares e vizinhos de Lussani comentaram que um homem com características físicas semelhantes ao criminoso teria estado no minimercado na tarde de quinta-feira, usando barba e bigode, aparentemente, postiços. Uma moradora afirmou que, em uma noite de agosto, um Gol preto parou próximo ao minimercado com dois homens. Um dos eles teria desferido tiros em uma árvore em frente ao estabelecimento, que estava fechado.

A possibilidade de latrocínio (roubo com morte) parece a hipótese com menos evidências. Até o final da tarde de ontem, pelo menos seis pessoas prestaram depoimento na 2ª Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa.

– Ainda não temos suspeitas – afirmou o delegado Filipe Borges Bringhenti, da 2ª DHPP.



A VÍTIMA - Natural de Progresso, no Vale do Taquari, Luís Carlos Lussani, 45 anos, vivia em Porto Alegre havia 24 anos. Trabalhou no ramo do comércio como empregado e, depois, abriu o próprio estabelecimento, seguindo exemplo dos dois irmãos, donos de minimercados na Capital. O primeiro estabelecimento de Lussani era no bairro Auxiliadora. Há quatro anos, mudou-se para o Mont’Serrat. Casado pela segunda vez, deixa uma filha adolescente.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

NO RS, MASCARADOS DEVERÃO SE IDENTIFICAR EM PROTESTOS

CORREIO DO POVO 27/09/2013 18:16

Luca Rivas / Rádio Guaíba

Secretário Airton Michels afirmou que não há necessidade de alteração na lei



Protesto da quinta-feira teve atos de vandalismo
Crédito: Samuel Maciel


O secretário de Segurança do Rio Grande do Sul, Airton Michels, anunciou nesta sexta-feira que a Brigada Militar (BM) passará a tomar medidas mais rígidas para dar fim aos atos de vandalismo durante as manifestações em Porto Alegre. A principal delas será a orientação para a BM prender manifestantes que estiverem mascarados e que não quiserem se identificar em meio a protestos de rua.

"Já tivemos casos de pessoas que não tiraram (máscara) e foram presas pelo crime de desobediência e assim continuaremos procedendo”, garantiu. A diferença é que, a partir de agora, conforme o secretário, as prisões serão sistemáticas.

Michels explicou que o grupo de mascarados já foi identificado pela cúpula da Segurança Pública e soma cerca de 200 pessoas. De acordo com o secretário, a medida não foi adotada de início porque a BM corria o risco de ser tachada como autoritária pela opinião pública. Com o passar do tempo, justificou, as autoridades descobriram que o grupo que depreda é sempre o mesmo, o que explica uma medida mais contundente.

Michels disse, ainda, que não é preciso alterar a legislação, como no Estado do Rio de Janeiro, para começar a prender o grupo pelo crime de desobediência. “O sistema legal brasileiro já determina que a autoridade policial não permita que as pessoas de forma anônima, portanto máscara, façam manifestações", afirmou.

Na quinta-feira, manifestantes encapuzados quebraram agências do Banco do Brasil e Itaú. Além disso, pedras foram atiradas contra a Catedral Metropolitana e o Museu Júlio de Castilhos. Ambos tiveram vidraças quebradas. Também foi depredado parte dos vidros da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), na avenida Borges de Medeiros.

O protesto foi convocado pelo Bloco de Luta pelo Transporte Público no Facebook. Segundo a página do grupo na rede social, o ato era para lembrar os 1.000 dias do governo Tarso Genro, classificado pelo movimento como “um governo de conciliação de classe, que ataca os direitos dos trabalhadores”.


27/09/2013 15:25

Diretor de Museu lamenta depredações em protesto. Local teve vidros quebrados, fachada pichada e bandeiras roubadas




Local teve vidros quebrados, fachada pichada e bandeiras roubadas
Crédito: Tarsila Pereira

A manifestação organizada na quinta-feira pelos integrantes do Bloco de Lutas terminou em depredações e pichações em Porto Alegre. Na manhã de sexta-feira, foi possível ver os estragos. O caso que chamou mais atenção foi o do Museu Júlio de Castilhos, na rua Duque de Caxias, no Centro de Porto Alegre. A administração ainda não contabilizou os valores para consertar os estragos provocados pelos atos de vandalismo. Entre os prejuízos estão vidros quebrados de duas janelas do museu, a fachada de arenito e a porta de madeira que foram pichadas com o símbolo do anarquismo e duas bandeiras do Brasil e do Rio Grande do Sul que foram roubadas.

O diretor do museu, Roberto Schmidt Prym, lamentou os estragos. “Fizemos um esforço para reabrir o local que ficou fechado por 16 anos e vem uma turma de vândalos e depreda tudo. É lamentável que tenham atacado o museu e a Catedral”, destaca.

Na Catedral Metropolitana, os vândalos picharam as palavras “Liberdade” e “Deus é Gay”. Na manhã de ontem, funcionários limpavam o local. Vidros foram quebrados no local. A fachada do prédio do Palácio do Ministério Publico, na esquina da praça da Matriz com a rua Jerônimo Coelho, foi alvo da ação dos vândalos. O local também amanheceu todo pichado. Duas agências bancárias na avenida Salgado Filho foram alvos de vandalismo.

A Brigada Militar confirmou a detenção de sete pessoas por depredação, incluindo dois adolescentes, que foram encaminhados ao Deca. Três professores ligados ao Cpers/Sindicato também acabaram sendo detidos e depois o pagamento de fiança de R$ 4 mil cada um foram soltos. Segundo a presidente do sindicato, Rejane de Oliveira, os docentes foram presos na rua Lima e Silva quando a manifestação já havia terminado. A justificativa foi que os professores estariam envolvidos nos atos de vandalismo, o que foi negado pelo sindicato, que alega que há perseguição com os movimentos sociais por parte da Brigada Militar.


Segundo Rejane, após o pagamento da fiança, a polícia dificultou a liberação dos professores. Eles foram liberados por volta das 4h da 3ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, no bairro Navegantes.


Fonte: Cláudio Isaías / Correio do Povo







CRIMINOSO É BALEADO AO TENTAR ASSALTAR LOTÉRICA

CORREIO DO POVO 27/09/2013 19:39

Samuel Vettori / Rádio Guaíba

Criminoso é baleado após tentar assaltar lotérica na Capital. Crime ocorreu na rua Jerônimo de Ornelas


Um policial em férias, integrante do Batalhão de Operações Especiais (BOE) da Brigada Militar, trocou tiros e baleou um homem que tentou assaltar uma agência lotérica na rua Jerônimo de Ornelas, no bairro Santana, em Porto Alegre. Dois disparos atingiram uma das pernas do criminoso, que foi encaminhado ao Hospital de Pronto Socorro.

Confome a Brigada Militar, uma guarnição do BOE percorria a região quando percebeu a ação do homem, ainda não identificado, que tentou fugir e foi perseguido. Depois de medicado, ele deve ser encaminhado à Polícia Civil.

Em agosto, dois homens foram presos pela suspeita de assaltar a mesma lotérica. PMs de moto acompanharam a motocicleta usada pelos assaltantes na fuga, pela avenida Sertório. Ambos foram abordados na avenida Assis Brasil. Um deles tinha antecedentes criminais e, com o outro, a BM apreendeu um revólver calibre .38, além de quase R$ 3 mil espécie e R$ 143 em cheque. Há dois anos, no mesmo local, um policial militar da reserva foi baleado durante tentativa de assalto ao local.


EXECUÇÃO NA EUDORO BERLINK

G1 RS - 27/09/2013 12h31

Homem é morto em mercado no bairro Mont'Serrat, em Porto Alegre. Estabelecimento fica na esquina da Eudoro Berlink com a Mariland. Polícia Civil ainda não sabe informar se foi latrocínio ou execução.

Do G1 RS

Homem foi morto em mercado em bairro nobre de Porto Alegre (Foto: Vanessa Felippe/RBS TV)

Um homem foi morto dentro de um mercado na manhã desta sexta-feira (27) na esquina das ruas Eudoro Berlink com a Mariland, no Bairro Mont'Serrat, na Zona Norte de Porto Alegre. A Polícia Civil está no local e ainda não sabe se foi um latrocínio ou uma execução. O local foi isolado para a realização da perícia.

Do G1 RS 27/09/2013 11h55

Assaltante atira contra própria barriga ao tentar guardar arma e morre no RS. Dois homens tentavam assaltar posto de gasolina na ERS-188, em Gravataí. Eles estavam dentro da loja de conveniência quando ocorreu o disparo.

Um homem de 22 anos morreu pouco depois das 9h desta sexta-feira (27) enquanto assaltava um posto de gasolina na ERS-118, no município de Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, segundo a Brigada Militar. O jovem e mais um comparsa estavam na loja de conveniência praticando roubos quando ele tentou guardar o revólver e atirou contra a própria barriga. De acordo com os policiais, o homem morreu no local.

