SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

sábado, 30 de novembro de 2013

MULHER MORRE QUEIMADA

ZERO HORA 30/11/2013 | 12h28

Mulher morre queimada em Santa Cruz do Sul

Segundo a Brigada militar, ela foi abandonada em via pública, nua e em chamas



Uma mulher foi carbonizada no bairro Goiás, em Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo, no início da manhã deste sábado. Conforme integrantes da Brigada Militar, ela foi abandonada em via pública, nua e em chamas. Moradores tentaram apagar o fogo, mas a vítima não resistiu às queimaduras e morreu. A Polícia Civil chamou peritos, que estão em deslocamento desde Santa Maria, para realizar exames.

Até o início da tarde de sábado a vítima ainda não tinha sido identificada. A Polícia Civil, a partir de testemunhas, tem suspeitas de quem possa ser a mulher e até o autor. Há indícios de crime passional, mas nada está confirmado.

— Aparentemente ela foi largada no local, nua, e o assassino depois ateou fogo nela. Pelas descrições, ainda viva — descreve o escrivão Luciano Emerich, da Polícia Civil de Santa Cruz do Sul, que atendeu o caso.

O crime aconteceu na Rua Sete de Setembro, que é numa região central da cidade.

VIGIAS SÃO FEITOS REFÉNS EM ASSALTO À CAIXA ELETRÔNICO DE CLUBE

ZERO HORA ONLINE 30/11/2013 | 05h48

Vigias são feitos reféns em assalto à caixa eletrônico de clube em Porto Alegre. Funcionários ficaram presos na sala de segurança do local por mais de três horas


Foto: Dani Barcellos / Especial


Bandidos fizeram três vigias do Clube do Professor Gaúcho reféns por mais de três horas e arrombaram um caixa eletrônico na madrugada deste sábado, no bairro Ipanema, na zona sul de Porto Alegre. Segundo a administração do Clube, por volta da meia-noite, quando o vigilante que cuida da guarita fechava os portões, encerrando as atividades do local, foi abordado por um dos criminosos. Outros três comparsas chegaram em um Honda Civic e mobilizaram outros dois vigias que faziam a ronda no estabelecimento.

Os funcionários ficaram amarrados com fitas e trancados na sala da segurança, enquanto o bando usava um maçarico para abrir o terminal da Caixa Econômica Federal.

Um dos suspeitos vestiu a roupa de um dos vigias e assumiu a guarita para não levantar suspeitas. Eles fugiram levando dinheiro, cuja quantia não foi divulgada pela polícia, e as imagens das câmeras de segurança.

Elemar Ruchel, auxiliar administrativo do Clube, contou que foi acordado por um telefonema dos vigias, às 3h30min, quando conseguiram se desvencilhar das amarras e avisar à polícia.

— Fizeram tudo muito rápido. Aproveitaram que não tinha festa nenhuma no Clube. Isso é coisa de gente que conhece o local. Eles cortaram todos os fios e levaram a CPU que armazena as filmagens das câmeras de segurança — disse Ruchel.

Ninguém ficou ferido. Na fuga, os bandidos furtaram um Fiat Pálio de cor prata de um dos vigias que estava no estacionamento do clube e conseguiram escapar. O caso será investigado pela Polícia Federal.

Na manhã de sábado, dezenas de sócios e funcionários aguardavam pela abertura do clube, que estava isolado para o trabalho da perícia. O ingresso foi possível apenas pouco antes das 9h, cerca de 50 minutos depois do habitual.


ARRASTÃO NÃO É PROBLEMA SÓ DA POLÍCIA

REVISTA VEJA 21/11/2013 - 18:44

Rio de Janeiro. Para Beltrame, arrastão não é problema só da polícia

Secretário de Segurança do Rio afirma que outros órgãos públicos devem participar de ações contra furtos em série na orla. Entre os detidos na quarta-feira estão duas crianças de 10 anos



Um suspeito é detido por um policial nas areias da Praia de Ipanema, onde houve um arrastão nesta sexta-feira (Severino Silva/Ag. O Dia-15/11/2013)

A aproximação do verão traz mais um problema para as autoridades de segurança do Rio. Com as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) em crise, aumento nos homicídios e o já esperado fluxo de visitantes, a cidade teme pela volta dos arrastões na praia. Longe do mar, em um evento em Campinas (SP), o secretário José Mariano Beltrame afirmou, esta manhã, que o problema na faixa de areia não é exclusividade da polícia. A ajuda dos outros órgãos – ele não especifica quais – será necessária para evitar situações como a detenção de menores de idade. De acordo com a Polícia Civil, entre os detidos estão duas crianças de 10 anos de idade.

Em pelo menos duas ocasiões os cariocas reviveram o fantasma dos arrastões – o episódio não exatamente identificável, mas que supõe uma onda de furtos na areia e deflagra uma onda de pânico que se estende por toda a orla. Nos feriados da Proclamação da República e no Dia da Consciência Negra, na última quarta-feira, houve correria em Ipanema, no Leblon e em Copacabana. No último deles, doze pessoas foram detidas, e houve uma série de relatos de vítimas de roubo e furto.

A providência mais imediata da Secretaria de Segurança foi o anúncio de uma unidade móvel da Polícia Civil para registrar os casos, tentar identificar suspeitos e, assim, acelerar as investigações. A exemplo do que foi feito na Rocinha, onde os tiroteios voltaram a assustar moradores, a reação ao problema vem no formato de um anúncio de uma nova unidade – na favela também será criada uma delegacia.

É pouco provável, no entanto, que esse tipo de saída seja um alento para a população. Um dos motivos alegados para a criação da delegacia é o fato de muitas vítimas não registrarem os casos de furto, roubou ou agressão. A área em questão tem três delegacias, todas a duas quadras de distância da praia (12ª, 13ª e 14ª DPs).

REVISTA VEJA 20/11/2013 - 18:26

Dia de sol, de praia - e de novo arrastão no Rio de Janeiro. Pelo menos 12 pessoas foram detidas, a maioria menor de idade e por furtos



Praia do Arpoador (Gabriel de Paiva/Agência O Globo)

O feriado da Consciência Negra no Rio de Janeiro foi um brinde para quem estava de folga. Com os termômetros passando mais uma vez dos 30°C e um céu incrivelmente limpo, os banhistas lotaram as praias ao longo de todo o dia. O problema é que este também é o chamariz perfeito para ladrões, que se aproveitam da aglomeração de pessoas e guarda-sóis para praticar seus crimes e causar tumultos.

Novamente nesta quarta-feira, há relatos de furtos e roubos em sequência na orla da Zona Sul. Ao menos doze pessoas foram detidas, a maioria menor de idade, informou a Polícia Militar, que prefere não usar o termo "arrastão". A ação ocorreu entre as praias do Arpoador e de Ipanema, onde banhistas afirmam ter sido vítimas de um grupo de criminosos que passou tomando tudo o que via pela frente.

Casos como este têm se tornado tão frequentes, que a Polícia Civil decidiu montar uma delegacia móvel no Arpoador, a partir deste final de semana. A intenção é que a unidade funcione até o fim do verão. Nesta quinta, o local já teve a segurança reforçada pelo 23º Batalhão da Polícia Militar (Leblon), que montou uma tenda em plena areia - foram estes os agentes responsáveis pelas detenções.

Mais um caso - No feriado anterior, o da Independência, na sexta-feira passada, o pânico também tomou conta dos banhistas que aproveitavam o dia de sol e calor na altura do Posto 8. Como o local é frequentado por famílias, muitas mães se levantaram em pânico, recolhendo os filhos com medo do ataque. Policiais Militares e Guardas Municipais tentaram capturar os jovens, mas a maioria escapou por entre as barracas.

BARÃO DAS DROGAS DOMINA AS VIZINHANÇAS DO GALEÃO

REVISTA VEJA 30/11/2013 - 06:00

Crime. E tudo isso bem ao lado do Galeão

Quem dita as regras nas vizinhanças do aeroporto internacional do Rio é um barão das drogas que sustenta seu império com armamento pesado e corrupção policial

Leslie Leitão



PODEROSO CHEFÃO - Fernandinho Guarabu (de camisa listrada) e seu AK-47: "Igual ao do Bin Laden"

A Ilha do Governador já foi um bairro do Rio de Janeiro exaltado pela qualidade de vida. Sobre ele escreveram, com nostalgia, Vinicius de Moraes, que lá passou a infância nos anos 1920, e Rachel de Queiroz, que morou ali duas décadas depois. Uma ilhota bem ao lado sedia a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Outra, conhecida como Galeão, é a porta de entrada dos milhões de estrangeiros que chegam à cidade pelo Aeroporto Internacional Tom Jobim. Pois nessa área, onde residem 211 000 pessoas e circulam acadêmicos, estudantes e turistas, ainda hoje um reduto da classe média, quem manda e desmanda é um barão das drogas: Fernando Gomes de Freitas, 35 anos, um dos traficantes mais poderosos e sanguinários do Rio e o que há mais tempo escapa por entre os dedos da polícia - no dia 1º de dezembro faz uma década que ele se estabeleceu no comando. Temido, temperamental, sempre cercado de seguranças, Fernandinho Guarabu, seu nome de guerra, controla o transporte, o gás, a TV a cabo, os bailes funk, a religião e, claro, a vida e a morte nos seus domínios.

O conjunto de favelas colado ao segundo aeroporto mais importante do país é uma fortaleza patrulhada dia e noite por um exército armado com mais de 200 fuzis, granadas, coletes e até armamento antiaéreo plantado nos becos. Drogas são vendidas abertamente nas ruelas. O QG de Fernandinho fica no Complexo do Dendê, por onde ele perambula com seus carrões, joias e roupas de grife, dormindo cada noite em um lugar (tem sete filhos com sete mulheres) e brandindo sua arma favorita, o fuzil AK-47 - "igual ao do Bin Laden", como gosta de enfatizar. Nessa década de impunidade, colecionou catorze mandados de prisão por oito homicídios, além de tráfico de drogas, armas e extorsão. Jamais foi detido. Ele garante a liberdade na ponta da calculadora, num exemplo contundente de como a corrupção policial pode ser decisiva para a manutenção de um reinado de horror: o chefão do Dendê paga cerca de 300  000 reais por mês em propinas.

