SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

VIOLÊNCIA BANAL E LONGA AGONIA

ZERO HORA 08 de janeiro de 2014 | N° 17667

VIOLÊNCIA BANAL. A longa agonia de José Augusto

Familiares querem levar advogado esfaqueado na Redenção para centro especializado em neurologia


Imóvel há oito meses, desde o dia em que levou uma facada na cabeça em um dos principais parques de Porto Alegre, José Augusto Amorim, 39 anos, só consegue se comunicar por meio do piscar de olhos. Ao mesmo tempo em que esperam por um milagre, que traga de volta a vitalidade do advogado apaixonado por esportes, os familiares cogitam a transferência dele para algum centro especializado em recuperação neurológica, no Rio de Janeiro ou em São Paulo.

Toda assistência que o Hospital Mãe de Deus, na Capital, podia proporcionar já foi dada, garante o pai de Guto, José Amorim, 67 anos. Após tanto tempo, o aposentado acredita que a rotina diária de atendimento fonoaudiológico e de três sessões de fisioterapia, incluídas no convênio particular, já não são mais suficientes para a evolução do quadro do filho.

– A situação dele é muito preocupante. Fechou oito meses e ele ainda está com uma dependência imensa. Não consegue falar, se alimentar, não tem força motora. Sei que, se passarem dois anos, fica ainda mais difícil de recuperar. Estou numa corrida contra o relógio, pois sei que aqui não tem mais o que fazer – diz Amorim.

Ao consultar um neurologista na manhã de ontem, o aposentado recebeu algumas indicações de locais que podem acelerar a reabilitação do filho. Um deles é o Centro Internacional Sarah, no Rio de Janeiro. A ideia é tentar uma vaga na instituição que é pública e só recebe pacientes que já possam receber alta do hospital onde está internado, como é o caso de Guto.

Enquanto busca informações para a transferência, Amorim continua em uma rotina dedicada totalmente ao filho mais velho. O aposento no quarto andar do Hospital Mãe de Deus substituiu o apartamento localizado na Rua da República, bairro Cidade Baixa, onde dormia antes do dia 4 de maio de 2013, data que Guto foi atacado por um homem ao passear na Redenção.

– Estou hospitalizado junto com ele – desabafa.

Pai passou a virada do ano ao lado do filho, no hospital

A virada de ano foi ao lado do filho, no quarto do hospital. Já no Natal, Guto teve a companhia da mulher, Tatiane Katz, 38 anos, que reveza os cuidados com o sogro ao longo do dia. Por causa da facada que atingiu a parte direita e central da cabeça, imobilizando os movimentos do corpo, Guto não consegue fazer nada sozinho e respira por traqueostomia.

– Todo dia espero por um milagre. – resigna-se a jovem.

Para se comunicar com a mulher, Guto usa apenas os olhos.

– Peço para ele fechar os olhos para me responder, mas tem momentos que acho que ele não entende – diz.

Ontem à tarde, a reportagem de Zero Hora esteve no quarto onde Guto está internado. Para preservar a imagem dele e dos parentes, fotografias não foram permitidas. O único registro feito foi do mural montado na frente da cama onde o advogado permanece a maior parte do tempo. Nele, estão fotografias de momentos especiais, como a viagem com Tatiane para Cancun, e mimos religiosos que ajudam a família a seguir em frente. Nas imagens, Guto aparece com a vitalidade que todos esperam rever.

– Ele era surfista, adorava skate, bicicleta, praticava academia de segunda a sábado e tinha uma rede de amizade muito grande. Não podemos ficar parados – reforça o pai.


AGRESSÃO PELAS COSTAS - Em 4 de maio, o advogado José Augusto Amorim, na época com 38 anos, foi atacado no Parque Redenção. Um homem deu uma facada na cabeça de Guto, por volta das 18h, quando ele tomava chimarrão no local. Após investigação, Rodrigo Borges Pereira, 37 anos, foi apontado como suspeito. Ele está preso no Central.

NA JUSTIÇA - Após a chegada do laudo do Instituto Psiquiátrico Forense (IPF), em 11 de dezembro, comprovando que Rodrigo Borges Pereira não tem problemas mentais, como alegou a defesa, o processo deve voltar para a fase de instrução. Todas as partes voltarão a ser intimadas. O advogado de Pereira, Rodrigo Grecellé Vares, diz que aguardará a nova audiência. Em dezembro, ele solicitou a liberdade do réu, alegando a demora no retorno do laudo do IPF. O pedido foi negado pela Justiça.
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