O comparsa fugiu na mesma moto que ele e a vítima haviam chegado para o assalto. Não há informações sobre o que foi roubado. O posto de gasolina está isolado para a realização da perícia.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

SUSPEITO DE ASSASSINATO DE PROFESSORA

IJUI.COM - Sex, 23 de agosto de 2013

Polícia Civil de Santo Ângelo já tem suspeito de assassinato de professora





A Polícia Civil de Santo Ângelo tem um suspeito da autoria do assassinato da professora Cristiane Marks, de 26 anos

A Polícia Civil de Santo Ângelo tem um suspeito da autoria do assassinato da professora Cristiane Marks, de 26 anos.

Segundo a Delegada Elaine Maria da Silva, a acusação do homicídio recai sobre o ex-namorado da jovem, que é ex-interno da Case de Santo Ângelo.

O suspeito é maior de idade, mas sua prisão ainda não foi solicitada, visto que a Polícia irá ouvir mais testunhas.

O casal havia terminado o namoro há cerca de dois meses, mas o suspeito não aceitava o fim do relacionamento.

De acordo com a Polícia, há 20 dias, o suspeito já teria tentado matar a professora.

Cristiane também foi funcionária da Secretaria de Assistência Social de Santo Ângelo.

No momento ela era professora na Case de Santo Ângelo.


Jovem professora de Santo Ângelo encontrada morta na Cohab





A professora de História Cristiane Marks (foto), de 25 anos, foi encontrada morta em seu apartamento na Cohab com marcas de estrangulamento e com um ferimento no peito aparentando ter sido causado por arma branca, segundo informações da Brigada Militar de Santo Ângelo.

A noite desta quarta-feira, 21, foi marcada por mais uma tragédia, possivelmente de origem passional.

A professora de História Cristiane Marks, 25 anos, foi encontrada morta em seu apartamento na Cohab com marcas de estrangulamento.

Ela também tinha um ferimento no peito aparentando causado por arma branca, segundo informações da Brigada Militar, de Santo Ângelo.

A Polícia suspeita de crime passional.

Cristiane foi estudante da Escola Odão Felipe Pippi e Uri.

Trabalhou de 2005 à 2010 na Secretaria Municipal de Assistência Social, Trabalho e Cidadania como Secretária Executiva e também foi Diretora Comercial da empresa Datawork.

A polícia isolou o local e está apurando maiores informações. Fonte: www.grupojdo.com.br


COMENTÁRIO BM CELEIRO, SÉTIMO BPM (via facebook)

A matéria é do dia 23 de agosto. Após foi expedido o Mandado de prisão para NILTON PIRES FILHO, suspeito da autoria do crime e com extensa ficha criminal. Recebemos informações, dando conta que pode estar no interior dos municípios de TIRADENTES DO SUL, ESPERANÇA DO SUL e CRISSIUMAL, em companhia do também foragido - PAULO ELIAS DE LIMA LESSE. Qualquer informação repassem através de mensagem para este perfil ou 190... DENUNCIEM !!!

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

CONGRESSO DEBATE CRIAÇÃO DO FEMINICÍDIO

Projeto que tramita no Senado propõe que condição feminina da vítima seja considerada agravante em crimes de assassinato

FLÁVIA PIERRY
O GLOBO

Atualizado:11/08/13 - 10h26

Bancada feminina na Câmara entrega relatório da CPMI da Violência Contra a MulherAgência Câmara


BRASÍLIA — Feminicídio: agravante para crimes de homicídio cometidos pelo fato de a vítima ser mulher. Essa é a figura jurídica que a CPMI da Violência contra Mulher no Congresso tenta criar, com a apresentação de um projeto de lei que começa a tramitar no Senado e prevê inclusão do termo no Código Penal, como um qualificador nos casos de homicídio. Pelo texto, a pena para esses casos seria aumentada para entre 12 e 30 anos, e o feminicídio estaria configurado nos casos de assassinatos de mulheres em que haja relação de afeto ou parentesco entre agressor e a vítima; prática de violência sexual no crime; e mutilação ou desfiguração da vítima.

— Quando a mulher apanha, as marcas ficam em lugares visíveis. O objetivo do agressor é deixar uma marca, se ela não for dele, não é de mais ninguém. E muitas vezes, quando ela morre, ela é esquartejada. É a marca do ódio — afirmou a senadora Ana Rita (PT-ES), relatora da CPMI.

Ainda falta entendimento sobre a violência contra a mulher, apontam os defensores da mudança, e a constituição dessa figura legal ajudaria a lançar luz sobre o assunto e melhorar a forma que a Justiça analisa esses casos — ainda alvos de preconceito.

Em trecho do relatório da CPMI, está a definição da antropóloga Rita Segato para o feminicídio. “Tal qual o genocídio, o feminicídio não atinge o indivíduo, mas a categoria a que ele pertence.”

Com pouca compreensão da violência à mulher, se torna limitada e por vezes falha a aplicação da Lei Maria da Penha, como comprovam casos emblemáticos mostrados no relatório da CPMI. Com esse entendimento, a comissão, que concluiu seus trabalhos no mês passado, propõe outros 12 projetos de lei, alguns deles para mudar trechos da Lei Maria da Penha.

— A lei Maria da Penha é suficiente. Mas a CPMI entendeu que em alguns aspectos ela precisa ser ajustada para não ter interpretações diferenciadas — afirmou a senadora Ana Rita.

Ela avalia que, caso seja aprovado o projeto de incluir o feminicídio como agravante do homicídio, isso vai inibir agressores e aumentar a consciência dos operadores do Direito sobre esses crimes.

Essa é a segunda tentativa de emplacar o feminicídio na lei, depois de ser frustrado o projeto de incluir no Código Penal uma nova tipificação criminal, a de “femicídio”, análoga ao homicídio mas caracterizado por seu um crime de ódio de gênero. A comissão de juristas que debateu a reforma do Código Penal no Congresso tentou incluir a figura legal, mas a maioria foi contrária, apenas quatro dos 15 integrantes apoiaram a proposta. O relator-geral do colegiado, procurador regional da República Luiz Carlos Gonçalves, afirmou que com a mudança se dá mais um passo para a defesa de um grupo que sofre muita violência:

— O que se faz é explicitar o que já está na lei. Se hoje você praticou o crime por motivo fútil ou torpe, o crime já é qualificado. O que estamos fazendo é indicar segmentos que são particularmente vulneráveis. Não tem de incluir todos os grupos. Mas acrescento que a lei sozinha não altera a realidade.

Outro integrante da comissão de juristas para reformar o Código Penal, o desembargador José Muiños Piñeiro Filho avalia que a criação do femicídio contribuirá para o reconhecimento de que existe a desigualdade de gênero.

— Muitas mulheres são mortas simplesmente por sua condição de mulher, ou seja, por sua condição considerada insignificante ou de mero objeto — diz o desembargador, um dos favoráveis à criação do termo na comissão.

Homicídio Versus Femicídio

A inclusão do termo como um agravante do homicídio como pede o projeto em tramitação no Senado seria apenas o começo para criar o crime de femicídio, acredita a secretária-executiva da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) da Presidência da República, Lourdes Bandeira.

— A importância do projeto de lei é que ele deve servir como início do debate com o Congresso. O que temos de ter clareza é que o femicídio, feminino de homicídio, deve ser pensado como um tipo penal especial. O femicídio tem como característica ser um crime praticado contra as mulheres pelo fato de serem mulheres, um crime da misoginia, um crime de gênero. Ele também é praticado com uma crueldade profunda. Ele prevê mutilação do corpo feminino, é um crime de quem quer arrasar com a identidade daquela pessoal – afirma a secretária-executiva, que cita também o caso Elisa Samúdio como exemplo desse tipo de crime:

— A materialidade da Elisa não existe mais. É a destruição do corpo feminino.

Dados da SPM apontam que entre 1980 e 2010, o índice de assassinatos de mulheres passou de 2,3 a cada cem mil pessoas para 4,6 a cada cem mil. Lourdes Barbosa rechaça os argumentos contrários à criação do Feminicídio, de que isso poderia ensejar pedidos de criação do “gaycídio” ou do “negrocídio”:

— Não tem nenhum outro grupo social que tenha sido objeto de violência como são as mulheres. Isso é histórico no Brasil, temos uma cultura de barbárie muito forte. Isso não significa que outras categorias não tenham sofrido violência, mas historicamente o coletivo de mulheres sofreu mais a essa condição de subjugação do corpo, pela relação sexual, e pela intimidade dos relacionamentos. Essa é uma questão forte. Se você pegar entre 2000 e 2010, o Mapa da Violência (pesquisa do governo federal) mostra que quase 44 mil mulheres foram assassinadas. Qual é o outro grupo social nessa condição? - afirma Lourdes.

Outro integrante da comissão de juristas para reformar o Código Penal, o desembargador José Muiños Piñeiro Filho avalia que a criação do tipo penal do femicídio contribuirá para o reconhecimento de que existe a desigualdade de gênero.

— Muitas mulheres são mortas simplesmente por sua condição de mulher, ou seja, por sua condição considerada insignificante ou de mero objeto — diz o desembargador, um dos favoráveis à criação do termo na comissão.