IMPUNIDADE - Bandido vestido para a guerra, com granadas, colete à prova de bala e metralhadora antiaérea (à esq.), e venda de drogas no meio da rua: território livre para o crime


​VEJA ouviu mais de uma dezena de policiais com passagem pela Ilha do Governador e deles obteve ampla confirmação do propinoduto. "Lá no batalhão a gente brinca que o Dendê é o Citibank", diz um sargento com quase uma década de experiência na área. "Os preços variam de 450 a 550 reais por dia de serviço no meio de semana, e até 1 000 no fim de semana, que é pra deixar o baile em paz", conta um soldado. Uma das mais espantosas investigações ainda em curso sobre a quadrilha indica a participação no esquema até mesmo de uma equipe do Bope, a tropa de elite carioca. Sai caro: 12 500 reais por plantão. Outra parte do pagamento vem em forma de mimos e favores. Certa vez, ao descobrir que um PM não estava conseguindo bancar a festa de 15 anos da filha, o chefão pagou a conta. Em outra ocasião, mandou entregar picanha e linguiça para um churrasco no batalhão, e assim manteve os policiais longe das ruas em um dia de ação mais ostensiva do tráfico.

Nas hostes das forças da ordem, Fernandinho conheceu aquele que é hoje um de seus homens de confiança: um ex-policial militar apelidado de Batoré, que, ainda na ativa, foi flagrado vendendo pistolas no Dendê, em 2006. Batoré acabou preso e expulso da corporação; mal saiu da cadeia, ganhou emprego fixo na favela. Por 8 000 reais semanais, administra o que parece ser o mais lucrativo negócio de Fernandinho depois das drogas e armas: o transporte alternativo. "Ele ganha dinheiro de tudo o que é comercializado dentro da ilha: varejo, máquinas caça-níqueis, mototaxistas, água, gás. Mas nada rende tanto quanto as vans e kombis", diz um inspetor da delegacia da área. Batoré dita as regras e os valores dos pedágios. "Pelo menos 600 motoristas estão pagando hoje para eles", calcula o proprietário de uma van, que também desembolsa a "taxa". Os preços semanais da extorsão variam entre 250 e 330 reais, que no fim somam cerca de 800 000 mensais. Quem se recusa a colaborar é punido com ações que vão do incêndio do veículo a sessões de tortura no morro. O conteúdo de conversas grampeadas pela polícia, às quais VEJA teve acesso, não deixa pairar dúvida sobre o pendor da gangue pela selvageria - "virar sereia", no vocabulário local, significa ter o corpo despejado na vizinha Baía de Guanabara - e sua promíscua relação com os homens da lei ("Sou parceiro", resume um agente).



LEI PRÓPRIA - No Dendê, ninguém usa capacete, para facilitar a identificação, e as vans pagam taxa: ameaças expostas em grampos



Certa aura de glamour envolve esse barão das drogas, que patrocina bailes funk capazes de atrair da Zona Sul ao Dendê, além de policiais, artistas, filhos de conselheiros do Tribunal de Contas, jovens de classe média e, claro, jogadores de futebol. Diego Souza e Vagner Love são frequentadores, mas o grande amigo de Fernandinho é outro ex-jogador rubro-negro, o atacante Lê. No último dia 20, Lê organizou uma festa-surpresa para comemorar o aniversário do chefão. A polícia acompanhou os preparativos sem mover um dedo. "Não é só por causa de propina que ele não é preso. Tem também a estatística", diz um delegado da cúpula da Polícia Civil. A estatística, no caso, é o declínio dos crimes comuns na região por ordem expressa do traficante, que, além disso, pratica um rasgado assistencialismo: dá gás, remédio, cesta básica, paga enterro, tudo para ter apoio dos moradores que mantém sob mãos de ferro. Nas cercanias do Dendê, o chefão atropela até os códigos de trânsito; nenhum motociclista deve usar capacete, para que possa ser identificado.

Os poucos policiais que já tentaram detê-lo sucumbiram à sua demonstração de força. Em 2012, o cabo Fabrício de Paula, de 39 anos, comandava uma equipe que insistia em combater o tráfico no Dendê e pagou caro por isso: o carro que dirigia foi alvejado por mais de vinte tiros de fuzil. Ele sobreviveu, mas teve o braço direito quase decepado. Sua cabeça, dizem os colegas, valia àquela altura 150 000 reais. A quadrilha não mede esforços para silenciar os inimigos. Às 3h10 da madrugada do dia 20 de junho de 2011, dez homens armados entraram em um hospital municipal a poucos quilômetros do Dendê e, sem encontrar resistência, levaram um paciente que dera entrada horas antes, ferido a bala. Resgate de comparsa? Nada disso. O rapaz filmou para a polícia a movimentação na favela. Fernandinho descobriu, mandou matá-lo, mas ele escapou ao cerco e procurou o hospital. Foi retirado de lá para ser executado.



SOCIEDADE - O parceiro Gil, que também dá ordens no Morro do Dendê (à esq.): há dez anos que a polícia faz vista grossa aos desmandos do bando


​O tráfico começou a se entranhar no cotidiano dos moradores da Ilha do Governador nos anos 1990. As disputas de território aterrorizaram a região até que, em 2003, Fernandinho tomou a bala o controle do Complexo do Dendê junto com o comparsa Gilberto de Oliveira, o Gil (também solto). "Quem manda aqui não é Fernandinho e Gil. É Jesus! O dono da favela são vocês, moradores. A gente só administra", já disparou o próprio Fernandinho diante da plateia de um abarrotado baile funk (o vídeo está no YouTube). O barão da Ilha confia tanto na impunidade que, há quatro anos, deu entrevista à revista americana New Yorker sobre o tráfico no Rio. Posou, inclusive, para foto no sofá da sala, com "Jesus Cristo" tatuado no antebraço direito. Sem aderir a nenhuma denominação, afirma "ter sido tocado pela palavra de Deus". Fechou terreiros de candomblé e umbanda e instalou alto­falantes por todo o complexo que transmitem uma oração ao cair da noite. Apaziguados os anseios espirituais, ele se sente mais à vontade para continuar fazendo o que faz há dez anos: vender drogas e armas, corromper policiais, explorar e achacar moradores e eliminar desafetos, informantes ou qualquer um que não reze pela cartilha criminosa em vigor na principal porta de entrada do Rio de Janeiro.

Ordem para castigar um motorista de van que desafiou o bando

TRAFICANTE - Faz um favor? Senta a mão na cara dele pra mim? Senta a mão bem dada, no meio da cara, e manda ele vir resolver aqui. Ele vai puxar faca pra quem aqui?
COORDENADOR DAS VANS - Não manda que eu faço mesmo...

TRAFICANTE - Eu tô te dando uma ordem. Senta a mão no meio da cara, pra ficar os cinco dedos. Pra todo mundo saber o motivo do tapa. E fala pra ele: "Vai lá em cima agora falar com quem tu quiser".

​Policial convence um dos capangas
de Fernandinho a não destruir sua van

PM - Quem tá falando é o dono da van que tá rodando o Edinho (motorista), se ligou na parada?
TRAFICANTE - Porra, que pressão, hein?!

PM - Irmão, não é pressão, não. Negócio é todo mundo trabalhar... Eu sou aqui do 17 (batalhão da região) também. Tá bom, meu parceiro.
TRAFICANTE - (...) Ninguém vai fazer nada com a tua van, não. Mas, se acontecer alguma coisa com ele, eu não quero nem saber. (...)

PM - Tranquilo, irmão. Tu me conhece, eu te conheço. É só pra tu ficar ligado e todo mundo trabalhar.




ESTRATÉGIAS PARA O ANO DA COPA


O SUL Porto Alegre, Sábado, 30 de Novembro de 2013.



WANDERLEY SOARES

Acordos dão frágil sustentação para os projetos da segurança pública



Não obstante os eufemismos dos discursos oficiais que mascaram, sem muito sucesso, o fato de que a segurança pública não tem condições de andar com as suas próprias pernas, o quadro deverá merecer, por muito tempo, atenção especial. Isto é o que faço, como um humilde marquês, aqui de minha torre, sem a pretensão de esgotar o tema, o que é, por ora, impossível. Hoje, entre outros dispositivos, a pasta da segurança busca se apoiar nas prefeituras para manter um projeto de policiamento ostensivo-preventivo dito permanente em áreas de grande risco, tanto na Capital como no interior. As prefeituras, por sua vez, chamadas a pagar o aluguel de casas para brigadianos, estão sem dinheiro para pagar o 13 salário de seus servidores. Fatalmente, o projeto de policiamento será parcial e o que vier a ser executado não tem perspectiva de continuidade. Sigam-me.


Acordos



Estes pedidos de ajuda, velados ou diretos, mudam de nome e funcionam durante algum tempo, mas a tendência é a de que não se solidifiquem. Houve o período dos Consepros (Conselhos pró-segurança) que funcionavam em alguns municípios do interior e em bairros da Capital e Região Metropolitana. Delegacias eram reformadas e reequipadas, combustível não faltava, tanto a Brigada como a Polícia Civil ganhavam esta cobertura. Mas em pouco tempo não se sabia se quem mandava nos órgãos policiais, se eram os funcionários da segurança pública ou os empresários que, tinham, evidentemente, tratamento privilegiado em suas áreas de negócios. Hoje, não sem raridade, há ainda acordos com empresários e, especialmente, com oficinas mecânicas. Paralelamente a isso, há a questão dos bicos cuja discussão chega a ser um tabu na cúpula das organizações policiais. Nesta moldura estão em elaboração as estratégias da segurança pública para o ano da Copa.


