SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

segunda-feira, 10 de março de 2014

BANDIDOS SÃO SURPREENDIDOS POR CASAL DE POLICIAIS CIVIS. UM MORRE



ZERO HORA 10 de março de 2014 | N° 17728

EDUARDO TORRES



REAÇÃO FATAL
Em meio à caminhada, policiais matam bandido. Casal de agentes percebeu ação de criminosos perto do Parque Germânia


A tranquila Rua Padre Alois Kades, no bairro Vila Ipiranga, próximo ao Parque Germânia, foi cenário de tiros e morte ontem pela manhã. Por volta das 9h30min, o pânico tomou conta dos moradores de uma clínica geriátrica localizada na rua. Diante do portão, o tiroteio deixou um assaltante morto, e um preso. Eles haviam atacado o plantão de vendas de um empreendimento imobiliário no Jardim Europa e feito os corretores reféns.

Os assaltantes foram surpreendidos por um casal de policiais civis que, naquele momento, se exercitava nas proximidades. Ao ser abordado, Luan Borges Duarte, 22 anos, teria feito menção de sacar o revólver calibre 38 que trazia no bolso do casaco. A reação dos agentes foi imediata. Luan foi morto a tiros.

O comparsa, Gustavo Vinícius Rosa de Moraes, 29 anos, entregou-se sem resistência. Os outros dois assaltantes fugiram em um Celta. Três notebooks, telefones e dinheiro, que haviam sido levados do plantão de vendas, foram recuperados. A arma apreendida com Luan tinha um brasão do Estado.

– Nós agimos por vocação e conforme o treinamento. Abordamos e percebemos a reação do bandido. Atiramos como proteção – diz o agente de 30 anos, atuante na 1ª Delegacia Regional Metropolitana, que prefere não ser identificado.

De acordo com o delegado Rodrigo Pohlmann, houve legítima defesa configurada. Gustavo foi autuado em flagrante por roubo, formação de quadrilha e tentativa de homicídio contra o casal de agentes.

A movimentação suspeita foi percebida pelos dois policiais antes mesmo do crime. Enquanto caminhavam na região do Parque Germânia, teriam notado quatro homens rondando a área em um Celta. Passaram a monitorá-los. Quando estacionaram, um dos homens desceu do veículo e entrou no plantão de vendas.

– Naquele momento, liguei para a Brigada, passei a placa do carro e a situação suspeita. Nunca esperava que fosse acontecer um tiroteio. Contava que a Brigada chegaria lá antes – conta o agente.

Em pouco tempo, outros dois suspeitos entraram no prédio. Os corretores tiveram as mãos amarradas enquanto o trio fazia a limpa. Na saída, foram abordados pelos policiais. Luan teria corrido até o outro lado da rua e, de lá, tentado sacar o revólver. Ele foi atingido por cinco disparos.

A suspeita da polícia é de que a intenção do bando não era exatamente roubar os materiais dos corretores.

– Quando entraram no plantão, eles foram logo perguntando pelo veículo do dono da incorporadora. Ao perceber que o alvo não estava lá, um deles teria gritado para irem embora – relata o delegado Rodrigo Pohlmann.




“Na hora, tive o reflexo”



O casal de agentes entrou junto na Polícia Civil, há menos de dois anos. Ele atua na Região Metropolitana, enquanto a mulher é agente em uma das delegacias de homicídios de Porto Alegre. Ontem, o policial, de 30 anos, conversou com o Diário Gaúcho.

Diário Gaúcho – Você sentiu que corria risco de morrer?

Policial – Eles vinham na minha direção. Mandei mostrarem as mãos e um deles ficou espiado, não mostrou e puxou a arma. Na hora, tive o reflexo de me esconder atrás de uma árvore e agir da forma como fui treinado em seis anos de Brigada Militar e mais de um ano na Polícia Civil. Mas depois, o cara pensa no risco que representou, me preocupei mais pela minha esposa e pelas outras pessoas ao redor.

DG – O que pensar da profissão em momentos como esse?

Policial – Tenho medo de ficar marcado pelos criminosos. A gente é policial, mas não está livre da violência. Não é fácil pensar que até no momento de lazer terei de andar armado.
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