SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

sábado, 1 de março de 2014

BICHEIROS NA LINHA DE FRENTE DO CARNAVAL

REVISTA ISTO É N° Edição: 2310 | 28.Fev.14 


Discretos nos últimos anos, contraventores retomam a dianteira das escolas de samba e mostram poder no desfile da Sapucaí

Mariana Brugger  e Wilson Aquino 


Luizinho Drumond, presidente da escola de samba Imperatriz Leopoldinense, caminhava alegremente na avenida Marquês de Sapucaí, ao lado do ídolo de futebol Zico, às vésperas do Carnaval, durante ensaio da escola que tem o craque como enredo. Na noite anterior, Rogério Andrade, patrono da Mocidade Independente de Padre Miguel, apresentava a atriz Mariana Rios, na quadra da escola, como a nova rainha da bateria. Dias antes, na sede da Beija-Flor, Aniz Abraão David, o Anísio, recebia o amigo Boni, ex-todo-poderoso da Rede Globo, homenageado no Carnaval da agremiação de Nilópolis. Depois de anos atuando nos bastidores, por motivos como prisão ou fuga, o Carnaval deste ano marca a volta aos holofotes dos contraventores que comandam as escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro. Entre os chefões, talvez somente Anísio, internado na semana passada com arritmia cardíaca, não compareça ao desfile.


LUIZ PACHECO DRUMOND (LUIZINHO)

É dono das bancas de jogo na Zona da Leopoldina, subúrbio da capital fluminense. Também foi condenado em 1993 a seis anos de prisão e, em 1998, a mais nove anos por ligação com o crime organizado. Desde 2012 é investigado pela morte do ex-diretor de bateria da Imperatriz Leopoldinense, Marcone da Silva Sacramento, o Mestre Marcola. Responde a vários processos ligados à máfia de caça-níquel e contravenção, em liberdade

O reaparecimento mais ruidoso é o do sobrinho de Castor de Andrade (1926-1997), Rogério Andrade, à Mocidade. Um sambista disse à ISTOÉ que ele voltou este ano com força total. Aconselhou, a seu próprio modo, o ex-presidente Paulo Vianna (denunciado pelo Ministério Público por falsificar assinaturas em uma assembleia da escola) a renunciar imediatamente. Vianna entendeu o recado e saiu. Andrade trocou a diretoria e a rainha de bateria, que era a modelo Ana Paula Evangelista. “Ele beijou a bandeira e declarou amor eterno à escola. Desde então é o Rogério quem banca todas as despesas, como compra de material, pagamento do pessoal do barracão e o churrasco na comunidade. E, claro, dá todas as ordens”, revela um integrante da escola, que pediu anonimato. Andrade desperta o medo de todos e tem muitos inimigos. Depois de ser condenado à prisão pelo assassinato de um primo e de ser preso (leia quadro), ele sofreu um atentado à bomba, na Barra da Tijuca, em 2010, quando seu carro explodiu e morreu seu filho, Diogo, de 17 anos.


ROGÉRIO ANDRADE

Volta este ano a assumir o comando da Mocidade Independente. Sobrinho de Castor de Andrade, foi condenado a 19 anos de prisão pela morte do primo Paulo Roberto de Andrade, em 1998. O júri acabou sendo anulado e ele foi absolvido. Desde 1997, trava uma guerra com o contraventor Fernando Iggnácio, genro de Castor, pelos pontos de máquinas caça-níqueis. Em 2010, sofreu um atentado à bomba que resultou na morte do filho, Diogo, de 17 anos.

Os mecenas do Carnaval carioca são apontados como chefes do crime organizado. Foram condenados à prisão pela primeira vez na década de 1990, por formação de quadrilha, e são alvos constantes de ações da Polícia Federal contra o jogo do bicho e a máfia dos caça-níqueis, já que controlam essas contravenções no Rio. Em 2011, Anísio foi para a cadeia após uma operação policial que também buscava o patrono da escola Vila Isabel, Aílton Jorge Guimarães, que fugiu. Só reapareceu em 2012, quando seus advogados derrubaram o mandado de prisão. Também integrante do conselho da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), o capitão Guimarães chegou a ser preso em 2007, na Operação Furacão, da Polícia Federal. Depois disso, parou de ostentar poder publicamente.


AIRTON JORGE GUIMARÃES (CAPITÃO GUIMARÃES)


Ex-oficial do DOI-Codi , ingressou na contravenção na década de 1980 e logo chegou à cúpula. Controla os pontos em Niterói e Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, além do Espírito Santo. Foi presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), da Vila Isabel e patrono da Viradouro, de Niterói. Foi preso em várias operações da polícia, mas cumpriu apenas a condenação de três anos imposta pela juíza Denise Frossard, em 1993

Hoje, sua tática é outra. “O capitão Guimarães dá as ordens na Unidos de Vila Isabel através do Moisés”, explicou uma pessoa que acompanha os bastidores do Carnaval carioca. Moisés é o apelido de Wilson Vieira Alves, presidente de honra da agremiação, e que também já foi condenado a 23 anos de prisão pelos crimes de contrabando, formação de quadrilha e corrupção ativa em 2010 (ele conseguiu habeas corpus no final de 2012). Quem frequenta a quadra da Vila nota que Moisés também se exibe mais do que nos últimos anos. Da mesma forma, Luizinho Drumond, da Imperatriz Leopoldinense, bate ponto na quadra todas as segundas-feiras para pagar funcionários – em dinheiro vivo. “Tudo da escola tem de passar pelo Luizinho”, afirma um dos organizadores da agremiação. A participação dos bicheiros no Carnaval é questionada pelo Ministério Público do Rio na Justiça. A Liesa foi fundada em 1984 por um contraventor, Castor de Andrade, e desde então é comandada por bicheiros ou pessoas ligadas a eles. Sob anonimato, um promotor do Ministério Público disse à ISTOÉ que os bicheiros fazem terrorismo. “Eles dizem que se não for organizado pela Liesa não tem Carnaval.”




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