SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

ESCUTAS REVELAM CÓDIGO DA QUADRILHA DE ROUBO DE VEÍCULOS

CORREIO DO POVO 29/01/2014 08:35

Operação da Polícia Civil desarticulou bando na operação Lancer



Operação da Polícia Civil desarticulou bando na operação Lancer
Crédito: Polícia Civil / Divulgação / CP


As escutas telefônicas feitas durante as investigações em torno da quadrilha de roubo de veículos desmontada na operação Lancer do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil revelaram códigos empregados pelos criminosos em suas conversas. O delegado Arthur Raldi citou, como exemplos, os termos “adesivos” (placas), “roupinha” ou “jaquetinha azul” (lacre), e “box” (lugar onde guardam o veículo recém roubado). Ele ressaltou que, em uma ocasião, um dos integrantes da quadrilha ficou sabendo do roubo de um HB 20 e ligou para a proprietária oferecendo seus serviços para “resgatar” o carro roubado, pois saberia quem teria efetuado o roubo. O bandido exigiu da vítima a quantia de R$ 5 mil, assegurando que já havia negociada a devolução com os ladrões de seu carro roubado por R$ 1 mil.

Em outra situação, um membro da quadrilha ofereceu a outro cúmplice um Mitsubishi Lancer, ano 2012, pelo valor de R$ 3 mil. Nesta negociação, um dos criminosos perguntou ao outro se o veículo estava “limpinho” (clonado) ou se “tem que fazer” (adulterar seus sinais identificadores). Com a garantia de entrega de uma placa clonada, o negócio foi concretizado entre eles. Os policiais acabariam prendendo um deles e recuperando o Lancer, além de encontrarem uma lista com a numeração de 16 placas “quentes” que seriam usadas na clonagem.

“As placas eram feitas ao custo de R$ 100,00 ou R$ 200,00 o par”, acrescentou Arthur Raldi. Entre os modelos de carros roubados estavam Lancer, L200, Pajero Dakar, Azzera, Sonata, Peugeot 307, Corola, Tiguam,Aircross, SpaceFox, Cobalt, Focus, Fit, i30, ix35, Sportage, Tucson, Sentra, HB 20, Logan, Palio e Corsa, além de motos tipo Hornet. “Os veículos eram vendidos prontos com documentação e placas adulteradas”, destacou o delegado da Delegacia de Roubos de Veículos (DRV).

Dez integrantes da quadrilha foram presos na ação de ontem. Outras duas prisões haviam sido realizadas desde março do ano passado, quando iniciaram as investigações. “A estimativa é de que a quadrilha roubou pelo menos 50 veículos no período”, observou o delegado Juliano Ferreira.

Cerca de 70 agentes em 35 viaturas cumpriram 14 mandados de busca e apreensão e outros 11 mandados de prisão em Porto Alegre, Alvorada, Viamão, Gravataí, Balneário Pinhal e Charqueadas, além de Criciúma (SC). Houve a apreensão de um Hyundai i30 e um Meriva, além de seis celulares. Durante o trabalho investigativo, os agentes recolheram dez veículos. Um dos dois líderes da organização criminosa foi preso, enquanto o outro está foragido. As bases da quadrilha ficavam nos bairros Sarandi, em Porto Alegre, e Jardim Algarve, em Alvorada.

Os roubos dos veículos de luxo, cometidos por assaltantes armados, ocorriam sob encomenda, sendo escolhidos modelos e cores. “Eles ficavam vasculhando as ruas até encontrar o que pretendiam”, recordou Juliano Ferreira. Em seguida, os carros eram levados para os atravessadores, que providenciavam as adulterações das identificações e clonagens. Depois, os veículos já clonados e documentos tinham como destino Criciúma, onde estavam os receptadores.

Juliano Ferreira estima que 90% dos veículos abasteciam o estado vizinho. A participação de cada integrante era individualizada, sendo divididas por exemplo as tarefas de quem levava os assaltantes até os locais de roubos, os responsáveis pelos sinais identificadores e também pela confecção dos documentos, além dos encarregados das vendas dos veículos clonados, cujos valores ficavam entre R$ 3 mil e R$ 10 mil. O delegado Juliano Ferreira lamentou que muitos dos presos já haviam capturados em operações anteriores da DRV, mas acabaram soltos pela Justiça. Entre os envolvidos estão ainda dois apenados da Pasc.
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