CINCO MIL MULHERES FORAM ESTUPRADAS EM 2012


Dossiê revela que quase cinco mil mulheres foram estupradas no estado em 2012. Número, divulgado pelo Instituto de Segurança Pública, é 23,8% superior ao de 2011. Cerca de 58 mil também foram agredidas

SÉRGIO RAMALHO
COLABOROU MARIA ELISA ALVES
O GLOBO
Atualizado:8/09/13 - 23h04


Adriana não fala a palavra estupro. Ela só comenta “o ocorrido” Agência O Globo / Pedro Kirilos


RIO - Apesar do vocabulário vasto, a administradora Adriana não consegue pronunciar a palavra certa para descrever o que fez sua vida virar pelo avesso. A morena de cabelos pela cintura, mãe de duas filhas, só se refere “ao ocorrido”. Também não fixa os olhos em nenhum ponto enquanto conta sua história. O que ela não consegue nomear, nem encarar de frente, é um pesadelo vivido em 2012 por 4.993 mulheres no Estado do Rio: o estupro. Em comparação com 2011, o número representa um aumento de 23,8%.

A médica Júlia também teve muita dificuldade para enfrentar a realidade. Preferiu recorrer à fantasia: para esconder as surras que levava do marido — e até o nariz quebrado por ele —, se matriculou em aulas de luta numa tentativa de justificar à família as marcas roxas pelo corpo. Ela levou anos até conseguir superar a vergonha e procurar a polícia. Júlia não é um caso isolado. No ano passado, a cada dez minutos, pelo menos uma mulher foi vítima de lesão corporal dolosa no estado.

Ao todo, 58.051 mulheres foram vítimas de agressão. Significa dizer que o drama enfrentado pela médica se repetiu na vida de outras 159 mulheres em cada dia de 2012, quase sete agressões por hora. Na comparação com 2011, a lesão corporal dolosa teve crescimento de 6,3% para vítimas do sexo feminino, segundo o Dossiê Mulher 2013, feito pelo Instituto de Segurança Pública (ISP). Os números são ainda mais alarmantes se comparados com os de 2008, quando ocorreram 45.773 casos, quase 12.300 a menos que no ano passado.

Conhecidos são os que mais agridem

O que torna a violência ainda mais estarrecedora é que ela, na maioria das vezes, é praticada por alguém que partilhou a intimidade e os sonhos da vítima: em 52,2% dos casos são companheiros ou ex-companheiros que espancam, cortam, torturam. A médica Júlia, que sempre conviveu com as facilidades de uma família abastada, frequentou boas escolas e só começou a trabalhar após se formar em medicina numa universidade federal, nunca imaginou que faria parte das estatísticas de agredidas. A história começou a mudar quando ela conheceu, por meio de amigas, um jovem militar. Parecia um bom partido, e logo os dois subiram ao altar. Só que em vez de cumprir a promessa de amá-la e respeitá-la, o marido começou a agredi-la durante a gravidez. Além de bater, conta Júlia, ele fazia acusações de que ela teria um amante. O bebê nasceu, e a médica começou a ter aulas de luta e esportes radicais para justificar os hematomas. Viu fracassarem suas tentativas de esconder que seu papel de esposa se misturava ao de vítima durante uma festa. Foi atacada a socos pelo marido, em meio aos convidados. Depois disso, ela ainda ficou mais três anos com ele. No total, foram oito anos de sofrimento:

— Tive o nariz quebrado por um murro, um sem número de hematomas e até um corte profundo, que ele fez a faca e que deixou sequelas numa de minhas mãos. A dor física era grande, mas nada tão intenso quanto o sofrimento da alma. Passei a mentir e a fantasiar versões para tentar esconder a realidade. Era muito duro encarar o fato de que o homem que escolhi para ter uma família me tratava como saco de pancadas. Até admitir isso, passei a usar roupas largas para esconder meu corpo, pois ele era muito ciumento. Criei uma espécie de código para atender os pacientes que me ligavam à noite sem dar problema — diz.

Há dez anos atuando com mulheres vítimas de violência em Caxias e Mesquita, a psicóloga Elizabeth de Oliveira Leandro diz que a surra na mulher é, geralmente, o desfecho de uma série de violências prévias. Até chegar a esse ponto, o agressor muitas vezes já colocou em prática a violência moral e psicológica, que abala a autoestima feminina. Em alguns casos, também cometeu abusos sexuais.

O enredo descrito pela psicóloga parece até a biografia de Márcia. Moradora da Baixada, onde os municípios de Nilópolis, Mesquita, Nova Iguaçu e Duque de Caxias concentram a maior parte de casos de lesão corporal dolosa do estado, ela conviveu com agressões desde jovem. Aos 15 anos, saiu de casa para escapar do assédio do padrasto e foi trabalhar como empregada doméstica na Zona Sul. Logo conheceu um porteiro, que se tornou pai do primeiro dos seus três filhos. O homem era casado, e Márcia teve que voltar à casa da mãe. Os relacionamentos se sucederam até que conheceu o pai do caçula. Violento, ele a surrou e a humilhou constantemente durante três anos. Márcia aguentou calada. Explodiu depois que, numa madrugada, bêbado, ele a violentou. Márcia foi socorrida por vizinhos e levada à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), em Nova Iguaçu, onde fez questão de registrar o estupro.

Como Márcia, 51,2% das vítimas de estupro conheciam o agressor, de acordo com o Dossiê Mulher: eram conhecidos (11,5%), tinham algum grau de parentesco, incluindo padrastos (29,7%), eram companheiros ou ex-companheiros (10%). A faixa etária das molestadas também impressiona: em 51,4% dos casos, são crianças de até 14 anos.

Aos 40 anos, Adriana se encaixa no grupo de vítimas que nunca tinham visto seu estuprador (27,3% do total). Moradora de Jacarepaguá, ela estava indo para o trabalho quando foi abordada por um homem armado, que a obrigou a subir na garupa da moto e a levou para um local ermo. O que se passou lá, ela luta para esquecer, mas diz que não vai mudar a própria rotina:

— Durante pouco mais de uma hora, ele mandou na minha vida. O resto do tempo, sou eu que determino como será — diz Adriana, que, no entanto, ainda tem muita dificuldade para não lembrar. — Quando vejo uma moto Honda Bis, como a dele, na rua, eu chego a gelar. Quando meu marido me abraça, me encolho toda. Ele tem calma, paciência comigo, mas também está sofrendo. O casal é estuprado junto.

Socióloga, pesquisadora e professora do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), Aparecida Fonseca Moraes ressalta que a criação de delegacias para mulheres, a aprovação da Lei Maria da Penha e outras políticas públicas adotadas deram visibilidade à violência praticada contra a mulher.

— O velho jargão de que em briga de marido e mulher não se mete a colher caiu por terra. Isso é resultado de uma série de medidas que retirou essa violência da vida privada, levando a questão para o debate público — acredita.

A socióloga sustenta que essa visibilidade, associada à sistemática coleta de dados estatísticos, gera a impressão de que esse tipo de violência cresce a cada ano. Para ela, contudo, os números refletem uma mudança de comportamento das vítimas, que passaram a encarar o tabu e a denunciar seus agressores, como Márcia, Adriana e Júlia (nomes fictícios).

VIOLÊNCIA CONTRA ESTUDANTES


ZERO HORA 25 de setembro de 2013 | N° 17564

EDITORIAIS



Começam a se tornar rotineiros em Porto Alegre os assaltos a estudantes de escolas privadas, com os quais os delinquentes sabem que terão mais chance de encontrar aparelhos eletrônicos como celulares, tablets e computadores pessoais. A tendência, cada vez mais disseminada, exige uma estratégia especial da parte de organismos de segurança que, em conjunto com representantes das comunidades escolares e da sociedade, precisam encontrar saídas eficazes. Criminalidade não combina com ensino e, além de prejuízos materiais, os criminosos vêm provocando traumas em muitos alunos, que, algumas vezes, têm seu processo de aprendizagem prejudicado.

Desde que os casos de roubos a estudantes se intensificaram, dentro e nas proximidades das escolas, os organismos de segurança têm sido cobrados a agir com mais rigor, particularmente por parte de dirigentes de instituições de ensino. A resposta nos meios oficiais é a mesma fornecida a instituições públicas, nas quais os alunos também são vítimas frequentes de assaltos e ainda convivem com um cotidiano de constante depredação no ambiente escolar, com furto de ingredientes da merenda e até de material didático: não há como colocar um brigadiano em cada estabelecimento.

Se faltam policiais, é óbvio que os responsáveis pela segurança pública têm o dever de encontrar saídas eficazes, que contribuam realmente para reduzir a sensação de insegurança e o número de ocorrências. Os estabelecimentos de ensino precisam também fazer sua parte, investindo mais em mecanismos de segurança no interior das instituições e nos arredores.

O inadmissível é que seres humanos ainda em fase de formação psicológica se tornem reféns constantes do medo e vítimas preferenciais de desajustados. Os brasileiros, incluindo os gaúchos, já enfrentam problemas demais na área educacional para se conformarem com mais este.