Taurus com nova credencial


A Forjas Taurus foi credenciada, quinta-feira última, como EED (Empresa Estratégica de Defesa) em cerimônia realizada em Brasília, pelo Ministério da Defesa. A Taurus postulava este título que lhe permitirá integrar o seleto grupo que têm direito ao Retid (Regime Especial Tributário para a Indústria de Defesa), programa que vai estimular o Setor de Defesa e Segurança brasileiro. Na prática, isso quer dizer que a Taurus terá direito a reduções de alíquotas de impostos e está credenciada a participar do Programa de Reaparelhamento das Forças Armadas, que irá reequipar o Exército, a Marinha e a Aeronáutica nos próximos anos. Esse credenciamento permite à Taurus trazer parte desta verba para a economia do Estado.


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

BANDO ARMADO DE FACÃO ATACA ÔNIBUS E AGRIDE PASSAGEIROS

ZERO HORA ONLINE 29/11/2013 | 13h53

Violência urbana
Homens armados com facão invadem ônibus e agridem passageiros em Santa Maria. Vítimas estão no Pronto-Atendimento da Tancredo Neves


Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS


Michelle Teixeira e Manuela Vasconcellos


Um ônibus da Expresso Medianeira, que faz a rota circular na Zona Oeste, em Santa Maria, foi atacado por 10 homens armados com facões, por volta das 12h30min nesta sexta-feira. O crime teria acontecido quando o veículo parou em frente à Escola Augusto Ruschi, na Santa Marta.

Conforme testemunhas, eles teriam entrado no coletivo, que estava lotado, e passado a agredir os passageiros indiscriminadamente. As vítimas ficaram bastante machucadas e foram levadas para o Pronto Atendimento (PA) da Tancredo Neves.

Segundo informações de uma funcionária da unidade de saúde. O ônibus também ficou danificado. Conforme a funcionária, nenhuma das vítimas está em estado grave. Uma viatura da Brigada Militar estava se deslocando para o local por volta das 12h40min.

O gerente de tráfego da Expresso Medianeira, João Vicente, conta que o ônibus está sendo levado para a garagem da empresa.

- Além da briga, há a informação de que alguém foi cortado. Eles (bandidos) fugiram e ninguém sabe quem é. A Brigada Militar foi acionada - explica Vicente.


DIÁRIO DE SANTA MARIA

COMERCIANTE SUSPEITO DE LIDERAR BANDO

ZERO HORA 29 de novembro de 2013 | N° 17629

ROBERTO AZAMBUJA

ROUBO DE VEÍCULOS. Dono de desmanche foi preso, na manhã de ontem, com quadrilha que atua na Região Metropolitana


Protegido pela legalidade da empresa de comércio de autopeças que possui na zona leste de Porto Alegre, Carlos Rayan Filho, o Carlinhos, é suspeito de comandar um esquema de furto, roubo, receptação e clonagem de veículos na Região Metropolitana.

Ontem, uma operação coordenada pela Delegacia de Roubo de Veículos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) prendeu Carlinhos e mais 27 pessoas em cinco cidades da Grande Porto Alegre e em Santa Catarina. Conforme a polícia, o grupo teria envolvimento no roubo ou na receptação de uma centena de carros em oito meses – alguns avaliados em R$ 80 mil.

A Operação Ponto Final teve início em março, quando dois integrantes da quadrilha foram presos no bairro Passo da Pedras, em Porto Alegre. Desde então, a polícia iniciou um trabalho de identificação de cada membro e suas funções dentro do bando.

Por meio de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, os delegados Juliano Ferreira e Arthur Raldi apuraram que os criminosos roubavam carros sob encomenda. Em alguns casos, o grupo já tinha documentos falsos do veículo e os ladrões precisavam apenas vasculhar o modelo idêntico nas ruas. Os encontros eram realizados em postos de combustíveis.

Em depoimento prestado no Deic, na tarde de ontem, Carlinhos, negou envolvimento com receptação de veículos na zona leste de Porto Alegre. Durante as ações, os assaltantes usavam radiocomunicadores na frequência da Brigada Militar e montavam falsas blitze utilizando, até mesmo, giroflex característicos de viaturas da polícia.

Além disso, os investigadores identificaram um novo método: o controlezinho. Após encontrar os veículos encomendados, os ladrões ficam próximos, escondidos, e esperam o condutor deixar o carro. Quando ele aciona o alarme, um dispositivo capta a frequência do controle verdadeiro e os assaltantes conseguem entrar no automóvel sem levantar suspeitas.


Um líder temido pelos criminosos


Carlos Rayan Filho, 45 anos, dono de um desmanche de veículos na Avenida Protásio Alves, em Porto Alegre, é apontado pela Polícia Civil como um dos três líderes da quadrilha desarticulada ontem. Muito mais do que influente, os delegados afirmam que sua figura amedrontava os comparsas.

Em 15 mil horas de escutas, a Polícia Civil levantou indícios que reforçam a influência de Carlinhos dentro do bando. Segundo o titular da Delegacia de Roubo de Veículos, delegado Juliano Ferreira, os criminosos dizem, nas interceptações, que o chefe é perigoso e não pode ser desobedecido. Os membros do grupo comentavam ainda que uma pessoa chegou a ser ameaçada de morte por desrespeitar o líder.

– É com certeza um dos grandes receptadores do Estado e amedrontava os próprios parceiros. Com a operação, certamente daremos um ponto final nessa grande quadrilha – reforça Ferreira.




quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A DISPUTA NO PORTO

ZERO HORA 28 de novembro de 2013 | N° 17628


CARLOS WAGNER E JÚLIA OTERO | RIO GRANDE

Polícia prende grupo que ameaçava concorrentes


Presidente do sindicato dos transportadores de Rio Grande foi detido ontem na Operação Passe Livre




Os ninjas do Quaresma. Assim é conhecido o grupo de 10 homens contratados pelo presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Bens de Rio Grande (Sindicam), Paulo Ricardo Quaresma, para espancar pessoas, fechar estradas e atear fogo em caminhões. Ontem, o líder e quatro integrantes do Sindicam foram presos preventivamente na Operação Passe Livre, que mobilizou 140 agentes da Polícia Civil, em Rio Grande.

Conforme a investigação, Quaresma estaria envolvido, há mais de uma década, em uma disputa com empresas pela exclusividade no transporte de cargas no Superporto de Rio Grande. Para intimidar concorrentes, conforme a polícia, o grupo queimava caminhões, ameaçava motoristas e disparava contra veículos particulares. Segundo a investigação, a origem de tudo está em um pequeno grupo que supostamente monopoliza o serviço de transporte de cargas interno e externo e intimida possíveis novos interessados no terminal. O grupo seria liderado pelo Sindicam.

Segundo a polícia, Quaresma, se dizendo defensor da categoria, acabaria coordenando ações para que, no transporte interno, somente os sindicalizados tenham trabalho – e não oferece qualquer benefício em troca.

– Na verdade, os caminhoneiros que querem trabalhar no transporte interno têm de se sindicalizar. Em contrapartida, o sindicato não dá nada: nenhum benefício de saúde, de assistência, apenas permite que se trabalhe. E ainda cobra conforme a quantidade de carga. É como um pedágio. De fato, há um funcionário que fica com um taco de beisebol vigiando quem está trabalhando. Temos ocorrência dele de ter agredido funcionários e quebrado veículos – afirma o delegado Rafael Patela.

O funcionário do sindicato em questão é Amaro Fernandes Delgado, 44 anos, conhecido como Esticadinho, que também foi preso ontem. Ele seria o mais temido dos ninjas.

No ano passado, Delgado esteve com o gerente de uma transportadora – o nome é omitido a pedido da empresa – que carregava contêineres entre o porto e os depósitos das empresas. Ele avisou que o Sindicam não permitiria mais o serviço. Os dois discutiram. Delgado pegou um taco de beisebol e agrediu o gerente, que ficou ferido em um dos rins.

Em 2009, ZH entrevistou Quaresma sobre o modo de agir do sindicato. Ele disse que a única arma utilizada para impor a sua vontade era a greve. Na ocasião, já existiam boatos de agressões cometidas por grupos vinculados ao sindicato. O medo fez com que as vítimas desistissem de depor na polícia. Na oportunidade, Quaresma garantiu que eram apenas boatos. E que os poucos processos na Justiça não conseguiram provar o envolvimento do Sindicam.

Polícia analisará documentos e espera receber denúncias

O delegado Patela disse acreditar que agora, com a prisão, as pessoas fiquem mais tranquilas para denunciar.

Os próximos passos da polícia serão analisar a documentação recolhida na casa dos suspeitos e no sindicato e receber novas denúncias. Quaresma e os quatro funcionários poderão responder por formação de quadrilha, extorsão, incêndio criminoso, lesão corporal e lavagem de dinheiro.

Entre as apreensões de ontem, foram encontradas três carteiras de motorista em produção em uma das sedes do sindicato. Eram fotos recortadas e cópias de carteiras. O material será analisado pela perícia. A suspeita é de que as CNHs falsas fossem usadas para os associados que estivessem com problemas na documentação. No Sindicam, ninguém quis se manifestar.


“Aguentamos até onde deu”

Entrevista com Gilberto Gedion Gollo, diretor da operadora portuária Trust Express Ltda.



Zero Hora – Qual é sua opinião a respeito do sistema de transporte do porto de Rio Grande?

