SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

terça-feira, 4 de março de 2014

ARTISTA USA POSTERES DE FILMES PARA DEBATER A VIOLÊNCIA


Artista britânico usa pôsteres de cinema para debater a violência presente nos filmes. Jon Burgerman interage com cartazes espalhados por Nova York

ANDRÉ MIRANDA 
O GLOBO
Publicado:2/03/14 - 6h00



A série ‘Head shots’, de Jon Bugerman Divulgação/Jon Bugerman


RIO - O velho debate sobre o efeito que a violência dos filmes tem nos espectadores ganhou uma interpretação inusitada do artista Jon Burgerman. O britânico de 34 anos, baseado em Nova York desde 2010, está fazendo uma série de intervenções em estações de metrô, a maioria na própria cidade americana, em que aproveita as imagens dos cartazes dos filmes para denunciar o que ele considera um excesso de violência. O trabalho se chama “Head shots” (“Tiros na cabeça”) e está sendo publicado no site de Burgerman.

As obras que compõem “Head shots” são simplesmente fotos do próprio Burgerman sendo “atingido” pelos personagens dos cartazes dos filmes. Numa, por exemplo, ele aparece com uma flecha na cabeça, à frente de um cartaz de “Jogos vorazes — Em chamas” em que a personagem de Jennifer Lawrence aponta seu arco para o transeunte do metrô. Noutra imagem, Burgerman é “acertado” pela pistola de Daniel Craig a partir do cartaz de “007 — Operação Skyfall”.

— Eu me interesso em mostrar de que maneira, com ações bastante simples, é possível alterar como nós percebemos o mundo — diz Burgerman. — Assim, eu tive a ideia para o “Head shots” quando estava em Seul e vi um cartaz gigante em que o Bruce Willis atirava com uma metralhadora. Então deitei no chão e pedi para um amigo me fotografar como se eu tivesse sido atingido. Foi aí que me dei conta de que existem muitas outras cidades do mundo com imagens parecidas.

Em “Head shots”, nem mesmo o novo “Robocop”, do diretor brasileiro José Padilha, escapou. Uma das cenas retratadas por Burgerman mostra uma intervenção no cartaz do filme: a arma do policial do futuro se transforma num simpático guarda-chuva rosa, com patinhos amarelos pendurados.

— Eu tenho tido bastante cuidado para evitar fazer as intervenções quando a polícia está por perto. Assumi uma regra para mim em que a única coisa que não posso fazer é danificar permanentemente algo que seja de propriedade de outra pessoa. Na maioria das imagens, eu nem preciso encostar nos cartazes. Mas eu tenho reparado que mais policiais têm circulado pelo metrô perto do meu estúdio. Quanto mais você observa, mais você vê — brinca Burgerman, que trabalha no Brooklyn.

A série do artista remete imediatamente à repercussão provocada por tragédias em que americanos atiraram contra seus pares: após crimes como esses, imediatamente bandos de especialistas aparecem para criticar a violência no cinema.

O caso que teve uma ligação mais direta ocorreu em julho de 2012, quando um atirador mascarado matou 14 pessoas e feriu outras 50 durante uma sessão de “Batman — O Cavaleiro das Trevas ressurge” no Colorado. Ele foi preso logo em seguida. No mesmo ano, em dezembro, um rapaz de 20 anos entrou numa escola de Connecticut, matou 20 crianças, seis adultos e depois se suicidou. Antes, ele havia matado sua mãe em casa. O episódio gerou um grande debate nos EUA sobre como o cinema e a TV poderiam incentivar a violência entre os americanos.

“Violência no DNA humano”

Meses depois, perto do lançamento de “Kick-Ass 2”, o ator Jim Carrey veio a público desculpar-se pelo altíssimo nível de violência do longa-metragem, no qual interpreta um anti-herói sanguinário, e se disse arrependido de ter participado da produção. “Peço desculpas aos outros envolvidos no filme. Não tenho vergonha de ser parte dele, mas acontecimentos recentes me fizeram mudar de opinião”, escreveu Carrey no Twitter.

— Eu não tenho uma conclusão sobre a influência do cinema em atos de violência. Mas não acredito que você possa culpar qualquer mídia por alguém tomar a decisão de matar outra pessoa. A violência está no DNA humano, filmes e programas de TV são apenas uma parte pequena do quadro geral — diz Burgerman. — “Head shots” tem como principal objetivo mostrar como o espaço público tem sido usado. E, claro, procura fazer com que as cenas sejam engraçadas, mas com um tema sério. Espero que incentive outros a fazerem o mesmo em suas cidades.

http://oglobo.globo.com/cultura/veja-algumas-imagens-do-trabalho-de-jon-burgerman-1-11749822
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