ASSALTADO AO SOCORRER FERIDOS EM ACIDENTE

ZERO HORA 25 de setembro de 2013 | N° 17564

ATAQUE SURPRESA. Sargento é assaltado após acidente em Porto Alegre. Policial da Brigada foi atacado ao parar para ver se alguém estava ferido


Após parar para verificar se havia feridos em um acidente, um sargento da Brigada Militar acabou assaltado na noite de segunda-feira, na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre. O crime ocorreu às 23h20min, próximo à parada 19, na Estrada João de Oliveira Remião.

No momento da abordagem, o PM estava acompanhado do filho mais novo, de 15 anos. O sargento estava armado, mas não reagiu, e deixou que o assaltante levasse seu Celta.

O policial chegou a pensar que o acidente fosse uma simulação para facilitar a ação dos criminosos. – Quando o motorista veio ensanguentado na minha direção, eu me identifiquei, e ele disse que também era policial. Ele me pediu a arma e eu não quis entregar. Fui me afastando da aglomeração para poder ter uma ação e ninguém se ferir – disse o sargento, que se identificou como Juarez.

O policial contou que havia cerca de 12 pessoas no local:

– Acabei entregando a chave (do carro) porque era melhor para minha segurança, do meu filho e das pessoas que estavam em volta.

Segundo o 18º BPM, dois homens seguiam pela via em um Peugeot roubado quando colidiram com uma Hilux. O motorista do Peugeot já estava fora do veículo quando abordou o policial. Em depoimento prestado à 21ª Delegacia de Polícia, o sargento afirmou que o assaltante portava uma pistola .40, de uso exclusivo das forças policiais. De acordo com o delegado Marcos Antonio Machado, titular da 21ª DP, o segundo passageiro do Peugeot roubado, identificado como Michel Alves dos Santos, é foragido e responde por assalto, formação de quadrilha e tráfico de drogas. Ele ficou ferido no acidente e permanece sob custódia da polícia, no Instituto de Cardiologia Hospital Viamão.

MISTÉRIO EM CAXIAS NA MORTE DE PSICÓLOGO


ZERO HORA 25 de setembro de 2013 | N° 17564

MISTÉRIO EM CAXIAS. Surge primeira pista da morte de psicólogo. Polícia Civil divulga imagens de carro que teria sido usado por criminosos


Um Monza bordô duas portas e com películas nos vidros seria o carro usado pelos assassinos do psicólogo Samuel Eggers, 24 anos. O veículo, fabricado entre 1985 e 1990, aparece em imagens de uma câmera da unidade da Unisinos, no bairro São Pelegrino, em Caxias do Sul.

Ocarro foi flagrado dobrando a esquina da Rua Feijó Júnior com a Rua Dr. Augusto Pestana na noite de 12 de setembro, minutos antes do crime. O ponto fica a cem metros do Mississippi Delta Blues Bar, no Largo da Estação Férrea, onde naquela noite Samuel esteve com duas amigas.

A gravação foi registrada às 23h53min, a três quadras do local do assassinato. A execução do psicólogo aconteceu por volta da 0h15min de 13 de setembro. Os motivos da morte ainda são mistério. As câmeras não captaram a placa, e não é possível ver quem estava dentro, porque o carro tem películas muito escuras. Mas, para os investigadores do Setor de Homicídios do 2º Distrito Policial, o Monza seria o mesmo usado pelos assassinos.

A delegada responsável pelo caso, Thaís Norah Sartori Postiglione, diz que as características do veículo são iguais às descritas por testemunhas. A investigação também indica a participação de duas pessoas: o motorista do carro e o atirador. A suspeita é de que os assassinos estavam circulando por São Pelegrino antes do crime. A polícia, porém, não conseguiu esclarecer se eles procuravam pelo psicólogo.

Segundo depoimentos, Samuel permaneceu no bar até por volta da meia-noite, quando saiu a pé na companhia de duas amigas. O trio caminhou cerca de 500 metros até um prédio na Rua Henrique, no bairro Rio Branco, onde reside uma das jovens. As amigas do psicólogo relataram não terem visto nada de anormal no trajeto. Por esse motivo, a polícia não tem como confirmar se o grupo foi seguido. Assim que deixou as amigas no prédio, Samuel foi abordado.

Conforme Thaís, o carro estava na Rua Tronca e subiu a Henrique Dias em alta velocidade. No final da quadra, o veículo fez o retorno e parou diante do psicólogo. Supostamente, o caroneiro disparou quatro vezes, sendo que duas balas atingiram a vítima. Em seguida, os assassinos retornaram à Tronca e fugiram pela Rua Olavo Bilac.

– A arma do crime provavelmente é um revólver calibre 38, pois não encontramos cápsulas deflagradas na rua, como é o caso de disparos feitos com pistolas – explica a delegada.

Por enquanto, o vídeo em que o Monza aparece é o único identificado, mas novas imagens podem surgir, uma vez que a polícia tem gravações de mais de 15 câmeras para analisar.



DENUNCIE - Informações podem ser repassadas à Delegacia de Homicídios, pelo telefone (54) 3217-1409, ou à Brigada Militar, pelo 190. Não é necessário se identificar.

ALIANÇA DO CRIME



ZERO HORA 25 de setembro de 2013 | N° 17564


CARLOS WAGNER

‘Consórcio’ desafia a polícia

Com o volume crescente de apreensões, bandidos voltam a importar drogas conjuntamente para reduzir perdas e diluir custos



Acossados pela ação da Polícia Federal (PF) nas fronteiras do Brasil e pelas constantes operações da Polícia Civil, os traficantes no Rio Grande do Sul reativaram os consórcios para comprar drogas no Paraguai. Com a divisão dos riscos, eles reduzem os prejuízos quando ocorrem as apreensões. E, ao dividirem os custos de transporte, ampliam os lucros quando colocam a droga no mercado.

Aideia do consórcio é antiga entre os traficantes gaúchos. A formação, segundo o delegado Heliomar Athaydes Franco, diretor de investigação do Departamento Estadual de Investigação do Narcotráfico (Denarc), é favorecida pela estrutura do tráfico no Estado, formada por pequenos grupos – diferentemente do Rio de Janeiro e de São Paulo, onde organizações criminosas como Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital dominam grande parte do comércio das drogas:

– Aumentamos a eficiência nas investigações, que resultaram em operações mais bem-sucedidas.

Mesmo com os principais traficantes gaúchos presos, como Juraci Oliveira da Silva, o Jura, capturado no Paraguai em 2010, e Paulo Ricardo Santos da Silva, o Paulão, detido no Rio de Janeiro, o comércio montado por eles segue funcionando. Na opinião do delegado, esse comércio continua ativo porque o Rio Grande do Sul perfila-se entre os grandes mercados consumidores do país.

Voo entre Porto Alegre e Lisboa atrai “mulas”

Além dos usuários, outro fator fortaleceu o tráfico no Rio Grande do Sul: a implantação do voo entre Porto Alegre e Lisboa, em 2011, que atraiu várias “mulas” – pessoas pagas para transportar drogas. Prova disso foi a apreensão de uma prancha de windsurfe contendo 15 quilos de cocaína no aeroporto Salgado Filho, em 10 de agosto. A prancha – e o homem de 26 anos, detido no aeroporto da Capital – iria para Barcelona, na Espanha, passando por Portugal.

Além das mulas, traficantes uruguaios também estão usando o Estado para a passagem de maconha e cocaína trazidas do Paraguai. A droga comprada nas cidades paraguaias entra na Argentina pela província de Misiones, separada do Rio Grande do Sul pelo Rio Uruguai. Na sequência, barqueiros atravessam a droga para o Estado, de onde ela segue, por via rodoviária, até Montevidéu.


PACOTES COLORIDOS IDENTIFICAM TRAFICANTES

Nos consórcios, os traficantes reúnem-se para comprar drogas. Além de reduzir custos de transporte, a estratégia minimiza prejuízos com eventuais apreensões feitas pela polícia.

Para diferenciar os destinatários, os pacotes são feitos em cores diferentes (foto), como registrado em Vacaria, na segunda-feira, na apreensão de 556,8 quilos de maconha feita pela Brigada, na BR-116.

O delegado Heliomar Franco, do Denarc, diz que há grupos que usam fitas ou símbolos como identificação. Em alguns casos, as cores podem indicar diferentes fornecedores da droga.


Capturas apenas “enxugam gelo”, afirma delegado

A formação do consórcio e as mudanças nas rotas do tráfico pelos traficantes vêm ocorrendo devido à ação nas fronteiras da PF, que recebeu imenso reforço para as operações contra o tráfico de drogas, no chamado Plano Estratégico de Fronteiras. O fortalecimento das ações ocorreu em 2010, depois que o senador paraguaio Robert Acevedo sobreviveu a um atentado em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia separada por apenas uma avenida de Ponta Porã, munícipio do oeste do Mato Grosso do Sul.

Na ocasião, o PCC, que controla a produção de maconha no Paraguai, foi apontado como responsável pela contratação dos pistoleiros. Em consequência, os dois presidentes da época, Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Lugo, chegaram a encontrar-se, na rua que divide Juan Caballero e Ponta Porã.