Gilberto Gedion Gollo – Na verdade, há um cerco, uma proteção onde não se permite que empresas de fora operem. Nós tivemos um prejuízo de mais de R$ 500 mil. Foram três caminhões queimados, e um deles novo valia R$ 250 mil. Tem vídeo do pessoal do sindicato botando fogo no caminhão. Tive funcionários com a vida ameaçada, caminhões com tiros na lateral.

ZH – E tudo isso por quê?

Gollo – Porque não queriam que a gente operasse lá. Nós aguentamos até onde deu. Retiramos frota própria do Rio Grande do Sul por conta de ameaças. Agora, estamos trabalhando só com terceiros.

ZH – A situação o desmotiva a trabalhar no Estado?

Gollo – Totalmente. Eu comecei com 10 caminhões, poderia estar com 50 hoje, mas meus investimentos foram para outros locais, onde há mais segurança. A gente opera no Ceará, em Fortaleza, em São Luiz do Maranhão, na Bahia e em Recife. Lá vale a livre concorrência.

ENTENDA O CASO

- Em 10 anos, foram mais de 60 ocorrências no Superporto, envolvendo caminhoneiros com veículos queimados, motoristas ameaçados em casa e disparos contra os automóveis.

- A polícia acredita que quem está por trás dos ataques é o Sindicato dos Transportadores Autônomos de bens de Rio Grande por três motivos: seria o único beneficiado com o monopólio de transporte de carga, porque há provas com gravações telefônicas e vídeos que mostram o envolvimento dos suspeitos e porque há um ganho de patrimônio do presidente do sindicato, Paulo Quaresma, desproporcional ao seu salário de R$ 6 mil. Ele tem uma casa avaliada em R$ 1 milhão, além de aparecer em carros de luxo: Camaro, Jetta, S10, Frontier, moto Hayabusa

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

ESTATÍSTICAS VITAIS


FOLHA.COM 27/11/2013 - 03h00


Editorial:



Ninguém, em sã consciência, negaria que existe uma hierarquia clara de valores --e portanto de prioridade-- entre a preservação de vidas e a de propriedades. Sendo assim, há que comemorar as estatísticas recentes que confirmam uma persistente queda de homicídios em terras paulistas, ainda que concomitante a um aumento dos crimes contra o patrimônio.

No Estado de São Paulo, em outubro, os casos de homicídios dolosos caíram 22,4% em relação ao mesmo período de 2012. Foi o sétimo mês seguido de queda. Na capital se observa a quinta redução mensal e cifra semelhante, 28%.

No acumulado dos dez primeiros meses do ano, a diminuição foi de 3,8% no Estado; na cidade de São Paulo, de 8,5%.

Ainda que seja justificável o alívio com as retrações percentuais, não se deve esquecer que o número absoluto de assassinatos, mesmo após o recuo, segue espantoso: 3.689 casos no ano, até outubro.

O secretário da Segurança Pública do governo Geraldo Alckmin (PSDB), Fernando Grella Vieira, tem motivos para comemorar os dados. É mérito seu ter debelado a crise de violência do segundo semestre do ano passado, em meio à guerra surda entre a Polícia Militar e uma organização criminosa.

Mas seria mais prudente que esperasse o resultado do ano para sinalizar que o Estado ficará em 2013 mais perto da taxa que se convencionou ser aceitável, 10 assassinatos por 100 mil habitantes (hoje, ela está em 11,06). A queda de homicídios dolosos, afinal, pode ser mero efeito estatístico --normalização após o recrudescimento--, e não fruto de eficiência policial.

Houve, por certo, um aumento no número de prisões nos primeiros dez meses do ano, de 121.928, em 2012, para 141.536, em 2013 --um recorde, desde 2001. Prender criminosos é bom, mas prevenir e evitar a ocorrência de delitos é melhor. E isso só se alcança com investigação e ações de inteligência.

Quanto a esses aspectos, as polícias paulistas ainda deixam a desejar, como fica óbvio no crescimento de roubos cometidos no Estado e na capital, também por cinco meses seguidos. De janeiro a outubro, foram 6,4% casos a mais na comparação com o período anterior. Só em outubro foram 22.818.

O secretário aventou a possibilidade, sem afirmá-la, de que não se trate de um incremento real, mas de ampliação de notificações. A hipótese mais provável, para Luís Flávio Sapori, especialista da PUC-MG, é a ineficiência do trabalho preventivo e repressivo da polícia.

A criminalidade em território paulista é um fenômeno ainda mal compreendido. Parece provável que a realidade esteja, como é frequente, no meio do caminho entre a versão rósea do governo e a dos especialistas que a criticam.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - O Brasil precisa de um Instituto independente para fazer pesquisas, coletar dados e fazer as estatísticas da violência e da criminalidade para serem analisados pelas forças policiais e pelos integrantes da justiça criminal. Dados fornecidos pelas secretarias de segurança nem sempre são reais, tendo em vista os fatores políticos envolvidos, ainda mais em véspera de eleições.

AS MORADAS SOB TENSÃO

O SUL Porto Alegre, Quarta-feira, 27 de Novembro de 2013.



WANDERLEY SOARES


Estranha a proposta de moradia para PMs que coloca suas famílias de prontidão


Discretamente, quase sem ruídos, fracassou, em Porto Alegre, o projeto de moradias para policiais com aluguéis pagos pela prefeitura, que anunciou a impossibilidade de arcar com tais despesas devido à corte no orçamento. Caso o projeto funcionasse, em 44 núcleos dos chamados Territórios da Paz, que são áreas consideradas violentas, quatro brigadianos residiriam em cada um deles com seus familiares e, dentro das possibilidades da pasta da Segurança do Estado, com viatura disponível. Assim, os policiais estariam ao alcance da mão das comunidades 24 horas por dia. Pareceu-me, numa visão primeira, uma ideia de primeiro mundo, embora, sem as muletas da prefeitura, seja irrealizável. De outra banda, este penduricalho que a política transversal da segurança está implantando no RS - as prefeituras do interior estão sendo chamadas para compor o projeto - apresenta aspectos aos quais os PMs só se submeterão por absoluta necessidade de morar e conservar seus empregos. Sigam-me


Prontidão


Os PMs que residirem nos chamados Territórios da Paz estarão de serviço 24 horas por dia, o que me parece ser uma condição de trabalho não amparada pela lei. Mais ainda: os PMs que dormem no quartel, mesmo de folga (a casa alugada nada mais será do que um posto da Brigada, que é um segmento do quartel), podem ser chamados a qualquer momento, pois não deixam de estar de prontidão, segundo os costumes da caserna. E a prefeitura que pagar o aluguel contará sempre com a prontidão desses policiais. Paralelamente, as famílias desses brigadianos também estarão permanentemente sob tensão e não há aluguel que compense isso. Aliás, chego a crer que, sobre esta moldura, já foram consultados os profissionais da saúde que operam na Brigada Militar. Portanto, o projeto fracassado, por ora, em Porto Alegre, tem questões um pouco mais profundas do que o orçamento da prefeitura.


Banco


Ontem, foi arrombada a agência do banco Itaú da avenida Salgado Filho, no Centro de Porto Alegre. Os ladrões forçaram a abertura da porta que dá acesso ao interior do banco. O alarme disparou e a empresa responsável pela segurança alertou a Brigada Militar. Os bandidos, ligeiros, roubaram computadores


Perseguição


Um homem foi preso e dois fugiram após assalto a um restaurante, ontem, na avenida Teresópolis e a um posto de combustíveis na avenida Tramandaí, no bairro Ipanema, Zona Sul de Porto Alegre. Os três estavam em um Peugeot prata. A Brigada Militar foi chamada e houve perseguição. Os criminosos perderam o controle do carro e capotaram na estrada Três Meninas, no bairro Belém Velho


Mistério


No posto do chamado Território da Paz, localizado na avenida Tronco, houve um episódio misterioso sábado último, à noite. Um colchão estendido na parte dos fundos da guarnição repentinamente pegou fogo. Os brigadianos estavam atentos e impediram que as chamas se alastrassem. Rapidamente, tudo foi colocado em ordem. Não havia fumantes no local.

ESTADO SEM LEI

ZERO HORA ONLINE 27/11/2013 | 01h29

PORTO ALEGRE - Dois indivíduos matam uma pessoa na Lomba do Pinheiro.

Uma pessoa foi morta na noite desta terça-feira, no bairro Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre. O crime ocorreu por volta das 22h, na Rua Botânica, na altura do número 221. De acordo com o Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), dois indivíduos passaram pela via dentro de um Palio e fizeram disparos de arma de fogo, atingindo uma pessoa que estava a pé. Até o início da madrugada desta quarta-feira, a identidade da vítima não havia sido divulgada.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

TENTATIVA DE EXECUÇÃO MATA MENINO DE 12 ANOS

ZERO HORA 26 de novembro de 2013 | N° 17626


NOVO HAMBURGO. Menino de 12 anos morre baleado



A polícia está convicta de que o menino Eduardo Roberto de Lima dos Santos, 12 anos, pagou com a vida pelos problemas do pai, na noite de domingo, em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos.

Por volta das 22h20min, o adolescente acabou baleado em uma pizzaria da Rua La Paz, no bairro Santo Afonso, por homens que teriam entrado no estabelecimento atirando.

O alvo dos dois criminosos, já identificados pela Delegacia de Homicídios de Novo Hamburgo, seria Márcio Roberto dos Santos, 31 anos, pai do menino, com antecedentes por tráfico. Ele foi ferido por um tiro de raspão debaixo de um dos braços. Está internado, sem risco de morte, no Hospital Municipal. Um tio da vítima, que também estava junto, escapou sem ferimentos.

Os atiradores teriam chegado em um Audi A3, escuro, mas outros veículos, incluindo uma moto, teriam sido usados por comparsas. Aproximaram-se da mesa na qual estavam as vítimas e começaram a atirar. Eduardo foi atingido por um disparo no braço e outro no peito.

