SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

O DRAMA DE QUEM ESCAPOU DE UM TRAGÉDIA EM PLENA FESTA EM COPACABANA

O DIA 02/01/2014 08:37:39

Reportagens de Felipe Freire, Flávio Araújo, Gabriel Sabóia e Vânia Cunha

O drama de quem escapou de uma tragédia em plena festa. Poderia ser pior, diz quem presenciou tiroteio em Copacabana que deixou 12 feridos


Rio - Em segundos, o que seria uma virada de ano com fogos e brindes virou uma longa noite na maca do Hospital Miguel Couto, na Gávea. Para o adolescente Renato Resse, 15 anos, os planos foram alterados de forma drástica, mas há motivos para comemorar.

“Nasci de novo no primeiro dia do ano”, conta ele, uma das 12 vítimas do tiroteio que assustou quem passava pela esquina da Avenida Nossa Senhora de Copacabana e a Rua República do Peru, em Copacabana.
Renato, 15 anos, ferido no ombro no tiroteio de CopacabanaFoto: Paulo Araújo / Agência O Dia

Faltavam apenas 15 minutos para a meia-noite quando, num surto de ciúmes, Adilson Rufino da Silva, 34 anos, discutiu com a mulher, Rosilene de Azevedo, 37, tomou a arma de um policial e abriu fogo contra a multidão. Entre as vítimas, estão o comandante do 19º BPM (Copacabana), tenente-coronel Ronal Langres Santana, um sargento lotado na Diretoria-Geral de Pessoal da PM — que trabalha como segurança do procurador-geral de Justiça, Marfan Vieira —, um guarda municipal e a menina Clara Maria de Freitas Moreira, 7 anos, baleada no peito.

Os filhos de Adilson e Rosilene também foram feridos levemente. Vitor, 13, e Caíque, 9, foram atendidos na UPA de Copacabana e liberados. Até a noite de ontem, pelo menos outras quatro pessoas ainda estavam internadas.

Desesperados, pedestres corriam para se abrigar dos tiros. Testemunhas relataram que a tragédia poderia ter sido maior. “As pessoas só não morreram porque se jogaram no chão. Ele estava fora de controle. Os policiais tinham pedido para ele ficar calmo, mas ele gritava muito. Aí deram uma ‘gravata’ (golpe), mas o homem puxou a arma do PM. Só tinha visto cena parecida em filme, passei mal depois que cheguei em casa”, contou a governanta Tereza de Souza Merz, 49 anos, que voltou da Alemanha, onde trabalha há 22 anos, só para passar o Réveillon em Copacabana.

Valdiceia Lino Gomes contou que a nora Carolina Salles, 20, estava com a família quando foi baleada na perna. “Ela dava a mão ao meu neto, de 4 anos. E meu filho segurava minha netinha de 8 meses. Foi o pior Réveillon da minha vida”, disse. O casal é do Engenho Novo e assistia pela primeira vez aos fogos. “Tenho certeza de que foi a primeira e a última vez deles aqui”, garantiu. 

Em sua casa, em Bento Ribeiro, a sensação de Renato era de alívio.“Quando me agachei, o tiro pegou no meu ombro esquerdo. Percebi que estava sangrando e pedi socorro. Se não tivesse me abaixado, a bala teria atingido meu peito ou minha barriga”, contou Renato, no colo da mãe, Luciana Resse, 39, após receber alta.

Renato foi ao carro buscar outras mercadorias para a sogra, que vendia bebidas na areia. Ao perceber a confusão, parou para ver o que acontecia. “Vi o cara com um policial rolando no chão e logo depois houve um disparo. Até pensei que fossem fogos, mas quando todos correram e deitaram no chão, fiz o mesmo. Só percebi que tinha sido baleado quando coloquei a mão no ombro e notei o sangue.”

Adilson lutou com policiais

Polciais e testemunhas, contaram que Adilson teria tentado enforcar a mulher. Os PMs foram separar o casal, mas o homem entrou em luta corporal com eles e pegou a pistola calibre 40 que estava no coldre na perna de um dos policiais, disparando aleatoriamente. Os PMs revidaram e atingiram Adilson sete vezes, inclusive quando ele já estava caído, segundo testemunhas. Investigadores da 12ª DP (Copacabana) recolheram quatro armas dos policiais. Oito PMs, duas vítimas e testemunhas foram ouvidos ontem. A polícia vai requisitar imagens das câmeras de segurança e pode pedir exame toxicológico do acusado.

DESABAFO

Ação da PM é criticada

Rosilene contou que seu marido, Adilson, já havia bebido em excesso quando, numa crise de ciúmes, começou a enforcá-la na frente dos filhos do casal. “Ele perdeu o controle, se transformou”, lembrou.

A truculência da ação policial foi alvo de críticas por parte de Rosilene. “Houve excesso por parte da polícia. Vários PMs agrediram um homem sozinho e nem assim tiveram sucesso. Foram pelo menos 10 disparos no meio de uma via pública lotada”, disse, em lágrimas, a mulher.
“Meus filhos terão que conviver para sempre com esta cena”, complementou. De acordo com ela, Adilson nunca havia a agredido. O casal vive em Raiz da Serra, distrito de Duque de Caxias, e estava no Rio apenas para ver os fogos.

Adilson continua internado no Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, onde foi operado, após dar entrada com várias lesões no corpo. Ele foi autuado em flagrante por tentativa de homicídio a agressão à mulher (Lei Maria da Penha).

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