Um dos braços do Plano Estratégico é a Operação Sentinela, força-tarefa que opera na região. O resultado das investigações feitas na Sentinela tem orientado as ações de apreensões de drogas da PF, conforme o superintendente da instituição, delegado Sandro Caron.

– O aumento das nossas ações nas fronteiras forçou os traficantes a adotar novas táticas. Mas, embora as operações tenham se intensificado, elas não são páreo para a demanda da droga, que incentiva a audácia dos traficantes. O que faz com que a polícia fique enxugando gelo – diz

As apreensões feitas por Brigada e Polícia Civil

Fonte: Denarc

2012
Maconha 2.300 quilos
Cocaína 312 quilos
Crack 308 quilos

2013 (até agosto)
Maconha 1.900 quilos
Cocaína 202 quilos
Crack 223 quilos

PF

A PF também registra vitórias no combate ao tráfico. Nos últimos cinco anos, apreendeu, em média, 350 quilos de cocaína por ano. Em 2013, até o momento, já foram apreendidos 774 quilos






terça-feira, 24 de setembro de 2013

ESCOLA DE IDIOMAS E ALUNOS SÃO ASSALTADOS EM ZONA NOBRE DE PORTO ALEGRE

ZERO HORA 24/09/2013 | 01h34

Escola de idiomas é assaltada na Avenida Cristóvão Colombo, em Porto Alegre. Conforme o Ciosp, dois homens armados chegaram ao prédio no bairro Auxiliadora antes das 22h

Uma escola de idiomas foi assaltada na noite desta segunda-feira, no bairro Auxiliadora, em Porto Alegre. Dois homens armados chegaram ao prédio de dois andares da Wizard, na Avenida Cristóvão Colombo, antes das 22h, informou o Centro Integrado de Operações de Segurança Pública(Ciosp).

Testemunhas disseram aos policiais que os bandidos pediram informações sobre o curso antes de anunciarem o assalto. Pertences de alunos e funcionários da unidade foram levados. Ninguém ficou ferido. A 3ª Delegacia de Polícia (DP), localizada na mesma via, investigará o caso. Não há informações de que algum dos criminosos tenha sido preso.



ZERO HORA 09/09/2013 | 06h07

Estudantes viram alvo de assaltantes em Porto Alegre. Além do dinheiro, smartphones e relógios de alunos do Ensino Médio e de Universidades atraem os criminosos


Comunidade escolar vive uma epidemia de assaltos
Foto: Diego Vara / Agencia RBS


José Luís Costa



A invasão de uma sala de aula na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) por um ladrão, na semana passada, ilustra o grau de insegurança a que está exposta a comunidade escolar na Capital. Casos como esse são raros, mas do portão para fora de escolas e universidades se espalha uma epidemia de assaltos contra estudantes, a ponto de gerar protestos e abaixo-assinados com pedidos de socorro às autoridades.

Um dos pontos mais perigosos é a região das avenidas Osvaldo Aranha e João Pessoa, nos arredores do Parque Farroupilha (Redenção) e do complexo de faculdades da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), na área central da Capital, onde transitam milhares de estudantes. Ali, há queixas de falta de policiamento e iluminação, e sobram relatos de assaltos a qualquer hora do dia.

Percorrendo a região pela manhã, tarde e noite, os 1,9 mil alunos do Instituto Estadual de Educação General Flores da Cunha, contíguo à Redenção, são presas fáceis para ladrões, especialmente, os mais jovens — a escola tem alunos a partir dos 10 anos. A média é de um assalto a cada dois dias. O número é estimado porque parte dos casos não é registrado pelas vítimas, e a Secretaria da Segurança Pública não dispõe desse tipo de estatística.

Zero Hora visitou oito turmas dos ensinos Fundamental e Médio, dos turnos da manhã e da tarde, e em todas identificou vítimas de roubos na entrada ou na saída da escola. Em uma das turmas da 8ª Série, dos 28 presentes na manhã de quinta-feira, 10 já foram assaltados, assim como duas professoras.

— A gente pouco pode fazer além de telefonar para a BM e chamar os pais — lamenta a diretora Leda Larratéa.

Assessora pedagógica, a professora Elis Dockorn, que teve o vidro do carro quebrado e o estepe levado, em julho, lembra que dois intrusos já foram flagrados circulando nos corredores do colégio e outro chegou a assistir parte de uma aula.

— Os assaltos estão causando doenças psicológicas e desinteresse pelos estudos — afirma Elis.

Colocação de armários auxilia

Os roubos também preocupam instituições particulares. Até o começo do ano era comum estudantes do Colégio Anchieta saírem ao meio-dia com mochilas para almoço fora da escola e voltarem à tarde de mãos abanando. A partir da instalação de armários nos corredores, vêm caindo os assaltos no intervalo dos turnos de aula.

A iniciativa faz parte de um pacote de ações, envolvendo pais e professores. Desde maio eles se reúnem para discutir com representantes de outros colégios dos bairros Bela Vista e Boa Vista — Monteiro Lobato, Província de São Pedro e a Escola Estadual de Ensino Fundamental Bahia — e com a BM. Durante meses, PMs fizeram patrulhas na região da Avenida Nilo Peçanha e rondas com bicicletas. Outra providência foi a instalação de duas câmeras de vigilância — monitoradas pela escola — que registram a movimentação em partes externas do colégio. Conforme Cristina Guzinski, coordenadora do Setor Comunitário, os ataques caíram pela metade.

Nas imediações do Colégio Mãe de Deus, na Tristeza, além de instalação de câmeras e aumento da iluminação, um vigilante particular circula com motocicleta. Em 28 de agosto, o professor de Educação Física Everton Luís Deiques, 34 anos, foi baleado por ladrões de carro.

No começo daquele mês, a comunidade escolar tinha enviado um abaixo-assinado com 1.058 nomes para a Secretaria da Segurança Pública, solicitando mais policiamento. Na terça-feira passada, representantes da escolas e dos pais foram recebidos pelo secretário Airton Michels, que prometeu providências.

Contraponto

O que diz o tenente-coronel Eviltom Pereira Diaz, chefe da Comunicação Social da BM

"Todos os comandantes de unidades da BM são sensíveis a esta questão e têm procurado atender as demandas. Rondas com viaturas são realizadas nestes locais de acordo com um planejamento. A BM atua onde há incidência de crimes. Infelizmente, não é possível colocar um PM na frente de cada escola."

O que fazer para evitar os ladrões

- Prefira caminhos iluminados e movimentados na saída da escola. Os criminosos aproveitam esses momentos para agir.

- Em locais públicos, evite mostrar seu telefone celular ou MP3. Coloque os fones no ouvido e proteja o aparelho sob a roupa. As meninas podem esconder os fones sob o cabelo.

- Antes de escolher a roupa, pense onde você vai. Se for de carro à escola, pode usar acessórios de marca, mas andar de ônibus ou caminhar à noite com tênis sofisticado pode ser arriscado.

Adolescente teve de trocar de escola

Há quatro meses, um garoto de 15 anos abandonou o Instituto Estadual de Educação General Flores da Cunha. Motivo? Insegurança. Em março, levaram a carteira dele quando caminhava próximo à Redenção. Abalado, faltou às aulas por alguns dias e, quando voltou, conseguiu trocar de turno. Pouco adiantou. No mês seguinte, teve uma corrente arrancada do pescoço, também na saída da escola.

A solução foi trocar de colégio para um mais perto de casa, no bairro Santo Antônio, onde iria acompanhado de um grupo de amigos. Mas o drama persiste. Há duas semanas, uma dupla de moto perseguiu o garoto e arrancou a mochila dele — recuperada, instantes depois, em um matagal. Não encontraram nada do interesse deles. O menino não carrega mais carteira, celular, corrente e relógio. Evita usar roupa e tênis da moda e só vai para o colégio acompanhado do pai.

— Ele não tem mais vontade de sair de casa — lamenta a mãe.

O drama vivido pelo jovem pode ser definido como transtorno de estresse pós-traumático. Conforme o psicólogo e psicanalista Leonardo Della Pasqua, um dos sintomas é o isolamento social.

— A pessoa foge de situações, contatos e atividades que possam reavivar as lembranças dolorosas da situação traumática — diz Della Pasqua.

Universitário é vítima de ataque ao meio-dia

O que deveria ser uma simples caminhada nos arredores do Campus Centro da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), na Capital, se transformou numa perigosa aventura.

Na semana passada, por volta das 12h30mim, o acadêmico de Jornalismo Marcelo Carôllo de Oliveira, 22 anos, caminhava pela Avenida João Pessoa, quando se viu espremido por um bandido no corredor entre uma parede do viaduto Imperatriz Leopoldina e a grade do pátio da Faculdade de Direito. Sem preocupação com testemunhas, o ladrão puxou uma faca.

O estudante revirava a carteira em busca da única nota, de R$ 50, que pagaria o ônibus até o trabalho, mas o bandido foi mais rápido. Puxou o dinheiro e exigiu o celular. Antes do estudante entregar o telefone, o assaltante desistiu e sumiu correndo entre carros.

— É muito velho, nem ele se interessou.