De acordo com o delegado Enizaldo Plentz, a principal hipótese é a de um acerto de contas a partir de um desentendimento entre criminosos no Presídio Central. Em novembro do ano passado, Márcio foi preso juntamente com uma quadrilha de traficantes. Mesmo tendo suspeitos do crime, até o momento a polícia não realizou prisões.

MÃE É MORTA COM O FILHO NOS BRAÇOS

ZERO HORA 26 de novembro de 2013 | N° 17626


EDUARDO TORRES


DENTRO DE CASA. Lisiane Lopes de Souza foi esfaqueada na Vila da Paz, em Cachoeirinha, Região Metropolitana


Os gritos de pavor do menino de oito anos, pedindo socorro em nome da mãe, despertaram a tia, Jaqueline Cândido Ramos, 35 anos, por volta das 4h de ontem. Ainda sem entender o que realmente acontecia, ela passou pelo corredor estreito que divide as casas dos familiares na Rua 29 de Setembro, Vila da Paz, em Cachoeirinha.

Não percebeu que o irmão, ensanguentado, saía a passos largos, deixando um rastro pelo caminho. Quando entrou na casa, deparou com a cunhada, Lisiane Lopes de Souza, 31 anos, caída na cama do casal. Tinha pelo menos um corte profundo no pescoço. Entre seus braços, também sujo pelo sangue da mãe, estava o filho mais novo, de apenas um ano.

– Ela era uma ótima pessoa, não merecia um final triste como esse. Não consigo entender por que uma barbaridade dessas – lamentava Jaqueline.

O dia já havia amanhecido quando o companheiro de Lisiane, Rogério de Oliveira Cândido, 34 anos, deu entrada no Hospital Padre Jeremias com cortes no peito. De acordo com o delegado Rafael Liedtke, da 1ª Delegacia da Polícia Civil de Cachoeirinha, o ferimento foi causado provavelmente na briga com a companheira. Ontem, porém, ele não tinha sido ouvido pela polícia.

A pouco mais de dois quilômetros do local do crime, na Vila Imbuí, Vera Lopes de Souza, 50 anos – a mãe de Lisiane –, ainda tentava encontrar uma explicação para a perda, na manhã de ontem. Os dois netos expressavam o resultado das cenas traumáticas de horas antes.

O pequeno não chorava, mas mantinha os olhos arregalados, quase sem expressão. Já o menino de oito anos, que socorreu a mãe, entrou em choque. Era amparado por uma vizinha.

– Eu avisava a minha filha sobre o que poderia acontecer vivendo com esse sujeito violento. Tentei afastar ela desse homem, mas ela nunca deixou – conta Vera.

Lisiane foi morta enquanto ainda travava o final de um combate contra a leucemia. Já havia sido submetida a duas transfusões de sangue e estava com exames marcados até o final do tratamento. No ano que vem, planejava voltar a trabalhar.

Agressões nunca foram registradas na polícia

O último mês de vida de Lisiane teria sido um “inferno”. Pelo menos é assim que a mãe da jovem, Vera Lopes de Souza, define a relação. Era ela quem amparava a filha depois das brigas com Rogério. Há cerca de três meses, Lisiane havia voltado à casa da mãe, com os dois filhos, aos prantos. Tinha marcas de agressões no corpo. Mesmo com a insistência da mãe, ela não registrou ocorrência contra o companheiro. Dois meses depois, o perdoou. Ele prometeu que a violência não se repetiria, mas, para Vera, uma frase, meses antes, não se apagou:

– Ele falou: “se não vai ficar viva para mim, não vai ficar para os outros” .

ROUBO DE CARRO E TIROTEIO NUMA DAS PRINCIPAIS AVENIDAS DE PORTO ALEGRE

ZERO HORA 25/11/2013 | 18h00

Roubo de carro termina em tiroteio na Avenida Ipiranga, em Porto Alegre. Confronto teria acontecido por volta das 17h30min desta segunda-feira


Um roubo de veículo na tarde desta segunda-feira terminou em perseguição e tiroteio na Avenida Ipiranga, nas proximidades da Rua Vicente da Fontoura, em Porto Alegre.

Conforme informações preliminares da Brigada Militar, policiais teriam seguido um veículo roubado e entrado em confronto com os assaltantes por volta das 17h30min. Um dos bandidos teria sido preso e o outro teria fugido com ferimentos.

PRISÃO EM DESMANCHE

ZERO HORA 26/11/2013 | 03h01

Homem é preso em desmanche de carros em Porto Alegre. Polícia encontrou dois carros clonados e outros dois em situação de roubo ou furto


Foto: Brigada Militar / Divulgação


Um homem foi preso e quatro veículos apreendidos em um desmanche de veículos na zona sul de Porto Alegre na noite desta segunda-feira. Após receber denúncias, a Brigada Militar chegou até uma casa na Rua Cecílio Monza, na Restinga, onde funcionaria a oficina clandestina.

No quintal da residência, foram encontrados oito carros, quatro deles em situação irregular. Dois eram roubados ou furtados e outros dois eram clonados. O homem foi encaminhado para a 2ª DPPA.


MAIS UM POSTO DE COMBUSTÍVEL É ASSALTADO EM PORTO ALEGRE

ZERO HORA 26/11/2013 | 06h20

Ladrões assaltam posto de combustíveis na zona sul de Porto Alegre. Na fuga, houve perseguição policial e um criminoso acabou preso


Durante a fuga, ladrões capotaram o veículo na região da Estrada Três Meninos, no bairro Belém VelhoFoto: Divulgação / 21º BPM

Três criminosos assaltaram um posto de combustíveis na madrugada desta terça-feira em Porto Alegre. O caso ocorreu por volta das 3h20 em um estabelecimento localizado no bairro Ipanema.

De acordo com a Brigada Militar, os ladrões roubaram dinheiro do frentista, do caixa da loja de conveniência e de um taxista que estava no local. Os bandidos fugiram e em um Peugeot de cor prata.

Houve perseguição policial e o carro onde os criminosos estavam acabou capotando na Estrada Três Meninos, no bairro Belém Velho. Um dos ladrões foi preso. Os outros dois envolvidos conseguiram fugir.


PM DE FOLGA É MORTO AO TENTAR IMPEDIR ASSALTO

(Carlos Macedo/Agencia RBS)
zero hora 26 de novembro de 2013 | N° 17626

PORTO ALEGRE

Policial reage a assalto e é morto por bandidos

À paisana, Valdenir Gomes da Silva feriu um assaltante, mas foi alvejado por outro em revenda de gás



Um policial militar à paisana morreu ao reagir a um assalto, ontem à noite, no bairro Ipanema, zona sul de Porto Alegre. O PM Valdenir Gomes da Silva estava em uma revenda de gás de cozinha quando pelo menos dois homens anunciaram o ataque ao estabelecimento.

À paisana, mas armado, o policial militar teria reagido e baleou um dos criminosos na barriga. Porém, o outro assaltante acertou um tiro no rosto do policial militar, que morreu no local.

Com auxílio de um terceiro suspeito, que os esperava em um Palio na porta do comércio, a dupla conseguiu fugir carregando celulares e carteiras de dois clientes e de um funcionário da revenda de gás.

Vizinhos do local acionaram o 190 e, minutos depois, o Palio foi abordado por PMs do 21º Batalhão de Polícia Militar (21º BPM) na esquina das avenidas Costa Gama com Edgar Pires de Castro, bairro Restinga.

O trio se entregou. Dois deles foram encaminhados à 2ª DPPA, e o terceiro, ferido, foi levado para o HPS, onde permanecia internado até o final da noite de ontem.

Conforme a Brigada Militar, os três homens presos foram identificados como Alexander Bispo Nunes, 20 anos, Felipe Bispo Boeira, 19 anos, e Daniel Ferreira de Oliveira, 20 anos.


Silva tinha 11 anos de serviço

O latrocínio (roubo seguido de morte) ocorreu na Avenida Tramandaí, quase esquina com Rua Dea Coufal.

– Pudemos ver um revólver na cena do crime, provavelmente calibre 38 e pertencente ao policial. Mas só a perícia vai confirmar. Em princípio, trata-se de um assalto – disse a delegada da equipe de volantes, Vandi Lemos.

Conforme a Brigada Militar, o soldado Gomes estava na corporação havia 11 anos e, atualmente, trabalhava em função administrativa – antes, havia atuado no 1º BPM e no Departamento de Patrimônio e Logística da Brigada Militar. Era casado e tinha um filho de 13 anos.

A polícia confirmou apenas no final da noite de ontem a identificação do suspeito baleado e dos dois presos, que estavam sendo autuados em flagrante pelo assalto.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

HOMICÍDIOS CAEM E ROUBOS CRESCEM NO ESTADO DE SP

FOLHA.COM 25/11/2013 - 13h40


DE SÃO PAULO




Dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública, divulgados nesta segunda-feira, mostram uma redução no número de homicídios dolosos (com intenção de matar) no Estado de São Paulo em outubro deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. No entanto, o número de roubos subiu.

Esse é o sétimo mês seguido de queda no indicador de homicídios --sequência que não ocorre desde 2011. Em todo o Estado, o índice caiu 22, 42% --de 504 em outubro do ano passado para 391 em outubro deste ano. Na capital, esse índice caiu 28% --de 150 casos para 108.

O número de mortes foi menor em 2013, com 413 vítimas. O número de vítimas difere do casos de homicídios, pois há ocorrências em que há mais de uma vítima _caso das chacinas.

Já os roubos subiram 19% no Estado de São Paulo --de 19.196 casos para 22.818. A capital acompanhou a tendência de alta e registrou um avanço de 23% no número de roubos.

Outro indicador que cresceu na cidade de São Paulo foi o de latrocínios (roubo seguido de morte) --foram 6 casos em outubro do ano passado e 12 no mesmo período deste ano. Em todo o Estado, os roubos seguidos de morte passaram de 21 em outubro de 2012 para 29 neste ano.