Fiquei feliz porque não levou os documentos, mas tive de ir a pé para o serviço. O estudante de Engenharia Ambiental Márcio Nicknig, 23 anos, é personagem de episódio ainda mais insólito. Em uma noite de julho, ele caminhava pela Rua Sarmento Leite quando foi abordado por dois ladrões que exigiram o celular. Desferiu um soco em um deles e fugiu. Avisados, PMs foram para a região. Quando

Márcio voltava pelo mesmo caminho, cruzou com a dupla, em disparada, com uma mochila roubada de outro aluno.

— O lugar menos provável que imaginava encontrar eles era ali — espanta-se.

Márcio reagiu de novo. Derrubou um deles com uma rasteira, mas os ladrões conseguiram fugir com um notebook. Segundo a UFGRS, são raros os casos de roubos na áreas internas da universidade, e a coordenadoria de segurança mantém contato permanente com a BM.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

TERROR E ASSASSINATOS PELO RS

ZERO HORA 23 de setembro de 2013 | N° 17562

JÚLIA OTERO

Dono de joalheria é feito refém em Parobé

O dono de uma joalheria foi mantido refém por cerca de quatro horas no porta-malas de um carro em Parobé na madrugada de ontem. O homem de 70 anos, que não teve o nome divulgado pela polícia, voltava para casa por volta das 23h15min de sábado, em sua Hyundai ix35 prata, quando um carro com luz no capô, parecendo ser da polícia, o atacou na ERS-239.

Acreditando se tratar de uma abordagem, a vítima parou no acostamento e pegou os documentos do veículo, mas foi surpreendida com o anúncio do assalto. Os bandidos ameaçaram o dono da Óptica Tri-Joia com revólveres em punho e o mandaram entrar no porta-malas do carro dos criminosos. Ele teve as mãos amarradas. Outro assumiu a direção do carro do empresário. Em uma zona afastada do centro da cidade, que a polícia ainda trabalha para identificar onde fica, os bandidos tiraram a vítima do porta-malas e exigiram as chaves da loja e a senha do sistema de segurança. Depois disso, o bando colocou o homem novamente no porta-malas e seguiu pela rodovia estadual. Alguns dos bandidos pegaram o carro da vítima e foram até a loja recolher as mercadorias, carregando quase tudo: relógios, correntes de ouro e outras joias.

– O prejuízo, segundo o proprietário, foi de mais de R$ 400 mil. Os criminosos ainda levaram uma CPU com todas as imagens de segurança. – informou o delegado Luis Firmino, que atendeu a ocorrência.

Vizinhos da loja notaram a movimentação do bando

Segundo depoimentos, um vizinho da joalheira chegou a notar a movimentação no estabelecimento entre meia-noite e 1h30min, mas não deu importância porque viu que o carro na rua era do proprietário. Em depoimento, a vítima disse que só foi libertada pelos bandidos por volta das 3h, com ferimentos nos punhos provocados pelas tentativas de se desvencilhar das cordas.

O empresário foi libertado a pé em Ivoti e procurou ajuda da Brigada Militar. De lá, foi deslocado para Taquara, onde são atendidos os crimes da região durante o final de semana, na Delegacia de Pronto Atendimento. A investigação deve ficar a cargo da delegacia de Parobé, onde ocorreu o crime. Os bandidos e o carro da vítima não haviam sido localizados pela polícia até a noite de ontem.


PORTO ALEGRE - EXECUÇÃO NA CAPITAL. Dois mortos a tiros na Vila Cruzeiro

Dois homens foram executados a tiros pouco depois das 5h de ontem na Vila Cruzeiro, em Porto Alegre. Segundo informações da Polícia Militar, o crime ocorreu no Acesso B da Rua Dona Otília e levou à prisão de dois suspeitos armados, que foram encaminhados ao Palácio da Polícia.´


NOVO HAMBURGO. Jovem é morto em ginásio de esportes
Mario Fernando Medina da Silva, 25 anos, foi morto com cinco tiros – quatro deles na cabeça – por volta das 21h de sábado na Avenida Pedro Adams Filho, em Novo Hamburgo, dentro de um ginásio de esportes. A suspeita é de que ele tenha sido vítima de um acerto de contas.


domingo, 22 de setembro de 2013

GUERRA URBANA NA CAPITAL GAÚCHA


ZERO HORA 22 de setembro de 2013 | N° 17561

JOSÉ LUÍS COSTA 

GUERRA URBANA. Na hora e no lugar errados

Entre as 240 vítimas de homicídios na Capital até agosto, muitas não tinham relação com o crime e morreram de graça



A pipoca espocava no microondas, enquanto a cerveja gelava no freezer, a poucos metros da TV ligada, à espera do desfile da escola de samba do bairro.

Eram 23h30min de 9 de fevereiro, na Restinga, zona sul da Capital, e a morte rondava a casa de Luciano Trindade da Rosa.

Tudo indicava um sábado de Carnaval tranquilo. A água recém havia voltado às torneiras de casa, e o gráfico, de 34 anos, aproveitou para encher a piscina plástica, na parte da frente do pátio. Preparava o terreno para curtir a manhã de sol do dia seguinte com a irmã e os sobrinhos. Mas Luciano só tinha alguns segundos de vida. Em frente ao portão, um homem armado de revólver tentou matar outro em razão de uma desavença por drogas. E um dos tiros acertou em cheio a testa de Luciano.

O criminoso desapareceu em uma moto, o desafeto fugiu, ferido, e Luciano tombou ao lado dos quatro cães de estimação. Desesperados, eles latiram sem parar. Um subiu no peito do dono e não deixou ninguém se aproximar.

Luciano nada tinha a ver com crimes. Mas foi vítima de uma guerra silenciosa que ocorre na Capital, quase imperceptível para a maioria dos 1,4 milhão de porto-alegrenses. O assassinato de Luciano emerge de um levantamento produzido a partir de reportagens de Zero Hora e Diário Gaúcho. Foram analisados 240 homicídios ocorridos nos oito primeiros meses do ano na Capital – média de 30 por mês (um por dia). Não foram considerados no levantamento latrocínios (quando a vítima é morta em roubo).

A pesquisa ressalta como regiões mais sangrentas as periferias nos extremos da cidade – bairros Rubem Berta, Mario Quintana e Sarandi, na Zona Norte, e Restinga, na Zona Sul – e áreas tradicionalmente conflagradas, como o Morro Santa Tereza.

Tráfico é responsável por nove em cada 10 assassinatos

O levantamento aponta que os cinco bairros concentram um terço de todas as mortes registradas no período na Capital. E revela uma tendência preocupante. A matança comandada por traficantes é cada vez mais expressiva – segundo estimativas de autoridades, os pistoleiros do tráfico são responsáveis por nove em cada 10 homicídios registrados em Porto Alegre.

Costuma-se dizer que o perfil de quem mata é igual ao de quem morre: aliados que se rebelam para controlar bocas de fumo, quadrilheiros rivais e clientes que não pagam dívidas. Mas, nesse meio, também existem vítimas de verdade – inocentes, como Luciano. Assim, a violência que cala inimigos também acaba sendo a mesma que silencia quem nada tem a ver com as disputas entre traficantes. Cidadão pacato, Luciano jamais entrou em uma delegacia de polícia, nem para registrar uma perda de documento.

– Solteiro, sem filhos, a vida dele era trabalhar e cuidar dos cachorros. Estamos muito revoltados. É difícil aceitar. Queremos justiça – desabafa Fabiana Trindade da Rosa, 37 anos, irmã e colega de trabalho de Luciano.

Um suspeito foi preso dias depois, trocando tiros com policiais, quase no mesmo lugar. Envolvido em assalto e tráfico, portava um revólver cuja perícia comprovou se tratar da mesma arma que matou Luciano.


Jovem morto ao pisar em território proibido

Outro caso chocante ocorreu 10 dias antes da morte de Luciano. Marlon Padilha, 15 anos, foi morto porque não podia por os pés no Beco Cecília Monza, controlado por uma facção rival da que comandava a região onde morava. Ao lado de um amigo, o jovem – sem passagens pela polícia – recuou após ser alertado da “invasão territorial”, deu alguns passos de volta, mas mesmo assim, foi executado com um tiro na nuca.

Em março, na Vila Funil, bairro Tristeza, Cristiano da Cruz, 32 anos, trabalhador em uma empresa de limpeza, foi morto a tiros por três homens a mando de um presidiário. O “pecado” que custou a vida de Cristiano: comprou uma casa que pertencia ao traficante expulso da vila.

Na Zona Norte, a batalha de quadrilhas já levou, por duas vezes, terror a pacientes, médicos e enfermeiros dos hospitais Cristo Redentor e Conceição – cenários de uma execução e de uma tentativa de homicídio, que se consumou na rua dias depois. Confrontos nos bairros Mario Quintana e Protásio Alves – em especial, entre gangues da Chácara da Fumaça e da Vila Laranjeiras –, já somam 23 mortes no ano. Em abril, passageiros de um ônibus ficaram em estado de choque ao testemunhar a execução de um homem a tiros. E, em junho, moradores foram expulsos de casa e três moradias acabaram incendiadas.


Sinal de alerta na Restinga


O garçom de Viamão André Luis dos Santos Leal, 24 anos, comprou buquê de flores e contratou, por pelo menos três vezes, serviço de telemensagem para uma ex-namorada, na tentativa de reconquistá-la.

Na última vez, em 30 de julho, não encontrou a mulher, foi perseguido e executado com cinco tiros dentro do carro de som. O motivo: a insistência da homenagem estaria “chateando” traficantes da vizinhança.

– Morreu por amar demais – acredita o delegado Gabriel Bicca, da 4ª Delegacia de Homícidios e Proteção a Pessoa, responsável pela investigação do caso.

Na Restinga, assim como nos bairros Rubem Berta, Santa Tereza e Lomba do Pinheiro, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) desenvolve o programa Território da Paz, iniciativa que visa a frear a violência com ações policiais e projetos sociais.

Conforme dados oficiais, os assassinatos nos quatro bairros caíram desde que o projeto foi criado, em setembro de 2011. Nos primeiros oito meses de 2013, a redução foi de 12,5% (de 80 para 70) em relação ao mesmo período de 2012. Mas, na Restinga, os crimes subiram (de 15 para 22). Para o sociólogo Juan Mario Fandino, membro do Núcleo de Estudos sobre violência da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), as mortes acontecem porque os traficantes são menos suscetíveis à presença policial.

– A criminalidade entre gangues é endógena. Elas se matam e acertam contas de qualquer modo.

Bandidos que saem da cadeia tentam recuperar terreno

Conforme o secretário estadual de Segurança Pública, Airton Michels, a polícia está atenta ao caso da Restinga:

– Lá, existem grupos que se enfrentam há anos. Uns saem da cadeia e voltam para tentar retomar seus pontos. Detectamos essas disputas e estamos agindo, capturando foragidos, apreendendo armas. Em setembro, o número de homicídios vai reduzir na Restinga.


OS BAIRROS MAIS VIOLENTOS
Com a Restinga, outras quatro regiões concentram 36,2% dos homicídios na Capital
RUBEM BERTA
 - População: 87,3 mil
- Renda média mensal por domicílio: 4,05 salários mínimos
- 22 assassinatos
- Localizado na Zona Norte, é o bairro mais populoso de Porto Alegre. Desde meados da década passada, o Rubem Berta convive com a desagradável fama de região mais violenta da Capital, ao assumir a liderança no ranking de homicídios na cidade. Também é um dos recordistas nos levantamentos de roubo e furto de veículos.
MARIO QUINTANA
- População: 27,7 mil
- Renda média mensal por domicílio: 2,45 salários mínimos
- 15 assassinatos
- Oficializado em 1998, é um dos bairros mais novos e também um dos mais pobres de Porto Alegre. A renda média é 14 vezes menor do que no bairro Bela Vista, por exemplo. A região é formada por condomínios populares e ocupações no limite com os municípios vizinhos Alvorada e Viamão.
SANTA TEREZA
- População: 47,1 mil
- Renda média mensal por domicílio: 78 salários mínimos
- 14 assassinatos
- O Morro Santa Tereza é alvo da ocupação urbana desordenada, em uma área da cidade considerada nobre. O movimento resultou no crescimento da Vila Cruzeiro, um conjunto de comunidades situadas em torno do Santa Tereza. O local tem vista privilegiada da cidade e do Guaíba, mas a visitação é perigosa por causa de tiroteios entre traficantes e risco de assaltos.
SARANDI
- População: 59,7 mil
- Renda mensal por domicílio: 5 salários mínimos
- 14 assassinatos
- Vizinho do Rubem Berta, o bairro enfrenta problemas semelhantes, como a expansão de comunidades carentes. Em razão de vias de acesso fácil à freeway (Assis Brasil) e a saídas para cidades vizinhas como Canoas (freeway e Assis Brasil) Cachoeirinha e Gravataí (freeway e Assis Brasil) e Alvorada (Baltazar de Oliveira Garcia), é, também, campeão em roubo de carros.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

EXECUÇÃO E INSEGURANÇA

ZERO HORA 19 de setembro de 2013 | N° 17558

ALVORADA. Homem executado com tiro de 12

A movimentação na Rua Raquel Wolff, bairro Jardim Aparecida, em Alvorada, não inibiu a ação de um matador ontem à tarde. Com um tiro de calibre 12, no rosto, ele executou Gilmar Pires da Silva.Para os investigadores da 1ª DP de Alvorada, o crime provavelmente tenha sido a vingança por outro homicídio ocorrido no domingo.

Conforme testemunhas, dois homens se aproximaram de Gilmar por volta das 15h, enquanto ele vendia uma máquina de sorvete a um morador local.


SAPUCAIA DO SUL - Família mantida refém por bandidos

A polícia trabalha na identificação de seis homens que mantiveram uma família refém dentro de casa por cinco horas, na terça-feira, em Sapucaia do Sul. Por volta das 20h, o casal de 37 anos e os três filhos – de seis, oito e 16 anos – foram surpreendidos quando chegavam em casa, em uma Blazer.

Todos foram mantidos amarrados e amordaçados no quarto da adolescente. Conforme o relato das vítimas, os bandidos exigiam dinheiro e joias. Antes de entregar os valores que tinha, o dono da casa teria sido agredido com coronhadas na cabeça.


ALVORADA - Roubos preocupam moradores de loteamento


Grades nas janelas, nas portas, nos portões e até nos aparelhos de ar-condicionado. É assim que os moradores do Loteamento Porto Verde, no bairro Jardim Algarve, em Alvorada, tentam se proteger dos arrombadores. Mas parece que nem as grades têm sido suficientes.

No início do mês, uma casa da Rua Corujas foi alvo dos ladrões. Os bandidos quebraram o motor do portão eletrônico, arrebentaram o marco da porta e levaram o que puderam. Inclusive uma máquina de lavar roupas.

– Tenho grade e já tive a casa arrombada duas vezes – conta o vizinho da frente, o técnico em automação Lidiano José Silva de Jesus, 40 anos.

Há seis anos residindo no Porto Verde, ele conta que os bandidos se aproveitam que grande parte dos moradores trabalha fora durante o dia e retorna para casa tarde, deixando os imóveis vulneráveis aos criminosos.

Na mesma quadra em que ele reside, um casal acompanhava a instalação das grades na casa recém-construída. Moradores do bairro Salomé, em Alvorada, o aposentado José Ademir Rodrigues Campos, 60 anos, e a professora Ione Müller Rodrigues, 57 anos, esperavam pela colocação das barras de ferro nas seis janelas e nas duas portas da casa.

– Só não nos mudamos ainda esperando pelas grades – diz Ione.

“Tentamos entender o porquê de tantos furtos”, diz delegada

No final da Rua Corujas, outro morador conta que os arrombamentos no loteamento têm sido frequentes. Por medo, ele não deixa mais a casa sozinha. Quando sai, deixa um familiar cuidando e, mesmo com grades no portão e nas janelas, pensa em fazer um seguro para se precaver.

Durante mais de uma hora, ontem, a titular da 2ª DP, delegada Fabiana Borges Kleine, reuniu-se com moradores do loteamento.

– Chamamos o pessoal da Associação de Moradores para conversar. Trocamos informações e traçamos metas. Realmente, para um bairro não tão grande, chama a atenção a quantidade de casos. Ainda estamos tentando entender o porquê de tantos furtos e arrombamentos – admitiu a agente.

A delegada não divulgou a quantidade de crimes registrados, mas admitiu que a polícia sequer fica sabendo de alguns casos.

– Pedimos para registrarem todos e nos avisarem sobre qualquer movimentação suspeita. Estamos com alguns procedimentos em andamento. Vamos continuar fazendo diligências e buscar dados para confrontar com os que temos – resumiu.

CAROLINA ROCHA


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

VIGILANTE É BALEADO DURANTE ASSALTO A AREEIRA

CORREIO DO POVO 18/09/2013 08:54

Vigilante é baleado durante assalto a areeira em Santa Maria. Criminosos chegaram de motocicleta ao local que fica às margens da BR 392



Uma areeira foi assaltada na noite dessa terça-feira em Santa Maria, na região Central do Estado. De acordo com a Brigada Militar (BM), dois homens armados chegaram ao local, que fica às margens da rodovia BR 392, no Passo do Arenal, e dispararam contra o segurança. Depois, eles entraram no escritório da empresa.

A moto usada pela dupla foi localizada cerca de meia hora depois nas proximidades. O veículo possuía ocorrência de furto. O vigia informou à BM que um deles estava com um colete à prova de balas.

A vítima, de 55 anos, foi atingida de raspão no abdômen, encaminhada ao Pronto Atendimento do bairro Patronato, e já foi liberado.


Fonte: Dico Reis / Rádio Guaíba

terça-feira, 17 de setembro de 2013

MORRE AO REAGIR, MAS MATA BANDIDO DO SEMI-ABERTO



ZERO HORA 17 de setembro de 2013 | N° 17556

REAÇÃO A ASSALTO

Empresário mata ladrão, mas acaba morrendo



Um empresário reagiu e matou um criminoso durante um assalto, mas, baleado, também acabou morrendo. O caso aconteceu em Santo Antônio da Patrulha, no Litoral Norte, na noite de sábado.