Os casos de roubos de veículos cresceram 25% no Estado. Foram 7.165 registros em outubro passado contra 8.675 este ano. Na cidade de São Paulo, esse tipo de crime também registrou alta de 25% --de 3.496 em 2012 para 4.386 em outubro deste ano.

Os roubos de carga subiram 25% no Estado, passando de 577 casos para 726. Na capital, a alta foi de 24% --de 329 para 411 ocorrências.

Por outro lado, os roubos a banco registraram queda de 37,5% em todo o Estado. Na capital, o índice caiu 25%.

Segundo as estatísticas, os estupros caíram no Estado. Em 2012, foram 1.239 em outubro ante 912 neste ano. Na cidade, a queda foi mais expressiva --329 para 217, ou seja, uma redução de 34%.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Dados oficiais nem sempre são confiáveis. 

GUERRA PELO PODER NA CONCEIÇÃO

Moradores de vilas de Porto Alegre aguardam na fila da legalização Mateus Bruxel/Agencia RBS
ZERO HORA 25 de novembro de 2013 | N° 17625


EDUARDO TORRES

TRÁFICO NA CONCEIÇÃO. Sobrinho de Paulão é executado


A guerra pelo poder no tráfico da Vila Maria da Conceição, no bairro Partenon, zona leste da Capital, derrubou mais um integrante da família do traficante Paulo Ricardo Santos da Silva, o Paulão da Conceição. Desta vez, o sobrinho dele, Leandro da Silva Couto, 29 anos, foi executado com pelo menos 10 tiros de pistola e, provavelmente, um golpe de machadinha na cabeça.

A execução ocorreu na Rua Paulino Azurenha. As circunstâncias do crime, porém, ainda eram nebulosas para a polícia até ontem à noite. Depois do alerta à Brigada Militar sobre um tiroteio na vila, por volta das 22h30min de sábado, Couto teria sido socorrido por familiares, mas não resistiu aos ferimentos.

De acordo com investigadores da 1ª Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa, não está claro qual era o atual papel da vítima desde o racha entre os traficantes nas disputas pelo controle dos pontos da vila, ocorrido no começo do ano. Couto tinha antecedentes por tráfico e porte ilegal de arma.

Há alguns meses, ele foi alvo de uma tentativa de homicídio. Uma das hipóteses da polícia é de que tenha sido uma queima de arquivo porque ele seria testemunha de uma morte ocorrida este ano. Outra linha de investigação relaciona o homicídio com os atuais rivais de Paulão.



DIÁRIO GÁUCHO, 29/08/2013

Guerra da Conceição

A história do tiro que derrubou um império em Porto Alegre. Morte de traficante, no ano passado, provocou uma crise familiar e um racha no comando do tráfico na Vila Maria da Conceição. Guerra já custou dez vidas


Brigada faz constantes batidas na vila para tentar coibir a violênciaFoto: Marcelo Oliveira / Agencia RBS


Eduardo Torres


Foram entregues à Justiça nesta semana os inquéritos que investigaram as mortes de Juvenil Marques de Souza Júnior, conhecido como Juvenal, então com 44 anos, em junho do ano passado, e do filho dele, Anderson Willian Silva de Souza, o Sansão, então com 25 anos, em setembro.

As duas mortes deixaram claro à polícia que a violência pelo comando do tráfico na Vila Maria da Conceição, Bairro Partenon, Zona Leste da Capital, começou bem antes dos últimos meses. E teve como estopim um desentendimento no núcleo familiar de Paulo Ricardo Santos da Silva, o Paulão da Conceição, chefão das bocas mais lucrativas da Capital.

● Morte causou crise no comando

Por trás das duas execuções está Carlos Alberto Silveira Drey, o Beto Drey. Ele foi indiciado como mandante dos crimes. Nos dois assassinatos, Samuel Dutra Machado Botelho, o Mensalão, 25 anos, foi apontado como o executor. A dupla, já na cadeia, teve prisão preventiva solicitada pela 6ª DHPP. Beto é enteado de Paulão.

- A morte do Juvenal decretou o descontrole na quadrilha. A partir dali, houve uma crise de comando que abriu espaço para outros nomes surgirem e se criar uma guerra - afirma o diretor de investigações do Departamento de Homicídios, delegado
Cristiano Reschke.

● Padrasto contra enteado

A execução do cadeirante Juvenal na Rua Mário de Artagão, na madrugada de 24 de junho, abalou o império da droga, criado a partir dos anos 1990. Escolhido por Paulão como o gerente das bocas na parte alta da Conceição, cabia a Juvenal também ser
interlocutor do traficante preso e apaziguador dos pequenos conflitos entre os mais jovens.

Ele era um dos "homens de confiança". Isso deixava Beto Drey afastado das decisões do comando. O desentendimento entre Beto - conhecido pelo temperamento explosivo - e o padrasto já era conhecido das autoridades há pelo menos cinco anos.

Mas, contrariando o seu estilo, Paulão nunca tentou eliminá-lo. Agora, com a ameaça de que a família seja destronada, Beto e Paulão estariam se reaproximando. Os dois estão na Pasc, em Charqueadas.

O comando calado a bala

O "efeito dominó" no comando do tráfico da Conceição foi imediato a partir de junho de 2012. Enquanto era julgado em setembro do ano passado, por um homicídio cometido dentro da cadeia, Paulão da Conceição foi curto e grosso:

- Corro risco de vida.

Fazia apenas três dias que o segundo homem designado por ele para substituir a gerência do tráfico havia tombado. Anderson Willian Silva de Souza, o Sansão, então com 25 anos, que era filho do Juvenal, havia sido trazido da Vila Nova para organizar
os negócios. No dia 11 de setembro, o carro em que estava com outros dois jovens foi emboscado na Rua Guilherme Alves. Foi morto com mais de 20 tiros.

- O Sansão não era um "especialista" no tráfico. Teria sido uma espécie de plano de contingência. Com a morte dele, os rivais entenderam que o espaço estava vago - aponta o delegado Cristiano Reschke.

● Líder ficou sem opções

Naquele momento, o leque de opções para sucessão entre os homens de confiança do líder encerrava. No começo de agosto de 2012, Richard Alex da Silva Martins, o Gigi, apontado como outro soldado de Paulão, havia sido morto na Vila Nova. Seu corpo foi queimado e teve as pontas dos dedos cortadas para evitar a identificação pelas digitais.

De espectador a desafiante


Até o começo deste ano, Vladimir Cardoso Soares, o Xu, era um espectador da guerra que se criava. No império da droga, cabia a ele gerenciar as bocas de fumo na parte baixa da vila. Juvenal (e Beto Drey) mandavam na parte alta. Conforme a polícia, Xu não está relacionado às mortes na sequência da execução de Juvenal.

- Ele estava mais preocupado em conservar as bocas que controlava - afirma o delegado.

Isso até alguns meses atrás, quando ele provavelmente viu a oportunidade de fortalecer alianças e desafiar o poder de Paulão da Conceição.

- A crise familiar gerava desconfiança na quadrilha, mas não chegava a interferir no comando do tráfico daquela região - explica o delegado.

Desde o assassinato de Juvenal, a polícia contabiliza pelo menos dez mortes - metade delas neste ano - diretamente ligados às disputas pelo comando do tráfico na Conceição.

Xu também está preso

Com a morte de Sansão, Anderson da Silva, o Tetão - apontado pela polícia como um antigo soldado de Juvenal -, e João Carlos da Silva Trindade, o Colete - um ex-soldado do Paulão -, teriam assumido o comando na parte alta na Vila Maria da Conceição.

O suporte, suspeita a polícia, vinha do líder do tráfico na parte de baixo. Em junho, os dois foram presos pela Brigada Militar sob suspeita de serem os principais articuladores de Xu no atual conflito. O traficante, que teria passado os últimos dias escondido em Santa Catarina, foi preso semana passada, apontado como mandante de pelo menos um dos assassinatos deste ano na guerra da Conceição. É suspeito também de outros quatro.

Comando em crise

Em 2008, o Ministério Público apontou os líderes do tráfico na vila:

● Paulão da Conceição - Da Pasc, tenta rearticular alianças para retomar o controle do maior império da droga na Capital. Crise de comando teria estourado a guerra na vila.

● Beto Drey - Enteado de Paulão, está preso. Teria sido o causador dos conflitos pelo poder do tráfico na vila. Ameaçado, voltou a se aliar com o padrasto e estaria articulando vingança contra Xu.

● Xu - Era o gerente das bocas na parte baixa da vila sob comando de Paulão. Viu na crise interna a oportunidade de crescer, provavelmente recebendo suporte de fora da Conceição. Foi preso na semana passada.

● Mané - Cunhado do Paulão, estaria vivendo no Litoral e, aparentemente, sem envolvimento direto com o tráfico da vila. Era o número dois no comando da quadrilha.

● Juvenal - Era o gerente de maior confiança do Paulão. Foi executado a mando de Beto Drey e abriu a crise no comando da quadrilha.

● Niel - Era investigado como o sucessor natural de Juvenal no comando dos pontos de tráfico mas, quando a guerra estourou, teria desaparecido da vila.

● Gigi - Seria um substituto para Juvenal, mas foi executado de forma cruel em agosto do ano passado na Zona Sul.

As mortes

Conflito começou no ano passado:

● Juvenil Marques de Souza Junior, o Juvenal - Foi executado a tiros na madrugada de 24 de junho do ano passado e deu início à crise de poder no tráfico da Conceição.

● Richard Alex da Silva Martins, o Gigi - Foi encontrado carbonizado e com as pontas dos dedos cortadas na Vila Nova, Zona Sul da Capital. Ele teria recebido ordens para herdar a gerência na vila.

● Anderson Willian Silva de Souza, o Sansão - Foi morto em uma emboscada na Rua Guilherme Alves, em 11 de setembro do ano passado. Filho do Juvenal, teria assumido seus pontos.

● Luiz Henrique Silveira da Silva e Pedro Henrique Matos - Dois jovens foram mortos em sequência na noite de 18 de novembro do ano passado. Seriam soldados eliminados na disputa da vila.

● Bruno Bicca - Foi morto com tiros na cabeça na frente de casa, no dia 5 de maio deste ano. Era um dos protegidos de Paulão dentro da vila.

● Carlos Maurício da Silva Rabelini, o Boquinha - Foi executado a tiros dentro de uma das casas da família do Paulão, na Rua João do Rio. A esposa do líder foi agredida nessa ocasião. A morte foi encarada como o "esculacho" ao antigo comandante.

● Rafael Pereira Santiago - Foi encontrado morto no Bairro Nonoai no dia 10 de maio. Teria sido arrancado de casa, dentro da vila. Ele era um dos "soldados" mais antigos do Paulão.

● Sandro Drey de Souza, o Galinha - Foi executado no dia 30 de maio em uma emboscada na Zona Sul. Era um dos comandantes que havia restado na família. A morte determinou a saída dos últimos parentes na Conceição. Boa parte segue refugiada na Região Metropolitana.

● Alessandro Matos Pituva - Era "soldado" do Paulão e foi executado no dia 20 de julho dentro do Patronato Lima Drummond, onde cumpria pena em regime semiaberto.

As alianças da guerra:

● A polícia investiga um possível consórcio do Paulão da Conceição com a facção Os Manos, dentro da Pasc. O traficante forneceria armamentos e os soldados que lhe restaram para que a facção, com mais integrantes, elimine seus rivais.

● Xu, ao adotar a estratégia de eliminar os soldados do rival, estaria envolvido em uma aliança entre os Abertos e os Bala na Cara para ter poder de fogo e controle sobre as bocas da Conceição.


DIÁRIO GAÚCHO

domingo, 24 de novembro de 2013

NOMES SEMELHANTES E ATÉ APELIDOS LEVAM INOCENTES À PRISÃO

FOLHA.COM 24/11/2013 - 02h05


JULIANA COISSI
DE SÃO PAULO


Maria Aparecida foi confundida com Aparecida. Moraes, com Morais. José da Silva, com outro de mesmo nome. Todos foram presos por crimes que não cometeram.

Somente em São Paulo, segundo levantamento feito pela Folha, ao menos 56 pessoas foram vítimas desse tipo de equívoco desde 1994.

Foram horas, dias e até anos de reclusão por terem nomes e sobrenomes parecidos com os dos verdadeiros suspeitos, embora não tivessem feições, nomes dos pais nem documentos semelhantes.

Márcio Neves/Folhapress

Jurandir Xavier da Cruz, 58, preso em virada do ano porque criminoso falsificou seu RG


Somados os períodos atrás das grades, essas pessoas permaneceram presas injustamente por sete anos, oito meses, 18 dias e 14 horas.

Há casos ainda de pessoas encarceradas porque tiveram o documento roubado. Cumpriram pena no lugar do ladrão que lhes subtraiu o RG.

A reportagem chegou aos 56 casos a partir de ações no Tribunal de Justiça de SP e da análise dos 96 acórdãos em que aparecem os termos "homonímia" e "preso".

O número pode ser ainda maior. Isso porque o levantamento só inclui quem processou o governo do Estado, responsável pelas polícias que efetuaram as prisões.

O valor total das indenizações definidas pela Justiça nesses processos foi de R$ 1,7 milhão. Na maioria dos casos, porém, não houve pagamento porque o Estado ainda recorre da decisão, embora admita falhas nas prisões.

Em algumas situações, há erros crassos, como confundir um "Barboza" com outro "Barbosa", com "s".

Num outro episódio, a polícia se valeu apenas do apelido para efetuar a prisão. Eronildo Furtuoso Correa, o Nildo, ficou nove meses na cadeia em 2007 no lugar de outro Nildo -Leonildo. "Minha vida até hoje não entrou no eixo", disse Eronildo.

Ele e outras vítimas desses erros relataram à Folha que ainda hoje têm problemas emocionais e que nunca mais recuperaram o emprego.

Maria Aparecida Radiuc, 58, ficou seis dias presa em 2001 ao ser confundida com a cunhada, Aparecida Radiuc, suspeita de sequestro de um bebê. "No caminho, só gritavam: 'Cadê o bebê? Onde o deixou'? Eu não entendia nada", disse ela.

Cida diz que o delegado a agrediu, batendo forte em suas costas. "Na cadeia, as presas gritavam: Vai morrer!"

A maioria aguarda indenização. José Francelino da Silva, não mais. Preso por 26 horas em 2009, morreu sem reparação financeira.

Para Martim Sampaio, diretor de Direitos Humanos da seção paulista da OAB, as prisões ocorrem por um erro "abominável", a falta de um sistema eficiente de checagem de dados pessoais.

"A maioria dos presos neste país é pobre e tem nomes simples, como Souza, Silva. E a polícia não verifica direito. Simplesmente prende."

INDENIZAÇÃO

As indenizações não seguem nenhum padrão. O TJ, por exemplo, condenou o governo paulista a pagar R$ 20 mil a um PM que ficou preso 12 horas. Já para um homem detido por dez dias, a indenização foi de R$ 5.000.

Juiz no fórum de Santana, Enéas Garcia afirmou que o TJ tem trabalhado para tratar casos de homonímia com mais rapidez, mas reconhece sobrecarga de processos.

Sobre valor, diz que não há uma tabela de indenizações.