Dono da transportadora Trans Coelho, Sidnei Coelho Rodrigues jantava com a mulher e os filhos às 22h, quando pelo menos três homens invadiram a casa após arrombarem a porta. O trio anunciou o assalto, exigindo dinheiro.

A seguir, os criminosos mandaram que as vítimas deitassem no chão. Neste momento, houve um descuido por parte de um dos assaltantes, e o empresário conseguiu tomar a arma dele, dando início a um tiroteio.

Um dos bandidos, identificado pela Polícia Civil como o apenado do regime semiaberto Maison Weyh Silva, 24 anos, caiu morto. Rodrigues também foi baleado. Levado ao Hospital de Osório, o empresário não resistiu aos ferimentos e morreu. Os outros criminosos conseguiram escapar. Ninguém mais ficou ferido.

No local, a polícia encontrou dois revólveres calibre 38. O delegado Peterson Benitez disse que há suspeita de que um quarto criminoso esteja envolvido – ele estaria aguardando o término da ação do grupo em um carro nas proximidades.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

ROCK IN RIO TEM 300 OCORRÊNCIAS POLICIAIS NO PRIMEIRO FIM DE SEMANA



Pessoa foi presa em flagrante por furto. Vítimas podem registrar casos em cinco postos da Polícia Civil. Procon autou organização e empresas que atuam no festival

O GLOBO
Atualizado:16/09/13 - 15h09

Grupo de Manaus relata furtos aos policiais, mas não registra ocorrência Gustavo Stephan / O Globo


RIO - Durante os três primeiros dias do Rock in Rio foram registrados 300 boletins de ocorrência nas cinco postos da Polícia Civil da área e uma pessoa foi presa em flagrante por furto. De acordo com a Polícia Civil, foram 254 furtos, dez roubos e nove extravios de documentos na sexta, sábado e domingo, além de seis pessoas autuadas por lesão corporal e quatro por desacato.

As vítimas puderam comunicar os casos na Delegacia Móvel, instalada dentro do Riocentro, ou no posto interno da Polícia Civil na Cidade do Rock. O público também pôde registrar as ocorrências nas delegacias da área – 16ª DP (Barra da Tijuca), 32ª DP (Taquara) e 42ª DP (Recreio) – ou em qualquer unidade que preferissem.

Mas nem todos os furtos são registrados na Polícia Civil pelas pessoas. Um grupo de turistas de Manaus teve os celulares furtados em três momentos diferentes, primeiro no Terminal Alvorada, depois no interior da Cidade do Rock e o último na saída do festival.

- Vai adiantar? É impossível recuperarem o meu celular - disse Rafael de Souza Sá, que teve seu Samsung Galaxy S4 tirado de dentro da mochila.

Ao total, são 910 agentes trabalhando durante todo o festival, divididos em turnos. Doze postos de atendimento ao público estão em funcionamento na parte de fora da Cidade do Rock e três na parte interna. A Delegacia Móvel está integrada a cinco contêineres: um da perícia médica e química, outro da perícia de documentos e Setor de Identificação Policial (SIP), o do Instituto de Identificação Félix Pacheco (IIFP) – para a identificação de pessoas encaminhadas para averiguação -, o da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) e o dos flagrantes. O trabalho é feito em conjunto com o Juizado Especial do Torcedor e Grandes Eventos, do Tribunal de Justiça.

Procon-RJ multa organização do Rock in Rio

Durante os primeiros dias festival, o Procon-RJ multou a organização do Rock in Rio e empresas que atuam na Cidade do Rock por diversos tipos de irregularidades. Os fiscais interditaram um banheiro com vazamento, que acarretou em uma poça de urina e fezes nos fundos de uma das lanchonetes do Bob's. Ambulantes da empresa Two East foram flagrados vendendo comidas e bebidas por preços mais caros do que constava na tabela estampada na roupa que vestiam. Já a Coca-Cola Clothing estava com mercadorias expostas na vitrine sem o preço e foi autuada por isso.

Já outros problemas foram solucionados no local, como a troca de cartelas de comida e bebida nas lanchonetes do Bob’s, a dificuldade de acesso para os cadeirantes e um grupo que não conseguia trocar o pacote da CVC pela entrada. Caso as pessoas formalizem a reclamação, a Real Auto Ônibus será multada por vender passagens a dois preços diferentes. Os fiscais e agentes do Procon-RJ estarão durante todos os dias do festival fiscalizando e atendendo às reclamações dos espectadores. O estande do Procon-RJ está localizado em frente a entrada da Cidade do Rock.

TEORIA DAS JANELAS PARTIDAS


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Há alguns anos, a Universidade de Stanford (EUA), realizou uma experiência de psicologia social. Deixou duas viaturas idênticas, da mesma marca, modelo e até cor, abandonadas na via pública. Uma no Bronx, zona pobre e conflituosa de Nova York e a outra em Palo Alto, uma zona rica e tranquila da Califórnia. Duas viaturas idênticas abandonadas, dois bairros com populações muito diferentes e uma equipe de especialistas em psicologia social estudando as condutas das pessoas em cada local.
Resultou que a viatura abandonada em Bronx começou a ser vandalizada em poucas horas. Perdeu as rodas, o motor, os espelhos, o rádio, etc. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram.Contrariamente, a viatura abandonada em Palo Alto manteve-se intacta.
Mas a experiência em questão não terminou aí. Quando a viatura abandonada em Bronx já estava desfeita e a de Palo Alto estava há uma semana impecável, os pesquisadores partiram um vidro do automóvel de Palo Alto. O resultado foi que se desencadeou o mesmo processo que o de Bronx, e o roubo, a violência e o vandalismo reduziram o veículo ao mesmo estado que o do bairro pobre. Por quê que o vidro partido na viatura abandonada num bairro supostamente seguro, é capaz de disparar todo um processo delituoso? Evidentemente, não é devido à pobreza, é algo que tem que ver com a psicologia humana e com as relações sociais.
Um vidro partido numa viatura abandonada transmite uma idéia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação. Faz quebrar os códigos de convivência, como de ausência de lei, de normas, de regras. Induz ao “vale-tudo”. Cada novo ataque que a viatura so fre reafirma e multiplica essa idéia, até que a escalada de atos cada vez piores, se torna incontrolável, desembocando numa violência irracional.
Baseados nessa experiência, foi desenvolvida a ‘Teoria das Janelas Partidas’, que conclui que o delito é maior nas zonas onde o descuido, a sujeira, a desordem e o maltrato são maiores. Se se parte um vidro de uma janela de um edifício e ninguém o repara, muito rapidamente estarão partidos todos os demais. Se uma comunidade exibe sinais de deterioração e isto parece não importar a ninguém, então ali se gerará o delito.
Se se cometem ‘pequenas faltas’ (estacionar em lugar proibido, exceder o limite de velocidade ou passar com o sinal vermelho) e as mesmas não são sancionadas, então começam as faltas maiores e delitos cada vez mais graves.Se se permitem atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento será de maior violência quando estas pesso as forem adultas.
Se os parques e outros espaços públicos deteriorados são progressivamente abandonados pela maioria das pessoas, estes mesmos espaços são progressivamente ocupados pelos delinquentes.
A Teoria das Janelas Partidas foi aplicada pela primeira vez em meados da década de 80 no metrô de Nova York, o qual se havia convertido no ponto mais perigoso da cidade. Começou-se por combater as pequenas transgressões: lixo jogado no chão das estações, alcoolismo entre o público, evasões ao pagamento de passagem, pequenos roubos e desordens. Os resultados foram evidentes. Começando pelo pequeno conseguiu-se fazer do metrô um lugar seguro.
Posteriormente, em 1994, Rudolph Giuliani, prefeito de Nova York, baseado na Teoria das Janelas Partidas e na experiência do metrô, impulsionou uma política de ‘Tolerância Zero’. A estratégia consistia em criar comunidades limpas e ordenadas, não permitindo transgressões à Lei e às norm as de convivência urbana. O resultado prático foi uma enorme redução de todos os índices criminais da cidade de Nova York.
A expressão ‘Tolerância Zero’ soa a uma espécie de solução autoritária e repressiva, mas o seu conceito principal é muito mais a prevenção e promoção de condições sociais de segurança. Não se trata de linchar o delinqüente, pois aos dos abusos de autoridade da polícia deve-se também aplicar-se a tolerância zero.
Não é tolerância zero em relação à pessoa que comete o delito, mas tolerância zero em relação ao próprio delito.Trata-se de criar comunidades limpas, ordenadas, respeitosas da lei e dos códigos básicos da convivência social humana.
Essa é uma teoria interessante e pode ser comprovada em nossa vida diária, seja em nosso bairro, na rua onde vivemos.
A tolerância zero colocou Nova York na lista das cidades seguras.
Esta teoria pode também explicar o que acontece aqui no Brasil com corrupção, impunidade, amoralidade, criminalidade, vandalismo, etc.
Reflita sobre isso!
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