O TRAFICO SENTIU O GOLPE E AGORA BUSCA ALTERNATIVAS

O Estado de S.Paulo 17 de novembro de 2013 | 2h 03

Secretário admite 'alguma migração' de criminosos por causa das 34 UPPs no Rio

MARCELO BERABA, WILSON TOSTA, RIO 
Os últimos seis meses foram difíceis para o gaúcho José Mariano Benincá Beltrame, de 56 anos, secretário de Segurança do Rio desde 1.º de janeiro de 2007 e chefe de um dos projetos-chave do governo Sérgio Cabral Filho (PMDB), o das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP).
Beltrame diz que pode ficar no governo caso Pezão vença as eleições em 2014 - Wiltonm Junior/Estadão
Wiltonm Junior/Estadão
Beltrame diz que pode ficar no governo caso Pezão vença as eleições em 2014
Desde junho, o setor que o delegado da Polícia Federal comanda foi duramente submetido à prova por uma sucessão de problemas, crises e pressões. As manifestações de rua, marcadas pela violência, se estenderam até outubro, com acusações à Polícia Militar que variaram da omissão ao abuso. Na Rocinha, o desaparecimento do auxiliar de pedreiro Amarildo de Souza após ser preso virou um sombrio caso de sequestro e morte sob tortura perpetrado por PMs.
Recentemente, os índices de criminalidade voltaram a crescer depois de longo período de declínio: em agosto de 2013, os homicídios subiram 38% sobre o mesmo mês do ano passado. Apesar das dificuldades e de se dizer cansado, Beltrame, pela primeira vez, admite que, se for convidado, pode permanecer no cargo.
Nos últimos meses, Beltrame também precisou resistir a pressões para transferir o título eleitoral de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, para o Rio, para tentar um cargo eletivo pelo PMDB no Estado.
Outra modificação importante foi a admissão pelo secretário de que "alguma migração" de criminosos da capital, por causa das 34 UPPs em comunidades pobres, pode ter causado aumento da criminalidade em cidades vizinhas. Beltrame afirma ainda que as passeatas representaram um fato totalmente novo para as polícias, até mesmo pelo uso, por manifestantes, de coquetéis molotov e outras armas, e questiona a ideia de que possam ser enfrentadas por meio de procedimentos "manualizados". "Eu já disse, até mesmo eu gostaria de estar na manifestação, com umas plaquinhas", brinca, sem revelar o que escreveria.
Depois de meses de queda, a criminalidade voltou a subir com força no Rio. O que está havendo? Tivemos, sem dúvida nenhuma, uma ação forte (da polícia) na capital. Tivemos uma opção pela UPP e também pelo controle de metas. Tínhamos de atacar essas duas frentes. Agora, o crime também, em uma cidade grande, pode buscar novas formas, outras alternativas. (Houve) Um pouco de migração (da criminalidade), pode ter também aí falha policial, falha na investigação, pode ter falha na supervisão, pode ter uma série de outros problemas. Mas o tráfico sentiu o golpe e pode estar procurando alguma outra maneira de suprir isso.
De que maneira essa reação do crime está impactando o programa de UPPs? Provoca algum tipo de mudança na estratégia? Não necessariamente. Em primeiro lugar, é dizer que o Estado entrou, não vai sair. Eu digo, isso que está acontecendo nas UPPs é a tirania procurando alguma coisa. Não viram uma entrevista em que o cara disse que o tráfico está perdendo dinheiro, que o tráfico está acuado, que isso é um desaforo? E isso não vai parar. Esses caras não vão entregar isso para nós de mão beijada. O que tem de fazer nesses casos é identificar as pessoas, ir lá e tirar. Mas nunca iludi ninguém de que isso seria uma solução. Acho que as pessoas precisam entender que temos hoje 9 mil policiais nesse programa, em torno de 230 comunidades ocupadas, que perfazem 34 UPPs. Isso em cinco anos. E esses 9 mil policiais não estão patrulhando a Nossa Senhora de Copacabana.
Procede a avaliação de que com as UPPs na capital houve uma grande migração de criminosos para municípios próximos, ao mesmo tempo em que tirou policiais dessas regiões? O quadro não é bem assim. Houve migração? Houve. Qual é o nosso calcanhar de Aquiles? É medir o tamanho dessa migração. As pessoas falam em migração e parece que chegaram cinco ônibus de bandidos em um lugar e tomaram conta. Só para ter uma ideia: em Niterói, tivemos, de janeiro a julho, em torno de trezentos e poucos presos... Trinta e poucos eram do Rio.
Em função dessa reação do crime nos últimos meses, pode acontecer alguma modificação no programa das UPPs? Todo planejamento é dinâmico. A gente, em 31 de dezembro, promete um monte de coisa: parar de fumar, parar de beber, emagrecer, e não consegue. Então, o planejamento tem uma margem que muda, mas não temos a intenção de mudar, vamos, até o fim do ano que vem, entregar as 40 UPPs e tem mais um número de UPPs planejadas. Agora, se tiver de fazer ajuste, a gente faz.
Houve um momento em que se juntaram números de aumento de criminalidade, problemas nas UPPs e manifestações de rua, que geraram muitas críticas à PM. Como o senhor avalia isso? A polícia tem de procurar o meio-termo. Se ela não faz, prevarica; e, às vezes, se faz, está sujeita a abuso de poder. Então, o meio disso aí é a solução. E como você chega ao meio, em um movimento totalmente caótico, em um movimento que não tem pessoas para você fazer interlocução e em um movimento totalmente novo? Nunca tivemos aqui pessoas mascaradas, coquetel molotov, estilingue incendiário, muito menos pessoas com rosto coberto. Então, teve aquele primeiro dia, em que 102 cidades do Brasil amanheceram quebradas. E acho que ali a polícia poderia ter agido melhor. Em contrapartida, tenho certeza que ela também evitou muita coisa. A polícia do Rio, de Choque, é uma das mais treinadas do País. O problema é que é uma situação totalmente diferente. Eu já disse, até mesmo eu gostaria de estar na manifestação, com umas plaquinhas, lá...
Com que placa? Não posso dizer agora, né?
Como o senhor analisa as acusações de que a Polícia Militar tem feito, nas manifestações, prisões sem prova, que levam à liberação dos acusados? Por que isso? Porque a legislação quer que tenha autoria e materialidade. Em uma situação caótica, você pode ver, em São Paulo, em outros Estados, é muito difícil. Teve um delegado que enquadrou com Lei de Segurança Nacional. Quando conseguimos pegar as pessoas com porrete com prego na ponta, com bombas, essas pessoas foram presas.
Quando manifestantes presos no Rio foram enquadrados na Lei de Organizações Criminosas, houve muitas críticas, dizendo que essa lei seria adequada para tratar de quadrilhas internacionais, envolvidas em tráfico transnacional de drogas, armas, pessoas. Houve exagero? O que vejo é (a necessidade de) uma adequação. O que estamos vendo são ações muito maiores do que o simples dano, e essas pessoas hoje estão sendo enquadradas no dano. É muito mais do que dano e menos do que organização criminosa, talvez. Mas, uma vez enquadrada, e a polícia trabalhando, nada impede que no transcorrer de uma investigação cheguemos a uma organização criminosa, ou a uma infiltração, ou à participação de outros atores.
Procedem as informações sobre a ação de ativistas ligados a partidos nas manifestações? Aí vai te falar um cara que tem 30 anos de inteligência: eu, sobre inteligência, não falo. Uma coisa é você ter a informação, outra coisa é você divulgar essa informação. Quem tem a informação é responsável pela salvaguarda dela.
Essa divulgação foi precipitada? Claro que foi.
E está prejudicando a investigação? Sem dúvida. Não é nada contra a imprensa, acho que a imprensa está no papel dela.
Um dos fatos que ajudaram a incendiar as manifestações foi o caso do Amarildo de Souza, ajudante de pedreiro desaparecido depois de preso pela PM na Rocinha. Como o senhor viu esse episódio? Muito ruim, muito triste, em especial para a família. Sem dúvida nenhuma chocou a todos nós.
Atingiu a imagem da UPP e da política de segurança? Na minha percepção, não. Porque teve ali um episódio isolado, teve uma ação da polícia representando o Estado, que apresentou os autores à sociedade, estão entregues à sociedade para responder por isso. E a gente mostrou que não tem corporativismo, tem oficiais presos, tem uma turma grande que foi apresentada à Justiça. E hoje (a Rocinha) é um lugar onde se investiga como em qualquer lugar.
Tudo indica que a morte de Amarildo foi resultado de uma sessão em que foi torturado. Por que a polícia do Rio não consegue se livrar do estigma da tortura? Acho que, em primeiro lugar, não dá para generalizar. Temos aí muitas prisões muito bem feitas. Acho que temos diariamente vidas que são salvas (pela polícia), anonimamente, ou pelo menos vocês não estão sabendo. Mas temos, sem dúvida nenhuma, uma história um pouco negativa nesse aspecto, que alguns policiais insistem, por vezes, nessa questão de abuso.
Vão achar o corpo de Amarildo? Como vou te responder isso? Tenho esperança que na Justiça, onde vamos ter o enquadramento da participação de cada um (dos PMs), tenhamos algum tipo de resultado.
O senhor até há pouco tempo dizia que seu sonho era, encerrado o atual governo, ir para a iniciativa privada. O senhor mantém essa disposição ou poderia aceitar continuar, se o vice-governador Luiz Fernando Pezão ganhar a eleição para governador no ano que vem? Se o Pezão ganhar, a gente pode continuar.
Esse 'pode continuar' é eleitoral ou é vontade? Não, não é nada eleitoral. Você tem horizontes aqui para a segurança pública que não terminam mais. Tem toda uma questão de educação, qualificação, preparo nas academias, tecnologia. A gente vê uma série de outras coisas que ainda faltam. O Rio tem uma história de violência. E talvez a gente perca uma geração para mudar esse patamar.
Passados sete anos, o senhor não está cansado? Cansado eu estou. Não tenha dúvidas de que cansado eu estou. Mas quem sabe, se eu ficar, o Pezão não vai me dar férias?
Foi difícil esse período que juntou Amarildo, manifestações, aumento da criminalidade e pressão grande sobre o senhor se candidatar? Difícil, não tenha dúvida. Muito difícil.
Na sua gestão, o senhor acha que o mais importante foi a UPP? O mais importante para mim, de tudo, foi a despolitização da secretaria.
Essa despolitização significa que o senhor não vai para a televisão pedir votos para o Pezão? Não estou pensando nisso, não estou pensando absolutamente em fazer campanha, não é comigo.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

O PARADOXO DA SEGURANÇA NACIONAL



*Luiz Gonzaga Patriota



O Ministério da Justiça divulgou recentemente que o Brasil deverá aplicar R$ 4,2 bilhões em segurança pública em 2013. Segundo um levantamento feito pela pasta, o país investirá mais em segurança pública neste ano do que em 2012. Pelos dados coletados, no ano passado foram gastos R$ 3,5 bilhões.

Em contraste com os fartos números governamentais, está a escalada da violência em nosso país.

Anteriormente, a Secretaria Nacional de Segurança Pública, órgão vinculado ao Ministério da Justiça, lançara a 7ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

O compêndio denuncia o crescimento dos homicídios e estupros. Em 2012, 47.136 pessoas foram assassinadas, um aumento de 8,69%. O número de estupros também cresceu, chegou a 50.617.

Não obstante, houve um aumento dos investimentos em segurança pública. No entanto, não é possível aferir um clima de tranquilidade para a família brasileira.

Após essa breve análise, o paradoxo que surge é: como a violência cresce se o Estado investe mais? Ocorre que este mesmo Estado envida esforços, em vão, para tentar proteger a sociedade. E não contente, impede o cidadão de bem de resguardar a si e a sua família.

Em vigor desde 2003, o Estatuto do Desarmamento pouco efeito produziu nos índices de homicídio. Cresceu entre 2003 e 2010 a taxa de mortes por armas de fogo por 100 mil habitantes em 17 dos 27 estados. O Brasil continua a ser um dos líderes mundiais da violência e uma das nações em que mais se mata no mundo.

Queremos que nossa pátria amadureça e um modelo eficaz da segurança pública faz-se necessário. É hora de encarar o debate de frente e, não mais, vender teorias ilusórias que a realidade desmascara diariamente.



* Luiz Gonzaga Patriota, 67, deputado federal pelo Partido Socialista Brasileiro de Pernambuco.



Enviado por email por Victor Brandão


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Muito boa as colocações. Entretanto, posso afirmar com convicção que não é por falta de investimentos que a violência não cai. Só que os investimentos estão focados apenas em equipamentos e viaturas para o aparato policial, esquecendo o potencial humano, os riscos da profissão, a jornada estressante, a dedicação exclusiva de um policial operante e que a atividade policial é apenas uma parte extrema de uma grande e complexa cadeia de ações e processos de justiça criminal. 

Para um modelo de segurança eficaz, é preciso pensar a segurança pública como uma situação de paz, tranquilidade e convivência pacífica, e não tratar esta questão como forças de segurança pública. Como o Brasil se democratizou, a segurança pública deve ser tratada como finalidade de um conjunto de ações e processos integrando órgãos do judiciário, promotorias, defensoria, forças policiais e setor prisional. Um sistema capaz de aproximar as ligações, agilizar os processos, desburocratizar a papelada, criar pesos e contrapesos e ser diligente, coativo e comprometido na consolidação do interesse público em que a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas são prioridades. Um sistema que esteja fortalecido por leis rigorosas, processos claros e coatividade suficiente para prevenir, inibir as ilicitudes, garantir direitos, punir de forma exemplar, evitar a impunidade e permitir a recuperação dos autores de crime. 

Dois grandes erros no Brasil são a ingerência partidária em questões técnicas da segurança pública e a visão míope da segurança pública que foca apenas o aparato policial sem perceber que os esforços policiais precisam ter continuidade no judiciário, no ministério público, na defensoria e nas políticas prisionais.